junho 26, 2007

acidente

Não gosto de mesas de vozes em série,
nem de brindar à saúde de quem não conheço.
À semelhança deste homem que circunspecto
assiste, prefiro o silêncio das salas vazias.
Depois de o prato, a faca, a colher
e o garfo terem sido removidos da mesa,
ficamos sós com as nossas memórias,
trespassados pela luz
de uma lâmpada de sessenta watts
que de súbito emudece.
Na margem de um estremecimento
acende outro cigarro.
Nos vidros a chuva vigia.

Jorge Gomes Miranda in Acidente

Publicado por Nuno Teixeira em 03:12 PM | Comentários (1241) | TrackBack

junho 20, 2007

ainda a Metafísica dos tubos

."..Qual é a diferença entre os olhos que têm um olhar e os olhos que o não têm? Essa diferença tem um nome: vida. A vida começa onde o olhar começa."


Amélie Nothomb

Somos lindos,
soltos voamos.

Publicado por Nuno Teixeira em 01:41 PM | Comentários (1612) | TrackBack

junho 18, 2007

Heroes? Just for one day

Publicado por Nuno Teixeira em 02:07 PM | Comentários (2453) | TrackBack

junho 14, 2007

O dia em que a poesia morreu

O crime do século aconteceu.
Alguém matou a poesia.
Apareceu algures numa dessas ruas esquecidas, já desmembrada.
Chorava de dor enquanto pedia socorro a outra mão alheia.
Não foi identificada de imediato, tal o seu maltratado estado.
A autópsia revelou o crime macabro.
Poesia foi expulsa do amor entendido por olhares cumplices. Depois foi usada por todos, quando supostamente era reservada.
Por fim, foi deixada ao acaso naquela rua.
O dia em que a poesia morreu, não ficará na memória de todos. É como o amor não correspondido. Vive apenas num dos lados do mundo.
Porque o amor só acontece uma vez na vida, é possível assassiná-lo, assim o queira a inteligência, derrotar a vontade.

Publicado por Nuno Teixeira em 10:22 PM | Comentários (1009) | TrackBack

junho 12, 2007

Porque os amigos nunca se esquecem

E já passou um ano.
Hoje no teu aniversário, volto a escrever no velho diário.
Não um ano de ausências, porque imagens e memórias jamais são ausências.
Onde quer que estejas, estarás sempre no meu coração, naquele lugar especial reservado aos bons amigos.
Daqui deste lado do mundo, um abraço ao amigo eterno.

Publicado por Nuno Teixeira em 09:22 PM | Comentários (152) | TrackBack

junho 07, 2007

O negocio de bebés

Debora L. Spar

A novidade a ter em conta da ALMEDINA

Publicado por Nuno Teixeira em 11:45 PM | Comentários (1536) | TrackBack

junho 06, 2007

Ainda o amor

[...] O amor perdeu a gratuidade, as pessoas"amam" por desejo de ter um amor que não sentem mais. O amor não tem mais porto, não tem onde ancorar, não tem mais a família nuclear para se abrigar, não tem mais a utilidade do sacríficio pelo "outro". Amor ficou pelas ruas, em busca de objeto, esfarrapado, sem rumo. Não temos mais músicas românticas, nem o lento perder-se dentro de "olhos de ressaca", nem nas "pernas de fulana", nem temos as bocas beijadas por amantes tutti tremanti, nem o formicida com guaraná.
Não se diz mais: "Deus sabe quanto amei!..." mas "Deus nem sabe quantos (as) amei...".
A publicidade devastou o amor, falando na "gasolina que eu amo", no sabonete que faz amar, na cerveja que seduz. Há uma obscenidade flutuante no ar o tempo todo, uma propaganda difusa do sexo impossível de cumprir. Como comer todas as moças de lingerie e do xampu, como atingir um orgasmo pleno e definitivo? A sexualidade é finita, não há mais o que inventar. Já o amor, não... O amor vive da incompletude e esse vazio justifica a poesia da entrega. Ser impossível é a sua grande beleza.
Claro que o amor é também feito de egoísmos, de narcisismos mas, ainda assim, ele busca uma grandeza [...]

Arnaldo Jabor in Amor é Prosa Sexo é Poesia

Bom dia mundo.
Voamos.

Publicado por Nuno Teixeira em 11:07 AM | Comentários (851) | TrackBack