junho 30, 2004

CÂNTICO NEGRO


(FOTO: António Nunes)

Não sei por onde vou, mas tenho a certeza qual é a minha bandeira de luta.
Quando se fizer justiça, haveis de acordar envoltos em suor. Os Tuaregues cavalgarão sobre as vossas camas e o medo vai apoderar-se da vossa consciência.
O grito de poemas e palavras de luta vai ecoar enquanto fugides na escuridão.
Roubastes o luar mas nunca o consolo de vos ver cair.
Escreveremos com sangue o poema de José Régio.

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?


Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.


Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...


Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.


Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

CÂNTICO NEGRO
JOSÉ RÉGIO

Publicado por Nuno Teixeira em 02:36 PM | Comentários (1)

Gostava de te ter aqui

Ainda vens ao mundo que contruí para ti?
Olha em teu redor,
É o teu mundo e o meu juntos num só sopro,
Não é tudo que tenho para te dar.
Gostava de te ter aqui,
De olharmos um no outro,
E sem falarmos,
Entendermo-nos com um sorriso.
Gostava de te ter aqui,
A força extra que me dá,
A tua presença,
É um mundo que colide,
Contra os fossos que me,
Separam dos sonhos.

Publicado por Nuno Teixeira em 01:33 PM | Comentários (0)

junho 29, 2004

Vivam os gordos do poder

Há apenas quem se preocupe com o poder. Com o poder do bom nome de familia, com o protagonismo pessoal.
Aparecem em todo o lado, São analistas de tudo e de mais alguma coisa mas são o vazio por dentro. Autoridade máxima em hipocrisa.
Que tristeza. Há pessoas que estão capacitadas academicamente para analisar os outros mas deviam fazer uma auto-análise de si próprios.
É uma vergonha. O poder neste país anda de pais para filhos. Todos coçam a barriga de satisfação.

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Publicado por Nuno Teixeira em 01:32 PM | Comentários (0)

junho 28, 2004

Nem tudo se perde.

Não fico mais um dia sem poder sem encostar os meus lábios a esse pescoço que me leva numa viagem calma com o perfume que jamais esquecerei.
Porém, entre os dias que passam lentos sem o teu sorriso, hoje posso dizer que o céu está mais azul.
Eu sinto-te aqui cada vez mais perto. Trago-te na alma para onde vá.
Canto-te em cada grito de revolta e em cada batalha que venço.
És a bandeira que trago vestida.

Publicado por Nuno Teixeira em 04:51 PM | Comentários (0)


(foto: António Nunes)

Uma rua calada.
Portugal vive a uma só voz, uma festa imensa. Um sonho de uma nação transportada para um relvado de futebol.
A festa passa ao lado da alma portuguesa? Alguém exibe com carinho a bandeira.
E os outros? Os que ficaram a meio do sonho? Terão eles motivos para celebrar com o mesmo país que SÓ lhe dá alegrias desportivas?
Uma rua calada. Uma bandeira.
Talvez uma vila uma bela aldeia perdida no interior. Esquecida tal e qual o seu povo. Um povo que só é lembrado nas festas megalómanas deste novo Portugal.
A palavra CONFIANÇA resiste. A FORÇA resiste. Guardo-a no peito junto dos meus sonhos, da minha bandeira e do povo que esquece na rua a arrogância de quem manda na amada terra lusitana.
Há um país que sorri e acredita apesar de ter cada vez menos motivos.
Esta é a tua bandeira, este é o teu povo... não te esqueças dele, meu amado Portugal.

PS - Continuamos a viver com os mesmos mesquinhos. De tudo se valem, para atirar areia aos olhos. Tanto esforço e são sempre "outsiders" a ganhar a corrida. Assim não vale!!!

Publicado por Nuno Teixeira em 02:41 PM | Comentários (0)

Dom Quixote e os Tuaregues


(Isto de ser Tuaregue não é fácil...)

