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março 26, 2006

Cheias e Vazantes


jacaré na vazante de rodrigo mesquita

A impaciência do rio Madeira não o deixa esperar a época das águas, que ainda está para chegar, lá mais para Junho. Nas últimas semanas, engrossou o curso e transbordou do leito. As palafitas das casas ribeirinhas não chegaram para proteger 45 das famílias que albergam do fulgor da correnteza, e os municípios de Humaitá (600 Km de Manaus) e de Manicoré (681 Km de Manaus) tiveram que cancelar as aulas em diversas escolas por causa das enchentes. Entretanto, as águas já baixaram um pouco. Mesmo assim, sei que mais de dois mil estudantes continuam sem ir à escola.
Aqui, em Lisboa, comento o facto com as meninas que, de dia para dia, acusam uma saturação crescente diante do interminável segundo período lectivo e, entre manhas e artimanhas, vivem a contar o que falta ao calendário até às Férias de Páscoa. A pré-adolescência é crítica, e isso é bom. E também é injusta, o que é mau. Crivam-me de perguntas e querem perceber porque continuam sem aulas os meninos do Humaitá e de Manicoré, se as águas já desceram, suspeitando (quem sabe) que sejam talvez mais brandas as regras no país das tropicalidades mornas e coloridas. E eu tento explicar-lhes, como posso, a bravia interrupção imposta, se é que faz sentido dizer às pré-adolescentes de Lisboa (que fogem das abelhas e nunca viram uma lagarticha) que quando as águas recuam, nem sempre os animais as seguem, e que pode muito bem suceder que os meninos do Humaitá e de Manicoré tropecem ainda numa surucucu pico de jaca, em plena sala de aula, ou que quando a campaínha tocar para a saída dêem de caras com um jacaré a "brincar" no pátio da escola.







Fotos de Rodrigo Mesquita e Ana Tropicana

As intensas chuvas que vêm atingindo o Amazonas nas últimas semanas provocaram a cheia do rio Madeira, que atravessa o leste do estado, e pelo menos dois municípios da região foram afectados pelas inundações nas áreas ribeirinhas.

A Defesa Civil Estadual informou que os municípios de Humaitá (e de Manicoré tiveram que cancelar as aulas em diversas escolas em função das enchentes, obrigando mais de dois mil estudantes a ficar em casa, nas últimas duas semanas.

Além da interrupção das aulas, a cheia do rio ainda destruiu ou alagou dezenas de casas na região de Humaitá, deixando 45 famílias desalojadas.

De acordo com os dados do Serviço Geológico do Brasil, o nível do rio Madeira chegou a 25,55 metros na última medição, ficando apenas quatro centímetros abaixo da cota de emergência, que é de 25,59 metros.

Os hidrólogos consideram a situação no rio Madeira preocupante, já que o seu nível vem subindo em ritmo bastante acelerado, mais de dois meses antes do período de ocorrência das maiores cheias na região, por volta do mês de junho.

Em toda a série histórica de medições (que teve início em 1967), a maior cheia já observada no rio Madeira ocorreu em 1997, quando as águas atingiram a marca de 27,26 metros, causando uma série de inundações próximas ao estado de calamidade.


Publicado por Ana Tropicana às março 26, 2006 02:46 PM

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