outubro 29, 2004

...

Mais do que um vale. Mais do que montanhas.
Não há paisagem a revelar-se sem a presença de um sorriso traquina.
Ao ritmo dos dias cinzentos.
Caminhar sempre. Mas um caminhar pesado e triste.

Publicado por Nuno Teixeira em 10:59 AM | Comentários (5)

outubro 25, 2004

I will survive

Onde ainda haja um grito de amor...
Numa qualquer noite fria, num qualquer reflexo de uma lágrima, num estádio cheio de milhares de pessoas...
A derrota é como a victória uma forma de sobreviver. Não tem a ver com felicidade.

Ecoa por todo o lado

Até um qualquer dia, numa qualquer esquina do éter ou num outro capítulo retalhado, de um livro sem sentido.

Publicado por Nuno Teixeira em 02:12 AM | Comentários (2)

outubro 22, 2004

Sugestões literárias

Sugestões literárias para este fim de semana:

O anjo da tempestade - Nuno Júdice (Dom Quixote)
Lucia, Lucia - Adriana Trigianni (Editorial Presença)
Noites na Granja ao pé de Dikanka - Nikolai Gógol - Contos inspirados no folclore ucraniano (Assirio & Alvim)
Cultura - Dietrich Schwanitz (Dom Quixote)

Publicado por Nuno Teixeira em 02:22 PM | Comentários (15)

outubro 21, 2004

Conspiração da aranha


(Foto: António Nunes | Olhares encarcerados)


Olhar encarcerado e triste,
Porque me teces partidas enferrujadas?
Demente sonhador da cidade fantasma,
Porque insistes penetrar encruzilhadas?
Ferro pesado e triste,
Fardo imortal que carregas,
Jarros de lágrimas que escorrem na teia,
Da aranha que sustentas e negas.
São voltas e são voltas,
Os destinos trocados em silêncios,
Vividos, revolvidos em notas soltas,
Em encontros de imensos olhares,
Baixos, escondidos e sorrateiros.
A teia cozeu o amor nas esquinas da cidade,
Enferrojou os sentidos e negou a razão,
Fugiu a aranha às desculpas da verdade,
Negou a teia que lançou sobre o coração,
Encarcerou o amor por detrás da matéria,
E apodrece nos socalcos das barras da prisão.
Todas as manhãs aperto a hora do caminho certo,
Conspirou a aranha o amor sem demora,
Fugiu a aranha cobarde da presa negada,
Em erros constatados à ultima hora,
Teceu, sugou e desapareceu na noite calada.
Ficaram os dias tristes,
Os olhares encarcerados.

Publicado por Nuno Teixeira em 04:38 AM | Comentários (0)

Os dias do fim


(Foto: António Nunes ! Os dias do fim)

São assim os dias do fim.
A imensidade da praia abandonada conta histórias de fins de tarde ao céu que a abraça agora com um cinzento carinhoso.
Caminhamos e deixamos as marcas na areia. Eu deixei o teu nome escrito mas que a água salgada teima apagar com o subir da maré.
Eu não quero ir. Quero continuar a viver o mesmo carnaval. Mas nem o tempo vai chegar para dizer o quanto eu sinto em linhas e linhas desenhadas nesta areia molhada.
Não tenho castelos onde morar porque também eles se desfizeram entre o desfiar dos dedos que contam entre si o tacto da pele que eu não amei na praia.
Eu não quero ir.
Quero sair a correr pela praia e sentir cada grão de areia nos meus pés. Quero chegar ao limite do azul e gritar, gritar, gritar... dar por mim a abrir o céu e dar-te de novo uma praia de sol. Chegar de novo e dançar contigo até cair o escuro. Chegar de novo e não me conheceres. Era bom? Era boa novidade de se amar? Já fazíamos de novo castelos de cumplicidade? Já não me deixavas outra vez e outra vez à beira das ondas que fazem o amor dos dias do fim?
Não quero partir. Quero voltar a dar de mim à praia onde os sentidos fizeram castelos além mar.
Gostava de voltar a encontrar-te na praia deserta num acaso programado pelo teu sorriso traquina e envergonhado.
Não quero ir. Quero deitar-te sobre a areia fria e voltar a provocar novas sensações.
No fim faziamos um dueto. Cantávamos Nova Bossa. Faziamos de Anónio Carlos Jobim e Elis Regina ao ritmo das ondas.