Há quem possa eventualmente conhecer estas caras em algum lado mas você pensa isso porque se tratam de novos herois que impediram a revolta das ameijoas assassinas.
Continue a ler e a VER as "fronhas" mais estranhas da plataforma terrestre.

Tudo começa sempre da mesma forma. No alegre convívio de um qualquer lar deste ou do outro mundo.
O nectar dos deuses não pode faltar sob a pena de rolarem cabeças. O nectar é importantíssimo para deliniar estratégias de ataque.


Nada se perde, nada se ganha. Tudo se transforma.

Aquele senhor que tem uma verruga na cara e que costuma aparecer nos jogos do Porto é de facto um bom artista. Há alguém que lhe quer tirar o lugar!?!?

Um Samurai das Caldas ou um cromo com a mania dos filmes!?

Gandas malucos... ah pois é! Amanhã tudo vai doer. "Prometes, juras... ramadas nunca mais".

Cuidado! Os espíritos jovens estão prestes a ser perturbados! Ou já nasceram assim?

Ora aqui está... podem achar que se trata de gente tocada pelo álcool, mas é tão só uma missão nocturna. O resgate das ameijoas em ruas de Gelsenkirchen.

Publicado por Nuno Teixeira em 11:08 AM | Comentários (1)

Talvez...

... e afinal, talvez Kamala ainda volte.
A doce e bela Kamala por onde corri livre.

Publicado por Nuno Teixeira em 10:57 AM | Comentários (0)

junho 25, 2004

DISCO RECOMENDADO PARA ESTE FIM DE SEMANA

Cinema - Rodrigo Leão ****
O antigo membro dos Sétima Legião e dos Madredeus está de volta com um novo disco, entitulado cinema.
Não sou um grande fã mas devo reconhecer que este disco me surpreendeu.
Bom fim de semana a todos e façam o favor de ser felizes.

Publicado por Nuno Teixeira em 05:18 PM | Comentários (2)

NASCER OUTRA VEZ

Hoje dei comigo a ouvir um tema do novo disco de Adriana Calcanhoto que se chama Formiga Bossa-nova. É um poema lindíssimo de Alexandre O`Neil. Ainda não tive tempo de pesquisar na net, mas acho que a Amália já tinha gravado qualquer coisa com este poema (a Valéria deve saber isto).
Mas o interessante é recordar e o poema fez-me recordar os tempos de infância, quando tudo era tão simples. Era tudo espontâneo e ninguém repara muito na nossa existência. Isso às vezes é bom.
As formigas ainda ocuparam algumas das tardes de miudo. Tenho a certeza que não foi só a mim.
Pode parecer estúpido estar a escrever sobre isto mas a verdade é que às vezes podemos continuar a ser crianças, só que nos esquecemos de ser.

Publicado por Nuno Teixeira em 04:05 PM | Comentários (1)

Hoje não tenho palavras.
Falta aqui qualquer coisa e não são palavras.

Publicado por Nuno Teixeira em 11:27 AM | Comentários (0)

junho 24, 2004

Há palavras que não se dizem?

Corre pelas ruas, pelas praças da tua cidade, pelas pontes de gerações. Senta-te nas calçadas e compõe um música e dedica aos que passam apressados rumo ao confronto das multidões. Escreve amor nas paredes velhinhas e desenha no céu com os braços bem erguidos.
Hoje é Quinta-feira de paixão.

Uma vez,
Houve um tempo,
Onde encontrei belas palavras que escrever,
Mas agora é tempo de viver.

Uma vez,
Houve um tempo,
Onde a palavra havia de ser suficiente,
Mas agora há um desejo de sentir,
Letra a letra do novo sentir.

Venham todos,
Correr para o infinito e para o turbilhão dos sonhos,
Vamos festejar a deslumbrante surpresa,
De um novo rosto de liberdade.

