abril 28, 2006

Pensamento do dia

Desde que me considero um ser vivo que posso dizer, que esta é sem dúvida a pior fase da minha vida.
Mesmo assim, optei por não baixar os braços.
Se morrer será de pé com orgulho de mim mesmo e sorrindo.

Publicado por Nuno Teixeira em 07:46 PM | Comentários (8)

"Hoje o sol, não nasceu para todos..."


(Foto de António Nunes | Prisioneiro na terra)


Do lado de fora brincam as crianças livres.
Aqui deste lado do mundo, há quem suspire por uma liberdade adiada.
Já Fernando o tinha previsto a 04 de Dezembro de 2003, quando através das palavras descobriu o final antecipado de uma Primavera doente, que um dia haveria de chegar.
Hoje, vive-se do outro lado...

"Hoje o sol, não nasceu para todos..."

A princípio é tudo simples. Deixamo-nos divagar junto com o reflexo do nosso mundo, num rio que corre morto rumo ao cinzento dos dias. Vivemos do outro lado das cataratas e presenciamos incrédulos à nossa própria escravidão. Somos escravos dos políticos, dos jornalistas, de um tal a quem chamam deus, dos poetas, dos sonhos que nunca se concretizam (porque não passam disso mesmo… de sonhos), e fundamentalmente do amor. Mas será possível viver com todas estas explosivas combinações?
Criações do hipócrita contemporâneo que nos aprisiona às fábricas de escravidão. Temos por ferramenta um bloco de notas e a caneta da mentira. Escravizamo-nos e somos coagidos a escravizar os outros.
Gritem ao mundo a mensagem. “É urgente reinventar a sociedade.” Nietzsche disse um dia: “ a humanidade gosta mais de ver gestos do que ouvir razões”. Vamos cantar pinturas de guerra nas cidades e pintar com cantigas da revolta, o céu para que ecoem para lá da casa do tal deus que dizem lá habitar e que teremos eventualmente de temer. Vamos fazer revolução e matar com palavras os loucos da nação. Amanhã vamos a todo o lado derrubar os sanguinários, os manipuladores de emoções… vamos queimar as imagens de dor e finalmente vamos suspirar uma lágrima e um sorriso de criança. Vamos nascer outra vez.

Já duvido que haja revoluções.
Afinal cada um puxa para o seu lado e quando assim acontece, é difícil remar sózinho contra a maré.
Mas não é impossível.
Dissiparam-se os sonhos ou a luta pela conquista dos mesmos. Resta a força e a vontade de não ceder.
Lutar sempre. Enquanto o sol brilhar.
Bom fim de semana.
Sejam felizes.
Havemos de voar e quem sabe não nos encontramos um destes dias numa tal esquina de qualquer coisa.

Publicado por Nuno Teixeira em 03:59 PM | Comentários (0)

Sugestões

Sei que me espera qualquer coisa
Mas não sei que coisa me espera.

Como um quarto escuro
Que eu temo quando creio que nada temo
Mas só o temo, por ele, temo em vão.
Não é uma presença: é um frio e um medo.
O mistério da morte a mim o liga
Ao brutal fim do meu poema.


