abril 21, 2006

O Acto de "Responder"

O psicólogo americano Charles Tilly gosta de se ocupar com o «porquê?». Não que lhe importem as resposta à perguntas em particular, mas porque o intriga o modo como as pessoas respondem, em geral. Segundo tem averiguado:

«há pelo menos cinco maneiras diferentes de explicar por que as coisas acontecem. Usando Katrina como exemplo: a primeira explicação é a “convenção” (sempre há um desastre após um furacão); a segunda é a “explicação técnica” (na qual os meteorologistas mostram exatamente como condições climáticas criaram o caos); a terceira são “códigos” (neste caso, as leis federais, estaduais e municipais que, confusas, impediram que responsáveis claros pela situação surgissem imediatamente); quartas são as explicações “ritualísticas” (a fúria de Deus contra seus inimigos); em quinto, histórias.»

Graças ao Pedro, deixo um excerto da obra e a entrevista do The Guardian ao autor.

Publicado por Ana Tropicana às 11:21 AM | Comentários (0)

abril 08, 2006

Clipping

- Leio e releio. O efeito perturbador permanece: «As 48 Leis do Poder» AQUI
- Os deuses estão por toda a parte. Este site sabe que sim. A mim interessam-me estes, em particular: AQUI
- O Google Earth continua a desenvolver ferramentas que, depois de permitirem um olhar ciclópico inicial sobre o planeta, se vão ensaiando em novos desafios. Passámos à fase do ensaio das possibilidades: " e se... as marés subissem?" Em parceria com a NASA, é possível espreitar o resultado, em qualquer recanto dos cinco continentes: AQUI

[ com a devida vénia à Maura, incansável descobridora de curiosas curiosidades. ]

Publicado por Ana Tropicana às 01:13 PM | Comentários (0)

março 17, 2006

Caminhos de Curitiba


cdb de site oficial

Estava aqui a pensar que Março é um mês de acontecimentos. No ano já passado, fez regressar Djavan; este ano trouxe (enfim) Alcione. Continuo a pensar em Março: começa a Primavera... celebra-se o Dia da Árvore, comemora-se o Dia da Poesia... nasceu, em tempos, Natália Correia, essa grande e imensa mátria... E continuo em Março. Em Curitiba, começou a MOP-3 (em Março!). Não tarda tem também início a COP-8 (igualmente em Março!). Gosto de Março. Gosto!




MOP-3 E COP-8 ACONTECEM EM MARÇO

Realizar-se-ão, em Curitiba, respectivamente, de 13 a 17 e de 20 a 31 de março de 2006, a 3ª Reunião das Partes do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança (MOP-3) e a 8ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-8), A Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), aberta para assinaturas durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio´92), tem como objetivos a conservação da diversidade biológica, o uso sustentável de seus componentes e a repartição justa e eqüitativa dos benefícios resultantes da utilização dos recursos genéticos. O Brasil, como país mais biodiverso do planeta, é parte da CDB desde 1994 e atribui prioridade às discussões desenvolvidas no âmbito da Convenção. O País desempenha um importante papel de articulação, seja entre os países da região, seja entre os membros do Grupo dos Países Megadiversos Afins.

A realização da COP-8 e da COP/MOP-3 no Brasil proporcionará maior envolvimento de representantes de diferentes setores do Governo e da sociedade com o tema, bem como contribuirá para a conscientização da sociedade brasileira acerca da necessidade da conservação e do uso sustentável da biodiversidade. O evento constitui momento oportuno para realçar o sentido estratégico da biodiversidade para o desenvolvimento econômico e social do Brasil, bem como para divulgar as experiências brasileiras de gestão deste patrimônio. Concretamente, a realização da 8ª COP no Brasil poderá concorrer para a atração de investimentos, o estabelecimento de novas parcerias e o apoio a projetos submetidos a organismos financeiros internacionais. Sediar a COP-8 e a MOP-3 demonstrará, ainda, a importância política conferida à questão pelo Brasil e confirmará o papel de destaque que o País tem tido nas negociações internacionais sobre temas relativos à diversidade biológica.

A Conferência das Partes (COP) é o órgão supremo e decisório no âmbito da CDB. As reuniões, realizadas a cada dois anos, são intergovernamentais e contam com a participação de delegações oficiais dos 187 países membros e um bloco regional, observadores de países não associados, representantes dos principais organismos internacionais, organizações acadêmicas, organizações não-governamentais, organizações empresariais, lideranças indígenas, imprensa e demais observadores. Cada reunião da COP dura duas semanas, com duas sessões de trabalho paralelas.

Diariamente serão realizadas reuniões preparatórias dos grupos políticos regionais, bem como do Grupo dos Países Megadiversos Afins, do qual o Brasil é parte. São também realizados cerca de 100 eventos paralelos e organizado amplo espaço de exposições. Durante a segunda semana de reunião é organizado o Segmento Ministerial da COP, com a presença de ministros de meio ambiente.

Dentre os principais temas a serem tratados na ocasião, o Brasil entende ser crucial a negociação de um regime internacional para promover e salvaguardar a repartição justa e eqüitativa de benefícios resultantes da utilização dos recursos genéticos, bem como dos conhecimentos tradicionais associados a esses recursos

Quanto à MOP 3, continuarão as negociações, à luz do Protocolo de Cartagena, sobre a regulamentação de movimentos transfronteiriços de organismos vivos modificados (transgênicos) que possam provocar efeitos negativos na conservação e utilização sustentável da biodiversidade, levando em conta também riscos à saúde humana. Nesse contexto, o duplo perfil do Brasil (de detentor de grande biodiversidade e de exportador de produtos transgênicos) exigirá esforço negociador no sentido de acomodar diferentes posições, em especial no que se refere à aprovação de requisitos de informações com vistas ao comércio desses organismos.

Com vistas a preparar a COP-8 e a MOP3 no Brasil, foi instituída, por Decreto Presidencial de 16 de novembro de 2005, a Comissão Nacional Preparatória para a COP 8/COP-MOP 3. Esta Comissão, que se reunirá pela primeira vez em 20 de janeiro próximo, deverá planejar, coordenar e articular com os demais órgãos governamentais e organizações da sociedade civil envolvidos nos eventos o processo preparatório. A coordenação da Comissão deverá ser exercida conjuntamente pelos Ministros de Estado das Relações Exteriores e Meio Ambiente, bem como pelo Ministro de Estado Chefe da Casa Civil, e é composta de representantes de órgãos governamentais e não governamentais.

O referido Decreto criou, igualmente, três grupos de trabalho:

a) Grupo de Trabalho de Logística: coordenado pelo Ministério das Relações Exteriores;

b) Grupo de Trabalho de Mobilização e Comunicação, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente;

c) Grupo de Trabalho de Preparação da Posição Brasileira, sob a coordenação do Ministério das Relações Exteriores e da Casa Civil da Presidência da República.

(Fonte: DEA/MMA – fevereiro/2006).




Site Oficial: AQUI
Programa da MOP-3: AQUI
Programa da COP-8: AQUI
Guia da Conferência sobre Diversidade Biológica: AQUI
Clipping de Notícias: AQUI




Traduzindo "em miúdos":




O que é o MOP?
MOP (Meeting of Parties) é a sigla utilizada, no âmbito da Convenção sobre Diversidade Biológica - CDB, para designar a Reunião das Partes, ou seja, Reunião dos Países Membros do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança. Nessas reuniões, os representantes dos Países Membros analisam documentos e tomam decisões sobre as medidas necessárias à implementação e ao cumprimento do Protocolo.
A Primeira Reunião das Partes do Protocolo, MOP-1, foi realizada em Kuala Lampur, Malásia, de 23 a 27 de fevereiro de 2004. A MPO-2 foi realizada em Montreal, Canadá, de 30 de maio a 3 de junho de 2005. A MOP-3, por sua vez, terá lugar no Brasil, na cidade de Curitiba, de 13 a 17 de março de 2006.





O que é o COP?
A Conferência das Partes (COP) é o órgão supremo decisório no âmbito da Convenção sobre Diversidade Biológica - CDB. As reuniões da COP são realizadas a cada dois anos em sistema de rodízio entre os continentes. Trata-se de reunião de grande porte que conta com a participação de delegações oficiais dos 188 membros da Convenção sobre Diversidade Biológica (187 países e um bloco regional), observadores de países não associados, representantes dos principais organismos internacionais (incluindo os órgãos das Nações Unidas), organizações acadêmicas, organizações não-governamentais, organizações empresariais, lideranças indígenas, imprensa e demais observadores. Cada reunião da COP dura duas semanas, com duas sessões de trabalho paralelas com tradução simultânea para as seis línguas oficiais da ONU (inglês, francês, espanhol, árabe, russo e chinês). Diariamente são realizadas reuniões preparatórias dos grupos políticos regionais da ONU (América Latina e Caribe, África; Ásia e Pacífico; Leste Europeu e Ásia Central; e Europa Ocidental, Canadá, Japão, Austrália e Nova Zelândia; bem como do Grupo dos 77 e China; e do Grupo dos Países Megadiversos Afins). São também realizados cerca de 100 eventos paralelos sobre temas e iniciativas especiais nos intervalos do almoço e do jantar. Durante as noites são organizadas reuniões de grupos de redação para os temas que exigem mais negociação. Durante a reunião organiza-se amplo espaço de exposições de países e organizações internacionais e nacionais bem como amplas reuniões de consulta de lideranças indígenas e organizações ambientalistas. Antes da reunião é organizado um amplo Fórum Global de organizações ambientalistas e acadêmicas. Durante a segunda semana de reunião é organizado o Segmento Ministerial da COP com a presença de mais de uma centena de ministros de meio ambiente de todos os continentes.




Trazduzindo ainda por "mais miúdos" - perguntas e respostas, elaboradas pelo WWF-Brasil, para explicar a importância da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP8) para a conservação da natureza no Brasil e no mundo

Entenda o que é a COP-8 (8ª Conferência das Partes Signatárias da Convenção da Diversidade Biológica)


1. O que é a COP8?
- COP8 é a Oitava Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (Conference of Parties, em inglês, daí COP8). É a instância máxima de decisão da Convenção, e acontece a cada dois anos. A última foi em Kuala Lumpur, na Malásia, em 2004. Em 2006, a Conferência será realizada pela primeira vez no Brasil, de 21 a 30 de março, no centro de convenções Expotrade, em Curitiba. A Convenção tem várias outras reuniões que acontecem entre as COPs, mas tudo que é decidido nelas deve ser referendado pela COP. Isso dá a medida de sua importância.

2. Existe um processo formal de inscrição?
- Para participar da COP8 e da MOP3 (ver pergunta 8), é necessário se registrar junto ao secretariado da Convenção, por meio do site oficial (www.biodiv.org - em inglês, francês e espanhol). O período de pré-registro já começou e vai até 31 de janeiro de 2006. Assim, as pessoas que quiserem participar das reuniões devem fazer o pré-registro no site da CDB.

3. E o que é a Convenção sobre Diversidade Biológica?
- A Convenção sobre Diversidade Biológica, ou Convenção da Biodiversidade, ou ainda CDB, foi aberta para assinaturas na Rio 92, junto com outros instrumentos importantes como a Convenção de Clima e a Agenda 21. Desde então, já conseguiu a adesão de mais de 170 países (ou seja, poucos países não ratificaram a CDB, entre eles os Estados Unidos, que assinaram, mas nunca ratificaram a Convenção). A CDB baseia-se em três grande eixos: conservação da biodiversidade, uso da biodiversidade e repartição dos benefícios advindos da utilização dos recursos genéticos. A Convenção está organizada em artigos, mas sua implementação está estruturada em programas e temas. Para conhecer mais sobre a Convenção, vale a pena consultar o site de seu secretariado: www.biodiv.org (em inglês, espanhol e francês).

4. O que acontece numa COP?
- A COP é uma reunião majoritariamente de delegações oficiais dos países membros da CDB, as chamadas partes. Em geral, negocia-se a aprovação dos documentos previamente encaminhados à COP, oriundos das reuniões realizadas entre as COPs. Essas reuniões são temáticas ou são as reuniões do SBSTTA, sigla em inglês para Corpo Subsidiário de Assessoramento Científico, Técnico e Tecnológico. Durante a COP, dependendo do tema, as negociações são complicadas e estendem-se até tarde da noite. As ONGs e outros observadores que não são membros das delegações em geral possuem acesso a todas as reuniões, mas têm uso limitado da palavra.

5. Qual o tipo de participação possível?
- Uma possibilidade são os eventos paralelos: há um espaço na agenda oficial da reunião, em geral na hora do almoço e no final da tarde, em que acontecem simultaneamente vários eventos. A idéia é que sejam internacionais, ou pelo menos contemplem uma região ou conjunto de países, como por exemplo a América do Sul ou os países megadiversos. Trata-se de um espaço oficial. Assim, para realizar um evento paralelo na COP, o interessado deve se inscrever no site do secretariado da CDB (www.biodiv.org). Em geral, o critério de seleção usado é a ordem de inscrição. O secretariado, quando aceita a inscrição, designa para o interessado um local (sala + mesas e cadeiras, mas não equipamentos como computadores ou data shows) e um horário. O interessado munido dessas informações operacionaliza e divulga seu evento. Outra possibilidade é fazer parte da delegação oficial brasileira. Como o número de membros é limitado, nem todos podem usar essa estratégia. Por fim, talvez, a forma mais eficiente de participar seja acompanhar os temas de seu interesse, principalmente no período que antecede a Conferência, e participar das negociações sobre as posições brasileiras que serão apresentadas na COP e que, em geral, são capitaneadas pelo Itamaraty. Outras possibilidades são estandes (em geral, uma mesa para colocar folhetos e publicações), exposições (é possível que, nesta COP8, haja bastante espaço para isso, mas ainda não está claro quem será o organizador das exposições) ou eventos paralelos não oficiais, como por exemplo palestras e lançamentos, realizados fora do Centro de Convenções onde acontece a COP.

6. Em geral, quem participa?
- As delegações dos países membros são a maioria dos participantes das COPs. Além deles, há ONGs nacionais e internacionais, entidades representantes de povos indígenas, agências internacionais, como PNUD e UICN, jornalistas e estudantes. As ONGs e os representantes de povos indígenas geralmente estão ali para acompanhar uma determinada pauta de negociação de seu interesse. Agências internacionais, evidentemente, também possuem interesses, mas as COPs podem ser meios de vislumbrar novas oportunidades. Jornalistas cobrem alguns tópicos de maior apelo e os eventuais estudantes aproveitam, em geral, para fazer alguma pesquisa de campo. Fora isso, a COP é uma excelente reunião para fomentar relações e conexões interinstitucionais.

7. O que será discutido na COP8?
- Cada COP tem um conjunto de temas centrais. Outros temas são também discutidos, mas a ênfase vai para os centrais. Na COP8, eles serão os seguintes:
a) Diversidade biológica de ilhas oceânicas; b) Diversidade biológica de terras áridas e sub-úmidas (no Brasil: Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampas); c) Iniciativa Global sobre Taxonomia; d) Acesso e repartição de benefícios; e) Educação e conscientização pública; f) Artigo 8j - conhecimentos tradicionais associados; g) Progresso na aplicação do Plano Estratégico da CDB e monitoramento do progresso rumo ao objetivo de 2010 (redução significativa das atuais taxas de perda de biodiversidade) e às Metas de Desenvolvimento do Milênio; h) Aperfeiçoamento dos mecanismos de apoio para a implementação da CDB.
O tema da implementação da Convenção (item 8 da lista acima) será um dos temas chave, pois a CDB, reconhecendo que amarga um baixo grau de implementação, criou um processo de rever suas estratégias, e na COP8 deverá ser apresentado um novo conjunto de mecanismos e formas de implementação. O tema do acesso aos recursos genéticos provavelmente também tomará muito tempo e atenção na COP8, pois serão apresentados os resultados do grupo de trabalho responsável pela concepção de um Regime Internacional de Acesso a Recursos Genéticos e Repartição de Benefícios.

8. O que foi decidido de importante desde a primeira COP até agora?
- Muito foi decidido desde a primeira COP, mas fundamentalmente foram os programas de trabalho criados e as iniciativas que foram deslanchadas que fizeram com que a Convenção passasse a ser realidade. No site da CDB (www.biodiv.org), é possível conhecer os programas da Convenção, seus outros instrumentos ? como por exemplo o clearing house mechanism, que é o mecanismo de troca de informações da Convenção ? e outras iniciativas. Há inclusive instituições que documentam as negociações detalhadamente durante a reunião, produzindo boletins diários e arquivos na Internet, com o histórico dessas negociações. A mais interessante delas é a Earth Negotiation Bulletin, cujos arquivos estão em http://www.iisd.ca/.

9. E a MOP3? O que é?
- A CDB tem um protocolo que é algo como uma pequena convenção dentro da Convenção. Trata-se do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança. Os países membros da CDB são convidados a aderir ao Protocolo, mas isso não é feito de maneira automática: basta ver que o Protocolo de Cartagena possui menos membros que a CDB. Imediatamente antes da COP8, haverá a Terceira Reunião das Partes signatárias do Protocolo de Cartagena (Meeting of Parties em inglês e daí MOP3), também aqui no Brasil, em Curitiba. As datas são 13 a 20 de março. Na ocasião, um dos temas a ser tratado será a rotulagem de carga transgênica que causou grande polêmica na MOP2, última reunião dos países membros do Protocolo, principalmente pela insistência do Brasil em se posicionar contra a rotulagem, causando o fracasso de uma longa rodada de negociações.

10. Quem é responsável pela organização no Brasil?
- Como a COP8 é uma reunião oficial da ONU (pois a CDB é uma Convenção das Nações Unidas), parte da organização é realizada pelo próprio secretariado. Mas o país anfitrião, o Brasil no caso, também tem responsabilidades. A Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente e o Departamento de Meio Ambiente do Itamaraty são os responsáveis pela operacionalização da COP. Uma Comissão Nacional Preparatória está sendo formada com a participação de todos os setores da sociedade e deve tratar de três grandes temas: logística, divulgação e negociações.

11. Como ficar inteirado do que acontece nesse período preparatório da COP8?
- Volte a visitar a página do WWF-Brasil que terá informações sobre o evento. Consulte também, o endereço oficial da CDB na Internet (www.biodiv.org ). Em caso de dúvidas, envie um email para cop8@wwf.org.br


Publicado por Ana Tropicana às 02:30 PM | Comentários (0)

«Empowerment» (aqui) , «Capacitação» (lá)

Este Sábado, às 16h, José Strabeli lança, na Bienal do Livro de São Paulo, um livro que me parece muito curioso. O autor parte da construção da comunidade fictícia de "Morro Alto" para fornecer um "manual prático", uma espécie de guia, capaz de contribuir para a organização de comunidades rurais, indígenas, quilombolas, ou mesmo da periferia das grandes cidades, em associações que busquem a garantia dos seus direitos e alternativas capazes de gerar rendimento para o seu próprio sustento.

Escrevi um pouco a respeito. Vou deixar também AQUI.




Publicação «Gestão de associações no dia-a-dia» será lançado na Bienal do Livro de SP
[15/03/2006 12:03]


Este Sábado, 18 de março, às 16h, no stand da Francal Cidadania, é lançado um interessante livro que pretende contribuir, de forma práctica, para a organização de comunidades rurais, indígenas, quilombolas, ou mesmo da periferia das grandes cidades, em associações que busquem a garantia dos seus direitos e alternativas que possam gerar-lhes rendimento.


O desafio de se relacionar com o fazendeiro vizinho, o comerciante da cidade mais próxima, ter acesso aos programas governamentais e aos diferentes mercados para os seus produtos, está cada vez mais presente na vida de comunidades rurais, indígenas e quilombolas no Brasil. Surge, ao mesmo tempo, a necessidade destas comunidades se organizarem e formarem associações que possam representá-las (legal e formalmente) na realização de actividades económicas e na garantia dos seus direitos constitucionais.

Lançado no final de dezembro, o livro «Gestão de associações no dia-a-dia», que agora será lançado na Bienal do Livro de São Paulo, propõe-se ser uma ferramenta capaz de as ajudar, fornecendo dicas e orientações sobre o funcionamento de uma associação, o planejamento de atividades, captação e gestão de recursos, prestação de contas e avaliação dos resultados alcançados.


O livro começa por apresentar uma comunidade fictícia como pretexto para falar de situações reais e é escrito pelo cientista social José Strabeli, do Projeto de Capacitação em Gestão do ISA. Em 144 páginas conta-se a história de uma fictícia comunidade de 87 famílias chamada “Morro Alto” que por muitos anos viveu praticamente isolada do resto do mundo, sobrevivendo da roça e da pesca, raramente indo à cidade mais próxima trocar peças de artesanato por produtos básicos como sabão, velas e sal.

Diz a história que a comunidade decidiu criar uma associação quando «a situação estava ficando muito diferente dos tempos antigos. Abriram estrada, tinha cidade perto, muitas pessoas tinham comprado sitio ou fazenda ao redor da terra da comunidade. Doenças que eles não tinham começaram a aparecer e não conseguiam curar com as plantas que conheciam. O comércio na cidade não aceitava mais só palavra como antes, sempre pediam documentos. Apareceram leis e programas do governo que tratavam sobre a situação deles e precisam conhecer, discutir com a prefeitura, estado e outras organizações da sociedade.»

A partir desse enredo de ficção, o livro narra por meio de situações concretas e diálogos entre os seus «diretores, assessores e pessoas da comunidade» como se organizou a nova associação, abrindo uma conta bancária, contratando um contabilista e organizando o seu próprio arquivo. Relata ainda de que forma os seus integrantes fizeram um diagnóstico dos principais problemas locais, planeando as actividades, elaborando um projecto, negociando e assinando um contrato. Para isso, indica uma série de etapas a serem cumpridas por quem pretende fundar uma associação forte e capaz de lidar com os problemas actuais. Aponta, por exemplo, que o primeiro passo consiste em estabelecer um diálogo entre todos os membros da comunidade de modo a que a realidade local seja bem dimensionada e a que as necessidades das famílias e os direitos colectivos possam ser percebidos por todos.


O livro descreve, depois, a forma como a comunidade deve descobrir as suas potencialidades e oportunidades de trabalho, de maneira a sanar as carências anteriormente inventariadas. É justamente nesta fase que se torna necessária a captação de recursos, ponto fundamental para uma “aventura” ser bem-sucedida.
A terceira parte do livro aborda a questão da gestão dos recursos e fundos angariados, de modo a que os objectivos comuns possam ser atingidos: como se organizar internamente, fazer os controles necessários e organizar os documentos. O passo seguinte trata da elaboração de um projecto: a busca por recursos, a implementação e o monitoramento das actividades, a avaliação dos resultados e a prestação de contas.

