outubro 27, 2007

Aqui Jaz Dom Quixote - O fim

Aqui jaz fidalgo forte
que a tanto extremo chegou
de valente e de tal sorte,
que a morte não triunfou
de sua vida na morte.
Teve todo o mundo em pouco,
a aventesma foi por troco
do mundo, em tal conjuntura,
que houve por sua ventura
morrer cordo e viver louco.

Miguel de Cervantes

Aqui termina a longa caminhada de quase quatro anos de aventuras e desventuras.
Termina esta caminhada, porque o Dom Quixote já não se encaixa nos novos tempos. Os tempos em que a poesia fica nas prateleiras das livrarias, o tempo em que amor é confundido com doença, a paixão é vivida sem surpresa e ideal.
Porque ainda defendo que a vida tem de trazer uma novidade todos os dias, assim se defende o brilho nos olhos das pessoas e o mundo ainda é feito por pessoas.
Outro motivo para o encerramento, prende-se com a imagem que este blogue suscita em mim desde o seu nascimento até hoje.
Sei que ainda nos vamos encontrar em qualquer esquina da paixão, o mesmo quererá dizer, da blogoesfera.
Antes da despedida, uma palavra aos que tiveram paciência a ler-me. A todos quantos conheci, TODOS boa gente do meu Portugal que adoro mas também fora dele o que demonstra que a internet e toda esta esfera global pode trazer muitas coisas boas.

Como se de uma madrugada sorrateira se tratasse...

Temos estradas que não usamos,
Somos loucos
Lindos e soltos
Voamos.

Hora do Óbito: 22:08h
Sem ressuscitação possível

Publicado por Nuno Teixeira em 09:58 PM | Comentários (590) | TrackBack

outubro 22, 2007

Dance Me To The End of Love

Publicado por Nuno Teixeira em 01:15 PM | Comentários (1900) | TrackBack

outubro 17, 2007

"Sabes que dia é hoje?"

Fomos tu e eu,
de lógicas ilógicas surreais
dos pisos e tectos
das feições iguais
convocados extraordinariamente
nesse acaso de bola de trapos.

Fomos tu e eu,
juntos quase sem mexer os lábios,
constrangidos por acto teatral
representado sabe-se lá porquê.

Lembras...
fomos tu e eu,
com um ou dois beijos entre o primeiro
e último anunciado e escrito e revoltado
fomos dois junto ao mesmo rio,
foste tu e fui eu...

que era o teu melhor amigo,
fosse talvez o melhor amante,
porque fui tu e eu,
perdidos no cansaço entre riscos e rabiscos
entre explicações sem explicação,
perdidos num acto repetido.

Fui eu contigo,
nas coincidências felizes e infelizes
nas cumplicidades implícitas não concretizadas
num amor contado pelos dedos sem nunca dar as mãos

no fundo foste tu e eu,
numa esperança de acabar um poema,
que não acaba
porque nem tudo tem de ser melódico

mas foste tu eu,
os diferentes iguais
os resumidos do costume
que tinhamos a melodia
e não a tocámos.

Hoje sou apenas eu
de lógicas ilógicas surreais,
acusado de doença sem cura
pelo próprio antídoto.


Bom dia do outro lado do mundo.

Publicado por Nuno Teixeira em 12:46 AM | Comentários (8) | TrackBack

outubro 16, 2007

ainda guardo...

a folha de um bloco de notas que continua em branco, como se esperasse um poema final.

Bom dia mundo

Publicado por Nuno Teixeira em 01:17 AM | Comentários (122) | TrackBack

outubro 12, 2007

A XANA GOSTAVA DO JOÃO QUE GOSTAVA DA CARLA...

... a qual se mostrava pouco estável nos seus amores, para não dizer fugidia.
O João, desesperado, não tinha outro remédio senão carpir a sua paixão nos ombros de Xana. Xana era morena tranquila, , boa ouvinte, pouco faladora, dada à escrita e ao desenho rabiscado no seu diário. Quanto à Carla, sabemos que era loira, e tudo o resto iremos saber à medida Xana se transforma sob a pressão do discurso lacrimoso do João.
Sete semanas ouviu Xana a exaltação da doirada beleza da Carla, dos seus graciosos meneios, da arte do bate e foge, do sedutor discurso existencial que soterrava o mais fino - e interessado - argumentado. Os diários de Xana começaram a encher-se de esboços de rostos femininos de claros cabelos, de sedutoras poses, de estranhas palavras e de imaginárias aventuras transgressivas. Ao fim de um mês, os cabelos da Xana estavam pintados de loiro. As suas vestes, até então discretas, tornaravam-se pouco a pouco exuberantes, sempre antecipadas por esboços no seu diário.
A fala da Xana adaptou-se ao discurso aprendido, o seu corpo adaptou-se à pose estudada. Desbragou-se na fala, feita de circunstanciais sentimentos à solta. Começou a sair sem destino, mergulhou à procura das luzes que a noite trazia escondidas. Com muitos falou e bebeu. Memórias, poucas. Fez de cada dia um presente, que é como fazer dos dias um passado que efectivamente passou. Inconstante e pouco disponível, aprendeu a deixar os outros sequiosos de um futuro que nunca existira. E aprendeu também como isso lhe disponibilizava uma corte de amigos sempre à sua espera. Gostou.
O João assustou-se. Não sabendo mais o que fazer, nostálgico do ombro acolhedor e discreto que suportava as angustiadas investidas à volta da Carla, afastou-se. Mas a Xana não parou. A asa do nariz ostentava agora um piercing. O outro só era visível quando, noite fora, nas discotecas, exibia as contorções do ventre. Dos outros não sabemos, mas sabemos que ela passou a acompanhar bandas musicais , mascote e figurante às ordens de personagens célebres, reis do palco e da efemeridade.