Publicado por Nuno Teixeira em 02:06 AM | Comentários (0)

outubro 20, 2004

...

Amigos do Dom Quixote estão desde já convidados para uma "rave party mix" à boa maneira transmontana que terá lugar no próximo dia 30 pelas 21h na Localidade de Torre de Moncorvo.
Presentes estarão todos os tuaregues e amigos do peito.
A mega party será animada pela aparelhagem sonora do Dom Quixote, um modelo de autêntica pujança sonora. Um magnífico sistema dolby party stereo mix ramona aos saltos e aos gritos.
Estão os amigos deste blog convidados.
Um abraço aos amigos e apareçam. Há sempre um copo para beber.
Bem hajam.

Publicado por Nuno Teixeira em 10:30 AM | Comentários (8)

outubro 19, 2004

Tendências

O Dom Quixote estreia hoje o novo sistema de votações.
As tendências de voto dos visitantes do blog.
Para já vai estar à experiência e só depois vou saber com que regularidade vou actualizar as perguntas. Ou diariamente ou semanalmente.
Usem e abusem

Publicado por Nuno Teixeira em 12:23 PM | Comentários (0)

outubro 15, 2004

Cume da liberdade.

Já chove cá na terra.
Chuva feliz.
A terra volta a trazer sensações.
Sensações felizes.
A terra hoje já não cheira a lágrimas.
Cheira apenas a terra molhada.
Adeus tristeza que remeto para o fundo do baú.
Adeus amor não comparticipado.
Adeus mundo de ilusões.
Adeus enganos.
Hoje monto a tenda no cume da liberdade.
Livre, canto lá do alto.
Cantigas. Apenas e só cantigas livres.
Porque o passado é gargalhada,
E o futuro é um sorriso,
Que abraça o mundo inteiro.

Bom fim de semana. Façam o favor de ser felizes.

Publicado por Nuno Teixeira em 05:53 PM | Comentários (1)

soltos voamos.

Por vezes a única satisfação que nos resta é saber que pelo menos já demos algum contributo para a construção de um mundo melhor.
Com tanto ódio cá na terra, é bom saber que já amámos. Com isso o nosso mundo faz por si só mais sentido.
Mesmo a alternância dos dias cinzentos com raios de sol, é bom poder dizer que
"im walking in a better day".
Haja o que houver dentro dos dias que correm com pressa há sempre tempo para respirar fundo e sentir um vento de liberdade e de alívio.

Somos soltos, somos lindos e voamos..
Poisámos em vários vales
Aprendemos com choros do passado
A sorrir altivamente o futuro.
Largamos as asas das andorinhas
Vestimos o fato do condor.
Que lindos somos... soltos voamos.

Publicado por Nuno Teixeira em 11:47 AM | Comentários (2)

outubro 14, 2004

Quero o sim e o não

Tenho saudades do Paris-Texas. Do cheiro do estúdio apertado da coluna de som pendurada por um fio de electricidade.
Tenho saudades de ti e de mim. Tenho vontade de voltar mas não tenho força e para mais nem sei se me aceitarias agora.
Estou velho e resmungão. Desfeito pelos papeis que representei, das músicas que deixei a meio ou dos monólogos que mantenho com a existência.
Tenho saudades.
Tenho saudades da vivacidade e dos momentos criados espontaneamente.
Tenho saudades de ser criança e de ter o mundo na palma da mão.
Sinto saudades das minhas palavras soltas, não viciadas. Gostava de voltar a acreditar que o cheiro a pipocas e farturas na festas da minha terra continua a ser único e que é sinal de um abraço de alguém distante que deve estar para chegar.
Tenho saudades da tua noite.
Queria voltar mas o caminho de regresso é tão difícil quanto o caminho que fiz à partida.
Queria chorar mas não consigo. Queria dar um abraço a quem mais gosto mas não consigo.
Queria o Éter mas ele também não me abraça.
Queria não me importar. Queria escrever claro e fácil. Queria ler.
Acima de tudo queria ler de novo os teus olhos, beijar o teu chão e abraçar o teu céu.
Queria ser alegre ou triste mas quero ser constante. Não quero sonhos estranhos com olharapos e orquestras com instrumentos que sopram sózinhos.
Não quero levantar-me antes de acordar. Não quero. Não quero pensar. Não quero mas quero coexistir com o outro lado de mim.
Só quero ser e estar.
Quero-te de novo Éter. Quero voltar a viver sem alegria disfarçada.

