novembro 28, 2004


(Foto: António Nunes | Fim de tarde)

Acabámos por ceder. Deixaste acabar o verão, deixaste que o amor fugisse para além das árvores.
Ficaste com os meus poemas, com os meus abraços, com as luas, com os meus sorrisos e com quase tudo que podia dar de mim.
O que foi jamais voltará a ser. Tudo se perdeu sem que hoouvesse motivo para se perder.
E tu nunca me deste sequer um pôr-de-sol. Partiste mil vezes e nunca disseste porquê.
Nem o teu corpo entendi.

Publicado por Nuno Teixeira em 09:34 PM | Comentários (0)

novembro 27, 2004

Espectante

Hoje somos meros espectadores das artes do palco.
Mas por quanto tempo temos de bater palmas e lançar sorrisos amarrados a uma cadeira, que ainda por cima é desconfortável?

Publicado por Nuno Teixeira em 12:56 AM | Comentários (0)

novembro 23, 2004

Comunicado

Aqui posto de comando.
Dom Quixote lança um alerta a todos os Sanchos Panças e Rocinantes do meu país.
Regressem a casa e tragam-me todas as palavras dedicadas em horas de amor.
Operação abortada. Repito, Operação abortada.
Não vale a pena esta revolução com senhas e cumplicidades. Não há senhas, não há sopros ao coração, não há respostas no vento.
Acabou o tempo dos sonhos e das revoluções. Apetecia-me sair por aí fora e encontrar Dulcineia. Contrariar todos os "nãos". Contrariar o lógico e o lógico em cada contexto.
Apetecia-me ir de novo à procura... ai como me apetecia! Lutar até ao limite.
Mas a revolução está viciada. Houve ao que parece um engano de ocasião.
Deitem abaixo o lindo mural que cerca a cidade.
Voltem a casa palavras e poemas.
Revolução falhada.
Fim de transmissão.

Publicado por Nuno Teixeira em 06:23 PM | Comentários (1)

How to Dismantle an Atomic Bomb


Foto: U2 | How to Dismantle an Atomic Bomb)

Unos, dos, tres, catorce
É em espanhol que começa o single de apresentação do novo disco de U2.
O novo álbum pode ser considerado um tema sempre actual. "How to Dismantle an Atomic Bomb", está disponível desde ontem nas discotecas portuguesas.
"Como Desmantelar Uma Bomba Atómica", apresentou antecipadamente como seu cartão de visita, o single "Vertigo" (com video clip gravado em Espanha).
É o regresso da banda de Bono e companhia após o lançamento há quatro anos do álbum "ALL THAT YOU CAN’T LEAVE BEHIND".
Este é o 11º álbum de originais dos U2 e será a base da digressão mundial da banda em 2005 que pode passar por Portugal
Há boatos sobre o estádio de Alvalade.
A melhor banda rock do mundo segue dentro de momentos.
Para já aqui fica a letra de Vertigo mas a minha aposta vai logo a seguir para Sometimes You Can't Make It On Your Own

VERTIGO - U2

Unos, dos, tres, catorce
(Turn it up there, captain)

Lights go down, it's dark
The jungle is your head
Can't rule your heart
A feeling so much stron-ger
Than a thought
Your eyes are wide
And though your soul
It can't be bought
Your mind can wander

Hello, hello (¡Hola!)
I'm at a place called Vertigo (¿Dónde está?)
It's everything I wish I didn't know
Except you give me something
I can feel, feel

The night is full of holes
As bullets rip the sky
Of ink with gold
They twinkle as the boys
Play rock and roll
They know that they can't dance
At least they know

I can't stand the beats
I'm asking for the check
The girl with crimson nails
Has Jesus around her neck
Swinging to the music
Swinging to the music

Hello, hello (¡Hola!)
I'm at a place called Vertigo (¿Dónde está?)
It's everything I wish I didn't know
But you give me something
I can feel, feel

(Check it)
(Shots fall)
(She'll make it in yeah)