O exemplo da comunidade "Morro Alto" funciona como uma ilustração-síntese da própria experiência do autor, que há quatro anos trabalha na assessoria de organizações parceiras do ISA nas regiões do Rio Negro (AM), Parque Indígena do Xingu (MT) e Vale do Ribeira (SP). O Projeto Capacitação em Gestão dedica-se ao fortalecimento institucional destas associações, para que elas possam, cada vez mais, desempenhar um papel estratégico na interlocução dos povos indígenas e populações tradicionais com a sociedade envolvente, principalmente no que se refere às acções que visam a sua própria sustentabilidade.

Quase metade da tiragem inicial da obra foi enviada para associações indígenas do Rio Negro (250 exemplares), associações indígenas do Xingu (50), associações indígenas cadastradas no banco de dados do ISA (210), associações de produtores rurais na região do Xingu, associações quilombolas do Vale do Ribeira, entre outras. Os restantes exemplares serão sendo vendidos na Bienal do Livro de SP por R$ 15,00.

Local: Bienal do Livro de São Paulo
Pavilhão de Exposiçôes do Anhembi
Av. Olavo Fontoura, 1209 (Casa Verde
Data: 18 de março de 2006
Horário: 16h
Lançamento: Gestão de Associações no Dia-a-Dia
Stand: Francal Cidadania - Rua O em frente à Av. 5


Publicado por Ana Tropicana às 11:35 AM | Comentários (0)

março 11, 2006

«(Amazon)Idades»

Leio o artigo do Prof. Ozório Rodrigues, publicado na sua habitual coluna de fim-de-semana, no Jornal do Comércio de Manaus. Fala de «amazonidades», o professor.

Talvez devesse escrever-lhe a dar-lhe conta de que o recorte histórico, económico e social, que faz vai mais além da Floresta: atravessa o mar e assenta como uma luva neste Portugal "à beira-mar plantado". Não sei se lhe terá ocorrido, mas sinto uma enorme tentação de lhe sussurrar ao ouvido que a realidade acéfala que descreve é bem mais abrangente do que pode parecer: devidamente decalcada, poderia traduzir na perfeição o velho drama português que dá pelo nome de «interioridades».

Mas quem conhece a vastidão do Estado do Amazonas perceberá (seguramente) que, ainda assim, a generosidade de distâncias (num país "espaçoso" por condição, como o Brasil), faz com que estes contrastes agudizem de forma preocupante as contingências de que afinal se tecem as mais elementares e costumeiras necessidades do quotidiano. Não, nem sempre é facil. Mesmo no "país do carnaval", no país do samba, suor e cerveja, mesmo para a brava nação guerreira do valente sangue Tupi, e apesar de todos os sorrisos e outros bons espíritos que sopram do verde da Floresta, não é fácil. Não é mesmo nada fácil, a grande maioria das vezes.

Vale a pena ler o artigo na íntegra: AQUI.

Amazonidades - Um desafio à Economia
Jornal do Comércio de Manaus | 11/03/2006
por Ozório Fonseca (*)


Hoje resolvi desafiar o leitor transcrevendo alguns trechos antigos sobre a realidade amazônica, instigando-os a encontrar diferenças essenciais entre o passado e o presente. Começo com uma abordagem sobre a questão do acesso e uso de nossa biodiversidade.

1. “Não precisamos nos preocupar com as plantações de borracha que surgiram na Ásia. As condições climatéricas especiais, do vale amazônico, o novo sistema de beneficiamento do nosso produto, que atualmente está sendo aplicado com tanto êxito às nossa colheitas da Hevea, as imensas extensões de nossas regiões seringueiras, algumas ainda inexploradas e, finalmente, as inúmeras necessidades da indústria moderna, nos permitem fazer pouco caso do que os outros estão realizando no mesmo setor. Com efeito, se não considerássemos um dever acompanhar as descobertas cientificas relacionadas com a borracha da Índia, poderíamos, perfeitamente, ignorar por completo as plantações estrangeiras.”. Discurso do Governador do Pará, Augusto Montenegro, em 1910, repudiando o conhecimento cientifico e encabeçando a lista de governantes despreparados para lidar com a complexidade de nossos organismos. E hoje, algo novo?

Prática política.

2 “Perdemos uma guerra de quase 100 anos e não se pode distinguir hoje, qualquer diferença de atitude entre os generais da vitória e os generais da derrota, pois eles sempre foram muito pequenos para que a história os responsabilize pelas batalhas ganhas ou perdidas, que aconteceram em uma fronteira econômica, terreno que eles não podiam e nem sabiam pisar e muito menos comandar.” Trecho escrito por Cosme Ferreira Filho, em 1965. E hoje, algo novo?

3. “Sistematizou-se o assalto aos dinheiros públicos. Todas as formas de pilhagem foram postas em prática, para o que se lançaram aos pés os menores escrúpulos. [...] Pesam agora sobre o tesouro público, compromissos extraordinários, como resultado das prodigalidades. Fizeram-se empréstimos leoninos, sem que o resultado se concretizasse em beneficio coletivo.” Trechos do livro Chorographia do Estado do Amazonas, escrito por Agnello Bittencourt, e publicado em 1925. E hoje, algo novo?

OBRAS FARAÔNICAS

4. “Inaugurou-se, a um custo de 3,3 milhões de dólares, o Teatro Amazonas, em 1896 – a mais cara e inútil obra faraônica da História do Brasil, milionária e importada, com painéis, centenas de lustres de cristais venezianos, colunas de mármore de várias cores, estátuas de bronze assinadas por grandes mestres, espelhos de cristais bisotados, jarrões de porcelana da altura de um homem, tapetes persas – tudo o que, aliás, em 1912, desapareceu, esvaziando-se o Teatro para transformá-lo em depósito de borracha de uma firma americana.”
5. O governo de Constantino Nery (1904-1907) “encampou, fraudulenta e inutilmente, a empresa “Manaos Improvement Limited”, por 10.500 contos de reis, o mesmo preço de construção do Teatro Amazonas.”. O prédio encampado abriga, hoje, o Teatro Chaminé que, evidentemente vale muito menos que o Teatro.
Trechos extraídos do livro “O Amante das Amazonas” escrito por Rogel Samuel, amazonense, professor da Universidade do Brasil. E hoje, algo novo?

TUDO COMO ANTES....

6. Existem três Amazônias que podem ser tipificadas sob a óptica da geografia humana. A primeira composta por Manaus e Belém, cidades que servem de modelo para as demais capitais, podendo ser incluída aí, a cidade de Santarém que poderá vir a ser uma futura capital. As duas capitais têm características próprias, realçando-se o fato de serem sedes dos governos estaduais, manterem a representação de entidades federais, terem a melhor assistência médica e as melhores escolas, tornando-as pólo de atração da economia. É também para elas que convergem navios, aviões, visitantes e imigrantes, indústrias de maior sofisticação tecnológica, empresas prestadoras de serviços modernos, a maior parte das rendas tributárias, o comércio intenso e a produção e exportação de bens. São cidades com estruturas trabalhadas pela civilização.

A segunda Amazônia reúne as cidades sedes dos municípios do interior, tanto as que estão em fase de desenvolvimento, como aquelas que apenas têm rótulo de cidade. Os governos se esforçam para implantar alguma modernidade na infra-estrutura básica, construindo unidades de saúde mal equipadas, escolas de nível muito ruim, aeroportos, poços artesianos, estações de telefonia e reprodução de imagens de TV, mas a população, apesar da aparente figura citadina, mantém profunda relação com a atividade extrativista. Nem mesmo a inserção de núcleos universitários muda a feição da segunda Amazônia.

A terceira Amazônia é composta por um número desconhecido de famílias, vivendo em estado de profunda desagregação social, sem perspectivas de futuro, em condições subhumanas, embrutecidas e aviltadas, conformadas com o destino que é definido pelos donos da terra. Elas formam vilas, povoados, sítios, se alojam em fazendas, seringais, castanhais, pontos de comércio, se alimentando da caça, da pesca, de frutos da floresta e de produtos de uma incipiente cultura de subsistência.
Resumo de um artigo de Djalma Batista publicado no Jornal da Cultura em 1975.

É uma pena que no Amazonas de hoje não tenhamos um político com a coragem de Heliodoro Balbi, para denunciar que o tempo passa, os governantes se sucedem, e pouco ou quase nada muda.

(*) é professor da UEA e ex-diretor do Inpa

Publicado por Ana Tropicana às 08:55 PM | Comentários (0)

Guerrilha do Araguaia


epopeias de vermelho

Podia contar-te o que sei da história, é certo. Mas é que há quem a conte muito, muito melhor, do que eu, acredita. E por isso te pergunto se consegues fechar os olhos à cor e empurrar um pouco para o lado a linha que separa o nome que se dá aos ideais. Porque se souberes, porque se conseguires, eu estendo-te a capa e deixo que sejam eles mesmos, os Guerreiros do Araguaia, a folhear as páginas e a narrar-te os parágrafos pelo lado de dentro: assim.

Publicado por Ana Tropicana às 06:42 PM | Comentários (0)

«Princípios»

A 83ª edição da revista Princípios, da editora Anita Garibaldi, dedica pela primeira vez a capa à questão dos limites naturais do planeta e ao caracter predatório da intervenção humana.





Lá dentro, por miolo, há uma entrevista com o secretário-executivo do Ministério de Ciência e Tecnologia, Luís Fernandes («Protocolo de Kyoto: o Brasil e o mundo») que aborda várias polémicas em torno das cláusulas do Protocolo e o papel do Brasil na última Conferência do Clima, que decorreu no Canadá.

Mais adiante, um artigo assinado por John Bellamy Foster («A ecologia de Marx») desmentindo com argumentos interessantes que Karl Marx tenha menosprezado a questão ecológica face à questão tecnológica.

O geógrafo Aziz Ab`Saber publica um excelente trabalho sobre a abordagem da questão ambiental no mundo urbano: «(Re) pensando o futuro».

Aldo Arantes («Meio ambiente e desenvolvimento») desenvolve a relação entre desenvolvimento e meio ambiente; Nilce Olivier Costa traça o papel da Agência Nacional do Petróleo no fomento de uma relação saudável entre a indústria petroleira e o meio ambiente no Brasil;
Dalton Melo Macambira, («Semi-árido nordestino: estratégias para o desenvolvimento sustentável»)demonstra, num outro artigo, as deficiências históricas daquela região e a necessidade de uma opção política para o seu relançamento económico e social; Eron Bezerra disseca a dialéctica da relação desenvolvimento-preservação na Amazónia («Desenvolvimento versus preservação ambiental»); e, por fim, o governador do Acre, Jorge Viana, escreve tentando demonstrar empiricamente a possibilidade de desenvolvimento não predatório («O governo da Florestania»).

A conjuntura nacional e a necessidade de um novo projecto de desenvolvimento é o tema de entrevista com o presidente do PCdoB, Renato Rabelo («Mensagem aos brasileiros: chegou a hora do desenvolvimento»).

Ronaldo Carmona escreveu «América Latina: na luta pela sua segunda independência». E a revista traz ainda um resumo do «Apelo de Bamako», aprovado no capítulo africano do Fórum Social Mundial; inclui um relato da última Conferência Nacional de Cultura, assinado por Élder Vieira e Sérgio Sá Gusmão; e relembra o Dia Internacional da Mulher, num artigo assinado por Ana Rocha («O marxismo e a questão da mulher»).

Publicado por Ana Tropicana às 06:13 PM | Comentários (0)

fevereiro 10, 2006

"Get The Hang Of It"

...Sim, e se o mundo fosse de repente uma superfície lisa e sem comandos?
Navegariamos certamente de uma maneira diferente, sem "botões". Ou não?!...
Para encerrar a madrugada, algo genial (absolutamente genial!), que me leva para a cama com mil questões a congeminarem-se cérebro a dentro.

(...)

«So prepare yourself mentally for the new situation and click here for the last time before...»


Publicado por Ana Tropicana às 01:58 AM | Comentários (0)

janeiro 09, 2006

Janus ou Acerca dos Fins e dos Começos


janus de autor desconhecido

Janus é o deus romano das portas ("janua"), portões e outras entradas: o guardador dos fins e dos começos, representado por uma dupla face, apontando precisamente em duas direcções contrárias. A civilização antiga entendia-o como uma espécie de tutor da transição, uma mão mais iluminada que sempre guiava a passagem de um a outro acontecimento de suma importância na vida de cada humano. Por séculos o homem se questionou diante desse duplo rosto, olhando com expressões distintas para trás e para diante, procurando ler-lhe na sabedoria divina a chave que norteia a correcta forma de olhar o mundo. E vendo-o, então, olhar para trás de sobrolho vagamente franzido, e para a frente de enigmático sorriso nos lábios, entendeu por bem confiar o primeiro mês do ano, Janeiro, ao seu louvor.

(...)

Vem isto agora a propósito de coisa nenhuma, ou mais exactamente do facto simples de ter um calendário mesmo aqui à frente dos meus olhos. Podia falar do tempo. Deu-me para falar dos meses.

(...)

... E "coincidentemente" voltamos a estar em Janeiro! Ou antes: talvez não por acaso volta a ser Janeiro!...

Publicado por Ana Tropicana às 01:35 PM | Comentários (6)

Acerca de Templos, Portas, Portões e Guardiões

Em vida, Janus foi o 1º rei a trazer um tempo de paz e justiça à Terra. Talvez por isso foi o seu nome que Roma se lembrou de chamar na madrugada em que, traída por uma patrícia que abriu as portas da cidade aos invasores, se viu na aflição de cair às mãos dos atacantes. Pacífico, porém justo, Janus escutou o apelo: fez crescer um estranho anel em torno da cidade que repeliu para longe todos quantos ousavam ultrapassar-lhe o perímetro, com eficácia idêntica à propulsão de uma fisga.

Vem isto a propósito de algumas perplexidades recentes com que tenho sido confrontada acerca deste meu costume de escancarar as portas nos momentos de maior debilidade.

Aprendi com os romanos a conservar os portões abertos, precisamente nos tempos de maior perigo: para que os deuses possam intervir em caso de necessidade. Em tempos de paz os portões são finalmente fechados.

Publicado por Ana Tropicana às 01:01 PM | Comentários (1)

janeiro 07, 2006

Frenesins de Fim-de-Semana


nothing missing de ana tropicana

Afligem-me cada vez mais as pessoas que mal abrem os olhos começam a engendrar formas de preencher cada minuto do fim-de-semana que têm pela frente. Sempre que penso nisso pergunto-me se não o fazem por viverem apavoradas com a possibilidade de acordar de frente para o tempo morto.

Cá por mim, nada me paga a felicidade de não precisar de fugir das horas: só porque é fim-de-semana.

Publicado por Ana Tropicana às 01:03 PM | Comentários (1)

Não é para todos, é para quem tem


fer(id)a de alan rabinowitz

Deitar por terra a fera pode ser um feito reservado aos que se acham poderosos, mas cuidar-lhe as feridas não é, definitivamente para todos. É só para alguns: para os verdadeiramente corajosos, como se prova AQUI.





Foto: «Meu nome é Gal» (autor: Gustavo Duque)


Conhecemo-nos num fim de tarde, no "banheiro" do único lugar onde era possível comer mais do que "churrasquinho de gato", as duas frente a um espelho minúsculo e ferrugento colocado sobre a pia, tentando dar um certo alinho à revolução dos cabelos, para fingir um ar mais civilizadamente condigno com o género feminino, antes de nos sentarmos à mesa.

Viriamos a dividir várias outras coisas, daí em diante: o banco da lancha, o peso das mochilas, alguns banhos de rio, t-shirts e filtros solares, cartões telefónicos e depiladoras eléctricas, passando pela curiosidade masculina, uns litros de gasolina e alguns minutos nos cybercafés locais.

Em qualquer lugar que chegassemos, ela nunca despia inteiramente uma pele ambígua que ficava assim entre o diplomático e o implacável. Assumia a sua condição de indefectível relações públicas, chamando a si a tarefa de zelar pelas relações nem sempre fáceis entre os felinos do mato e as populações circundantes.

Um dia, na praça da Perfeitura, lá para as bandas do município de Marabá, no sudoeste do Pará, teve um "pega bravo" com um fazendeiro que, na época, descobrira o filão dos safaris e do agro-turismo. Chamou-lhe cobarde e a coisa subiu de tom. Emirato puxou dos galões ali mesmo e começou um longo inventário de episódios de caça, de disparos corajosos feitos na solidão da mata «só eu e o olho desse bichão luzindo feroz na minha direcção». Quando perdeu o fôlego e se calou para limpar o suor da testa e pitar o charuto, ela repetiu a frase da discórdia: «Coisa para pouca coragem», ela disse. E disse. Só assim. Não como um arremeço, apenas como se essa fosse a inquestionável conclusão a que se podia chegar depois de tanta oratória empolgada. Disse, simplesmente. Calma e serena, como sempre.

Mais tarde, sentadas na sombra de um jacarandá generoso, falava-lhe eu dessa valentia inquietante que me era impossível não reconhecer diante de certos caçadores da floresta, desse sentimento algo contraditório, porém indesmentível, que às vezes me dividia na complicada destrinça entre a caça e o caçador, ela disse-me uma coisa espantosa que nunca mais esqueci:

«Qualquer um pode acabar com uma onça. É coisa fácil. Porque para ferir ou matar você não precisa se aproximar. Arriscado é curar porque para sarar é preciso se aproximar. Ninguém pode cuidar se mantendo na protecção da distância. Você precisa escolher. Se quiser cuidar não tem como: precisa ter a coragem de chegar perto. Se quiser só balear, pode até ficar ao largo: basta fazer pontaria. Não precisa mais que uma boa arma com chumbo dentro. Não é para matar que é preciso coragem, é para cuidar. Sem contar que onça ferida é muito mais feroz que onça desavisada. Já viu fera machucada? Pois não queira! Mesmo agonizando você treme na frente dela. »

Também não sei porque me recordo disto agora. Talvez tenha que ver com um texto genial da Luma que li aqui há dois dias atrás.

Na impossibilidade de uma onça para cuidar, tento imaginar o Coronel Emirato, tez dura, corpanzil de quase um metro e noventa, a aproximar-se do gatinho lá de casa para aplicar uma injecção ou dar um comprimido. E morro a rir supondo que iria ser mais ou menos assim: tal e qual é descrito AQUI.





Foto: Anah e os lobos

Anah é bióloga formada pela Universidade Católica de Goiás, com mestrado em Ecologia pela Universidade Federal de Goiás (tese: Nicho alimentar do lobo-guará no Parque Nacional das Emas). Actualmente desenvolve o projecto de doutoramento em Biologia Animal na Universidade de Brasília (tese: Ecologia e conservação de queixadas e catetos na região do Parque Nacional das Emas). Estuda os carnívoros e as suas presas desde 1994 dentro e no entorno do Parque Nacional das Emas - GO.




Já agora, deixo «O Caminho Livre para a Fera»:

«As onças-pintadas costumam encher de medo a vida dos fazendeiros do Pantanal e dos ribeirinhos da Amazônia, as duas regiões brasileiras onde suas aparições são mais comuns. Mesmo assim, os biólogos Leandro Silveira e Anah Tereza Jácomo, que trabalham para a ONG preservacionista Pró-Carnívoros, resolveram seguir passo-a-passo – literalmente – as onças que vivem no Parque Nacional das Emas, uma reserva de cerrado no sudoeste de Goiás. Depois de adormecer os bichos com armas anestésicas, a equipe da Pró-Carnívoros marcou um animal adulto e dois filhotes com coleiras sinalizadoras. "São os primeiros mamíferos terrestres brasileiros monitorados por satélite", diz Leandro. O trabalho começou em 1994 e a dupla já conseguiu dados preciosos sobre o comportamento da espécie. Eles rastrearam o adulto até 40 quilômetros além dos limites do parque e notaram que ele avança sempre por caminhos de vegetação nativa, margeando o rio Corrente em busca de outras áreas de cerrado. A demarcação informal desse "corredor" preservado embargou provisoriamente as obras da barragem de Itumirim, uma hidrelética que, se construída, irá alagar um trecho do rio Corrente até perto a junção dos rios Formoso e Jacuba (...). Com a inundação, as onças ficariam isoladas, impedidas de viajar em busca de alimento e, principalmente, parceiros para a reprodução. (...)»

in National Geographic. Brasil. Vol. 1, n.o 4. Agosto de 2000

Publicado por Ana Tropicana às 08:39 AM | Comentários (0)

janeiro 06, 2006

«Sinais» - A Arte de Esquecer

«O esquecimento é uma das formas da memória, seu impreciso porão, o outro lado secreto da moeda. (...) Não há sobre a terra uma só coisa que o esquecimento não apague ou que a memória não altere. (...) Todos seremos esquecidos»
Jorge Luís Borges



«A Memória, o Esquecimento», Fernando Alves
[in Sinais - Emissão TSF - 04 Jan 2006 - 09:17]

... Sobre as imperdoáveis omissões, as atrocidades do silêncio imposto, a perplexidade face às absurdas incompletudes, o recordar do parentesis atroz, as meras aproximações superficiais e em sobressalto, e a desmesura de alguns crimes que amputam o trabalho da memória e inibem que se aprenda a arte de esquecer.

Também se acede ao registo aúdio por AQUI

Publicado por Ana Tropicana às 11:58 PM | Comentários (0)

janeiro 01, 2006

Dossier Amazónico

A Revista Ciência & Ambiente publica no número Janeiro/Junho 2006, a 2ª parte de um amplo dossier sobre a Amazónia. À semelhança da opção que já havia sido feita na edição Julho/Dezembro 2005, os editores decidiram-se por um enfoque em grandes e importantes sistemas amazônicos. Vale a pena ler! Pela correcta dimensão da região e dos problemas lá existentes.




Revista Ciência & Ambiente publica dossiê amazônico
Os editores optaram pelo enfoque de grandes, e importantes, sistemas amazônicos.
Fonte: Portugal Digital - DF | Data: 26/12/2005 - 09:30


São Paulo - Entre tantos adjetivos comumente usados depois da palavra Amazônia, fica complicado destacar um que realmente dê a correta dimensão da região e dos problemas lá existentes. Talvez seja por isso que a gama de assuntos escolhidos pela revista Ciência & Ambiente para as suas duas mais recentes edições seja tão grande.

