abril 26, 2006

Mais

The Gift: outra excelente cartilha. Igualmente sugerida à leitura. Com o sumário das "lições" a começar AQUI.

Publicado por Ana Tropicana às 10:57 PM | Comentários (0)

abril 24, 2006

«Perfil»


ana carolina de divulgação oficial

É certo que «Perfil» já fez a sua época, já teve o seu momento, os seus instantes de revelação. Seja como for, nunca é demais escutar a "Mulher dos Cabelos Vermelhos". Recomendam-se as letras. Todas. Vivamente!... que há sempre mais alguma coisa para aprender, quando se pega numa boa cartilha. É indiferente qual se escolhe, ou por onde se começa: qualquer uma é boa. Basta atirar ao ar e escolher a lição: AQUI.

Publicado por Ana Tropicana às 10:05 PM | Comentários (0)

março 26, 2006

Gemas da Floresta


«crónica de duas cidades» - capa do livro

É hoje lançada em Manaus a obra «Crônica de Duas Cidades: Belém e Manaus», assinada em conjunto pelo genialmente delicioso Mestre e filósofo paraense Benedito Nunes e pelo escritor amazonense Milton Hatoum. Relatos e memórias de duas cidades completamente distintas, empoleiradas ao Norte, unidas pelo cordão de água do rio Amazonas, que traz à estampa belíssimas fotografias de ontem e de agora.




O livro «Crônica de Duas Cidades: Belém e Manaus», do filósofo paraense Benedito Nunes e do escritor amazonense Milton Hatoum, lançado pela Secult em janeiro deste ano, durante o 390ª aniversário de Belém, chega hoje a Manaus. O lançamento na capital amazonense marca a programação do 89º aniversário do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas e da celebração do centenário do historiador amazonense Arthur César Ferreira Reis.

A publicação, «Crônica de Duas Cidades - Belém e Manaus», reúne dois dos mais importantes nomes da literatura brasileira, o filósofo Benedito Nunes e o ficcionista Milton Hatoum, que escrevem sobre as cidades onde nasceram.


Benedito Nunes conta como surgiu a parceria com o escritor amazonense. "Me honra estar junto com o Milton. Além disso, há muito tempo eu tinha desejo de escrever sobre o lugar em que vivo. Essa motivação foi a predominante. Depois do trabalho pronto, se pensou em fazer uma ligação com outra cidade importante da Amazônia, Manaus, e daí veio a idéia de convidar o Milton Hatoum. Os trabalhos estavam esperando uma oportunidade, que surgiu nesse momento", diz.

Na obra, cada um dos autores escreveu sobre a cidade em que nasceu.

'Há muito tempo eu tinha desejo de escrever sobre o lugar em que vivo. Essa motivação foi a predominante para escrever esse livro. Depois do trabalho pronto, se pensou em fazer uma ligação com outra cidade da Amazônia importante, Manaus, e daí veio a idéia de convidar o Milton Hatoum', conta Benedito Nunes.

A comparação entre a Manaus antiga e a atual é um tema recorrente na obra do ficcionista Milton Hatoum. 'Essa comparação está nos meus dois últimos romances: 'Dois Irmãos' e 'Cinzas do Norte'. Os dois trabalham um pouco com essas duas épocas. A Manaus da minha infância, nos anos 60, era uma cidade que ainda mantinha a fisionomia da cidade do início do século XX, até certo ponto. Muita coisa do projeto original de Manaus, de 1892, foi preservada, até os anos 60. O desenho da cidade, as praças, os monumentos, os grandes ícones da arquitetura, os sobrados, a arquitetura neoclássica. E do lado ecológico também, da natureza, da floresta da cidade – ou da cidade da floresta –, e dos igarapés, que só foram poluídos nos anos 80, as invasões, vários bairros e favelas na periferia de Manaus', conta o escritor.

