setembro 29, 2004

Cometa

Ainda esta semana (talvez amanhã ou sexta-feira), o cometa Dom Quixote rasgará estes céus.
Com música, texto e imagem.
Não é o regresso à Amortopia.
É a despedida dos dias que foram inuteis. É a despedida do amor não correspondido. É a resposta final aos sonhos desfeitos.
Amor sem sexo é amizade.
Estrelas sem amor é amizade.
Cometa a loucura de tentar ser feliz sem os enganos do costume.

Publicado por Nuno Teixeira em 06:56 PM | Comentários (0)

Hoje é um dia especial.
O Futebol Clube do Porto prepara-se para uma victória especial na liga dos campeões europeus que me vai proporcionar um magnífico banquete de leitão regado com as boas Murganheiras.
Além disso um companheiro e amigo vai concluir o seu curso superior. O mesmo que vai patrocinar o banquete.
Meu amigo. Nas apostas às vezes ganha-se outra vezes perde-se. Mas uma coisa é certa. Não é que seja impossível a derrota do Futebol Clube do Porto mas é muito difícil...
Quanto ao resto. Meu amigo, companheiro de caminhadas pelas calçadas da cidade velhinha.
Foste dos poucos que ficaste. Foste dos poucos que te não te esqueceste de quem também não te esqueceu. Foste o único que levaste os amigos no coração e nessas fitas. Pelo teu sucesso fica o meu abraço sincero e as minhas palavras de incentivo para um bom futuro.
Só os mais fortes vencem as adversidades. Como vês, também podias ser um dragão.
Quanto à aposta. Bom... não há dias perfeitos.

Publicado por Nuno Teixeira em 11:07 AM | Comentários (1)

Astronauta

Ai se eu tivesse a tal nave espacial!!!
Tem razão Pensador.

Gabriel Pensador

Astronauta tá sentindo falta da Terra?
Que falta que essa Terra te faz?
A gente aqui embaixo continua em guerra
Olhando aí pra lua implorando por paz
Então me diz: por que que você quer voltar?
Você não tá feliz onde você está?
Observando tudo a distância
Vendo como a Terra é pequenininha
Como é grande a nossa ignorância
E como a nossa vida é mesquinha
A gente aqui no bagaço, morrendo de cansaço
De tanto lutar por algum espaço
E você, com todo esse espaço na mão
Querendo voltar aqui pro chão?!
Ah não, meu irmão... qual é a tua?
Que bicho te mordeu aí na lua?

Eu vou pro mundo da lua
Que é feito um motel
Aonde os deuses e deusas
Se abraçam e beijam no céu

Ah não, meu irmão... qual é a tua?
Que bicho te mordeu aí na lua?
Fica por aí que é o melhor que cê faz
A vida por aqui tá difícil demais
Aqui no mundo, o negócio tá feio
Tá todo mundo feito cego em tiroteio
Olhando pro alto, procurando a salvação
Ou pelo menos uma orientação
Você já tá perto de Deus, astronauta
Então, me promete
Que pergunta pra ele as respostas
De todas as perguntas e me manda pela internet

Refrão

É tanto progresso que eu pareço criança
Essa vida de internauta me cansa
Astronauta, cê volta e me deixa dar uma volta na nave, passa a chave que eu tô de mudança
Seja bem-vindo, faça o favor
E toma conta do meu computador
Porque eu tô de mala pronta, tô de partida
E a passagem é só de ida
Tô preparado pra decolagem, vou seguir viagem, vou me desconectar
Porque eu já tô de saco cheio e não quero receber nenhum e-mail com notícia dessa merda de lugar

Refrão

Eu vou pra longe, onde não exista gravidade
Pra me livrar do peso da responsabilidade
De viver nesse planeta doente
E ter que achar a cura da cabeça e do coração da gente
Chega de loucura, chega de tortura
Talvez aí no espaço eu ache alguma criatura inteligente
Aqui tem muita gente, mas eu só encontro solidão
Ódio, mentira, ambição
Estrela por aí é o que não falta, astronauta
A Terra é um planeta em extinção

