abril 27, 2006

Tróia


urgências de autor desconhecido

Hoje acordei a pensar que deve estar a fazer mais ou menos um ano, sobre a implosão de Tróia. Até que uma voz mais avisada me situa: «Só em Setembro!... Foi a 8 de Setembro. Por volta das 16h.» Agradeço! Sim, em Setembro. Claro! Bem vistas as coisas, só podia ter acontecido em Setembro. Setembro - mês das definitivas derrocadas, a começar pelo fim do Verão: imperdoável, indesculpável, inesquecível decepção. Mas também, as implosões vão sendo tantas, que a imprecisão nas datas se torna cada vez mais um detalhe sem importância. Diria mesmo, um "detalhe" esquecido.




Vou confirmar. Cá está... "Exactíssimamente"!

«(...) Às 16:00 horas do dia 8 de Setembro terá lugar a implosão das duas torres, Verde Mar e T04, de 16 pisos cada, do complexo da Torralta, excluídas do projecto de requalificação ambiental e urbanístico da Península de Tróia. A implosão marca o arranque de um projecto, que só deverá estar concluído em 2010-2011.»

in Agência Financeira





Foto: Torres Verde Mar e T04, em Tróia (autor: LUSA)

Publicado por Ana Tropicana às 09:10 AM | Comentários (0)

abril 24, 2006

Dolce Fare Niente


happy hour de ana tropicana

Acordo com fome. Continuo a não gostar de comer sozinha. Na telefonia, alguém canta: «... meia hora pra mudar a minha vida...». Ele há coincidências! Pergunto-me porque não corro, se a manhã já vai alta. Para mim, hoje é feriado, é por isso. Um dia feliz, portanto. Ontem já passou e amanhã é 25 de Abril, dia das lembranças felizes, a provar que o bom dos dias é que nenhuma folha de calendário sobrevive mais do que 24 horas. Café, ovos e pão fresco, á minha frente, sem piquete, sem correrias, sem atropelos, com o céu azul e os pássaros a cantar lá fora, no jardim, e este restauro na alma a tamborilar na pele que "a vida é bela" para quem tem fome e ainda sabe contar o tempo certo das coisas acima da cadência irreversível dos ponteiros do relógio. Grácia!

Publicado por Ana Tropicana às 12:39 PM | Comentários (0)

abril 20, 2006

Mood


atravessada de ana tropicana

O dia está assim, sem estar. Mas paciência!... Faz de conta.

Publicado por Ana Tropicana às 08:53 AM | Comentários (0)

março 13, 2006

Finas Claridades


«uma perspectiva diferente de lisboa» de dt

É assim como um anjo, que tem a paciência rara de ainda se preocupar e me cuida em mimos nos lugares de toda a minha própria displiscência. Quando vem a Lisboa, gosta de dormir por cima da cidade e leva-me a passear pelos telhados.









Fotos: «Uma Perspectiva Diferente de Lisboa» (autor: DT)




Obrigado! Belo o retrato que fica de mim. Reflectido no trespasse da retina artista do olho. Grata, eu.

Publicado por Ana Tropicana às 08:56 AM | Comentários (0)

fevereiro 14, 2006

Ensaios & Experiências


single days de autor desconhecido

Muito bem: as imagens voltaram, por aqui. Menos mal! Continuo em experiências, na Pororoca. Estranha escolha, esta foto. Admito. Mas era preciso escolher uma fotografia de teste: que seja esta, então. Melhor que um qualquer ramo de margaridas colhido à liberdade dos prados para pôr a secar, por vãos caprichos, dentro de um vaso de água. Mas que fique claro que a ideia inicial não era assinalar a data. Gosto muito pouco de calendários. Mas amo doces, sim. É verdade. Coisas doces, com açúcar. Muito doces, de preferência, que eu tenho esta tendência para achar que todo o abuso deve ser excessivo e cometido em rubros. Que "quem quer ser lobo" lhe vista convenientemente a pele, nesse caso. :)


«My Funny Valentine», Ella Fitzgerald
[in Ella Fitzgerald Sings the Rodgers & Hart Songbook - Vol. 2]

Publicado por Ana Tropicana às 09:46 AM | Comentários (2)

fevereiro 10, 2006

Nota Tropicana aos "Navegantes"

Eh!... Parece que durante as últimas semamas um banzeiro atingiu a Pororoca e espalhou um certo caos em redor.

Depois do desespero inicial, lembro-me da lição aprendida a ver o correr implacável do Grande Amazonas: se às vezes tudo se alaga e submerge, é só para que limpar o leito do que o satura, fertilizar o chão por onde as coisas crescem, e preparar uma nova estação mais capaz de receber a vida que não tarda a querer brotar. Não haverá de ser muito diferente com os blogs, do que é com a terra e as pessoas, eu creio.

Assim sendo arregacei as mangas (sem esquecer duas virolinhas nas calças também!...) e estou a tentar reparar o caos que ficou depois desse banzeiro que varreu o template, fez desaparecer colunas e imagens, ocultou entradas e igarapés sinalizados à rede, engoliu posts e descompassou parágrafos.

Creio que por ora o essencial foi restabelecido. Aos poucos tudo o mais regressará, pois que nada do que verdadeiramente nos é importante se perde em definitivo e para sempre.

Como é visível a Pororoca não regressa exactamente igual ao que já foi, mas assim é o natural caminho de depuração das coisas. Aproveito a ocasião para fazer algumas "mexidas" que há muito se impunham para tornar a navegação mais clara por aqui, e que ia adiando para depois, umas vezes por infundada nostalgia, outras por falta de tempo, outras ainda simplesmente por preguiça e comodismo. Quero ainda aproveitar a ocasião para testar algumas novidades que andei ensaiando para introduzir por aqui. Até lá perdoem um certo desalinho no traje, um ou outro fio de cabelo mais fora do lugar, as faces mais coradas e a disponibilidade mais assoberbada, mas é que me surpreendem em plena faxina Da Pororoca ao Tejo...

Proxima prioridade: religar os laços e nós, repôr os links que sumiram da coluna lateral!

Publicado por Ana Tropicana às 09:54 AM | Comentários (1)

janeiro 19, 2006

Mood


morro das margaridas de nicolas s.

Às vezes a fuga é, sim, a mais difícil das artes. E a mais de(l)dicada também.

(...)

Tremenda, esta saudade de casa em que hoje acordo. Fechada em resguardo aqui dentro. Ainda. Todavia.





Foto: Fazenda Morro das Flores, mais tarde Morro das Margaridas (Autor: Nicolas. S)

Publicado por Ana Tropicana às 10:12 AM | Comentários (5)

janeiro 18, 2006

Da Janela da Estação


o inverno, lá fora de ana tropicana

Parece que lá fora faz ainda mais frio, agora. Aqui, hibernada, não sinto. Dizem que lá fora continua a ser Inverno. E eu acredito. Não tenho porque duvidar. Olhando daqui.



«Other Side Of The World», KT Tunstall
[in Eye To The Telescope - 2005]





Foto: O Inverno, Lá Fora (autor: Ana Tropicana)




Esta manhã: vista da janela mais infantil aqui de casa.

(...)

Por momentos, interrompem-se os sons verde&amarelo na minha vitrola.
É ela quem agora me (en)canta aqui.




«Other Side Of The World» - KT Tunstall


Over the sea and far away
She's waiting like an iceberg
Waiting to change
But she's cold inside
She wants to be like the water

All the muscles tighten in her face
Buries her soul in one embrace
They're one and the same
Just like water

The fire fades away
Most of everyday
Is full of tired excuses
But it's to hard to say
I wish it were simple
But we give up easily
You're close enough to see that
You're the other side of the world to me

On comes the panic light
Holding on with fingers and feelings alike
But the time has come
To move along

The fire fades away
Most of everyday
Is full of tired excuses
But it's to hard to say
I wish it were simple
But we give up easily
You're close enough to see that
You're the other side of the world


Can you help me
Can you let me go
And can you still love me
When you can't see me anymore

The fire fades away
Most of everyday
Is full of tired excuses
But it's to hard to say
I wish it were simple
But we give up easily
You're close enough to see that
You're the other side of the world
You're the other side of the world
You're the other side of the world to me

É possível escutar as outras faixas do álbum AQUI

Publicado por Ana Tropicana às 11:02 AM | Comentários (0)

janeiro 11, 2006

Auto da Visitação


inside out de ana tropicana

Agora todos os dias há um estafeta que me visita uma vez por dia (com o perdão da redundância). Gosto desse quase pombo-correio que nem nunca chega a tirar o capacete de besouro e os grandes óculos escuros de mosca. Já quase somos amigos sem falar. Somos breves e práticos. Ele já nem toca à campaínha, o que é uma benção porque os sons estridentes sempre me irritaram. Buzina lá em baixo, eu desço, abro uma nesga de porta, ele passa-me tudo o que traz e, por vezes, eu entrego-lhe o pouco que tenho.

Devia chegar-nos sempre assim, o mundo lá fora: uma única vez por dia e na exclusiva condição de ter algo para nos trazer. Igual ao estafeta com capacete de besouro e óculos de mosca: sem barulho, sem se demorar mais que o necessário, e ainda nos pedir desculpa se acaso se atrasar ou chegar antes da hora.

Publicado por Ana Tropicana às 03:12 PM | Comentários (3)

janeiro 10, 2006

«Claro Como Água»


lisas verdades de ana tropicana

Péssimo diagnóstico. Rápida saída à rua, esta manhã, por extrema e absoluta necessidade. Cá fora o mundo é assim como uma zoeira imparável e confusa, um clamor em arco traçado em abóboda por cima da minha cabeça. Rápida a saída, eu prometi. Péssimo o diagnóstico, eu sei.

(...)

Hoje não páro no quiosque. Não compro jornais. Gasto o dinheiro das notícias num braçado de margaridas na florista do meu bairro, que vende sempre no mesmo pouso fixo: ela e a sua cesta larga, entre dois carros estacionados, uns passos adiante da peixaria da D. Rosa. É bom (muito bom) confirmar que as coisas importantes do mundo continuam no seu lugar.

(...)

O céu está espantosamente azul. Apesar do diagnóstico. Azul como água. Azul da cor da água.

(...)

Acabei de falar ao telefone com Matuk e, de repente, voltou-me ao ouvido essa expressão notável que tantas vezes escutava no País das Ruas Líquidas: «Claro como água». Depois de desligar fico a pensar que também em Portugal a expressão existe. A planura do significado é que nem sempre, ou só muito raras vezes. Pelo menos assim: lisa como a água.

Publicado por Ana Tropicana às 04:05 PM | Comentários (1)

janeiro 07, 2006

Pleno Esplendor da Tarde


verde que te quero verde de ana tropicana

Estranhamente, apoio o queixo no parapeito da minha janela e vejo o jardim verde. Como nos meses quentes. Antes do frio vir gretar tudo: os meus lábios, os ramos nus, a dança dos patos no lago, tudo.





Foto: Verde Que Te Quero Verde (autor: Ana Tropicana)

Publicado por Ana Tropicana às 03:12 PM | Comentários (11)

janeiro 06, 2006

Visão Raio-X


auto-retrato de cuf

«Nada!», dizem. Onde? - pergunto - nos pulmões? «Não! No coração». Ah, bom!.... (grande novidade!) Seja como for: redobram os motivos de alívio. Cada vez menos razões para alarme. «Nenhuma obstrução». Onde? - peço que esclareçam - no coração? «Não, nos pulmões».

... E fico eu a suspeitar que talvez deva rever a minha inabalável confiança nos médicos.

(...)