All this, all of this can be yours
All of this, all of this can be yours
All this, all of this can be yours
Just give me what I want
And no one gets hurt

Hello, hello (¡Hola!)
We're at a place called Vertigo (¿Dónde está?)
Lights go down, and all I know
Is that you give me something
I can feel your love teaching me how
Your love is teaching me how
How to kneel, kneel

Yeah, yeah, yeah, yeah
Yeah, yeah, yeah, yeah
Yeah, yeah, yeah, yeah
Yeah, yeah, yeah, yeah

Publicado por Nuno Teixeira em 12:48 AM | Comentários (0)

novembro 22, 2004

Greve aos TPC

O tema é actual.
O Dom Quixote abre o debate.
As crianças levam demasiados trabalhos para casa?
Este é a pergunta que esta semana ocupa o espaço de tendências aqui no blog.
Este debate foi aberto com a sugestão de um psicologo e um pediatra de as crianças fazerem greve aos TPC.
Concordam ou não com o repto de Eduardo Sá e Mário Cordeiro?
Recordo que o Guestbook também já está disponivel. Deixe a sua assinatura.

Publicado por Nuno Teixeira em 02:08 AM | Comentários (0)

Serviço de urgência

Preciso de um motivo para escrever. É urgente sentir.
Preciso de um motivo para escrever. É urgente sentir.
Preciso de um motivo para escrever. É urgente sentir.
Preciso de um motivo para escrever. É urgente sentir.
Preciso de um motivo para escrever. É urgente sentir.
Preciso de um motivo para escrever. É urgente sentir.
Preciso de um motivo para escrever. É urgente sentir.
Preciso de um motivo para escrever. É urgente sentir.
Preciso de um motivo para escrever. É urgente sentir.
Preciso de um motivo para escrever. É urgente sentir.
É urgente sentir. Preciso de um motivo para escrever.


Enviem um sinal para além do espaço e do tempo infinito... (shiuuuuuuuu)

Para quê tanta urgência em sentir e em escrever? Para quê os reinos dos poemas dedicados?

ABDICAÇÃO

Toma-me, ó noite eterna, nos teus braços
E chama-me teu filho... eu sou um rei
que voluntariamente abandonei
O meu trono de sonhos e cansaços.

Minha espada, pesada a braços lassos,
Em mão viris e calmas entreguei;
E meu cetro e coroa - eu os deixei
Na antecâmara, feitos em pedaços

Minha cota de malha, tão inútil,
Minhas esporas de um tinir tão fútil,
Deixei-as pela fria escadaria.

Despi a realeza, corpo e alma,
E regressei à noite antiga e calma
Como a paisagem ao morrer do dia.

Fernando Pessoa, 1913

Publicado por Nuno Teixeira em 01:25 AM | Comentários (0)

novembro 21, 2004

Tempos antigos

Numa mistura harmoniosa de cores que cortam o escuro de uma sala.
O som envolve a nossa passagem em cada cruzar de olhares. Quase que acreditamos no destino das coisas simples. Embalamos o nosso corpo com o repousar dos olhos.
Apenas encostamos os corpos quando os queriamos abraçar. É tão bom um abraço quando se sabe abraçar. Quando sente verdadeiramente o abraçar.
Numa versão trance do amor, é assim que ainda pinto a tua silhueta numa qualquer noite em que inventamos encontros e desencontros sensuais.

Publicado por Nuno Teixeira em 04:11 PM | Comentários (0)

"Voltei amor..."

Envolvido no som dos pais do samba soul beat e na alegria contagiante de Samba Rock, recordei alguns momentos de uma bela miuda da salsa e da sua dança meiga e sensual.
Gostava de poder cantar "voltei amor" do trio e ver tão bela musa a dançar.
Pela sua alegria considero Mocotó um bom estado de espírito. João Parahyba, Luiz Carlos Fritz e Nereu Gargalo, fazem deste projecto paulista, um dos grandes nomes da música brasileira do final da década de 60 e 70.
Percusor do samba rock, o Trio Mocotó gravou ainda álbuns carismáticos:
«Muita Zorra! Ou São Coisas Que Glorificam a Sensibilidade Actual» (1971) e «Trio Mocotó» (1975).

