abril 08, 2006

«Quadras»

Esta madrugada cantou-se o fado, entre amigos, para celebrar o lançamento do 1º DVD ao vivo do Camané. Agradeço e retribuo a vénia, mas deixo-o a cantar aqui. Porque tudo o que há para saber a respeito de todas as coisas já está (na verdade) dito no fado, e nenhuma sabedoria ou lição da vida deve ser guardada em segredo, no peito e na sina cruzada de alguns.

«O amor quando se revela
não se sabe revelar
Sabe bem olhar para ela
mas não lhe sabe falar

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer
Se fala parece que mente,
Se cala parece esquecer

Ah, mas se ela adinhasse
se pudesse ouvir o olhar
e se o olhar lhe bastasse
pra saber que a estou a amar

Mas quem sente muito cala
quem quer dizer quando sente
fica sem alma nem fala
fica só inteiramente.»

[ «Quadras» - voz de Camané para os versos de Fernando Pessoa sobre "Fado Alfacinha" de Jaime Santos ]

Para escutar AQUI

Publicado por Ana Tropicana às 04:06 PM | Comentários (0)

janeiro 18, 2006

Recolectores


capinando rios de juçara menezes

«Pescadores de doações

que se arriscam sempre ao desafio

de colher os presentes lançados

nas correntezas de um rio

que é vida e sustento desse povo bravio»

Rozinaldo Carneiro - toada popular da região do Baixo Amazonas

Publicado por Ana Tropicana às 05:28 PM | Comentários (0)

Samba, Escola da Vida | «arrependimento»

É na verdade necessário ser um "Ser Superior" para fazer do arrependimento - mais do que qualquer coisa que valha a pena - um instante de puro e genuíno sublime!...

Não, não é para todos. Não é para quem quer: é para quem pode. É para os que sabem. Para os Grandes Mestres, como Aragão e Alcione.

Para os "outros", encolhem-se os ombros, dá-se-lhes uma pancadinha nas costas, diz-se-lhes : «Paciência! Deixa lá!... Azaruncho!», e recomenda-se-lhes que vão aprender com a vida! Para a próxima. Porque há sempre uma próxima. Para os "outros": os incapazes de transformar o arrependimento numa qualquer obra com arte. Como sambam os Grandes Mestres.


«Enredo do Meu Samba», Alcione com Jorge Aragão
[in Duetos - 2003]




«Enredo do Meu Samba» - composição de Jorge Aragão


Não entendi o enredo
Desse samba, amor
Já desfilei na passarela do seu
Coração
Gastei a subvenção
Do amor que você me entregou
Passei pro segundo grupo e com razão
Passei pro segundo grupo e com razão (Não entendi)
Meu coração carnavalesco
Não foi mais que um adereço
Teve um dez em fantasia
Mas perdeu em harmonia
Sei que atravessei um mar
De alegorias
Desclassifiquei o amor de tantas alegrias
Agora sei
Desfilei sob aplausos da ilusão
E hoje tenho esse samba de amor, por comissão
Findo o carnaval
Nas cinzas pude perceber
Na apuração perdi você

Publicado por Ana Tropicana às 04:37 PM | Comentários (1)

janeiro 05, 2006

Carta a Barcelona

«Vem pra me tirar o escuro e a sensação
de que o inferno é por aqui»

Ainda «Segundo». Ainda Maria Rita, que continua a valer a pena ouvir AQUI.




«Feliz» - composição de Dudu Falcão para a voz de Maria Rita


Vem pra misturar juizo e carnaval
Vem trair a solidão
Vem pra separar o lado bom do mal
E acalmar meu coração

Vem pra me tirar o escuro e a sensação
de que o inferno é por aqui
Vem pra se arrumar na minha confusão
Vem querendo ser feliz

Publicado por Ana Tropicana às 01:49 AM | Comentários (1)

janeiro 04, 2006

Geladeiras e Colheres de Chá


«segundo» de site oficial

«Corta essa / de querer me impressionar / Coisa boa é Deus quem dá / besteira é a gente que faz»

Filha de "Pimentinha", pimenta é.
Toca cá em casa desde de manhã. «Segundo»: recomendo vivamente. "Elementar, meu caro Watson". Básico e ao osso. Gosto disso!

Vale a pena ouvir AQUI.




«Conta Outra» - composição de Edu Tedeschi para a voz de Maria Rita

Conta outra
nessa eu não caio mais

já foi-se o tempo em que eu pensei
que você era um bom rapaz
Corta essa
de querer me impressionar
Coisa boa é Deus quem dá
besteira é a gente que faz

Você jurou pra mim que foi doença
Que te impediu de vir me encontrar
O mundo é bem menor do que 'cê pensa
e ontem já vieram me falar
Que você tava lá
no baile da comunidade
Bebendo e se acabando de dançar
Mas eu não caio do salto
não grito, não falto com a minha verdade
Sinceridade, sai que a fila tem que andar

Conta outra
nessa eu não caio mais
já foi-se o tempo em que eu pensei
que você era um bom rapaz
Corta essa
de querer me impressionar
Coisa boa é Deus quem dá
besteira é a gente que faz

Depois de te deixar na geladeira
eu resolvi te dar colher de chá
é dura a tua cara de madeira
tão dura que bastou eu me virar
E você tava lá
jogando todo o teu feitiço
pra cima da mulherada lá do bar
Mas eu não caio do salto
não grito, não falto com a minha verdade
Sinceridade, sai que a fila tem que andar...