Uma vez,
Houve um tempo,
Este é o tempo... de sentir sem pressas,
De escrever em tempos de seda,
Que voltar a amar não é correr.

Publicado por Nuno Teixeira em 01:47 PM | Comentários (4)

junho 22, 2004

BEIJO QUE NÃO CHEGOU

É provavel que a felicidade não se encontre. É talvez certo, que não volte a ver esse teu sorriso e esse teu olhar.
Talvez não volte a beber uma garrafa de vinho contigo enquanto vibro com as estórias que me contas.
É provavel... É incerto. Vou sentir tanto a tua falta. Muito mesmo.
Gosto muito de ti. Deusa dos sinais que moras lá do outro lado do rio.

Publicado por Nuno Teixeira em 07:39 PM | Comentários (5)

VEM SENTIR CASANOVA

Se há album que me faz particularmente SENTIR é o disco dos Divine. Casanova.
ACEITEM O MEU DESAFIO. VENHAM SENTIR COMO EU... Vão até a uma janela acompanhados apenas pelo suave passar do tempo e ouçam o magnífico instrumental "Theme From Casanova " (faixa nº 10 do disco).
Se sentirem uma lágrima de felicidade que parece embarcar numa viagem com tudo aquilo que passaram nos últimos anos de vida e se tudo isso se embalar com o fim de tarde que vêm da vossa janela... então, vocês sentem o que eu sinto. E o que sentimos afinal!? Nostalgia? Alegria? Saudades disto e daquilo que foi adormecendo!? Experimentem.

Publicado por Nuno Teixeira em 04:58 PM | Comentários (0)

SEM ABRIGO

De que vale um abrigo na alma e o reconforto de palavras amigas, quando nos assaltam com falsas expectativas!?
Podem tirar-nos tudo. Podem fustigar as feridas já abertas. Podem até "não me citar". Podem rir-se num assombroso banquete de "novos senhores do mundo".
Podem roubar-nos o que é nosso. Podem tirar-nos por algum tempo, os sonhos... mas nunca nos podem tirar a vontade de sonhar. Muito menos a força de lutar.
Os Tuaregues sobrevivem. Abraço à tribo azul que não cai por terra.

Publicado por Nuno Teixeira em 02:23 PM | Comentários (0)

junho 18, 2004

Deusa dos sinais

Tenho novas palavras para descobrir. Um novo mundo de fascinantes renovações.
Sou eu e tu junto à noite na cumplicidade desse sorriso que nos une.
Ah bela Deusa dos sinais, como gosto de ficar a ouvir-te e a encher-me de paixão. Falta o nosso abraço e selaremos com um beijo a noite mais louca do mundo.
Aquela que não mais vai acabar com as brincadeiras improvisadas por entre um amor que está quase a nascer...

Publicado por Nuno Teixeira em 03:08 PM | Comentários (0)

junho 16, 2004

FOTOGRAFIA COM AMOR

PROCURA-SE...


(António Nunes no seu exercício de micanço!)

...fotos com muito amor à camisola. Amigo "Alheira", aqui fica o caminho.
AMIGO. Na verdade está para breve o nosso regresso do deserto. Os Tuaregues de azul estão aí. E como tu dizes, há muitos "Sanchos Pança".
Fica aqui o portfólio fotográfico do amigo António Nunes. Amigo de copos, nas desgraças, nos temperamentos e nas lutas. Veja aqui as fotos com amor e com arte...
Um grande abraço.

Publicado por Nuno Teixeira em 03:54 PM | Comentários (1)

DIA DOS TUAREGUES

O regresso do exílio pode estar para breve. Os Tuaregues a quem raptaram os sonhos estão prestes a cavalgar sobre a cidade e invadir os pesadelos dos Filhos da Puta dos ladrões do luar.
É o regresso da liberdade e da vontade de lutar pelos ideais. É a batalha. A mãe de todas as guerras, nem que isso simbolize a morte. Tudo valerá a pena quando se acredita numa bandeira ou num ideal

Publicado por Nuno Teixeira em 02:52 PM | Comentários (0)

junho 15, 2004

DOM QUIXOTE ESTÁ DE LUTO...