"Voltei amor..."
Dançamos!?


Publicado por Nuno Teixeira em 02:38 PM | Comentários (0)

Por quem foi que me trocaram

Por quem foi que me trocaram
Quando estava a olhar pra ti?
Pousa a tua mão na minha
E, sem me olhares, sorri.

Sorri do teu pensamento
Porque eu só quero pensar
Que é de mim que ele está feito
É que tens para mo dar.

Depois aperta-me a mão
E vira os olhos a mim...
Por quem foi que me trocaram
Quando estás a olhar-me assim?

Fernando Pessoa

Publicado por Nuno Teixeira em 12:59 AM | Comentários (0)

novembro 19, 2004

El templo del adios

Por vezes o Metal tens destas coisas...
E eis que o Cavaleiro Andante não tem sossego


MAGO DE OZ - El templo del adios

Cuentan que estando cerca el final

De su viaje vio llegar

Una silueta que con el sol

Su armadura hacía brillar

Cuentan que su rostro que nunca vio

Pero su voz anunció:

"Soy el Caballero de la Blanca Luna

Y a vos he venido a buscar".

Todo lo que empieza tiene un fin,

Y es la razón de la vida,

Todo lo que has aprendido

De amistad y amor

En tu alma quedará

Ya todo está hecho y ahora te aguarda mi reino:

Duerme, duerme.

Monta a Rocinante y emprended camino hacia la luz

Es tiempo de regresar.

Cuentan que cuando no puedes más

Y tus fuerzas ves marchar

Hay algo mágico en tu interior

Que te da alas para luchar.

Cuentan que su rostro que nunca vio

Pero su voz anunció:

"Soy el Caballero de la Blanca Luna

Y a vos he venido a buscar".

Todo está hecho y ahora te aguarda mi reino:

Duerme, duerme.

Monta a Rocinante y emprended camino hacia la luz

Hacia el templo del Adiós.

Publicado por Nuno Teixeira em 02:43 AM | Comentários (0)

La Fete

Fecha os olhos. Aumenta o volume. Acompanha gestualmente cada passo da música que se interioriza agora dentro de ti e deixa-te levar. Chora e ri em simultâneo
Partilha com o mundo uma novidade, se não tiveres, improvisa na mentira com o intuito de deixar o mundo mais feliz, vem dançar uma valsa comigo junto à lua e fazer do mundo uma festa antes do cair do pano do próximo amor. Mistura tudo e junta ao teu portfólio de emoções.

Shiiiiiiiiiuuuuuuuuuu... ouçam!!!

Publicado por Nuno Teixeira em 01:52 AM | Comentários (0)

Partidela da amêndoa, uma actividade de museu

O mestre fez questão de me manter informado e mandou-me esta surpresa.
Procura-se reanimar memórias.
A propósito deste facto tenho uma má memória. Quando o meu pai experimentava uma descascadora de amendôa (falo do tempo das máquinas, claro) e resolvi ir buscar uma delas entre os rolos. Resultado. Ia ficando sem um dedo, valeu-me o meu pai. Hoje a recordação está bem viva nesta cicatriz do polegar direito.
Isto foi uma pequena nota. De certeza que com a tradicional Pratidela, no máximo, fazia apenas um rascunho alvo de chacota e risota.
Agora a tradição. O reavivar de outras memórias. Outros tempos.

O Museu do Ferro e da Região de Moncorvo organiza com base no espírito empreendedor e saudosista do velho mestre Rebanda, apresenta...

Partidela da amêndoa, uma actividade de museu...

"Pelas tardes ao soalheiro, ou nas noites longas do Outono e Inverno,
ouvia-se o incessante truca-truca dos partidores (e sobretudo partideiras) da amêndoa.

