abril 29, 2004

O SR CHOURIÇO

Embora não concorde com o seu género de escrita, a verdade é que o amigo Sr. Chouriço está volta, depois de uma ausência forçada provocada por doença.
Um grande abraço e saudações.

Publicado por Nuno Teixeira em 02:52 PM | Comentários (6)

abril 26, 2004

Sonhos roubados.

Aqui há dias, soube que algumas das minhas palavras proferidas à brisa têm sido recicladas por certo tipo de pessoas que são originalmente fracas de espírito. Até porque nem a cara conseguem dar, tal é a cobardia.


Para quem espera por novas e razoáveis brisas de mudança. Para quem já foi roubado na concretização de um sonho. Especialmente para quem detesta a hipocrisia de palavras lavadas no tanque, e entregues posteriormente aos novos heróis, fica um excerto de um poema de Jorge de Sena, que acho muito interessante e um outro de um Dom Quixote. Duas dedicatórias a quem viu a originalidade da criação de um poema ou da contextualização de um momento, ser parte roubada para fazer parte de uma oferenda absurda aos que chegam depois de nós.

“Podereis roubar-me tudo:
as ideias, as palavras, as imagens,
e também as metáforas, os temas, os motivos,
os símbolos, e a primazia…

E podereis depois não me citar,
suprimir-me, ignorar-me, aclamar até
outros ladrões mais felizes.
Não importa nada …

Jorge de Sena


O rio dá e tira,
as palavras que invento e
experimento em mim e em ti.

São quadros vivos de momentos,
que produzi num leito de lágrimas e risos,
enquanto pensava em ti.

Ingratidão.
Pura ousadia.
A oferenda da criação,
de amor em escrita fina,
a intruso além achado,
escondido em teatro de neblina.

Bem hajam as palavras,
que atirei ao rio.
O suor, as lágrimas, o castigo de um suspiro.

Palavras agora por ti lavadas,
chorosas e magoadas,
ao serem revolvidas
em corrente de um outro rio.

Dom Quixote


Não importa nada. Só importa que a arte da criação não se esgote. Ainda bem que fazemos falar alguém com as nossas palavras. Estamos de certa forma a ensinar a amar.
Tantas vezes dedicado a uns e outros, as mesmas palavras perdem o tal sangue até porque como diz pessoa, “a vida é como uma sombra que passa sobre um rio”.


Publicado por Nuno Teixeira em 06:26 PM | Comentários (0)

PROGRAMA OFICIAL DAS NOITES DO PARQUE. QUEIMA 2004-COIMBRA

Foi hoje divulgado o cartaz das noites do parque. Queima das fitas de Coimbra 2004.
Afinal, até há queima. "Gandas malucos" esses gajos das cervejeiras...

6ª feira – Dia 7 de maio – Lulabye e Jorge Palma

Sábado – Dia 8 de maio – Finger Tips, Blasted Mechanism e Blind Zero

Domingo – Dia 9 de maio – Space Boys e Dj Vibe

2ª feira – Dia 10 de maio - Wipe Out, Clã e Rui Veloso

3ª feira – Dia 11 de maio – Iran Costa, Mónica Sintra e

Publicado por Nuno Teixeira em 05:20 PM | Comentários (0)

PRÉMIOS. CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS

Mais um festival de cinema, Caminhos do Cinema Português. Aqui ficam os premiados.

Menção Honrosa - Longa Metragem - Categoria de Película
Special Mention - Feature Film - Film Category
Xavier de Manuel Mozos

Melhor Curta Metragem - Categoria de Película
Best Short Film - Film Category
Part Time de Jorge Queiroga

Melhor Curta Metragem - Categoria de Vídeo
Best Short Film - Video Category
Dia de Feira de Marta Pessoa

Melhor Documentário - Categoria de Vídeo
Best Documentary Film - Video Category
Um Quadro de Rosas de Miguel Ribeiro

Melhor Animação - Categoria de Vídeo
Best Animation - Video Category
O Zé dos Pássaros de Silvino Fernandes e Paulo Sousa

Melhor Documentário - Categoria Televisão
Best Documentary Film - TV Category
Outras Frases de Jorge António

Prémio Revelação
Revelation Award
Jeanne Waltz pelo filme Daqui p'rá Alegria

Júri de Imprensa
Press Jury

Prémio de Imprensa
Press Award
A Passagem da Noite de Luís Filipe Rocha

Menção Honrosa
Special Mention
Xavier de Manuel Mozos

Menção Honrosa
Special Mention
I'll See you in My Dreams de Miguel Angel Vivas


Júri da Federação Internacional de Cineclubes - Prémio D. Quijote
International Federation of Film Societies Jury - D. Quijote Award

Prémio D. Quijote
D. Quijote Award
Entre duas Terras de Eduardo Saraiva Pereira e Muriel Jaquerod

Menção Honrosa
Special Mention
Beijo de Ana Margarida Cunha


Prémio do Público
Public Award

Categoria de Película
Film Category
Os Imortais de António-Pedro Vasconcelos

Categoria de Vídeo
Video Category
Uma Comédia Infeliz de Artur Serra Araújo

Categoria de Televisão
TV Category
O Arquitecto e a Cidade Velha de Catarina Alves Costa


Prémio Ardenter Imagine
Ardenter Imagine Awad
Henrique Espirito Santo

Publicado por Nuno Teixeira em 04:10 PM | Comentários (0)

Um discurso sobre o tacho e a ascensão fácil.

Há uma certa atmosfera de hipocrisia.
Hoje em dia procura-se o sucesso fácil, a ascensão ao estrelado e ao radioso mundo do protagonismo. Costumo dizer em voz alta que há uma numerosa cambada de gente que gostaria de ter um quintalzinho onde pudesse semear um pequeno poder para se pavonear aí pelos palcos acima do anonimato.
Assiste-se a tal facto, na minha modesta opinião, porque estamos a reciclar gerações. Se nas anteriores gerações ainda se assistia a um júbilo enorme por conquistar apenas a arte de bem-estar abraçada à arte de bem saber, hoje não é bem assim. O discurso e acção orientam-se em torno de um sucesso pessoal e profissional baseado numa ascensão metafórica. Ou seja, não é preciso ser-se. Basta parecer-se. Ter boa aparência (leia-se aparência e não coerência) de pensamento. Algo que aparece de mãos dadas com o fast food televisivo a que alguns de nós mais coerentes, apelidamos de lixeira intelectual.....