Álvaro de Campos

Regressam as minhas sugestões de fim de semana.
Algumas leituras para ajudar a descontrair neste fim de semana, sendo que eu sou um adepto de ler à noite antes de deitar. Adoro ler nas viagens e as tardes solarengas começam a ser também um sério convite para viagens literárias.
Desta forma recomendo duas novidades e mais livros que já contam alguns anos de prateleira.
Depois de alguma controvérsia podemos encontrar já nas livrarias o título "Couves & Alforrecas". Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto" da novíssima Objecto Cardíaco, que apresenta uma crítica literária baseada num estudo de João Pedro George sobre a escrita de Margarida Rebelo Pinto. O estudo aponta para um caso de sucesso de vendas classificado como popular mas que não deve ser levado muito a sério em termos de criação literária.
Há por aí mais casos sérios de simples popularidade.
O novo de Paul Auster dá por nome de "As Loucuras de Brooklyn". O autor de Leviathan e tantos outros sucessos.
O novo de Auster aponta para as vidas de duas personagens que se cruzam na procura de objectivos de vida diferentes mas que ambos convergem para uma nova comunidade cheia novas formas de sentir a vida. Uma proposta da Asa.
"O Motorista de autocarro que queria ser Deus" apresenta uma viagem por 48 histórias minimalistas, absurdas e hilariantes do israelita Etgar Keret.
Da mesma colecção da Ambar de bolso surge a proposta de ler a "Viagem Florença-Génova e outros relatos insólitos" do Nobel da Literatura Eugenio Montale, precisamente do ano em que nasci, 1975.
É também um conjunto de contos,neste caso 15 contos, onde Montale fantasia sobre uma realidade onde tudo se pode tornar vulgar. Mergulhamos assim em contos deliciosos e de sabor poético.
Lembro está a decorrer na Praça da República em Coimbra mais uma edição da Feira do Livro. Uma oportunidade para adquirir livros mais baratos. Agora não se percam entre os livros.
No Teatro Académico Gil Vicente termina este Domingo mais uma edição do Festival Caminhos do Cinema Português. Aproveito para mandar um abraço aos amigos do Caminhos que não pude visitar este ano mas tenho a certeza que foi mais um sucesso. Parabéns.
Quanto à música deixo duas propostas.
O novo dos Dead Combo chama-se "Quando a alma não é pequena". Uma mistura muito agradável de sonoridades mais um convite para fazer pequenas imagens mentais com a música. Talvez vários filmes conforme vamos viajando pelas sonoridades de Dead Combo.
Outra novidade é o novo de "Show Your Bones", o regresso de Yeah Yeah Yeahs.
Na minha última proposta, aproveito para estender um abraço de felicidades.
Coimbra vai ter a partir deste fim de semana a presença da Fnac. Desejo ao Pedro e à Carla as maiores felicidades. A vida segue dentro de momentos aí desse lado do mundo e espero que se concretizem os vossos sonhos.
São estas as minhas propostas. Como sempre espero pelas vossas.
Quero aproveitar para deixar um pedido de desculpa pela ausência de conteúdos no Dom Quixote mas não tem sido fácil.
Por isso mesmo não desejo desde já um bom fim de semana porque prometo voltar ainda hoje.
Desejo sim um bom dia.
Bom dia mundo.
Lindos e soltos voamos.

Publicado por Nuno Teixeira em 03:29 AM | Comentários (0)

abril 27, 2006

Sento-me aqui nesta sala vazia e relembro

Sento-me aqui nesta sala vazia e relembro.

Afinal ainda dou por mim a pensar em ti.
Fazem-me mal essas visões e esses cruzamentos inesperados na rua.
Fizemos mal um ao outro.
Dissemos e fizemos coisas que agora e de vez em quando nos lembramos.
Ainda assim, és tu a recordação do mais belo momento da minha vida.
Esse pequeno momento que me fez erguer monumentos, palavras e loucuras.
Se adiantasse passar uma esponja, ficaria eu e uma sala vazia, sendo que apesar de tudo, gosto dessa presença.
Se ainda fosse uma criança e acreditasse em coisas parvas, iria antecipar o natal para o mês de Maio e iria pedir-te de novo ao pai natal.
Afinal de contas foi sempre assim que tive a tua presença. Entre o vago e o inconstante. Mesmo assim ficou essa magia de alguma coisa que não consigo descrever e que possivelmente nem sequer tem nome próprio.

Sento-me aqui nesta sala vazia e relembro.

A presença dos teus olhos.
Eu sei que os sabiamos ler. Íamos muito mais além de uma presença.
Escreviamos no ar essa tal magia de termos algo cá dentro para dar.
Depois não sei o que se passou.
Sei apenas que o interesse se perdeu e afinal já não fomos nada. Os pequenos momentos que fomos ficaram diluidos com o presente do que deixámos de ser.
Sei apenas que dei demais e isso afastou-me de ti nessa bela maneira que ambos tinhamos de nos ler.
Isso ainda tem de habitar em nós certamente.
E é precisamente isso que dói.

É verdade que não existe pai natal mas se o vires por aí manda-me essa menina traquina.

Publicado por Nuno Teixeira em 04:06 PM | Comentários (0)

Vamos ver

A identificação do problema (não que venha de hoje).
A injustiça. A desigualdade. A afronta. E com tudo isto a escravidão.
Como nascem as revoluções?
Perguntem ao Orwell.
Caminho:
Não sou do comuna, definitivamente...
Logo;
Penso e...
Solução:
Ou mudo de vida ou mudam a minha vida.
Se a solução não resultar, que seja bem vinda a revolução.
Viva o método.
Bom dia mundo

Publicado por Nuno Teixeira em 04:24 AM | Comentários (2)

abril 21, 2006

OnDa De CaMpEãO

A CAMINHO DA CIDADE.
A CAMINHO DOS AMIGOS.
A CAMINHO DO TÍTULO.

"O livro de honra das vitórias sem igual...
Porto, Porto, Porto"

O clube que representa a mística dos mais fortes e dos mais corajosos.
Sem dúvida, o clube com perfil ganhador para gente vencedora.