Benedito Nunes, por sua vez, diz que seu objetivo foi justamente descobrir qual a relação que possui com sua cidade natal. 'Acabei descobrindo que é uma relação não somente cultural, mas também de memória, de lembrança. Com este ensaio, pago uma velha dívida porque eu nunca tinha escrito sobre Belém. O débito é também para com a geração daqueles que puderam vivê-la entre 1940 e 1960, muitos dos quais já se foram. Traço o meu retrato de Belém, valendo-me das boas fontes hoje disponíveis. Começa na fundação, depois algumas considerações sobre a cidade como ela era, a Cabanagem, antes e depois e as apreciações que alguns estrangeiros fizeram dela'.

Os dois mestres falam em seus trabalhos, não só sobre as cidades do passado e de hoje, mas também da relação que mantêm com elas. "Essa comparação está nos meus dois últimos romances: 'Dois Irmãos' e 'Cinzas do Norte'. Os dois romances trabalham um pouco com essas duas épocas. A Manaus da minha infância, nos anos 60, era uma cidade que ainda mantinha a fisionomia da cidade do início do século XX, até certo ponto. Muita coisa do projeto original de Manaus, de 1892, foi preservada, até os anos 60. O desenho da cidade, as praças, os monumentos, os grandes ícones da arquitetura, os sobrados, a arquitetura neoclássica. E do lado ecológico também, da natureza, da floresta da cidade - ou da cidade da floresta -, e dos igarapés, que só foram poluídos nos anos 80, as invasões, vários bairros e favelas na periferia de Manaus", conta Milton Hatoum

Benedito Nunes, por sua vez, diz que seu objetivo foi justamente descobrir qual a relação que possui com sua cidade natal. "Acabei descobrindo que é uma relação não somente cultural, mas também de memória, de lembrança. Com este ensaio, pago uma velha dívida porque eu nunca tinha escrito sobre Belém. O débito é também para com a geração daqueles que puderam vivê-la entre 1940 e 1960, muitos dos quais já se foram. Traço apenas, como num desenho à mão livre, o meu retrato de Belém, valendo-me das boas fontes hoje disponíveis. Começa na fundação, depois algumas considerações sobre a cidade como ela era, a Cabanagem, antes e depois e as apreciações que alguns estrangeiros fizeram dela."

O secretário executivo de Cultura, Paulo Chaves Fernandes, explica que a iniciativa da Secult, ao editar a obra, foi homenagear Belém em seus 390 anos e também fazer o paralelo ente as duas cidades mais importantes da Região Amazônica. "É uma edição de luxo, capa dura, ilustrada, com fotos antigas. Reunimos as duas cidades porque são praticamente siamesas, porque nasceram e sofreram agruras muito parecidas, nasceram sob circunstâncias muito próximas. Apesar da distância que as separa, Belém e Manaus têm um elemento de ligação, que é o Rio Amazonas. São textos que estabelecem entre si um diálogo muito grande, porque são muito parecidos, são duas crônicas dessas cidades", comenta.





Benedito Nunes - professor desde a década de 50, aposentou-se no cargo de titular, mas continua fazendo conferências e escrevendo livros. Ele foi um dos fundadores da Faculdade de Filosofia do Pará, posteriormente absorvida pela Universidade Federal do Pará. Fez mestrado na Sorbonne, em Paris. O primeiro livro foi 'O mundo de Clarice Lispector', em 1966, e além de 'Crônicas de Duas Cidades - Belém e Manaus' ele já anuncia que vai continuar produzindo e que novos livros virão por aí.





Milton Hatoum - ficcionista, actualmente residente em São Paulo, é também arquitecto e mestre em Letras pela Universidade de São Paulo, É ainda professor de Língua e Literatura Francesas da Universidade do Amazonas. Um dos livros mais comentados do escritor, por parte da crítica brasileira e internacional, é 'Relato de um certo Oriente' (S. Paulo, Cia. das Letras, 1989), traduzido para diversas línguas.