Publicado por Nuno Teixeira em 10:07 AM | Comentários (0)

setembro 28, 2004

Ninguém se revolta

E os tempos não voltam,
E os sorrisos não se revoltam.
A cidade não pára,
O choro não cala.
A lua ontem era cheia,
Hoje não partilha,
Brilha mas sem inveja,
Dos momentos espelhados no rio.
E os tempos não voltam,
E os sorrisos não se revoltam.
Pela primeira vez,
Os encontros do rio,
Foram desaguar ao mar.
Outrora cumplices. Agora separados.
Elementos poéticos,
São sombras ou sempre foram,
Desprenderam-se dos galhos,
No fundo das águas,
E correm para sempre,
Em dois destinos.
E os tempos não voltam,
E ninguém se revolta.
A paz segue em silêncio.
Eterno silêncio.

Publicado por Nuno Teixeira em 02:20 PM | Comentários (0)

Hoje sinto-me um pouco assim...

Five to one, baby
one and five
no one here gets out alive
now, you get yours and I get mine
gonna make it baby if we try

we all get old and the young get stronger
may take a week and it, may take longer
they got the guns but, we got the numbers
gonna win you we're TAKIN OVER!

your ballroom days are over, baby
night is growin near
shadows of the evening crawl across the years
you walk across the floor with a flower in your hair
tryin to tell me no one understands
trade in your hours for a handful of dimes
gonna make it baby in our prime
come together one more time
come together one more time

get together one more time
get together one more time
get together one more time
get together one more time
get together one more time
get together one more time
get together one more time..........

(Five to one - The Doors)

Publicado por Nuno Teixeira em 11:52 AM | Comentários (0)

setembro 27, 2004

Os sons e as imagens estão indisponiveis devido a problemas no servidor.
Peço desculpa e vou tentar remediar isso logo que possível

Publicado por Nuno Teixeira em 01:17 PM | Comentários (0)

setembro 25, 2004

Paisagem

Ainda espreitam raios de sol por entre os vales.
Gente cansada e suja de terra atravessa a paisagem com cestos às costas.
Começou mais uma bela "colheita".
Perdoem-me ser assim mas o melhor nectar do mundo reside aqui.
São uvas senhores, são uvas... É a vindima do norte.

Publicado por Nuno Teixeira em 05:38 PM | Comentários (2)

setembro 24, 2004

"[...]A vida é como uma sombra que passa por sôbre um rio
Ou como um passo na alfombra de um quarto que jaz vazio;
O amor é um sono que chega para o pouco ser que se é;
A glória concede e nega; não tem verdades a fé [...]"

Fernando Pessoa

Publicado por Nuno Teixeira em 11:57 AM | Comentários (0)

É a festa do segue o que sentes

Esta noite fui acordado pela vibração do meu telemóvel que pairava sobre a mesa de cabeceira.
Mal eu lhe toquei, ele transformou-se num megafone que me atirou as seguintes palavras: segue o que sentes.
Eu levantei-me, vesti-me e saí para a rua e segui o que sentia. De certeza que até agora esta foi a parte mais fácil de perceber.
Dei comigo à entrada de uma floresta azul escura. Conforme penetrava por entre as árvores comecei a ver outras pessoas que se dirigiam a uma clareira onde brilhava uma fogueira.
Qual foi o meu espanto, quando encontrei junto à fogueira algumas caras conhecidas!
Nitzche, Virgilio Ferreira, Breton, Pessoa, O’Neill, Hesse.
A fazer as honras da casa estava Eça que me convidou a sentar e a beber um copo de Barca Velha.
Vindos da noite escura, surgiram Morrinson e Florbela que vinham a cambalear e a compôr as vestes.
Quem apareceu de repente foi o Roberto Leal de braços abertos junto à fogueira e todos ficaram boquiabertos. Mas entretetanto e também muito rapidamente eis que aparece René Goscinny que grita, não cantarás.
Roberto leal ficou preso no alto de uma árvore e amordaçado.
O resto da malta ali ficou toda a noite até que Morrinson resolveu urinar para a fogueira.
Eram quase 9 da manhã quando regressámos a casa.