Há uma certa atmosfera de hipocrisia.
Hoje em dia procura-se o sucesso fácil, a ascensão ao estrelado e ao radioso mundo do protagonismo. Costumo dizer em voz alta que há uma numerosa cambada de gente que gostaria de ter um quintalzinho onde pudesse semear um pequeno poder para se pavonear aí pelos palcos acima do anonimato.
Assiste-se a tal facto, na minha modesta opinião, porque estamos a reciclar gerações. Se nas anteriores gerações ainda se assistia a um júbilo enorme por conquistar apenas a arte de bem-estar abraçada à arte de bem saber, hoje não é bem assim. O discurso e acção orientam-se em torno de um sucesso pessoal e profissional baseado numa ascensão metafórica. Ou seja, não é preciso ser-se. Basta parecer-se. Ter boa aparência (leia-se aparência e não coerência) de pensamento. Algo que aparece de mãos dadas com o fast food televisivo a que alguns de nós mais coerentes, apelidamos de lixeira intelectual.

A barriga. Basicamente a barriga, sempre orientou todas as civilizações e em todas as idades históricas. Havia até uma banda desenhada que li quando era mais novo, que contava a história de uma tribo em que o rei era escolhido consoante o volume da barriga.
Creio que não é apenas ironia se eu escrever aqui neste espaço livre de preconceitos, que a barriga, numa expressão também mais ou menos metafórica (e daí talvez não), ainda seja a forma de orientação de muitas pessoas nesta sociedade livre e democrática portuguesa, que ainda ontem assinalou com a gala do costume 30 anos de evolução desde um tal Abril.
Agora de uma forma completamente irónica, não será bem só a barriga que incha mas também, os peitos de muito ser patológico que por aí anda. Digo patológico, porque não é normal que se oriente a vida em torno de algo que é tão degradante para a postura que se quer séria e modesta em cada indivíduo. Bem sei que para alguns, estes adjectivos não se encaixam ou são até em alguns casos de patologia extrema, formas de vida desconhecidas ou até ignóbeis, salientando que alguns gostam de se exibir vestidos desses adjectivos, que para já, só ficam bem a gente realmente decente.
Há dias em que acordo enjoado com algumas coisas que se vêm por aí. Há dias em que sinceramente me apetece fazer uma viragem radical à esquerda não intelectual, e sair por aí fora a gritar liberdade.
Tem alguma piada, porque as ascensões gloriosas aparecem normalmente neste país sob a forma de tacho…
“Conheces o amigo do outro, que é amigo do outro amigo que tem um quintal bem recheado? Se não conheces ninguém ainda te resta ser mulher, porra!”
Dá vontade de rir umas vezes e de chorar outras tantas. Mais do que isso dá vontade de revolta. Com ou sem pontuação, dá vontade de passar ao lado destas questões e bater palmas aos que alegremente exercem lugares neste país e para os quais não têm qualquer vocação. Já com pontuação, dá vontade de votar em branco, dá vontade de abrir as pernas e deixar de lutar.
Dá vontade de ter raiva e escrever ou dá vontade de ler um livro e deixar passar os dias sem sequer olhar para a frente e muito menos para o lado, para o local onde pousámos de vez a caneta.
Dá vontade de sair por aí apregoar gritos de revolução a torto e a direito com vontade que nos chamem loucos na rua.
Afinal a revolução, não foi uma evolução mas sim uma regressão, porque há barrigas e barrigas. Há um Portugal de primeira e de segunda. Há portugueses de primeira e de segunda. Há quem morra todos os dias na sombra dos acontecimentos de holofote, sem ninguém que se preocupe. Há quem ainda hoje não tenha água e comida para encher uma barriga que apesar de cheia pode ser vista sem o inchaço do peito como obstáculo. Há um orgulho nacional imbecil em tornar visível, apenas as necessidades dos que são capa mediática.
Há quem se exprima em amor um tal sentimento que não tem. Há uma história de gente que não interessa mas que tem poder sobre nós próprios e sobre o rumo das coisas. O pior é que ganham estatuto e dinheiro com isso.
Aqui há dias estava eu a ouvir a nova Antena 1, que a propósito, deve estar a habituar-se aos novos equipamentos, à nova casa e novos inquilinos, porque não há noticiário onde mal não aconteça. Uma peça que não entre, ou peça que entre trocada, ou sons em más condições, ou qualquer outra merda qualquer que aconteça, porque só se acredita ouvindo. Mas num fórum ouvi um ouvinte dizer que este país precisava de ter tido uma revolução a sério, onde fosse derramado sangue. Por vezes penso muito nisso…
Quando virem algum herói da farsa neste pequeno quintal a que chamamos Portugal, em cima de um qualquer palco da vida deixem crescer e engordar tal pantagruélica criatura. Pode ser que tombe quando o palco também tombar.



Publicado por Nuno Teixeira em 02:15 PM | Comentários (0)

abril 23, 2004

Voltar aos poucos

Quando sonhamos e teimamos ainda mesmo que de forma inconsciente tentar continuar a sonhar, só nos resta que a rotina dos dias nos faça desvanecer os sonhos através do esquecimento gradual.
É assim para todos os sonhos... voltar aos poucos a uma vida.

Acorda.
Sacode dos ombros o fardo pesado das esperanças. Aqui na terra as histórias não são de encantar e os finais não são felizes coincidências como um simples filme projectado na tela.
Acorda.
No meio dos apontamentos não publicados, existe uma lágrima que ainda teima em pousar lentamente. Há essa recordação e a imagem de um microfone atirado para um canto da estante.
Há um cd com registos das velhas adrenalinas. Há uma imagem de uma menina que não me sai da cabeça embora não consiga formar essa imagem.
Ingrato. Viver sem imagens concretas e com apontamentos que se esfumaçam. Resta voltar aos poucos, ao novo dia a dia. Resta uma escrita a jacto.

Publicado por Nuno Teixeira em 03:54 PM | Comentários (0)

abril 22, 2004

Amanhã estarei aqui

Amanhã, voltarei.
Deixei para trás o que não quis.
Deixei, talvez o deslumbramento,
Mas amanhã voltarei.

Entre os vivos, vou celebrar,
Ao seio dos vivos, voltarei.
Fico com eles mas ausente pra recordar,
Momentos que o deslumbramento,
Teima a regressar.