Conta outra
nessa eu não caio mais
já foi-se o tempo em que eu pensei
que você era um bom rapaz
Corta essa
de querer me impressionar
Coisa boa é Deus quem dá
besteira é a gente que faz

Publicado por Ana Tropicana às 03:47 PM | Comentários (3)

janeiro 03, 2006

A Great Remember II


vendinha de ana tropicana

Era Sábado, mas podia não ser. Porque naquele como noutros povoados ribeirinhos, as semanas não existem e os dias são iguais ao tempo: não têm nome certo. E havia um som, uma melodia, uma música, uma canção, qualquer coisa assim. Porque no povoado as opiniões dividiam-se: havia quem lhe chamasse bolero, havia quem lhe chamasse choro, quem lhe chamasse samba-canção. Podia entrar pela janela - o som da canção. Podia!... se janelas houvessem. Mas não havia. Assim sendo, constata-se simplesmente: toca a canção. Toca alto. Muito alto. Porque nos povoados ribeirinhos tudo toca sempre muito alto. Como os pássaros e as onças, e o mato e todas as criaturas que lhe berram dentro. Nos povoados ribeirinhos é difícil fazer ouvir qualquer coisa acima do correr dos rios. E tudo tem que soar alto para não ser abafado por tantas sinfonias. Por isso a canção toca, mas alto. A voz partida, as sibilantes arranhadas, um ou outro risco do vinil a fazer saltar os acordes. Preciosas contingências a coroar em arte o som roufenho, vindo de uma vitrola velha, pouco diferente de como soaria se acaso viesse lá detrás do tempo, de onde se costuma dizer que ficou parado o passado. Mas não. Vinha só do fundo do quintal, onde a cerca pega com a rua, e uma vala de lodo pardo separa a berma da venda de tapumes caiados a azul celeste. Linda, a canção. «Linda!», pensei eu, achei eu. E ainda acho. Mesmo sem ter aqui o sabor que então me teve: naquele povoado ribeirinho, a entrar pelos fundos do quintal, num Sábado que nem sei se era Sábado. Escutada, portanto, no lugar certo. Da vida. Do tempo.

(...)
Deixo a gravação que o "Seu" Gervásio fez o favor de copiar para uma fita e me oferecer, e que o David acabou de fazer o favor de me enviar por mail, devidamente convertida em formato digital.

Uma prendinha para partilhar. Porque estou gripada, mimada e, portanto, obviamente bem disposta.


«Tudo Acabado», Ângela Maria com Simone
[in Fita do "Seu" Gervásio - copiada em 2004]

Publicado por Ana Tropicana às 05:07 PM | Comentários (0)

Meu Chão


meu chão de ana tropicana

A noite cai. O cheiro único a terra certa. E eu a tirar enfim do bolso o CD que ganhei de presente, rés-vés com o cair da porta ondulada das lojas do centro. E eu a entrar à pressa na manga do avião. As luzes cálidas do aeroporto Eduardo Gomes a ficar para trás, lá em baixo, lá ao fundo, como uma declaração de amor assinada a luz sobre a superfície da terra, à medida que vou ganhando altura e distância. A penumbra da coxia do avião. Manaus ao largo. Lisboa apontada adiante. E eu a tactear o bolso, subitamente recordada do movimento furtivo das mãos. Há menos de uma hora atrás. E eu a descobrir enfim que levo comigo a mais recente "pérola" da Marron.

Foi em 2004 e não sei porque me lembro disto quando já tivemos tempo de descer do banco, tirar um pé do passado e outro do futuro, quando temos já ambos os pés assentes em 2006. Não sei. Se calhar porque o disco toca agora mesmo, aqui em casa.


«Faz Uma Loucura Por Mim», Alcione
[in Faz Uma Loucura Por Mim - 2004]

Publicado por Ana Tropicana às 04:29 AM | Comentários (3)

dezembro 31, 2005

«Muito Pouco»

«Mas muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais»

[Moska na voz de Maria Rita]

«Faltam 8 horas para entrar em 2006», avisam na rádio. «Estamos quase, quase a virar a página», diz a locutora. Reparo que o tom de voz que empresta à ideia é feliz e confiante. Quase perfeito.

«Muito Pouco» - composição de Moska para a voz de Maria Rita


Pronto
Agora que voltou tudo ao normal
Talvez você consiga ser menos rei
E um pouco mais real
Esqueça
As horas nunca andam para trás
Todo dia é dia de aprender um pouco
Do muito que a vida trás.

Mas muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero (mais)

Chega!
Não me condene pelo seu penar
Pesos e medidas não servem
Pra ninguém poder nos comparar
Por que
Eu não pertenço ao mesmo lugar
Em que você se afunda tão raso
Não dá nem pra tentar te salvar

...veja
A qualidade está inferior
E não é a quantidade que faz
A estrutura de um grande amor
Simplesmente seja
O que você julgar ser o melhor
Mas lembre-se que tudo que começa com muito
Pode acabar muito pior

Publicado por Ana Tropicana às 03:58 PM | Comentários (2)

«Amor Maior»

Simples. Tão simples que dói.