A morte anunciada...
O baixo Sabor está prestes a ser assassinado. O rio da minha infância não será mais o mesmo.

Publicado por Nuno Teixeira em 05:42 PM | Comentários (2)

POR FIM...

...KAMALA, decididamente não voltará nunca, como tal desisto pela primeira vez de alguma coisa.

Publicado por Nuno Teixeira em 05:17 PM | Comentários (0)

NOTICIA DE ULTIMA HORA

Um homem. Um amor, aparentemente não correspondido ou então simbolicamente absolvido de actos não coincidentes.
Um olhar estático sobre a cidade escura, um olhar inundado pela saudade.
Um homem, um olhar encostados repetidas noites na janela de um quarto subtilmente iluminado por uma música de paixão.
O repórter descobriu e investigou o que aparentemente pode parecer uma história vulgar de amor. O repórter procurou respostas no seio de si próprio e seguiu pistas perdidas na cidade, com o objectivo de explicar o silencioso desassossego que embalam este homem em repetidas noites de profunda saudade, como nos explica o repórter que a noite hoje acolhe.


São quase duas da madrugada e a cidade passa indiferente a um olhar que há várias noites espreita de uma janela, num quarto escuro.
Um rosto que deixa transparecer , apesar do manto negro da noite, uma expressão de tristeza, de saudade e de fria solidão. Um rosto iluminado sempre que os lábios secos deste homem anónimo, tocam pousadamente a companhia de um cigarro.
A razão para a empatia com tal solidão pode estar eventualmente relacionada com a falta de um amor que fugiu repetidas vezes ou que então faltou ao chamamento de um homem mas também de uma criança que só queria amar.
Algumas das testemunhas, vizinhos deste homem desassossegado afirmam que todas as noites, na mesma janela, pela mesma hora se sentem suspiros e o bater de lágrimas no parapeito da janela. Um inquietude silenciosa que não encontra uma explicação racional.

Rm
Um homem. Este homem,
já o vi inventar fantasias,
Por entre conjugação de sons,
Em calçadas com estórias perdidas,
Inundado por uma enorme alegria,
Saltava de paixão para paixão,
Sem nunca perder a razão,
Dos amigos homens bons,
Dos sonetos feitos obra,
Dos versos feitos sons.

Um homem que agora perde a vista na noite. Chora a saudade na companhia de um quarto apenas iluminado por um som fugaz de uma guitarra.
Não há explicação aparente para a tristeza mas também já não há espaço no éter para sentimentos.

Publicado por Nuno Teixeira em 03:37 PM | Comentários (0)

Sabor ou Côa?

Hoje a meio da tarde saberemos onde será construída a barragem. A que preço?
POR UM SABOR LIVRE.

Publicado por Nuno Teixeira em 01:57 PM | Comentários (0)

junho 14, 2004

E KAMALA NÃO VOLTA...

Não há brisa aqui.
E kamala não volta. Não voltará. Não lhe aquece a saudade com o passar dos dias.
A poesia não a penetra. Os papeis foram reciclados por entre a poeira de todos os outros, que talvez, convivam com a escuridão do fundo do baú.
E kamala não voltou. Não voltará nunca. Não voltarão os verdes campos onde corri.
E o mundo não gira. Vagueia. Muribundos, os meus olhos conformam-se com o desencontro de todas as coisas. A força e luta afastaram-se com o amor de Kamala... que não voltou, que tristemente não voltará.
Assim o bardo cantou. Em silêncio cantou que Kamala não mais escreverá saudade enviada à brisa do Mondego.
Perdeu-se a oportunidade de inventar de vez o amor nas pautadas calçadas da velha rua. No meu quarto. Na festa mais próxima.
Parece mentira. O bardo cantou. Kamala não voltou. E agora... resta o silêncio em todos os luares até ao final dos minhas noites.