Estarei aqui amanhã...
Sem o amor do éter,
Sem o amor da liberdade,
Sem o abraço do amor terreno,
Mas com esperança que chegue a saudade.

Publicado por Nuno Teixeira em 09:39 PM | Comentários (0)

O GRITO LÁ FORA

Ouve o grito lá fora. Vem ouvir o grito cá dentro.
Quero ouvir o silêncio, sentido e manifestado nas várias emoções irradiadas sob várias cores que se misturam numa tela feita de histórias.
Vem ouvir o grito cá dentro, vem olhar-me nos olhos e percorrer-me enquanto grito que te amo.
Quem ouve o meu grito lá fora?
Só eu ouço o meu grito cá dentro.

Publicado por Nuno Teixeira em 11:32 AM | Comentários (0)

abril 20, 2004

Problema de expressão

EStá de regresso a banda de Manuela Azevedo. É o ano do regresso dos Clã aos palcos e à edição de discos com um novo álbum de originais. "Rosa Carne", é o 4º álbum da banda. Um disco que vai chegar às lojas a 3 de Maio.
Antecipando a sua edição, os Clã estreiam o novo trabalho ao vivo, num concerto único, no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, no próximo dia 29 de Abril.
Um espectáculo onde se podem ouvir as novas expressões da banda de Manuela Azevedo.

Publicado por Nuno Teixeira em 01:13 PM | Comentários (0)

Um dia tudo isto será teu… e só teu.


Um monólogo ou um diálogo?


- Olha em teu redor.
Imagina o que tudo isto que nos rodeia te pertence.
Eu o criei para ti e agora te ofereço.
Porque choras? Não estou a deixar-te naquela selva vazia à mercê de olhares invejosos e cobardes, dos que contribuíram para que hoje nos separemos aqui.
Deixo-te um mundo fascinante onde poderás rir, chorar. Onde poderás encontrar-te e encontrar-me no canto das aves, sempre que te pousem na mão para cantarem aquela melodia. Nas palavras que dançam calmamente no rio e que vão abraçar-te o corpo, sempre que nele entrares nua para mergulhar longe de um mal que te atormenta. Em breve não estarei aqui mas a água vai acolher sempre que necessário as tuas lágrimas. Serão águas velhinhas mas também sempre renovadas. Também as palavras, também as recordações. Assim como uma música que ouvimos vezes sem conta e que cada vez que a ouvimos descobrimos uma coisa nova. E como ficamos felizes quando acontece. E vai acontecer sempre que abrires as páginas deste livro de aventuras e nele entrares.
Será assim toda a vida.
Olha o céu. Será sempre azul e o sol terá sempre um sorriso. E a pequena brisa que vai arrancar as folhas das árvores será sempre um eco das palavras que não ouvimos.
E as fantasias que se perdem por entre as árvores da floresta. Invenções imediatas de encontros e desencontros, todos eles fascinantes. Criaturas que conferenciam de volta de segredos bem guardados. Falam uma linguagem própria que só nos dois conhecemos.
Aqui não há nem nunca houve lobos porque aqui o mundo foi criado como uma caneta sincera e de tinta corrente, ao ritmo de um sentimento crescente e verdadeiro. E assim nasceu este mundo que te deixo.
Não chores. Aqui está tudo de nós materializado em ti.
Deixo-te agora. Tens este mundo só para ti. Ainda que seja eu que parta ainda olho outra vez para trás. Mais uma vez. Só para ter a certeza que ficas bem.
Embora me vá afastando ainda avisto o brilho dos teus olhos. Ainda te grito deste lado só mais uma vez…
Tens certeza que não queres que eu regresse e partilhe esse nosso mundo novo contigo?

Publicado por Nuno Teixeira em 10:50 AM | Comentários (2)

abril 19, 2004

De novo (a) metamorfose do Éter.

Ao júnior que está a aprender a comunicar e aos novos amigos da rádio.

“A mensagem que traz é um grito novo, um metro de medir coisas inteiras”

Serve-me este excerto do poema “libertação” de Miguel Torga para recordar os bons tempos do éter e o sonho de um projecto que pretendia trazer de volta os bons tempos da rádio de uma forma nova e original.



Somos e já não somos.
Somos o que acreditamos e somos fumo na esperança de concretizar as promessas que fizemos a nós próprios.
Somos ontem e agora, sendo que o ontem são várias encruzilhadas num deserto situado a oeste do nada.
O calor queima-nos a pele na travessia pesada tal é o fardo dos sonhos que transportamos. Viajamos a pé e ainda carregamos a bandeira que mais tarde será avistada pela civilização, de uma duna mais elevada do deserto a que nos votaram.
Eis que aparecemos com a vontade de comunicare de novo e de uma certa forma original.
De nada valeu pintar as ruas com posters gigantes onde o amor transbordava a loucura...

Ao júnior que está a aprender a comunicar e aos novos amigos da rádio.

“A mensagem que traz é um grito novo, um metro de medir coisas inteiras”

Serve-me este excerto do poema “libertação” de Miguel Torga para recordar os bons tempos do éter e o sonho de um projecto que pretendia trazer de volta os bons tempos da rádio de uma forma nova e original.



Somos e já não somos.
Somos o que acreditamos e somos fumo na esperança de concretizar as promessas que fizemos a nós próprios.
Somos ontem e agora, sendo que o ontem são várias encruzilhadas num deserto situado a oeste do nada.
O calor queima-nos a pele na travessia pesada tal é o fardo dos sonhos que transportamos. Viajamos a pé e ainda carregamos a bandeira que mais tarde será avistada pela civilização, de uma duna mais elevada do deserto a que nos votaram.
Eis que aparecemos com a vontade de comunicare de novo e de uma certa forma original.
De nada valeu pintar as ruas com posters gigantes onde o amor transbordava a loucura.
As letras garrafais, que só os nossos olhos vêm desde cedo, estampados no rosto de uma madrugada radiosa que nos abraça com um perfume de encontros e desencontros.
Cada rua, cada esquina da cidade. Cada grito que ecoa num estádio cheio de milhares de pessoas e cada música que ouço vinda de uma qualquer viatura que passa com a pressa do costume… me faz estremecer. Por vezes ainda sinto a vontade de correr para um qualquer sítio e sentir a nossa adrenalina junta numa só estória.
Conta-me uma ave agoirenta, que amanhã não estaremos aqui da mesma forma, unidos por um olhar que é idêntico na boa verdade de ver o mundo.
Levo comigo duas mãos de escritos, sons e boas ideias nunca postas em prática.
Bem sei que o mundo agitado pelos altos níveis de preferências não servem para um Dom Quixote que nasceu num outro meio e dotado para uma outra forma, ainda creio eu, mais nobre de estar e contar acontecimentos.
Importa contudo salientar que o éter perde-se hoje e ganha-se amanhã.
Esperar sem pressa é o que resta depois de te ter trocado pela vontade de aprender novos caminhos. Também esperaste por mim várias noites…
Chegou a altura de fazermos as pazes amada rádio. Ainda havemos de voltar a encontrar-nos. Tenho a certeza.
Em conjunto vamos cantar os versos que trago comigo na velha pasta e contar a vida que sentimos todos os dias ao ritmo do pulso da velha cidade.
Ainda hei-de construir-te uma nova casa onde todos os filhos que foram expulsos do teu seio, possam de novo habitar em novo convívio com a magia que transportas.

