março 31, 2004

A ILHA AMORTOPIA.

Fica como prometido a estória completa da revolta de Fernando e das Rosas com espinhos. Porque a vida tem destas coisas. Histórias... ou pequenos momentos!?

Personagem caricata de semblante divertido. Carrega no brilho do olhar o reflexo de uma rosa vermelha que por vezes lhe escorre pela face, quando a felicidade aparente deixa escapar uma lágrima de incompreensão.
Romântico não assumido. Denúncia a poesia nas palavras que carrega dentro de si e naquelas que tem anotadas no pequeno bloco que esconde debaixo da roupa da cómoda do quarto. Fantasista, quase adolescente, apesar dos seus 28 anos. Eis Fernando, de seu nome. Crente nas histórias de amor que os poetas do seu país e do seu mundo lhe contavam nas páginas empoeiradas.
Crente nos poetas que lhe sopravam as melodias ao fim da noite através de uma fracção perdida no tempo e achada nas ondas de uma rádio.
Boémio. Amigo de um amigo que queira fazer uma cantiga da vida.
Fernando passa as noites a simular amor aos que vagueiam nessa cidade.
Conhecedor como ninguém, dessa palavra que espera cada sonho transformado em realidade. Palavra que esperamos que salte dos velhos manuais dos sonhos que os trovadores construíram à custa das suas próprias desilusões. Não somos feitos de ferro. Nem o romântico Fernando homem rebelde e apaixonado pela vida. Também um dia a velha palavra o apanhou a meio de uma leitura descontraída dos olhos que só, pela sua presença, invocavam o amor e a ternura em cada esquina da cidade.

“Deixei de olhar os poemas dos livros. Comecei a dar ar, às minhas palavras, quando senti que os teus olhos me expandiam muito além daquilo que se contam nos livros. Deixei-me levar pela aventura do verde infantil dos teus olhos. Perdi-me em definições para achar o que era isto que não consigo definir. Perdi-me em palavras. Achei-me na força de um abraço que corria contra o tempo. Minha caneta não pára de cantar a tua alma e escrever o teu corpo em linhas bem desenhadas pelas memórias de um perfume bem guardado pelos meus lábios que recordam cada momento em que te percorrem a pele branca e suave”.

Fernando atravessou as cataratas dos sonhos. Deixou de sentir os livros de poemas como simples estórias de aventuras. Reinventou o amor das mãos dadas ao luar e transformou-o num encontro interminável das horas vagas, deixou-se levar pelo acontecimento espontâneo de várias felizes coincidências, que na sua cabeça, redundavam em torno de uma só palavra. Amor.
Fernando, “o boémio romântico” tinha sentido o amor fora das cantigas e das palavras dos poetas e dos mais belos trovadores. Até então, Fernando dizia que “os mais belos poemas e as mais belas palavras de amor, já tinham sido proferidas pelos mais excêntricos trovadores.”
Fernando encontrou o caminho dessa palavra que só se pode ver na forma de caracteres.

“Sou eu e tu. Sou eu, tu e o resto do mundo. São infindáveis formas, conceitos, religiões, partidos e ideologias. São novas civilizações que nascem em torno de uma fogueira erguendo sua força aos céus. Sou eu e tu.
São novos estilos de música que se fundem com o irreal numa pequena ilha rodeada apenas pelo céu.
Sou eu tu e uma selva com novas formas de vida, selvagens, eróticas e suaves como o repousar do teu corpo no teu leito de fantasia onde contemplo os teus pés que fazem um agradável jogo com os lençóis que se escapam por entre os teus dedos e onde a revolta de um sono profundo mostram também as tuas coxas quentes a embarcarem numa dança erótica com a fina roupa interior que tende a soltar-se e a mostrar o teu sexo.
Sou eu tu e o fumo suave que soltas dos teus cabelos dourados com os quais fulminas desprendidamente todos os que te rodeiam.
Sou eu tu e a união de quatro braços no escuro de uma bela paisagem nocturna, afastamos os nossos medos.
Sou tu e eu defronte dessa passagem secreta, da qual só nós sabemos o seu caminho rumo aos tesouros do infindável mundo da felicidade”.