Publicado por Nuno Teixeira em 01:25 PM | Comentários (9)

junho 11, 2004

Para ti bela Kamala.

Para ti bela Kamala. Para quem todas as palavras de amor nunca são demais.
Que saudades da beleza dos teus olhos onde achei a harmonia de vida e os arrumos de ideias. Floresta onde corri, descalço e livre por entre árvores e vegetação grossa que me cortavam a pele vezes sem conta. Território de harmonia, segurança e unidade de todos os seres livres do universo.
Floresta inalterável de prazeres selvagens. Poemas de amor. Apenas de amor puro. Sem lobos, sem ladrões de luar.
Volta Kamala. Quero voltar a escrever na tua pele e entrar em ti com as palavras que nos faziam respirar.
Voltas, bela Kamala? Quebra os votos de silêncio e surpreende-me a meio caminho desta loucura em que vivo por te ter perdido. Vem amar alegremente sem receios.
É a ti, que todos os abraços entreguei e que em todas as palavras quase esgotei.
Sim. É para ti este apelo. Vamos voltar a correr nos vales dos encontros e desencontros. Vamos perder-nos por entre confessas discussões de amor e voltaremos a colidir suavemente junto ao rio de todos os luares.
Voltas, bela Kamala?

Publicado por Nuno Teixeira em 03:07 PM | Comentários (1)

Esta é a tua Bandeira.


Não ao faz de conta. Não ao conformismo. Não. Não vamos brincar ao “está tudo bem”.
Não ao exibicionismo. Não à importação de manifestações patrióticas de países do terceiro mundo. Não à dissimulação. Não ao contra sem fundamentos lógicos.
Sim à bandeira exibida na alma.

Publicado por Nuno Teixeira em 01:21 PM | Comentários (0)

Não importa nada…

Tenho cada vez mais certezas que não dependemos de nós próprios para atingir os nossos sonhos e os nossos objectivos de vida.
Já aqui escrevi várias vezes que a nossa força e atitude não bastam. Não bastam as ideias e os ideais, a criatividade, a atitude, a garra e a força.
Nesta luta desigual resta-nos a consciência e as palavras como armas de combate. Mesmo que o inimigo não se veja ou então se disfarce de habitual cordeiro manso.
De que vale batermo-nos por ideias na busca da inovação, se há sempre alguém que se apodera do que é nosso? Vale. Vale sempre a pena lutar. Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.
Vale a pena concentrarmos forças. Vale a pena continuar a mover montanhas ao ritmo de palavras claras e sinceras. Mesmo que isso não mova influências.
São jactos de tinta que escorrem numa folha de papel.
São lanças que corroem a consciência dos quinteiros do quinto poder.
Lançados ao deserto da inactividade, como criaturas indefesas no meio de um circo romano, sobreviveremos graças à palavra e à força de um sorriso. A alma. A nossa alma, essa não a pode exilar.
Seremos Tuaregues por território de criaturas de papo cheio que cobardemente nos exilam.
Nunca e demais voltar a lembrar Jorge de Sena.

“Podereis roubar-me tudo:
as ideias, as palavras, as imagens,
e também as metáforas, os temas, os motivos,
os símbolos, e a primazia
(…)
E podereis depois não me citar,
Suprimir-me, ignorar-me, aclamar até
Outros ladrões mais felizes.
Não importa nada…

Jorge de Sena

Publicado por Nuno Teixeira em 11:31 AM | Comentários (1)

junho 08, 2004

como te perdi?

Não há sequer uma brisa nesta manhã.
Deixei-me perder nos teus olhos e perdi-os também.
Perdi o rasto de encontros felizes e o que eu dava para o encontrar de novo.
Onde estará o teu sorriso!? Onde foi que eu desiludi na novidade de construirmos um sonho que injustamente perderás no esquecimento?
Foi por ter dito amor? Foi por ter escrito na parede o teu nome?