“…Abraçar-nos-emos de novo
Antes dos rigorosos frios.
De novo o grande sobressalto
O formidável estremecimento,
Dos instantes felizes…” (F. Alves)

Felizmente que o meu sonho continua a ser a minha vontade. Felizmente que aprendi a não mais te trair.
Até já amada rádio, sem a pressa do costume.

“Felizmente, que sei cantar sem pressa. Que sei recomeçar… que sei que há uma promessa no acto de cantar…”

in Diário XII - Torga, Miguel

Publicado por Nuno Teixeira em 01:28 PM | Comentários (0)

abril 15, 2004

Perdi o teu rasto. Ganhei a vida

O mais importante na comunicação é ouvir o que não foi dito.
Um pensamento basta, na minha opinião, para conhecer a verdade das coisas e dos sentimentos. O excesso de informação confunde os vários intervenientes de um qualquer contexto comunicacional.
É assim em todas as áreas da vida. Nos sentimentos, no trabalho, no simples dia-a-dia.

ORNATOS

"O amor é isto"
Tem cara de anjo,
É quase perfeita,
Mas lembra-me outra mulher.
Um outro anjo,
Outra forma de vida,
Ou outra coisa qualquer.
Não compreendo quem me diz ser capaz,
De sacudir a liberdade isso é demais.
Eu quero ser o que amanhã quiser,
É com teu ego que sais.
O amor é isto,
O amor é isto e nada mais!
Nada mais, nada mais,
Nada mais, nada mais,
Nada mais, nada mais,
Nada mais, nada mais.

Chegou-me agora a noticia:
Um amigo meu,
Caiu em contradição.
Dizem ser melhor a liberdade,
Tudo bem,
Ãnh ãnh,
Mas também ela é uma mulher uma prisão.
Pára por aqui,
Não sofre qualquer tipo de evolução,
Se eu quiser eu acabo tudo,
Mas mal de mim prendeu-me o coração.

O amor é isto,
O amor é isto e nada mais!
Nada mais, nada mais,
Nada mais, nada mais,
Nada mais, nada mais,
Nada mais, nada mais.

É liberdade pr'aqui,
É liberdade pr'ali.
Toda a gente diz,
Toda a gente quer.
Mas querendo ou não,
Ninguém lhe dá a mão,
E todos querem a prisão de uma mulher.
É tudo fruto da nossa natureza,
E quem não é a sua negação.
O diabo chegou e humildamente a Deus falou:
Não somos eva nem adão.

O amor é isto,
O amor é isto e nada mais!
Nada mais, nada mais,
Nada mais, nada mais,
Nada mais, nada mais,
Nada mais, nada mais.

Publicado por Nuno Teixeira em 06:30 PM | Comentários (2)

Caminhos do cinema, passam por Coimbra

Aí está a 11ª edição dos CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS .
O domquixote já tinha feito referência a este festival e aos bons amigos que o tornam possível.

A edição deste ano dos CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS (11ª), vai decorrer no Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra, entre 17 e 24 deste mês.
O festival vai exibir 67 filmes e vídeos, dos quais 56 portugueses, 41 curtas e 15 longas-metragens, na Secção Competitiva, e 11 galegos, 7 curtas e 4 longas-metragens, na secção “Caminhos do Cinema Europeu – Cinema Galego”.
Por este festival já passaram em edições anteriores, festival todos os nomes grandes da cinematografia portuguesa, como Paulo Rocha, Luís Filipe Rocha, João César Monteiro, Manoel de Oliveira, Saguenail, António-Pedro Vasconcelos, Fernando Lopes, João Botelho, Luís Galvão Teles, José Álvaro Morais e João Mário Grilo, entre outros.

Na edição deste ano está já confirmado o filme "Tudo isto é Fado, de Luís Galvão Teles, estando agendada a sua projecção para sexta-feira, dia 23, ainda em horário a confirmar.
Comédia desenhada sobre o pano de fundo do mundial de futebol, acompanha as aventura do triângulo perfeito Leonardo, Amadeu e Lia, que decidem dar um golpe genial no dia da final do campeonato, repondo a justiça e “sem violência, com inteligência”.

Para além dos filmes e vídeos portugueses em competição e da selecção galega integrando o programa especial a ela dedicado, o festival terá a oportunidade de exibir num programa especial um conjunto de filmes de animação, à semelhança do sucedido na 10ª edição, em que mostrou O Pesadelo do António Maria, de Joaquim Guerreiro, aquela que é tida como a primeira animação portuguesa, realizada em 1923 e reconstruída por Paulo Cambraia, em finais da década de noventa.
Nesta 11ª edição, será mostrada a série de 30 episódios com 40 segundos cada Desinquietações, segundo a técnica de deenho animado, iniciada em 1994 por Mário Neves e concluída em 2003 por Mário Jorge Neves, com produção do estúdio Mega Toon.

Como actividades paralelas à exibição dos filmes, terão lugar 5 Workshops relacionados com a Sétima Arte, entre os dias 19 e 23 de Abril para os quais se encontram abertas as inscrições.
1 – Workshop de Animação de Volumes
Formador: Paulo Cambraia; Mário Jorge Neves
Estrutura: Esqueletos de animação; moldes para fabricação de cabeças e mãos; utilização de plasticinas; demonstração de utilização de marionetas.