Publicado por Nuno Teixeira em 10:53 AM | Comentários (3)

setembro 23, 2004

JUSTIÇA

Há um poema do mestre e amigo Henrique de Campos que diz qualquer coisa mais ou menos assim:
Quando vejo um herói vejo quem foi espezinhado para este o ser.
É qualquer coisa deste género porque já li o Rio da Morte há muito tempo e já esqueci alguns poemas.
Mas a mensagem que traz este poema é a base do que aqui hoje quero dizer.
Muitos me têm respondido que eu tenho a mania da conspiração mas muitos não sabem o que algumas pessoas passam na pele.
E quando por vezes aqui escrevo coisas que podem não ser bem perceptiveis é porque são dirigidas a um grupo de pessoas ou até a uma pessoa em particular.
Não é falta de coragem que não me permite expôr aqui algumas situações mas é o timing. Ainda é demasiado cedo.
Aqueles que sorriem para nós de forma hipócrita serão pagos na mesma moeda. Eles que esfreguem as mãos de contentes e que pensem com os seus botões. Já os enganei e ainda fiquei bem visto
Toda a pandilha unida poderá sorrir hoje. Toda a pandilha de ladrões serão julgados pela verdadeira justiça.
É para eles que eu aqui escrevo estas linhas porque há-de haver um mensageiro qualquer lambe-botas que entregará a mensagem.
E a vós eu me dirijo.
Podereis dormir descansados à noite. Podereis rejubilar com o vosso pequeno poder, o nosso grande sonho, mas os Tuaregues não adormecem.
O minha luta não será a recuperação do meu sonho mas antes gostar de vos ver cair.

Publicado por Nuno Teixeira em 01:47 PM | Comentários (2)

setembro 22, 2004

PORTO

Aos sulistas apenas um recado.
Os campeões estão de volta quando menos esperarem.
Pode ser já hoje.... AHAHAHAHAHAHAAH

Publicado por Nuno Teixeira em 07:22 PM | Comentários (3)

Este segundo single dos Clã tem muito mais a ver com a banda.
Adoro este tema, tem uma sonoridade espectacular.

Carrossel Dos Esquisitos
John Ulhoa \ Hélder Gonçalves

sou mais um no carrossel
dos esquisitos
gente feia a girar
não é bonito?
juntos vamos celebrar
esta nossa palidez
que não dá p’ra disfarçar

como abutres no céu
são quase lindos
dois feiosos a rodar
gritando e rindo
são aberrações no ar
oh meu querido
fecha os olhos p’ra me beijar
que o mundo vai-se acabar

menos p’ra ti e p’ra mim
enquanto eu não te olhar
de tão perto assim
p’ra não me assustar

se uma bomba nuclear
tem a sua beleza
gente feia tem também
nem mesmo mata ninguém
que não mereça sim
morrer por ser ruim
por fazer sofrer
quem me quer assim

sobramos só nós dois
ninguém p’ra comparar
o nosso bolo de arroz
com champanhe e caviar

Publicado por Nuno Teixeira em 07:02 PM | Comentários (1)

Nunca é tarde saber deixar alguém te amar. Porque isso é amor verdadeiramente.
Do lado de cá do vale ainda se grita amor.

Publicado por Nuno Teixeira em 06:09 PM | Comentários (0)

setembro 21, 2004

Ainda há dias felizes cá na terra.

O que nos faz felizes é o dia a dia.
A pequena grande surpresa que faz renascer em nós o maior sorriso do mundo. Um arrepio percorre-nos a espinha.
Quase que nos dá vontade de voltarmos a ser crianças. E como ficamos satisfeitos quando encontramos um antigo livro infantil. Já tivemos vontade de o reler? E aquele brinquedo que encontramos num qualquer sítio lá de casa, ou simplesmente uma peça de roupa!? E as recordações que representam?
E quando alguém nos escreve palavras que parecem terem vindo de nós próprios porque nos reconhecemos ali mesmo. Naquele bocadinho de texto, naquela pessoa. Somos nós num outro rosto ou num outro corpo mas não numa outra forma de sentir as coisas.
Assim aconteceu com a frase que hoje vi de uma amiga que conheci aqui no Dom Quixote.

