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fevereiro 14, 2006

Ensaios & Experiências


single days de autor desconhecido

Muito bem: as imagens voltaram, por aqui. Menos mal! Continuo em experiências, na Pororoca. Estranha escolha, esta foto. Admito. Mas era preciso escolher uma fotografia de teste: que seja esta, então. Melhor que um qualquer ramo de margaridas colhido à liberdade dos prados para pôr a secar, por vãos caprichos, dentro de um vaso de água. Mas que fique claro que a ideia inicial não era assinalar a data. Gosto muito pouco de calendários. Mas amo doces, sim. É verdade. Coisas doces, com açúcar. Muito doces, de preferência, que eu tenho esta tendência para achar que todo o abuso deve ser excessivo e cometido em rubros. Que "quem quer ser lobo" lhe vista convenientemente a pele, nesse caso. :)


«My Funny Valentine», Ella Fitzgerald
[in Ella Fitzgerald Sings the Rodgers & Hart Songbook - Vol. 2]

Publicado por Ana Tropicana às 09:46 AM | Comentários (2)

fevereiro 10, 2006

Nota Tropicana aos "Navegantes"

Eh!... Parece que durante as últimas semamas um banzeiro atingiu a Pororoca e espalhou um certo caos em redor.

Depois do desespero inicial, lembro-me da lição aprendida a ver o correr implacável do Grande Amazonas: se às vezes tudo se alaga e submerge, é só para que limpar o leito do que o satura, fertilizar o chão por onde as coisas crescem, e preparar uma nova estação mais capaz de receber a vida que não tarda a querer brotar. Não haverá de ser muito diferente com os blogs, do que é com a terra e as pessoas, eu creio.

Assim sendo arregacei as mangas (sem esquecer duas virolinhas nas calças também!...) e estou a tentar reparar o caos que ficou depois desse banzeiro que varreu o template, fez desaparecer colunas e imagens, ocultou entradas e igarapés sinalizados à rede, engoliu posts e descompassou parágrafos.

Creio que por ora o essencial foi restabelecido. Aos poucos tudo o mais regressará, pois que nada do que verdadeiramente nos é importante se perde em definitivo e para sempre.

Como é visível a Pororoca não regressa exactamente igual ao que já foi, mas assim é o natural caminho de depuração das coisas. Aproveito a ocasião para fazer algumas "mexidas" que há muito se impunham para tornar a navegação mais clara por aqui, e que ia adiando para depois, umas vezes por infundada nostalgia, outras por falta de tempo, outras ainda simplesmente por preguiça e comodismo. Quero ainda aproveitar a ocasião para testar algumas novidades que andei ensaiando para introduzir por aqui. Até lá perdoem um certo desalinho no traje, um ou outro fio de cabelo mais fora do lugar, as faces mais coradas e a disponibilidade mais assoberbada, mas é que me surpreendem em plena faxina Da Pororoca ao Tejo...

Proxima prioridade: religar os laços e nós, repôr os links que sumiram da coluna lateral!

Publicado por Ana Tropicana às 09:54 AM | Comentários (1)

"Get The Hang Of It"

...Sim, e se o mundo fosse de repente uma superfície lisa e sem comandos?
Navegariamos certamente de uma maneira diferente, sem "botões". Ou não?!...
Para encerrar a madrugada, algo genial (absolutamente genial!), que me leva para a cama com mil questões a congeminarem-se cérebro a dentro.

(...)

«So prepare yourself mentally for the new situation and click here for the last time before...»


Publicado por Ana Tropicana às 01:58 AM | Comentários (0)

fevereiro 09, 2006

Que é de ti, ó Fado?!


no princípio era a água...


«Fado Português», Amália
[in Fado Português - 1965]
... o fado mais português
que conheço a Portugal


...depois lastros de água...


«Corsário», Elis Regina
[in Elis - 1979]
Deixo também a versão ao vivo.
É procurar entre as pérolas:
chama-se «Corsário» e está AQUI.


... toques de água: como no começo





Foto: No Princípio Era a Água (autor: Montagem com 'Mulher do Xaile' de Mendelson)










Autor: Ana - 1978 (autor: Alfredo C.)






«Fado Português» - voz de Amália
letra de José Régio, musicada por Alain Oulman

O Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

Ai, que lindeza tamanha,
meu chão , meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.

Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.

Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.

Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro veleiro
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.






«Corsário» - voz de Elis Regina
letra de João Bosco

Meu coração tropical está coberto de neve mas
Ferve em seu cofre gelado
E à voz vibra e a mão escreve mar
Bendita lâmina grave que fere a parede e traz

As febres loucas e breves
Que mancham o silêncio e o cais
Roserais nova granada de Espanha
Por você, eu, teu corsário preso
Vou partir na geleira azul da solidão
E buscar a mão do mar
Me arrastar até o mar
procurar o mar

Mesmo que eu mande em garrafas
Mensagens por todo o mar
Meu coração tropical partirá esse gelo e irá

Com as garrafas de náufragos
E as rosas partindo o ar

Nova granada de Espanha
E as rosas partindo o ar


Publicado por Ana Tropicana às 05:17 PM | Comentários (3)