Fernando. Corria contra os cavaleiros do escuro, contra os inimigos da paixão, contra os amigos do real. Desprendido da razão e agarrado a essa nova forma de pintar amor nos murais dos sonhos. Sonhava apenas com o correr desse rio que rumava a outros lugares que a boémia das noites perdidas entre bares da velha cidade, nunca lhe tinham oferecido.
Fernando vivia a sua vida repartido entre a inovação do amor e aquela que ele pensava ser o seu próprio amor.
Escrevia em noites brancas os seus hinos de paixão que dedicava à lua e às águas calmas do rio, para que estas as levassem para longe de si e para perto da sua amada. Voltava a sonhar com as raízes da velha torre em nasceu que também o inspirava em novas palavras para que a fogueira da união entre estes “dois amantes” desconcertados não parasse de erguer pirilampos incandescentes de lume, estalassem rumo às estrelas. Gritava sozinho bem do alto das serras do seu país o nome da sua amada, para que o mundo inteiro o pudesse saber em silêncio, já que essa era a sua própria vontade mas principalmente a vontade da sua amada.
Mas a fogueira ardeu de uma só vez. O verde deixou de brilhar. Os novos conceitos de amor perderam-se naquele vale onde ainda hoje se perpétua uma brisa constante que chama pelas palavras que Fernando enviava pela caneta ou pela amiga rádio em directo ao coração.
Tudo aconteceu numa madrugada que marcava um ano de tragédia sobre esse dia fatídico que ficou conhecido pelo “dia que mudou o mundo”.
As palavras não encontraram o caminho mas também não vieram devolvidas. Mas a essência do tal amor palpável, perdeu-se no brilho dos mesmos campos verdes que tantas vezes inspiraram a tolice de um poema escrito ao sabor daquela pele e daqueles lábios que agora estavam longe… Fernando tentou tocá-los com a ponta dos dedos trémulos e molhados pelas lágrimas. Tentou rebuscar os hinos que compôs e invocar momentos passados na comunhão alegre de um abraço ou na união de uma lágrima em comum. Em vão. Fernando saiu a correr rumo à calçada que era também ela tocada por finas lágrimas e misturou-se com o manto da noite.
Fernando foi visto enrolado numa capa negra a caminhar a passos largos rumo a um qualquer lugar onde o mundo não pudesse avistar as rosas com espinhos que lhe açoitavam a face. Também o mundo havia mudado para Fernando.
Contam os que viram, que Fernando se dirigiu ao alto do mesmo penedo onde havia jurado amor, espalhando-o pelo vale, que ali se ajoelhou e reclamou a conquista da Amortopia. Uma ilha que fica a desnorte da razão, perdida no tempo e no espaço, onde o amor é conceito. É significante e significado. Onde o amor é o maior grau de poder e de influência. Onde o amor gere os destinos dos residentes. Um novo conceito de sociedade onde a hipocrisia, mentira e traição são tidos como crimes muito graves, severamente punidos…
II PARTE

Músicas, baladas, poemas escritos em noites brancas. Promessas feitas sem assinatura… pactos eternos que ficam apenas para a memória eterna e não para um futuro que fosse desejado. Que justiça podemos invocar, quando não há contratos no amor?
Tudo num só momento em que se escolhe o que se queima e o que se guarda. Tudo junto num só momento para tentar escolher o caminho certo, quando incertos são os próprios momentos de emoção que Fernando ainda guarda.
Fernando olha de frente o rio. Sentado junto à margem onde atirou mensagens à água. As lágrimas já não lhe correm pela face. A ponta do cigarro queima-lhe os dedos frios que já não sentem a suavidade de uma tal pele branca e suave e as dedicatórias nela escrita.
Lá longe apenas a promessa que amanhã será diferente e que a passagem demorada dos dias lhe possam prometer um novo rumo.
A caneta e o bloco de notas ficaram esquecidos no chão de um quarto que nunca conheceu a loucura do amor. Por entre a roupa suja e o descurar do seu mundo intimo. Havia ainda um poster fotográfico que vivia enrolado à espera de uma resposta que de quando em quando aparecia também de forma circular. Durou até ao dia em que as lágrimas de raiva se apoderaram do sentimento mais nobre.
Mas hoje o dia que está quase a nascer, vai ser diferente.

“Invoco o resto das forças que tenho e reparto-me entre a saudade de um beijo, a beleza dos teus olhos, o teu sorriso traquina e o teu abraço tímido (ou forçado) e entre um ódio que a custo tenta plantar-se no mesmo mural que pintei com as cores que esperavas das minhas palavras. As tais que sugaste até à exaustão. Assim se explica que já não fosse uma surpresa para ti.
Mas são tantas as coisas boas que vivi que o ódio vai demorar a expor-se, embora a senhora razão me tente afastar do mundo fantástico que criámos juntos.
O ódio nunca chegará. Mas há-de vir o esquecimento e a paz que vai ocorrer por entre pausas melancólicas de memórias passadas. Para quê!?
Se este amor, de uma notícia se tratasse apenas o quê teria importância. Que importa o tempo o espaço, quando o que se faz por amor se perde no esquecimento!? Que importa o quem!? Melhor. A quem importa o quem, que a bem do amor tratou bem a quem quis bem!?
As guerras não mudam a vontade dos homens devido à sua imoralidade e à imposição de ideias mas as revoluções transportam uma bandeira”.