Sai à rua e ama as pedras, e as nuvens, os idiotas e as bolas de algodão doce ..
já que ninguém nos liga, amamos tudo. E cá, amo-te a ti nas horas vagas

Obrigado H.R.
Ainda há dias felizes cá na terra.

pS -enquanto escrevia isto começou a tocar no rádio o tema "Procuro à noite" de Sétima Legião e deixou-me ainda mais feliz.

Publicado por Nuno Teixeira em 04:59 PM | Comentários (7)

ARTe ?

Pergunto-me todas as manhãs, mas afinal que raio andam eles a fazer nas rotundas destes país!?
Em algumas há até grandes empreitadas. Parece que vão construir alguma pirâmide!?
Há de tudo. Muros, esculturas, palmeiras e muitos acidentes causados pela fraca visibilidade criada pelos "cacarecos" erguidos em rotundas e cruzamentos.

Publicado por Nuno Teixeira em 01:40 PM | Comentários (1)

ROCK EM PORTUGUÊS

Mais um serão televisivo.
Ontem passou na Sic um programa qualquer de Rock em português em directo do Casino Estoril.
Apareceram por lá os GNR. Reininho continua igual a si próprio com as suas letras surreais que de certa forma me agradam (ontem não tocaram mas aquela letra do Video Maria será sempre um espectáculo). A sonoridade dos GNR não tem evoluido muito mas não dá para perceber aquela versão tocada ontem do tema "Portugal na CEE". A mim pareceu-me a determinada altura que estava a ouvir ZZ Top. É piada mas...mas...
Depois de mais umas palhaçadas do Hermam que anda a perder a piada eis que aparecem os Da Weasel. É impressão minha ou os homens andam a perder-se? Eu já tinha percebido que aquela história do tema "Re-tratamento" não faz parte do mundo de Da Weasel. "Nina quero cuidar de ti, levar-te para casa e bla, bla, bla..." Nina!?
É impressão minha ou para grande desgosto meu os homens doninha andam numa onda muito mainstream!? Eis que entram umas enfermeiras em palco. Bem. Isso foi de certeza um bom momento televisivo mas qual é a diferença entre isso e as bailarinas do Emanuel ou do Toy?
Depois apareceram os Delfins e eu achei melhor mudar de canal.
Quando volto a ligar à Sic aparece-me o Flak em grande plano.
Os Rádio Macau entraram numa sonoridade estranha. Tentaram evoluir sem perder um o toque original mas não sei porquê aquilo não me soa nada bem.
Eu já ouvi ao vivo nos últimos tempos (umas 2 ou 3 vezes) e fiquei com a sensação que não causa grandes surpresas e sensações no público.
Acho que já nem aquele início do Anzol que nos faz lembrar o saudoso Just like heaven dos Cure nos arrebata. Falta ali qualquer coisa. Talvez seja a Xana que falte.

Publicado por Nuno Teixeira em 11:59 AM | Comentários (2)

setembro 17, 2004

Como eu percebo os que viajam sem destino.
Hoje é daqueles dias em que arrancava numa viagem sem lugar, sem destino.


"...When you're sad and feeling blue
With nothing better to do
Don't just sit ther feeling stressed
Take a trip on the National Express"

Um bem haja a todos e felicidades.

Publicado por Nuno Teixeira em 12:28 PM | Comentários (2)

Os dias do fim

Falaram pela última vez num café de circunstância.
Sem palavras de despedida, sabem que amanhã não estarão ali.
Souberam entender-se sem despedidas.
Soube ter a força de não pedir um abraço e um beijo...
No fim da noite rasgou mesmo os céus uma estrela. Não acredito em desejos nem em pedidos ou nessas coisas que por vezes ajudam alguém a ser feliz.
Mesmo que acreditasse, não o pediria. Porque os meus desejos foram sempre sonhos breves e como aquela estrela que rasgou a noite, foram apenas um brilho breve na noite escura.
Houve alguém que um dia escreveu que um bom político é aquele que sabe renunciar ao cargo quando está consciente que não consegue fazer as reformas que o seu povo necessita.
É assim em tudo. Também temos de saber renunciar ao amor quando já não somos capazes de provocar mudanças.
Há uma altura da vida em temos de abandonar o palco porque sabemos que é estúpido arrastar um espectáculo que que já não tem público. Para nosso bem. Para bem do público. Feche-se a sala a cadeados e que as cadeiras da plateia fiquem para sempre mergulhadas no escuro empoeirado da sala e que as paredes contem apenas as histórias.
Há um tema que transmite um pouco destas ideias e quando nos faltam as palavras, nada melhor que voltar aos velhos trovadores.