De volta a casa. Dias exóticos de sinistras experiências.




(...)

Dou comigo a interessar-me subitamente pela técnica do raio-x, mas ninguém liga grande importância à minha curiosidade - diga-se de passagem!... Respondem-me que a descoberta tem mais de um século. Talvez seja por isso! Das duas uma: ou acham que o meu interesse vem atrasado, ou a ideia de ver o invisível já perdeu, entretanto, o entusiasmo da novidade.

(...)

A 8 de Novembro de 1895, Wilhelm Conrad Röntgen, reitor da Universidade Wurzburg, na Alemanha, cansou-se da solidão do laboratório. Arrumou as anotações numa pasta e resolveu continuar o seu trabalho em casa. Antes da noite cair, descobria os raios x.

(...)

Por essa época, andava ele às voltas com tubos de vidro, entretido a colocar-lhes dentro um condutor metálico aquecido, e a observar o que acontecia enquanto este ficava a emitir eletrões em direcção a outro condutor. Acontece que, naquela tarde e já em casa, quando Röntgen ligou o tubo, algo muito estranho aconteceu: perto do tubo, estava esquecida uma placa de um material fluorescente - chamado platino cianeto de bario - que começou inesperadamente a brilhar. Röntgen desligou o tubo e o brilho desapareceu. Ligou de novo e lá estava ele, persistindo mesmo quando colocou, primeiro um livro, em seguida uma folha de alumínio, e depois outro e outro objecto, persistindo qualquer que fosse o obstáculo que colocasse entre o tubo e a placa. Concluiu que alguma coisa, qualquer que ela fosse, saía do tubo, atravessava barreiras e atingia o platino cianeto. Por seis semanas, Röntgen ficou enfurnado no laboratório, tentando entender o que era aquilo que presenciava. No dia 22 de Dezembro pegou na mão da mulher, Bertha, pousou-a sobre o tampo da mesa e colocou uma chapa fotográfica do lado oposto. Por 15 minutos fez a radiação atravessar a mão de Bertha e atingir a chapa fotográfica, do outro lado. Revelada a chapa, descobriu que se viam nela as sombras dos ossos de Bertha, ou seja, a primeira radiografia da história: feita às mãos de uma mulher, por acaso a sua - o primeiro corpo a ser objecto dessa fenomenal descoberta, que é como quem diz e tantos haviam já sonhado, conseguir que o olho humano ultrapassasse a barreira da opacidade dos corpos e ganhasse a capacidade de ver o invisível.

(...)

Se estivesse no lugar de Röntgen, e precisasse de nomear o fenómeno, tenho a certeza que também me haveria de ocorrer chamar os raios de "X" . Bem vistas as coisas, nunca somos assim tão originais a designar o desconhecido. O símbolo é quase sempre e só o mesmo.

Publicado por Ana Tropicana às 10:07 PM | Comentários (4)

janeiro 05, 2006

As Novas Tecnologias da Mata


"uma casa no princípio do mundo" de dudu w.

Nos últimos dias de 2005, fiquei a saber que a Internet chegou enfim à Ilha Encantada, lá nos cafundós do mato, onde as entranhas da Floresta esbravejam, tão viçosas quanto impenetráveis. Mas «não é perfeita, ainda!», avisam-me, «some sem mais nem porquê». Por cima do Atlântico, tento como posso acalmar a euforia e o nervosismo. Garanto que estarei aqui, demore o que demorar a refazer a ligação. Porque sei que 10 minutos, duas horas, um serão, meia dúzia de dias, o que for, é sempre um preço pouco para esta possibilidade nova de ir suavizando a saudade. Estarei aqui, sim: Sem quê, nem mais.

Publicado por Ana Tropicana às 07:39 PM | Comentários (3)

Antípodas


burning horizon de dudu w.

Do outro lado do mundo, Léa conseguiu enfim sossegar os curumins. Traz a cadeira para o alpendre, coa para mim uma chicara daquele café preto como só ela sabe, e vem fazer-me companhia durante a madrugada. Fica noite a fora, a velar-me o sono, a insónia e o ardor da febre. Posso acordar, adormecer... não importa. Sempre que abro os olhos, Léa está ali. Ao meu lado. Não me deixa só um único segundo. Como quem sabe que o abandono é o contrário do princípio de todas as curas.

Vantagens de quem está do lado acordado do mundo: mais pronto no socorro e mais alerta na emergência do que qualquer "112" estacionado umas ruas aqui atrás. Onde ainda continua a ser de noite.

Publicado por Ana Tropicana às 07:18 PM | Comentários (0)

Mood

Pronto, então se é para dizer, eu digo: aquilo que verdadeiramente me irrita - aquilo que definitiva e fatalmente me IRRRRIITTAAAA - é acordarem-me a meio da noite sem nada para dizer, e ficar depois eu aqui, às voltas com uma insónia que dispensava, a desentender-me irremediavelmente com os botões do aquecimento, ora a arder em calor, ora a arrepiar-me em tilintares de frio, e quase a convencer-me de que deve haver sim, uma qualquer inaptidão congénita e profunda, que só assiste às loiras!... Porque daí a achar que o mundo não é justo, é só um passo... E ninguém merece grandes inquietações metafísicas a atravessar-lhe o sono. Não a meio da noite!

Publicado por Ana Tropicana às 01:04 AM | Comentários (0)

janeiro 04, 2006

"Omni-ausências"

Ainda que presa dentro do "lar doce lar", participo de uma reunião de trabalho através das fabulosas artes mágicas que o séc. XXI põe ao serviço da «interactividade». Acho graça à coisa, mas continuo a crer que não havia necessidade extrema...
Passo o resto da tarde a interrogar-me porque razão é assim tão complicado encarar o óbvio: ninguém é insubstituível. Nem na profissão, nem na vida. Os factos demonstram-no serenamente, dia após dia, aliás. Devagarinho, todavia. Como talvez convenha que seja.

Publicado por Ana Tropicana às 07:46 PM | Comentários (0)

janeiro 03, 2006

Mood

Estou aqui a pensar se não estarei demasiado mimada para me entregar a algumas empreitadas que urgem: tentar perceber porque é que a margem direita (mesmo aqui ao lado) cada vez alarga mais, fazendo com que tudo neste blog tenda mais e mais para a esquerda; ordenar a coluna de links de acordo com uma lógica que lhes dê alguma utilidade e se torne perceptível para mais alguém que não apenas eu; deletar do template esta parafernália de referrers que cá foram vindo parar sem eu saber muito bem como; limpar a caixa de correio e quem sabe mudar de vez o email «DA POROROCA AO TEJO» para bem longe do Hotmail; organizar ó arquivo fotográfico; limpar ficheiros e ganhar memória no disco; ligar para a Embaixada do Brasil e para o consulado. Enfim!... Se alguma diferença significativa for visível por aqui, é porque afinal os mimos não atrapalharam assim tanto as potencialidades de um dia inteiro presa em casa.

Publicado por Ana Tropicana às 02:06 PM | Comentários (0)

A «Inspirar Cuidados»


prémio de consolação de divulgação

Em casa, nesse caso. À força, mas com todo o prazer. Valha-me isso!... Boazinha e bem comportada, eu. A «inspirar cuidados», então. Seja! Venham eles: TODOS - os que forem precisos e mais aqueles a que tenho direito. Começo a gostar disto, confesso. Todo o "mal" tem sempre qualquer coisa de providencial, não haja dúvida.

Publicado por Ana Tropicana às 01:06 PM | Comentários (2)

Meia-luz ou Meia-sombra


meias de ana tropicana

A cidade amanhece partida ao meio. À meia-luz ou à meia-sombra. Depende do ponto de vista.

Publicado por Ana Tropicana às 12:22 PM | Comentários (0)

janeiro 02, 2006

Humilhações


os miseráveis de ana tropicana

Regresso a Lisboa. Passo em casa para apanhar o carro. Num banco do jardim, à minha porta está um homem encolhido. Levanta-se. Vem na minha direcção. Talvez chore. Não sei. Parece-me. Começa uma ladaínha que vou tentando entender. Não pelo homem. Não pelas lágrimas (que só me parecem). Apenas porque não gosto de não entender. Especialmente as palavras. As que me são dirigidas. Queixa-se o homem do álcool. Diz que ficou só, que "vendia saúde e alegria", noutros tempos. Diz que não se apercebeu, que era "amigo do vinho", mas que ele não foi seu amigo. No fim. Diz que achava que "mandava no vício". E eu escuto o homem. E eu a escutar o homem e a sua ladaínha. E ele prossegue, encorajado nem sei porquê, se por mim que nada digo, se pelo que ainda lhe enebria as veias ou se por não ter mais nada que fazer. E diz. Diz que caiu "em desgraça". Diz que o álcool lhe "roubou o amor" da sua vida, que perdeu "a mulher",que ela "se cansou" de o disputar com o líquido, que lhe disse à saída que preferia tê-lo "perdido para outra mulher", outro ser humano, enfim. Não um copo. Um frágil copo de vidro, tão fácil de partir e, no entanto, tão mais forte do que ela. Sempre mais importante na mão dele do que ela. E eu estendo-lhe as moedas que trago comigo, volto as costas e vou-me embora a pensar que dispensava ouvir a história e sem nenhum remorso pelo desprezo que subitamente me invade. Deixei-lhe as moedas que tinha. É tudo quanto precisa alguém que prefere perder um amor em troca de um vício: dinheiro para continuar a alimentá-lo e nunca acordar do torpor ao ponto de se aperceber da escolha.

Publicado por Ana Tropicana às 01:30 PM | Comentários (2)

Milagres Acontecem!


toques mágicos de ana tropicana

Perguntam-me, logo pela manhã, que milagre foi esse que fez a febre desaparecer tão subitamente como chegou. Não sei responder com exactidão, mas inclino-me para o facto de não haver mal que se não cure nas mãos de quem verdadeiramente sabe cuidar.

(...)

Tinha-me esquecido de alguma coisa que me lembrei de observar, a primeira vez que entrei na "casa bela". Que é feita de transparências. Que tem telhados de vidro. Muitos. Como se não tivesse medo das pedras.





Foto: Toques Mágicos (autor: Ana Tropicana )

Tinha-me esquecido de alguma coisa que me lembrei de observar, a primeira vez que entrei na "casa bela". Que é feita de transparências. Que tem telhados de vidro. Muitos. Como se não tivesse medo das pedras. Que tem portões abertos por onde cães e gatos entram e saem, sem nunca se perder. Tinha-me esquecido que é grande e soalheira. Até no Inverno, quando faz frio noutras paragens, e tudo é de um gelo sem remédio: desumano e traiçoeiro. Tinha-me esquecido que aqui se dorme de janelas abertas. Porque durante o sono ninguém vem roubar nada pela calada. Nem os sonhos. Volto a reparar no auto-retrato que está na parede. Voltado para a frente. A olhar de frente. A olhar em frente. Lembro-me que é igual ao rosto. Porque há rosto e ele se parece com o que na realidade é. Mesmo depois de pintado: igual. A si. Só. Basta. Que bom! Entro cada divisão sem buscar nada. Como quem sabe que lá encontra tudo. Como eu, agora. Aqui: a achar. Cheira a limpo a casa. Como se o seu odor fosse sem perfume. Como se nem por debaixo dos alicerces passasse um esgoto e no jardim não fosse necessária sarjeta. Por não haver nada podre, nada ruim, decadente ou vergonhoso a precisar de se escoar por subterrâneos à sucapa. Mais distantes da luz. Mais longe do sol, e dos olhos, e da vista, e do mundo, e do coração. Voltei a lembrar-me como é simples de encontrar: a casa. Esta casa: a "casa bela". Até de noite e apesar das curvas. E reparei também que tem o nome escrito na caixa do correio. Como se não quisesse nunca ser reconhecida por qualquer coisa diferente do que é.