Publicado por Ana Tropicana às 12:58 PM | Comentários (0)

janeiro 27, 2006

Por Novos Limbos


abril em janeiro de manuel alegre

Hino da Campanha, voz de Paulo de Carvalho [Presidenciais 2006 - «Movimento para Alargar a Cidadania»]


... Entretanto o país foi a votos - pela terceira vez em menos de um ano - e não volta às urnas nos três próximos que se seguem. Imagino que isso signifique que, sem me dar conta, passaram talvez demasiados dias. E como nunca sei bem como se volta depois que a ausência se alonga em demasia, coloco por debaixo da porta, que é como quem diz debaixo do link duas linhas aqui à frente, tudo o que se me oferece dizer a propósito do hiato que por cá ficou.





Autor: Manuel Alegre




Hino da Campanha, voz de Paulo de Carvalho
[Presidenciais 2006 - «Movimento Alargar a Cidadania»]

Publicado por Ana Tropicana às 08:46 PM | Comentários (1)

janeiro 11, 2006

O Mundo, Lá Fora

Pelo frenesim de carros e autifalantes em torno do meu pacato jardim, suponho que tenha, enfim, começado o período oficial de campanha para as Presidenciais do próximo dia 22. Em todo o caso, continuo decidida a nem me aproximar da janela para confirmar.

(...)

Podia regressar a Maquiavel. Preferi voltar a pegar em Voltaire:

... «É triste não ter amigos,
mas ainda mais triste é não ter inimigos.
Porque quem não tem inimigos
é sinal de que não tem:
nem talento que faça sombra,
nem carácter que impressione
nem coragem para que o temam,
nem honra contra a qual murmurem,
nem bens que lhe cobicem,
nem coisa alguma que lhe invejem...»


... Lógico. Deveras. Perturbador. Bastante. Inquietante. Um pouco. Consolador. Só de raspão. Assustador. Sem a mais pálida dúvida. Em qualquer dos casos.

(...)

Fecho o livro. Tal como as notícias, a campanha e as Presidenciais, também já não me apetece Voltaire.

Publicado por Ana Tropicana às 12:44 PM | Comentários (0)

janeiro 05, 2006

«O Quase»


quarando de vincent steveaux

«Ainda pior que a convicção do não é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.»

Luiz Fernando Verissimo


A Del voltou. Trouxe os amarelos da Praia do Forte, recortes de gentes e revistas, a intacta memória das tartarugas, super-smints e tabaco com o inconfundível aroma das plantações Brasil. E trouxe pérolas. Outras pérolas à memória. Muitíssimo bem lembradas, como se vê.

Vale a pena ler na íntegra AQUI




«O Quase»
por Luiz Fernando Verissimo

Ainda pior que a convicção do não é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto.

A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.

Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.

Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.

O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.

Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.

Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

Publicado por Ana Tropicana às 02:23 AM | Comentários (2)

outubro 07, 2005

Livre

«Nem tudo o que nos ata nos pode prender /
porque há sempre uma maneira de recomeçar o que se quiser /
Há sempre uma maneira de mudar o que não se quer»

Mafalda Veiga

Publicado por Ana Tropicana às 01:39 AM | Comentários (0)

outubro 06, 2005

«Escuto!»


porto de tabatinga de ana tropicana

Quase 16h, em Lisboa. O MSN pisca: apesar de descrente e desavisado, desenganado que andava. Pisca! - primeiro contacto, desde 23 de Setembro. Breve, fugaz, telegráfico. E este alívio inexplicável de saber todos de volta a Tabatinga. A salvo, portanto. Outra vez. Mais uma vez. Grácias !!...