Ao contrário de sínteses, Delmar Bressan, editor da publicação do Rio Grande do Sul, feita na Universidade Federal de Santa Maria, e o jornalista Marcelo Leite (editor convidado) optaram pelo enfoque de grandes, e importantes, sistemas amazônicos. Tanto na edição número 31 como na 32, 12 artigos em cada uma, muitos assinados por mais de um pesquisador, apresentam e discutem a Amazônia.

Recursos naturais, história, economia e políticas públicas. Esses quatro grandes temas dão o tom das contribuições. Os irmãos Antônio e Carlos Nobre, pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), escreveram o artigo O carbono e a Amazônia, enquanto José Maria Cardoso da Silva, da Conservação Internacional, voltou a um de seus assuntos preferidos em Áreas de endemismo da Amazônia.

No volume 32, mais representantes de ONGs e de universidades. E, em ambas as situações, como atesta Leite em editorial, a produção científica está sempre presente, principalmente no caso amazônico.

Adalberto Veríssimo, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), escreveu sobre uma política para conservação e manejo florestal sustentável. Mas o cardápio vai além. Passa pela madeira, soja e pecuária. Enfim, sobre todos os assuntos essenciais para quem se interessa pelo exuberante continente verde ao Norte do país.

Mais informações AQUI .




Edição nº 32 - «Amazônia: Economia e Políticas Públicas» (Editor convidado: Marcelo Leite - 168 páginas)


Sumário:


EDITORIAL
“Florestania”
análises, princípios e propostas socioambientais para superar os vícios da economia de fronteira na Amazônia
Marcelo Leite


Do Avança Brasil ao PPA de Lula
o que mudou do ponto de vista ambiental na agenda do desenvolvimentismo na Amazônia
Mary Allegretti


PPA 2004-2007 e obras de infra-estrutura na Amazônia
Roberto Smeraldi


Passos para uma política de gestão socioambiental da indústria madeireira da Amazônia
Daniel Nepstad, Claudia Azevedo-Ramos, Paulo Moutinho, Eirivelthon Lima e Frank Merry


Florestas Nacionais
uma política para conservação e manejo florestal sustentável na Amazônia
Adalberto Veríssimo


O desmatamento na Amazônia e a efetividade do Protocolo de Quioto
Márcio Santilli e Paulo Moutinho


Custos e benefícios do desmatamento na Amazônia
Ronaldo Seroa da Motta


Origem e destino da madeira amazônica
Paulo Barreto


Apoio científico para os padrões de manejo de madeira na floresta amazônica
a questão da sustentabilidade
James Grogan, Edson Vidal e Mark Schulze


Pecuária e madeira
lucratividade, expansão e sustentabilidade
Eugênio Arima e Paulo Barreto


O dilema brasileiro
Lester Brown


Soja na Amazônia
impactos ambientais e estratégias de mitigação
David G. McGrath e Maria del Carmen Vera Diaz






Edição nº 31 - «Amazônia: Recursos Naturais e História» (Editor convidado: Marcelo Leite - 168 páginas)


Sumário:

EDITORIAL
Amazônia
uma gigantesca oportunidade para o Brasil reinventar-se
Marcelo Leite


Megadiversidade amazônica
desafios para a sua conservação
Gustavo A. B. da Fonseca e José Maria Cardoso da Silva


Áreas de endemismo da Amazônia
passado e futuro
José Maria Cardoso da Silva


O carbono e a Amazônia
o incerto conhecimento atual e estratégias
Antonio Donato Nobre e Carlos Afonso Nobre


Os rios da Amazônia e suas interações com a floresta
Pia Parolin, Maria Teresa Fernandez Piedade e Wolfgang J. Junk


Situação das unidades de conservação na Amazônia brasileira
Nurit Bensusan


O lugar dos lugares
escala e intensidade das modificações paisagísticas na Amazônia Central pré-colonial em comparação com a Amazônia contemporânea
Eduardo Góes Neves


Alianças conservacionistas com sociedades indígenas da Amazônia brasileira
Barbara Zimmerman e Enrico Bernard


Línguas indígenas, línguas ameaçadas
Bruna Franchetto


O perspectivismo ameríndio ou a natureza em pessoa
Eduardo Viveiros de Castro


“Arrastados por uma cega avareza”
as origens da crítica à destruição dos recursos naturais amazônicos
José Augusto Pádua


Entre o global e o local
a pesquisa científica na amazônia do século xx
Marcos Chor Maio, Nelson Sanjad e José Augusto Drummond

Publicado por Ana Tropicana às 01:16 AM | Comentários (0)

«Fatos Florestais da Amazônia 2005»

«Fatos Florestais da Amazônia 2005» resume as informações disponíveis sobre o sector florestal da Amazónia com base nos levantamentos primários mais recentes do Imazon, secundados por dados de outras instituições (Ibama, IBGE, Ipea, Pnud, Inpe etc.).

A publicação está disponível para download AQUI.




«Fatos Florestais da Amazônia 2005»
Lentini, M.; Pereira, D.; Celentano, D.; Pereira, R. 2005


«O livro está dividido em sete capítulos. Inicialmente, resumimos os dados gerais da Amazônia brasileira. Em seguida, apresentamos os dados sobre o uso do solo, situação fundiária e cobertura florestal. No terceiro capítulo, compilamos os dados sobre o setor madeireiro a partir do levantamento do Imazon realizado em 2004. No capítulo 4, apresentamos dados comparativos do setor madeireiro em 1998 e 2004. No capítulo 5, resumimos as características da exploração florestal e do transporte madeireiro realizado na Amazônia Legal. No sexto capítulo, sintetizamos os avanços do manejo florestal, da certificação florestal e das iniciativas de manejo florestal comunitário. Por fim, no capítulo 7, resumimos os dados sobre o mercado de madeira e os preços médios dos produtos madeireiros processados na região.» [IMAZON]

Publicado por Ana Tropicana às 01:13 AM | Comentários (0)

dezembro 23, 2005

Sem Terra Natal


melting de rw

O que tem a ver um cubo de gelo, com a escolha de electrodomésticos para por no sapatinho, e a subida do nível das águas do mar, uns Verões aqui à frente, com a foca da Gronelândia e o urso polar...(já estou sem fôlego!)... e as luzes da árvore de Natal, e as janelas mal calafetadas, e o facto de Lisboa ser uma «cidade à beira-mar plantada»???

O emaranhado das relações está enunciado de forma mais clara (reconheço!) AQUI e é ainda mais claramente demonstrado AQUI.

... É por essas e outras relações menos óbvias que o Pai Natal corre o risco de se juntar ao movimento dos Sem-Terra e se tornar mais um Sem-Abrigo!





Foto: Melting (autor: RW)




Global warming will force Santa into waterwings: WWF
Fonte: Reuters | Data: Thu Dec 15, 2005 07:13

LONDON (Reuters) - Santa Claus may have to swap his sleigh for waterwings sooner than expected as global warming melts his Arctic home, environmental group WWF said on Friday.
A new study for the organization formerly known as the Worldwide Fund for Nature predicts that the earth could warm by two degrees centigrade above pre-industrial levels as early as 2026 -- and by triple that amount in the Arctic.

"This ... could result in Santa's home changing forever," said the report by Mark New of Oxford University.

And Rudolph and his fellow reindeer are not the only creatures under threat -- polar bears, ice-dwelling seals and several forms of Arctic vegetation are also at risk.

"We are already seeing signs of significant change in the Arctic with mountain glaciers retreating, snow cover disappearing, the Greenland ice sheet thinning and Arctic sea ice cover declining," said WWF climate campaigner Andrew Lee.

"All these changes tell us there is no time to lose -- we need to take drastic action now to combat climate change."




Fica a notícia em português. Eles traduziram por nós:



Terra do Pai Natal em risco de desaparecer até ao final do século
Fonte: Observatório do Algarve : Data: 22-12-2005 16:51:00

Um estudo do WWF (Fundo Mundial para a Natureza) sobre alterações climáticas no Ártico alertou hoje para o risco de desaparecimento da terra do Pai Natal antes do fim do século se não forem reduzidas as emissões de gases.

O estudo indica que a Terra pode aquecer mais dois graus acima dos níveis pré-industriais até ao ano 2026 e prevê que o Ártico aquecerá três vezes este valor, alterando para sempre as características do Pólo Norte.

Segundo o WWF, para minimizar os impactos devastadores das alterações climáticas seria necessário reduzir a emissão global de dióxido de carbono, o principal gás com efeito de estufa, em 60 por cento até 2050.

No Verão, o mar gelado do Ártico está já a derreter a uma taxa de quase dez por cento por década. Se a tendência se mantiver, o Oceano Ártico vai estar inteiramente derretido nos Verões próximos do final do século.

O processo pode levar à extinção do urso polar, da foca da Gronelândia e de alguns tipos de vegetação, alertam os ambientalistas.

O aquecimento global pode levar ao derretimento substancial do mar de gelo da Gronelândia, implicando o aumento dos níveis do mar em todo o mundo e afectando milhões de pessoas que vivem em cidades particularmente sensíveis à subida dos mares, incluindo Lisboa.

O WWF lembra ainda que todos podem tomar acções este Natal para reduzir o impacto das actividades humanas sobre o clima como, por exemplo, desligar os aquecimentos se a temperatura for igual ou superior a 10 graus, apagar as luzes da árvore de Natal quando não está ninguém em casa e durante a noite e comprar electrodomésticos eficientes.





Seja como for fica também a notícia na voz do arauto genuíno:



Santa's winter wonderland is melting
Fonte: WWF | Data: Monday 19 December 2005
As Santa prepares his sleigh and reindeer for their annual Christmas journey from the North Pole, WWF sends out an urgent warning that his snowy home is in danger of melting well before the end of this century, unless greenhouse gas emissions are cut drastically.
A WWF study, Arctic Climate Change with a 2 degree C Global Warming by Dr Mark New of Oxford University, suggests that the earth may have warmed by 2 degrees above pre-industrial levels as early as the year 2026. The study used simulations of global climate change to predict that the Arctic will warm by up to three times this amount which could result in Santa's home changing forever.

Santa is not the only resident who will be affected by the devastating impacts of dangerous levels of climate change.

Summer sea ice in the Arctic is already melting at a rate of nearly 10 per cent a decade. If this trend continues the Arctic Ocean will be entirely ice-free in summer well before the end of the century. In the Arctic this could lead to a loss of polar bears, some ice dwelling seals and some types of tundra vegetation as well as leading to fundamental changes in the ways of life of indigenous communities and other Arctic residents, including Santa.

The report points out that on-land warming over Greenland could lead to substantial melting of the Greenland Ice Sheet, contributing to an increase in sea levels around the world. The tens of millions of people living in low lying cities like Dhaka, Bangkok, Calcutta, Manila and the US states of Florida and Louisiana are particularly susceptible to rising sea levels. Greenland contains enough potential meltwater to raise global sea level by about seven metres over a time-scale of centuries.

"We are already seeing signs of significant change in the Arctic with the mountain glaciers retreating, snow cover disappearing, the Greenland ice sheet thinning and Arctic sea ice cover declining. All of these changes tell us there is no time to lose, we need to take drastic action now to combat climate change," said Andrew Lee, Director of Campaigns at WWF.

Global emissions of CO2, the main greenhouse gas, needs to be reduced by 60 per cent by 2050. Renewable energy technologies are available now and in many cases would save consumers money as well as helping the planet.

Although the power sector is the biggest single polluter of CO2, we can all take simple steps this Christmas to reduce the impact our lives have on our climate and help prevent Santa's home from melting - making sure he and other Arctic residents can stay in their winter wonderland.


Top five tips to help combat climate change this Christmas:

Buy a living Christmas tree from a sustainable source. Look after it and you should have it for next year, too.
Turn down the heating thermostat by 1°C. If you're cold put on that Christmas sweater your aunty bought you!
Switch off Christmas tree lights and decorations when you are out or overnight and when the family pop round over the festive period don't leave the TV, computer or stereo on standby - switch them off.
Treat your home and the planet to a Christmas present this year and switch your electricity to a credible green energy supplier. WWF's supplier is Ecotricity, for further details visit: www.ecotricity.co.uk
If you are thinking about buying a new washing machine, refrigerator, dishwasher, or oven in those New Year January sales buy the most energy-efficient model. They will pay for themselves through lower energy bills.




Further information
To find out more about ways in which you can live a greener lifestyle visit our Re-think section. To find out more about WWF's work on in this area visit our Climate Change Campaign website.


Publicado por Ana Tropicana às 02:57 PM | Comentários (0)

dezembro 18, 2005

Patrimónios Com Humanidade

Leio, em atraso, a crónica de Zuenir Ventura, e começo o dia em irreparável saudade:

«Fui domingo de manhã à igreja do Rosário dos Pretos assistir à missa rezada em liturgia católica e cantada em música afro-brasileira. Um dia antes voltei à Liberdade, o território sagrado do Ilê Aiyê, dessa vez subindo a lendária ladeira do Curuzu. Sob um sol de 40 graus, visitei o Corredor Cultural que está sendo implantado e comi abará, vatapá e Feijoada de Senzala.»

... Sim, é assim:

«A Bahia dá sempre a impressão de que foi escrita por Jorge Amado, musicada por Caymmi, Gil ou Caetano e filmada por Glauber Rocha ou Sérgio Machado, o do premiado “Cidade Baixa”. Tudo, claro, ao som de um samba-de-roda.»




«Tour Pelas Raízes»
por Zuenir Ventura


13.12.2005 | Até assistir na semana passada a uma apresentação do gênero no Pelourinho, não entendia por que o samba-de-roda do Recôncavo Baiano fora proclamado pela Unesco Patrimônio da Humanidade na categoria “expressões orais e imateriais”. Vendo as velhas baianas rodando e batendo palmas ao som de viola, pandeiro, atabaque e chocalho, percebe-se logo que esse estilo afro-brasileiro condensa o ritmo e o som que embalam o país até hoje, sem falar na influência exercida sobre compositores como Dorival Caymmi, Caetano Veloso e Gilberto Gil.

O espetáculo fazia parte do VI Mercado Cultural, um evento que reúne o que há de mais expressivo no circuito independente e autoral daqui e de fora em termos de música, principalmente. Ouvem-se inesperados sons vindos da Finlândia e da Austrália, mesmo dos EUA, Colômbia e Argentina, ou até do Brasil. Como em geral são produtos ainda não consumidos pela mídia, há sempre a possibilidade de surpresas e novidades.

Entre um show e outro, quis fazer um tour pelas raízes. Fui domingo de manhã à igreja do Rosário dos Pretos assistir à missa rezada em liturgia católica e cantada em música afro-brasileira (só essa celebração vale uma ida a Salvador). Um dia antes voltei à Liberdade, o território sagrado do Ilê Aiyê, dessa vez subindo a lendária ladeira do Curuzu. Sob um sol de 40 graus, visitei o Corredor Cultural que está sendo implantado e comi abará, vatapá e Feijoada de Senzala. O estômago resistiu bravamente, mas um joelho não. Agravado pelas muitas andanças no Pelô, o menisco esquerdo saiu lesionado, justo às vésperas da Copa do Mundo.

Mas compensou. Há anos, cobrindo a Festa de Iemanjá, entrevistei o professor de Direito Joaquim Barbosa Gomes, que ainda não era ministro do Supremo Tribunal Federal. Negro e militante da causa negra, ele tinha várias razões para amar Salvador, entre as quais o multiculturalismo e o respeito à História. “Aqui se respeita o passado”, ele me disse, “as referências estão por toda parte.” Foi então que me dei conta de que, se o Rio é uma cidade geográfica, Salvador é histórica.

Com uma arquitetura de convivência, sincrética, misturando passado e presente, ela traz a cara e a alma encharcadas de reminiscências. Esbarra-se com a História em cada canto. Basta dizer que fez de sua independência uma espécie de data “nacional”. Não é o 7 de setembro que atiça o civismo baiano, mas o 2 de julho, quando em 1823 os portugueses foram expulsos da cidade. Na Bahia, há vestígios do passado até no anacrônico H do nome, tão dispensável em sua função quanto os Fortes protegendo a entrada da cidade.

Essa terra de Todos os Santos, ela própria um patrimônio cultural, não se descobre, se reconhece. Mesmo pela primeira vez, a gente desembarca já carregando uma na imaginação. A Bahia dá sempre a impressão de que foi escrita por Jorge Amado, musicada por Caymmi, Gil ou Caetano e filmada por Glauber Rocha ou Sérgio Machado, o do premiado “Cidade Baixa”. Tudo, claro, ao som de um samba-de-roda.

Publicado por Ana Tropicana às 11:33 AM | Comentários (1)

dezembro 09, 2005

Dia Mundial Contra a Corrupção

Quando se pensa na luta de tanta gente, pelos séculos e pelo mundo, em nome do direito ao livre exercício de cidadania implícito na constituição de um partido político, é sempre uma dor ler:

« Os partidos políticos são considerados em todo o mundo como a instituição mais corrupta»

A conclusão é de um estudo revelado pela ONG Transparency International (TI). O Relatório está disponível para consulta na íntegra AQUI.




Corrupção: Partidos políticos são instituição mais corrupta, relatório
Fonte: LUSA | Autor: JPA | Data: 09-12-2005 1:51

Os partidos políticos são considerados em todo o mundo como a instituição mais corrupta, revela a Organização Não Governamental T ransparency International (TI) num relatório divulgado hoje, Dia Mundial das Naç ões Unidas contra a Corrupção.

"Os partidos políticos são encarados como os mais corruptos" em 45 dos 69 países abrangidos por um inquérito, no qual foram ouvidas cerca de 55.000 pessoa s, afirmou Huguette Labelle, a presidente do TI, ao apresentar em Londres o "Bar ómetro Mundial da Corrupção 2005".

"Globalmente, os partidos políticos foram, de longe, encarados como as ins tituições mais corrompidas da sociedade. Trata-se de um número superior ao apura do no ano passado, onde só 36 dos 62 países envolvidos no inquérito manifestaram essa opinião", acrescentou.

A TI sublinha que a corrupção tem tanto mais impacto sobre a via pessoal d os cidadãos quanto mais pobres eles são. Para 43 por cento das pessoas com rendi mentos baixos a corrupção afecta-os muito ou de forma mediana, contra 36 por cen to dos que têm rendimentos elevados.

A sondagem efectuada pela Gallup para a TI revela também que a maioria dos entrevistados (57 por cento) considera que a corrupção aumentou nos três último s anos, enquanto para 27 por cento ela mantém-se estável e apenas 10 por cento a cha que diminuiu.

O pessimismo também se revela quanto ao futuro: 44 por cento dos interroga dos pensa que a corrupção vai aumentar nos próximos três anos, 30 por cento que vai continuar no mesmo nível e 19 por cento que vai diminuir.

Paradoxalmente, África é a excepção, pois no continente africano são as fo rças policiais que são consideradas como a instituição mais corrupta e não os pa rtidos políticos.

Além das formações partidárias, as outras instituições tidas como as mais corrompidas variam conforme as regiões, desde os parlamentos à polícia, passando pelos sistemas judiciários, pelas alfândegas e pelas administrações fiscais.

Os países desenvolvidos e os seus sistemas democráticos também não são pou pados pela corrupção.

Entre os países ricos "onde os partidos políticos foram classificados como a instituição mais corrupta" a TI indica a Alemanha, Canadá, Espanha, Estados U nidos, Finlândia, França, Israel, Itália, Japão, Luxemburgo, Reino Unido e Suíça .

Na Europa ocidental, as instituições tidas como mais corrompidas, depois d os partidos, são os parlamentos, os sectores de negócios e os media.

As Organizações Não-Governamentais e as instituições religiosas são consid eradas as instituições menos corrompidas em todo o mundom, embora a Turquia mani feste dúvidas sobre as ONG's e o Japão, Grécia e Israel também o façam relativam ente às entidades religiosas.

"Os resultados deste inquérito são um sinal de alarme. Mas as coisas podem mudar", mas para isso é necessário haver liderança e pressão por parte da opini ão pública em cada país", considerou Huguette Labelle.


Publicado por Ana Tropicana às 12:43 PM | Comentários (0)

dezembro 07, 2005

De Mulher para Mulher

Apesar das reservas que guardo diante do pressusposto de evitação do erro, enquanto fórmula útil na aprendizagem, e do desconforto de princípio que a noção de «modelo de conduta» me causa, deixo o link para o Projecto de Mentoring - De Mulher para Mulher. Porque nunca é demais «reforçar a autonomia e o envolvimento em domínios onde a presença das mulheres ainda é escassa». Porque qualquer contributo para «uma nova cultura política» onde mulheres e homens detenham a mesma força e influência é sempre bem vinda.

Já agora, o projecto também tem um blog: AQUI.


Publicado por Ana Tropicana às 01:02 PM | Comentários (0)

dezembro 06, 2005

Do Amor, Da Proteína e Dos Prazos de Validade

Começar o dia a folhear jornais traz sempre instantes de grande revelação.

Diz que a paixão exerce sobre o cérebro um efeito viciante, semelhante ao de uma droga: AQUI.
Ao que parece, o aumento dos níveis das proteínas chamadas neurotrofinas, existentes no cérebro, está ligado aos sentimentos de euforia e dependência que surgem no começo de uma paixão. Acontece que o efeito tende a dissipar-se ao final do primeiro ano: AQUI.

Está explicado!...

Publicado por Ana Tropicana às 08:30 AM | Comentários (0)

dezembro 04, 2005

Pará: Terra dos "Sem-Lei"


velho "oeste" de cpt

A Pastoral da Terra e as ONGs Justiça Global e Terra de Direitos divulgaram, no passado dia 28 de Novembro, o relatório intitulado «Violação dos Direitos Humanos na Amazônia: conflito e violência na fronteira paraense», fruto do trabalho de alguns meses, iniciado pouco após o assassinato da missionária, Dorothy Stang, a 12 de Fevereiro deste ano.

As conclusões são chocantes: dos 772 assassinatos cometidos contra trabalhadores rurais e outros defensores dos direitos humanos no Estado do Pará, entre 1971 e 2004, apenas 3 julgamentos foram realizados. Nos últimos 10 anos, foram assassinados, em média, 13 trabalhadores por ano, houve 128 tentativas de assassinato e foram registadas 459 ameaças de morte.

De acordo com dados, nos últimos cinco anos mais de 300 fazendas foram denunciadas pela prática de trabalho escravo, envolvendo mais de 10 mil trabalhadores. Estima-se que cerca de 10 mil trabalhadores continuem a ser mantidos escravizados na região, como forma de diminuir os custos da produção.