Já não me lembrava. Felizmente nunca me esqueci.


(...)

Regresso, agora, a Lisboa.

Publicado por Ana Tropicana às 11:37 AM | Comentários (1)

Assumidamente

Com todos os riscos, vícios e virtudes da pieguice, não consigo partir para o dia sem agradecer este «je-ne-sais-quois» ou quase «presque rien» que faz sempre de mim um ser feliz. Em toda e qualquer circunstância. Mesmo por debaixo de uma ou outra lágrima mal segura. Até quando o que está no redor mais imediato pouco presta e já em nada se aproveita.

Publicado por Ana Tropicana às 11:13 AM | Comentários (0)

janeiro 01, 2006

A Prova


2ª pele de autor desconhecido

Pode ser só por desporto, pouco importa. Interessa, sim, que ainda há à face da terra aqueles que se aventuram na travessia de um deserto.

Publicado por Ana Tropicana às 05:14 PM | Comentários (5)

«Gracias a la Vida!»


«bom dia, alegria!» de ana tropicana

Bem sei que a vida é assim mesmo: irregular de espantos, caleidoscópica a olho nú, enlouquecida mutante de vertiginosos e extremos contrastes... Mas mesmo assim!... Será que alguém me consegue explicar, com alguma coerência: como é possível que depois de um dia acordado para esquecer, se acorde dentro de um despertar inesquecível??! Como, raio, pode isto ser!?


[«Gracias a la Vida», Violeta Parra]




«Gracias a la Vida» - Violeta Parra


Gracias a la vida, que me ha dado tanto.
Me dio dos luceros, que cuando los abro,
Perfecto distingo lo negro del blanco,
Y en el alto cielo su fondo estrellado,
Y en las multitudes el hombre que yo amo.

Gracias a la vida, que me ha dado tanto.
Me ha dado el oído que, en todo su ancho,
Graba noche y día grillos y canarios
Martillos, turbinas, ladridos, chubascos,
Y la voz tan tierna de mi bien amado.

Gracias a la vida, que me ha dado tanto,
Me ha dado el sonido y el abecedario.
Con él las palabras que pienso y declaro,
"Madre,", "amigo," "hermano," y los alumbrando
La ruta del alma del que estoy amando.

Gracias a la vida, que me ha dado tanto.
Me ha dado la marcha de mis pies cansados.
Con ellos anduve ciudades y charcos,
Playas y desiertos, montañas y llanos,
Y la casa tuya, tu calle y tu patio.

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio el corazón, que agita su marco.
Cuando miro el fruto del cerebro humano,
Cuando miro al bueno tan lejos del malo.
Cuando miro el fondo de tus ojos claros.

Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado la risa, y me ha dado el llanto.
Así yo distingo dicha de quebranto,
Los dos materiales que forman mi canto,
Y el canto de ustedes que es el mismo canto.

Y el canto de todos que es mi propio canto.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.

Publicado por Ana Tropicana às 04:29 PM | Comentários (0)

Dia Primeiro


... às vontades e paixões! de autor desconhecido


... à saúde e alegrias! de autor desconhecido


... à força e excelência! de autor desconhecido


... às fúrias e ganas! de autor desconhecido

Uma experiência única, esta. Diria mesmo: irrepetível. Será, com toda a certeza um ano de estreias, novidades e descobertas. Feelings!...

Publicado por Ana Tropicana às 12:22 AM | Comentários (0)

dezembro 31, 2005

Réveillon 2006


celebração de autor desconhecido

Para compensar, faço estoirar a garrafa antes de toda a gente!...

Publicado por Ana Tropicana às 11:02 PM | Comentários (0)

Feliz Ano Novo!

A propósito da passagem de um ano ao outro, faço por me recordar que 2006 há-de irromper aparentemente como novo, mas deixo a opção idêntica ao critério e cuidado de cada um.
Passo veloz para deixar o meu abraço aos "passantes", para lembrar pela boca de Eugénio de Andrade que, depois das taças, das passas e da meia-noite, continua a ser «urgente descobrir rosas e rios / E manhãs claras», e remeto para a «Receita de Ano Novo» de Carlos Drummond de Andrade que está pendurada AQUI na porta, com toda a excelência.

Que a pressa me seja perdoada (... e a ausência do que escrever ou desejar também!).
Feliz Ano Novo!!


«É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras
Ódio, solidão e crueldade,
Alguns lamentos,
Muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
Multiplicar os beijos, as searas,
É urgente descobrir rosas e rios
E manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
Impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.»


[Eugénio de Andrade - 1923/2005]


P.S - Lamento, não era exactamente a minha intenção, mas desta vez vai sem foto. Não há como editar imagens neste momento.

Publicado por Ana Tropicana às 04:10 PM | Comentários (4)

Exemplar


mais perto do céu de autor desconhecido

A Pim vai a caminho da Suíça, fico hoje inesperadamente a saber. Depois de anos sem nenhuma notícia, contam-me "en passant" que vai a caminho do Réveillon nos Alpes, sem grande cortejo, apenas com uma cabana e uma lareira no horizonte. Sinto-me orgulhosa: há, sim, coisas que não mudam jamais. Dimensões que nunca se perdem dentro do peito daqueles que não fazem concessões diante das circunstâncias da vida. E desligo o telefone. E reponho o rumo. O meu rumo. Como convém que seja, diante dos exemplos superiores.

Um abraço muito forte, Pim. Sei que a felicidade seguirá contigo em direcção a 2006. Porque te é devida.

Publicado por Ana Tropicana às 09:19 AM | Comentários (1)

Re(In)trospectiva


efémero de ana tropicana

Madrugada de Dia 27 - Que o candeeiro da minha rua guarde, em minha vez, todas as coisas que vê ressuscitar para depois lhe virem morrer aos pés!


christmas in lisbon 2005 de oswaldo gago

Passa da Meia Noite - Digo: «Há árvores maiores que outras. Em Lisboa está a maior de todas». Dizem-me: «Há brilhos que nunca se perdem nem apagam». É sim! Eu sei. E volto para casa a pensar no desperdício das luzes que só se acendem de noite. Quando já todos dormem. Ou quase.


tchin-tchin de ana tropicana

Jantar de Dia 26 - «Avermelhou». O riso, o coração, outros laços. Continua a ser Natal. Aqui: junto à árvore de ramos cor de amor e dos presentes guardados.


dádivas de ana tropicana

Ainda Antes da Hora de Jantar - ... E eu a pensar: que não seja eu - feliz assim - apenas por me serem satisfeitos pequenos caprichos de Natal!... Que se entenda, enfim, que a menor das tarefas é chegar, pagar, levar e entregar. Que o essencial é sempre aquilo que não se compra, não se anúncia em muppies ou na televisão. Invisível até mesmo na montra mais perfeita!


serpentinas de ana tropicana

Até Ser Hora de Jantar - Gosto deste ritual que sempre une a primeira à última geração da família: ver as luzes de Natal da Baixa. O passo mais lento e amparado dos velhos da família. As brincadeiras em zigue-zague das crias pelos desenhos a preto e branco que a calçada portuguesa traça no chão.


in illo tempore de ana tropicana

Tea Time - «A tradição ainda é o que era». Lanche na Benard no dia seguinte. Sempre. O cheiro a torradas e café moído. Os aventais brancos dos empregados. Igual à infância.


rua garret de ana tropicana

Á Tardinha - passeio pelo meu Chiado. Farejar memórias de tempos doces e seguir em frente, mesmo sem tirar as mãos dos bolsos: «se essa rua fosse minha / eu mandava ladrilhar / com o brilho dos meus olhos / só para o meu amor passar»


pormenores de ana tropicana

Dia 26, Quase Hora de Almoço - Olho com alguma desconfiança para as horas que parecem querer recomeçar já a atropelar-se... Olho com indiferença porque no fundo tanto se me faz. Quanto a mim tenciono fazer o caminho ainda tranquila. E é só por isso que reparo que o tapete de folhas estendido do passeio à berma da estrada é da cor dos teus lençóis, e que a calçada é uma interminável manta de retalhos feita de fragmentos de pedra desiguais: nem sempre geométricos, nem todos do mesmo tamanho, peso e solidez.


contraste de ana tropicana

Dia 26, Pela Manhã - Abro os olhos. Olho em redor. Ainda acordo no mesmo lugar. Reconheço o essencial em meu redor


reprise de ana tropicana

Ainda Cedo na Madrugada - Outra vez a estrada. De novo a caminho. Mais perto de chegar. Mais cedo, desta vez. Quero crer.


after hours de ana tropicana

Serão de Natal - Chá quente e bolo rei. Um abraço antes de dormir. Outra noite feliz.


benção das águas de ana tropicana

Jantar de Natal: a horas - Trocar de roupa a correr e voltar a sair. Vai começar o Jantar de Natal! Não se vê ninguém pelo caminho: as ruas estão vazias e alagadas. A cidade ficou deserta. O reflexo quente das luzes e nas poças de água. O frio a embaciar os vidros do carro. O compasso do limpa-párabrisas. Chove!... Como convém: é Natal, pois então!


desejos de ana tropicana

Quase 20h: atrasada - Enfim o primeiro café do dia. Ligo a máquina instintivamente e fico eu a pensar: que bom que seria se a única sede que me ficasse por matar fosse sempre e só a vontade de um café!...


submerso de ana tropicana

Tarde de Natal - Sem laços e sem embrulhos, eu disse. Nada na manga e nada no sapatinho. Tão só o que é vital nos assista ainda!... As águas têm, é certo, esse divino dom de tudo fazer regressar à superfície. Enquanto correm.


hastes de ana tropicana

Dia 25 - Dia de Natal. Na casa. Porque quando não falta nada, ninguém precisa de mais.


yellow de ana tropicana

Noite de Natal - Acordo a meio da noite. Hora de dormir? Tempo de Acordar?... Lembro-me das coisas que me ensinaram quando ainda era «pequenina»: não se deve fazer barulho antes da hora. Pequenos truques para não espantar o Menino Jesus e o que ele traz para nos oferecer.


votos secretos de ana tropicana

Fora de Horas - Chove mais... Faz mais frio... Mas os carros podem ter asas, e ser pássaros, e voar, e conseguir operar verdadeiros milagres para reduzir o tempo e a distância. Atravesso a cidade deserta enquanto vou pensando o quão maravilhoso seria se a mesma faculdade assistisse aos seres humanos!...


consoada de ana tropicana

Véspera de Natal: entrando - Há corredores que abrem em labirínto para aconchegos que nos reparam da cabeça aos pés. Feliz Natal, Feliz Natal!


a casa de ana tropicana

Véspera de Natal: à porta - Cheguei! Cheguei!... Na verdade nunca sairei daqui. Nunca. Estou parada de mãos cheias. Toco à campaínha da porta do útero e penso no disparate do gesto: sei bem que a encontro sempre aberta de par em par.




de cor e salteado de ana tropicana

Véspera de Natal: a caminho - Ás vezes tenho a sensação que podia fechar os olhos, que ia lá ter sempre e sem engano. Ás cegas e sem tactear. Um fenómeno que me sucede a cada vez que o percurso se faz na direcção dos lugares meus.