Publicado por Nuno Teixeira em 05:36 PM | Comentários (1)

junho 03, 2004

DE NOVO DA WEASEL

O regresso dos Da weasel não surpreende.
Não quero com isto dizer, que não há evolução. Digo que não surpreende porque a banda já nos habituou a um "poder" sonoro fora do comum.
Cada vez mais me convenço que quem não renuncia às suas origens musicais mas que continua a evoluir, só tem a ganhar.
O novo disco dos Da Weasel, "Re-definições", é no meu entender um apelo à revolta dos espíritos contra certas situações que nos são impostas diariamente. Críticas fundidas com elevação superior do som.
No novo disco, outra agradável surpresa. A presença de Manuel Cruz, ex vocalista dos saudosos Ornatos.
A banda acolhe Manuel Cruz com as palavras; "Há muito que queríamos trabalhar com o Manuel Cruz. Simplesmente porque sente, escreve e canta como poucos em Portugal. O convite foi feito e aceite e - perdoem-me a modéstia - fizemos história".
Concordo com tudo. E já agora aqui vos deixo o refrão do tema "casa (vem fazer de conta)", que até por coincidência vem reforçar parte do tema que abordei na entrada anterior.

"Tento ter a força para levar o que é meu
Sei que às vezes vai também um pouco de nós
Devo concordar que às vezes falta-nos a razão
Mas nego que há razões para nos sentirmos tão sós
Vem fazer de conta eu acredito em ti
Estar contigo é estar com o que julgas melhor
Nunca vamos ter o amor a rir para nós
Quando queremos nós ter um sorriso maior"

Toda a letra é deliciosa.

Publicado por Nuno Teixeira em 06:37 PM | Comentários (0)