O documento divulga ainda listas de lideranças assassinadas no Pará, de 48 pessoas ameaçadas de morte, de 76 fazendeiros multados por trabalho escravo, e de 30 pistoleiros e mandantes que tiveram a prisão decretada, sem nunca ser cumprida.

O Relatório está disponível para download AQUI





Foto: Capa Oficial (autor: CPT)


É certo que os factos e dados apresentados são claros e gritantes. Ainda assim, para dissecar o relatório apresentado, deixo dois artigos, à laia de auxiliares:




Intimidação, ameaça de morte e assassinato de lideranças, grilagem de terras, formação de milícias privadas, destruição do meio ambiente, corrupção, desvio de recursos públicos e utilização de trabalho escravo. Todos esses crimes e violações de direitos humanos se concentram de maneira perversa no Pará, principalmente nas regiões sul e sudeste do Estado, marcadas pela ausência do poder público. Soma-se a isso a total impunidade em relação aos autores desses crimes, o que perpetua os conflitos no campo paraense.

O relatório “Violação Dos Direitos Humanos na Amazônia: conflito e violência na fronteira paraense”, que contém recomendações para a atuação dos governos federal e estadual no Pará, pretende ser um instrumento para trabalhadores rurais e organizações locais de monitoramento e cobrança de ações do Estado. Ele será entregue a diversos ministérios brasileiros e a representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) que tratam dessas questões.

De acordo com o relatório, “os conflitos fundiários têm resultado, nas últimas décadas, em inúmeras chacinas nas quais é inequívoca a conivência dos poderes públicos com o crime organizado no campo”.

A impunidade, por sua vez, se constitui numa espécie de “licença para matar” e garante a repetição desse ciclo: “É muito difícil que um caso desses seja levado à Justiça, e quando isso acontece, os culpados não são presos, ficam foragidos. A atuação do Judiciário e da polícia é muito mais rápida quando se trata de um trabalhador rural ou integrante do MST acusado injustamente”, compara Carlos Eduardo Gaio, coordenador de relações internacionais da Justiça Global, que participou da elaboração do relatório.

O documento aponta que o Pará também desponta no cenário nacional em relação ao trabalho escravo.

Toda essa situação ocorre, em grande medida, por causa da histórica ausência do aparato do Estado na região. A parca presença da Polícia Federal, do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), por exemplo, não é suficiente para evitar os conflitos. “Muitas delegacias sequer têm recursos para pagar o combustível de suas viaturas e algumas não possuem telefone, num Estado que é maior do que a Bolívia. Elas ficam isoladas, muito mais suscetíveis a pressões de fazendeiros e grileiros”, afirma Gaio.

Em relação às políticas e programas governamentais existentes, o estudo avalia que algumas delas apontam para uma mudança de perspectiva na atuação do Estado na Amazônia. “É inegável que, principalmente nos últimos dois anos, ao lado das políticas desenvolvimentistas e das obras de infra-estrutura, os governos têm dado progressiva atenção às políticas que respeitam e promovem a sociodiversidade amazônica”, afirma o relatório. No entanto, diversas políticas públicas em discussão no Pará continuam “espelhando as contradições e a disputa de modelos de desenvolvimento”. Uma prova disso é a convivência entre os debates em torno da construção de estradas e hidrelétricas e de propostas inovadoras, conquistadas na forma de políticas públicas por meio da luta popular.

Se, por um lado, houve ações importantes para os trabalhadores rurais da região como a criação da Reserva Extrativista Verde para Sempre, dos Projetos de Desenvolvimento Sustentável e a edição do Decreto 4.887, de 2003, que regulamenta a regularização dos territórios quilombolas, por outro, também ocorreu a autorização pelo Congresso da construção da hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira, a continuidade do desmatamento e o incentivo à expansão do agro-negócio, em especial da cultura de soja, que avança a cada dia.

“Essa possibilidade de mudança de gestão do território e inserção de um ingrediente sustentável apresentada pelo governo federal e de que a polícia federal retome o controle do território, suspenda o desmatamento e controle os grileiros sofre forte reação dos fazendeiros. Eu credito a isso a morte da irmã Dorothy Stang, em fevereiro deste ano”, avalia o advogado Darci Frigo, coordenador da ONG Terra de Direitos, um dos responsáveis pelo relatório. Segundo ele, esse novo formato da política na região não teve o acompanhamento devido dos órgãos governamentais para resolver situações litigiosas, o que gerou um acirramento dos conflitos.

Por isso, o problema dos defensores de direitos humanos jurados de morte se encontra em situação emergencial. Mesmo com a comoção nacional e internacional gerada pelo assassinato da irmã Dorothy, esse tipo crime continua se repetindo na mesma proporção. “Com a presença do exército na região durante dois meses, fazendeiros e grileiros ficaram quietos, mas depois, quando eles saíram, a situação voltou ao que era. Jagunços e grileiros ficaram mais fortalecidos para fazer o que faziam antes”, denuncia Gaio.


Reforma agrária sustentável

Dentre as recomendações do relatório, destacam-se a aprovação imediata da a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 438/2001 que prevê a expropriação de terras onde forem encontrados trabalhadores escravos; o fortalecimento e estruturação das unidades do Ibama no Estado do Pará, garantindo eficácia às ações de fiscalização e combate ao desmatamento ilegal e às ações de implementação das unidades de conservação criadas; o cancelamento imediato dos registros irregulares de terras griladas; a estatização dos cartórios; e a investigação de todos os casos de ameaças, tentativas e assassinatos de trabalhadores rurais, lideranças e demais defensores dos direitos humanos na região.

Uma política séria de reforma agrária, no entanto, é apontada como a principal solução para grande parte dos problemas descritos no documento. “São mais de 20 mil famílias, acampadas ou ocupando latifúndios em todo o Estado. Sem reforma agrária (que promova uma verdadeira desconcentração da terra, coibindo e retomando terras griladas) e sem punição para os crimes contra trabalhadores e outros defensores, a violência continuará ceifando a vida das pessoas que lutam pelo justo direito à terra, à preservação do meio ambiente e a uma vida digna nesta porção da Amazônia”, ressalta o relatório. Mas não é uma reforma agrária qualquer que eles defendem e sim um modelo específico. “Queremos uma reforma agrária que seja sustentável, baseada nos direitos humanos, no respeito às comunidades tradicionais e na sustentabilidade ambiental. Não é para distribuir terra a torto e a direito”, define Frigo.

As entidades pretendem entregar o documento a diversos ministérios, – como o da Reforma Agrária, do Meio Ambiente, da Justiça e da Agricultura – solicitando que ministros e secretários dêem atenção especial a esse relatório e suas recomendações. Ele também será enviado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), para quem as entidades já fizeram uma apresentação preliminar de seu conteúdo, à Comissão de Direitos Humanos e aos relatores especiais da ONU relacionados a temas abordados no relatório, como execuções extra-judiciais, defensores de direitos humanos, independência de juízes e advogados, direito à alimentação, direito à saúde, entre outros.

No dia 5 de dezembro, a Representante Especial das Nações Unidas para Defensores de Direitos Humanos, Hina Jilani, inicia sua missão oficial ao Brasil e estará no Pará de 7 a 9 de dezembro. As organizações da sociedade civil se mobilizaram para que a visita dela ao Estado coincida com o julgamento de dois acusados do assassinato da irmã Dorothy Stang, que devem ser levados a júri popular nos dias 9 e 10 de dezembro. Ela também deverá passar pelos Estados de Pernambuco, Bahia, Santa Catarina, e São Paulo.

por Fernanda Sucupira





Cf.

Violação dos direitos humanos na Amazônia: conflito e violência na fronteira paraense


As organizações não-governamentais Comissão Pastoral da Terra (CPT),
Terra de Direitos e Justiça Global apresentam no dia 28 de novembro, às 14h30, na sede da CNBB em Brasília, o relatório "Violação Dos Direitos Humanos na Amazônia: conflito e violência na fronteira paraense". O livro, que também será disponibilizado em inglês e alemão, será entregue além das autoridades do governo federal e do Pará, à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, à Comissão de Direitos Humanos da ONU e à Representante Especial das Nações Unidas para Defensores de Direitos Humanos, Hina Jilani, que chega ao Brasil em missão oficial no dia 5 de dezembro, e que inspecionará o Pará de 7 a 9 do mesmo mês.

A pesquisa, realizada em parceria pelas três organizações, traz uma análise sobre a situação fundiária e a violência no Estado do Pará, desnudando as relações entre a degradação ambiental, a situação fundiária e as violações de direitos humanos.

A partir das denúncias, lutas e problemas enfrentados pelos trabalhadores, o relatório aborda o desmatamento, a grilagem e a violação dos direitos humanos. As reflexões procuram também abordar e analisar as dificuldades na implementação de um programa de reforma agrária sustentável e na demarcação de reservas extrativistas.

Como lugares e exemplos dessa luta, foram visitadas e pesquisadas as localidades de Rondon do Pará, Anapu, Terra do Meio, Castelo dos Sonhos e Porto de Moz. Essas regiões ilustram, por um lado, a ação criminosa de latifundiários, grileiros, e madeireiros, além da recorrente e não menos criminosa ação de órgãos do Poder Público. Por outro lado, estas regiões são palcos de luta e resistência de posseiros, ribeirinhos, trabalhadores rurais, defensores de direitos humanos na busca de uma reforma agrária e de um modelo de desenvolvimento capaz de garantir melhores condições de vida população e a preservação da Amazônia.

O Pará carrega alguns tristes recordes, como o de campeão dos conflitos de terra e de mortes. De fato, nos últimos dez anos, os números relativos aos conflitos, mortes e ameaças de morte são excessivamente elevados. Os registros da CPT mostram que, de 1971 a 2004, foram assassinados 772 camponeses e outros defensores de direitos humanos no Pará, sendo que a maioria dessas mortes (574 casos) foi registrada na região sul e sudeste do Estado. Na primeira metade do período mencionado (1971-1985) foram registrados 340 assassinatos em conflitos fundiários. Na segunda metade do período (1986-2004) foram vitimados 432 camponeses, demonstrando assim a persistência no tempo do padrão de violência existente no Pará.

Se o padrão de violência impressiona, a impunidade choca ainda mais: dos 772 assassinatos no campo no Pará, foram realizados apenas três julgamentos de mandantes dos crimes. Para demonstrar a impunidade, a pesquisa traz uma lista com os nomes de mandantes e pistoleiros que já tiveram a prisão preventiva decretada mas que continuam em liberdade.

Ao final do relatório as entidades apresentam um rol de recomendações, especificando os órgãos competentes a que se destinam e as competências que lhes cabem em cada uma delas. Este relatório, além de ser mais uma ação de denúncia e monitoramento em torno das violações de direitos humanos e destruição ambiental no Pará, quer contribuir para transformar a realidade.

Publicado por Ana Tropicana às 03:21 AM | Comentários (0)

outubro 03, 2005

Margem Esquerda


marxismos de boitempo

Recomeça amanhã, em São Paulo, e até ao próximo dia 05 de Outubro, o II Seminário organizado pela Revista Margem Esquerda. O mote deste ano gravita em torno de uma espécie de "Santíssima Trindade": celebrar o 10º aniversário da Editora Boi Tempo; assinalar o lançamento da 6ª edição da Revista Margem Esquerda ("Ensaios Marxistas"), e homenagear Michael Löwy, considerado um dos maiores pensadores do marxismo brasileiro. Vale a pena estar atento a este esforço da Esquerda para se "re-pensar" porque das várias comunicações apresentadas têm saído algumas análises interessantes. Como esta, por exemplo.




Seminário aborda marxismo na América Latina e homenageia Michael Löwy
Fonte: USP Online | Autor: Diego Mattoso- mattoso@usp.br | Data: 30/09/2005

A América Latina tem uma tradição teórica marxista que não pode ser ignorada para se compreender a realidade social contemporânea do continente. A análise é dos participantes da mesa de debates “Marxismo na América Latina”, reunidos durante o II Seminário Margem Esquerda, no auditório da Faculdade de História da USP.

Segundo o professor Osvaldo Coggiolla (FFLCH-USP), foram os autores marxistas que pensaram as nações latino-americanas contemporâneas. “Sem eles é impossível pensar a imagem de nação que foi feita”, frisou.

Entre os autores, Coggiolla citou o argentino Juan Justo, o peruano José Carlos Mariategui, o boliviano Guillermo Lora e brasileiros como Caio Prado Jr., Florestan Fernandes e Nelson Werneck Sodré.

Caio Prado e Florestan foram identificados pelo professor Carlos Nelson Coutinho (UFRJ) como os principais pensadores marxistas no Brasil. Eles não se submeteram, disse Coutinho, às idéias da III Internacional Comunista, criada após a Revolução Russa, que serviram de molde aos partidos comunistas de muitos países latino-americanos. O modelo do Partido Comunista Brasileiro, por exemplo, indicava que o país carecia de uma revolução democrático-burguesa para atingir a modernidade, e assim, estar preparado para a revolução proletária.

“Caio Prado e Florestan utilizaram o marxismo como método de análise e não como modelo, e por isso muitas vezes se contrapuseram ao PCB, fortemente influenciado pela III Internacional”, afirmou o professor.

A análise de Caio Prado Jr. e Florestan Fernandes sobre a história do Brasil aponta que o país desenvolveu-se por meio de transições que combinam modernização e conservação. O processo de desenvolvimento se deu pela conciliação entre os setores “modernos” e arcaicos da classe dominante, em reação a subversões esporádicas das classes subalternas. Disso resultam novidades, ao mesmo tempo em que elementos da velha ordem são conservados.

Os pensadores, explicou Coutinho, chegaram por conta própria, sem tradição teórica anterior, a uma análise semelhante a que foi feita por Lênin e Gramsci respectivamente sobre o desenvolvimento da Rússia e da Itália e identificadas como “via prussiana” e “revolução passiva”.

Coutinho reconhece o marco que Caio Prado e Florestan representam, mas indica a necessidade de avançar nesse tipo de análise: “É preciso ir além da reflexão já feita sobre o processo peculiar de desenvolvimento no Brasil. Hoje, com um ex-líder sindical no poder, percebe-se que há formas mais sofisticadas de dominação burguesa que precisam ser compreendidas”.

Sobre isso, disse o professor Coggiolla: “A América Latina tem uma tradição marxista da qual precisamos nos apropriar para termos uma intervenção consciente nessa crise que não atinge apenas o Brasil, mas todo o continente”. E completou: “O pior erro é tentar resolver a crise com a desmoralização da idéia de que as classes baixas podem chegar ao poder. Se for frustrado o governo Lula, frustra-se toda a experiência do povo brasileiro no sentido de ter um representante seu no poder”.

O Seminário

Além de celebrar os dez anos da editora Boitempo e o lançamento da sexta edição da Revista Margem Esquerda (de ensaios marxistas), o II Seminário Margem Esquerda foi promovido para homenagear o intelectual Michael Löwy (*), considerado um dos maiores pensadores do marxismo brasileiro.

Löwy proferiu uma conferência sobre um texto do filósofo Walter Benjamin na noite dessa quinta-feira para um auditório lotado, que reuniu estudantes e professores. Entre eles Emir Sader, Roberto Shwarz, Gabriel Cohn e Marilena Chauí.

“Foi com Michael que duas gerações compreenderam que sem teoria revolucionária não há prática revolucionária. Ele uniu o marxismo à militância. Hoje é preciso resgatar esse modelo de intelectual militante”, disse o professor Emir Sader.

“Löwy é conhecido como historiador, mas pouco conhecido como militante surrealista. Ele associou socialismo e surrealismo, dois aspectos que atacam a ordem pela raiz”, declarou o professor Roberto Shwarz. “Ele é anti-realista e prefere a arte visionária”.

O II Seminário Margem Esquerda continua na segunda-feira, na Unesp de Araraquara, com debate entre os professores Leda Paulani, Maria Pinassi e Valério Arcary sobre a obra de Michael Löwi. Na quarta-feira, é a vez de Marcelo Ridenti, Francisco Hardman e Jeanne-Marie Gagnebin comporem a mesa de discussões sobre messianismo, romantismo e utopia, no auditório do IFC da Unicamp.




(*)Nota:
Michael Löwy - Vive há quatro décadas na França, onde é diretor emérito de pesquisas do Centre National de Recherches Scientifiques (CNRS). Autor que trabalhou com várias questões seminais para a esquerda, profundo conhecedor da obra de Marx, Rosa Luxemburgo e Lukács, seus livros são traduzidos em mais de 22 países. É autor, entre outros títulos, de Método dialético e teoria política (1989); As aventuras de Karl Marx contra o barão de Munchhausen (1987); Marxismo e Teologia da Libertação (1991); Romantismo e política (1993); Ideologias e ciência social (1996); O marxismo na América Latina (1999); Estrela da manhã: surrealismo e marxismo (2002); A teoria da revolução no jovem Marx (2002); e Walter Benjamin: aviso de incêndio, este lançado em 2005, pela Boitempo.

Publicado por Ana Tropicana às 03:25 AM | Comentários (0)

«Ser ou Não Ser»


fantástico de rede globo

«Ser ou Não Ser: Um jeito novo de falar sobre filosofia! Viviane Mosé vai mostrar para você como o pensamento pode ser uma viagem fantástica!»

Desde meados de Julho que, nas madrugadas de Sábado, o programa «Fantástico» da Globo concede 8 minutos para Viviane Mosé falar de Filosofia. Se o tempo for apertado para tratar questões ancestrais como "mudança e movimento", "a alma", "a realidade e o mundo das ideias", "o valor da experiência", "os limites da razão", "a articulação entre a lógica e a linguagem", e não entender bulhufas, também não interessa nada: pode ir ao blog que lá ela explica com mais vagar.




Tem a Globo (ou o Fantástico, ou até mesmo Viviane) o mérito de trazer a filosofia à caixa mágica. Ainda assim, e para o mérito lhe ser devido, caberia perguntar se é efectivamente filosofia isso que traz à antena semanalmente, ou qualquer outra coisa a que entendeu por bem atribuir a designação de "filosofia". Mas adiante! Não porque seja uma questão secundária (bem pelo contrário: é, muito provalvelmente, o que antes de mais conviria esclarecer), mas porque não está em causa o que a Globo(ou o Fantástico, ou Viviane)produzem: está em causa a apreciação feita sobre essa produção. E, no que a isso diz respeito, lamento, Caríssimo, mas continuo convicta de que o problema não se coloca do modo que o formula. Nada existe de trágico em servir filosofia discricionariamente, em doses de 8 minutos semanais. Aquilo que é letal (verdadeiramente letal, diga-se!) é a forma como a Globo (ou o Fantástico, se não mesmo Viviane) a tem vindo a servir.
Em «O Mundo de Sofia», de Jostein Gaarder, a que fazes referência no teu artigo, também havia qualquer coisa de muito simples, não raras vezes até simplista: uma ou outra (muitas!) ausências vagas, imprecisões tantas... mas era um livro e não um programa de televisão o que, no caso, e tratando-se do incitamento a uma atitude/reflexão filosófica, faz toda a diferença.

Avançar para um projecto destes faz-me suspeitar que, das duas uma: ou a Globo (o Fantástico, a Viviane, whatever!)é demasiado ambiciosa, ou levianamente "poucachinha" para não ter percebido que se estava a "meter numa camisa de sete varas". Como se já não lhe bastasse a difícil tarefa de motivar a audiência para "questões filosóficas", (sendo um programa de televisão) tinha ainda pela proa o "berbicacho" de encontrar uma solução para as transpôr em conteúdos televisivos, isto é, de objectivar abstracções em imagens palpáveis (ou pelo menos visíveis). Pelo simples facto de que é disso que em televisão se trata: pôr em imagem. Ora, justamente, «foi aí que a vaca foi para o brejo», como escreveu a Bia, em Julho, na Folha de São Paulo.

Mesmo não podendo, daqui, da Praça do Velho Império, seguir de perto os desenlaces encontrados em «Ser ou Não Ser», creio que o projecto se encontra sob suspeita - desde o início - por uma razão de fundo: a televisão é, de certa forma, avessa ao pensamento. A capacidade que tem para nos desligar os neurónios é uma das razões da sua grande popularidade. Dito de outro modo, este projecto é contra-natura porque tudo na televisão «conspira contra o pensar» e muito pouco (quase nada) a favor do pensamento.




A Filosofia no Fantástico
por Urariano Mota (*)

A intelectual Viviane Mosé possui uma competência que vai da poesia à psicanálise, com o acréscimo de um doutorado, em filosofia. As informações pesquisadas dizem mais: que ela é autora de livros, atriz, carismática, e que possui muitos e influentes admiradores dos seus cursos particulares de filosofia. Para a filósofa, o sucesso se deve à razão de que "as pessoas gostam porque é uma filosofia que atua na vida, não no pensamento". Grande comunicadora, enfim. Por conta desses universais talentos, ela estaria mais que apta, quase com um fado escrito, para grandes vôos. E foi por assim estar que naturalmente pousou no programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão. Mais precisamente, no quadro "Ser ou não ser?", de todos os domingos.

"Aqui foi Tróia!", disse Dom Quixote, ao mirar o sítio onde caíram ele, Rocinante e armas numa só queda. O mesmo diria a filósofa do Fantástico, se refletir pudesse com serena sabedoria. Pois o que se proclama no site do quadro como um jeito novo de falar sobre filosofia, Viviane Mosé a mostrar para todos nós como o pensamento pode ser uma viagem fantástica! – pois é, aqui também foi Tróia.

Onde se trata do que seria visto

Os desajustes de um quadro de filosofia na televisão feito mais para distrair que para educar, perdão, televisão não foi feita para educar ou instruir, a não ser em horas da madrugada, quando todo o mundo, insone, pode ver, mas digo, os desajustes de um quadro de filosofia em 8 minutos na televisão já eram ou seriam mais ou menos previsíveis. Mas nada mágico, nada fantástico. Notem o crescendo, que não é bem um subir de estágios, mas um somatório, melhor, um produto de multiplicação que se conhece pouco a pouco: filosofia na televisão multiplicada por diversão multiplicada por 8 minutos. Que resultado esperar de tão potentes fatores?

Mas aqui, como a venda de um imóvel por um esperto corretor, os fatores do quadro, quando anunciados, não se apresentavam tão secos e objetivos assim. Dizia-se, ao ser divulgado o "Ser ou não ser?", como uma afirmação, sem nenhuma dúvida perturbadora.