Cansado na busca de palavras e de actos tidos como obsessivos, tresloucados.
Cansado de promover batalhas sem nunca passar da primeira barreira.
Fustigado pela derrota das falinhas mansas que se pretendiam conjugar com a loucura de momentos de arroubo e júbilo num amor que queria dar as mãos a uma amizade perfeita… Fernando quase desiste pela primeira vez na vida de alguma coisa mas prepara-se para fazer revolução.
Uma revolução contra a hipocrisia, contra as falsas expectativas, contra o veneno da traição e da mentira.
A revolta das rosas com espinhos.

“Não ao amor. Não à prisão de falsas promessas. Não à importância de uma palavra de carinho ou de maldade. Cala-se a caneta para falar teu nome e cala-se a brisa para sempre no tempo, para que não leve e não traga sentimentos parvos”.

Calou-se para sempre a verdade da loucura que era escrita nos papéis e enviados a estranhas razões e felizes coincidências. Calaram-se vários sonhos de uma assentada. Ganhou-se a razão comodista de viver entre as fantásticas linhas de um romance que não mais se transportará para além das fronteiras do papel.
Num tal dia de Março Fernando esqueceu lutar por conquistas.
Depois de contada a história, muitos esperavam por um final em tudo idêntico aos que os fazedores de sonhos, os tais excêntricos trovadores promovem nas suas poesias.
Muitos esperavam ver Fernando voltar a correr por entre as gotas grossas de chuva, ou escondido entre as sombras das casas de uma qualquer cidade velhinha para tentar ganhar um abraço que nunca chegou, de um amor que o traiu, ou de uma amizade apregoada aos ventos, que era por si só uma desculpa para esconder a hipocrisia.
Nem todas as histórias de amor têm um final feliz, muito menos aquelas incompreendidas, das quais esta é um exemplo.
A revolução de Fernando será o silêncio orientado por um conformismo seguro. Uma promessa feita apenas no seu velho bloco de notas, onde agora apenas cantam os bons velhos tempos de euforia e de segurança, para que volte a ser levado bem a sério pelos verdadeiros amigos, os tais que nunca o abandonaram e também por si próprio, já farto de prometer um adeus que era sempre adiado.

“Tenho junto à cama, o velho bloco de notas onde pinto com o olhar as palavras passadas. É a única recordação que tenho, para além das memórias dos teus cabelos de ouro, da tua pele macia e dos teus pés de criança que por vezes (raras) iam ao encontro dos meus, e me puxavam para junto de ti. As recordações de uma porta que tapava os movimentos descontraídos do teu corpo enquanto se despia.
Há um grito que sai destas palavras em silêncio e que por isso não o ouves. Há uma mão cheia de algumas canções que servem a vários cenários que me arrepiam. Há uma vontade imensa de não abandonar esta canção de amor, mais por saudosismo do que por vontade, porque a vontade não vale de nada contra a tua”.


Se as palavras e a vontade de conquista bastassem, já o fantasma se teria retirado. Fernando saiu para a rua numa manhã igual a tantas. Misturou-se no meio de uma multidão que sofre mas que não quer saber e voltou as costas ao amor.
Sem olhar para trás, afastou-se de passo apressado e desapareceu ao virar de uma esquina onde há anos tinha experimentado um beijo quente. A esquina ficará ali para contar um momento e não uma história... uma história tem um final.

Publicado por Nuno Teixeira em 03:35 PM | Comentários (2)

Ainda guardo a tua foto.


Longe, bem longe. Afinal há Norte e há Sul.
Há distância mas há momentos que encurtam o abraço e as poucas noites de copos que tivemos juntos.
Para as minhas memórias fica a foto que me acompanha nas minhas angústias e alegrias. Levo aquela imagem de cera “londrina” para a vida.
Fica também para sempre a tua marca, a tua assinatura. O teu triangulo aberto no canto inferior esquerdo. O teu A, de amigo.
O teu A de adeus.
Assim como não te esqueceste do que te pedi na tua viagem a Londres, eu não me esquecerei da homenagem que ainda te devo.
Será feita no momento certo, com a simplicidade que te marcava em cada passo que davas.
Vieste adormecer em silêncio e para sempre à Torre dos nossos encantos.
És imortal.
Quando partiste não consegui ter força para dizer uma lágrima. Fiquei viúvo de um abraço que não tivemos oportunidade de partilhar. Mais por minha culpa.
Levas contigo uma dos “Dissidente”. A que mais gostares.
Também tu acreditavas que a vida era só música.
Deram-te honras de televisão na despedida.
Irias rir-te de tudo e desabafar que tudo não passava de parolice.
Ainda hoje te choramos, meu grande amigo.

Publicado por Nuno Teixeira em 03:31 PM | Comentários (0)

A PAIXÃO ASSUME TODAS AS FORMAS

Há dias vasculhei, nos meus apontamentos da paixão da rádio. Visitei a intima e lembrei-me do poema...
Por vezes os caminhos cruzam-se entre o belo da imaginação do regresso de um amor terreno e um amor hertziano. Ambos cada vez mais distantes. Mas podia morrer nos teus olhos.

