julho 10, 2006

Ponto Final (3)

Que simplicidade. Nunca pensei que o mundo e eu chegássemos a esse ponto de trigo.

Clarice Lispector, Onde estiveste de Noite


Há dias em que acordamos com a sensação de querer mudar o mundo.
Resta saber se a demência reside precisamente nesse facto ou na vontade inversa, na acomodação.
Dignos, enquanto inovamos por entre a selva global, insectos quando passamos apenas bem longe do sentido crítico;

[...] Que vale mais a pena esconder? As coisas raras e preciosas ou as que são vulgares e vis? Ficais calado? Se não tendes opinião, aquele provérbio grego responderá oir vós "deixar a ânfora à porta".

Erasmo, Elogio da loucura


Esta semana, escrevia-se por aí num tal diário de Coimbra que a cidade tinha sido invadida por um certo mau odor do qual, se desconhecia até à data de publicação, a sua proveniência.
Não é difícil descobrir, que a cidade tem alguns podres que é urgente eliminar. Pena que o total pague pelas partes.
Terminou ontem o Mundial de Futebol com uma victória da Selecção Italiana frente à Selecção Francesa de Futebol. Repito, victória da Selecção Italiana frente à Selecção Francesa de Futebol.
Muitos de nós esfregaram as mãos de contentes com a Victória da equipa italiana, uma forma de paga (mata mata) pelo facto da equipa Italiana nos ter ganho nas semi-finais.
A partir de determinada altura, havia alguma confusão aquilo que devia ser apenas uma prova desportiva e algumas questões, diria eu pendentes, entre Estados.
Desportivamente, a nossa Selecção, sob a batuta de Scolari. Politicamente, mais ou menos incorrecto, o povo sob a batuta de Scolari com a ajuda dos fazedores de emoções.
Não. Não somos um país tão pequeno em que possamos estar sempre a sacudir a água do nosso próprio capote. Perder e ficar de cabeça levantada é saber perder. Somos grandes. Somos um país enorme. perdemos dois jogos de futebol, e daí?
Não vai ser o futebol que vai resolver os grandes problemas com os quais nos debatemos, erros descarados dos sucessivos políticos deste país e também de nós próprios, que apenas vivemos de grandes emoções e pouca acção.
A pequenez sente-se nesse vulgar erro dos portugueses de atribuir a factores terceiros, o nosso mal desempenho.
Voltando ao desportivamente falando; quantos golos marcou a Selecção Portuguesa no mundial? Poucos. Quase tão poucos, quantas notícas importantes do país real, que os portugueses se aperceberam neste mês de Campeonato do Mundo.
Precisamos das alegrias do futebol, é certo. Mas precisamos cada vez mais de nós próprios na construção de uma vida melhor, sem as demagogias do costume.
Acho que vivemos na horizontalidade e ponto final.

Publicado por Nuno Teixeira em julho 10, 2006 04:25 PM
Comentários

And I thought I was the sensible one. Tnakhs for setting me straight.

Afixado por: Margaretta em junho 19, 2011 02:17 AM

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Afixado por: cmnpxdaatu em junho 19, 2011 03:57 PM

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Afixado por: owbztqucd em junho 20, 2011 01:02 PM

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