Publicado por Nuno Teixeira em 03:40 AM | Comentários (1)

outubro 13, 2004

Parada sobre a cidade

Dirijo-me agora montado num elefante de aço rumo à grande superfície a céu aberto, onde se passeiam os donos dos pequenos quintais de poder.
O chão estremece e o sol cai do céu e estatela-se em cima de alguns automóveis. As nuvens desembarcam naquela praça
Soam os alarmes na cidade. As autoridades ficam desnorteadas e avançam sobre si mesmas em investidas de pânico. As janelas abrem-se em par e soltam lençois de guerra.
Trago ainda o megafone em punho que ganha vida própria e grita;
"Os moinhos estão cercados. Rendam-se. O sonho disfarçou-se de pesadelo e desceu à cidade. Rendam-se ou carregaremos sobre todos vós"
A cidade conheceu outro abanão. A todas as ruas foram ocorrem tuaregues imponentes.
Encurralámos os moinhos. Resta-nos cargar sobre eles ou fazer valer o sonho da epopeia.
Em breve, um outro Dom Quixote descobre capitulos retalhados.

Publicado por Nuno Teixeira em 04:49 AM | Comentários (0)

outubro 12, 2004

Eu quero voltar


(Foto: António Nunes | Return to inocence)

Queima das Fitas de Coimbra.
Festa. O último reduto da animação.
Expressões valem muito mais do que mil palavras. Valem mil encruzilhadas. Mil interpretações.
Neste momento, para além das expressões de rosto destes dois grandes amigos, vale um sentimento saudosista.
Resolvi não improvisar nenhum texto em especial. Coloquei Kusturica no cd do computador, peguei num copo de scotch e deixei-me estar ali tão perto do PC e tão perto daquela mesa sem incomodar tais pensamentos.

Publicado por Nuno Teixeira em 01:40 AM | Comentários (1)

outubro 11, 2004

Satellites

Lou Reed

Satellites gone up to the sky
Things like that drive me out of my mind
I watched it for a little while
I love to watch things on TV

Oh, Satellite of Love
Ah, Satellite of Love
Satellite of Love
Satellite

Satellites gone, way up to Mars
Soon it will be filled with parking cars
I watched it for a little while
I like to watch things on TV

Oh, Satellite of Love
Ah, Satellite of Love
Satellite of Love
Satellite

I've been told that you've been bored
With Harry, Mark and John
Monday, Tuesday, Wednesday, Friday,
Harry, Mark and John

Satellites gone up to the sky
Things like that drive me out of my mind
I watched it for a little while
I love to watch things on TV

Publicado por Nuno Teixeira em 03:59 AM | Comentários (4)

outubro 08, 2004

Mudança

Espero que o blog esteja mais atractivo ou pelo menos mais funcional.
Alguns sons continuam indisponiveis bem como algumas imagens que fugiram do servidor.
Bom. A verdade é que não sou um webdesigner mas foi o que se arranjou.
Continuo pelos caminhos da evolução. Como dizia um amigo meu "é ver, é ver!!!".
Obrigado e continuem a vir ao Dom Quixote.
Agradeço que deixem algumas sugestões e criticas ao rosto renovado do Dom Quixote aqui e no e-mail.

Publicado por Nuno Teixeira em 02:03 AM | Comentários (1)

outubro 07, 2004

ninguém te leva a mal

[...Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar...]

Publicado por Nuno Teixeira em 11:19 AM | Comentários (0)

outubro 04, 2004

O último cometa sobre a terra


(Foto: António Nunes - Ponte)

O último cometa sobre a terra.
Um trabalho de expressões. Expressões em texto, em som e em imagens. Expressões que se espelham no rosto de uma caminhada nocturna pela cidade.
Expressões de rosto que se misturam com as paisagens urbanas. Expressões que tentam fugir do urbanismo frio e distante rumo aos lindos vales verdes.
Mas tudo fica apenas num sonho surrealista. Assim como a procura de um amor perdido.
O último cometa sobre a terra é uma história de amor. O último cometa sobre a terra retrata a última aparição de Dom Quixote nos céus escuros de uma cidade que virou as costas ao amor.
Continue a ler, a ver, a ouvir um trabalho de carinho.