«Amor Maior», Jota Quest
[in Jota Quest: MTV ao Vivo - 2003]





«Amor Maior» - Jota Quest

Eu quero ficar so, mas comigo so eu nao consigo
Eu quero ficar junto, mas sozinho so nao é possivel
E preciso amar direito, um amor de qualquer jeito

Ser amor a qualquer hora, ser amor de corpo inteiro
Amor de dentro pra fora, amor que eu desconheço
Quero um amor maior, amor maior que eu
Quero um amor maior,um amor maior que eu


Eu quero ficar so, mas comigo so eu nao consigo
Eu quero ficar junto, mas sozinho so nao é possivel
E preciso amar direito, um amor de qualquer jeito
Ser amor a qualquer hora, ser amor de corpo inteiro

Amor de dentro pra fora, amor que eu desconheço
Quero um amor maior, amor maior que eu
Quero um amor maior,um amor maior que eu

Então seguirei meu coração ate o fim pra saber se é amor
Magoarei mesmo assim mesmo sem querer pra saber se é amor
Eu estarei mais feliz mesmo morrendo de dor
Pra saber se é amor, se é amor


Quero um amor maior, amor maior que eu
Quero um amor maior,um amor maior que eu

Publicado por Ana Tropicana às 03:47 PM | Comentários (1)

dezembro 20, 2005

Elogio em Tom Maior


«falando...» de bmg

Victória tinha razão (Victória sempre tem razão!): Nana «é sublime», sempre. Mesmo por cima dos anos. Sobretudo, «falando de amor». Assim: de voz vagamente castigada pela vida.


«Esquecendo Você», Nana Caymmi
[in Falando de Amor - 2005]

P.S. - Chegou intacto. Belíssimo. Obrigado!...





Fotos: Nana Caymmi e Dori, representante dos Caymmis, com Daniel, neto de Tom Jobim, durante gravação do CD (Autor: BMG)

Falando de Tom Jobim
Nana, Danilo e Dori Caymmi se juntam a Paulo e Daniel Jobim em álbum que homenageia a obra do "maestro soberano".

Fonte: Revista Época | Autor: Danilo Casaletti | Data: Edição 396 - 19 de Dezembro de 2005


É relembrando sua amizade com Tom Jobim - regada a muito chopp e bolinhos de bacalhau nos bares do Leblon - que Nana Caymmi justifica sua idéia de gravar o álbum Falando de Amor - Famílias Caymmi e Jobim cantam Antonio Carlos Jobim. Junto com ela nesse empreitada, seus irmãos Dori e Danilo - que trabalharam com Tom - e Paulo e Daniel Jobim , respectivamente filho e neto do 'maestro soberano'.

A estreita relação da família começou com os patriarcas Dorival e Tom que foram amigos, confidentes e parceiros. Iniciativa parecida já tinha ocorrido no disco Caymmi Visita Tom (1963) que marcou o encontro dos dois compositores e a estréia do Tom cantor . Mas Nana faz questão de esclarecer que nãos e trata de uma reedição dos disco histórico. 'É um outro momento. Tom não está mais aqui', explica Nana.

Falando de Amor traz 16 faixas e tem a produção de José Milton, fiel escudeiro de Nana, e arranjos de Dori, Paulo e Daniel para faixas como Eu Sei Que Vou Te Amar, Anos Dourados, Desafinado, Praias Desertas, Corcovado, Piano na Mangueira, entre outras.

O álbum ainda traz algumas canções que soam como raridades. É o caso de Bonita Demais, cantada por Daniel Jobim, que até então só tinha letra em inglês, lançada por Tom em 1964. A versão em português é de Vinícius de Moraes e foi encontrada recentemente entre os papéis do poeta. A música, inclusive, faz parte da trilha sonora da novela Belíssima, da TV Globo.

Outra que tem letra inédita é Canção para Michelle, gravada em 1985 como tema intrumental para a minissérie O Tempo e O Vento. 'Fiquei apaixonada por essa música na primeira vez que a ouvi.', conta Nana, que revela ter torturado o amigo para fazer a letra para canção. 'Todas as vezes que nos encontrávamos eu pedia a ele para colocar letra nessa canção'. A tarefa coube ao compositor Ronaldo Bastos e foi registrada por Nana apenas com o acompanhamento de Daniel.

As vozes da Nana, Dori, Danilo, Paulo e Daniel se encontram somente na pouco conhecida introdução de Samba do Avião, que depois ganha decolagem perfeita de Nana. Nas demais faixas, cada um faz sua homenagem ao Tom. Cada um com seu jeito, mas todos mostrando que aprenderam a lição do maestro.

O grande mérito do CD é preservar a música do homenageado. Nada foi desvirtuado. Todas as criações respeitam, como não poderia deixar de ser diferente, a obra do maestro Tom Jobim. Uma aula de música que os cinco aprenderam com ele e agora, definitivamente, provam que foram excelentes alunos.




Fica a entrevista com Nana, na íntegra:




Em entrevista a ÉPOCA Online, Nana Caymmi conta como nasceu a idéia do projeto Falando de Amor - Famílias Caymmi e Jobim cantam Antonio Carlos Jobim e avisa que pretende continuar a gravar a obra do maestro. Ela planeja lançar um disco só com as parcerias de Tom com Vinícius de Moraes e um outro com as trilhas sonoras compostas por Jobim.