Hoje, com os amendoais abandonados, a amêndoa rareia, e as “partidelas” da amêndoa, ao serão, há muito que se deixaram de se fazer, à medida que as telenovelas tomaram conta dos serões.

Dantes, esse trabalho era também um momento de convívio.
Aí se contavam histórias, se transmitiam cantilenas, se falava de negócios, se combinavam namoros e se desfiavam as novelas da vida alheia.
Hoje a novela é outra, contada por outros (normalmente em “brasileirês”) e chega-nos de longe, para dentro de uma caixa, pronta a consumir.

Quando a “partidela” se fazia à noite, ao fim, servia-se uma merenda - uma ceia frugal de figos secos recheados com o grão da amêndoa (o “casamento”), umas torradas feitas ao lume, onde se queimava alguma casca da dita, um naco de pão com queijo ou alheira, para acompanhar um copo de vinho, um cálice de jeropiga, ou um chá de ervas
do campo. Era uma forma de compensar os vizinhos e familiares que vinham ajudar, pois só os grandes proprietários pagavam jeiras pela “partidela”.

Esta era uma actividade tradicional da “Terra Quente” trasmontana, mais uma em extinção.
Para que não se perca de todo, o Museu do Ferro & da Região de Moncorvo desafia quem se lembra (e também quem nunca participou), para um Convívio sobre a Amêndoa, com partidela a preceito, culminando numa merenda à maneira antiga.
Traga o seu ferrinho, que a amêndoa arranjamos nós!
Durante este convívio, os participantes poderão ainda contemplar a Exposição de Pintura, intitulada “Atitudes”, de Madalena Nabiço, uma pintora oriunda da concelho de Torre de Moncorvo (com raízes no Souto da Velha e em Mós).

Preço de inscrição: 1 €.
As inscrições podem ser feitas até Sexta-feira, dia 19.11.2004, até às 17:00 h., directamente no Museu do Ferro & da Região de Moncorvo,
ou pelo telefone 279 252724.

Publicado por Nuno Teixeira em 12:38 AM | Comentários (0)

novembro 18, 2004

Por um sonho vais ao fim da rua. Vais ao fim do mundo.


(Foto: António Nunes | Return to inocence)

Contou-me um mensageiro a meio da noite que os amigos estão sempre perto de nós.
Não seria preciso um mensageiro para dar algo que não é notícia.
Mas depois pensei melhor. As boas amizades renovam-se ao longo da vida.
A nossa amizade será sempre notícia porque a força da alegria que nos une seria sempre manchete (e sem pressões).
Apetece-me (como no ano passado) dedicar-te de novo aquela assinatura alterada da TSF. Talvez porque este ano faça mais sentido tendo em conta os novos desafios.
Por um sonho vais ao fim da rua. Vais ao fim do mundo.
É preciso tirar bilhete? Não sei bem! Os sonhos dão trabalho mas agora são condicionados pela sorte.
Saúdo-te com um beijo na tua alegria.
Parabéns Marta. Feliz aniversário.
Ainda por cá nos encontraremos numa qualquer rua, num qualquer mundo para celebrar amizade.
Os amigos não se esquecem.

Publicado por Nuno Teixeira em 02:40 AM | Comentários (0)

Amor entre paredes

Se a parede do teu quarto,
Te contar histórias ao adormecer,
Contará as minhas lágrimas,
Soltas no silêncio...
Viradas a leste dessa parede fria,
Onde desenhava com mágoa,
A tua persistência em negar um abraço.

Se a parede do teu quarto,
Ainda hoje te chorar à noitinha,
Será a pintura que se desfaz,
Ao recordar quanto amor foi ignorado.

Se a parede do teu quarto,
Sussurrar de quando em vez,
Serão os poemas de amor,
Que eu lhe ditei por cada vez,
Que me viravas as costas.
É na parede do teu quarto,
Que estão os meus toques suaves,
As carícias perdidas de noites em branco,
As falsas expectativas de ver,
Dois corpos abraçados em paixão.