"recuerdos" de ana tropicana

Ao Anoitecer - Surpreendo-me a dar conta que tudo o que já não me pode alimentar ou aquecer deixou de me fazer falta. Estico a mão, abro os dedos. Deixo que se desprendam duas ou três folhas do álbum de memórias.


felicidade de ana tropicana

Finalmente 24 de Dezembro - Descubro que, contra todas as expectativas mais optimistas, consigo andar numa alegria sem fim, ainda que apanhada em cheio pelo reboliço dos presentes de Natal, das filas, fitas e embrulhos. Mesmo no epicentro do furor consumista dos shoppings, há que encarar a realidade de frente: sou o ser mais genuinamente feliz que por lá respira.

Publicado por Ana Tropicana às 06:49 AM | Comentários (0)

dezembro 24, 2005

Feliz Natal!!!


árvore natal de ana tropicana

Agarrada às raízes, olhos apontados ao alto, faço o coração soprar ao de leve votos de um Bom (MUITO BOM) Natal para todos. Que a Pororoca me sirva também para deixar um abraço apertado a todos os amigos que não posso tocar daqui.

... Que esta seja, então, uma noite mais verde e mais feliz.
Feliz Natal 2005!

Publicado por Ana Tropicana às 11:57 AM | Comentários (18)

dezembro 18, 2005

Mood


a idade dos «porquês» de partimpim

Acordei sem saber o que pensar dos dias. A precisar de um beliscão, sim.

Publicado por Ana Tropicana às 08:58 AM | Comentários (0)

dezembro 17, 2005

Coração Cor de Mel a Derreter


«... e quando o mundo crescer?» de partimpim

... Só para dizer «Obrigado!» às crias. A TODAS: Biá, Matilde, Laura, Pilar, Maria, Lourenço, Salvador, Gonçalo e Diogo.

Lindo o coro das vozinhas desafinadas a cantar na plateia! Melhor que os óculos da Partimpim e os batuques com palmas de água, e os bigodes de gato arisco, e as asas de borboleta da bailarina cor de rebuçado. Muito Melhor!


«Fico Assim Sem Você», Adriana Partimpim
[in Adriana Partimpim - 2004]

Publicado por Ana Tropicana às 08:36 PM | Comentários (0)

Efeito Surpresa


letras e canções de partimpim

Penso que são 17h 30 e é quase noite. Penso que não gosto do Inverno. Penso que é uma triste ideia caminhar ao lado do mar da Palha com este frio. Penso que estou a andar e não sei para onde vou. Penso que as crias estão com ar de quem esconde algum segredo bem guardado. E depois penso como é tão incrivelmente fácil deixar-me guiar com o passo cego: confiado às crias. E penso que bom que era se pudesse ser sempre assim: passo cego e sempre adiante!...

Deixo-me levar pela mão para onde não sei que vou e, de repente, já não faz mal ser quase noite e fazer muito frio.

Publicado por Ana Tropicana às 08:22 PM | Comentários (0)

dezembro 12, 2005

Mood

Mal acostumada, ainda aninhada no conforto manso destes últimos cinco dias tão próxima das coisas da terra, preparo-me a contra-gosto para regressar ao centro de burburinhos e corropios. Vale-me o ocre do Sol de Inverno contra o céu turqueza, na manhã fria.

P.S. - ... Quantos dias faltam mesmo para as férias de Natal!?

Publicado por Ana Tropicana às 09:06 AM | Comentários (0)

dezembro 11, 2005

Banho Verde


novidade de o boticário

Entrar no dia assim: mergulhando ervas de chá verde. Como se o despertar no rebordo da Floresta amanhecesse ainda no pé da minha rede, ao alcance estremunhado da minha mão.

(...)

Recordo-me do meu próprio espanto (como se não fosse o Brasil o país-berço dos génios publicitários!) ao dar com o slogan na vitrine da loja da Av. das Américas, lá no bairro da Tijuca: «Você pode ser o que quiser», podia ler-se em maiúsculas.
Agora - aqui - a destilar bálsamos de chá verde contra o frio de morte de Lisboa, que vai embaciando por fora os vidros da janela do banheiro, constato mais uma vez que a noção de empowerment se transmite, com elevado teor de eficácia, sempre que implícita nas coisas mais aparentemente triviais do quotidiano!

(...)

Quatro gotas da botica, pele branca em águas verdes e alguns milagres a acontecer. Há, sim: Domingos perfeitos.

Publicado por Ana Tropicana às 09:08 AM | Comentários (0)

Último Capítulo


boi campeão de rede globo

Dou comigo a olhar para o ecran. A princípio é aquele olho de boi que me chama. Como chamou "Tião", fico eu a saber num pronto resgate da trama, feito em arrepio sobre a mesa do restaurante, especialmente para mim, que perdi meses de enredo e preciso conhecer o fio à meada. A princípio foi, pois, olhar aquele boi que se fosse de pano, podia ser o meu... E pergunto-me como terá sido a noite em que passou o último episódio, lá no Amazonas?!... Imagino as cadeiras dispostas na frente das casas, o televisor no parapeito das janelas, voltado para a rua... homens, mulheres, velhos, crianças, casados, solteiros, largados, juntos ou viúvos... todos vibrando com o frame de cada cena em despedida, discutindo alto o destino guardado às personagens, chorando, rindo, batendo palmas, gesticulando e falando alto: vivendo cada história como sua, vivendo em cada história a sua própria história. E comovendo-se: comovendo-se sem o pudor urbano dos que engrossam à sucapa o share da emissora, mas que já perderam o dom de se emocionar.

«Tem histórias que precisam de meses para se resolver. Tem histórias que levam anos. Tem outras que levam muitas vidas.»

Terminou a novela América. Em Portugal.

Publicado por Ana Tropicana às 02:18 AM | Comentários (0)

dezembro 10, 2005

Pretty in Pink


ratzr V3 pink version de motorola

My Whishing List - Um besouro falante novo. Quero este.

P.S. - E sim, tem que ser nesta cor: "marquinhas" assumido.





Foto: Divulgação Oficial (autor: Motorola)



Resigno-me à necessidade: preciso de trocar de telefone. E (pasme-se), desta vez até já sei qual quero. Very femish, eu sei. Paciência! Cansei-me dos modelos radicais: muito promissores, mas demasiado problemáticos. Vai-se ver, a bateria é fraca, a captação de antena perde facilmente o alcance e a verdade é que não são nada, mas mesmo nada resistentes. Um autêntico "flop": recuso-me a cair na esparrela pela terceira vez!

Publicado por Ana Tropicana às 01:46 PM | Comentários (0)

dezembro 07, 2005

A Propósito das «Grandes Ideias»


doces molejos de ana tropicana

Recorda-me: acaso já te terei dito que afinal a felicidade é tão redonda, tão pequena, tão simples e doce, que se pode morder?




Celebrando a folga: de carro, sem saber o rumo. Confiar às cegas, como é bom que seja. Final do dia junto à ria. E eu a pensar "de mim para comigo" que a compensação acaba sempre por chegar: um dia alguém se lembra dessa coisa óbvia que é trazer-me a Aveiro só para comer ovos moles da «A Barrica».





Foto: Ás Portas do Paraíso (autor: Ana Tropicana)





Foto: Doces Molejos (autor: Ana Tropicana)


Publicado por Ana Tropicana às 08:23 PM | Comentários (0)

Por «Mão Cheia»


laranja glacê de ana tropicana

«Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces.
Recomeça.»

Cora Coralina


Durante a tarde fazem-se doces na cozinha do montado. Fico empoleirada na janela a ver o fogão destilar um pomar de aromas, e a perguntar-me que mistério é esse que torna tão simples convencerem-me em verso?!





Foto: Laranja Glacê (autor: Ana Tropicana)




Fica a receita aprendida com D.Rita, que por sua vez a herdou de Cora Coralina que fazia doces com uma mão tão cheia como fazia poemas (... ou vice-versa!):





Doce de Laranja(*) que «fica glaçado por fora e molhadinho por dentro»:


«Tem que ter paciência para tirar a casca bem fininha.
Você corta a laranja no meio, que o gomo sai inteirinho. O principal da laranja é a polpa branca.
Aí, passe água na laranja, leve ao fogo e deixe ferver.
Quando ela estiver mole, tire da panela.

Agora, o grande segredo: a calda em que a laranja foi cozida é a mesma que vai servir para glaçar o doce.
Depois que os pedaços da laranja são retirados e escorridos, a calda que sobra volta ao fogo por mais 10 ou 15 min até atingir uma espessura mais grossa.
Após isso, a gente tira do fogo e passa por uma leve batida, como se fosse clara em neve. Depois a gente passa no doce, para que fique glaçado. Você tem que fazer rápido, caso contrário, a calda fica açucarada, e o doce, em vez de ficar glaçado, fica açucarado, entendeu?!»


* a partir de gravação audio, registado durante a visita a Goiás (Maio de 2004).

Publicado por Ana Tropicana às 03:12 PM | Comentários (0)

«A Importância De Se Chamar Ernesto»


ernesto de ana tropicana

O Ernesto: esta manhã!... no auge do decoro, espojado no sotão, entre os meus "trapos" preferidos. Como se não fizessemos ambos a concessão de nem sempre nos enervarmos mutuamente!... Como se não soubessemos ambos - à boa maneira felina - que também somos capazes de odiar para lá do amor.

... Como se desconhecesse por completo que o tolero apenas pela «Importância De Se Chamar Ernesto»!





Foto: Ernesto (autor: Ana Tropicana)

Publicado por Ana Tropicana às 01:47 PM | Comentários (1)

Complexo de Electra


complexo de electra de ana tropicana

Pânico: a calçada amanheceu outra vez toda cintada de fitas vermelhas e brancas. Conclusão óbvia: hoje volta a ser dia de filmagens aqui, na colina e no jardim. Conclusão elaborada: Conseguir uma previsão de sossego implica estimar o tempo que uma novela da TVI está no ar: ... seis meses? nove? dois anos?? Céus!... É tenebroso pensar que geralmente duram até cair decrépitas ou o José Eduardo Moniz acordar com uma ideia melhor. Prece: Oxalá esse dia chegue depressa!...





Foto: Complexo de Electra (autor: Ana Topicana)

Publicado por Ana Tropicana às 07:20 AM | Comentários (0)

Salvadores da Pátria


feeding de ana tropicana

4h da manhã. Descubro que, entre todas as outras coisas, a noite também é propícia à formulação de regras matemáticas:

Constatação de facto - Os períodos mais criativos são inversamente proporcionais ao equilíbrio alimentar.

Variação sobre o mesmo - A actividade do estômago varia na razão inversa à actividade do cérebro.





Foto: Feeding (autor: Ana Tropicana)


Por maior que seja o caos, por muito que tudo esteja vazio... Há sempre alguma coisa que nos salva a fome!

Publicado por Ana Tropicana às 04:15 AM | Comentários (0)

dezembro 05, 2005

Há Gaivotas Na Minha Rua!


"gaivotas do tejo" de ana tropicana

Céu de chumbo sobre Lisboa. Começa, esta noite, o primeiro debate em televisão para as eleições presidenciais. Céu cada vez mais cinza, do outro lado da janela. O grasnar das gaivotas que subiram do Tejo está por todo o lado. Estou fascinada com a proximidade rasante da asa em vôo: roçandro o vidro, raspando o beiral. Intenso o rumor de porto que rompe o silêncio da manhã. O debate. Logo à noite. (Não esquecer!). Continuo fascinada com as gaivotas que vieram dar aqui. Disparo quase 400 fotos até me dar por satisfeita. Passou uma hora. O debate: mais logo. Ainda falta!... Apresso o passo mesmo assim. Saio de casa. (Atrasada!). Céu cinza sobre Lisboa. Cinza sem chumbo. Deixo a rua à guarda das gaivotas. Céu sem chumbo, agora. Nenhum chumbo.