Além disso, Nana entra em estúdio no início do próximo ano para gravar um álbum com os sambas-canções de seu pai, Dorival Caymmi. Mais para frente, ela quer lançar outro álbum com os temas de folclore compostos por Caymmi.

O show do álbum Falando de Amor estréia em fevereiro do próximo ano, no Rio de Janeiro, e vai virar DVD.

Confira a entrevista com Nana que, modestamente, confessa. 'Confesso que não pensei que fosse ficar tão bonito, tão gosto de se ouvir! Estou apaixonada por esse álbum'.

ÉPOCA Online - Por que você decidiu revisitar a obra de Tom Jobim nesse momento?
Nana Caymmi- Eu talvez seja a intérprete que mais demorou para dedicar um disco à obra do Tom. Eu gravei diversas vezes com ele no piano. Não fiz ainda por que ainda esteva muito magoada com a morte dele. Quando eu estava fazendo o show Para Caymmi no Canecão, o Danilo (Caymmi) convidou o Paulinho ( Paulo Jobim) e o Daniel para participar do show. Eu olhei para a cara deles e pensei: acho que está na hora de fazermos um disco do Tom. Mas eu não queria nada que lembrasse o Caymmi visita Tom Jobim, mesmo porque ele não está mais aqui. Eles aceitaram a idéia. Mas como todos são muito ocupado, eu decidi tomar a frente do projeto. Fui procurar o repertório sozinho. Depois chamei todos novamente.

ÉPOCA Online - Como foi a escolha de repertório do CD?
Nana Caymmi- Eu queria o Tom no início de carreira, as canções que ele cantava nas boates. O Tom de Copacabana. São coisas que as pessoas ouvem e acham que são músicas inéditas. Todo mundo fica no Chega de saudade, na Garota de Ipanema. Param no João Gilberto. Mas tem muito mais coisa que precisa se tornar popular. Eu vou continuar com outros discos. Quero fazer um só com a parceria de Tom com Vinícius de Moraes. Quero fazer outra com as músicas que ele fez para os filmes...Tem muita coisa. Se fosse em outra país, eu estava feita! Mas aqui tudo depende de dinheiro...É complicado!

ÉPOCA Online - É difícil negociar esse tipo de projeto com as gravadoras?
Nana Caymmi - Bom, isso é um trabalho do meu produtor, o José Milton. Ele tem uma lábia muito boa! (risos). Apresentamos o disco pronto para a gravadora (Sony BMG). Na mesma hora eles aceitaram. Não tivemos problemas.

ÉPOCA Online - Gravar este disco te trouxe uma emoção diferente?
Nana Caymmi- Eu e Tom tínhamos uma ligação muito grande. As vezes penso, tanta gente ruim nesse mundo e Deus resolve levar Tom tão prematuramente. Ele era muito amigo dos meus pais. Sempre moramos no mesmo bairro. Para mim é muito complicado passar pelos locais que ele freqüentava. Há sim toda uma história de dor, mas eu não queria passar isso para o disco. Por isso, eu peguei esse começo de carreira, com letras pequenas , letras de amor...Sei lá, eu não queria pensar que ele não está mais aqui. Mas o Paulinho é a cara dele, me faz lembrar do pai toda hora.

ÉPOCA Online - Então o clima no estúdio foi o melhor possível?
Nana Caymmi- Foi maravilhoso! Trabalhamos arduamente juntos na base. Cada um já sabia o que ia cantar e eles começaram a fazer os arranjos. Depois, cada um foi colocar a voz. Desde o começo eu queria uma coisa simples. Eu não queria fugir muito dos arranjos do originais. Não queria colocar instrumentos diferentes. E sim fazer como Tom fazia com a banda dele.

ÉPOCA Online - Você já dedicou um disco para Caymmi e agora para o Tom...Tem algum outro compositor que gostaria de dedicar um álbum?
Nana Caymmi - Tem tanta gente! Somos tão rico em compositores! Dos antigos eu amor Ary Barroso, Lupicínio, cartola, Braguinha com aquelas marchinhas...Dos mais novos tem Dori e Danilo, Djavan...

ÉPOCA Online - Você concorda com a velha história de que faltam novos compositores?
Nana Caymmi- Compositor não é como ator que vai para um curso e sai gênio. Isso não se aprende. É preciso ter muito talento! Eu lancei vários, como o Kiko Furtado, Dudu Falcão, o próprio Djavan...Tem muita gente boa, mas precisa garimpar. Se eu entrar no estúdio, eu consigo gravar 3 ou 4 compositores novos. Porém, todo artista tem seus compositores preferidos.

ÉPOCA Online - De uns anos para cá, a música tem revelado um geração de novas cantoras. Você acompanha isso? Elas te agradam?
Orlando - As vezes eu sou contra o repertório que elas gravam, não é minha praia. Mas gosto, por exemplo, da Ana Carolina cantando. Quando ela resolve cantar suave é um escândalo! Ainda acho que ela vai fazer uma volta de 90º na carreira. Ele surgiu como uma cantora de impacto, agressiva. Quando eu liguei o rádio outro dia e ouvi ela cantando com o Seu Jorge eu achei lindo! Da Maria Rita, eu ainda não tenho o disco novo. Do primeiro, eu gostei muito. É uma voz fantástica. Musicalmente ela é perfeita. Ela está no juventude da mãe (Elis Regina) que eu, por estar morando na Venezuela, não conheci. Mas é tudo muito autêntico, ela não imita a mãe. É parecido porque é algo que está no sangue. Queriam que ela tivesse a voz de quem? Da Nana Caymmi?