Publicado por Nuno Teixeira em 02:47 PM | Comentários (7)

Bom Fim de semana

O regresso à terra tantas vezes prometida.
Um dia quando for grande quero estar no Porto. Fazer lá a minha vida.
A cidade das lágrimas em cascata.
Poderia ter sido muito feliz no Porto.
A única coisa que me arrependo na vida foi não ter aceite aquele convite para estagiar no éter. Caso tivesse aceite o convite, tanta coisa boa poderia ter acontecido e quanta coisa má teria evitado.
Isto acontece quando julgamos saber sempre tudo...
Enfim, são desabafos do fundo do baú.
E tudo isto para dizer que ainda hoje regresso à cidade mais bela do país e que amanhã serei realmente o útimo da "geração rádio" sem anilha.
Tudo isto também, para desejar ao meu grande amigo de infância, muitas felicidades e que a vida lhe dê sempre um poema de coisas boas.
Boa sorte Ângelo.
A todos desejo um bom fim de semana.
Que sejam felizes.
Se não puderem voar, lembrem-se que aqui na terra ainda podemos ao menos percorrer caminhos e estradas.

Publicado por Nuno Teixeira em 02:25 AM | Comentários (3)

abril 18, 2006

menina dos rouxinóis foi-se e não voltou

[...]EStava eu nestas meditações, começou um rouxinol a mais linda e desgarrada cantiga que há muito tempo me lembra de ouvir. Era ao pé da dita janela!
E respondeu-lhe logo outro do lado oposto; travou-se entre ambos um desafio tão regular em estrofes alternadas tão bem medidas, tão acentuadas e perfeitas, que eu fiquei todo dentro do meu romance, esqueci-me de tudo mais.
Lembrou-me o rouxinol de Bernardim Ribeiro, o que se deixou cair na água de cansado.
O arvoredo, a janela, os rouxinois... àquela hora, o fim da tarde que faltava para completar o romance?
Um vulto feminino que viesse sentar-se àquele balcão - vestido de branco...oh! branco por força... a fronte descaída sobre a mão esquerda, o braço direito pendente, os olhos alçados ao céu... De que cor os olhos? Não sei, que importa! É amiudar muito mais a pintura, que deve ser grande e largos traços para ser romântica, vaporosa desenhar-se no vago da idealidade poética...
- Os olhos, os olhos... - disse eu, pensando já alto, e todo no meu êxtase - os olhos... pretos.
- Pois eram verdes!
- Verdes os olhos... dela, do vulto da janela?
- Verdes como duas esmeraldas orientais, transparentes, brilhantes, sem preço.
- Quê! Pois realmente?... É gracejo isso, ou realmente há ali uma mulher bonita, e?...
- Ali não há ninguém - ninguém que se nomeie hoje, mas houve...oh! Houve um anjo, que deve estar no céu.
- Bem dizia eu que aquela janela...
- É a janela dos rouxinóis.
- Que lá estão a cantar.
- Então, esses lá estão ainda como há dez anos - os mesmos ou outros - mas a menina dos rouxinóis foi-se e não voltou [...]

Almeida Garret, Viagens na Minha Terra

Publicado por Nuno Teixeira em 08:51 PM | Comentários (0)

abril 17, 2006

Conversas com a lua

Sento-me aqui nesta sala vazia e relembro. Uma lua quente de Verão entra pela varanda, ilumina uma jarra de flores sobre a mesa. Olho essa jarra, essas flores, e escuto o indício de um rumor de vida, o sinal obscuro de uma memória de origens.

Vergílio Ferreira, Aparição

Há um resto de vida que pulsa sempre que a lua entra retalhada através das persianas do meu quarto.
Não procuro nas sombras do quarto o tacto da saudade. Não espero como nunca esperei que me procures numa dessas noites.
Mas na verdade, há sempre essa esperança, isso há.

Publicado por Nuno Teixeira em 12:49 PM | Comentários (1)

abril 12, 2006

carrossel

DaNçAvA nUa NuM pOeMa QuE eScReVi PaRa ElA.
SeU cOrPo ErA TaMbÉm EsSe PoEmA QuE OsCiLaVa EnTrE a LoUcUrA e A hArMoNiA.
ErAm CuRvAs De PaIxÃo. ErA o ErOtIsMo De MãOs DaDaS cOm O aMor.
ApAnHoU-mE a MeIo CaMiNhO dEsTe CaRrOsSeL dE eNcOnTrOs E dEsEnCoNtRoS.

Publicado por Nuno Teixeira em 07:27 PM | Comentários (0)

Memórias

Criámos toda a esperança do mundo
Reunida na mão dessa criança
Brincámos à roda do amor profundo
Jogámos com minha e tua esperança

Ficámos sós com noite da lua
Discutimos o óbvio dos momentos
Achámos abraços naquela rua
Celebrámos misto de sentimentos

Quando afinal o amor era eu que amava
Ficaram palavras para sempre perdidas
Gritámos na separação adiada

Até memórias ficaram esquecidas
Quando o exaltar do amor numa palavra
Reflecte na lua nossas sentinelas adormecidas


Publicado por Nuno Teixeira em 06:15 PM | Comentários (5)

Aqui estamos

Folga.
Sinónimo de dedicação à minha pessoa e para os amigos.
Tempo para ler, ouvir, escrever e ver estes primeiros raios de sol.
Agora é apenas tempo de almoçar, prometendo voltar ao longo da tarde com um abraço que se estende a todos.
Voamos?