Post it: acrescentar «uma Nikon nova» à minha whishing list de Natal.





Foto: "Gaivotas do Tejo" (autor: Ana Tropicana)

Publicado por Ana Tropicana às 10:12 AM | Comentários (0)

dezembro 02, 2005

Mood II


a cor das cinzas de ana tropicana

«Um arco-íris se formou no céu» e há 24 horas que, insistentemente, me persegue assim: perfeitamente desenhado. Quando quer que erga os olhos, para onde quer que volte o olhar, lá está ele: nítido e visível... tanto que me acorda aquele samba antigo que, desde então, não consigo parar de cantarolar.



«Novos Tempos», Mart'nalia
[in Pé do Meu Samba - 2002]





Foto: A Cor das Cinzas (autor: Ana Tropicana)





«Novos Tempos» - Mart'nalia


A chuva chega
e ela vem lavar
vem me livrar do mal
É água fresca para aliviar
meu coração que secou
de tanto pranto derramado
pela mágoa
que se instalou no meu peito
de um jeito tão perverso
que hoje se desfaz desses versos
um arco íris se formou no céu
é um sinal que a paz
está de volta na minha alma
sinto calma
são novos tempos enfim
graças à chuva que levou o rancor
me permitindo viver outro grande amor

Publicado por Ana Tropicana às 05:21 PM | Comentários (0)

dezembro 01, 2005

Mood I


dilúvios de ana tropicana

Por estranho que possa parecer, agrada-me a ideia de ver Dezembro chegar assim: prenho e em dilúvio. Quase humano de tão líquido.








Fotos: Dilúvios (autor: Ana Tropicana)

Publicado por Ana Tropicana às 03:36 PM | Comentários (0)

«D»: de "Dezembro" e de "Dilúvio"


protection de autor desconhecido

«Previsão meterológica: os ventos ciclónicos intensificam-se esta 5ª feira. Períodos de chuva intensa com tendência a agravar-se durante a noite.»

(...)

Por toda a madrugada, escutando as bátegas de água e o rugido animal do vento serpenteando entre as telhas e a boca da chaminé, tive uma certa impressão de existir no útero de uma espécie de Arca de Noé talhada no lugar da casa... Quem manda escolher o rebordo da colina para empoleirar a maloca?! Quem manda querer recriar a Casa da Floresta no centro do velho coração da cidade?! A saudade, eu creio. Esta irremediável saudade(benza-a Deus!).





Foto: Protection ou «Nocturno Sem Gatos Mas Com Dilúvio» (autor desconhecido)

Publicado por Ana Tropicana às 06:33 AM | Comentários (0)

novembro 30, 2005

Ligações


navegar, navegar de autor desconhecido


Oba!... Agora sim: a net voltou à maloca!...






Grata por todos os mails. Perdão por não tencionar responder a nenhum. E sim, este ainda é o meu blog. E não, não me sucedeu nenhuma tragédia grave. Grata, de qualquer forma.
Infelizmente, já por várias vezes tinha tido oportunidade de constatar como o Sapo é um péssimo provedor de serviços: demasiadas burocracias, mil e um obstáculos aburdos, e os invariáveis impedimentos do costume. Nada de novo, portanto. A não ser que, desta vez, depois de mais umas quantas incompreensíveis demoras e das inaceitáveis desculpas de sempre, dei comigo a decidir por uma solução de Banda Larga menos limitada. Cheguei à conclusão que há fidelidades que não compensam. E eis que navegar voltou a ser possível.
Há, pois, males que vêm por bem.






Foto: Navegar, Navegar (autor desconhecido - montagem: Ana Tropicana)




Grata, eu (já disse!), aos que, ainda assim, lá foram encontrando uma forma de continuar a bolinar a correnteza Da Pororoca ao Tejo. É certo que não tenciono responder, mas de um jeito ou de outro, saibam que - a espaços - por lá nos fomos encontrando, algures entre o tumúlto das águas e dos seus reboliços.

Publicado por Ana Tropicana às 04:14 PM | Comentários (0)

outubro 11, 2005

Taba


taba/tábua de ana tropicana

Todos nós, de uma maneira ou de outra, queremos um pouco mais do que restará contido nas coisas, antes de as deixarmos.





Foto: Taba/Tábua (Autor: Ana Tropicana)

Publicado por Ana Tropicana às 09:25 AM | Comentários (0)

outubro 10, 2005

Vícios de Cinderela


cinderela de martha menezes

A verdadeira tragédia tem início agora! Próximo objectivo: atingir o supremo vazio absoluto.

Publicado por Ana Tropicana às 03:11 PM | Comentários (0)

outubro 09, 2005

Mood


barulhos d'água de ana tropicana

... E eis que o pronúncio infalível se transforma nesse rumor abrupto de água a cantar contra o zinco das telhas.

Subitamente, custa-me menos estar fechada, custa-me menos ser Domingo, custam-me menos os votos, o plantão, as pessoas ou a ausência delas.















Fotos: Barulhos d'Água (autor: Ana Tropicana)

Publicado por Ana Tropicana às 05:09 PM | Comentários (1)

Infalível


depress de ana tropicana

As previsões acertaram: Lisboa amanheceu mais escura e pardacenta neste Domingo de eleições.




Depois de mais de um ano de seca implacável, parece que as águas escolheram tombar no dia em que mais de 8,7 milhões de eleitores vão às urnas. São as nonas eleições autárquicas desde o 25 de Abril de 1974.




Chuva e trovoada podem surgir em todo o país no dia de ir a votos
Fonte: Instituto de Meteorologia | Data: 07-10-2005 19:56

Domingo o céu apresentar-se-á nublado em todo o país. Períodos de chuva, aguaceiros ou mesmo trovoada podem surgir, pela parte da tarde, em todo o país, mas o mau tempo deverá ter mais incidência nas regiões Norte e Centro do território continental.

O vento soprará em geral fraco, inferior a 20 quilómetros por hora, podendo atingir 30 a 50 quilómetros por hora nas terras altas.

Para o arquipélago dos Açores, o Instituto de Meteorologia prevê períodos de céu muito nublado e também aguaceiros fracos.

Na Madeira, o céu apresentará igualmente períodos de céu muito nublado e aguaceiros.





Foto: Depress (autor: Ana Tropicana)



Publicado por Ana Tropicana às 01:17 PM | Comentários (0)

outubro 08, 2005

Acerca do Exercício dos Desprendimentos


pequenos nadas de ana tropicana

Entrementes, a saga continua. Os processos selectivos são inevitáveis. Há quem diga que vêm com o tempo. Eu acrescentaria que com o espaço também. Seja como for, na ausência dessa desejável dimensão ilimitada, ninguém se pode dar à desmesura de guardar todas as coisas eternamente.

Publicado por Ana Tropicana às 11:25 AM | Comentários (0)

outubro 05, 2005

República de Pirlimpinpin


palmo e meio de ana tropicana

Temos para cardápio de hoje o motivante cenário de um feriado entre armários, gavetas, caixas, cabides e prateleiras. Começa, a partir de agora, o milagre da "multiplicação do espaço" no maravilhoso reino encantado do nº 17. Eta, zorra!...

Publicado por Ana Tropicana às 09:36 AM | Comentários (0)

outubro 04, 2005

Agenda


blonde doll de martha menezes

... E se eu disser que queria mesmo era ficar quietinha, nesse trânsito necessário entre a casa que ainda não é casa e a casa que já não é casa?!

Post it: 21h - show de Paulo Flores na Aula Magna de Lisboa (a noite mais africana do ano!...)/ a partir das 22h - Festa de aniversário das Surflower no Forte de S. Bruno, em Caxias (a noite mais feminina do ano!...) / altas horas - Festa do 6º Aniversário do Lux (a noite mais fashion do ano!...)









Fotos: Festejar-te (autor: Martha Menezes)

Publicado por Ana Tropicana às 07:21 PM | Comentários (0)

Os Espelhos


espelhos de ana tropicana

Olha, reparando bem, todas as superfícies são espelhos por onde se vêem (lisos) os espinhos e vincos da alma.















Fotos: Espelhos (autor: Ana Tropicana)




Não há "segredos". Palavra! Talvez só esse: o de deixar a fala tomar conta de tudo. Até do tempo. Até de ti. Até chegar a ti. E nessa passagem fluída, vens a mim sem sobressaltos, sem nenhuma dor ou constrangimento. Como se fosse tua amiga, o que por acaso até pode vir a ser verdade. Como se nos conhecessemos há muito, o que por acaso ainda é mentira. Só assim: sem "segredos", como vês, a conversar. Porque, de uma forma ou de outra, as palavras sabem sempre o rumo certo das coisas. E levam-nos lá. Como agora: enquanto nos confiamos a elas.

Publicado por Ana Tropicana às 12:47 PM | Comentários (1)

Caixa de Pandora


caixa de pandora de ana tropicana

O problema do espaço resolve-se quase sempre com a confiança. E é só por isso que me ocorre assim, num repente repentista, que só há uma pessoa no mundo que pode ser fiél depositária do que tenho de mais precioso e não posso levar comigo agora.

Post-it : Comprar uma caixa (sem cadeado) amanhã de manhã.





Foto: Caixa de Pandora (autor: Ana Tropicana)




«O fiél depositário não pode remover, alterar o estado, utilizar, vender ou hipotecar a mercadoria que lhe é entregue, sem autorização da entidade competente, sujeitando-se às responsabilidades impostas por lei se não fizer inteira e completa entrega daquela mercadoria quando lhe for exigido.»

in Código de Processo Penal


Publicado por Ana Tropicana às 03:31 AM | Comentários (0)

Arriving Lisbon


from atlantic to lisbon de ana tropicana

Nos tempos que correm, pode um vôo adiantar-se dois dias e algumas horas ao placard electrónico? Pode?? Pode alguém esperar quem já chegou? Pode?? Pouco importa, na verdade. Milagres acontecem, eu sei. Não todos os dias, ou não seriam milagres. Mas acontecem, sim. Como hoje, que voltamos a acordar do mesmo lado do mundo. Tardava. Tardava tanto! Demasiado.





Foto: From Atlantic To Lisbon (autor: Ana Tropicana)

Publicado por Ana Tropicana às 03:00 AM | Comentários (0)

outubro 03, 2005

Agenda

... E depois para somar à ideia, lembro-me que tenho um pequeno-almoço marcado junto ao Tejo e que vou gostar de ver o sol cair a eito sobre a pedra. Daqui a pouco. Para começar o dia.

Post-it: Fazer um esforço e não parar pelo caminho. Deixar para tomar café só no CCB.


Publicado por Ana Tropicana às 07:38 AM | Comentários (0)

Mood

Porque é dia 03 de Outubro e não tarda nada hão-de ser 13h, acordo a pensar que há dias bons e que o que eles têm de melhor é serem naturalmente assim: melhores que outros.

Publicado por Ana Tropicana às 07:28 AM | Comentários (0)

setembro 27, 2005

Mood


bica ao balcão de ana tropicana

É no mínimo cruel: debater «Comunicação, Ética e Política» às 09:00 da manhã! Se o arrependimento matasse, a resposta agora seria "Não, muito obrigado!".

Publicado por Ana Tropicana às 07:56 AM | Comentários (0)

setembro 25, 2005

Galeão


terminal 2 de Gilberto SantaRosa

17:20 - de volta ao Galeão.