“Já corremos de mãos dadas,
A mais secreta noite do mundo.
Já subimos ao alto da montanha.
Sabemos todos os nomes,
Do medo e da alegria.

Em ti me transcendo.
Podia morrer nos teus olhos.

Se nestes dias de cigarras doidas,
Perderes de vista o meu coração vagabundo,
Dá-me um sinal.
Abraçar-nos-emos de novo
Antes dos rigorosos frios.
De novo o grande sobressalto
O formidável estremecimento,
Dos instantes felizes.

Podia morrer nos teus olhos…
Amada Rádio”.

Fernando Alves

Publicado por Nuno Teixeira em 03:29 PM | Comentários (1)

março 29, 2004

ROAD TO NOWHERE

Éramos jovens e (in)conscientes.
Estávamos perdidos na noite, rumo ao nada. Rumo ao que a nossa própria magia construísse.
Entrávamos na estrada, fugíamos dali, "aqui não há nada, apenas o vento..." e partíamos em busca das paixões de ocasião.
Mas havia sempre o regresso, "e na chegada, a Torre toca no céu, na noite calada, um beijo teu..."
Dedicado aos amigos por acidente com a "ironia" do "Road to nowhere".
Um carro, muitas estradas, muitas histórias para contar e algumas só para guardar.
David está de volta a Portugal. Bem sei que não é o expoente máximo das nossas preferências, mas traz-nos essas recordações de viagens para um "oásis" dançante.
O ex-líder dos Talking Heads, está de volta
Na próxima visita ao nosso País, David Byrne, irá apresentar os temas do novo àlbum que será editado em Março, e do anterior, “Look Into The Eye Ball”, assim como alguns dos temas que tornaram tão populares os Talking Heads.

3 de Abril- Coliseu dos Recreios, Lisboa
4 de Abril - Coliseu do Porto.

Publicado por Nuno Teixeira em 03:29 PM | Comentários (0)

CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS

Vai realizar-se durante o mês de Maio mais uma edição de Festival de cinema, Caminhos do Cinema Português, XI edição.
É mais uma edição do único festival dedicado ao que de melhor se faz em Portugal no domínio cinematográfico.
Acompanhei bem de perto a edição do ano passado e posso afirmar seguramente, que se podem ver boas surpresas durante o evento. Claro que também se podem encontrar a concurso, algumas "piadas" a desfilar na tela. Mas que culpa tem a organização dos caminhos!? Acho que nenhuma. O estado, através do Ministério da Cultura subsidia algumas coisas que não lembra ao diabo.
Aqui fica a minha palavra de apoio à excelente equipa do CEC da AAC.

PS- O programa oficial deste ano ainda não está disponível, mas pode ser depois consultado on-line. Mantenham-se atentos e apoiem os Caminhos e o cinema português... de qualidade.

Publicado por Nuno Teixeira em 03:16 PM | Comentários (0)

março 25, 2004

O QUE JÁ NÃO PASSA NA TSF

Afinal o que se passa na TSF ?
Melhor. O que não já não passa na TSF ?
Há muita gente deste meu país (cada vez mais habituado às cunhas e aos lobbies), desiludida com muita coisa que se passa.
O desemprego é galopante. Fala-se de crise. Crise financeira, nas instituições, nas ideias, nos ideais, nos sonhos.
Estamos hipotecados. Temos mais uma vez os sonhos adiados. Várias vezes nos deparamos com a hipocrisa de quem manda um bocadinho no seu quintal. Todos querem um bocadinho de poder para exercitar os peitos inchados de orgulho.
Hoje em dia conta mais uma boa cunha do que duas mãos cheias de ideias.
Eu pessoalmente, já estou cansado de ser roubado, enganado. Iludido por quem de repente é alguém na vida.
Assiste-se, por exemplo, a um jornalismo praticado por gente de colarinho levantado. São os reis da nossa praça. Os homens e as mulherzinhas do rico sabor a protagonismo. Passeiam-se por entre os amigos, de forma bem galante e disputam intrigas entre si.
Quem tem realmente valor, é posto de parte (quase sempre).
Mas o que tem a ver a TSF com tudo isto ?
Quando perseguia os meus sonhos, perseguia as ondas da TSF e delirava com o seu estilo e a sua maneira de estar, o que se reflectia na informação, programação e na sua estética radiofónica.
Hoje recupero os sonhos feitos em cd.
A TSF editou por altura do seu 16 aniversário um cd comemorativo, que inclui 59 faixas de história. É caso para dizer que "tudo o que se passou, passou na TSF". Isto porque hoje as vontades parecem diferentes. Nota-se uma quebra da amiga TSF. Mesmo nos sonhos tornados reais nas ondas da rádio. Desapareceram programas, desapareceu parte de uma mística. Mas essa é apenas a minha opinião.
Fica a recordação deste cd, que inclui uma coisa espantosa feita pela TSF no dia dos namorados.
"Uma invenção do amor" no dia dos namorados.
Um caso à Orson Wells com a "Guerra dos mundos". Para quem ouviu nesse dia 14 de Fevereiro de 1994, sabe bem do que estou a falar. Um poema do Cabo Verdiano Daniel Filipe, tranformado numa história real... pelo menos aos nossos ouvidos.
Fica o poema. Fica a esperança de melhores dias, porque tem faltado muito amor aqui na terra.

