janeiro 29, 2004

Precisa-se de um motivo para escrever.

Preciso tocar o teu céu.

Não preciso de ti. Não espero que venhas ter comigo esta noite. Preciso apenas de um motivo para escrever e com isso remendar a minha velha caneta que parti naquele momento em que a noite me chamou louco por pensar ter amado até ao limite.
Não preciso de ti. Não preciso de mim. Quero-me de volta à mesma forma irónica, prepotente e feliz de estar no meu canto afastado, junto à janela de onde agora admiro com saudade todas as emoções felizes, que fugiram para brincar no quintal da amiga euforia, de onde eu saí e de onde nunca devia ter saído.
Preciso de mim hoje como era ontem. Preciso de um motivo para escrever.
Não preciso desse sorriso no olhar de menina. Não quero que o teu verde amargo me toque com aquele abraço que nunca veio mas que pelo qual suspirei.
Preciso de pisar de novo aquele palco e voltar a ser o centro das atenções. Quero de volta os meus aplausos… o meu protagonismo. Preciso de falar o que não quero, o que não escrevi e inundar uma plateia com lágrimas de alegria.
Preciso de mim aqui. Preciso de ti e do teu azul que afastou a tempestade.
Preciso que entres comigo de mãos dadas e pises este palco com segurança e me deixes gritar que não fui eu que venci a guerra, mas que foste tu.
Preciso arrancar um sorriso a mim próprio e erguer um beijo ao limite do teu céu azul. Preciso de ti. Preciso que me suspires ao ouvido que já tenho um motivo para escrever e que a realidade do teu abraço não precisa de se ver para crer.
Preciso de ti. Preciso raptar-te à frente da multidão e levar-te aos mesmos jardins onde a felicidade disfarçada me tinha enganado tantas vezes. Quero dançar contigo toda a noite os poemas que só a ti devia ter dedicado, as canções e as baladas que deviam ter tido o nosso ritmo.
Preciso agradecer-te ajoelhado perante a observação do teu sorriso e dizer-te que a noite é grande e está por nossa conta. Quero fazer-te sorrir agora e deixamos as palavras para depois. Já te tenho a ti. Já não preciso de um motivo para voltar a escrever.

Felizmente que sei cantar sem pressa,
Que sei recomeçar,
Que sei que há uma promessa no acto de cantar.
(Miguel Torga)

Contigo começa a nova caminhada com os teus olhos “azuzes”

Para os olhos mais Bonitos aqui vai o meu obrigado.

Publicado por Nuno Teixeira em 04:20 PM | Comentários (1)