"A idéia é falar de filosofia com quem nunca estudou o assunto. Não concordo que a filosofia não seja para todos. Atualmente, as pessoas querem respostas para a vida e, na ausência delas, estão voltando ao pensamento", dizia a filósofa. Bom, se a manifestação ia ser assim, mui bem-vinda seria. Pensávamos então, e por favor escondam o sorriso, que teríamos algo como O Mundo de Sofia no ar, todos os domingos, em todos os lares do Brasil. E se assim pensávamos, como um pobre de um necessitado de casa que se deslumbra ante um imóvel já vendido antes que seus olhos o vejam, mais contentes ficávamos com o aval dos editores do quadro à filósofa. Diziam eles:

"O programa não pretende ensinar filosofia academicamente, mas oferecer ao espectador uma iniciação ao tema, incitando à reflexão. É plantar uma sementinha e esperar os resultados".

E completava a doutora:

"O quadro terá poucas citações a nomes e certa influência nietzschiana. Sua continuidade estará no site do programa. Lá, o espectador aprofunda as questões".

Onde se trata do que se viu

Na crítica ao primeiro programa, Bia Abramo, na Folha de S.Paulo, já observara que as imagens eram de um óbvio quase tautológico. Se o texto falava em catástrofes a imagem na tela era de um furacão. Agora, oito programas depois, podemos ver além da imagem, ou, para usar o jargão, ir além do sensível.

Ainda que à revelia da intenção dos seus realizadores, o "Ser ou não ser?" aprofunda de certo modo a filosofia. Isto porque já podemos ver que ele faz no pensamento filosófico uma profunda simplificação. E aí difícil é saber se a Galinha da filosofia em 8 minutos pôs o Ovo da simplificação da filósofa, ou se foi o Ovo do resumir da filósofa que gerou a Galinha de todos os domingos do programa. Para sair desse impasse medieval, melhor será dizer que ambos se geram, porque vêm num diálogo mui profundo e produtivo. Vejam se nos enganamos:

(Narra o texto) "Platão afirmava que o corpo era um túmulo que aprisiona a alma. Um obstáculo ao pensamento. (Corte para o depoimento)

"Eu não posso te falar o que é alma, porque eu nunca vi uma alma para vir me avisar o que é alma", diz o coveiro João Caetano."

Vejam: chega a ser constrangedor o grau de simplificação, o nível simplório até o nível da idiotia disto. Se nos permitem um comentário, um só, vejam: o pobre do Platão passou toda a sua vida a lutar por um conceito de alma, da alma que abarcasse do desejo à coragem e daí à razão, que o fizesse penetrar no mundo das idéias, para ver toda essa luta ser rebaixada ao conceito da alma que é assombração. Com direito a cenário de cemitério numa noite de agosto do Brasil.

Onde a lógica prima

Mas não nos assombremos, ainda. Vejam, no programa que mencionava Aristóteles:

"Uma família de Natal inventou uma língua maluca para se comunicar, um dialeto que não se parece com nada que você já ouviu antes. Será que isso tem lógica? E o que esse idioma inventado tem a ver com a Filosofia?"

Imagina? Pois aí vai a resposta e sua continuação:

"Tudo! ‘Sete gombe pra maezta’. Russo? ‘Kudermente tombe kundermebre!’ Japonês? ‘Ebnaskdedkkenjej fuki six! Canjães! Canjães!’ Está de trás para frente? Você consegue decifrar o que são essas frases? Esse código faz sentido? Para eles, sim. E você sabe por que a família Padilha se entende, mesmo nessa língua tão estranha? Porque a conversa deles segue as regras da lógica..."

Se se permite um rápido comentário, vejam. Pouco importa, para o quadro de filosofia do Fantástico, que essa brincadeira particular de uma família nada tenha a ver com língua ou idioma. De um ponto de vista científico, claro, nada tem a ver. Escrevemos "científico"? Ora, científico. Nós estamos no domínio de outro território – o de passar idéias para crianças adultas, mais conhecidas como o grande público, sim, esse mesmo, o grande, ignaro e manipulável público. Porque de outro modo não pode ser visto um conjunto de crianças burras, muito burras, a quem se dirigem sons absurdos, dos quais se diz fazerem parte de um sistema lógico, do qual não se esclarece afinal que lógica mantém.

Mas não descansemos, inda. Oito minutos na televisão fazem um tempo precioso para o que o arbítrio determinar como natureza da filosofia.

(Depoimento de uma juíza) "A lógica está na lei, a lógica também está na boa argumentação. A boa argumentação é fundamental para a gente chegar no justo. Mas não a argumentação só da oratória e do discurso vazio. A argumentação fundamentada na prova do processo". Nada se comenta sobre qual lógica, numa sociedade de classes, desigual como a brasileira, repousa o espírito das leis. E se não se comenta, é porque se achou bem ilustrativa para os objetivos do quadro do programa semelhante declaração. Mas estamos sendo injustos, porque a narração fala a seguir: "Para a lógica, não importa o que está sendo dito, mas como. Ela é a forma da linguagem, não o conteúdo". Ou seja, sem dizer claramente que isto não é mais assim, a narração passa um sentido moderníssimo, universal, ao que já foi superado e morto muito antes deste 2005.

Então perguntamos, por fim, o que tal produção, tal quadro, tal, não sabemos bem o quê, realiza ao pretender levar ao espectador essa iniciação na filosofia?

Onde tudo, ou quase tudo é relativo

No blog da filósofa, aquele mesmo que aprofunda as informações do site, que aprofunda as questões do programa, estão e se escrevem estas linhas:

"Para Espinosa, Deus não criou o mundo, ele é o mundo. Em outras palavras, tudo o que existe no mundo é Deus, que também pode ser pensado como a natureza, ou a substância infinita".

Ainda que debitemos à informalidade dos blogs o cochilo do "ele" sem E inicial maiúsculo, que identificaria melhor Deus, logo depois do "não criou o mundo", ainda assim não poderíamos desculpar a ligeireza, para não usar mais rigoroso juízo, da frase "tudo que existe no mundo é Deus, que também pode ser pensado como a natureza". Vejam, basta um ouvido, uma percepção acostumada à língua, para que se conclua que algo de não-Espinosa está aí. Porque, no mínimo, a natureza aí não pode ser somente física, inumana. E depois, O mundo é Deus, ou Deus é o mundo? As duas ordens de frase não significam a mesma coisa.

Percebe-se claro uma vulgarização da filosofia, que vai além ou aquém de tornar algo público. Há uma vulgarização de fazer vulgar mesmo, de tornar pequeno, reles, mesquinho.

Vejam. Não se trata de pretender que se ensine filosofia pela televisão, numa emissora privada que vive, em tese, de propaganda e anúncios. A nossa candidez de Candide não chegaria a tanto. Trata-se da esperança de que se encarem problemas sérios, o que não quer dizer graves, da vida de todos nós, de todos os dias, com um tratamento menos descartável, que não acabe no primeiro segundo depois que a imagem suma da tela. O "Ser ou não ser?" nem faz isto, nem apresenta filósofos, sequer superficialmente. Ensaia furar as duas coisas ao mesmo tempo, e o resultado é desastroso. Deixa no grande público a falsa impressão de que assistiu a qualquer coisa "filosófica". Deixa nos editores do Fantástico a não menos verdadeira impressão de que levaram algo novo, inteligente, para a grande massa.

Esta simplificação, em nome de se divulgar a filosofia, lembra uma anedota onde figura a venerável figura de Einstein. Conta-se que ele tentava explicar a Teoria da Relatividade a um senhor interessado no magnífico sistema. Por mais que explicasse, o homem não o entendia. Então o ilustre cientista tentou a simplificação, e passou cada vez mais a simplificar, até um ponto em que o seu interlocutor exclamou, "ah, agora entendi!". Ao que o cientista observou, desolado: "É, mas infelizmente isto já não é mais a Teoria da Relatividade".

Simplificar facilita muito. Mas não chamem isso por favor de Filosofia. Tentem Conversa de Telefone.




(*) Jornalista e escritor





Eis o guião na íntegra do 2º programa:




===============================================
Edson, Luciene e Conceição lidam todos os dias com a ordem. O trabalho
deles é organizar.

Luciene da Silva é arrumadeira num hotel do Rio de Janeiro. “Eu gosto
de arrumar. Eu adoro quando encontro bastante bagunça pra arrumar. Até
mesmo na minha casa. Você tem que puxar bem, dar uma arrumada bem na
cama. Tudo tem que ficar no seu lugar. Depois vai vir a nossa
supervisora verificar nosso serviço, se está bem feito”.

Hora do rush em Belo Horizonte: a missão de Edson Bruno é controlar o
trânsito num grande cruzamento. “É um conflito de interesses, eu estou
administrando conflitos de interesses: do pedestre que quer atravessar,
do veículo que quer passar”.

Conceição Oliveira também tem uma qualidade essencial para o trabalho
que realiza. “Eu, como arquivista, tenho que ser atenta, dinâmica. Eu
sou organizada. Acho que esse é o perfil do arquivista”.

Mas de vez em quando eles precisam se desorganizar.

Luciene adora dançar forró. Edson não perde um clássico no Mineirão.
“Eu costumo ir a um pagode, num barzinho”, conta Conceição. “Quando eu
chego aqui eu esqueço da vida, eu extravaso. Deixo de ser arquivista.
Eu sou anarquista!”.

Todo mundo sente necessidade de se perder um pouco de vez em quando.
Você já pensou nisso? É nesse caminho do trabalho à festa, do
comportamento controlado à euforia que está uma das principais
características dos seres humanos: a criação e a quebra de limites. É o
que diz um filósofo francês chamado Georges Bataille.

“O serviço é demais mesmo. A gente trabalha de manhã à noite. A vida na
roça não é fácil não”, comenta o agricultor Vicente de Almeida.

Foi quando começou a trabalhar que o homem passou a ter algum controle
sobre a natureza. Este processo teve início há milhões de anos, mas
ganhou força com o surgimento da agricultura, cerca de dez mil anos
atrás.

“Se tiver preguiça, meu filho, você não come de jeito nenhum”.

O trabalho exige um comportamento controlado. Os desejos que a gente
liberta nas festas, nos jogos e na sexualidade devem ser contidos.

“Quando eu entro em cirurgia para operar um coração, é uma concentração
absoluta. É uma vida nas suas mãos”, comenta o cirurgião José Oscar
Brito.

Mas este limite não é dado apenas pelo trabalho. Desde que começou a
viver em grupo, o homem criou regras de convivência: as proibições.

O nosso dia-a-dia é cheio de proibições. Eu não posso estacionar em
qualquer lugar, eu não posso andar nua no meio da rua, eu não posso
ouvir música alta depois das dez da noite. Eu não posso matar, eu não
posso roubar e outros tantos crimes que estão previstos no Código
Penal. Mas não são todas as proibições que levam à cadeia. Por exemplo:
num restaurante chiquérrimo, não fica bonito tomar sopa fazendo
barulho.

Eu não vou ser presa por isso, mas eu estou ferindo uma regra de
etiqueta, e isso provoca um constrangimento, que vem da opinião dos
outros. Pode não parecer, mas esta é umas das proibições mais difíceis
de lidar – o olhar dos outros.

A gente precisa das leis e das proibições para viver em grupo. Elas são
essenciais porque organizam a sociedade e controlam os nossos
instintos. Sem esses limites, não teríamos desenvolvido cultura,
pensamento e linguagem.

“Eu estou aqui para ajudar as pessoas a chegarem em casa mais rápido e
com segurança”, afirma Edson.

Sem a lei a gente se perde. Ela não serve apenas para controlar o
trânsito e impedir que os carros batam uns nos outros, mas para pôr
ordem na nossa cabeça. Caso contrário, todo mundo viveria o caos, a
loucura.

Mas a gente seria robô, e não humano, se vivesse apenas obedecendo às
leis. Se somos capazes de controlar nossos desejos e trabalhar, por
outro lado precisamos libertar esses impulsos, sair do trilho.

Luciene precisa dançar e cantar para recuperar tudo o que teve de
controlar em nome da lei e do trabalho. Isso não é uma opção para ela,
não é supérfluo. Ao contrário, é uma necessidade.

Esta sensação de abertura, de quebra de limites, recebeu o nome de
erotismo. Mas você sabe o que é erotismo? Não se assuste com a palavra.
Neste caso, ela significa muito mais do que sexo.

O erotismo que o filósofo pensou é a sensação de perda dos limites -
nem que seja por um segundo. Pode ser um orgasmo, mas pode ser também o
grito de gol. Ou seja: uma trégua da lei - temporária.

A lei e o erotismo são duas faces da mesma moeda, dois elementos
fundamentais da condição humana. Um não vive sem o outro. Assim como a
gente não pode viver sem lei, também não pode viver sem erotismo.

Para a gente entender a relação entre proibição e erotismo, é só pensar
num brinquedo de parque de diversões. Se eu simplesmente me atirar do
alto do brinquedo, sem nenhuma proteção, eu morro. Assim é a vida sem
limites.

Se eu tiver medo e desistir, vou deixar de viver esta e outras
sensações incríveis. Eu preciso de um equipamento que me dê segurança,
que me permita saltar e, ao mesmo tempo, me mantenha viva.

O brinquedo é a lei. O abismo é a morte. E a queda é erotismo!

A lei é o que nos permite viver o erotismo, como se fosse a prancha de
surfe ou a asa delta que nos sustenta no ar. Resumindo: tudo isso que a
gente falou hoje é mais ou menos como aquela música de Marcelo D2,
citando Chico Science. “Lembrando de Chico comecei a pensar, que eu me
organizando posso desorganizar!”

A ordem pode permitir ao homem ir além dele mesmo, expandir seus
limites, e não somente torná-lo bem-comportado. Quer permanecer
eternamente jovem? Corra riscos!

Qual a importância da arte na sua vida? Ou melhor: existe vida sem
arte? Vamos falar, no terceiro episódio da série, sobre o nascimento da
tragédia grega e conhecer a história de um homem que passou 19 anos na
cadeia por um crime que não cometeu.

Beleza e dor. Este é o nosso próximo assunto.

===============================================





Filosofia entrou de gaiata no "Fantástico"
Folha de São Paulo - São Paulo, domingo, 24 de julho de 2005
por Bia Abramo (*)


A filosofia , quem diria, acabou no "Fantástico". Semana passada,
entre outras várias estréias, o programa dominical passou a exibir "Ser
ou Não Ser", quadro que pretende mostrar como "o pensamento pode ser
uma viagem fantástica".
Entre uma reportagem que resgatava o significado do grupo Mamonas
Assassinas na história da música pop brasileira e outra sobre os dez
anos da novela infanto-juvenil "Malhação", receitas de sopas para o
inverno, humor e futebol, a Rede Globo achou por bem oferecer também
uma pitada de pensamento filosófico. Apresentado pela filósofa Viviane
Mosé, o quadro tentou fazer uma introdução do tipo "a filosofia ao
alcance de todos" ou "a filosofia, vejam só, pode fazer parte da sua
vida".
OK, como intenção. Facilitar, introduzir, explicar e, até mesmo,
simplificar não constituem um problema em si nem mesmo quando se está
diante de uma disciplina tão complexa como a filosofia. Mas, para além
de trazer para um patamar acessível, "Ser ou Não Ser" precisa
transformar as questões filosóficas em conteúdo televisivo, e é aí que
a vaca vai para o brejo.
Não há dúvida de que o roteiro de um quadro como esse representa um
enorme desafio técnico. Como traduzir em imagens concretas, em
movimento, com algum tipo de narrativa lógica, a abstração que é a base
do pensamento filosófico? "Ser ou Não Ser" opta por duas soluções. No
primeiro caso, as imagens ilustram ponto a ponto o texto, ou seja,
enquanto o texto fala em catástrofes naturais, a imagem na tela é de um
furacão; mais adiante, ao serem mencionadas tragédias humanas, aparece
o avião afundando no World Trade Center no 11 de Setembro. A outra
solução poderia se chamar de metafórica, ou seja, para falar de
perplexidade, indagações diante do desconhecido etc., acompanharam a
chegada de um migrante a São Paulo, com suas primeiras impressões. Medo
da morte? Fácil: entrevista-se um pára-quedista.
A concretude dos exemplos e a relação quase simplória que estabelecem
entre idéia e imagem não permitiram que o texto saísse do chão. Não que
tivesse lá muito potencial para fazê-lo -com frases coordenadas e
assertivas, tratava-se de dar conta da origem da filosofia, da
linguagem e, de quebra, convencer os espectadores de que tudo isso pode
ser tão divertido quanto ver os gols da rodada.
"Ser ou Não Ser" pode até se acertar tecnicamente, mas o projeto está,
de início, sob suspeita por uma razão de fundo: a televisão é, de certa
forma, avessa ao pensamento. O fluxo de imagens sem hierarquia, a
linguagem que estabelece sua sintaxe pela alternância de sensações, a
ausência de silêncios; tudo isso conspira contra o pensar. O que,
aliás, é justamente um dos grandes atrativos da televisão, ou seja, sua
capacidade de amortecer o pensamento, fazer esquecer, alienar, é um dos
principais motivos de sua enorme popularidade.




(*) Crítica e colunista de A Folha de São Paulo





Por altura da estreia, era assim:





"Fantástico" estréia série sobre filosofia
Televisão UOL - 14/07/2005 (18h21)
"Ser ou Não Ser?" é o nome do novo quadro do "Fantástico". No ar a partir deste domingo (17), a série pretende mostrar as questões filosóficas que o homem comum enfrenta em seu dia-a-dia.

Sob o comando de Viviane Mosé, que é psicóloga e doutora em Filosofia, o quadro terá, todos os domingos, personagens que ilustrarão os grandes dilemas da humanidade. No episódio de apresentação, um jovem que saiu de uma cidade do interior da Paraíba para trabalhar em São Paulo terá seu caso "estudado" pela filósofa.

Os próximos programas da série já terão questões mais aprofundadas. No dia 24, o tema será a relação entre lei e erotismo. No domingo seguinte, a tragédia grega será o ponto de partida para a discussão sobre sofrimento e arte.





Globo estréia série e tenta popularizar a filosofia
Folha de São Paulo - São Paulo, domingo, 17 de julho de 2005
Marcelo Bartolomei


Quando a Globo colocar no ar hoje à noite o primeiro capítulo de "Ser
ou Não Ser?", quadro do "Fantástico" que vai abordar o pensamento
filosófico, uma audiência qualificada, formada por filósofos, estará de
olho no programa. É que a proposta da série, inicialmente com 16
capítulos de oito minutos cada um, é considerada controversa nas
universidades. Será possível aproximar a filosofia do popular, num
veículo de massa, e obter sucesso?
Para Roberto Romano, 59, professor de ética e filosofia política na
Unicamp, é um pouco complicado. "Não que o meio não tenha condições nem
o público. O problema é que a filosofia exige raciocínios longos e uma
lógica dedutiva e indutiva completa. É um objeto difícil de ser
exposto", afirma.
O filósofo acredita que o teatro e o cinema, como formas de arte,
sugerem mais pensamentos que a TV. "A televisão tem um tempo rápido,
mas depende do virtuosismo da professora que vai apresentar o programa.
A filosofia é a pesquisa que vai levar à descoberta de coisas, ao
pensamento e à crítica", diz Romano.
O início do primeiro programa -comandado pela psicóloga, mestre e
doutora em filosofia Viviane Mosé, 40- mostra a perplexidade diante da
novidade por meio de um imigrante que chega a São Paulo. "A idéia é
falar de filosofia com quem nunca estudou o assunto. Não concordo que a
filosofia não seja para todos. Atualmente, as pessoas querem respostas
para a vida e, na ausência delas, estão voltando ao pensamento", diz a
filósofa, que ministra aulas de teatro e lidera grupos de estudos no
Rio de Janeiro.
O quadro terá poucas citações a nomes e certa influência nietzschiana.
Sua continuidade estará no site do programa. "Lá, o espectador
aprofunda as questões", afirma Mosé, autora de "Nietzsche e a Grande
Política da Linguagem" (ed. Civilização Brasileira).
Diante da possibilidade de falar "por cima" sobre filosofia, a
resistência ao programa cresce. José Arthur Giannotti, 75, professor
emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP,
não acredita que o assunto possa ser tratado na TV. "Uma coisa é
jornalismo filosófico e outra é a reflexão, que implica em ócio,
sossego e tempo. Não sou contra, o problema é não confundir uma coisa
com outra. Não haverá uma discussão filosófica de conceitos
filosóficos, apenas insinuações", aposta.

Respostas
Demanda há, e todos concordam. Mosé diz ter experiência na
popularização da linguagem ao falar de filosofia. "Eu falo para a dona
Maria. Tenho alunos de idades diferentes, universitários e
donas-de-casa", conta. "A gente ia começar o programa falando da
mitologia, mas achamos muito difícil. Então, falaremos que o homem
construiu mitos, mas quis encontrar na própria natureza um princípio de
explicação. Resumimos a filosofia pré-socrática. O homem é homem
porque, além de viver, ele se vê vivendo aquilo. Isso é pensamento."
Para apresentar as idéias, serão utilizados personagens da vida real,
como um escultor, um mágico, um fotógrafo, um imigrante, um ator ou uma
atriz. A série não vai falar de política nem de religião. "Falaremos do
universal e das questões humanas."
Até aqui, a TV tem sido palco para entrevistas e programas em redes
educativas ("Café Filosófico", da Cultura) e universitárias, que
dedicam mais tempo à discussão. A TV paga também ensaia um flerte com a
participação da filósofa gaúcha Márcia Tiburi no "Saia Justa" (GNT) e
em programas como o "GloboNews Painel".
A proposta de tentar aproximar a linguagem da filosofia do público é
ousada, mas tem entusiastas. Tiburi é uma delas (leia texto ao lado),
também amparada pela professora Dulce Critelli, 54, da PUC-SP, para
quem a iniciativa é louvável. "Acho que a filosofia tem de ser mais
acessível", afirma.
O filósofo Leandro Konder, 69, da PUC-RJ, acha que não existe fórmula
nem receita para falar de filosofia na TV e vê positivamente a abertura
do assunto. "Os princípios filosóficos são acessíveis a todos, depende
do tratamento dado ao tema", diz.
O programa não pretende ensinar filosofia academicamente, mas oferecer
ao espectador uma iniciação ao tema, incitando à reflexão. É o que
garantem Eugenia Moreyra, editora-executiva do programa, e Bruno
Bernardes, editor do quadro. "É plantar uma sementinha e esperar os
resultados", diz Moreyra, empolgada com o projeto com elogios ao
editor, "pai" da idéia.
"Ser ou Não Ser?" vai ao ar aos domingos, dentro do "Fantástico". "Não
vou assistir porque estarei fazendo outras coisas", afirma Giannotti.
Como em determinado ramo da filosofia, será ver para crer. "Acho que as
pessoas se surpreenderão", acredita Mosé.