Noite após noite.
Era assim o amor negado
Mas inventado às paredes do teu quarto.
Tantas noites perdidas,
Sem conhecer o sabor do teu corpo.

Publicado por Nuno Teixeira em 02:18 AM | Comentários (1)

novembro 17, 2004

The Waterfall

Espero o teu sinal. Hoje, amanhã, no dia seguinte.
Combina um encontro para lá das horas tristes que afundamos com as chuvas e os frios do inverno.
Dá-me um sinal de amor. Um sorriso que seja.

Manda-me uma carta de amor do outro lado do teu mundo. Atira-me mensagem dentro de uma garrafa para o lado de cá das cataratas (Emir Kusturica & No Smoking Orchestra - The waterfall)

Vamos celebrar o amor impossível. Sem os medos do costume, sem livros de instruções...
Deixa que a água nos lave e nos torne num ser maior. Num sorriso único. Uma amortopia perfeita.

Publicado por Nuno Teixeira em 12:21 AM | Comentários (0)

novembro 16, 2004

Manifesto

Hoje é dia 16 de Novembro de 2004.
Já passou algum tempo sobre o aniversário da declaração involuntária de amor.
E para quê falar sempre no raio do amor?
Não haverá outras guerras bem mais saudáveis!?
Pobre país dos poucos abalos e estremecimentos. Até na revolta foste romântico e fraco.
São assim alguns dos teus filhos. Os tais das visões libertadoras em plena manhã de nevoeiro.
À espera de uma merda qualquer que nunca chega. À espera de um facto ou de alguém que só existe no nosso coração.
Amores... quem quer saber de amores? Quando se investe um sonho inteiro que demora tempo a construir e quando tudo se desfia depois em rugas com o passar dos dias iguais!?
Sem sinais, sem beijos, sem luares, sem sorrisos... sem gestos partilhados. Fugiu tudo para fora do mundo num acto desesperado e surreal da descrição dos tempos em que se escolhe como se esquece... o amor.
Qual merda do amor apregoada aos ventos da alma! Teatro de fantoches onde trocamos de posição. Ora amamos ora somos amados. Fora isso, o comodismo de aprender a gostar.
Queimem todos os poemas do mundo e com as cinzas façam a manhã de nevoeiro e ofereçam-me a mais bela visão de amor. A minha. A impossivel.

Publicado por Nuno Teixeira em 02:07 AM | Comentários (0)

novembro 11, 2004

Sugestão

Festim Nu - William Burroughs
(Editorial Noticias)

Publicado por Nuno Teixeira em 01:47 PM | Comentários (4)

novembro 10, 2004

Cavaleiro da triste figura


A TSF falou.
Falou pela voz de Fernando Alves da entrevista que o catalão Martín de Riquer (tido como um dos académicos que mais sabe sobre Cervantes e o Quixote) concedeu no passado Sábado a El Pais.
Espero ainda ler essa entrevista de Martín de Riquer.
Para quem já leu a entrevista (alguma alma caridosa que me possa enviar para o mail essa entrevista do El Pais), ouça a crónica de Fernando Alves.
Fernando Alves fala de uma convesa à janela de um comboio com o poeta José Bento e aproveito para sugerir uma entrevista do poeta ao Diário de Notícias, algo a não perder.
Concordo com o poeta. Eu próprio já o tinha escrito vezes sem conta. Há falta de amor cá na terra. José Bento afirma: As sociedades são hoje construídas de egoísmo. Os sentimentos contam pouco, os grandes valores estão menosprezados. O homem é detestado pelo homem. Valoriza-se a aparência e o negócio seja com o que for.
E já agora algumas palavras para o Francisco. Sim, pode ouvir os uivos a meio da noite, mas o cavaleiro romântico já perdeu o fio à meada. Sem o amor do Éter e sem o amor terreno. Também o diz Fernando Alves e também eu o sublinho. Fiquei muitas vezes sem Dulcineia. Tantas vezes que valeu ficar sózinho. Perdido entre as visões do real e as reais visões dos dias tristes, da ausência dessa Dulcineia.
Mas como diria a personagem da triste figura, "Se ladram, é sinal de que cavalgamos".
E onde mora o amor dos homens afinal? E onde pára a Dulcineia? Se o poeta não é de facto um fingidor porque razão nega as evidências de poemas não correspondidos?
Será que só ficamos sãos e deixamos de sonhar quando já estivermos às portas da velhice? Assim tal e qual Dom Quixote.
Será que teremos de ser eternos adolescentes em idealizar a vida como um sonho constante e bonito onde tudo se passa como nós acreditamos ou que parecemos sentir?
Ou será que tudo se acaba com a lápide irónica...