A AUTO-ESTIMA. A SOCIEDADE, AS DESILUSÕES E A RECUPERAÇÃO DE FORÇAS

Muito se tem escrito e falado sobre a auto-estima.
Há quem diga que o rosto dos portugueses em geral, anda triste e desgostoso.
Há quem aponte como principal factor os avisos alarmistas do início deste governo e da crise económica e social que tem vindo a instalar-se.
Não sou psicologo nem sociologo mas o meu senso comum aponta-me alguns factores que têm vindo a evidenciar-se nos últimos tempos.
No campo político, é uma realidade que os os políticos da nossa praça parecem ter menos qualidade intelectual e capacidade política para se assumirem como tal. A classe política parece mais interessada em praticar a chacota, a ironia e em promover festins de ringue, do que a exercer a sua actividade em concreto. Acho que muitos políticos adoptam cada vez com mais frequência o "principe" de Maquiavel como livro de cabeceira. Eu lembro que a actividade política é uma das profissões mais nobres, visto que é destinada a servir os outros.
Estes casos de politiquice de trazer por casa, reflecte-se nas pessoas. Leva-as a manterem-se afastadas das questões importantes para o país, das questões ideológicas e entregam-se a tudo aquilo que lhes dá alegria. O futebol é disso um exemplo.
As novas gerações refugiam-se um pouco no espontâneo e em aspectos que lhe possam trazer uma sensação de novidade.
Pode parecer absurdo este meu ponto de vista mas o que mais tenho visto ultimamente são pessoas tristes por causa de desilusões amorosas. A isso não está alheio o facto de talvez haver cada vez menos maturidade em assumir relações.
Aliás. Esse é um dado comprovado por um estudo realizado há bem pouco tempo entre a população mais jovem.
Outro factor que afecta no meu entender a auto-estima e que por acaso atinge todas as classes etárias, é o problema do desemprego e algumas injustiças inerentes a este problema.
Talvez não seja coincidência que é nas alturas de crise que aparecem os mensageiros do humor caustico, da ironia, das cantigas de escárnio e do maldizer. É mais um refúgio? É tão só a critica fiel aos problemas sociais?
Não sou uma pessoa afligida por sentimentos de ódio ou vingança mas a verdade é que me dá algum prazer ver o "outro lado", de pessoas, situações que até certa altura nos infligiram alguns ferimentos.
Quem escreve verdade não merece castigo. Apesar de não ser uma pessoa crente em deus, instituições e regras religiosas, a verdade é que há um outro ditado: "deus escreve direito por linhas tortas". E isto porque a vida dá muitas voltas e por vezes a auto-estima sobe consoante a crescente verificação de que há coisas, problemas, pessoas e situações que não merecem, afinal tanta devoção ou preocupação da nossa parte.
Eu já tive a oportunidade de verificar que há pessoas que precisam de "bengalas" para se auto-valorizarem. Por isso, se querem um conselho, nunca valorizem ninguém sem pensarem duas vezes, porque podem vir a rir-se mais tarde.
Por vezes andamos tão cegos, principalmente nas áreas profissional e amorosa que não somos pessoas racionais. Melhor. Deixamos de o ser.
Há uma obra deliciosa de Julio Dinis que muito nos revela sobre a verdaira essência humana. Falo de "Serões da província". Continua a ser delicioso. Gostaria de trazer para esta situação de "cegueira irracional" o episódio do "Espólio do tio Cipriano". Para quem não conhece este capitulo dos "serões da província", lembro que o narrador faz questão de evidenciar "os olhos do povo". Quando o povo fala, lá terá a sua razão. Como diria o outro, é a vida...
Conselho do Dom Quixote. "A pior falência do mundo é quando o homem perde o entusiasmo", uma frase de Isac Rubin para explicar que não devemos dar um ar de tristeza. Porque há quem se valorize com os nossos erros, paixões e também com as nossas feridas.
Não há nada mais bonito do que voltar a viver, escrever com a liberdade de um sorriso a que alguns poderão interpretar de irónico ou prepotente. Mas é apenas a segurança e a capacidade dos mais fortes que prevalece no final.
Um homem também chora. Mas SÓ quando é urgente.

Publicado por Nuno Teixeira em 04:19 PM | Comentários (2)

FURA DELS BAUS

A companhia catalã La Fura Dels Baus celebra 25 anos de carreira.
O navio NAUMON é o palco onde se realizam sete acções inscritas genuinamente na linguagem furera.
O público vai flutuar no navio e sem pisar terra firme pode sentir-se rodeado e perseguido pelo espectáculo desta companhia catalã.
O publico poderá assim escolher se desce ao porão que representa o inferno ou sobe ao convés, que representa o céu.

Um espectáculo a não perder nos dias 2, 3 e 4 de Julho no navio NAVIO NAUMON no Cais Comercial da Figueira da Foz.

Entrada: 35,00€



Publicado por Nuno Teixeira em 02:48 PM | Comentários (0)

junho 02, 2004

São sombras. São apenas sombras

"Aqui na orla da praia, mudo e contente do mar,

Sem nada já que me atraia, nem nada que desejar,

Farei um sonho, terei meu dia, fecharei a vida,

E nunca terei agonia, pois dormirei de seguida.

A vida é como uma sombra que passa por sôbre um rio

Ou como um passo na alfombra de um quarto que jaz vazio;

O amor é um sono que chega para o pouco ser que se é;

A glória concede e nega; não tem verdades a fé.

Por isso na orla morena da praia calada e só,

Tenho a alma feita pequena, livre de mágoa e de dó;

Sonho sem quase já ser, perco sem nunca ter tido,

E comecei a morrer muito antes de ter vivido.

Dêem-me, onde aqui jazo, só uma brisa que passe,

Não quero nada do ocaso, senão a brisa na face;

Dêem-me um vago amor de quanto nunca terei,

Não quero gôzo nem dor, não quero vida nem lei.