Publicado por Ana Tropicana às 02:17 AM | Comentários (1)

setembro 30, 2005

«A Incúria» II

Faço minhas as palavras dele.

Publicado por Ana Tropicana às 05:42 PM | Comentários (0)

setembro 29, 2005

Gringos


serpente no verde de autor desconhecido

Não me parece que a conclusão resulte de algum estudo efectuado, todavia não deixa de ser sintomática: «Nove em cada dez brasileiros acreditam que está em marcha uma conspiração para internacionalizar a Amazônia pela ocupação estrangeira ou algum tipo de controle internacional»




A Paranóia Amazônica
Fonte: Jornal do Meio Ambiente | Autor: Mario Osava* | Data: 28/9/2005

Nove em cada dez brasileiros acreditam que está em marcha uma conspiração para internacionalizar a Amazônia pela ocupação estrangeira ou algum tipo de controle internacional, afirma o senador Jefferson Peres. Esta convicção é tão forte quanto inverossímil para Peres, representante do Estado do Amazonas e do Partido Democrático Trabalhista (PDT) no Senado, que admite perder eleitores por discordar publicamente dela. Um dos combustíveis da teoria conspiratória foi uma mensagem disseminada pela Internet a partir de 2000, denunciando que livros escolares nos Estados Unidos reproduziam mapas do Brasil onde sua região amazônica seria apresentada como uma reserva florestal internacional.

Mais tarde surgiu como “prova” a suposta página do livro escolar, com um mapa da América do Sul e um texto qualificando os países amazônicos de “irresponsáveis, cruéis e autoritários”, e de serem “povos sem inteligência e primitivos”. Porém, erros grosseiros no texto em inglês e nos números desnudaram a falsificação. O diplomata Paulo Roberto de Almeida, então a serviço na embaixada brasileira em Washington, elaborou um relatório sobre a fraude que pode ser lida neste endereço da Internet: http://www.pralmeida.org. Nele é identificado o site http://www.brasil.iwarp.com como a origem dos boatos. O lema “Brasil, ame-o ou deixe-o”, empregado pela ditadura militar brasileira (1964-1985) em seu período mais brutal dos anos 70, indica que pertence a um grupo ultradireitista. Ironicamente, muitos esquerdistas ajudaram na divulgação do alarme “antiimperialista”, lembrou Almeida.

Os desmentidos e a evidência da falsificação não interromperam os efeitos do boato. Em junho, a Câmara Municipal de Valinhos, interior do Estado de São Paulo, aprovou moção de protesto contra o suposto livro de geografia. Desarmar a intriga gera um trabalho adicional ao encarregado de imprensa da embaixada norte-americana em Brasília, Wesley Carrington, que enviou a Valinhos os documentos que comprovam a fraude. Carrington disse compreender essas reações porque há algumas semelhantes em seu país. O reconhecimento de um sítio ou monumento como patrimônio cultural da humanidade é motivo de orgulho em qualquer país, mas nos Estados Unidos muitos consideram como “o primeiro passo para a desnacionalização”, disse o diplomata ao Terramérica.

Uma onda de rumores mais recente, divulgada pela Internet e imprensa, aponta para territórios indígenas como verdadeiros enclaves estrangeiros, vedados a brasileiros e abertos a norte-americanos, europeus e japoneses. Os indígenas não se consideram brasileiros e impedem que aviões sobrevoem seu espaço aéreo, afirmou uma reportagem da revista Isto É Dinheiro, de 11 de junho de 2004. Custa crer que os indígenas tenham recursos para controlar o espaço aéreo. Organizações não-governamentais indigenistas e ambientalistas despertam em alguns militares e ultranacionalistas a suspeita de que servem a potências estrangeiras, inclusive porque em muitos casos são financiados por fundos procedentes do exterior.

Por último, há um ano surgiram denúncias de que navios estrangeiros roubavam água da desembocadura do Rio Amazonas. Eram navios petroleiros que, ao regressarem com seus tanques vazios para o Oriente Médio, podem carregar até 250 milhões de litros de água como lastro para equilibrar a embarcação. Os temores se intensificaram com comentários como os do francês Pascal Lamy, novo diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, que, em fevereiro, afirmou que poderia ser aplicada uma “gestão coletiva internacional” na Amazônia e outras florestas tropicais, se fossem declarados “bens públicos mundiais”, embora mantendo a propriedade nacional.

Não há razão para temer essa possibilidade nem uma ocupação estrangeira da Amazônia, segundo Guarino Monteiro, coronel da reserva do Exército brasileiro e professor da Escola Superior de Guerra, um centro do pensamento militar. Além da capacidade das Forças Armadas Brasileiras, os militares do primeiro mundo “não sabem atuar em ambiente hostil”, como se viu nas invasões norte-americanas ao Vietnã e Iraque, disse Monteiro ao Terramérica. Por outro lado, preocupa a ocupação econômica, que transfere para o exterior decisões que afetam a região. “Os recursos naturais do mundo são finitos, e a Amazônia é rica em minerais como nióbio e estanho”, muito importantes para novas tecnologias como a aeroespacial, ressaltou o coronel.

Isso desperta a cobiça que está por trás das pressões internacionais para demarcar territórios indígenas onde há jazidas importantes, suspeita Monteiro. “O primeiro mundo conhece toda a riqueza amazônica por meio dos satélites”, afirmou. Para o professor Aluízio Leal, que ensina economia política na Universidade Federal do Pará, a Amazônia já está internacionalizada por um controle econômico que hoje interessa mais do que o político. A economia local está “vinculada de forma umbilical e submetida ao mercado internacional”. Grande parte de sua produção é exportada e controlada por empresas multinacionais, como o minério de ferro de Carajás e o alumínio que consome muita energia das centrais hidrelétricas amazônicas, exemplificou.

Uma ação militar na Amazônia por parte dos Estados Unidos poderia se concretizar se os governos da região negarem os recursos naturais necessários, especialmente energéticos, advertiu Leal. As pressões sobre a Venezuela, fornecedora de petróleo para os Estados Unidos e governada por Hugo Chávez, são uma amostra, acrescentou o professor. Para muitos, a diversidade biológica é o recurso amazônico mais ameaçado pela cobiça estrangeira. A conseqüente paranóia contra a biopirataria está travando as pesquisas com controles que dificultam o acesso a materiais biológicos, disse ao Terramérica Charles Clement, especialista em frutas amazônicas do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa).

A biopirataria é o usofruto ilegal de recursos genéticos e conhecimentos tradicionais vinculados a eles. Sim, existem biopiratas, mas são “um em cem” pesquisadores, afirmou Clement. Foi difundida a idéia de que a biodiversidade equivale a lucros em forma de novos medicamentos, alimentos e cosméticos, mas identificar e desenvolver um produto exige muitos anos, entre 10 e 20 no caso dos remédios, destacou. Com financiamento para poucos anos, muitos projetos são interrompidos e outros nem mesmo começam sua execução por imposição de novas exigências, afirmou. Clement vive há 28 anos na Amazônia sem sofrer discriminações pelo fato de ser norte-americano.

Seu compatriota Thomas Lovejoy, respeitado ecologista, conhecedora da Amazônia e presidente do Centro Heinz de Washington, tampouco se queixou de constrangimentos. O temor pela internacionalização da Amazônia e pela biopirataria tal como hoje se manifesta “não tem bases reais”, disse ao Terramérica. A biodiversidade amazônica “é roubada das futuras gerações, mas por sua destruição”, desmatamento que transforma a árvores em dióxido de carbono, disse Lovejoy. A destruição de árvores, especialmente por incêndios, é uma forma de internacionalizar, porque o gás liberado aquece o clima de todo o planeta, ressaltou.





* Mario Osava é correspondente da IPS. O artigo foi produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

Publicado por Ana Tropicana às 09:54 AM | Comentários (0)

setembro 28, 2005

Ainda o Rio Tietê...

Ocorreu-me que, em tupi, «tietê» quer dizer «águas boas» (irónico, é um facto!). E depois veio-me à cabeça o verso, mas não estou certa de haver relação entre estes dois assomos.

«Água do meu Tietê,
Onde me queres levar?
- Rio que entras pela terra
E que me afastas do mar…»




A meditação sobre o Tietê


É noite. E tudo é noite. Debaixo do arco admirável
Da Ponte das Bandeiras o rio
Murmura num banzeiro de água pesada e oleosa.
É noite e tudo é noite. Uma ronda de sombras,
Soturnas sombras, enchem de noite tão vasta
O peito do rio, que é como si a noite fosse água,
Água noturna, noite líquida, afogando de apreensões
As altas torres do meu coração exausto. De repente
O óleo das águas recolhe em cheio luzes trêmulas,
É um susto. E num momento o rio
Esplende em luzes inumeráveis, lares, palácios e ruas,
Ruas, ruas, por onde os dinossauros caxingam
Agora, arranha-céus valentes donde saltam
Os bichos blau e os punidores gatos verdes,
Em cênticos, em prazeres, em trabalhos e fábricas,
Luzes e glória. É a cidade… É a emaranhada forma
Humana corrupta da vida que muge e aplaude.
E se aclama e se falsifica e se esconde. E deslumbra.
Mas é um momento só. Logo o rio escurece de novo,
Está negro. As águas oleosas e pesadas se aplacam
Num gemido. Flor. Tristeza que timbra um caminho de morte.
É noite. E tudo é noite. E o meu coração devastado
É um rumor de germes insalubres pela noite insone e humana.


Meu rio, meu Tietê, onde me levas?
Sarcástico rio que contradizes o curso das águas
E te afastas do mar e te adentras na terra dos homens,
Onde me queres levar?…
Por que me proíbes assim praias e mar, por que
Me impedes a fama das tempestades do Atlântico
E os lindos versos que falam em partir e nunca mais voltar?
Rio que fazes terra, húmus da terra, bicho da terra,
Me induzindo com a tua insistência turrona paulista
Para as tempestades humanas da vida, rio meu rio!…

[…]

Mário de Andrade - Poesias Completas. 3ª edição. São Paulo: Martins, INL, 1972.




(E já agora, fazendo o historial do rio... )



O Rio Tietê teve grande importância na história de São Paulo, permitindo a interiorização da colonização, ampliando os limites da América portuguesa. Também chamado no passado de Rio Grande e Anhembi ou Anhambi, o Rio Tietê, o maior do planalto, com 1.136 quilômetros de extensão, é um rio muito sinuoso, com uma longa série de corredeiras e cachoeiras, e recebe um grande número de afluentes.

O rio nasce na cidade de Salesópolis, em São Paulo, na cadeia montanhosa da Serra do Mar, a mil metros de altitude e a 22 quilómetros do Oceano Atlântico. Contrariando o curso da maioria dos rios, ele corre para o interior do estado, atravessando a cidade. Essas características fazem com que as suas águas só desemboquem no mar depois de percorrerem 3.500 quilômetros, nos quais se encontram com o Rio Paraná, divisa do Mato Grosso do Sul, e chegam até o Rio da Prata. Com tal percurso, o Rio Tietê tornou-se um dos mais importantes para a expansão territorial do país.

Desde o século XVI, índios, jesuítas e bandeirantes, os "conquistadores do sertão", navegavam pelo Tietê à procura de índios, para utilizar como mão-de-obra escrava, e de ouro.

No início do século XVIII, intensificou-se a navegação fluvial pelo Tietê com a descoberta das minas de Cuiabá.


"Logo que soube-se em São Paulo das descobertas que Pascoal e seus companheiros tinham feito nas circunjacências de Cuiabá", escreveu o brigadeiro Machado de Oliveira, "moços e velhos dispuseram-se a partir para ali, em procura de riquezas que sua cobiça elevara a um ponto desmesurado; e dentro de poucos dias puseram-se a caminho, divididos em grupos que seguiam uns após outros, embarcando no Tietê, e navegando este e outros rios que vão ter ao Cuiabá."

Além dos povoadores que partiam para tentar a sorte nas minas, as frotas de comércio, também conhecidas como "monções", deram especial relevo ao Rio Tietê. Canoas com armas, sal, escravos, vinho, azeite, aguardente e artigos manufaturados abasteciam os moradores de Cuiabá.

As monções partiam de Porto Feliz, desciam normalmente o Tietê até a foz, seguiam o curso do actual Paraná, entravam por um dos seus afluentes, em geral o Pardo e depois subiam o Anhanduí-Guaçu até chegar ao Rio Paraguai. De lá alcançavam o São Lourenço e, finalmente, o Cuiabá. Porém, muitas das frotas sofreram ataques dos índios que transitavam pela região.

A abertura de novas estradas terrestres e a perspectiva de um comércio mais lucrativo reduziram as viagens fluviais pelo Tietê. Sabe-se que as últimas ocorreram por volta de 1838, quando uma epidemia de febre tifóide se alastrou pelas margens do rio, deixando poucos sobreviventes.

No início do século XX, o Rio Tietê era um dos locais de lazer preferidos dos paulistanos: piquenique, natação, pesca e desportos aquáticos. Às suas margens, estabeleceram-se três clubes de regatas: o Club Canottieri Esperia, formado pelos italianos, o São Paulo e o Tietê. O jornalista Thomaz Mazzoni recorda:


"A Ponte Grande se transformou em local de recreio para o paulistano, pois ali, à margem do Tietê, foram criados vários recreios para piqueniques, passeios de barco e restaurantes, entre os quais se destacava o Bella Venezia, freqüentado pelos italianos, que aos domingos se recreavam passeando de barco. Foi justamente um grupo desses rapazes que começou a incentivar a idéia da formação de um clube esportivo que teria, naturalmente como atividade, o remo e a canoagem: o Club Canottieri Esperia".
Mas esses clubes não durariam muito, devido à poluição das águas. Em 1930, 150 empresas já lançavam lixo no Rio Tietê. A publicação A Capital de São Paulo de 1933 traz um alerta: "Estes rios são pouco piscosos, talvez devido à barragem em Parnaíba e ao Salto de Itu. Os resíduos das fábricas e outros também concorrem para tornar o ambiente pouco favorável à vida dos peixes".

As actividades desportivas continuaram até a década de 1950, quando o Tietê se transformou no esgoto a céu aberto da cidade. Hoje em dia, são despejadas diariamente cerca de 134 toneladas de lixo inorgânico nas suas águas e o índice de oxigénio na água é zero. O Rio Tietê volta a dar sinais de vida somente depois da cidade de Salto.

Publicado por Ana Tropicana às 01:57 AM | Comentários (0)

setembro 27, 2005

«Wellcome To The Real World...!!»


the lie de louis foxx

«Have you heard of the Meatrix? Do you want to know what it is? The Meatrix is all around you. Take the blue pill and stay here in the fantasy. Take the red pill and I will show you the truth.»


...Simplesmente genial!!





«Meatrix is the lie we tell ourselves about where our food come from.»







«Click here and I will show you what you can do to escape Meatrix».




Créditos Oficiais

Escrito por: Louis Fox e Jonah Sachs
Concepção: Jonah Sachs e Louis Fox
Diretor: Louis Fox
Vozes: Louis Fox
Animação: Louis Fox
Supervisão musical: Louis Fox
Produtoras Executivas: Diane Hatz e Rebecca Bray

Produzido por Free Range Graphics em conjunto com o Centro de Ações e Recursos Globais para o Meio Ambiente (GRACE)





Biografia do filme

The Meatrix, www.themeatrix.com, é uma animação humorística de 4 minutos em Flash™, que faz uma paródia dos filmes The Matrix e destaca os problemas da agricultura industrial. Ao invés do Keanu Reaves, a estrela de Meatrix é um jovem porquinho, Leo, que vive em uma agradável propriedade familiar... é o que ele pensa. Leo é abordado por um boi vestindo um sobretudo preto, o Moopheus, que mostra a ele a dura verdade sobre o agronegócio, incluindo uma paródia à tomada em câmera lenta imortalizada pelo Matrix. A mistura de humor, referências da cultura pop e uma importante mensagem se identifica claramente com a ampla cobertura do público usuário da Internet.

No início de 2003, a Free Range Graphics, www.freerangegraphics.com, convidou organizações sem fins lucrativos de todo o país para submeterem propostas para o primeiro Fundo de Apoio ao Ativismo promovido pela Free Range . Depois de revisar 50 propostas, a Free Range destinou o prêmio ao Centro de Ações e Recursos Globais para o Meio Ambiente (GRACE) www.gracelinks.org, uma organização comprometida em terminar com as fazendas industriais e promover a agricultura sustentável.

Com o material de apoio provido do GRACE, Louis Fox, da Free Range Graphics, criou o filme Meatrix. A decisão dele de parodiar The Matrix foi baseada nas similaridades entre o filme e o sistema corporativo da agricultura dos dias de hoje.

Em menos de três meses depois do lançamento, em 3 de novembro de 2003, mais de 4.2 milhões de pessoas visto Meatrix , incluindo pessoas na Europa, América do Sul, Canadá, México, Austrália, Nova Zelândia, China Coréia e Japão. Dez meses depois do lançamento, uma média de 80.000 a 100.000 novos expectadores estão assistindo o filme na Internet a cada mês. Isto é um sucesso sem precedentes para um filme que advoga em nome de uma causa.

O Meatrix tem tido tanto sucesso que os emails continuam chegando em massa com pedidos de cópias do filme para mostrá-lo em escolas, apresenta ç ões, conferências, festivais e eventos. O filme ganhou diversos prêmios, incluindo o "Prêmio Navegadores da Rede" (Netsurfers Award) para curta-metragens para Internet, do Festival Internacional Annecy de Filmes Animados e o prêmio "Filme para Pensar" (Film for Thought), do Festival de Filmes Mídia que Importa. O Meatrix também foi aceito em festivais de filmes pelo mundo todo.




Biografia do GRACE

O Centro de Ações e Recursos Globais para o Meio Ambiente (GRACE), www.gracelinks.org, é uma rganização sem fins lucrativos que trabalha com pesquisa, política e comunidades de base para fornecer informação e promover soluções para preservar o planeta para as gerações futuras.

Projeto Fazendas Industriais do GRACE - uma equipe única de consultores especializados que ajudam comunidades, ranchos familiares e pequenos produtores a se oporem à disseminação de novas fazendas industriais e a fechar aquelas que afetam a saúde e o bem-estar. A equipe faz análises econômicas e dá suporte organizacional para comunidades ameaçadas. O site do projeto é um vasto recurso sobre questões relacionadas à agricultura industrial.
http://www.factoryfarm.org
O Henry Spira/Projeto do GRACE sobre Produç ão Animal Industrial - Uma parceria entre GRACE e o Center for a Livable Future na Escola de Saúde Pública Bloomberg, da Universidade Johns Hopkins. A parceria visa fomentar a pesquisa interdisciplinar sobre a produção industrial de animais e abordar os impactos na dieta alimentar, no meio ambiente e na saúde humana e animal.
http://www.jhsph.edu/Environment/Projects/spira_GRACE/Spira-Grace.html

Campanha sobre Irradiação de Alimentos - Em parceria com a Public Citizen, GRACE apoia um esforço internancional para informar o público sobre os riscos da irradiação de alimentos, usada meramente para mascarar as práticas insalubres do agronegócio e prolongar a "vida de prateleira" para o comércio internacional da carne
http://www.foodirradiation.org

GRACE também trabalha para eliminar as armas nucleares e a energia nuclear e para limpar o legado tóxico da era nuclear através do seu Projeto de Abolição Nuclear.
http://www.gracelinks.org

Biografia da Free Range Graphics

Free Range Graphics é criatividade com consciência. Sabemos que poderíamos estar usando nossos talentos para vender hambúrguers ou tênis esportivos, mas nós sentimos que uma parte inerente à criatividade é a criação de algo positivo e significativo.

Por isso nos concentramos em oferecer design de alta qualidade e serviços de publicidade a empresas e organizações cuja visão vai além de transformar o mundo em um shopping center. E enquanto nossos clientes vão desde ativistas mundiais como a Anistia Internacional até lojas independentes tentando sobreviver em uma era de franquias, todos eles partilham consosco a crença de que o trabalho de uma vida deveria criar e não corromper.

Sediados em Washington DC , nossos serviços incluem design gráfico para materiais impressos e Internet, concepção de campanhas e estratégia. Também oferecemos serviços de ponta na Internet, como gerenciamento de dados e aplicativos de Internet personalizados.

Sócios Fundadores

Jonah Sachs e Louis Fox são os sócios fundadores da Free Range Graphics. O trabalho pioneiro deles com a tecnologia Flash foi visto por milhões de usuários da Internet e foi citado em jornais de renome e redes de notícias de televis ão pelo país e pelo mundo, incluindo o Crossfire da CNN, The Washington Post, Fox News e The New York Times. Em 2001, Jonah e Louis foram nomeados entre "As Trinta Pessoas Salvando a Terra", pela revista Shift. Eles s ão considerados l í deres neste novo e importante movimento de disseminação de mensagens de cunho político e social ao público em geral por meio da Internet.


Publicado por Ana Tropicana às 03:55 AM | Comentários (0)

setembro 26, 2005

Pergunta

«Quem manda no seu Mundo?» AQUI

Quem manda no seu mundo?

A BBC está a lançar uma série de reportagens sobre pessoas e grupos que têm poder no mundo.
A série especial, «Quem manda no seu mundo?», explora o tema do poder em todos os níveis: Quem tem esse poder? Quem o quer ter? Como é usado? Quem são as pessoas que exercem o poder ao seu redor?

As opiniões podem ser enviadas por meio do formulário que se encontra ao lado.

Leia abaixo as mensagens enviadas por alguns dos internautas que visitaram o site da BBC Brasil.