Aqui jaz o cavaleiro
Bem moido e mal andante
A quem levou Rocinante
Por um e outro carreiro

(Cervantes in Dom Quixote)

Publicado por Nuno Teixeira em 04:13 AM | Comentários (1)

novembro 09, 2004

Cruzes, lagarto

A lagartada anda desesperada.
Não porque perderam o jogo frente ao Porto mas porque não podem culpar o árbitro.

Melhores em campo:
Diego
Seitaridis
Costinha
Rui Jorge

Não sei se concordam mas ontem o Diego parecia algo tipo DIECO. Subiu de rendimento na segunda parte e espalhou magia. A cereja no topo do bolo foi mesmo o golo que marcou ao titular da selecção portuguesa. O mesmo minutos antes cometeu mais uma saída daquelas que lhe reconhecemos.
Seitaridis. Deixem-no passar. O homem quando começar a ganhar mais confiança e a subir no terreno como já o vi subir, vai ser difícil de travar o flanco direito do Porto. Ontem também não brilhou mais por causa do Rui Jorge que ora tinha de se preocupar com ele ou com o Quaresma.
Grande jogo de Costinha. Anulou completamente o Rochemback. E com esse homem anulado, foi também anulado o meio campo do Sporting e a transição meio campo - ataque.

Publicado por Nuno Teixeira em 10:39 AM | Comentários (0)

novembro 08, 2004

A QUEIMADA

A QUEIMADA... (PARA RECORDAR O DIA 1)

RECETA

Ingredientes: Aguardiente, azúcar blanco fino, cortezas de limón y algunos granos de café

Preparación: En un recipiente de barro cocido de vierte el aguardiente y el azúcar, en la proporción de 120 gramos por cada litro de líquido. Se añaden mondaduras de limón y los granos de café.
Se remueve y se le planta fuego, con un cazo en el que previamente habremos colocado un poco de azúcar con aguardiente. Muy despacio, se acerca al recipiente hasta que el fuego pase de uno a otro.
Se remueve hasta que el azúcar se consuma.
En el mismo cazo se echa un poco de azúcar, esta vez seco, y colocándolo sobre la queimada se mueve hasta convertirlo en almíbar, que se vierte sobre las llamas y, removiéndolo, esperamos a que las llamas tengan un color azulado.


CONXURO

Mouchos, coruxas, sapos e bruxas.
Demos, trasnos e dianhos, espritos das nevoadas veigas.
Corvos, pintigas e meigas, feitizos das mencinheiras.
Pobres canhotas furadas, fogar dos vermes e alimanhas.
Lume das Santas Companhas, mal de ollo, negros meigallos, cheiro dos mortos, tronos e raios.
Oubeo do can, pregon da morte, foucinho do satiro e pe do coello.
Pecadora lingua da mala muller casada cun home vello.
Averno de Satan e Belcebu, lume dos cadavres ardentes, corpos mutilados dos indecentes, peidos dos infernales cus, muxido da mar embravescida.
Barriga inutil da muller solteira, falar dos gatos que andan a xaneira, guedella porra da cabra mal parida.
Con este fol levantarei as chamas deste lume que asemella ao do inferno, e fuxiran as bruxas acabalo das sas escobas, indose bañar na praia das areas gordas.
¡Oide, oide! os ruxidos que dan as que non poden deixar de queimarse no agoardente, quedando asi purificadas.
E cando este brebaxe baixe polas nosas gorxas, quedaremos libres dos males da nosa ialma e de todo embruxamento.
Forzas do ar, terra, mar e lume, a vos fago esta chamada: si e verdade que tendes mais poder que a humana xente, eiqui e agora, facede cos espritos dos amigos que estan fora, participen con nos desta queimada.