A invenção do amor


Em todas as esquinas da cidade
nas paredes dos bares à porta dos edifícios públicos nas


janelas dos autocarros


mesmo naquele muro arruinado por entre anúncios de apa-


relhos de rádio e detergentes


na vitrine da pequena loja onde não entra ninguém


no átrio da estação de caminhos de ferro que foi o lar da


nossa esperança de fuga


um cartaz denuncia o nosso amor


Em letras enormes do tamanho


do medo da solidão da angústia


um cartaz denuncia que um homem e uma mulher


se encontraram num bar de hotel


numa tarde de chuva


entre zunidos de conversa


e inventaram o amor com carácter de urgência


deixando cair dos ombros o fardo incómodo da monotonia


quotidiana


Um homem e uma mulher que tinham olhos e coração e


fome de ternura


e souberam entender-se sem palavras inúteis


Apenas o silêncio A descoberta A estranheza


de um sorriso natural e inesperado


Não saíram de mãos dadas para a humidade diurna


Despediram-se e cada um tomou um rumo diferente


embora subterraneamente unidos pela invenção conjunta


de um amor subitamente imperativo


Um homem uma mulher um cartaz de denúncia


colado em todas as esquinas da cidade


A rádio já falou A TV anuncia


iminente a captura A polícia de costumes avisada


procura os dois amantes nos becos e avenidas


Onde houver uma flor rubra e essencial


é possível que se escondam tremendo a cada batida na porta


fechada para o mundo


É preciso encontrá-los antes que seja tarde


Antes que o exemplo frutifique Antes


que a invenção do amor se processe em cadeia

Há pesadas sanções para os que auxiliarem os fugitivos


Publicado por Nuno Teixeira em 06:43 PM | Comentários (0)

março 24, 2004

O POP DE DIVINE COMEDY

O meu amigo Joe teve uma conversa comigo este fim de semana.
Uma conversa que ditou outras teorias sobre formas de estar na vida no seio da paixão, do amor e da amizade. Conceitos tantas vezes desprendidos de significado.
Falámos de viagens no tempo... ao que fica do contacto entre dois seres humanos. Um pouco uma alusão menos abstracta do texto da Revolta de Fernando e das rosas com espinhos (publicado neste blog).
O que fica!?
Lembraste dos meus tempos de Paris Texas e das melodias sentidas naquele estúdio de rádio, tantas vezes berço de paixões desenfreadas!? Das luzes apagadas, dos "trambolhões" entre os vinis!? A música e os momentos não ficaram lá, trouxemo-los connosco e por vezes recordamo-los com saudade das músicas que ouviamos e das sensações.
Na Antena 1, esta semana falou-se de música que perdura no tempo. Falou-se do tema, "portugal, portugal" e falou-se de um país que esteve sempre "à espera" de alguma coisa (desde 1994 se não caio em erro, ano em que Palma compôs a primeira versão deste tema).
Nós também estamos sempre à espera... esperamos o regresso dos momentos.
Andamos ao ritmo lento do país da eterna saudade que não avança.
Lembrei-me então depois de uma outra conversa que mantive contigo Joe.
Na passagem de ano de 2002 para 2003:
- Joe. Põe aí o "Perfect love song"
- Isso não existe Teixeira. Isso não existe.

Existe pois! A canção existe, ahahaha.
Mas não existe o pop de Divine Comedy
Deixa-te levar pela magia de "Theme From Casanova" e sente... e retoma depois a paixão com...

Perfect Lovesong

Give me your love
And I'll give you the perfect lovesong
With a divine Beatles bassline
And a big old Beach Boys sound
I'll match you pound for pound
Like heavy-weights in the final round
We'll hold on to each other
So we don't fall down

Give me a wink
And I'll give you what I think you're after
With just one kiss I will whisk you away
To where angels often tread
We'll paint this planet red
We'll stumble back to our hotel bed
And make love to each other
'Til we're half dead

Maybe now you can see
Just what you mean to me

Give me your love
And I'll give you the perfect lovesong
Give me your word
That you'll be true to me always come what may
Forever and a day
No matter what other people may say
We'll hold on to each other
'Til we're old and grey

Publicado por Nuno Teixeira em 06:55 PM | Comentários (0)