"Sinceramente, o dono de "MEU MUNDO" é DEUS. Ele que rege tudo em meu ser, minha vida. Depois dele apenas NOSSA SENHORA e seu FILHO JESUS. Agora este PLANETA está sob o regimento do CAPITALISMO, DINHEIRO, PODER desenfreado que nos fazem escravos. Escravos de um poder "VIRTUAL". Afinal a Lei Áurea realmente existiu/existe?"
Catherine Silva Serra, São Paulo (SP)

"No meu mundo, quem manda e sempre mandará é Deus. Sem Ele não somos nada e nada poderemos ser. Com Ele e Seus ensinamentos passamos por todos os problemas mas não nos deixamos corromper."
Neide Goldenberg, São Paulo (SP)

"O dinheiro, com seu capitalismo, que funciona muito bem por sinal. Minha vida – e acho que a de muitos no Brasil e no mundo – é determinada e totalmente definida pelo dinheiro nos tempos de hoje. Ele me diz quando devo trabalhar, quando eu posso parar de trabalhar, quando eu posso viajar, quando posso tirar férias, quando posso dormir mais ou dormir menos, quando posso estar feliz ou quando posso estar triste, quando posso estar com meus familiares, quando posso relaxar ou quando posso ficar estressado, simplesmente, tudo... Conseqüentemente, quem/o que dominá-lo ou dispor de grandes partes, terá controle de tudo."
Daniel Monguilhott, João Pessoa (PB)

"Quem manda no meu mundo é meu país, os Estados Unidos. É ele que eu respeito e admiro. Infelizmente nasci nesta porcaria."
Liliane, Recife (PE)

"Eu penso que uma só nação tem poder de vida e morte de pelo menos mais da metade da vida existente no mundo e esta nação invade países com propósito de combater o terrorrismo, mas na verdade é o petróleo que interessa a esta nação."
Cassio José Rabelo Fernandes, Belém (PA)

"Manda quem pode, desobedece quem tem juízo."
Carlos Souza, Brasília (DF)

"No meu mundo (o Brasil) quem manda é o FMI (credor do Brasil). O meu presidente é simplesmente uma figura representativa nomeada pelo povo igual ao Congresso, um grupo de boêmios também nomeados por nós para gastar todo o nosso dinheiro e fazer mais empréstimos ao FMI para os políticos ficarem eternamente sendo submissos ao nosso credor."
Jean, São Paulo (SP)

"O poder é dado a cada um de nós, sendo então permitido traçarmos as metas desejáveis, bem como elaborar estratégias para atingi-las. Tornar-nos submissos à vontade alheia (de qualquer ordem) é declarar-nos impotentes e incapazes de cumprir nossa missão."
Cristina Fogliene, Guarulhos (SP)

"São os capitalistas, banqueiros e os EUA."
Carlos O. Pires, Belo Horizonte (MG)

"Quem manda no mundo são, na minha opinião, as grandes corporações. Megamultinacionais que possuem representações em praticamente todos os países patrocinam políticos que por sua vez têm a dívida de lavar a mão de quem o ajudou. Essas corporações nos dizem o que vestir, o que comer, o que ouvir, o que ver e onde deve cair aquele míssil!!!!"
Daniel Teixeira, Japão

"Quem manda no meu mundo são o medo, a esperança, a oportunidade, a fé, a confiança, a sabedoria. Enfim, tudo o que faça com que eu aja de uma certa maneira, mesmo que isso seja espontaneidade."
Fernando, Suzano (SP)

"Basicamente, quem manda no meu mundo são meus chefes, meus pais e meu namorado. Depois, meu dinheiro. Não adianta negar, todos eles influenciam muito no meu mundo e (o trabalho e dinheiro, principalmente) ditam meus horários e minhas diversões."
Isis, São Paulo (SP)

"Eu mando no meu mundo. Só deixo me influenciar pelo que escolho, só estou a serviço do que escolho ser certo. Aprendi a controlar a minha vida e estou muito mais feliz assim."
Juliana Martins, São Paulo (SP)

"Quem manda no mundo é a necessidade e o acaso (oportunidades). A combinação destes dois elementos pautam as ações de todos, seja para o bem ou para o mal."
Ronaldo, São João da Boa Vista (SP)

"Quem manda no mundo deve estar com a cabeça no mundo da lua e passou uma procuração para os políticos."
Luciano Max, Brasília (DF)

"Quem manda no mundo é o dinheiro. Compra o céu ou remete o indivíduo para o inferno. No fim de tudo, está o dinheiro."
Eloi Inacio Carmezini, Biguaçu (SC)

"Absolutamente, o dinheiro e o capitalismo funcional."
Daniel Monguilhott, João Pessoa (PB)

"A Bíblia nos dá a pista de quem hoje realmente governa este mundo. São forças influenciadas pelo Maligno e que ditam as regras dos governos e manipulam a maioria das pessoas. Vocês acham que governos corruptos, a violênica, países mais preocupados na corrida armamentista do que na fome do povo, armas de destruição em massa, entre outras coisas viriam de Deus? Claro que não!!! A pista que a Bíblia nos dá é esta: “Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no Maligno.” 1 JOÃO 5:12. O mal está por todas as partes, até nas coisas que parecem inocentes como por exemplo os modernos desenhos animados que dissiminam violência pura. Mas a hora de Deus está chegando, tudo está se cumprindo e somente os céticos não percebem. A maior esperança do cristão é esta, que Jesus está voltando e só assim teremos paz."
Francisco, Campinas (SP)

"NINGUÉM manda no mundo! E talvez este seja nosso grande problema. Se houvesse um líder mundial, sincero e sem vínculos religiosos (o ideal é que fosse ateu!), o mundo seria muito melhor. Se a pergunta fosse: 'O quê manda no mundo?', eu diria sem medo de errar que é o futebol. Se a Fifa organizasse um jogo entre Brasil e Iraque, em Bagdá, tenho certeza que até o Bin Laden decretaria uma trégua e as únicas explosões que existiriam em Bagdá seriam de fogos de artifício."
Alexandre Coelho, Porto Seguro (BA)

"Sem sobra de dúvida, são os donos do dinheiro, os banqueiros, os industriais aliados à mídia."
Luiz Fernando Oliveira, Brasília

"Meu mundo é aquele que está dentro de minha alma, onde meus pais semearam o bem e muitos valores. Hoje, longe do meu país, trato de imitá-los semeando as mesmas sementes, deixando bons rastros em alguns corações. A FAMÍLIA é o princípio e o fim do mundo de qualquer pessoa."
Vera Vieira, Neuquen (Argentina)

"Jesus Cristo."
Michelle Pinheiro, São Paulo (SP)

"Hoje em dia, o mundo é uma enorme plutocracia. Onde ricos ficam mais ricos e os pobres ficam cada vez mais miseráveis. Eu me incluo naqueles que 'sobrevivem' ao sistema."
Herick A. Werneck, Lorena

"Bom, quem manda lá em casa sou eu. Mando nos filhos, no marido, na minha casa e na minha empresa. Acho que tenho o dom pra mandar."
Clara Bartulic, Curitiba

"Quem manda no mundo é uma entidade chamada confusão, aliada a outra chamada mentira, porém o meu mundo que governa é Jesus. E estou muito contente com isso."
Willies Monteiro, Parnaíba (PI)

"Os Juízes e Advogados."
Victor de Palma, Salvador

"O poder de quem controla os meios de comunicação é maior do que qualquer arma nuclear. Ela simplesmente controla as opiniões das pessoas, fazendo você, eu ou qualquer pessoa, acreditar naquilo que transmitem."
Leonardo Marinho, Recife

"Quem manda no meu mundo sou EU, e cada um de vocês mandam nos seus respectivos mundos. O fato de vivermos em uma sociedade global não faz com que percamos o controle sobre o mundo em que vivemos."
Leandro, Belo Horizonte (MG)

"No plano religioso, a Igreja Católica através do Papa, tem muito poder, mas o usa muito pouco. No plano militar, os EUA, e países com bombas atômicas têm muito poder. No plano eonômico, os EUA, UE, Japão e China realmente mandam no mundo nesta ordem. Mas a força desta economia é fechada demais, pouco permitindo desenvolvimento de outras nações como o Brasil."
Tito Marcos Martini, Garça (SP)

"Acho que são os políticos."
Dorivan da Silva Sousa, Vila Rica (MT)

"Sem sombra de dúvida, Deus manda no meu mundo e no mundo de todos os sobreviventes."
Flávio Santos Meira, Valinhos (SP)

"Na minha vida particular (meu mundo restrito), quem manda é a minha família. No mundo ao redor dela é o capital, comandado pelos dirigentes das grandes empresas e pelos países 'desenvolvidos'".
Carol, Rio de Janeiro (RJ)

"Falam de mercado, mas por trás do mercado estão as empresas, os governos, as pessoas e o dinheiro! Quem tem poder é quem tem dinheiro e/ou pode coagir. O poder hoje é exercido de forma negativa, apenas para explorar e te convercer de algo que não existe mais - liberdade e igualdade."
Camila Evangelista, Guarulhos (SP)

"Quem manda no mundo, é quem tem dinheiro, por esse motivo, o mundo está agonizante com falta de fé, guerra, fome, miséria etc. O mundo precisa de comandante com amor ao próximo."
Daniel Rocha, Rio de Janeiro (RJ)

"Eu, na verdade, não tenho dúvidas acerca daquele que manda no meu mundo, aliás, no mundo que nem é meu. É o super poderoso, o imortal, que é Deus."
Francisco Santos, Maputo (Moçambique)

"O instinto responsável pelo desejo de mandar, comandar, dominar, ter o controle. Este sentimento íntimo comum em todo ser humano de ter algo para si e chamar de seu, possuir, ser detentor. Este instinto que ao longo da história se manifesta em todo líder como uma entidade subjetiva e filosófica ou espiritual para alguns, que regendo sua existência, gera a necessidade de ter sempre mais."
Alceo Biazawa, Curitiba

"O meu mundo não é tão diferente do mundo comum. É um mundo governado pelas opiniões restritas e conseqüências abrangentes. É um mundo no qual o certo é errado e o errado ninguém vê."
Renato Caldas, Rio de Janeiro (RJ)

"Eu acho que manda no mundo quem consegue influenciar a população com as suas opiniões seja na música, política ou no jornalismo. O poder está em mudar o conceito da população."
Fernando Fidelix Nunes, Brasília (DF)

"Quem manda no mundo é aquele que tem mais dinheiro, pois "ele" tem todas as melhores coisas: pode escolher carros, casas e até mesmo o tipo de parceiro(a)que quer usar por uma noite ou o tempo que achar necessário para se satisfazer; mandar e desmandar, mesmo estando errado. Enfim, abusa o quanto quer e todos a sua volta têm que ficar calados se não quiserem ser prejudicados."
Alessandro, Uberaba (MG)

"A palavra de Deus diz que esse mundo jaz no maligno, e ele é o príncipe desse mundo, mas a minha vida é controlada, e todos os meus passos guiados, pelo rei dos reis Jesus Cristo."
Lucia A. dos Santos, Mogi das Cruzes (SP)

"Quem manda no mundo é quem detém o poder, e são os países desenvolvidos que detêm o conhecimento. E por meio desse domínio propagam seu modo de vida consumista sobre nós, meros consumidores de tecnologia de lá. Ao invés de aproveitarmos melhor nossas próprias idéias, acabamos preferindo consumi-las pois é mais cômodo mandar alguém fazer por nós do que fazermos nós mesmos. O que é um grande erro se almejamos ser um país realmente justo e desenvolvido."
Willian Takamura, São Paulo (SP)

"Para mim quem manda no mundo é Deus o todo poderoso. Só que quase todo mundo ainda não se deu conta disso. Só para se ter uma idéia: alguém já viu quem que se acha poderoso andar tranqüilo e estar sem segurança? Pois é, esse tipo de pessoa pensa que tem poder, mas na verdade não tem nenhum. O maior poderoso é justamente aquele que se acha sem poder."
Luiz Carlos Peixoto, Nova York (EUA)

"Eu tenho meus poderes com a família, nada em termos públicos ou religiosos. Lido muito com auto-análise, nem por isso tenho sucesso. Nada temo e tenho a morte como um acidente inexorável. Aliás, tenho reservas em relação a quem faz uso do poder que não seja trabalhado com a cabeça."
Calypso Escobar, Rio de Janeiro (RJ)

"Sem dúvida, o supremo Criador do Universo e a fé no que posso realizar. Não me considero subordinada a nenhum ser humano, pois ele é hoje e não é amanhã, não tem assim tanta força como pensa e 'quando Deus faz, o homem não desfaz'."
Eliane Maria Arruda Silva, Fortaleza (CE)

"Quem manda no meu mundo é o criador dele, Jeová, só ele sabe onde/por que/para onde vamos. As nações estão cada dia mais perdidas, pois o grande dia se aproxima cada vez mais rápido!"
Luiz Leite, Nova York (EUA)

"Quem manda no mundo é o capital, que fortalece quem o tem e oprime quem vive na miséria."
Ricardo Souza, Nova Lima (MG)

"A corrupção manda no mundo."
Paulo, Brasília (DF)

"O poder não pertence a um único grupo ou pessoa. O poder flui. Cada pessoa constitui um elo, um mero canal de transferência. A articulação de pessoas canaliza o poder para uma direção ou outra. Os Estados Unidos, então, podem ser vistos como uma articulação particular de pessoas. Nota-se aí que a capacidade de organizar as pessoas, influenciá-las, é uma das maiores expressões do poder como ocorre com as grandes empresas de comunicação."
Rodrigo di Lorenzo Lopes, São Paulo (SP)

"Para mim a única pessoa que manda em nós é Deus, mas como alguns grupos ou países pensam que são "deuses" fica difícil classificar um agora, pois são tantos. O que me deixa espantado é saber que alguns desses grupos têm o poder de acabar com as pessoas como se fosse tirar o pó da mesa. Isso é inadmissível, temos que nos unir e ajudar as pessoas que precisam de ajuda."
Cleverson Dupin, Belo Horizonte (MG)

"Deus."
Javier, Ciudad del Este (Paraguai)

"Como podemos observar nas opiniões anteriores, cada um leva a pergunta para lados e sentidos diferentes. Quem manda no seu mundo, independentemente de qualquer momento político, religião, dinheiro, países ou seja lá o que for, é você mesmo. Não ponha a culpa nem se apóie em desculpas nem em deuses. Você é o que plantou. Você que é culpado ou consagrado pelo caminho que escolheu. Quem manda no seu mundo é sua mente, sua esperteza, sua audácia, sua sabedoria e sua inteligência. O resto são desculpas apontadas por você, talvez, pelos seus fracassos. Meu amigo, "Ser ou não ser? Essa é a questão". Corra... talvez você ainda tenha tempo de ser o dono o seu próprio mundo."
Claudio Bucci, São Paulo (SP)

"Eu diria que o mundo está dominado pelo poder político-financeiro e logo segue o poder jurídico. A forma como esses poderes são combinados varia em dependência de quem os tem total ou parcialmente, pessoa ou corporação. Na pequena escala, podemos constatar que companhias ou pessoas com poder financeiro normalmente preocupam-se em conquistar o respaldo jurídico e político. Os que têm poder político não o exercem sem respaldo financeiro. Daí vemos que o poder está naqueles que sabem balancear esta equação. No meu mundo são os governantes, são os que ditam as regras."
Paulo Manassi, Luanda, Angola

"Há duas formas de poder, o poder irreal, que é aquele que os demais tentam exercer sobre cada um ao seu redor e o segundo e o poder do autoconhecimento, o poder interior, definitivo e verdadeiro, o qual é o único que eu reconheço. O resto é ilusão. Ninguém me influencia!!!!!"
Egbert Silva, Amsterdã (Holanda)

"Meu emprego!"
Manuel, Recife (PE)

"Primeiro é Deus, que me permitiu viver e criou tudo. Depois sou eu, que luto para sobreviver e amar. Depois vem minha família, a quem preciso e devo amar eternamente. Por último vêm meus semelhantes, a que devo amar, entender, respeitar, sem distinção de qualquer espécie, com plena igualdade de entendermos que somos todos um só."
Carlos Alberto Paulo de Brito, Juazeiro

"Ninguém. Afinal, até os mais poderosos estão à mercê das forças do caos. E, cedo ou tarde, o caos prevalecerá, provavelmente por uma catástrofe ecológica e o exaurimento nos recursos naturais."
Alexandre Medeiros

"Os acionistas e os fundos de pensão."
Diego Bregolin, Porto Alegre (RS)

"Temos três poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário. Há dez anos surgiu um outro poder: a Imprensa. Agora a maior poder é o poder Econômico."
Vital Serafin, Marau (RS)

"Sem medo de estar cometendo nenhuma injustiça, no meu mundo quem manda são os políticos e governantes corruptos - ladrões do dinheiro público, que escravizam e excluem covardemente seres humanos inocentes."
Francisco Manoel da Rocha Neto, Palmas (TO)

"De acordo com a História mundial, com o passar do tempo, só existiram duas classes: o dominador e o dominado. E hoje não é diferente. Sempre existirá essa subordinação, até a extinção da humanidade."
Jurandir, Recife

"O dinheiro."
Miguel Angelo Pinheiro, Fortaleza

"Na minha opinião, o mundo é regido por um bloco de indivíduos, classificado por mim em Grandes, Médios e Pequenos, que se encontram repartidos em estados, países, ilhas e comunidades. Mas que, por conseguinte, o grupo pequeno ordena um determinado sítio ou espaço. Envia a sua informação aos Médios que, por sua vez, processam-na e enviam-na aos do grupo Grande que, por sua vez, analisam e processam respostas para os demais problemas da humanidade. Mas essas respostas são para o benefício deles e não dos mais necessitados, que só recebem migalhas."
Verdim, Luanda (Angola)

"Os demagogos, pois usam desculpas mentirosas para manipular os poderes judiciários e legislativos de seus países."
Wagner, Belo Horizonte

"O 'mercado' manda no mundo. Eles compram e vendem tudo. Identificando os operadores, identificaremos quem (pessoas) ou quais (corporações) compõem o 'mercado'."
Antonio Carlos, Quirinópolis (GO)

"No plano econômico os Estados Unidos ainda lideram e exercem enorme poder de liderança no mundo. Esta liderança econômica, embora esteja ameaçada pela China, deverá perdurar por uma ou duas décadas até que a China assuma o seu poder. No plano político, porém, os Estados Unidos governados pela administração republicana cometeram vários erros estratégicos. Com isto os Estados Unidos perderam o foco do que acontece no mundo e aos poucos perdem terreno para a política européia."
Sergio Salomon, Deerfield Beach, Flórida (EUA)

"A meu ver, o "meu" mundo é comandado por aqueles que estabelecem as regras e/ou detêm o "controle" sobre o domínio do conhecimento em seus respectivos segmentos e suas aplicações. (...) Quem são as pessoas que exercem o poder ao seu redor? Os agentes das instituições mais fortes, sejam públicas ou privadas."
Antonio C. Fernandes, Santo André (SP)

"O mundo é comandado por um grupo seleto de pessoas, que obviamente são poderosas financeiramente ou pertencem a instituições igualmente poderosas. Não importa se você é da África, Estados Unidos, Reino Unido, Índia ou Brasil. Se você tiver cacife suficiente para fazer parte desse seleto grupo, então você é um dos 'donos do mundo'."
Joel Ribeiro Camara, João Pessoa (PB)

"No meu mundo Jesus Cristo é Rei, Deus é o Sol e o Espírito Santo é Mestre."
Daniel M. Carneiro, Rio de Janeiro (RJ)

"É muito complexo responder a esta pergunta, porém, percebe-se que cada indivíduo constrói seu mundo particular, e grupos de indivíduos compartilham visões sobre seu mundo que permitem a entrega do controle de tal mundo a uma figura específica. A verdade é que o ser humano precisa, necessita de um referencial de autoridade, quer seja o pai, o chefe, o professor... Se este não encontra uma figura de autoridade no seu mundo, ele penetra no mundo de outro para não se sentir "desprotegido". Quem manda no meu mundo é alguém que pagou um preço de vida por mim, Jesus Cristo."
Messias Lins, Manaus (AM)

"Os americanos, hoje, "mandam" no mundo. Em umas regiões mais, outras menos. Na América do sul a sua influência é de arrogância, peculiar da política Bush e do povo americano. O contraponto da Europa hoje só existe pelo lado da França, hoje o único país Europeu que não segue as "deteminações" americanas neste continente. É o que contrabalança, ao menos na Europa, alguma coisa, pois a Grã-Bretanha segue e é hoje quase a mesma coisa, vivendo de frente para o Atlântico Norte, de costas para a Europa em seu provincianismo típico de povos insulares, o que é uma grande perda para toda a Europa e conseqüentemente ao mundo também."
Luis Nascimento, Rio de Janeiro (RJ)

"Na minha opinião, quem manda mesmo no mundo é o dinheiro, em todas as suas formas de apresentação. Quero dizer, o poder que o dinheiro representa, se levarmos em consideração que por mais espiritualizada que seja uma sociedade, seus problemas mais emergenciais sempre serão resolvidos com bens materiais. Exemplo disso são as civilizações asiáticas e orientais em geral. Quando começaram a se voltar para os aspectos materialistas da vida iniciaram um processo sem volta de perda de espiritualidade. O tempo provará esta teoria. Nas sociedades ocidentais, nem se fala. A frase que ouvi nesta semana é uma prova irrefutável disso: "Multa é a solução, pois irá atingir o ser humano no lugar onde mais dói. No seu bolso!" Lamentável? Sim, mas inevitável, eu creio."
Zolira Baratto, Cambé (PR)

"Quem tem o poder: os grandes empresários/industriais/políticos/militares/religiosos... os dominantes. Quem quer ter o poder: os religiosos. O poder é usado para manipular a grande massa do população para produzir e manter os dominantes mais e mais fortes. O poder ao meu redor (Brasil) é exercido por políticos e ladrões."
Raimundo Dialciles A. Martins, São Luis (MA)

"Indiscutivelmente quem manda no meu mundo sou eu."
Alexandre Alencar, Águas Formosas (MG)

"Quem detém o capital e finge ser honesto!!!!!!!!"
Paulo Lyrio, Petrópolis (RJ)

"O poder mundial está nos países que possuem produtos como o petróleo, e metais em geral. Quem tem e quem quer ter esse poder são os Estados Unidos. O maior exemplo foi a chamada Guerra do Iraque pelo qual os EUA teriam a certeza que o Iraque produzia armas químicas!!! Onde estão estas armas??? A briga mundial é principalmente pelo petróleo, o líquido que move o mundo... Os EUA querem esse poder por isso "inventam" uma guerra e utilizam os recursos naturais do país invadido sendo assim o país mais nocivo e o que tem mais poder."
Diego Lima Scadelai, Ribeirão Preto (SP)

"Quem tem todos os poderes na verdade é Jesus Cristo, mas no caso específico aqui proposto seguem os mandantes: 1º EUA; 2º Todos que se opõem aos EUA para fazerem igual a eles; 3º os políticos nacionais inescrupulosos que são manipulados pelo capital e interesses norte-americanos. Duro é saber que aqui na minha pequenina cidade, somos prejudicados pelo império dos EUA."
Adilson Ramos, Pedro Canário (ES)

"São as grandes corporações econômicas, em especial as de origem bancária e de investimentos."
Francisco Nogara Neto, Guarapuava (PR)

"Acho que são os Estados Unidos e algumas empresas de tecnologia, como a Microsoft, pois seus modelos e estilos são copiados o tempo todo por outras pessoas da Terra."
Rodrigo Flausino, Varginha (MG)

"Os capitalistas que especulam em bolsas de valores."
Luciano Almeida de Oliveira, Goiânia

"O poder está na mão das grandes potências mundiais, nos países industrializados."
Jair, Massaranduba

"Manda no meu mundo quem detém poder sobre o povo assim como na idade média. No Brasil a falta de acesso da população à educação de boa qualidade produziu ao longo da última geração, um povo ingênuo, desinteressado, miserável e conseqüentemente altamente dominável. Como resultado, o Brasil hoje não pode ser considerado democracia com 55% da população vivendo em condições de tamanha miséria."
Victor, São Paulo (SP)

"Quem manda no mundo é o dinheiro e as grandes corporações. As do petróleo, farmacêuticas, agro-industriais, armamentos, cigarro, bebidas, etc. Os políticos são forçados a fazer valer os interesses destas em detrimento a bilhões de pessoas."
Jerônimo, Bruxelas (Bélgica)

"No 'meu mundo' são as forças vindas do poder judiciário, e tais forças ou poderes estão concentrados em pessoas que exercem a jurisdição, ou seja, juízes. O poder, que vem do cargo que ocupam, é mal usado e de pouca eficiência social... Num sentido mais amplo, genérico, diria que o poder que mais aflinge vem, também, do Estado. Agora, o Executivo, de onde a sociedade recebe e sente de imediato qualquer ato que daí venha. E, mal usado também, pois suas decisões tem sempre a finalidades de interesses "maiores", dos MAIORES, ou seja, de quem detém o poder econômico."
Luiz Lobo Filho, Foz do Iguaçú

"Quem manda no "meu" mundo é o MERCADO. Este, por sua vez, usa os políticos como peões de manobra (normalmente através da corrupção) para meter a mão nos cofres públicos e transferir montanhas de dinheiro (público) para empresas privadas nacionais e internacionais."
Roberto, Curitiba

"Quem manda no meu mundo é Deus. Sem ele não consigo dar um passo. Para tudo dependo da providência divina."
Carlos, Mogi Guaçú (SP)

"Neste século não são pessoas fisícas que mandam no mundo, mas sim grandes empresas, grandes governos com economia forte e bem estruturada!!"
Andreatto Pinheiro Viana, Recife

Publicado por Ana Tropicana às 01:41 AM | Comentários (0)

setembro 25, 2005

«No entendimento»

Ainda o «mensalão»: Severino («ex-deputado e futuro deputado», como muito bem observa o escritor João Ubaldo Ribeiro, na edição de hoje de O Globo) andou a pensar, «ofendido» e caluniado, tomou uma decisão: foi ao Planalto e apresentou a «renúncia».