ÉPOCA Online - Por falar em Elis Regina, é verdade que vocês duas não se bicavam?
Nana Caymmi- Elis foi muito amiga até se separar do Ronaldo (Bôscoli). Depois disso ela virou as costas para o Rio de janeiro e ficou contra todos os amigos dele. Aí não dá para segurar com uma pessoa neurótica a esse ponto. Então, me afastei. Ainda teve a história do filho deles, o João Marcello (executivo da gravadora Trama), que foi disputado na justiça. Foi horrível na ocasião. O menino foi muito massacrado pela imprensa e ficou no meio da briga toda. Não posso dizer o que seria das nossas vidas - minha e dela - se a nossa amizade tivesse continuado. Ela nunca me convidou para ir no programa dela. A Elis tinha esse problema com competição. Mas foi isso que aconteceu, não teve briga. Mesmo porque ela tinha um carinho muito grande pelo Dori, que inclusive iria fazer os arranjos do disco que ela iria gravar quando morreu.

ÉPOCA Online - Fazer sucesso ainda te fascina?
Nana Caymmi- Eu não sei se eu fiz esse sucesso todo que as pessoas falam. Eu fui de degrau em degrau, fui conquistando. Sou louca quando criança gosta de mim! (risos) Eu gravei "Fascinação" para uma novela do SBT que entrava depois de uma novelinha infantil chamada "Chiquititas". Aí de repente nos meus shows começou a aparecer um monte de criança para me ouvir cantar. Eu achei ótimo! Na verdade eu acho que já nasci sendo sucesso, ele nunca deu problema para mim...Sempre fui 'filha de'. Nunca fui uma grande venda, mas sempre me preocupei em ficar para história da música brasileira pela qualidade do meu trabalho.










Ficha Técnica:

Lançamento : Falando de Amor - Famílias Caymmi e Jobim cantam Antonio Carlos Jobim
Artistas: Nana, Dori e Danilo Caymmi; Paulo e Daniel Jobim
Gravadora: Sony- BMG


Publicado por Ana Tropicana às 10:30 AM | Comentários (0)

dezembro 08, 2005

«Samba da Criação»

Faça o seu próprio samba: AQUI.

Publicado por Ana Tropicana às 09:56 AM | Comentários (0)

outubro 12, 2005

Taxi

Acordo estremunhada a meio da noite, entre um nevoeiro indeciso de chuvas e ventos que são ecos da tempestade que continua a andar ao largo. E então, subitamente, a madrugada ganha som e não me deixa voltar a dormir.



«Prayers for rain», The Cure
[in Disintegration - 1989]








Fotos: «Night Taxi» (Autor: autor desconhecido)

Publicado por Ana Tropicana às 02:43 AM | Comentários (1)

outubro 02, 2005

Distracções

Para desespero de quem me rodeia (reconheço), continuo, sim, a ouvir o disco da Zélia... «a rir de mim mesma»... distraidamente... distraída.

«Se você não se distrai / a vida fica mais dura / e o tempo passa doendo»




Uma soma de vários acasos fez com que perdesse, um a um, todos os telemóveis. Estou incomunicável. Há três dias, Graças a Deus e à minha distracção. E então perguntam-me como posso estar calma e indiferente diante de tal «tragédia:... todos ao mesmo tempo!» É verdade: Não sobrou um. Para contar história. Para me contarem histórias. Que posso fazer?!... Distraí-me, eu acho. Mas depois dou por mim a cantar, e nunca me parece que o resultado seja, afinal, tão grave assim:... o elevador chega, as estrelas caem, a lua cresce, o dia nasce e a música toca.




«Distração» - de Christiaan Oyens para Zélia Duncan


Se você não se distrai,
o amor não chega,
a sua música não toca,
o acaso vira espera e sufoca,
a alegria vira ansiedade
e quebra o encanto doce de te surpreender de verdade.

Se você não se distrai,
a estrela não cai,
o elevador não chega,
e as horas não passam.
O dia não nasce,
a lua não cresce,
a paixão vira peste,
o abraço armadilha.

Hoje eu vou brincar de ser criança
e nessa dança, quero encontrar você...
Distraída, querida...
perdida em muitos sorrisos
sem nenhuma razão de ser.

Se você não se distrai,
não descobre uma nova trilha,
não dá um passeio,
não ri de você mesmo,
A vida fica mais dura,
o tempo passa doendo,
E qualquer qualquer trovão mete medo
se você está sempre temendo a fúria da tempestade.

Hoje eu vou brincar de ser criança
e nessa dança, quero encontrar você...
Distraída, querida...
perdida em muitos sorrisos
sem nenhuma razão de ser.

Olhando o céu, chutando lata,
e assobiando Beatles na praça
Olhando o céu,hoje eu quero encontrar você.
Hoje eu quero encontrar você.