Foto: Terminal 2 (autor: Gilberto SantaRosa)

Publicado por Ana Tropicana às 05:33 PM | Comentários (0)

A Certain Need of Warm and Rest


caribeña de f.marino

Desejo aos outros o mesmo que desejo para mim: dias com sol (... for those who have a certain need of warm and rest). Creio que basta.




Consulto a metereologia: pode não ser nada comigo, mas gostava que fizesse um sol explendoroso, nos próximos dias.








Na verdade, as previsões não são as melhores!... Consulto a CNN porque é imbatível: nunca falha. Vamos lá a ver...


















... Nada feito: «Scattered Thunderstorms», everywhere!!! De Norte a Sul. Na Costa do Pacífico tanto quanto na Costa Atlântica. Infelizmente.
... Mas também, será que as agências de viagens não avisam os clientes que, por estes meridianos, paralelos e cercanias, Setembro é um tiro em cheio na estação das chuvas??!

Publicado por Ana Tropicana às 07:36 AM | Comentários (0)

setembro 24, 2005

Mood

«Paraná» e «Panamá»: palavras (no mínimo!) impertinentes, a resvalar-me na língua e que confundo sem remédio pelo resto da noite. Como se fossem semelhantes!... Como a chuva: aqui e lá.

Publicado por Ana Tropicana às 11:41 PM | Comentários (0)

Cheers!


jasmim de ana tropicana

Sábado. Edifício Jasmim. Desfocamos à mesma mesa três celebrações. Distintas. Paralelas. Como as vidas. As nossas.

























Fotos: Jasmim (autor: Ana Tropicana)

Publicado por Ana Tropicana às 11:18 PM | Comentários (0)

setembro 23, 2005

Última Hora

Fim de Semana: Ir até AQUI e ficar a dormir AQUI (desta vez é indiferente o andar, com a salvaguarda de que 10º e 11º andar... nem pensar!). Pode não ser muito sensato, mas há que tirar partido das abençoadas imunidades ao jet-legg.




















Fotos: Premiére (Autor: Dominique Valansi)

Publicado por Ana Tropicana às 01:44 AM | Comentários (2)

setembro 22, 2005

Foot Prints


foot prints de ana tropicana

Sentada na soleira da porta, penso na enorme quantidade de coisas que cabem para ser feitas nas primeiras horas de uma simples manhã, aparentemente igual a todas as outras: plena dos circunstanciais constrangimentos das horas impostas pela rotina, que contornamos "com jeitinho".





Foto:Foot Prints (autor: Ana Tropicana)



Não, não me incomóda o soalho espezinhado, nem as pegadas de cal sobre o pó fino que ainda cobre tudo. Olho para este imenso patinhado como marcas solenes do início de alguma coisa que ainda não sei o que é. Gosto da ideia. Agrada-me que assim seja. A casa nova começa a ter história. São os primeiros registos das memórias que lhe hão-de ficar associadas, eu sei. Como este: o das pegadas das pessoas que estão ao meu lado, na altura certa, para me ajudar a pô-la de pé... e que nem quero pensar no trabalhão que darão a limpar!

Publicado por Ana Tropicana às 08:03 AM | Comentários (0)

setembro 19, 2005

«Brain Pattern»

Continuamos em teste, eu e as pré-adolescentes eléctricas. Entretanto chocamos de frente com uma nova descoberta: pode, sim!... ser o funcionamento mental um imbricado enigma cheio de ramificações contraditórias. Ou não?!




Faço o teste. Eis o resultado:






Your Brain's Pattern



Your mind is a firestorm - full of intensity and drama.

Your thoughts may seem scattered to you most of the time...

But they often seem strong and passionate to those around you.

You are a natural influencer. The thoughts you share are very powerful and persuading.

What Pattern Is Your Brain?





Volto a fazer o mesmo teste, cinco minutos depois. Eis o resultado:






Your Brain's Pattern



You're a simple thinker, and this is actually a very good thing.

You don't complicate matters when you don't have to.

You look for the simplest explanation or solution, and you go with that.

As a result, your mind is uncluttered and free of stress.

What Pattern Is Your Brain?



Descubro que a brincadeira só serviu, afinal, para me deixar a braços com uma dúvida existencial terrível: a contradição óbvia entre os dois resultados é um problema meu ou do quiz?!

Publicado por Ana Tropicana às 01:03 PM | Comentários (0)

«Hidden Talent»

Peço perdão, mas tinha que entreter quatro pré-adolescentes de alguma forma para me manter vigilantemente online. Vai daí, sucumbi à tentação fácil dos Quiz Test.







Your Hidden Talent



You are a great communicator. You have a real way with words.

You're never at a loss to explain what you mean or how you feel.

People find it easy to empathize with you, no matter what your situation.

When you're up, you make everyone happy. But when you're down, everyone suffers.

What's Your Hidden Talent?

Publicado por Ana Tropicana às 12:36 AM | Comentários (0)

setembro 18, 2005

Mood


lã da serra da estrela de ana tropicana

Absolutamente deprimente: resisti até onde me foi possível, mas não aguentei mais - hoje, depois de muitos e muitos meses, tive que calçar meias. Impressionante como um acto tão banal pode carregar tanta angústia. Morro perante a evidência de que o Verão está a chegar ao fim e só vai voltar daqui a um ano. Quero fugir daqui, URGENTE!!!

Publicado por Ana Tropicana às 03:59 AM | Comentários (0)

setembro 16, 2005

Leaving Lisbon


from tejo to atlantic de ana tropicana

11:00 - Um ronco no céu, sobre mim... e alguma coisa a vir ,subitamente, recordar-me da libertadora sensação de ver, do ar, Lisboa ficar para trás. Saudade!... Muita saudade (confesso!) desse mágico golpe de asa que nos deita ao largo.





Foto: From Tejo To Atlantic (autor: Ana Tropicana)

Publicado por Ana Tropicana às 12:15 PM | Comentários (0)

«Frágil»


frágil de ana tropicana

Olho em redor. Começo a desmanchar o espaço. Sem dó nem piedade. Só aquele peso irreparável que vem da absoluta impotência diante das escolhas inevitáveis. Em quinze minutos o caos toma conta do lugar das coisas. Do que era a casa e já não é. Do que aos poucos se transforma em coisa nenhuma.










Foto: «Frágil» (autor: Ana Tropicana)




Não sei porquê, passo a madrugada entre caixas e caixotes, a cantarolar sempre o mesmo punhado de versos soltos.




«Frágil» - Jorge Palma


Põe-me o braço no ombro
Eu preciso de alguém
Dou-me com toda a gente
Não me dou a ninguém
Frágil
Sinto-me frágil

Faz-me um sinal qualquer
Se me vires falar demais
Eu às vezes embarco
Em conversas banais
Frágil
Sinto-me frágil

Frágil
Esta noite estou tão frágil
Frágil
Já nem consigo ser ágil

Está a saber-me mal
Este Whisky de malte
Adorava estar "in"
Mas estou-me a sentir "out"
Frágil
Sinto-me frágil

Acompanha-me a casa
Já não aguento mais
Deposita na cama
Os meus restos mortais
Frágil
Sinto-me frágil

Frágil
Esta noite estou tão frágil
Frágil
Já nem consigo ser ágil

Publicado por Ana Tropicana às 07:05 AM | Comentários (0)

setembro 14, 2005

A Propósito da Noite Quente

Acordar a meio da noite para beber água. Encontrar Brasília a piscar no monitor e, sem saber bem como, tropeçar em alguém que ainda se distrai diante do cheiro "exuberante" das alfarrobas. E depois escreve. Como se tivessemos sido nós sem saber.

«Se ao menos tivéssemos suspeitado que o tempo/ muda as coisas de lugar/ e acima de tudo nos muda / e haveria de mudar sobretudo os lugares que ocupávamos/ quando a alegria transbordava nas mesas.»

Volto para a cama. Não sei se por ser tarde ou se por ser ainda demasiado cedo.

Publicado por Ana Tropicana às 05:05 AM | Comentários (0)

setembro 13, 2005

Perguntas Difíceis

... E ela pergunta-me: «Porque será que o lugar onde sempre és mais feliz fica entre os miseráveis?!». Lembro-me dos Clássicos. Ainda penso em Vitor Hugo. Mas não sei responder. Porque é verdade.

Publicado por Ana Tropicana às 08:14 PM | Comentários (0)

Belas Surpresas


expresso de ana tropicana

Nunca imaginei que o simples pousar da xícara prometida, à minha frente, pudesse mudar tudo o que estava sobre a mesa.

Pelos cálculos, terá sido mais ou menos por estes dias. Há coisa de um ano atrás. Um expresso que continua a ter um sabor único. O melhor expresso do mundo, para dizer a verdade.

























Fotos: Expresso (autor:Ana Tropicana e Maria Branco)

Publicado por Ana Tropicana às 08:59 AM | Comentários (0)

setembro 07, 2005

Filhos de Um Deus Menor

Um estudo recente da National Aboriginal and Torres Strait Islander Survey revela que a probabilidade de uma criança indígena não sobreviver até aos cinco anos de idade é cinco vezes maior do que a das outras crianças.


Publicado por Ana Tropicana às 06:11 PM | Comentários (0)

setembro 06, 2005

Mood


alarmes de ana tropicana

Chegaram as primeiras chuvas. Acordo de frente para a realidade: tenho cada vez mais dificuldade em vislumbrar Lisboa.













Fotos: Alarmes (autor: Ana Tropicana)



Passaram algumas horas desde que abri os olhos. Entretanto já andei pela rua. Nada do que amanheceu pardacento se alterou grandemente...

(...)


... Claros sinais de pânico: a mescla de humidade branca continua a pender sobre a cidade. As ruas escorregam. O chão derrapa nas curvas e nas esquinas. Gosto cada vez menos de clandestinas solidões. As saudades de casa começam a gritar demasiado alto. Tenho medo de não saber como suportar mais um Inverno aqui. Sem calor, sem luz, sem sol, sem mar, sem energia, sem saúde, sem tempo, sem liberdade. Sem poder vestir a minha roupa, descalçar-me dos sapatos, comer o que me dá fome, fazer as coisas que me agradam, andar por onde gosto, ser igual a mim. A cor a fugir, a pele a desfazer-se, o rosto a transformar-se. Tudo mais feio, tudo mais triste. Preciso urgentemente de uma âncora, de boas razões, motivos válidos... qualquer coisa que me segure aqui. Preocupantes os sintomas. Grave o diagnóstico. Distante a cura.

Publicado por Ana Tropicana às 11:00 AM | Comentários (1)

setembro 03, 2005

"Forever and Ever"


promisses de ana tropicana

Na Lisboa antiga, quando é Verão, há sempre um qualquer casamento, num qualquer adro de igreja, a atormentar-nos o Sábado, logo pela manhã.





Foto: Promisses (autor: Ana Tropicana)


... E não sei porquê, vem-me à ideia uma música dos U2.