Queen
Those were the days of our lives


Sometimes I get to feelin'
I was back in the old days - long ago
When we were kids when we were young
Thing seemed so perfect - you know
The days were endless we were crazy we were young
The sun was always shinin' - we just lived for fun
Sometimes it seems like lately - I just don't know
The rest of my life's been just a show

Those were the days of our lives
The bad things in life were so few
Those days are all gone now but one thing is true
When I look and I find I still love you

You can't turn back the clock you can't turn back the tide
Ain't that a shame
I'd like to go back one time on a roller coaster ride
When life was just a game
No use in sitting and thinkin' on what you did
When you can lay back and enjoy it through your kids
Sometimes it seems like lately - I just don't know
Better sit back and go with the flow

Cos these are the days of our lives
They've flown in the swiftness of time
These days are all gone now but some things remain
When I look and I find no change

Those were the days of our lives - yeah
The bad things in life were so few
Those days are all gone now but one thing's still true
When I look and I find
I still love you

I still love you

... e no final há sempre um sorriso, no lugar das lágrimas e podemos sempre dizer que um dia, foi uma espécie de magia.

Publicado por Nuno Teixeira em 10:58 AM | Comentários (19)

setembro 16, 2004

Amar é a competência que se tem de aceitar os sonhos dos outros com liberdade, através do afastamento.
Isso vem com um pacote de infelicidade mas a vida segue dentro de momentos cá na terra.

Publicado por Nuno Teixeira em 07:43 PM | Comentários (0)

Aqui estou eu

Aqui estou eu.
Que belo sol eu vejo nesta madrugada.
Aqui estou eu.
Sou o homem que jamais será trocado por outro homem,
Sou o melhor amigo de tempos a tempos,
Sou a mudança de posição e de atitude.

O homem a quem não tens mais palavras para negar.
Aqui estou eu.
Criticado mas esquecido.
Que lindo sou,
Porque sou tudo e não sou nada,
Porque amo e não me amam,
Porque sinto e não me sentem.
Este sou eu.
O hipócrita dos sentimentos,
O velho senhor dos lamentos.
Aqui estava eu.
Desejando ver o início,
Mas aceitando ser o fim.
Fui sendo tudo isto,
Ao longo de um caminho,
Em que nunca soube afinal,
Quem eu era para ti.

Publicado por Nuno Teixeira em 02:19 PM | Comentários (7)

setembro 14, 2004

TACHO À PORTUGUESA

Abrem-se concursos já destinados. Atribuem-se lugares na dança das cadeiras. Lixa-se a vida ao próximo. Roubam-se sonhos à descarada...
Sabe mal esta fraqueza de estar descontente com os tacheiros à portuguesa.

Numa confraria à portuguesa fica bem
a má lingua sobre a mesa.
Quando à porta dos tacheiros bate alguém,
senta-se à mesa com eles.
Ficam bem esses confrades , ficam bem,
E cá o povo é que sente.
A alegria de dar tachos
está nessa grande riqueza
de dar, e ficar contente.

Em quatro paredes fechados,
um cheirinho a malvadez,
um tacho de empregos doirados,
três amigos de cada vez,
um patrono barrigudo
sob um sol de primavera,
uma promessa de tachos...
uma fila de boys à espera...
É uma confraria portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma confraria portuguesa!

No conforto enriquecido se seus lares,
há fartura de dinheirinho.
Não é preciso ser bom e ser humilde,
nem para as coisas ter jeitinho...
Basta pouco, poucochinho
Só fazer um arranjinho
De ter amigos no pelouro,
Em sintonia com a família.