Não, na Praça do Velho Império, nem em sonho se suspeita do lado inóspito do paraíso. Aqui vinga o imaginário, o panfleto turítico pintado a cores garridas, vendido a peso de ouro com odores de exótico. Aqui ninguém suspeita de agruras e privações outras, ninguém se aproxima (nem por raspão) dos riscos e dos espinhos, desse peso ralo que o conceito europeu de "pessoa" por lá tem, do frágil e precário valor da vida humana, de frente para a goela exuberante da natureza implacável e excessiva. Sempre. Em tudo. Em todos os momentos e em todas as coisas. Ali: à mercê da força impune dos senhores das terras sem lei, dos caprichos e interesses de déspotas e caciques, do revés do medo das tribos em fuga, acossadas e tímidas, oscilando entre a imprevisibilidade da submissão ou da raiva, famintas de uma paz, ora feita de brandos sossegos, ora de teimosas vinganças, do passo das tribos divididas entre o recuo para dentro das entranhas da floresta e o avanço altivo pelos barrancos do rio. Não, aqui «aventura» é coisa outra. Em Lisboa não se sabe, não se sonha. Em Brasília também não (muito pouco, quase nada!). Nem em Manaus se imagina. Sabe quem se atreve mais adiante que só às portas da Grande Mata. Sabe que mesmo entre fronteiras responde sozinho: sem nenhum governo que lhe valha, que se importe, que se lembre, que se responsabilize. Sabe que segue só. Por sua única conta e risco. Que depende unica e simplesmente de si: da destreza do corpo para suportar o calor, a humidade, as febres, o breu da noite, as feras guardadas na correnteza e na margem; e da agilidade do espírito para fazer trocas, propor negócios e firmar acordos. Não, aqui «aventura» é coisa outra, sim. Diferente (tão diferente!) das horas cruas que se acham nos confins. Lá: onde a vida vale pouco (tão pouco, quase nada!). Como eu sei que vale.




Foto: Rua Abaixo [Porto de Tabatinga - 2004] (autor: Ana Tropicana)




«Canção de Macau» - Mafalda Veiga


Mil aromas enleados
Num calor que se abandona
Mil sabores emaranhados
Numa noite sempre longa

Noutras ilhas, noutro vento
Que é tão denso como lume
Navegando um sentimento
Uma faca de dois gumes

Aprendo o que é regresso
E despedida
Que a distância se guarda
Até ao fim
Nesta saudade estranha
Assim sentida
Longe é sempre
Um lugar dentro de mim
Longe é sempre
Um lugar dentro de mim

Rumo incerto, mil palavras
O Oriente no olhar
Que desenha outro horizonte
Da paixão de desvendar

A neblina dos sentidos
A nudez do amor de alguém
E aquilo que se sente
Que não é de mais ninguém

Aprendo o que é regresso
E despedida
Que a distância se guarda
Até ao fim
Nesta saudade estranha
Assim sentida
Longe é sempre
Um lugar dentro de mim
Longe é sempre
Um lugar dentro de mim

Publicado por Ana Tropicana às 05:08 PM | Comentários (1)

agosto 27, 2005

Luz

Continuam a apetecer-me as palavras. Sem rima. Mas palavras. Firmes e vigorosas. Cheias. Intensionais porque intencionadas. Coisas de braveza da Gente Brava. Coisas de "Mestre", na verdade:... Resistir... Etapas. Duas perolas que me apetece deixar aqui. Uma especie de "Oficio Diario".



Etapas

Não te detenhas nos corredores sombrios,
são apenas etapas que importa ultrapassar.
De qualquer modo, não passam de episódios
e têm forçosamente um fim.

Os precipícios só existem
na cabeça de quem os inventa.

Nunca cedas ao medo das viagens longas,
de que a vida também se faz.
Na primeira carruagem dos comboios nocturnos
viaja sempre a madrugada.

Quando o sol te acordar, verás que o pesadelo
não passou disso mesmo, um pesadelo.




Resistir

Ao olhar-te nos olhos, sei que me perguntas
a atitude certa, aquela que mais serve
o caminho que tens de prosseguir.
E a minha resposta, de entre muitas
que poderia dar-te, é a mais breve:
resistir, simplesmente resistir.

A vida só interessa se não for
uma cedência à dor
que nos persegue desde que nascemos.
Se for combate permanente,
um constante remar contra a corrente
que teima em afastar-nos do que queremos.




Torcato da Luz (2005)

Publicado por Ana Tropicana às 03:21 AM | Comentários (1)