Publicado por Ana Tropicana às 09:41 AM | Comentários (0)

setembro 23, 2005

«O Samba, a Voz e o Violão»


that same old spot de ana tropicana

Ganhei da Verónica um rosário com 15 pérolas raras. Um «simples» quadrado com um círculo de laser inscrito dentro. Assim como que uma espécie de Pedra Filosofal, em formato 12x15, onde estão contidas as entranhas fundas do "coração-brasilis".

«Moro onde não mora ninguém / Onde não passa ninguém / Onde não vive ninguém / É lá onde moro / Que eu me sinto bem / Moro onde moro ....! »

E ela não percebe esta minha abusiva alegria. E eu não estou certa de alguma vez lhe saber explicar. Porque nunca soube ao certo como se faz para agradecer um tesouro.





Fotos: That Same Old Spot (autor: Ana Tropicana)




Fotos: Panorâmica (autor: Marcão)




Costumava tocar às Terças e Quartas-Feiras no "La Playa", um dos restaurantes mais tradicionais da Ilha do Governador. Ele e aquele dom feiticeiro para escolher à noite os sambas mais belos. Os sambas "dos outros". Sempre. Os sambas-nossos, na verdade: pérolas antigas e delicadas, salvas ao esquecer criminoso do tempo. Salvas por Ele. Só com a voz e o violão. Empoleirado num banco coxo de madeira... E aqueles saborosos pratos da cozinha brasileira, que a Idalene serve como ninguém... E a vista sobre a noite da Guanabara, que cai ali, na última extrema da Praia da Bica, como de nenhum outro lugar... Esse deitar de olho para o Rio ao fundo... no embalo da garganta do Moreno. Como se o Paraíso não ficasse, afinal, tão distante assim do nosso alcance.







Foto: Capa do CD de Nélio Moreno (autor: Paulo Verardo)




Faixas:

01. Aquarela Brasileira (Silas de Oliveira) ouvir | letra

02. Poxa (Gilson de Souza) ouvir | letra

03. Que Se Chama Amor (José Fernando) ouvir | letra

04. Insensato Destino (Chiquinho/Maurício Lins/Acyr Marques) ouvir | letra

05. Malandro (Jorge Aragão/Jotabê) ouvir | letra

06. Deixa Acontecer (Carlos Caetano/Alex Freitas) ouvir | letra

07. Moro Onde Não Mora Ninguém (Agepê/Canário) ouvir | letra

08. Enredo Do Meu Samba (D.Ivone Lara/Jorge Aragão) ouvir | letra

09. O Teu Chamego (Pagon/Lúcio Curvelo/Beto Correa) ouvir | letra

10. Fato Consumado (Djavan) ouvir | letra

11. Mulheres (Tuninho Geraes) ouvir | letra

12. Coração Leviano (Paulinho da Viola) ouvir | letra

13. Nó na Madeira (Eugénio Monteiro/José Nogueira) ouvir | letra

14. O Meu Jeito de Ser (José Fernando) ouvir | letra

15. Verdade (Nelson Rufino/C.Santana) ouvir | letra

























































Fotos: La Playa (autor:Ana Tropicana & Gilberto SantaRosa)




Praia da Bica, 39 - Jardim Guanabara
Ilha do Governador - Rio de Janeiro - RJ
Cep: 21931-076

Telefones: (21) 2466-1007 / 2466-3047
E-mail: contato@laplaya.com.br

Publicado por Ana Tropicana às 03:44 PM | Comentários (0)

setembro 15, 2005

«O Segredo das Lágrimas»


farol de cascais de autor desconhecido

Para celebrar 20 anos de estrada. «Entre amigos», diz-me. Ao fim do dia: resvés com o começo da noite. Estão 29º e, no entanto, chove furiosamente. Como se fossem lágrimas, que não se sabe ao certo de onde vêm, a embater nas vidraças do Farol. Como ondas. Como o mar. Atlântico. Lá em baixo: no sopé dos rochedos. Como se por instantes nos fosse dado viver - em Lisboa - os húmidos climas tropicais de outros meridianos. Mesmo que sem merecimento. Sem nenhum merecimento, há que reconhecer. Como uma espécie de espuma vinda lá de trás. Em salpicos. Como os beijos: aqueles que perdoam. Tudo. Sem excepção e sem perguntas. Ainda que na ausência de qualquer convincente resposta vã. E nem sabemos se (por isso) nos fazem sentir maiores do que na realidade somos, se mais pequenos do que na verdade parecemos.

Podem ouvir-se 30 segundos: AQUI. Seja como for, ter-se-à escutado o mais importante.




Correr. Correr muito. Contra o tempo e os afazeres do dia. Contra atrasos e imprevistos. Contra a confusão das coisas sobrepostas.










Fotos: Farol Design Hotel (autor: Focus )




E chegar a tempo. Chegar no exacto instante dos primeiros acordes, que depois registo assim:





Fotos: Água Lisa (autor: Ana Tropicana )




Como se fosse importante. Como se não fosse só espuma de maré. Só lágrimas de chuva. Tropical. Em Lisboa. Esta noite.




«So Do I» - Paulo Gonzo


You say need somebody in your life
so do I, so do I

you say you wake up crying every night
so do I, so do I

to loose somebody
you build your world upon
leaves you apart when they're gone

Now you feel you want to love again
so do I, so do I

you say you find you'd have now to pretende
so do I, so do I

and look upon it being more than friends
so do I, so do I

love don´t come easy belive me I should know
I´ve love to lost someone before

but if you belive in me the way there I believe in you
woman nothing gonna stop us
until we make our dreams come true

I know that you really wanna try
so do I, so do I

you may say I´m dreaming
but should the dreams come true
now that I´ve found someone like you
you say you got a feeling whith love
so do I, so do I,
so do I, so do I.