Em quatro paredes fechados,
um cheirinho a malvadez,
um tacho de empregos doirados,
três amigos de cada vez,
um patrono barrigudo
sob um sol de primavera,
uma promessa de tachos...
uma fila de boys à espera...
É uma confraria portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma confraria portuguesa!

Publicado por Nuno Teixeira em 02:47 PM | Comentários (7)

Um dia tudo isto será teu… e só teu.

Um monólogo ou um diálogo?

- Olha em teu redor.
Imagina o que tudo isto que nos rodeia te pertence.
Eu o criei para ti e agora te ofereço.
Porque choras? Não estou a deixar-te naquela selva vazia à mercê de olhares invejosos e cobardes, dos que contribuíram para que hoje nos separemos aqui.
Deixo-te um mundo fascinante onde poderás rir, chorar. Onde poderás encontrar-te e encontrar-me no canto das aves, sempre que te pousem na mão para cantarem aquela melodia. Nas palavras que dançam calmamente no rio e que vão abraçar-te o corpo, sempre que nele entrares nua para mergulhar longe de um mal que te atormenta. Em breve não estarei aqui mas a água vai acolher sempre que necessário as tuas lágrimas. Serão águas velhinhas mas também sempre renovadas. Também as palavras, também as recordações. Assim como uma música que ouvimos vezes sem conta e que cada vez que a ouvimos descobrimos uma coisa nova. E como ficamos felizes quando acontece. E vai acontecer sempre que abrires as páginas deste livro de aventuras e nele entrares.
Será assim toda a vida.
Olha o céu. Será sempre azul e o sol terá sempre um sorriso. E a pequena brisa que vai arrancar as folhas das árvores será sempre um eco das palavras que não ouvimos.
E as fantasias que se perdem por entre as árvores da floresta. Invenções imediatas de encontros e desencontros, todos eles fascinantes. Criaturas que conferenciam de volta de segredos bem guardados. Falam uma linguagem própria que só nos dois conhecemos.
Aqui não há nem nunca houve lobos porque aqui o mundo foi criado como uma caneta sincera e de tinta corrente, ao ritmo de um sentimento crescente e verdadeiro. E assim nasceu este mundo que te deixo.
Não chores. Aqui está tudo de nós materializado em ti.
Deixo-te agora. Tens este mundo só para ti. Ainda que seja eu que parta ainda olho outra vez para trás. Mais uma vez. Só para ter a certeza que ficas bem.
Embora me vá afastando ainda avisto o brilho dos teus olhos.
É só isso que quero levar para sempre. O paraíso do teu olhar

NOTA- Este texto é da minha autoria e já foi publicado no dia 20 de Abril. Hoje resolvi voltar a publicar com uma pequena alteração no final. Nos dias que correm faz todo o sentido.

Publicado por Nuno Teixeira em 01:28 PM | Comentários (0)

Relatório da ONU

Não sei se me desfaça em lágrimas.
O país chora todos os dias e toda a gente tosse um desconhecimento aparente.

Um relatório da agência Habitat da ONU aponta que dois em cada 10 portugueses encontram-se em "risco de pobreza". A pobreza tem aumentado nos últimos trinta anos devido em grande parte ao desemprego.
Mais uma vez Portugal aparace nos lugares cimeiros dos parâmetros negativos.
Portugal ocupa o segundo lugar, atrás da Grécia, em relação aos níveis de pobreza dentro do antigo espaço europeu.
O relatório aponta ainda para 22 por cento da população portuguesa que está em risco de pobreza ou vive com um salário que equivale a menos de 60 por cento da média nacional de rendimentos.
E depois ainda se ouve gente a dizer que em Portugal não "há fome". Parece-me difícil!

Publicado por Nuno Teixeira em 01:22 PM | Comentários (0)

Terror de te amar

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.

ANDERSEN, SOPHIA DE MELLO BREYNER

Publicado por Nuno Teixeira em 01:11 PM | Comentários (0)

setembro 13, 2004

O amor não é Portugal.
Não há amor. Não existe... não há.