Buhos, lechuzas, sapos y brujas.
Demonios maléficos y diablos, espíritus de las nevadas vegas.
Cuervos, salamandras y meigas, hechizos de las curanderas.
Podridas cañas agujereadas, hogar de gusanos y de alimañas.
Fuego de las almas en pena, mal de ojo, negros hechizos, olor de los muertos, truenos y rayos.
Ladrido del perro, anuncio de la muerte; hocico del sátiro y pie del conejo.
Pecadora lengua de la mala mujer casada con un hombre viejo.
Infierno de Satán y Belcebú, fuego de los cadáveres en llamas, cuerpos mutilados de los indecentes, pedos de los infernales culos, mugido de la mar embravecida.
Vientre inútil de la mujer soltera, maullar de los gatos en celo, pelo malo y sucio de la cabra mal parida.
Con este cazo levantaré las llamas de este fuego que se asemeja al del infierno, y huirán las brujas a caballo de sus escobas, yéndose a bañar a la playa de las arenas gordas.
¡Oíd, oíd! los rugidos que dan las que no pueden dejar de quemarse en el aguardiente quedando así purificadas.
Y cuando este brebaje baje por nuestras gargantas, quedaremos libres de los males de nuestra alma y de todo embrujamiento.
Fuerzas del aire, tierra, mar y fuego, a vosotros hago esta llamada: si es verdad que tenéis más poder que la humana gente, aquí y ahora, haced que los espíritus de los amigos que están fuera, participen con nosotros de esta queimada.

Publicado por Nuno Teixeira em 01:48 PM | Comentários (1)

Matei as palavras

Não consigo escrever.
Longe vão os tempos,
Da bela musa,
Longe os momentos
Longe o saber, o sentir,
o aceitar ou a excusa de morrer.

Resolvi matar as palavras.
Matei-as.
Ainda as sinto dentro de mim,
como a ti..
Mortos os poemas,
Agora faltam as memórias.

Publicado por Nuno Teixeira em 12:21 AM | Comentários (3)