All I Want Is You - U2 (sugiro a versão com Tom Petty e Benmont Tench)

You say you want a diamond on a ring of gold
You say you want your story to remain untold

All the promises we made from the
Cradle to the grave
When all I want is you

You say you'll give me a highway with no-one on it
Treasure just to look upon it
All the riches in the night
You say you'll give me eyes on a moon of blindness
A river in a time of dryness
A harbour in the tempest

All the promises we made from the
Cradle to the grave
When all I want is you

You say you want your love to work out right
To last with me through the night
You say you want a diamond on a ring of gold
Your story to remain untold
Your love not to grow old

All the promises we made from the
Cradle to the grave
When all I want is you

All I want is you




Foto: Stone Words (autor: Ana Tropicana)

Publicado por Ana Tropicana às 02:57 PM | Comentários (0)

Mood


dolce vita de brigitte

Volto a lembrar-me que afinal odeio telemóveis. Entretanto, entretenho-me a olhar em volta, para me esquecer que ainda não passaram cinco minutos desde que fechei a porta de casa. Há um ministro a ler o jornal como se não fosse governo; um polícia a guardá-lo de longe como se nunca o tivesse visto; três espanholas a olhar o miradouro como se não fossem turistas; um sem-abrigo a vender a Cais como se não precisasse de dinheiro; uma grávida com uma criança pela mão com se gostasse de ser mãe; e eu a tomar o primeiro café do dia como se ainda houvesse tempo.





Foto: Dolce Vita (autor: Brigitte)

Publicado por Ana Tropicana às 02:26 PM | Comentários (0)

agosto 28, 2005

Sob o Signo do Fogo


engolidora de fogo de ana tropicana

Olho no recorte da noite de lua minguada, as duas engolidoras de fogo. Reparo nos pés nús sobre a areia da praia. E percebo que o que resulta belo não é o domínio das chamas, mas o respeito pelo que arde. Percebo a enorme diferença de efeitos que existe entre cuspir e engolir. Reparo que não brincam com o fogo. Antes deixam o fogo brincá-las. Como quem sabe que nada do que é sagrado se profana. As duas engolidoras de fogo. Esta noite. Ainda agora, há pouco: lá em baixo, na praia.















Fotos: Engolidora de Fogo (autor: Ana Tropicana)



A rapariga na foto chama-se Catarina. Quer esquecer-se do apelido. Fugiu dos estudos, da casa, das regras do berço. Corre as praias do litoral a engolir fogo. Algures encontrou a Mónica. Tinham um mesmo fascínio: as chamas. Conversam pouco. Confessam que às vezes ficam vários dias em silêncio por não terem o que dizer uma à outra. Dormem onde calha. Passam sede juntas e alguns outros sobressaltos também. Nunca nenhuma falhou quando a outra precisava. Só por isso acham que são amigas. Se conseguirem poupar o suficiente, no final de Outubro vão atrás dos saltimbancos que ainda povoam algumas planícies da Andaluzia. Sonham correr um dia a Roménia, mas não explicam porquê. Também não pergunto: elas lá sabem. Querem ver mais, saber mais, aprender mais. Dispensam os truques. Gostam das coisas reais. Palpáveis, como o fogo. Boa sorte, ás duas!


Publicado por Ana Tropicana às 04:27 AM | Comentários (0)

agosto 27, 2005

Fim de Agosto


mergulho de kika

Dias de flutuante. Ao largo. De vela panda. Sem cárcere. Tempo mamífero de férias. Quase a terminar.




Não sei

Não sei se eras de sal, areia ou espuma,
se eram algas os fios do teu cabelo,
se saíras do mar ou de nenhuma
outra coisa que não o meu apelo.

Não sei que sol do sul irradiavam
as tuas mãos, de súbito estendidas
para estas mãos que há muito as esperavam.

Apenas sei que, ao fim de tantas vidas
que vivi prisioneiro dos meus medos,
me descobri liberto entre os teus dedos.



Torcato da Luz, 2005

Publicado por Ana Tropicana às 08:22 AM | Comentários (3)

agosto 25, 2005

Abraços


louis de del

Volto parcialmente à caixa de email, porque tudo aqui tem dias. Daquela varanda soalheira de Barcelona chega notícia de que Setembro será, contra tudo o que se podia supôr, um mês em excelente companhia! Aguardarei feliz, nesse caso, enquanto vou pensando que é bem verdade que há sempre uma janela que se abre. Sempre.





Publicado por Ana Tropicana às 12:44 PM | Comentários (1)

agosto 24, 2005

"O Jogo das Contas de Vidro"


Inside de ana tropicana

Escuto de longe que Portugal continua a consumir-se em brasas mal apagadas, achas de um fogo fátuo ateado longe da razão. Impressionante como, apesar da distância, me chega ainda uma ou outra faúlha, chispas incandescentes, centelhas ainda rubras de um mal antigo. Restos tristes de um pais que insiste em nao se erguer das cinzas!...

P.S. - Lamento, estavamos a ir muito bem de acentos, esta noite, mas o teclado desistiu de cooperar antes do fim!...









Fotos: Inside Composition [autor: Ana Tropicana e Evan Kyle]

Publicado por Ana Tropicana às 02:54 AM | Comentários (2)

agosto 23, 2005

Stairway to Heaven


sol azul de ana tropicana

"There's a lady who's sure all that glitters is gold"

Ele ha penumbras!... Luzes coadas, horas feitas fora de hora, coisas raras e sem defeito, cores geometricas, misterios ao alcance do misterio. Num cobalto atravessado ao Atlantico. Gracas vivas, viveres sem espera. Ele ha pemumbras!





Stairway to Heaven - Led Zeppelin

There's a lady who's sure all that glitters is gold
And she's buying a stairway to heaven
And when she gets there she knows if the stores are closed
With a word she can get what she came for


Woe oh oh oh oh oh
And she's buying a stairway to heaven

There's a sign on the wall but she wants to be sure
And you know sometimes words have two meanings
In the tree by the brook there's a songbird who sings
Sometimes all of our thoughts are misgiven

Woe oh oh oh oh oh
And she's buying a stairway to heaven

There's a feeling I get when I look to the west
And my spirit is crying for leaving
In my thoughts I have seen rings of smoke through the trees
And the voices of those who stand looking

Woe oh oh oh oh oh
And she's buying a stairway to heaven

And it's whispered that soon, if we all call the tune
Then the piper will lead us to reason
And a new day will dawn for those who stand long
And the forest will echo with laughter

And it makes me wonder

If there's a bustle in your hedgerow
Don't be alarmed now
It's just a spring clean for the May Queen

Yes there are two paths you can go by
but in the long run
There's still time to change the road you're on

Your head is humming and it won't go because you don't know
The piper's calling you to join him
Dear lady can't you hear the wind blow and did you know
Your stairway lies on the whispering wind

And as we wind on down the road
Our shadows taller than our souls
There walks a lady we all know
Who shines white light and wants to show
How everything still turns to gold
And if you listen very hard
The tune will come to you at last
When all are one and one is all
To be a rock and not to roll
Woe oh oh oh oh oh
And she's buying a stairway to heaven

There's a lady who's sure all that glitters is gold
And she's buying a stairway to heaven
And when she gets there she knows if the stores are closed
With a word she can get what she came for


And she's buying a stairway to heaven

Publicado por Ana Tropicana às 09:46 PM | Comentários (0)

agosto 22, 2005

Highway


andamentos de john stone

Um brinde, entao!... Aos caminhos. Aos numeros impares. Aos caminhos impares.

P.S. - Quando, enfim se encontra uma ligacao, torna-se um caso menor que o teclado nao permita acentos.

Publicado por Ana Tropicana às 07:14 PM | Comentários (0)

agosto 15, 2005

Factos

Um pensamento inquietante, à hora do jantar: por estranho que pareça, os marinheiros também se podem afogar.

Publicado por Ana Tropicana às 10:11 PM | Comentários (0)

Mood


olho da mata de ana tropicana

A Floresta ensina a confiar. Não adentra a Grande Mata quem não confia. Ali, entre tantas outras coisas, eu reaprendi que há caminhos que pedem a mão.




A Floresta ensina a confiar. Não adentra a Grande Mata quem não confia. Ali eu reaprendi que há caminhos que pedem a mão. Porque quem não nos quer bem não se aproxima. Sabe que nada tem a fazer junto de nós e por isso mantém-se ao largo. É assim na Floresta: nada se dissumula, tudo chega nú e de frente. Tudo é claro e nenhuma coisa tem a vã pretensão de parecer ser o que não é. A Floresta não despreza o fruto que azeda, nem o espinhaço que fere, nem o bicho que mata, nem a folha que envenena. Pede apenas que não se ofereçam enganadores, e é por ser assim que é menos atraente o fruto azedo, mais agudo o espinho, menos acessível a folha venenosa, menos afável o animal feroz. Os povos da Floresta traduzem com o termo "traição" cada ocorrência que viole esta regra simples. O curioso é que o mesmo se aplica - sem grande distinção - ao Homem Branco, a cada vez que chega afável, com palavras de bem-querer e, todavia, sem a atenção e o cuidado daqueles que verdadeiramente trazem o zelo no coração. São esses "os que traem": os que a Grande Mata despreza, expulsa dos seus recantos e prefere longe e sem notícia. Para que não espalhem sobre o puro chão as suas lições de mentir, para não contaminarem as limpas águas dos igapós com as suas roupagem enganadoras, nem encherem as malocas da difícil arte de bem ocultar.
Pelos caminhos da Floresta se aprende, como eu aprendi, o valor de um olho sábio e uma palavra confiável. E quando um mateiro diz: «vem por aqui» é porque avançar é plenamente confiável. Nada a recear, portanto. Confia-se, sim. Cega e incondicionalmente, como na verdade sempre me pareceu que devia ser a correcta forma de viver, o correcto sentido de rumar em alguma direcção.

Publicado por Ana Tropicana às 12:54 PM | Comentários (2)

Mood

Manhã alta levantou-se, súbito, um vento forte que entra a barra do porto, vindo do Sul. Um vento que chocalha o carrilhão da varanda, faz bater todas as janelas que estavam abertas e tudo levantar vôo por aqui!

Publicado por Ana Tropicana às 11:24 AM | Comentários (1)

No Palácio do Rei do Mar


ray of light de ana tropicana

«Talvez eu vá ficando igual à armadilha da qual os pescadores dizem ser apenas água.»

... Por isso entro no teu quarto e conto-te em silêncio coisas do amanhecer.













Foto: Ray of Light [autor:Ana Tropicana]




«E (...) quase me cega a perfeição como um sol olhando de frente. (...) De forma em forma vejo o mundo nascer e ser criado. Sem dúvida um novo mundo nos pede grandes palavras, porém é tão grande o silêncio e tão clara a transparência que eu muda encosto a minha cara na superfície das águas lisas como um chão. (...) As imagens atravessam os meus olhos e caminham para lá de mim. Talvez eu vá ficando igual à armadilha da qual os pescadores dizem ser apenas água. (...) Ressoa a vaga no interior da gruta rouca e a maré retirando deixou redondo e doirado o quarto de areia e pedra. (...) Desertas surgem as pequenas praias. Eis o mar e a luz vistos por dentro. (...) Os palácios do rei do mar escorrem luz e água. Esta manhã é igual ao princípio do mundo e aqui eu venho ver o que jamais se viu. O meu olhar tornou-se liso como um vidro. sirvo para que as coisas se vejam. (...) Aqui um líquido sol fosforescente e verde irrompe dos abismos e surge em suas portas. (...) A linha das águas é lisa e limpa como um vidro. (...) Tudo está vestido de solenidade e de nudez. Ali eu quereria chorar de gratidão com a cara encostada contra as pedras.»

Adaptação a partir de As Grutas, de Sophia de Mello Breyner Anderson

Publicado por Ana Tropicana às 08:14 AM | Comentários (0)

agosto 14, 2005

«Night & Day»


night & day de ana tropicana

... Sim, «é suposto ser assim».