2 – Workshop Premiere 7 – Edição Não Linear
Formador: Sérgio Gomes
Estrutura: A edição não linear; introdução ao programa Adobe Premiere 7; o computador na edição cinematográfica actual.

3 – Workshop de Produção
Formador: Henrique Espírito Santo
Estrutura: Montagem financeira de um filme; do argumento, pela planificação, ao filme; casos práticos de produção.

4 – Workshop de 3D Studio Max – Animação
Formador: Ricardo Matos
Estrutura: Da animação tradicional à animação por computador; técnicas básicas de animação digital; a modelação, os materiais, a acção, o ambiente e o processamento da imagem.

5 – Introdução às Técnicas Audiovisuais “Como ver um filme?”
Formador: Dr. Fausto Cruchinho
Estrutura: Os conceitos: escala, ângulo, movimento, raccord, tipo de voz, banda-sonora.
Simulação de realização audiovisual.

Todos os workshops tem as seguientes especificidades:
Limite de participantes: 20
Horas de formação: 20
Preço: 20 €


Publicado por Nuno Teixeira em 02:40 PM | Comentários (1)

Ainda o Carviçais Rock.

Resposta ao comentário da entrada "Os Festivais".


Meu caro amigo.
Registo com agrado o seu comentário neste blog.
Mas tenho de discordar em alguns pontos referidos.
Começando pelo telhado, devo dizer-lhe que não preciso de estudar Geografia, já que nasci nessa região e a ela me desloco ainda com muita frequência. Carviçais não se situa no planalto mirandês mas podemos dizer que o tem em plano de fundo, ou não!?
Quanto à 9ª edição. Se a campanha de "estouro" pretende ser igual às tantas outras que ocorrem dias antes do arranque do festival, então meu caro amigo, posso dizer-lhe que na minha opinião não há campanha que resista, muito menos em Espanha.
Reconheço que por cá se contem os cêntimos mas continuo sem perceber como se traz a Carviçais bandas que não se pagam em cêntimos e de qualidade duvidosa tendo em conta o tipo de evento (leia-se festival) e a actualidade musical que se espera ouvir num festival. Há coisas que se repescam no fundo do arca. Então os B.M. tocaram em todos os "quelhos" deste país!? Pois. Ando mesmo desinformado. Pensava que só os Xutos se dessem a esse trabalho, essa banda "típica" de queimas das fitas e de alguns festivais...
Pensava que os Gift e o profeta da melancolia e da dor do mundo, que vem lá dos lados de Leiria também tocassem em todos os "quelhos"!?!?
B.M. não é para letrados, meu caro amigo. Enquanto se continuar a pensar que o "povo" do interior não tem por norma muitas actividades culturais e como tal não vão aceitar de braços abertos a qualidade que se espera em festivais, a cultura vai tardar a chegar a todo o lado e os eventos como o Carviçais Rock vão tardar a crescer, não achas!?
Será escusado dizer que eu defendo que "uma andorinha já faz a primavera".
Andamos perdidos talvez, digo eu, à procura de soluções e elas até podem estar mesmo à frente dos nossos olhos. O "povo" desinformado já não passa muito tempo naquelas paragens e já vê e ouve muita coisa em locais mais "aculturados" juntos ao bom litoral. Claro que são explorados até à exaustão só para ouvirem um bom concerto. Isso tem a ver, na minha opinião, com os amigos intermediários, que vão buscar uma quota parte dos lucros aos sítios onde existe à partida sucesso garantido (financeiramente). É para lá que vão as grandes bandas... pode parecer confuso mas para bom entendedor....!!!
Eu acho que o "povo" não se importa de pagar qualidade desde que não sejam "velhos de bengala" a debitar do palco um certo ar melancólico e um cansativo "always the sun".
Para terminar. O Blasted são boa banda. Wray gunn está aí com novo disco e os Clã lançam também o seu em Maio! Neil Hannon também já está aí com novo (ahahahaha...é outro campeonato ou não interessa!?).
Para terminar. Gosto de saber que pessoas empenhadas como tu e com boas ideias (apesar de seres um pouco complicado) estão de volta. "Os filhos a seu pai". E o pai da coisa és tu, é preciso dizê-lo com frontalidade. Os teus discos estão de boa saúde e mandam um abraço. Também tenho saudade do meu disco de Belle Chase...
Boa sorte e bom trabalho. Espero que as megalomanias que vão acontecer este ano não abafem essa tua linda ideia que eu um dia vi nascer numa praça de aldeia e que hoje é tão só, o expoente máximo do nome da terra, embora alguns letrados continuem a pensar que é o futebol.
Tenho também muita pena do que está a acontecer com a rádio. Merecia melhor sorte.
Eu ando sempre bem informado meu amigo. Grande abraço e volte sempre a este blog mas com as novidades prometidas e que aqui ficam registadas.

Publicado por Nuno Teixeira em 11:41 AM | Comentários (1)

abril 13, 2004

COMENTÁRIOS

Os vossas visitas e comentários são sempre bem vindos mas agradecia que deixassem o vosso contacto para poder também partilhar algumas ideias e responder às palavras que vocês deixam neste blog.
UM ABRAÇO A TODOS DO DOM QUIXOTE.

Publicado por Nuno Teixeira em 07:39 PM | Comentários (1)

Árvores CENTENÁRIAS

Uma associação ecológica anda por terras de Trás-os-Montes a inventariar árvores.
Existem por aquelas bandas árvores lindíssimas que são recordistas nacionais de longevidade. Apesar dos fogos que assolaram o nosso país no verão passado, muitas das nossas amigas centenárias sobrevivem à loucura do homem.
Há dois bons exemplares a ter em conta. Um sobreiro em Freches, Mirandela e uma nogueira em Miranda do Douro.
Mas há muito mais... em breve podemos ter nas nossas mãos um guia turístico onde podemos encontrar as espécies, localização, história, descrição e as fotos das senhoras centenárias. São raízes de 400 anos de história.

