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março 26, 2006

Gemas da Floresta


«crónica de duas cidades» - capa do livro

É hoje lançada em Manaus a obra «Crônica de Duas Cidades: Belém e Manaus», assinada em conjunto pelo genialmente delicioso Mestre e filósofo paraense Benedito Nunes e pelo escritor amazonense Milton Hatoum. Relatos e memórias de duas cidades completamente distintas, empoleiradas ao Norte, unidas pelo cordão de água do rio Amazonas, que traz à estampa belíssimas fotografias de ontem e de agora.




O livro «Crônica de Duas Cidades: Belém e Manaus», do filósofo paraense Benedito Nunes e do escritor amazonense Milton Hatoum, lançado pela Secult em janeiro deste ano, durante o 390ª aniversário de Belém, chega hoje a Manaus. O lançamento na capital amazonense marca a programação do 89º aniversário do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas e da celebração do centenário do historiador amazonense Arthur César Ferreira Reis.

A publicação, «Crônica de Duas Cidades - Belém e Manaus», reúne dois dos mais importantes nomes da literatura brasileira, o filósofo Benedito Nunes e o ficcionista Milton Hatoum, que escrevem sobre as cidades onde nasceram.


Benedito Nunes conta como surgiu a parceria com o escritor amazonense. "Me honra estar junto com o Milton. Além disso, há muito tempo eu tinha desejo de escrever sobre o lugar em que vivo. Essa motivação foi a predominante. Depois do trabalho pronto, se pensou em fazer uma ligação com outra cidade importante da Amazônia, Manaus, e daí veio a idéia de convidar o Milton Hatoum. Os trabalhos estavam esperando uma oportunidade, que surgiu nesse momento", diz.

Na obra, cada um dos autores escreveu sobre a cidade em que nasceu.

'Há muito tempo eu tinha desejo de escrever sobre o lugar em que vivo. Essa motivação foi a predominante para escrever esse livro. Depois do trabalho pronto, se pensou em fazer uma ligação com outra cidade da Amazônia importante, Manaus, e daí veio a idéia de convidar o Milton Hatoum', conta Benedito Nunes.

A comparação entre a Manaus antiga e a atual é um tema recorrente na obra do ficcionista Milton Hatoum. 'Essa comparação está nos meus dois últimos romances: 'Dois Irmãos' e 'Cinzas do Norte'. Os dois trabalham um pouco com essas duas épocas. A Manaus da minha infância, nos anos 60, era uma cidade que ainda mantinha a fisionomia da cidade do início do século XX, até certo ponto. Muita coisa do projeto original de Manaus, de 1892, foi preservada, até os anos 60. O desenho da cidade, as praças, os monumentos, os grandes ícones da arquitetura, os sobrados, a arquitetura neoclássica. E do lado ecológico também, da natureza, da floresta da cidade – ou da cidade da floresta –, e dos igarapés, que só foram poluídos nos anos 80, as invasões, vários bairros e favelas na periferia de Manaus', conta o escritor.

Benedito Nunes, por sua vez, diz que seu objetivo foi justamente descobrir qual a relação que possui com sua cidade natal. 'Acabei descobrindo que é uma relação não somente cultural, mas também de memória, de lembrança. Com este ensaio, pago uma velha dívida porque eu nunca tinha escrito sobre Belém. O débito é também para com a geração daqueles que puderam vivê-la entre 1940 e 1960, muitos dos quais já se foram. Traço o meu retrato de Belém, valendo-me das boas fontes hoje disponíveis. Começa na fundação, depois algumas considerações sobre a cidade como ela era, a Cabanagem, antes e depois e as apreciações que alguns estrangeiros fizeram dela'.

Os dois mestres falam em seus trabalhos, não só sobre as cidades do passado e de hoje, mas também da relação que mantêm com elas. "Essa comparação está nos meus dois últimos romances: 'Dois Irmãos' e 'Cinzas do Norte'. Os dois romances trabalham um pouco com essas duas épocas. A Manaus da minha infância, nos anos 60, era uma cidade que ainda mantinha a fisionomia da cidade do início do século XX, até certo ponto. Muita coisa do projeto original de Manaus, de 1892, foi preservada, até os anos 60. O desenho da cidade, as praças, os monumentos, os grandes ícones da arquitetura, os sobrados, a arquitetura neoclássica. E do lado ecológico também, da natureza, da floresta da cidade - ou da cidade da floresta -, e dos igarapés, que só foram poluídos nos anos 80, as invasões, vários bairros e favelas na periferia de Manaus", conta Milton Hatoum

Benedito Nunes, por sua vez, diz que seu objetivo foi justamente descobrir qual a relação que possui com sua cidade natal. "Acabei descobrindo que é uma relação não somente cultural, mas também de memória, de lembrança. Com este ensaio, pago uma velha dívida porque eu nunca tinha escrito sobre Belém. O débito é também para com a geração daqueles que puderam vivê-la entre 1940 e 1960, muitos dos quais já se foram. Traço apenas, como num desenho à mão livre, o meu retrato de Belém, valendo-me das boas fontes hoje disponíveis. Começa na fundação, depois algumas considerações sobre a cidade como ela era, a Cabanagem, antes e depois e as apreciações que alguns estrangeiros fizeram dela."

O secretário executivo de Cultura, Paulo Chaves Fernandes, explica que a iniciativa da Secult, ao editar a obra, foi homenagear Belém em seus 390 anos e também fazer o paralelo ente as duas cidades mais importantes da Região Amazônica. "É uma edição de luxo, capa dura, ilustrada, com fotos antigas. Reunimos as duas cidades porque são praticamente siamesas, porque nasceram e sofreram agruras muito parecidas, nasceram sob circunstâncias muito próximas. Apesar da distância que as separa, Belém e Manaus têm um elemento de ligação, que é o Rio Amazonas. São textos que estabelecem entre si um diálogo muito grande, porque são muito parecidos, são duas crônicas dessas cidades", comenta.





Benedito Nunes - professor desde a década de 50, aposentou-se no cargo de titular, mas continua fazendo conferências e escrevendo livros. Ele foi um dos fundadores da Faculdade de Filosofia do Pará, posteriormente absorvida pela Universidade Federal do Pará. Fez mestrado na Sorbonne, em Paris. O primeiro livro foi 'O mundo de Clarice Lispector', em 1966, e além de 'Crônicas de Duas Cidades - Belém e Manaus' ele já anuncia que vai continuar produzindo e que novos livros virão por aí.





Milton Hatoum - ficcionista, actualmente residente em São Paulo, é também arquitecto e mestre em Letras pela Universidade de São Paulo, É ainda professor de Língua e Literatura Francesas da Universidade do Amazonas. Um dos livros mais comentados do escritor, por parte da crítica brasileira e internacional, é 'Relato de um certo Oriente' (S. Paulo, Cia. das Letras, 1989), traduzido para diversas línguas.

Publicado por Ana Tropicana às março 26, 2006 12:58 PM

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