O AMOR TUDO PODE

Nos dias que correm, a palavra amor começa a ser banalizada, tanto no seu significante como no seu significado.
Há no entanto ainda quem oriente a sua vida em prol do amor (pela família, mulher, namorada, amigos ou até por uma actividade ou passatempo) e há também quem passe totalmente ao lado do amor. Há até uma tendência curiosa. Actualmente, ninguém repara realmente em quem nos ama.
O amor é uma palavra várias vezes repetidas, como se de um hino se tratasse, aqui no dom quixote. Por isso achei que seria util dar a conhecer um texto de Saulo de Tarso que dá pelo nome de "O amor tudo pode".
Saulo de Tarso foi um homem que pregou o amor acima de tudo o resto e que foi perseguido mas que deixou este texto, simples mas bonito.
A palavra também não deve ser apenas entendida no seu contexto limitado entre um homem e uma mulher...
O amor tudo pode é um texto que se encontra nas prateleiras de uma livraria e que que cabe no bolso das calças.

Publicado por Nuno Teixeira em 10:47 AM | Comentários (2)

março 20, 2004

HOJE O SOL NASCEU... AQUI

O romper do dia voltou a trazer-me a beleza da serra do meu país.
O sol nasce por entre os pinheiros e a brisa faz-se ouvir através da dança das árvores.
Ao longe, vê-se o vale pintado com o suor do trabalho dos homens e das mulheres. Vê-se as vinhas e lê-se o nectar que deu sabor às palavras.
Hoje o sol voltou a nascer aqui. Estou sózinho com a natureza e com a mística da minha torre que toca lá em baixo entre as casas da nossa gente.
Gostava que tivesses estado aqui. Agora é tarde para te dares conta que todos os suspiros desaguam no seio da serra do meu berço.
Foi aqui que suspirei, chorei e ri por ti. Foi aqui que te esqueci. Assim como a névoa matinal que lentamente se afasta dos imponentes montes que me rodeiam, assim se afasta aos poucos a beleza dos sentimentos que por ti sentia.
Hoje ou amanhã ainda não será diferente, mas é o princípio, porque já não sabia o amor que sentia em saborear o sol nascer aqui. No sítio e na gente que me ama.
O tempo vai trazer outros, aqui ao meu lugar. E sentir os suspiros e as lágrimas que eu por cá deixei, trazidas de terras do Mondego.

Publicado por Nuno Teixeira em 08:01 PM | Comentários (0)

março 19, 2004

OS NOVOS TEMPOS

Mudou-se a estratégia.
Aliás, deixou de haver estratégia...
O DOM QUIXOTE, terá na próxima semana uma nova linha editorial, depois de ser publicada a segunda parte da Revolta de Fernando e das Rosas com espinhos.
Não há sinal, nem pré aviso. Apenas um bloco de notas estendido no chão, que esqueceu de anotar palavras que serviam apenas para construir a força e a coragem em alguém que será lembrado para sempre como a carne da nossa juventude e que será alvo de risota nacional.
Os que juram amizade com dedos cruzados e nos traem no amor (seja qual for a sua essência), serão as mais infelizes criaturas, quando souberem o que é a sensatez e o amadurecimento enquanto pessoas. Quando derem por si a chorar com as suas próprias peripécias, vão aperceber-se que "o que lá vai, lá vai" e que nada sobrou.
CORAGEM AOS QUE LÁ FICARAM. UM ABRAÇO AOS AMIGOS QUE ESTIVERAM POR CÁ. NOS MOMENTOS DAS NOITES BRANCAS (VOCÊS SABEM QUEM SÃO, PORQUE TÊM A CERTEZA QUE SÓ ABRAÇAMOS A LEALDADE E A VERDADEIRA AMIZADE. NÃO HÁ REMORSOS), HOJE É POSSÍVEL ABRAÇAR O QUE REALMENTE CONTA NAS NOSSAS VIDAS.
QUANDO TIVERMOS SAUDADES, OUÇAM "SATTELITE OF LOVE - LOURED"
Obrigado. O sonho de comunicar vai avançar, meus amigos. Será uma emboscada aos palhaços desta vida.

PS- Não há pré avisos para a revolução e não se diz adeus enquanto olhamos para trás. Temos de nos levar a sério.

Publicado por Nuno Teixeira em 07:45 PM | Comentários (0)

março 09, 2004

Terrores a preto e branco.