O último cometa sobre a terra

Texto - Dom Quixote
Imagens - António Nunes

Alinhamento de som:
Mike Oldfield - Only time will tell
U2 - I still haven`t found what i`m looking for
The Pearl - Aly Bain & Phill Cunningham

(Temas misturados em Soundforge 6.0 por Nuno Teixeira)

O último cometa sobre a terra

Aqui começa a viagem.
Sair rumo ao infinito dos verdes dias mas não sair da cidade velha, apática que ignora as várias formas de amor.
Ligue à música. Inicie a viagem. Não podemos comunicare mas podemos dar amor com os fracos recursos que temos.

clique aqui para viajar com música


(Foto: António Nunes - Luz Metálica)


Por entre caminhadas através do metálico cinzento da cidade, numa noite sem luar, procuro chegar ao cume da liberdade. Procuro fugir do barulho dos carros que rumam sem sentido a uma plataforma de luzes que paira sobre o rio e onde se ergue um mastro que rasga o urbanismo a meio por entre todas as casas.


(Foto: António Nunes - Sobre a cidade)

Quero atravessar a rua e chegar ao outro lado da estrada mas prefiro acender um cigarro e deixar-me levar pelo ritmo frenético que sacode o metal.
O meu olhar cruza-se com os faróis das viaturas que passam, ultrapassa a sua luminosidade feroz e entra nos olhares e nas almas que vagueiam sobre o betão da noite urbana. Fria. Apática.


(Foto: António Nunes - Apático)

De megafone em punho apresso-me por entre as viaturas que passam, digo alto o meu nome e falo sobre a cidade que se precipita no abismo. Falo em tom metálico por entre o metálico das estruturas urbanas e no fim grito o teu nome. ALGUÉM VIU KAMALA?
Mas há um dia que nos corre mal na vida ou é só um mau segmento de momentos felizes e de ilusões!? Mas que faço eu aqui!? Porque me sinto e me senti mais fraco ao atravessar sentimentos!?
Quem é aquela ou aquele que nos faz perder a força e a que propósito? Pergunto ainda... quem és tu ao pé de quem te deixas cair, se és maior no teu poema, na tua inteligência, na tua razão de existir e na tua presença saudável de deixar marcas nessa tal cidade? Tu és o Rei!
Alguém um dia se lembrará dos sentimentos nobres e da nobre maneira de estar e de conviver com os amigos.
Sem o protagonismo da dança no poste frio das plateias. Longe ou perto me deixo desfalecer agora sobre o betão, sonhe ou não com cumplicidades e com o amor, um dia a história e a razão fará de mim Apolo e de ti uma simples Kamala que não soube viver o amor com competência.
Por isso me deixo cair agora sobre o betão frio da cidade.
Entro num turbilhão de luzes e rodopio sobre mim próprio. E caio sobre o betão da noite urbana. Fria. Apática.

Acordo ou finjo que acordo!?


Talvez não acorde mas sonho acordado.
Sonho com um vale lindo e recortado. Uma brisa que sopra de leve e faz levantar ligeiramente as folhas secas que repousam à espera da próxima chuva.
Um palco do tamanho do mundo que levita junto ao pôr-do-sol. Um som. Um único som que perdura e se perde e se mistura com a brisa…e ecoa. Vai para além fronteiras. Um som que se intromete no nosso corpo e nos faz vibrar.
Estamos tu e eu. Separados apenas por um vale. Imenso, é verdade, mas a travessia é tão curta e tão grande. Tão longe e tão perto de um destino de mãos dadas onde colhemos flores silvestres numa qualquer madrugada junto ao rio dos encantos para onde me raptaste para me proteger e onde sorrimos perante a banalidade de um momento que só mais tarde será grande, assim como o grande palco onde se cantam todas as emoções. Do outro lado estás tu, onde encolhes os ombros e num ar confuso, confessas para ti mesma que afinal de contas não sabes de que é feito o mundo.
No mesmo vale, no mesmo fragmento, estamos tu e eu. Tu és quase do tamanho do vale e embalas a tua pele branca suave dentro de um vestido rosa fino e suave que alguma vez desejaria ter despido com a minha boca... No alto da serra do meu país, danças de forma sensual e fulminas com os teus olhos toda a natureza que te envolve e toda ela se encolhe à tua passagem. A brisa transforma-se num vento mais forte e revolta-se por não poder sequer tocar o paraíso do teu vale.
Era tão simples arranjar apenas mais um barco que me acolhesse em mais uma travessia e me levasse até ti. Mas não te quero ver por meros instantes. Nos instantes em que chego e te misturas com toda a paisagem e desapareces.
Prefiro ficar desde lado. À espera de uma travessia tua que nunca vai acontecer e se acontecer será depois da música acabar. Depois disso o mundo será mais do que uma melodia. A magia desaparece e eu embarco numa outra travessia.
Prevejo-o na palma da minha mão.
E todas as cumplicidades para quê!? E todos os berros silenciosos formatados sobre a forma de exaustivos caracteres para quê!? E todas as pequenas grandes coisas serão apenas… e afinal… simples pequenas coisas. Uma passagem, uma volta por um vale imenso onde poderíamos ter estado. Juntos. Unidos por um mesmo olhar mas do mesmo lado do vale.
Bem sei que aqui vens e enquanto o ego te permita aqui continuarás a vir e a ler nas estrelas a mesma mensagem. Bem sei que jamais te poderei surpreender com palavras ou com qualquer outra coisa qualquer, porque nunca o consegui.
Se hoje dançamos de lados diferentes do vale é “porque o coração não escolhe”… ou porque “o que foi jamais voltará a ser”.
Palavras. Sempre elas. A merda das palavras, a merda da força da música. Os pequenos grandes momentos que quando acontecem, julgamos ser eternos no amor. Assim como uma cantiga. Um poema ou uma simples rosa. Mas não. São mentiras porque tudo junto não ganham pontos rumo à felicidade dos dias.