Publicado por Nuno Teixeira em 01:48 PM | Comentários (3)

Não fui eu que escolhi

Foi só aquela noite em que demos a mão através do olhar que rasgava a noite fria.
Sorrimos um para o outro mas acabámos por passar ao lado do resto dos nossos dias.
Mas bastou uma noite para teres ficado para sempre. Por vezes há fracções de tempo escondidas debaixo de uma pedra.
Brincámos um pouco às escondidas no jardim do Palácio de vidro enquanto ouvíamos o som louco e forte que nos empurrou pelas calçadas até à foz.
Corremos lado a lado e batemos com os pés todas as pedras escorregadias. Abraçámos a noite e o fino manto de neblina que ia pintando com aurelolas as luzes dos velhos candeeiros e as nossas brincadeiras.
Bebemos da mesma garrafa de vinho, um beijo que molhou as nossas bocas e gargantas para o resto da sinfonia de risos que ecoavam pelas paredes e "calçadas sujas e gastas".
Ainda quisemos ir para o outro lado, mas ficámos apenas por um abraço em frente ao rio...
Foi aí que te perdi. regressei ao outro lado do rio para contemplar o reflexo da vida louca da cidade, suspensa na velha cascata do Tê.
Perdi-te para sempre mas escrevi todos os dias a caminhada dessa noite na mágica cidade onde também me deixei perder.
Onde estás agora? Faz-me sinais de fumo do alto da serra.

Publicado por Nuno Teixeira em 11:42 AM | Comentários (0)

abril 12, 2004

Cobardia

Há quem se esconda por detrás da mentira.
Há quem disfarce através dos poemas e das músicas uma certa maneira cobarde de estar.
Não é nova esta forma de estar.
São preferiveis as palavras aparentemente faceis dos outros, que realmente sentem, para explicar o que não se percebe ou para atacar simplemente os mais fortes.
Para os amigos que visitam esta página fica a promessa que continuaremos no mesmo caminho, que me parece o mais correcto. Escrever o que se sente. Mesmo quando o que se sente é bom ou mau. Aqui os contextos são formas literárias de estar, não uma cobardia.
As memórias aqui realçadas pela palavra vão ao encontro de momentos verdadeiros feitos por homens e mulheres com personalidade.
Sejam sempre bem vindos às palavras e aos sentimentos como eu os sinto e como vocês saudavelmente os interpretam.
Um desabafo do domquixote num início de tarde.

Publicado por Nuno Teixeira em 02:59 PM | Comentários (0)

Um novo Abril sem cravos, que estes estão pela hora da morte.


Se os poetas de Abril ainda sonham com o regresso do outro indivíduo numa tal manhã de nevoeiro e se o povo ainda precisa de uma afirmação do país na nova Europa futurista através do triunfo de uma equipa de futebol que tem o rótulo da nação (não tenho nada contra o futebol mas contra a exagerada cultura futebolística), então eu diria que estamos a regredir na tal evolução pomposamente atribuída aos 30 anos de uma história que pouca evolução nos trouxe. Se estamos em crise e cada vez mais temos de nos afirmar na cultura carnavalesca, então seremos um poema de terceiro mundo aplicado ao contexto de uma nova Europa.
Não foi esta liberdade que nos prometeram e esta sufoca-me e reprime a vontade de evoluir, tal é o terrível engano perpetrado pelos tais inimigos invisíveis que nos retiram os sonhos.
Um novo Abril sem cravos por favor, que estes estão pela hora da morte. Uma nova página sem poemas, sem rodeios, sem circo e sem tachos de escala militar.

Onde estás liberdade!?

Onde estás!?
Pareces escondida no vento,
Que assobia do alto mar,
Velhas estórias de encantar.

Onde estás!?
Semente perdida do tempo,
Que tardarás a alvorar,
Sem digno sol para te alimentar.

Onde estás!?
Floresce cravo dormente,
Acorda para pensar.
Beija a terra que mente,
Que acolhe mas não quer amar.

Terra má.
Que mente como a gente,
Como a mãe que renuncia,
A linda criança.
Que teima em não a aceitar.

Onde estás!?
Nasce de repente,
Acorda para lutar com sangue,
Contra a terra que te quer abafar.

Onde estás Liberdade!?
Vem com punhos e armas,
Ergue a voz para gritar… Liberdade…
Acorda para nos libertar.

Publicado por Nuno Teixeira em 11:30 AM | Comentários (0)

Amigos (divinamente) ausentes.

A confirmação chegou dia 29 de Março. Divine Comedy é mesmo obra de um só homem. Neil Hannon.
O novo disco do Divine, "Absent Friends", já está por aí tendo por convite o primeiro single "Come home Billy Bird", que apresenta tal como o próprio tema, um teledisco "pop comedy", numa primeira abordagem "mainstream".
Com o novo disco volta também Nigel Godrich, produtor dos Radiohead, Beck e do anterior álbum dos Divine Comedy.
Yann Tiersen, o compositor da banda sonora de "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain", que estará em Portugal no mês de Junho, aparece no acordeão, em "Sticks & stones". Aliás, o próprio Neil Hannon já tinha participado no disco gravado ao vivo pelo compositor francês durante a tournée de 2001 e 2002.

Publicado por Nuno Teixeira em 11:07 AM | Comentários (0)

abril 07, 2004

Não faças fitas.

Todos os anos é a mesma coisa.
Por esta altura há sempre um misto de melancolia e alegria, em alguns casos, exacerbados por causa de factores exteriores aos sentimentos. Falo da queima das fitas.
Esta semana dei por mim a escrever palavras de tinta prateada numas tais fitas azuis de alguns companheiros. As tais fitas onde se transmitem mais do que significantes, quais meros caracteres sem sangue interior. Aos meus companheiros deixei poemas que possam afrontar os loucos da nação, sempre que as suas fitas se soltem nas suas mãos, acompanhadas por um grito de liberdade...
(continua)