Foto: Night & Day [autor: Ana Tropicana]

Publicado por Ana Tropicana às 12:20 PM | Comentários (0)

agosto 12, 2005

Mood

Jantar ainda à luz do dia. No melhor indiano que conheço a Lisboa: forrado a sebosos azulejos de casa de banho e com uma luz parda pegajoso-depressiva. O "mensalão" abre o telejornal. As declarações de ontem do Lula: devidamente recortadas e tricotadas, como convém. Para o diabo com o Fukuyama!... Muda de conversa que estavas até a ir muito bem, esta noite. E não, não entendo o discurso do fim das ideologias. Digo: «A vontade de mais é intrinsecamente humana. Toda a gente sonha com uma casa melhor, uma vida melhor, um país melhor, um amor melhor.» Há um garfo a cair no chão. Não sei que parte te irritou, se a do amor, se a do país. Paciência! Creio sim, que a Grande Nação Brasil há-de voltar a acreditar. Creio, pois! Num grande futuro brasileiro.

Publicado por Ana Tropicana às 10:39 PM | Comentários (3)

agosto 11, 2005

Plenos Vazios


útero de ana tropicana

Basta a ausência de um anjo, para que qualquer paraíso se torne, subitamente, um lugar menos perfeito. Miss you, Sugar!
























Fotos: Útero [autor: Ana Tropicana]

Publicado por Ana Tropicana às 11:05 PM | Comentários (2)

Mood

Agosto amanhece ainda a fazer caretas. Os telefones tocam menos e isso é bom. Chegou correio da Floresta, o que é melhor ainda.

Publicado por Ana Tropicana às 08:34 AM | Comentários (0)

agosto 07, 2005

Mood

A coisa tremenda de se viver apartado da nossa gente é ficar irremediavelmente dependente de certas facilidades de comunicação que o mundo "civilizado" disponibiliza em troca de tanta incomunicabilidade reinante. Dois dias longe da internet, sem poder abrir mail e afins é entrar em processo de acelerada agonia!

Publicado por Ana Tropicana às 08:26 AM

«Mascote Lusitana»


herdade da casa branca de ana tropicana

«ESTARE PRENDIDO EN TUS DEDOS»

Fico sim! Por uma noite e mais um dia, o que fôr. A matar saudades do Alentejo e das coisas planas, simples e lineares. Onde a tranquilidade é verdadeira. Genuína. Nenhuma diferença entre a vida e o cenário montado em seu redor! Tudo certo, tudo no lugar. Tudo coincidente. Na lentidão, no vagar, na perfeição. Tudo pleno e imenso. Igual ao alentejano entorno de horizontes e horizontalidades.

Tão óbvio, o segredo. «ESTARE PRENDIDO EN TUS DEDOS». Tão humilde, o segredo: só esse equilíbrio entre verticalidade e horizontais. E ... «ESTARE PRENDIDO EN TUS DEDOS».










Fotos: Ana Tropicana com Ilustrações Oficiais





Bom muito bom ter vindo, Rapazes. Orgulhosa, eu. Muito! Tinha, sim, que vir. Eu. E sim, a canção eleita continua a ser a versão que o Chico fez para «Wrapped Around Your Fingers» do Sting e que se pode escutar AQUI.




Estare Prendido en Tus Dedos - Skank


Para ti soy un aprendiz
Preso entre cila y carbdis
Hipnotizado si vacilo
Mirando en tu dedo el anillo

Sollo vengo aquí para saber
Cosas que no me dijeron ayer
Puedo ver el destino que vendes
Banda de oro en el dedo que extiendes

ESTARE PRENDIDO EN TUS DEDOS

Mefistofeles no es tu apellido
Un poco más y lo habriá sido
Escucharé bien todo lo que dices
Verás lo que pueden los aprendices

ESTARE PRENDIDO EN TUS DEDOS

Diablo y mar profundo están detrás
Un segundo y no me encontrarás
Tornaré tu rostro en alabastro
Sabes que tu siervo es tu maestro

ESTARÁS AHORA EN MIS DEDOS

Publicado por Ana Tropicana às 04:19 AM

agosto 02, 2005

Molares e Caninos

A escassez de medicamentos nos entranhados da mata obriga à descoberta de outos processos e remédios. Aí, aprende-se que toda a dor cede, debaixo de uma pressão mais firme sobre um determinado ponto da carne, directamente associado à rede de nervos daquilo que magoa. E ainda que alguma moínha subsista, descobre-se que (à parte do mau bocado passado) por mais lancinante que seja a dor, é garantido: não chega para se morrer dela.

Publicado por Ana Tropicana às 03:36 AM

agosto 01, 2005

Moradas


uma nesga de azul de ana tropicana

Em bom rigor, é tudo uma questão de oferecer às pálpebras resistência suficiente, até se perceber que a felicidade nunca se afasta demasiado: limita-se a mudar para uma casa duas portas mais ao lado.

Publicado por Ana Tropicana às 09:04 AM

Estreia

Levantou-se um sopro de vento constante e insistente que produz um som agradável no restolhar dos ramos e copas do jardim. Daqui a pouco é o primeiro dia do resto de "qualquer coisa" nova. Há pouco tempo para saborear o primeiro café da manhã, mas, mesmo assim, sei que não me apetece começar nem o dia, nem a semana, a engolir. Vou sair e levar a máquina fotográfica comigo, pelo sim, pelo não.

Publicado por Ana Tropicana às 08:17 AM

julho 31, 2005

Tambores


a noite dos karajás de ana tropicana

Como dizem os Karajás, cuja visão vai além do céu vermelho, «No mundo dos vivos, coragem é preciso!». É por isso que, quando preciso de um pouco mais de ar, apuro o ouvido ao eco dos magos da floresta, que avisam os filhos das tribos: «Só os valentes não serão devorados pelos deuses-canibais» .

E então, como agora, costuma acontecer-me escutar o bater do meu tambor crescer do Tejo e estremecer o duro chão desta Lisboa adormecida.









Foto: Ritual do Fogo [autor: Ana Tropicana]


Por maior que seja o breu da noite, há sempre um dragão pronto para subir ao céu em nosso nome. Há sempre um amor que nos salva das dores menores.


«Foi você que me ensinou a ser feliz
Delirando sobre as asas da ilusão
Meu novo amor , Meu doce amor
Inspiração!
A razão de não viver mais sem você
é o amor mais escondido às profundezas no olhar de um coração
Resplandesceu o absoluto amor»


... Podia ser só uma canção de amor, mas não é. Vai muito para além. É uma toada das tribos, toscamente traduzida para a língua portuguesa.

Publicado por Ana Tropicana às 10:04 PM

julho 30, 2005

Mood

Hoje a festa dos Tupinambás continua, lá para as bandas de Juruti. Segunda noite! Tento resgatar o coração lá desses confins entranhados na floresta, por onde o sinto vaguear ao longe, e lembrar-me que pré-adolescentes odeiam passar o Sábado dentro de casa. Especialmente quando é Verão, quando faz calor e há sol a jorrar por todos os lados. Acendo só mais um cigarro. Arranco-me do sofá. Saio, enfim, de casa.

Publicado por Ana Tropicana às 05:12 PM

Girls Talk

Emprestei uns jeans escandalosamente caros à Catarina. Voltaram de Goa ainda como farelos de lama seca das margens do Zuari, mas bordados com canotilhos de brilho e a missangas de limão e esmeralda. Disse à Catarina: «Melhor, muito melhor do que se tivessem voltado lavados, dobrados e engomados!...» Estava a ser inteiramente sincera. Ela sabe.

Publicado por Ana Tropicana às 04:03 PM

Mood

Não sei o que fazer do tempo solto, aqui no rebordo das Praias Lusitanas. Sinceramente, falta-me a imaginação. Talvez devesse começar a encaixotar a casa, com a proximidade da mudança, agora que grandes decisões começaram, enfim, a ser tomadas de forma irreversível. Mas falta-me alento, nesta incerteza de saber se Agosto há-de ou não concretizar um novo regresso. Ainda que só por uns dias. Á Floresta. Á vida. Ás Terras do Lago Verde.

Publicado por Ana Tropicana às 01:11 PM

Mood

Sábado. Fim-de-semana. Acordo com esta feliz constatação de facto: até Setembro, terminaram os plantões e os piquetes.

Publicado por Ana Tropicana às 09:04 AM

julho 29, 2005

Mood

Estou aqui, eu, a lembrar-me que quando era pequena perdia muitas horas a perguntar-me se todas as pessoas do mundo veriam a mesma coisa, se acaso olhassem para o céu no mesmo instante, ainda que cada qual do lugar onde estivesse... E depois dou comigo aqui, a pensar que há momentos em que seria feliz se realmente fosse verdade aquele teatrinho de colégio, andava eu na 4ª classe, e que se chamava assim: «O Mundo é a Nossa Casa»... E então vem-me à ideia essa crença dos índios, de que o olho do Grande Feiticeiro alumia todos os céus do mundo, e de que em todos se passeia, por igual, a um só tempo.

Hoje, na verdade, o crepúsculo que se acendeu sobre Lisboa (e que ainda me está na retina) recordou-me as cores dos poentes que costumava ver, sentada na amurada do barco, lá nas estadas de água do Amazonas. Por onde se fazem todos os caminhos.

Publicado por Ana Tropicana às 10:01 PM

Em Súbita Despedida


Crepúsculo, chez moi de ana tropicana

Ouvir, pelo menos uma vez na vida, a voz da sabedoria que fala pelo coração de todas as mães: «Às vezes, as decisões mais acertadas são aquelas que tomamos de repente.»




Eis o registo. Coincidente com o tempo útil da notícia, da decisão. Súbita. Inesperada. Ou talvez já pressentida. Em parte. Em termos. Guardar para sempre o que em breve deixará de se ver. Talvez não para sempre, mas pelo menos de modo idêntico ou sequer semelhante. Eis o registo. Enquanto falamos. No tempo exacto da decisão. Durante o acordo. Estava assim, o céu, o sol poente, a cidade, Lisboa. Deixo aqui o instante, apesar da duvidosa qualidade dos disparos e de uma certa melancolia a turvar a lente. Porque sei que podem ainda ficar a faltar uns dias, mas que pouco importa: a despedida foi hoje. A despedida aconteceu aqui. Foi agora. Neste preciso instante. Sem tanta dor quanto talvez imaginasse que seria um dia. Se é que houvesse dia. Se é que alguma vez esperei com seriedade que esse dia pudesse chegar. Talvez só com uma ponta de nostalgia. Sem pena, apesar de súbita e sem preparo. A sangue frio e, no entanto, sem custo, sem arrependimento, sem pena, nem pesar. Lúcido. Responsável. Razoável. Acertado, sim. Pelo melhor. Sigamos, então! Para um novo lugar. Começou, sim, o novo tempo da mudança.









Publicado por Ana Tropicana às 09:26 PM

julho 24, 2005

Mood

... Depois de ter explicado que os adornos indígenas são uma roupagem do corpo e da alma, e não um mero enfeite à luz do conceito "fashion" europeu, ouvi mais uma vez o "simpático" reparo às "indianices", que é como quem diz, os belíssimos objectos saídos das mãos dos índios. Ia responder: «Prefiro os índios que andam nús, aos que andam tão esfarrapados e sem perceber, por conta de tantas mentiras somadas em cima do lombo!...» Mas achei melhor ficar calada. Não devia... Foi pena!

Publicado por Ana Tropicana às 04:23 PM

Mood

Resultado da observação nocturna - O ciúme mal disfarçado produz uma espécie de substância pegajosa, assim como que uma coisa azeda, parecida com a dor de cotovelo. Bebida lentamente e em silêncio surte um estranho efeito: bloqueia os sentidos à fruicção de toda e qualquer experiência do belo. Inclusive da música.

Publicado por Ana Tropicana às 05:37 AM