Só, no silêncio cercado pelo som branco do mar,

Quero dormir sossegado, sem nada que desejar,

Quero dormir na distância de um ser que nunca foi seu,

Tocado do ar sem fragrância da brisa de qualquer céu".
(Fernando Pessoa)

São sombras,
O que paira hoje em mim e em ti.
Sombras do que não esqueço.
Sombras do que não mereço.
São sombras, são nuvens,
O amor que te dei.
Perdem-se na nova paixão,
De viver o que ganhaste,
O que eu perdi.
São sombras, que amanhã
Não serão.
São o nada no limite da recordação.
(Dom Quixote)

Publicado por Nuno Teixeira em 06:57 PM | Comentários (0)

AMIGOS POR ACIDENTE

Quero já agora aqui deixar um grande abraço aos AMIGOS POR ACIDENTE. Levo-os no coração onde quer que vá.
É bom saber que estamos todos bem e que apesar de seguirmos caminhos muito diferentes continuamos a partilhar o mesmo pacto que nos uniu.
Um abraço do tamanho do mundo. Quem ama nunca esquece quem também nos amou.

Publicado por Nuno Teixeira em 03:23 PM | Comentários (0)

Sons dos meus 15 anos.

Já actualizei a lista de sons dos meus 15 anos de rádio.
Trabalhos, projectos pessoais, saudades, memórias e também brincadeiras.
A Novela de Terror é tão só um grupo de amigos do éter, que convivia alegremente num estúdio de rádio, quando a emissão terminava às 00horas.
Até altas horas da madrugada brincava-se, improvisava-se. Aqui nasceu um grande grupo de amigos. AMIGOS VERDADEIROS. Os que ficam para sempre.
Novela de Terror parte 1 e 2:

Narração - Nuno Teixeira
Menina Maria - Acácio Pereira
Cavaleiro andante - Paulo Dias
Mordomo Jarbas - Luis Lapa
Cavalo Alado - Nuno Morgado

Notas - estes dois sons foram retirados de uma cassete audio já muito velhinha e o formato mp3 não ajuda em nada com a qualidade de som.
É natural que para muitos dos que visitam este blog, não entendam algumas das passagens destes episódios caricatos. São aquilo a que chamamos de piadas íntimas.
Ainda faltam colocar aqui mais sons.

Publicado por Nuno Teixeira em 01:31 PM | Comentários (0)

junho 01, 2004

Hoje quero apresentar-lhes um amigo. Um amigo literário. Um amigo de uma região.
J. Rentes de Carvalho (1930), de ascendência transmontana, nasceu em Vila Nova de Gaia, tendo vivido aí até 1945. Fre­quentou no Porto o liceu Alexandre Herculano, e mais tarde os liceus de Viana do Castelo e Vila Real. Fez o serviço militar em Lisboa, onde simultaneamente frequentou como voluntário os cursos de Românicas e Direito. Obrigado por razões políticas a abandonar Portugal, viveu no Rio de Janeiro, em São Paulo, New York e Paris, tendo nessas cidades trabalhado para os jornais O Correio Paulistano, O Estado de São Paulo, O Globo e a revista O Cruzeiro.

Em 1956 passou a viver em Amsterdam, na Holanda, para onde foi como assessor do adido comercial da embaixada do Brasil. Licenciou-se na Universidade de Amsterdam com uma tese sobre O povo na obra de Raul Brandão. Nessa universidade foi professor de Literatura Portuguesa desde 1964 até 1988, data em que solicitou a reforma. Desde então dedica-se principalmente à continuação da sua obra literária.

Do amigo Rentes de Carvalho, poderemos ver em breve no ecrã uma série portuguesa baseada no seu último romance. "A amante Holandesa"

Publicado por Nuno Teixeira em 01:36 PM | Comentários (0)