Tudo isto fez-me recordar. Os meus anos de academismo, levados bem a sério. Bem mais sérios, que os gate keppers das ditas elites promissoras, os intitulados revolucionários do cadeado e da iniciação à mesquinha demagogia politiqueira.
Se bem me lembro (e não foi em meados de Setembro como diz o outro), que este ano a Academia de Coimbra, através da credível assembleia magna (se és sócio faz-te, se não és aparece na mesma e leva um amigo e levanta o braço se te pedirem), decidiria a favor ou contra da realização das bem conhecidas e tradicionais festas das cervejeiras. O único evento onde o todo poderoso conselho de veteranos aceita de bom grado e olha de igual para igual o seu companheiro dos politécnicos e das entidades privadas. O que é bom. Já que em eventos como o cortejo e a garraiada, os “outros estudantes de Coimbra”, filhos de um deus menor, não abençoados pela senhora dona toda poderosa Universidade de Coimbra e pela dita companhia de cadeados grevistas, são constantemente “bem recebidos”.
Dou como exemplo a garraiada. Os “outros estudantes de Coimbra” são aconselhados a não irem desfilar à arena, porque os senhores veteranos da ética Academia têm medo que se magoem com algum touro.
Menos mal. Ficam com o direito a participarem na festa dos tubos de ensaio e das torneiras douradas, implantada todos os Maios numa qualquer margem do Mondego. Digo uma qualquer margem, porque os anos passam, muda-se de cenário, muda-se de margem mas não se muda a atitude.
Outro aspecto que me parece interessante é ver as fitas. Não aquelas onde escrevemos força, amor e incentivo mas as fitas dos iniciados à politiqueiros. A tal equipa B. Os juniores ou os antecessores da ribalta, como lhe queiram chamar.
Os meninos que conseguem mobilizar (ou não!?) a maioria dos estudantes da universidade para as manifestações de auto-proclamação do “sr. presidente”, que no final da “legislatura” e do seu curso superior, que se foi completando durante pequenos fragmentos de tempo, já que a lutar por direitos dos companheiros estudantes, está em primeiro lugar.
No final da longa e descontraída etapa, os Senhores presidentes têm sempre um lugar garantido, ao sol que lhes fora prometido pelos embaixadores partidários (seniores). Uma permuta de bons valores. Uma permuta que se foi instalando no ensino secundário e que é urgente dar continuidade no ensino superior.
Em altura de crise, talvez se deva ponderar bem a sério a nossa passagem pelo ensino superior e reflectir descontraidamente sobre alguns números que por vezes desconhecemos ou esquecemos.

?????? – Numero de participantes, em média numa manifestação de estudantes do ensino superior.

?????? – Numero de estudantes da Universidade de Coimbra que participam nas assembleias magnas.

????? – Numero de “pessoas que trabalham” na logística das noites do parque durante a Queima das fitas.

???????????? – Numero de convites e entradas gerais que são gratuitamente distribuídos aos “amigos íntimos” das noites do parque.

????????????? – Numerário que é pago pelas cervejeiras durante as noites da queima à Associação Académica de Coimbra.

???????????? – Numero de jornalistas creditados para efeitos de cobertura da queima das fitas, todos os anos.

?? – Numero de Jornalistas que fazem uma cobertura séria da queima das fitas.

???????????????? – Montante investido na organização das noites da queima.

???????????????????????? – Lucro obtido pela organização da queima das fitas.


463 e 853 euros – Valor de propinas fixado pelas Universidades.


Aleatoriamente. Sem pensar, de caneta solta no papel como é apanágio do Dom Quixote, mesmo assim, talvez seja altura de nos deixarmos de fitas.

Publicado por Nuno Teixeira em 10:50 AM | Comentários (0)

abril 05, 2004

Amigos por acidente

É um prazer voltar à grande ceia.
Estão convidados todos os filhos daquela madrugada que nos viu partir de uma adolescência quase sempre desejada.
É com prazer que regresso esta noite com aquele mesmo nó na garganta que me levou a partir de aqui para qualquer lugar. É agradável poder voltar ao mesmo sítio onde restam as mesmas paredes, a mesma laranjeira, que é só a testemunha estática das nossas loucuras, da Torre que continua a tocar imponentemente o céu, que por estas bandas, está mais perto de nós. Em alguma coisa teríamos de ser privilegiados.


É bom poder voltar a escrever sem pensar, nem que seja ao ritmo de uma tinta virtual.
O que mudou foi apenas o formato e o contexto.
Havemos de encontrar-nos aqui com o nosso rosto de criança que trazemos ao colo da nossa maturidade ou pelas mãos da nossa segurança.
Havemos encontrar-nos aqui numa qualquer noite de Agosto para inventar palermices do alto daquela laranjeira e reinventar conversas de volta do mesmo poço de euforia. Havemos de estar aqui, unidos pelo mesmo ideal que nos deixou uma lágrima quando partimos rumo à incerteza dos dias.
Eles não sabem que os sonhos são mais fortes do que a imposição de vontades. Não sabem que juntos somos o início de vários sonhos todos juntos num só e que a nossa fonte de memórias, é bastante para lutarmos contra os condados circenses.
Como disse Torga, “aqui começa a nova caminhada”.
Façamos agora uma viagem que nos leva a um passado produzido com o toque mágico do éter que nos viu florescer.

“Chegávamos à hora marcada sempre com um sorriso e o cigarro da afirmação ao canto dos lábios.
Um ajuntamento de inocência de volta do velho tanque. Preparávamos de forma inconsciente uma noite vivida no seio do éter da velha vila das calçadas magoadas.

Estamos todos!? “The ceremony is about to begin…”
O Noites, o Tijolo, o Puto, o Chouriço, o Ferro, o Choura, o Macaco, o Meurrinha, o Enguia… já falta pouco para chegar o mês de Agosto!!! Falta o Avec. Onde está o Cardina e a cerveja!? Não há!!! Andámos na balda Chouras!”