Sou criança no leito deitado envolto pela noite desamparado da mão amiga.
Sou cavaleiro andante, sou herói, sou criatura em desequilíbrio.
Sou um carrocel de imagens que não conheço. Sou um poço de suor envolto nos frios cobertores que me agasalham… à espera da tua mão amiga.
Sou grito em silêncio em busca da fuga daquela planície estática onde o mesmo medo nos sopra à alma delírios sucessivos de ansiedade, todas as noites.
Sou planície limpa e branca, afrontado de repente pela visão de uma rocha gigantesca que me afronta… à espera da tua mão amiga.
Sou lençol de seda fino e perfeito. Sou a suavidade de um sono tranquilo, desperto pelas imperfeições dos novelos de lã surgidos do nada.
Sou objecto gigante limpo e perfeito a tentar penetrar numa caverna feia e pequena onde quero e não quero entrar. Onde quero entrar e não consigo.
Sou desperto pela luz. Meus olhos são a lente pesada e descordenada ao captar os movimentos normais do real, que se transformam em movimentos acelerados. Há um misto de divertido e de medonho. Divirto-me com as recordações de filmes antigos a preto e branco e posteriormente sofro com um vazio repentino que me assola a alma. Tudo parece fugir à minha frente enquanto a cama me leva em círculos… quero gritar e não consigo, o espasmo invade-me todas as acções racionais… espero a tua mão amiga.
Quero a tua mão amiga a segurar suavemente a minha testa quente.
Suspiro pelo teu nome, Mãe. Suspiro para que não tenha de levantar-me e destruir os fantasmas que atormentam.
Diz-me que vai passar, Mãe. Diz-me que já passou Mãe. Fica e canta. Fica e assusta os medos que não vês, porque a ti eles não atacam.
Fica e canta para mim, Mãe… toda a noite.

Publicado por Nuno Teixeira em 03:29 PM | Comentários (0)

Ainda um destes dias, o amor há-de vencer.

Ainda um destes dia o mundo inteiro vai ouvir o meu grito do alto da serra do meu país e vai saber que te dei a mão na rua. Que te beijei num palco iluminado pela lua, com a nossa música pintada no papel de cenário e perante uma plateia de aplausos e lágrimas.
O vento chama por nós. Ainda nos havemos de encontrar nos mesmos segmentos de felizes coincidências onde o amor acontece sem pedir favor para entrar.
Ainda um dia, o nosso amor será um mega espectáculo inabalável pelo mau do passado, e forte ao ritmo do bom do presente. Aí vamos sentir a vibração e o tremor daquela sensação que ao mesmo tempo nos torna os maiores cúmplices e os maiores desconhecidos.
Ainda o dia há-de vir em que a saudade vai saltar do quadro empoeirado que guardamos no baú. Ainda há-de vir o dia, onde um beijo será um beijo sem fantasmas e o nosso abraço saudado pela multidão precederá uma retirada de mãos dadas ao longo de um caminho que não mais vai terminar.
Um sopro no coração.

Publicado por Nuno Teixeira em 03:18 PM | Comentários (0)

A ILHA DA AMORTOPIA. A revolta de Fernando e das Rosas com espinhos. (parte I)

Personagem caricata de semblante divertido. Carrega no brilho do olhar o reflexo de uma rosa vermelha que por vezes lhe escorre pela face, quando a felicidade aparente deixa escapar uma lágrima de incompreensão.
Romântico não assumido. Denúncia a poesia nas palavras que carrega dentro de si e naquelas que tem anotadas no pequeno bloco que esconde debaixo da roupa da cómoda do quarto. Fantasista, quase adolescente, apesar dos seus 28 anos. Eis Fernando, de seu nome. Crente nas histórias de amor que os poetas do seu país e do seu mundo lhe contavam nas páginas empoeiradas.
Crente nos poetas que lhe sopravam as melodias ao fim da noite através de uma fracção perdida no tempo e achada nas ondas de uma rádio.
Boémio. Amigo de um amigo que queira fazer uma cantiga da vida.
Fernando passa as noites a simular amor aos que vagueiam nessa cidade.
Conhecedor como ninguém, dessa palavra que espera cada sonho transformado em realidade. Palavra que esperamos que salte dos velhos manuais dos sonhos que os trovadores construíram à custa das suas próprias desilusões. Não somos feitos de ferro. Nem o romântico Fernando homem rebelde e apaixonado pela vida. Também um dia a velha palavra o apanhou a meio de uma leitura descontraída dos olhos que só, pela sua presença, invocavam o amor e a ternura em cada esquina da cidade.

“Deixei de olhar os poemas dos livros. Comecei a dar ar, às minhas palavras, quando senti que os teus olhos me expandiam muito além daquilo que se contam nos livros. Deixei-me levar pela aventura do verde infantil dos teus olhos. Perdi-me em definições para achar o que era isto que não consigo definir. Perdi-me em palavras. Achei-me na força de um abraço que corria contra o tempo. Minha caneta não pára de cantar a tua alma e escrever o teu corpo em linhas bem desenhadas pelas memórias de um perfume bem guardado pelos meus lábios que recordam cada momento em que te percorrem a pele branca e suave”.