«Portanto, passemos a borracha em tudo isso, graças a Deus somos brasileiros e resolvemos no entendimento o que em outros países que se dizem mais afortunados se resolve no tiro.» - magistral texto, o de Ubaldo Ribeiro, que vale a pena ler em atacado.




Mentira, mentira, mentira!
por João Ubaldo Ribeiro

Publicado em O Globo, a 25 de setembro de 2005


Reproduzo no título acima, dando o devido crédito, as palavras proferidas pelo ex-deputado Severino, ao mencionar as denúncias de que ele recebia uma gruja do concessionário dos restaurantes (casa de pasto talvez fosse a designação mais adequada a boa parte da freguesia dos estabelecimentos em questão) da Câmara. O homem estava indignado, era sua honra em jogo, era o presidente da Câmara de Deputados, uma das mais altas autoridades do país, sendo falsamente acusado de tomar uma grana comparável à de um bom flanelinha, desses que no Rio às vezes cobram 50 reais pelo direito de usar a rua por três horas. Quer dizer, o flanelinha pode até ganhar mais um pouco e certamente qualquer chefe de quadrilha que explore menores mendigos fatura bem melhor, mas, de qualquer forma, podia sair num jornal estrangeiro e não ficava bem para a nossa imagem. Mentira, mentira, mentira, pois.

Haverá quem ache que é mentira dele, porque, ao que parece (fico todo cheio de dedos ao escrever estas coisas, não só porque pertenço à deletéria imprensa, como porque posso ser processado e condenado, como esse doleiro que pegou uma pena de 25 anos, num país onde autores de chacinas são até absolvidos, traficantes perigosos cumprem pena em regime semi-aberto ou não cumprem pena nenhuma e a impunidade é geral, a não ser para quem incomoda), ele recebia mesmo o agradozinho dele. Tanto assim que certamente tomou uma providência imediata e mandou comprar — claro que com dinheiro nosso, pois, afinal, era despesa pública — um dicionário novo, onde encontrou a palavra “renúncia”. Sabem como são essas coisas, a palavra “renúncia” está em uso praticamente desde que começou a língua portuguesa, mas o dicionário dele era mais antigo e não registrava essa tal renúncia, coisa certamente de comunistas, que são traidores da pátria, sim, mas muitos são inegavelmente inteligentíssimos. Aí ele pegou o dicionário novo, achou a palavra, não gostou muito, mas não imaginou outro jeito e resolveu renunciar.

Pensou no país até o fim e em amenizar tanto quanto possível o sofrimento de quem, afinal, não tinha nada a ver com o problema. Primeiro, pensou na aposentadoria, obrigação de pai de família e provedor. Segundo depreendo da leitura dos jornais, já está garantida. Depois pensou nos parentes e amigos, que são tão parte do povo brasileiro quanto vocês e eu e, portanto, não há o que reclamar, são brasileiros sendo beneficiados, melhor isso do que só se fosse no tempo dos russos. A renúncia não os podia prejudicar e então ele teve a hombridade de visitar o presidente da República, onde, ao que se disse, tratou dos problemas de seu povo, ou seja, pediu e obteve a garantia de que nenhum apaniguado seu perderia o emprego. Só mesmo um mau brasileiro, como nós, da imprensa, não compreenderia o calor humano desses dois grandes corações.

E, claro, somente a má vontade — e má vontade é com a gente da imprensa mesmo — é que vê na renúncia o reconhecimento da culpa e a convicção de que, exposto a julgamento, seria condenado. Portanto, passemos a borracha em tudo isso, graças a Deus somos brasileiros e resolvemos no entendimento o que em outros países que se dizem mais afortunados se resolve no tiro. Ele renuncia, ninguém fica mais querendo bisbilhotar o que não é da conta de ninguém além dele mesmo, porque nosso direito é o de pagar os subsídios (ou que outro nome artístico ora se empregue para designar tudo o que deputado embolsa legalmente, de forma direta ou indireta) dele e de nos gabar disso em qualquer lugar — a democracia está aí mesmo e não me deixa mentir: quem nos deu nosso juízo foi o governo, quem nos concede permissão para pensar é o governo, quem nos dá o direito de opinar e falar é o governo e, enfim, a gente só se queixa do governo porque é um governo bom e dá permissão, lembrem como o presidente disse que tem de ter muita, mas muita paciência mesmo, com um povo que pelo visto só faz atrapalhar.

Pronto, tudo resolvido. O dinheirinho pago já deve ter tido bom uso, ajudando um aqui, outro ali, vocês não sabem que saco sem fundo é eleitor nordestino. Se soubessem, não abriam a boca para ficar aí dizendo besteira sobre como deputado ganhar demais e ter muita regalia para pouco trabalho. Experimente ser do interior do nordeste e voltar à sua terra como deputado — é dinheiro que pedem que não acaba mais nunca, mas ninguém se lembra nessas horas da função social de alta relevância que o deputado exerce. Ouviram o galo cantar, não sabem onde e ficam repetindo essa bobajada, quem quiser que pense que o comunismo morreu, ele continua bem vivo aí, com as mesmas táticas desleais e inescrupulosas. E calvário enfrentado pelo bem do país, dolorosos momentos vividos, agora tem assegurado o direito de se candidatar e, provavelmente, de se eleger outra vez. A elite, talvez ele tenha comentado na visita ao presidente, não se conforma mesmo com um presidente operário e um nordestino militante como ele, de sotaque e tudo.

Alguém tem de prender e arrebentar essa elite, é a conclusão a que venho chegando. Ela já está indo longe demais com esse negócio de sabotar o governo Lula e brasileiros típicos como o futuro deputado Severino. Em primeiro lugar, a elite financeira, os bancos, muitos dos quais se dão tão mal que nem imposto de renda pagam, têm os maiores lucros de sua história, ou seja, a economia vai esplendidamente. Devem estar chateadíssimos com essa situação. A elite política tem no seu topo eles mesmos, isso é coisa que se faça? O FMI nos cobre de elogios, ostentamos um belo perfil internacional e um líder carismático e decidido, sempre na frente de combate. Mas a elite não engole estar se dando tão bem com esse governo, deve ter medo de ser feliz. Mentira, mentira, mentira, como disse o ex-deputado e futuro deputado Severino.

Publicado por Ana Tropicana às 08:39 AM | Comentários (0)

setembro 24, 2005

Isolados no Breu

«Na cidade tem internet, telefone e televisão. Lá no lago e nas comunidades, predomina a escuridão. Às vezes tem radinho, para obter informação» - José Nascimento de Carvalho, poeta e membro da Associação de Produtores Rurais do Guanabara 2, de Benjamin Constant, durante o debate sobre recursos de comunicação comunitária, nas entranhas da Grande Mata, esta semana, em Manaus.




Comunidades discutem comunicação popular na Amazônia
Fonte: Radiobras


Vinte e oito moradores de nove municípios do Amazonas estiveram reunidos nos dias 17 e 18 de setembro para discutir experiências de comunicação popular na região. Falaram sobre as rádios comunitárias, além do rádio-poste e do rádio amador utilizados pelos ribeirinhos no dia-a-dia. Também trataram de outros aspectos do direito à comunicação, como acesso ao telefone, inclusão digital e concentração da propriedade dos meios de comunicação.

"Sem comunicação o trabalho em rede não existe. Ela é fundamental para as populações amazônicas acessarem programas, projetos e políticas públicas", afirmou José Arnaldo de Oliveira, assessor de comunicação da Rede do Grupo de Trabalho Amazônico (Rede GTA), que organizou a oficina de comunicação popular e comunitária, em Manaus. A rede surgiu em 1992 e é composta por cerca de 600 organizações não-governamentais (ONGs) e movimentos sociais da Amazônia Legal.

"Para trabalhar em rede na Amazônia é preciso mapear os comunicadores, ver as condições de trabalho deles e tentar prover infra-estrutura para quem não tem nada, sequer telefone", completou Cristiane Dey Andreotti, rádio-ativista e consultora voluntária da Rede GTA.

O evento encerrou um ciclo de oficinas iniciado em novembro de 2004, em Brasília, e levado também neste ano para Belém (PA) e São Luís (MA), com financiamento da organização alemã Fundação Friedrich Ebert (FES). "O objetivo desses encontros é fortalecer o trabalho dos comunicadores e das comunicadoras, trazer informações às quais eles nem sempre têm acesso sobre funcionamento de rádios, legislação e resistência", explicou Fernanda Papa, representante da fundação. (Thaís Brianezzi)

Publicado por Ana Tropicana às 09:00 PM | Comentários (0)

setembro 22, 2005

Festival de Cinema do Rio 2005


cartaz oficial de autor desconhecido

Dois apontamentos na minha Moleskine:

- 1967/68. Brasil pós-golpe militar de 1964 e pré AI-5. Passeatas estudantis, festivais de música, uma geração caminhando contra o vento. No Rio de Janeiro, nasce o jornal-escola "O Sol", uma experiência única no jornalismo e na cultura brasileira.

- "Meu caro Vinicius de Moraes, escrevo-lhe aqui de Ipanema para lhe dar uma notícia grave: a primavera chegou. É a primeira primavera desde 1913 sem a sua participação. Seu nome virou placa de rua. E nessa rua que tem seu nome na placa vi ontem três garotas de Ipanema que usavam minissaia. Parece que a moda voltou nessa primavera". (Rubem Fonseca, dois meses após a morte do poeta)





FESTIVAL DO RIO 2005
Mosaico do cinema mundial movimenta a cidade

Considerado o maior e mais charmoso festival de cinema da América Latina, o FESTIVAL DO RIO promete inundar a Cidade Maravilhosa com o melhor do cinema mundial. A versão 2005 irá apresentar mais de 300 produções de 60 países, que serão exibidas em 35 locais da cidade, divididos em 25 cinemas, oito lonas culturais e Praia de Copacabana.

Entre os destaques estão Broken Flowers, de Jim Jarmusch, Last Days, de Gus van Sant, L´Enfant, de Luc e Jean-Pierre Dardenne, The Wayward Cloud, de Ming-liang Tsai, Where the Truth Lies, de Aton Egoyan, e Breakfast at Pluto, de Neil Jordan.

Além das mostras consagradas, como Panorama, Expectativa 2005, Midnight Movies e as Première Brasil e Première Latina, este ano o festival apresentará as mostras Dox - dedicada a documentários nacionais e internacionais; O Brasil com Z, com produções estrangeiras sobre nosso país; Clássicos Japoneses, tributo aos 110 anos da Shochiku Films, o maior estúdio nipônico; Retrospectiva Raymond Depardon, com os filmes do grande fotógrafo e documentarista francês. Nesta edição, o país homenageado será a Espanha e, através da mostra Foco Espanha, serão apresentados 22 dos filmes mais recentes daquele país, entre eles, Iberia, de Carlos Saura, Real - La Película, de Borja Manso, e Reinas, de Manuel Gómez Pereira, com Carmen Maura e Marisa Paredes.

Haverá ainda sessões especiais de grandes clássicos do cinema mundial em versão restaurada: Entre a loura e a morena - em homenagem aos 50 anos de morte de Carmem Miranda; Encouraçado Potemkin, exibicão com orquestra ao vivo; Pele de Asno, (Peau D'Ane) de Jacques Demy, Batalha do Chile, em versão completa de seis horas; e Soy Cuba, de Mikheil Kalatozishvili.

A edição 2005 vai inaugurar, em parceria com a Prefeitura, a Tenda Cinelândia, em frente ao cinema Odeon BR. O local será o ponto de encontro oficial do público com o audiovisual: haverá uma loja com DVD´s e objetos de cinema e, diariamente, serão promovidos debates com atores, diretores e críticos do Brasil e do mundo.

Outro segmento importante que vem se desenvolvendo no Festival do Rio é o de negócios. No Hotel Meridien, representantes do mercado cinematográfico - 300 produtores e empresários estrangeiros e 600 exibidores e outros profissionais do cinema nacional - se reúnem para participar do Rio Screenings and Seminars, um encontro de negócios dentro do Festival onde o produtor brasileiro poderá exibir e negociar seus filmes com compradores do mundo inteiro. Em contrapartida, emissoras de TV, além de distribuidores nacionais, podem comprar filmes nunca antes exibidos no país. Ou seja, a partir deste encontro, novas oportunidades se abrem no mercado do cinema.

Festival do Rio 2005 - de 22 de setembro a 6 de outubro
Programação – www.festivaldorio.com.br





Vinicius: o homem e o mito

Vinte e cinco primaveras e verões ensolarados depois, Vinicius é tema de uma cine-biografia homônima, dirigida por Miguel Faria Jr e apresentada em avant-première na solenidade de abertura do Festival do Rio 2005, nesta quinta-feira, 22 de setembro, no Odeon BR.

Poeta, escritor, autor de teatro, diplomata, advogado, crítico de cinema, músico, compositor, boêmio e um eterno apaixonado pelas mulheres - não necessariamente nesta ordem-, ele continua sendo um ícone da cultura brasileira por sua obra e trajetória únicas.

Além de contar a vida do poeta cronologicamente, o filme híbrido de documentário e ficção contextualiza sua história intercalando vídeos e fotos de época, depoimentos emocionados (e despojados) de pessoas próximas, leitura de seus poemas, imagens caseiras inéditas e releituras de seus maiores sucessos por intérpretes convidados. Intimista e pessoal, faz uma profunda análise de seus inúmeros e intensos relacionamentos. Afinal, segundo dizem, Vinicius nunca gostou de estar só.

Da infância marcada pela religiosidade do colégio Santo Inácio, Vinicius passa pela rigidez da faculdade de Direito e produz muitas poesias eruditas com toques católicos. Ele estuda em Londres, casa-se, tem filhos, volta para o Brasil e torna-se diplomata. Ao longo dos anos, ele vai se deslocando deste mundo inicialmente erudito e europeu, para o popular e brasileiro, uma dualidade que o acompanhou a vida toda. Em seu depoimento, Edu Lobo declara que "Vinicius era um velho com 24 anos". E Ferreira Gullar completa afirmando que "aos poucos ele vai virando o Vinicius, vai virando brasileiro".

Um ponto em que ele quebra paradigmas, ao reunir a cultura popular brasileira à erudita, é na peça Orfeu da Conceição, escrita para um elenco obrigatório de atores negros. Ela serviu de base para o filme Orfeu Negro, que em 1959 conquistou o primeiro prêmio no Festival de Cannes.

Em um hilário depoimento, Caetano Veloso lembra que a primeira vez que "viu" Vinicius foi na televisão, falando sobre Orfeu da Conceição. Ele conta que comentava com todos na Bahia que tinha um escritor no Rio muito bom, chamado Vinicius, que era negro. Na verdade quem estava sendo entrevistado na tevê era o protagonista da peça. Como não sabia disso, o compositor baiano passou mais de um ano sem saber do engano.

A vida pessoal de Vinicius, seus nove casamentos e a relação com a família são abordados de modo intenso por suas filhas Suzana (produtora do filme), Georgiana, Luciana e Maria. Sua amiga Tônia Carrero conta que "ele precisava do precipício da paixão" para viver e por isso se apaixonava tanto.

A boêmia e seu "cachorro engarrafado", o uísque, sempre presentes nas últimas décadas de sua vida têm destaque no filme. Em um vídeo caseiro inédito feito por Suzana, Tom Jobim e Vinicius aparecem completamente bêbados em um jardim, cantando Pela Luz dos Olhos Teus.

A música e suas parcerias a partir do nascimento da Bossa Nova são outros aspectos fundamentais do filme. Chico Buarque conta que o conheceu com 10 anos, pois Vinicius era amigo de seu pai. Também dão seus depoimentos Gilberto Gil, Miúcha, Toquinho, Maria Bethânia, Francis Hime e Carlinhos Vergueiro.

O elo da história com o presente é a montagem de um pocket-show em homenagem a Vinicius, em um palco simples, com uma bela iluminação. Nele, Camila Morgado e o ator Ricardo Blat recitam e interpretam poemas, "apresentando" o filme para o público. Apaixonada pelo poeta, a atriz afirma que "Vinicius não pertence a uma geração. Pertence a todas. Não há como não ser tocada por sua obra".

A parte musical fica por conta de novos nomes que interpretam clássicos da obra de Vinicius. Yamandú Costa toca Valsa de Eurídice, Mônica Salmaso canta Insensatez e Canto Triste, e o sambista Zeca Pagodinho entoa Pra Que Chorar. Em uma apresentação emocionada, Adriana Calcanhoto toca Eu Sei Que Vou te Amar e Mariana de Moraes canta Coisa Mais Linda. Também participam Mart´Nália, MS Bom, Nego Jeff e Lerov, Sérgio Cassiano, Olívia Byington e Renato Braz numa seleção diversificada e interessante.

O sentimento que é mais evocado e talvez provocado pelo filme é a alegria e o amor. A intensidade do amor de Vinicius pelas pessoas, pelo Brasil e pela vida é contagiante. Muita gente vai sair do cinema com a total certeza que "É melhor ser alegre que ser triste / Alegria é a melhor coisa que existe / É assim como a luz no coração".

Vinicius estréia comercialmente na primeira semana de novembro, mas a gravadora Biscoito Fino promete lançar antes o CD com a trilha-sonora, totalizando 25 faixas.




«O Sol, Caminhando Contra o Vento» no Festival do Rio


Um retrato sobre a geração 68 sob a ótica de um jornal alternativo que marcou época no Rio de Janeiro. Assim é o filme "O Sol, caminhando contra o vento", da cineasta Tetê Moraes em parceria com Martha Alencar. O jornal O Sol, que teve vida efêmera - durou apenas seis meses- circulou até 05 de janeiro de 1968 quando foi fechado pela ditadura.

Tetê chegou a trabalhar na diagramação do jornal que era editado pelo
jornalista Reynaldo Jardim. O Sol era encartado no Jornal dos Sports e virou porta-voz da esquerda contra as arbitrariedades da ditadura. O filme apresenta entrevistas com dezenas de personalidades do país, entre elas Caetano Veloso - autor da música "O sol nas bancas de revista/ Me enche de alegria e preguiça. Quem lê tanta notícia?" -, Gilberto Gil , Hugo Carvana, Nelson Rodrigues Filho, Chico Buarque, Fernando Gabeira, Beth Faria, Zuenir Ventura e Carlos Heitor Cony.

Tetê Moraes conta que O Sol "foi um jornal do bem, criativo, dinâmico, precursor do Pasquim, do Opinão e quem diria, também do Bafafá. O Sol é o avozinho do Bafafá", assegura. O filme será exibido em primeira mão no Festival do Rio.


As sessões são as seguintes:

- Segunda-feira, 26 de setembro às 15:15 e 19:15 no Espaço Unibanco de Cinema 3:

- Quarta-feira, 28 de setembro às 14:30 no Cine Odeon (com ingressos a R$ 2 e debate após a exibição)





Foto e texto: Tetê Moraes (autor: Dominique Valansi )

Publicado por Ana Tropicana às 05:14 PM | Comentários (2)

setembro 17, 2005

"Essencialismos"

Leio AQUI, tirado DAQUI:

«Portuguese is essentially Brazilian without vowels.»

Sei que pode ser criticável, mas não deixa de ser, convenhamos, muito "bem apanhado".

Publicado por Ana Tropicana às 12:30 PM | Comentários (0)