Ainda bem que temos este mesmo quintal para partilhar, quando lá fora o frio da solidão e da ausência de fantasia, faz dos outros companheiros, autênticos mensageiros do muro da ressaca e da desgraça.
Amanhã a mossa ressaca será outra. Será uma ressaca (muito boa) do vinho que hoje sai directamente do gargalo das nossas vinhas, para o funil das nossas gargantas. Será a ressaca do riso de estórias de ocasião e de paixões efémeras oferecidas pela loucura de uma noite que recomeça a cada passo que damos na mesma calçada de pedra. Ainda que nos falte a compreensão de uns tais olhos feitos sol, aqui estaremos feitos noite, os amigos do ombro onde se choram palavras escondidas dos microfones mas enviadas através de melodias, tal é a cobardia da idade ou tal é o sentido ético dos putos que fazem o éter.
É verão. Há uma cama de rede, presa entra a velha laranjeira e a velha grade que faz a fronteira entre o reino camarário e o recanto dos sonhos, que ao início da noite é conquistada pela força persistente de um sorriso.
Há uma fogueira que se acende na velha cozinha transformada em oportuno Cardinas. Existem dois sofás que foram puxados para junto do calor de uma chama persistente… Há um puto horrível que desce incansavelmente as escadas que vêm do éter das paixões e que não se cansa de reclamar pelo barulho que é feito no piso de baixo. Está frustrado porque não pode deixar a emoção que transporta para o éter para estar no convívio dos tribais. Mais tarde se juntará à tribo, que por sua vez, o desculparão por tais devaneios, dos quais não teve coragem para se desculpar.
E assim foi… eis de volta a magia com toda a tribo reunida. É meia-noite e o éter está entregue aos comandos de uma fita repetida que é mais tarde interrompida pelos invasores da musicalidade própria.
Ente trocas de brincadeiras, entre as quais, uns chutos na velha ratazana do buraco, ou um assalto às velhas oferendas natalícias escondias por entre velhos processo empoeirados.
Há alguém que se lembra de apagar a luz e de experimentar a sua própria energia no mobiliário, ao ritmo de uma sinfonia de iluminada por um “feitiço da lua”.
Eis que chega o descanso dos guerreiros. De volta da velha lareira, viram-se as carnes na grelha e abre-se o primeiro garrafão que se despeja nas mãos que se estendem.
Devia ter sido assim toda a vida, não fosse a obrigação de uma responsabilidade única a cada um dos elementos da tribo.
Nasce o desconforto em cada um de nós. O desconforto que nos assola a alma, porque amanhã não estaremos aqui todos juntos com a mesma frequência.
Eis chegado o dia em que aos poucos, todos começam a abandonar aquele número 22 da velha subida de calçada estreita, por onde se experimentaram paixões, gritos tribais, desportos radicais (a prancha de madeira transformada em Street-Board).
Felizmente que alguém se lembrou desta ceia.
Por entre resmunguices do Noites, a gravata usou-se com gosto pela primeira vez.
Este ano volta a recordar-se a história dos tribais, amigos por acidente. Um acidente memorável que foi acontecendo devagar nas nossas vidas nesta vila calada.

“Lugar com nada”

Uma rua calada,
Um escuro imenso,
Uma vida fechada,
Um sonho intenso.

Triste sentimento,
Por só ver a lua,
Um velho lamento,
Uma vila nua.

Parti para a estrada,
Há já tanto tempo,
Aqui não há nada,
Apenas o vento.

Os sinos ecoam,
E dão no vazio,
Os meus sonhos voam,
E ficam com cio.

Fujo daqui,
Para qualquer lugar,
E levo-te a ti,
Até junto ao mar,

refrão

E na chegada,
A torre toca no céu,
Na noite calada,
Um beijo teu.

Momentos de magia,
Vivem aqui,
Mas tens a mania,
De fugir por aí.

Refrão

Letra: Nuno T.
Musica: Dissidente 1996


Onde o fazemos este ano!?

Publicado por Nuno Teixeira em 10:34 AM | Comentários (5)

abril 02, 2004

OS FESTIVAIS

Estamos de crise!?
Eu diria que aparentemente não há crise! Entenda-se crise económica, porque de ideias e valores há muito que estamos em crise.
Os tempos de crise serão então acompanhados de histeria total!? De euforia !?
Ou será que em tempos de crise, a máquina oferece ao "povo" o circo de Roma.
Circo para o povo, para ele andar feliz e esquecer os problemas.
Os festivais de música deste verão, andam a pôr-me os nervos em franja.
De norte a sul do país, os festivais de rock começaram a nascer como cogumelos. Muitos senhores começaram a erguer infraestruturas em locais bem apraziveis. A feliz união entre a natureza, a música e as... cervejeiras.
Será que este ano o dinheiro vai chegar para tudo!? Contemos.
No minho há pelo menos três festivais de nome. Temos ainda o Sudoeste, Super-Bock super rock e o megalómano Rock in Rio.
Se contarmos ainda os festivais como Noites do Ritual, no Palácio de Cristal no Porto ou até o meu estimado Carviçais Rock... então chegamos à conclusão que este ano há festa. Os papás e mamas galinhas que se preparem para desenbolsar. Os pequenos festivais, esses têm os dias contados. Principalmente os festivais do interior do país. Claro que a linha do litoral vai ganhar em todos os aspectos.
Contando que o Carviçais Rock é o único festival de Trás-os-Montes, se este ano a coisa não correr bem, espera-se um desfecho nada sorridente para um festival que apesar das dificuldades soube manter-se.
Se este panorama se repetir todos os anos (apesar de este ano apresentar um Euro 2004, que teoricamente promove bastante o país), a única saída para os festivais, é a especificidade.
Por exemplo, o festival de musica celta em Sendim tem vindo a registar um aumento considerável de público. Também porque se encontra mais perto de Espanha. A aldeia de Carviçais também não fica nada longe de nuestros hermanos. Talvez, não podendo roubar gente às grandes cidades portuguesas se possa lançar num desafio além fronteiras. Mas o público espanhol não vem a uma aldeia de Portugal ver bandas portuguesas. A aposta, julgo eu, deve passar por um festival ibérico. Com boas novidades portuguesas e espanholas.
Tenho uma boa aposta para este ano para Carviçais, aliás, há anos que os desejo ouvir, com o planalto mirandês em plano de fundo... Blasted Mechanism

Publicado por Nuno Teixeira em 06:32 PM | Comentários (1)

AS MELHORES MEMÓRIAS.

A homenagem ao programa, ao homem, ao professor e ao amigo.
Não quero ser atrevido em chamar amigo mas aqueles que nos ajudam a levantar e nos abraçam com palavras de incentivo, costumo identifica-los como tal.
Os melhores momentos do Íntima, em cd é uma excelente ideia, porém concordo que as melhores memórias e os melhores momentos ficam sempre dentro de nós.
No mês passado também gravei as minhas memórias radiofónicas em cd, com o mesmo intuito. De o oferecer posteriormente aos meus amigos. Alguns dos registos são já do "fundo do baú", um pouco desfazados do que se faz hoje por aí. No entanto, depois do cd gravado, também fiquei com a sensação que falta alguma coisa e é mesmo isso. O complemento fica connosco e não haja dúvida que os melhores registos ficam dentro de nós.
Quando as pessoas são boas (o que começa a ser uma raridade no meio da comunicação), então o melhor que temos dentro de nós, valoriza muito mais.
É o que se passa com o nosso amigo do Íntima. 20 anos é muito tempo... esperamos pela emissão especial.
Parabéns e já agora muito obrigado.

Publicado por Nuno Teixeira em 02:20 PM | Comentários (0)