Publicado por Ana Tropicana às 08:47 PM | Comentários (2)

setembro 04, 2005

Febres


pafuera telerañas de bebe

A passagem do furacão pelos EUA toma conta de todas as conversas: onde quer que se esteja, é o assunto do fim-de-semana. Fico eu aqui a pensar que o Katrina expõe misérias que vão muito além dos desnorte do Grande Senhor dos Arredores. Depois lembro-me da febre que eu trazia e milagrosamente foi embora. E, então, ocorre-me que não há-de ser muito diferente o remédio que pode curar o mundo:

«La Tierra tiene fiebre / Necesita medicina / Y un poquito de amor / Que le cure la penita que tiene»

AQUI




«Ska De La Tierra» - Bebe


La Tierra tiene fiebre
Necesita medicina
Y un poquito de amor
Que le cure la penita que tiene

La Tierra tiene fiebre
Tiembla llora, se duele
Del dolor más doloroso
Y es que piensa que ya no la quieren

Y es que no hay respeto por el aire limpio
Y es que no hay respeto por los pajarillos
Y es que no hay respeto por la tierra que pisamos
Y es que no hay respeto ni por los hermanos

Y es que no hay respeto por los que están sin tierra
Y es que no hay respeto y cerramos las fronteras
Y es que no hay respeto por los niños chiquininos
Y es que no hay respeto por las madres que buscan a sus hijos

La Tierra tiene fiebre
Necesita medicina
Y un poquito de amor
Que le cure la penita que tiene

La Tierra tiene fiebre
Tiembla llora, se duele
Del dolor más doloroso
Y es que piensa que ya no la quieren

Y es que no hay respeto y se mueren de hambre
Y es que no hay respeto y se ahoga el aire
Y es que no hay respeto y hoy lloran más madres
Y es que no hay respeto y se mueren de pena los mares

Y es que no hay respeto por las voces de los pueblos
Y es que no hay respeto desde los gobiernos
Y es que no hay respeto por los que huyen de doló
Y es que no hay respeto y algunos se creen Dios

La Tierra tiene fiebre
Necesita medicina
Y un poquito de amó
Que le cure la penita que tiene

La Tierra tiene fiebre
Necesita medicina
Y un poquito de amó
Que le cure la penita que tiene

Y es que no hay respeto por el aire limpio
Y es que no hay respeto por los pajarillos
Y es que no hay respeto por la tierra que pisamos
Y es que no hay respeto ni por los hermanos

Y es que no hay respeto por las voces de los pueblos
Y es que no hay respeto desde los gobiernos
Y es que no hay respeto por los que huyen de doló
Y es que no hay respeto y algunos se creen Dios











Foto: La Tierra (autor: Carlos Verlanga)



2004 foi, efectivamente uma ano de experiâncias invulgares, como esta de brincar a Terra como forma de buscar outras linguagens às imagens. Não tenho como mostrar o que daí resultou, mas posso partilhar um pouco do making of.

Para assistir AQUI.


Publicado por Ana Tropicana às 07:05 PM | Comentários (1)

agosto 16, 2005

Kitsch

Ás vezes acontece. Ser muitas coisas numa pessoa só.

Infantil no Sábado de manhã;

Incorrigível no Domingo de madrugada;

Apaixonada à 2ª feira a meio da tarde;

Instintiva à 3ª feira quando começa a escurecer;

Hiper-activa à 4ª feira ao pequeno-almoço;

Exagerada à 5ª feira antes do lusco-fusco;

Cruel à 6ª feira depois da meia-noite;

... and so on, and so on!...









Foto: Elvis Presley (1937 - [autor: autores desconhecidos]

Publicado por Ana Tropicana às 07:54 PM | Comentários (1)

Rei de Copas


capa do single de autor desconhecido

... Are you lonesome tonight?, Elvis Presley

Talvez porque hoje é já véspera de amanhã. Talvez porque em tempo de férias me lembrei de "Graceland". Ou talvez não. «... Tell me dear...?»





Foto: Awake [autor: Ana Tropicana]




«Are You Lonesome Tonight?» - Elvis Presley (composição de Turk e Handman)


Are you lonesome tonight,
do you miss me tonight?
Are you sorry we drifted apart?
Does your memory stray to a brighter sunny day
When I kissed you and called you sweetheart?
Do the chairs in your parlor seem empty and bare?
Do you gaze at your doorstep and picture me there?
Is your heart filled with pain, shall I come back again?
Tell me dear, are you lonesome tonight?

I wonder if you're lonesome tonight
You know someone said that the world's a stage
And each must play a part.
Fate had me playing in love you as my sweet heart.
Act one was when we met, I loved you at first glance
You read your line so cleverly and never missed a cue
Then came act two, you seemed to change and you acted strange
And why I'll never know.
Honey, you lied when you said you loved me
And I had no cause to doubt you.
But I'd rather go on hearing your lies
Than go on living without you.
Now the stage is bare and I'm standing there
With emptiness all around
And if you won't come back to me
Then make them bring the curtain down.