Publicado por Nuno Teixeira em 09:34 PM | Comentários (1)

BURROS

No dia de ontem, realizou-se na aldeia de Azinhoso que fica a 3 km de Mogadouro uma feira de burros.
O bicho que se encontra em vias de extinção teve direito a festa e a desfile. É bom recordar que o estado incentiva a criação do animal tantas vezes incompreendido.
Quem foi visitar Azinhoso passou um dia diferente porque para além de ver os burros em desfile ainda teve direito ao almoço. Nada mais que uma posta à mirandeza acompanhada com boa pinga. Self-service... e tudo à descrição.
Lembro-me agora que faltaram no dito desfile alguns burros de duas patas que já tentaram andar nas bocas do mundo.

Publicado por Nuno Teixeira em 01:18 PM | Comentários (0)

setembro 09, 2004

O jardim e o nada

Dou-te o nada. O mesmo nada que me deste a mim.
Não entro em conversas e considerações sobre o nada. Não posso, não quero, não sonho que alguma vez saias do mundo vazio.
Dei-te as rédeas e esperei por te ver puxar toda a grandiosa amizade que apregoavas. É claro que é preciso viver quase meia vida para saber que a amizade é feita de silêncios e distâncias.
Podes sempre regressar a este teu templo e comentar os manuscritos dos pilares, lá fora no jardim mas jamais te direi te brindarei com algo mais que não seja o silêncio e o nada.
O erro do costume não voltará a repetir-se, porque o adeus não se promete. Assume-se. Faço questão.

Publicado por Nuno Teixeira em 02:34 PM | Comentários (4)

setembro 08, 2004

Ainda a "paixão da rádio".

O despertar de cada dia é cada vez menos promissor.
O tempo avança a passos bem largos. Fugiram-me os sinais e as frequências da alegria. Deixei de ser criança em corpo de adulto e fico perdido no imensidão dos dias dificeis.
Roubaram-me os sonhos e os dias sem ti são todos iguais. São dias sem fim. Assim são os dias sem a paixão.

"No princípio era o jogo teimoso de amores, desamores, encontros, desencontros, esperanças, angústias...
No princípio eram todas as paixões, juntas muma só".
(António Jorge Branco, in 16 anos da TSF)

Publicado por Nuno Teixeira em 10:33 AM | Comentários (0)

setembro 07, 2004

Título

Ora aí está um título que eu já não via há muito tempo.
"Terrorista preso vivo rapou a barba para tentar fugir".
É um dos títulos da primeira página de hoje do Correio da Manhã.
Sem comentários

Publicado por Nuno Teixeira em 01:09 PM | Comentários (0)

setembro 06, 2004


(Foto: António Nunes)

Quem fui eu?
Porque razão não reconheço o reflexo do meu passado nas águas do rio?
Foram mentira as noites cumplices e o hoje o rio revolta-se e distorce a imagem da lua que também já não conheço.

Publicado por Nuno Teixeira em 02:01 PM | Comentários (0)

Do outro lado

Esta noite fui acordado pelo som estridente de gargalhadas vindas do exterior de minha casa.
Abri a janela e espreitei a claridade da madrugada. Em cima do telhado estavam duas bruxas a saltitar de telhado em telhado cantarolando gargalhadas estridentes enquanto apanhavam cogumelos. Acordado em sobressalto, saí a correr pelo céu inundado de lágrimas e levitei suavemente sobre uma árvore junto ao meu quarto.
De repente estoiraram raios nos céu, o vento levantou as folhas secas de poemas que repousavam nas ruas da cidade, as estradas foram engolidas pelo chão e as casas desfizeram-se em areia, a árvore ganhou vida e rompeu com as suas raizes o solo que em seu redor apresentava uma poça de sangue onde brincavam umas estranhas criaturas. A árvore ergeu-se ao céu e por ela começaram a cair corpos que embatiam e se rasgavam nos galhos.
Os que chegavam ao solo eram perturbados pelas tais pequenas criaturas horrendas.
Sinto-me empurrado contra as nuvens cinzentas e o meu grito desenha uma tragectória vertical. Rompo as nuvens e desmaio.
Quando volto a mim, uma orquestra de cadáveres caminha rumo a uma abertura feita em torno das nuvens. Uma autêntica parada macabra que se precepitava da ravina do céu.