Por isso volto ao início.
Ao início de todas as caminhadas. Pela cidade selvagem continuo sem encontrar aquilo que procuro, apesar de ter julgado que encontrei.
A felicidade que encontrei e que és tu só me deseja que encontre um outro vale.
Há que continuar mesmo assim porque afinal cá na terra também nos enganamos… e como nos enganamos.


(Foto: António Nunes - Por terra)

Meto o chapéu na cabeça e de mochila às costas paro de quando em vez e tento perceber onde me perdi ou quem se perdeu.
E segundo os meus cálculos, a música um dia começa a baixar e a paisagem voltará ao normal e a cidade continua apática dentro de si. Esquecida de tudo o que te ofereci um dia. Tal e qual como tu. Como essas fitas que levas contigo. Aquelas que tu pintaste e que eu não pintei…
Que selvagem é o mundo! Que ingrato sou eu em pensar que fiz tudo bem quando serei apenas um doente aos teus olhos.
Talvez o mal esteja precisamente em ter feito tudo bem. Em ter idealizado um mundo de imperfeições apeteciveis só para ti.

E afinal… tudo não passou de um sonho. Resta-me voltar de novo e de novo…ao alto da serra do meu país, encostar a cabeça, ouvir os ecos da serra e deixar-me adormecer rodeado do verde castanho de Outono.


“E no final de tudo
tocando a lira um bardo cantou:

Um dia virá que a história contada
Fará chorar todas as pedras
E lágrimas correndo de um rio de pranto
Hão-de lavar caminhos e ruas
E todas as pedras de todas as calçadas”.
(Henrique de Campos)

Obrigado mestre.

Publicado por Nuno Teixeira em 01:20 AM | Comentários (1)

outubro 01, 2004

...

Todas as cartas de amor são ridículas.
(Fernando Pessoa)

Publicado por Nuno Teixeira em 06:21 PM | Comentários (0)

Dia da Música

Hoje é dia das sensações.
Hoje é o dia da música.
Sendo a música um bem essencial para o bem estar, acho que se devia reflectir hoje sobre o estado da música.

Publicado por Nuno Teixeira em 10:41 AM | Comentários (0)

Dias cinzentos

A chuva cai de mansinho e os rostos tristes colam-se às janelas dos autocarros.
Regressam as vestes cinzentas e os passos acelarados pelas calçadas.
A estrutura metálica da cidade chora mas não se abala. É a indiferença dos dias.
Dia após dia.
Palavras, viagens, sonhos cumplicidades, recordações. Tudo caminha livre em bandos e invade a alma.
Dia após dia.
Sem o teu sorriso, sem o teu rosto, sem a contemplação do teu corpo.
Dia após dia.
Uma luta contra tudo o que se sente. Uma caminhada em frente rumo ao conformismo.
São assim os banais dias cinzentos.

Publicado por Nuno Teixeira em 10:40 AM | Comentários (3)