julho 11, 2004

As bandeiras

Faz uma semana, e estávamos a maior parte de nós, concentrados, esperançados na concretização de um sonho que há muito ambicionamos.
Não foi possível, porque não fomos melhores, porque não tivemos a estrela, etc., etc., disso já tudo foi dito.
Agora, passado uma semana, o maior espanto em toda a festa que foi o Euro, é constatar que os portugueses continuam com o seu país, e que a ideia da bandeira passou.
Durante alguns anos, e muitos diga-se, os portugueses tinham a ideia da bandeira, do hino, em algo relacionado com uma época que marcou o país, ou seja, o salazarismo.
Foi preciso vir um estrangeiro, um irmão como se costuma dizer, em boa hora, demonstrar ao país que era necessário ter orgulho nos seus símbolos.
Hoje, passado uma semana as bandeiras continuam nas janelas, nos carros, e isso, sou sincero, muito espanto me traz.
Estava como a maioria, presumo, convicto que no dia a seguir à final do Euro, as bandeiras iriam sair, serem arrumadas num qualquer armário, para daqui, a dois anos, saírem a cheirar a mofo ou a naftalina.
Não foram e ainda bem, porque apesar de todas as derrotas, de todas as decisões, de todas as politiquices, conseguimos ganhar algo.
O Euro foi positivo em muitas áreas, económicas, desportivas, de segurança, mas a mais importante na minha perspectiva, foi a patriótica.
Passamos a acreditar no país, passamos a ser portugueses com P.
É bonito, é pena é o tempo que perdemos para perceber o bom que é ser português.

Publicado por TMA em julho 11, 2004 06:20 PM
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