Publicado por Nuno Teixeira em 01:17 PM | Comentários (0)

setembro 03, 2004

O CEREJAL

A Escola da Noite em Coimbra leva a cena até ao dia 18 "O cerejal" uma peça de Anton Tcheko, o último do dramaturgo que foi escrito um ano antes da sua morte.
A encenação da peça é de Rogério de Carvalho.
Uma peça a não perder na Oficina Municipal do Teatro em Coimbra de Terça a Sábado às 21:30h.
Uma boa sugestão para o fim-de-semana.

Publicado por Nuno Teixeira em 02:53 PM | Comentários (0)

Entre janelas


(Foto: António Nunes)

Erguem-se ao céu, as recordações daquela casa velhinha. A minha aldeia, os meus amores de infância.
Os carros de rolamentos a rolar na calçada de pedra. As correrias da criançada que se escapa com ecos de júbilo por entre as estreitas ruas de pedra depois das traquinas tocarem nas campaínhas e nas portas.
Rola uma bola de futebol às vezes improvisada num campo aberto ao céu. Dão-se algums passos e fazem-se duas balizas.
Olho a tua janela e vejo o teu sorriso envergonhado por entre as cortinas.
A minha aldeia é a nossa aldeia.
Os anos passam. A minha aldeia fica.
Encontro outra casa que não é de pedra mas que também tem uma janela.
Agora sou eu que tento espreitar para dentro de um outro mundo. Mas este sorriso, nesta janela da cidade não espreita o amor por detrás das cortinas.
A janela também suspira por paixão, os olhos que por vezes espreitam são parecidos com o amor da minha infância. Também eles traquinas, também eles infantis na boa verdade de amar. Mas não me pedem para lutar por amor.
Eu lutei, cantei baixinho... debaixo da tua janela. Só assim me deixavas cantar.
Assim se faz o amor entre janelas. Da infância e da maturidade

Publicado por Nuno Teixeira em 12:30 PM | Comentários (0)

setembro 01, 2004

A mulher ideal

Ontem dei por mim a imaginar o meu ideal de mulher.
Porque isto da prospecção a olho nu não é suficiente.
Sendo assim, a mulher ideal deve ser divertida, ou seja não pode ser enjoada.
Deve ser como é óbvio inteligente, astuta, corajosa e segura. Mulher de poemas e sensibildades mas não melancólica. O seu sorriso deve iluminar qualquer pavilhão deste e do outro mundo.
A mulher ideal deve estar sempre disposta a saborear um bom vinho tinto que acompanha uma boa chouriça, salpicão ou um bom queijo num qualquer convívio de amigos. Eu ainda não sei bem porquê mas é raro encontrar uma mulher que goste de vinho tinto bem como acompanhar o companheiro numa alegre e descontraída tainada.
A mulher ideal deve ter sentido de humor. Não há nada mais importante que o humor numa relação. Deve acordar bem disposta e deitar-se bem disposta.
Deve ter o rosto e os pés bonitos (não há nada mais belo, na minha opinião, que uns pés bem formados e bonitos).
Deve acompanhar o seu companheiro nas mais loucas aventuras mas também deve dar e ter o seu espaço próprio.
Como eu sempre digo. A mulher ideal é o nosso melhor amigo tranformado em mulher, porque há momentos que apenas conseguimos passar com uma mulher... Know are i mean?
Se alguém conhecer uma mulher com estes atributos, que faça sinais de fumo.

Publicado por Nuno Teixeira em 12:31 PM | Comentários (1)

Deixa-me rir


(Foto: António Nunes)

Pendurado nas grades do jardim, de mãos dadas apenas com a música.
Apesar de só, um sorriso enorme percorre a minha espinha e a minha pele.
Olho o piano arrumado a um canto do palco e deixo cair a cabeça entre a multidão. Ao longe, do outro lado das mãos e dos isqueiros entrelaçados com a brisa, vejo saudosamente um beijo de dois namorados que se perdem na imensidão da noite mas jamais perderão a oportunidade de voltar a sentir com a música. Sinto inveja mas também uma enorme felicidade.
Fizeste-me rir e sorrir
Obrigado Palma.

Publicado por Nuno Teixeira em 11:20 AM | Comentários (0)