novembro 06, 2004

Quase 1 ano

Interessa fazer um balanço de um ano de actividade do Dom Quixote.
O diário nasceu num iníco da tarde de 4 de Dezembro de 2003.
Por aqui passaram sorrisos, lágrimas, anseios. Cresceram esperanças e revoltaram-se os gritos frustados. Acima de tudo, aqui cresceram textos, imagens e os sons possíveis.
O Dom Quixote nasceu da necessidade de ser inconformista em todas as vertentes. Lutou-se em várias frentes. Umas vezes o sabor da derrota outras o sabor da victória.
Ainda continua a ser um Dom Quixote inconformista. Capitulou entretanto no maior expoente da felicidade. No amor. Também o verdadeiro desistiu da loucura e viveu os útimos anos de vida com alguma serenidade. Ainda assim continuo sem saber (e não creio que seja apenas eu), o que é realmente a loucura e o discernimento.
Foram-se os poemas e as palavras bonitas. O moinho era uma ilusão demasiado grande para tão pequeno cavaleiro armado à pressa num qualquer tasco das velhas torres do meu Portugal.
Hoje os dias e essencialmente as noites passam em silêncio. E ainda bem por um lado. Antes assim que gatinhar excusadamente por por um pedaço de abraço que não sente. Antes isso do que continuar a sonhar que é possível voltar a um trilho sem sentido esse do amor. Onde apenas um e sempre um o segue com orgulho.
Antes isso do que dormir com um olho aberto ou chegar com ansiedade a casa para saber, dia após dia, se a caixa do correio nos trouxe novidades ou se alguém bateu à nossa parte.
O Dom Quixote assume. Capitulou no amor. Conformou-se nesse caminho sinuoso mas lutou até ao último moinho como relata a estória um dia contada as velhas pedras da calçada.
A menos de um mês do aniversário do Dom Quixote, assumo também que ainda não caiu por terra outras lutas mais reais.
Não deixarei esquecer há gente que todos os dias atravessa um deserto. Gente nova com esperanças que um dia abandonou as suas famílias e que com esforço conseguiu tirar um curso superior.
É para aqueles que ainda atravessam o deserto que vai o meu grito de revolta. É para eles este mural pinturas da guerra.
Não deixar esquecer aqueles que olham para si próprios e se acham com valor de terem a oportunidade do seu sonho. A eles vai a minha força e as minhas palavras para que não se deixem cair.
O nosso país não é uma invenção de Pseudo-Deuses que se divertem com a dança das cadeiras no olimpo do poder.
Sim é possível.
Aqui estaremos sempre reunidos e sempre a trocar papeis. Ora cavaleiros românticos ora fieis escudeiros.
Os inimigos são os mesmos. Não vale no entanto radicalizar ideiais só porque está intelectualmente na moda. Vale sim, intensificar a luta contra os moinhos do costume.
E se os moinhos assumiram outra identidade e outro visual também os exércitos deixaram de ser ovelhas.
A todos os Tuaregues que teimam em sobreviver nesse deserto do submundo, uma palavra de incentivo e muitos poemas.
E se o amor vos assaltar numa qualquer noite, deixem-se levar. Que seja até às últimas consequências, até à liberdade da vossa consciência. Só aí podereis respirar fundo e gritar que não foi a vossa vontade que desistiu.
É assim em tudo. Em todas as lutas.

Publicado por Nuno Teixeira em 05:17 AM | Comentários (0)

novembro 05, 2004

Notícias da quinta?

Depois de umas eleições americanas frustantes em termos de resultado, a luta pela vida de Arafat.
Duas novelas da vida real que colam espectadores ao caldeirão.
Se juntarmos a tudo isso três jogos de futebol e algumas pitadas de "notícias" da quinta (!?) e do degredo que algumas caricatas personagens representam? Será que...!
Será que foram tempos estes, uma boa altura para fazer passar algumas medidas e notícas mais "desagradáveis" de âmbito nacional?
Afinal como vai o país das modas conservadoras e o governo escolhido à pressa?
Onde vai a discursão dos factos concretos?
O que se passa com as guerras dos estudantes? Caiu no marasmo? Será que a opinião pública já está farta das guerrilhas à boa maneira de 68 e que deixou de acreditar na massa estudantil que prefere fazer desobediência civíl?
O que tem acontecido por cá? Alguém me pode informar?
Cadê os comentadores? Só os há na rádio do estado? Somos nós a pagar algumas aberrações expulsas de outros espaços para que continuem a ter projecção e para que não haja depois, talvez, contas "afinadas" para contratar gente nova que espera uma oprtunidade?
Notícias cá da terra... há ou não?

Publicado por Nuno Teixeira em 03:12 PM | Comentários (0)

Homem de Lutas...

Avida passa demasiado rápido para se poder constatar as mudanças pelas quais se luta uma vida inteira.
É assim a vida dos homens de causas. Perdem-se nas batalhas e o tempo atraiçoa-os.
Odiados por uns, amados por tantos outros.
Os homens passam. As reformas e as bandeiras de luta ficam ou vão chegando aos poucos.
E agora? Que futuro para o Estado Palestiniano?

Publicado por Nuno Teixeira em 02:29 PM | Comentários (1)