Is your heart filled with pain, shall I come back again?
Tell me dear, are you lonesome tonight?

Publicado por Ana Tropicana às 01:41 AM | Comentários (3)

agosto 14, 2005

Vertigo

Agenda: mega-show dos U2 no Alvalade XXI... «In the name of love" ! Seja, então.

Publicado por Ana Tropicana às 04:29 PM | Comentários (1)

agosto 06, 2005

Bálsamos


prozac de ana tropicana

Existem, pois: afinidades de escrita, estéticas similares, falas gémeas. É por isso que o sangue do europeu pode calhar acordar uma bela manhã a falar Tupi sem que nenhuma mágica outra tenha sido necessária senão essa: o encontro.





Fotos: Poente na Zambujeira do Mar ou Prozac Extra-Forte [autor: Ana Tropicana]




Fica o excerto de mais uma, que eu gosto. Muito. Para escutar na íntegra AQUI.


RESPOSTA
S. Rosa - N. Reis)

Em paz / Eu digo que eu sou / O antigo do que vai adiante / Sem mais / Eu fico onde estou / Prefiro continuar distante / Bem mais que o tempo / Que nós perdemos / Ficou pra trás também / O que nos juntou / Ainda lembro / Que eu estava lendo / Só pra saber / O que você achou / Dos versos que eu fiz/ Ainda espero / Resposta / Desfaz o vento / O que há por dentro / Desse lugar que ninguém mais pisou / Você está vendo / O que está acontecendo / Nesse caderno sei que ainda estão / Os versos seus / Tão meus / Que peço /Nos versos meus / Tão seus / Que esperem / Que os aceite / Em paz / Eu digo que eu sou / O antigo do que vai adiante / Sem mais / Eu fico onde estou / Prefiro continuar distante / Em paz / Eu digo que eu sou / O antigo do que vai adiante / Sem mais / Eu fico onde estou / Prefiro continuar distante.

Publicado por Ana Tropicana às 09:11 PM

agosto 05, 2005

Entrando de Sudoeste


noite de skank de ana tropicana

Continuo em estado de Graça com as maravilhas da tecnologia: a proporção encurtada entre os quilómetros e os minutos, que cede ao alcance de um motor mais possante... a imediatez da imagem entre o celular e a net!... Confesso-me fascinada diante da consumação de possíveis que, aparentemente, as leis da física levariam a desmentir.

Você estava longe, então / Por que voltou / Com olhos de verão / Que não vão entender? / Cada um terá razões ou arpões / Dediquei-me às suas contradições, fissões, confusões / Meu desejo, seu bom senso, raivosos feito cães / E a manhã nos proverá outros pães.

Eu cheguei a tempo de escutar ao vivo, mas pode sempre remediar-se o contratempo da ausência ouvindo AQUI. Chama-se Três Lados








Foto: Ondas de Sudoeste [autor: Ana Tropicana]



Saudades, sim. Fazia-se já demasiado distante a Primavera. Grata pela teimosia, então. Porque, sim, talvez seja verdade, sim: os laços reclamam presença. Benvindos, muito benvindos, Rapazes!


Publicado por Ana Tropicana às 09:23 PM

«Goodbye, so long, my love»


saídas de ana tropicana

Lisboa é uma cidade com cada vez menos para oferecer. Especialmente se é Agosto, se as noites são quentes e se se tem para ela mais tempo livre do que é costume. Olho-a num último relance e percebo que, hoje em dia, a única coisa a que me convida é a deixá-la para trás e atravessar urgentemente para outra margem!...

"Lamentamos, temos pena, mas é assim!"

P.S. - ... A expressão é excelente mas deixo-a aqui com a devida vénia porque paga direitos à autora.







E debaixo de uma certa impressão poética (admito!) que a travessia da Ponte 25 de Abril me causa, ocorre-me uma música dos Skank, iluminada canção feita a meio punho pelo Samuel Rosa e o Chico Amaral. Dentro do cérebro vem-me juntamente com o som dos trompetes de Paulo Márcio e Jorge Echevarria. Como naquele concerto ao entardecer. Na praça central de Ouro Preto.



É Tarde

Se você olhar um pouco ao seu redor / Vai poder notar que a noite já caiu
Se você voltar pra casa e não achar ninguém / Vai notar que na cidade falta alguém
Se você ligar o rádio / Todas as canções irão dizer: Goodbye, so long, my love
Você vai deixar na lista / Das tarefas de amanhã: chorar mais tarde
Se você perdeu agora a ilusão / De que os fatos eram fios em suas mãos
Vai querer tirar do armário o velho violão / Vai notar que ainda falta uma canção
Se você ligar o rádio / Todas elas juntas vão dizer: é tarde / E quando o sol da manhã bater na porta
E quando nada lá fora agora importa / Tudo bem, é tarde.

Pode escutar-se AQUI.

Publicado por Ana Tropicana às 08:19 PM

julho 24, 2005

Transformar "Limão em Limonada"


Zélia Duncan de autor desconhecido

Para arranjar um bocadinho de coragem diante da terrível ideia de estar atrasada, apesar de ser Domingo... É crime perder mais 5 minutos diante de uma coisa bela?

Escuto AQUI.


Publicado por Ana Tropicana às 01:41 PM