Fernando atravessou as cataratas dos sonhos. Deixou de sentir os livros de poemas como simples estórias de aventuras. Reinventou o amor das mãos dadas ao luar e transformou-o num encontro interminável das horas vagas, deixou-se levar pelo acontecimento espontâneo de várias felizes coincidências, que na sua cabeça, redundavam em torno de uma só palavra. Amor.
Fernando, “o boémio romântico” tinha sentido o amor fora das cantigas e das palavras dos poetas e dos mais belos trovadores. Até então, Fernando dizia que “os mais belos poemas e as mais belas palavras de amor, já tinham sido proferidas pelos mais excêntricos trovadores.”
Fernando encontrou o caminho dessa palavra que só se pode ver na forma de caracteres.

“Sou eu e tu. Sou eu, tu e o resto do mundo. São infindáveis formas, conceitos, religiões, partidos e ideologias. São novas civilizações que nascem em torno de uma fogueira erguendo sua força aos céus. Sou eu e tu.
São novos estilos de música que se fundem com o irreal numa pequena ilha rodeada apenas pelo céu.
Sou eu tu e uma selva com novas formas de vida, selvagens, eróticas e suaves como o repousar do teu corpo no teu leito de fantasia onde contemplo os teus pés que fazem um agradável jogo com os lençóis que se escapam por entre os teus dedos e onde a revolta de um sono profundo mostram também as tuas coxas quentes a embarcarem numa dança erótica com a fina roupa interior que tende a soltar-se e a mostrar o teu sexo.
Sou eu tu e o fumo suave que soltas dos teus cabelos dourados com os quais fulminas desprendidamente todos os que te rodeiam.
Sou eu tu e a união de quatro braços no escuro de uma bela paisagem nocturna, afastamos os nossos medos.
Sou tu e eu defronte dessa passagem secreta, da qual só nós sabemos o seu caminho rumo aos tesouros do infindável mundo da felicidade”.

Fernando. Corria contra os cavaleiros do escuro, contra os inimigos da paixão, contra os amigos do real. Desprendido da razão e agarrado a essa nova forma de pintar amor nos murais dos sonhos. Sonhava apenas com o correr desse rio que rumava a outros lugares que a boémia das noites perdidas entre bares da velha cidade, nunca lhe tinham oferecido.
Fernando vivia a sua vida repartido entre a inovação do amor e aquela que ele pensava ser o seu próprio amor.
Escrevia em noites brancas os seus hinos de paixão que dedicava à lua e às águas calmas do rio, para que estas as levassem para longe de si e para perto da sua amada. Voltava a sonhar com as raízes da velha torre onde nasceu, que também o inspirava em novas palavras para que a fogueira da união entre estes “dois amantes” desconcertados não parasse de erguer pirilampos incandescentes de lume, estalassem rumo às estrelas. Gritava sozinho bem do alto das serras do seu país o nome da sua amada, para que o mundo inteiro o pudesse saber em silêncio, já que essa era a sua própria vontade mas principalmente a vontade da sua amada.
Mas a fogueira ardeu de uma só vez. O verde deixou de brilhar. Os novos conceitos de amor perderam-se naquele vale onde ainda hoje se perpétua uma brisa constante que chama pelas palavras que Fernando enviava pela caneta ou pela amiga rádio em directo ao coração.
Tudo aconteceu numa madrugada que marcava um ano de tragédia sobre esse dia fatídico que ficou conhecido pelo “dia que mudou o mundo”.
As palavras não encontraram o caminho mas também não vieram devolvidas. Mas a essência do tal amor palpável, perdeu-se no brilho dos mesmos campos verdes que tantas vezes inspiraram a tolice de um poema escrito ao sabor daquela pele e daqueles lábios que agora estavam longe… Fernando tentou tocá-los com a ponta dos dedos trémulos e molhados pelas lágrimas. Tentou rebuscar os hinos que compôs e invocar momentos passados na comunhão alegre de um abraço ou na união de uma lágrima em comum. Em vão. Fernando saiu a correr rumo à calçada que era também ela tocada por finas lágrimas e misturou-se com o manto da noite.
Fernando foi visto enrolado numa capa negra a caminhar a passos largos rumo a um qualquer lugar onde o mundo não pudesse avistar as rosas com espinhos que lhe açoitavam a face. Também o mundo havia mudado para Fernando.
Contam os que viram, que Fernando se dirigiu ao alto do mesmo penedo onde havia jurado amor, espalhando-o pelo vale, que ali se ajoelhou e reclamou a conquista da Amortopia. Uma ilha que fica a desnorte da razão, perdida no tempo e no espaço, onde o amor é conceito. É significante e significado. Onde o amor é o maior grau de poder e de influência. Onde o amor gere os destinos dos residentes. Um novo conceito de sociedade onde a hipocrisia, mentira e traição são tidos como crimes muito graves, severamente punidos… (continua)

Publicado por Nuno Teixeira em 03:04 PM | Comentários (1)