Tudo isto foi há 20 anos. Hoje, o João é contabilista. A Carla, vencida, casou com ele. Têm uma filha, por sinal morena, estudiosa, discreta e atenta aos amigos. Não se dá bem com a mãe, a quem acusa de se ter deixado vencer pela vida. A bem dizer, a Carla acomodou-se ao marido. É professora na escola da filha, frequenta a pastelaria com as colegas, deixou-se engordar e guerreia-se naturalmente com o Conselho Directivo. Em compensação, a vida é relativamente desafogada.
A Xana mudou de poiso. Foi para a capital, onde dirige uma empresa de marketing. Está satisfeita com o seu trabalho, tem um relacionamento estáve com um artista um pouco mais novo do que ela, mas não tem filhos. Até agora preservou a sua independência acima de tudo. Perto dos 40, está indecisa entre assumir uma gravidez de risco ou adoptar uma criança. O namorado tem dois filhos de um anterior casamento, mas poucos se dá com eles.
Há uns dias cruzou-se com o João, a Carla e a filha num shoping de Lisboa. Mas os reconheceu. Eles, também, não deram por ela, de modo que os pôde espiar, ao longe quando os apanhou de costas. A Carla, gorda, o João, careca. Não queria acreditar que foram estas as persongens que mudaram a sua vida. A lembrar o passado, apenas aquela miúda graciosa mas discreta, projecto de futuro em aberto. Gostaria, sim, de falar com ela, e essa ideia perseguiu-a toda a noite.
Chegada a casa, tomou uma decisão: vai deixar de tomar a pílula.


in Quem nos faz como somos, J.L. Pio Abreu
Publicações Dom Quixote 2007

Publicado por Nuno Teixeira em 09:16 PM | Comentários (20) | TrackBack

Bom dia Blogomundi

Escultura de javali achada nas Cabanas de Baixo (Moncorvo) em 1895, actualmente no Museu Nacional de Arqueologia. Desenho do Prof. Santos Júnior

PARM já tem blog e passa a figurar nos links Dom Quixote.

Bom dia Mundo.

Publicado por Nuno Teixeira em 12:28 AM | Comentários (9) | TrackBack

outubro 11, 2007

Je T'aime... Moi Non Plus

O Dr Barroso deve ter passado pelo Dom Quixote e recordou Jane Birkin e o grande Serge Gainsbourg.
Se existe uma crise de valores nesta velha Europa e principalmente neste país, faço a vontade ao Dr Barroso e publico o Je T'aime... Moi Non Plus.

Publicado por Nuno Teixeira em 11:46 AM | Comentários (14) | TrackBack

outubro 09, 2007

sugestão


Jane Birkin - Arabesque (2002)

A sonoridade orientalmente mais bem conseguida deste lado do mundo.
Um disco para viajar na cumplicidade de corpos.

Publicado por Nuno Teixeira em 11:28 AM | Comentários (1496) | TrackBack

outubro 08, 2007

Caramelo...

Publicado por Nuno Teixeira em 10:14 AM | Comentários (1990) | TrackBack

Os poemas foram-se com o amor e... os lobos

Jim - All the poems have wolves in them.
All but one.
The most beautiful one of all.

"She dances in a ring of fire
and throws off the challenge
with a shrug."

Pam - That's beautiful....Who did you write that for?

Jim - I wrote it for you.

Who really cares about poetry if love kill them all?
Temos estradas que não usamos,
Somos loucos,
Lindos e soltos
Voamos.

Publicado por Nuno Teixeira em 02:57 AM | Comentários (1794) | TrackBack

Bom dia mundo

Publicado por Nuno Teixeira em 02:49 AM | Comentários (30) | TrackBack