Publicado por Nuno Teixeira em 01:24 PM | Comentários (3)

abril 11, 2006

Pensamento do dia

Uns sabem e gritam de sí...
Eu luto apenas pela justiça de cada um.
Parece-me lógico, ou não?

Publicado por Nuno Teixeira em 02:00 AM | Comentários (4)

abril 07, 2006

Sugestões de fim-de-semana

Por vezes apetece abolir de mim, toda a poesia. É o que faço.
Mas volto a reencontra-la quando os meus dedos sentem saudades de um corpo poético.

Fernando Costa

Estamos à porta de mais um fim-de-semana.
Se vai para fora cá dentro, recomendo desde já atenção redobrada na estrada porque as primeiras chuvas formam peliculas perigosas com o óleo acumulado.
Livros:
Recomendo vivamente a fotobiografia de Jorge Luis Borges quando se cumprem 20 anos do seu desaparecimento.
É uma sugestão da Editorial Teorema.
Da mesma editora e sobre o mesmo génio, "O senhor Borges". Com base nos testemunhos de Epifanía Uveda de Robledo (Fanny), quue trabalhou na casa da família Borges durante três décadas aproximadamente. Uma visão diferente do génio literário que chegou a ser anunciado como um prémio Nobel mas que nunca recebeu.
Uma boa surpresa para mim foi a "Breve História dos Tractores em Ucraniano"
Não é apenas uma abordagem às excentricidades de um velho que entusiasmado com uma ucraniana de metade da sua idade (quem não ficaria), mas é também uma abordagem à história da Europa a leste, no último meio-século.
Ninguém mas ninguém mesmo... dá 48 anos a essa mulher! É cá uma coisa!!!
Falo como é óbvio do novo Instinto Fatal (que com pronúncia africana sai outra coisa). A Sharon é... é... pronto, é isso.
Recomendo que vão ver o filme acompanhados da vossa companhia mais intima. Eu para já vi apenas imagens do filme (let`s look at thje trailler), mas sem dúvida que tenho de ir ver isso nos próximos dias.
Depois digam-me a vossa opinião.
Recomenda-se recolher obrigatório, logo a seguir ao cinema (digo eu).
Desejo a todos um bom fim-de-semana.
Façam o favor de serem felizes.
Lindos e soltos voamos.

Publicado por Nuno Teixeira em 02:05 PM | Comentários (0)

abril 06, 2006

Sugestão

E porque um artista é um grande artista, aqui fica o verdadeiro artista (peço desculpa pela redundância), por sugestão do António Menino.
Como ele diz, soberbo.
É lindo...

Podem visitar aqui

A minha preferência vai para;

"NÃO PASSES MAIS COM ELE NA MUSGUEIRA"

Publicado por Nuno Teixeira em 01:49 PM | Comentários (1)

abril 04, 2006

Cerejas

De cerejas talvez esses momentos
Que tudo fez sentido num instante
Juntas breves nesse carmim flagrante
Como dois impetuosos argumentos

A nova impaciente descoberta
Antes do que não foi dada acontece
Depois da boca o beijo que apetece
E a carne doce o corpo que desperta

Talvez numa precoce primavera
Fogo que ardeu porém ainda em flor
Antecipada véspera de outra espera

Ainda a esperança vã mas insensata
De fazer amor só com amor
Essa dor que nos salva e que nos mata


Fernando Tavares Rodrigues in XXI Sonetos de Amor

Publicado por Nuno Teixeira em 04:44 PM | Comentários (1)

As jogadas do dia

Palavras para quê?
As jogadas do dia para ver por sugestão enviada pelo Miguel Verdi.
Para ver aqui

Publicado por Nuno Teixeira em 01:34 PM | Comentários (0)

abril 03, 2006

Exaltação

És onde bebo a luz e a madrugada
Perdido entre essas coxas de cetim
A tua Boca fresca e aveludada
Onde há restos de seiva e de jasmim

E os segundos contigo duram meses
E é só a vida toda que te peço
Depois de ter morrido tantas vezes
No peito triunfal que não mereço

O teu sabor a fruta e a saudade
De musa favorita aedos
Exalta em mim de novo essa vontade

Volúpias fantasias e segredos
Tu és um vendaval de claridade
Que incendeia a língua dos meus dedos


Fernando Tavares Rodrigues in XXI Sonetos de Amor

Publicado por Nuno Teixeira em 12:28 PM | Comentários (21)