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janeiro 29, 2006

A Primeira Vez

Ainda que de forma atabalhoada, venho apenas para dizer não posso arredar pé da janela, pelo que me limito a aumentar o som à grafonola e a partilhar o que se houve cá em casa. Digamos que a canção fica entre o anacronismo da quadra, a homenagem e a infantilidade (aceito!) da euforia. Mas é que ... NEVA, em Lisboa!!!!


(*) Mais tarde cuido do crédito da canção, ainda que me pareça que a voz dispensa grandes rodapés.

Publicado por Ana Tropicana às 04:22 PM | Comentários (1)

janeiro 28, 2006

Frase do Dia

«Pedras no caminho?... Guardo todas! Um dia vou construir um castelo.»
Fernando Pessoa

Publicado por Ana Tropicana às 03:59 PM | Comentários (2)

janeiro 27, 2006

Por Novos Limbos


abril em janeiro de manuel alegre

Hino da Campanha, voz de Paulo de Carvalho [Presidenciais 2006 - «Movimento para Alargar a Cidadania»]


... Entretanto o país foi a votos - pela terceira vez em menos de um ano - e não volta às urnas nos três próximos que se seguem. Imagino que isso signifique que, sem me dar conta, passaram talvez demasiados dias. E como nunca sei bem como se volta depois que a ausência se alonga em demasia, coloco por debaixo da porta, que é como quem diz debaixo do link duas linhas aqui à frente, tudo o que se me oferece dizer a propósito do hiato que por cá ficou.





Autor: Manuel Alegre




Hino da Campanha, voz de Paulo de Carvalho
[Presidenciais 2006 - «Movimento Alargar a Cidadania»]

Publicado por Ana Tropicana às 08:46 PM | Comentários (1)

janeiro 19, 2006

Mood


morro das margaridas de nicolas s.

Às vezes a fuga é, sim, a mais difícil das artes. E a mais de(l)dicada também.

(...)

Tremenda, esta saudade de casa em que hoje acordo. Fechada em resguardo aqui dentro. Ainda. Todavia.





Foto: Fazenda Morro das Flores, mais tarde Morro das Margaridas (Autor: Nicolas. S)

Publicado por Ana Tropicana às 10:12 AM | Comentários (5)

janeiro 18, 2006

Recolectores


capinando rios de juçara menezes

«Pescadores de doações

que se arriscam sempre ao desafio

de colher os presentes lançados

nas correntezas de um rio

que é vida e sustento desse povo bravio»

Rozinaldo Carneiro - toada popular da região do Baixo Amazonas

Publicado por Ana Tropicana às 05:28 PM | Comentários (0)

Os Guardadores de Escamas


(so)limões são azuis de ana tropicana

Eu vi - ninguém me contou - os grandes cargueiros estrangeiros, a avançar a boca do Negro e do Solimões, magestosos coraçados de ferro e aço a rasgar as águas na impunidade da surdina, a largar as suas redes, como tentáculos, nas enseadas ribeirinhas onde os caboclos apascentam as suas artesanais criações de peixes. Eu vi - ninguém me contou - os grandes navios gringos, corsários de igarapés e igapós, sugando de uma vezada toda a pesca que é sustento das comunidades locais, e a voltar costas à mata, indiferentes ao que sobra depois da cobiça, ganhando de novo o rumo do Atlântico, os porões cheios, as redes ainda a fervilhar de vida e do sustento roubado, de regresso à Venezuela, a terras da Dinamarca e aos mares do Japão. Eu vi.

(...)

Naquele fim de tarde, vinhamos descendo um cordão de água do Solimões, quando o motor da velha voadeira deu sinal de urgência no descanso, valente a velharia, mas caprichosa como só ela, nas demandas e exigências impostas em troca. Fizemos-lhe a vontade: apontámos à reentrância em enseada que se abria na margem. Chegando perto percebeu-se o vulto brando de um caboclo sentado no barranco. Perguntámos se esperava a carreira do barco de linha, mas não. Apresentou-se como o sentinela de um plantão que iria até ao cair do sol. Disse que por essa altura chegaria a rendição, depois a janta e mais tarde uma noite de sono na rede, porque agora sim, agora era possível dormir descansado. Desde que haviam implantado o sistema de vigilância comunitária das baías e lagoas que os canais de igarapés formam por aquelas bandas. E assim ficamos a saber que, na aldeia, há sempre pelo menos alguém que não dorme, um guardador das águas, filho de Tupã, velando os tanques e os peixes ali criados. Alguém disposto a gritar o alerta, acaso os garimpeiros das redes cheguem sem alarde, de madrugada, para vazar o alimento dos ribeirinhos aos gigantescos porões gringos, que ninguém controla, ninguém impede, ninguém trava, nem pune. A não ser os guerreiros dos igarapés, cansados de esperar uma defesa que nunca chega, soldados de ocasião que a necessidade do dia-a-dia se encarregou de recrutar. Para defender os peixes e o rio. Eles: único garante de justiça sobre o curso das águas livres.





Foto: (So)limões São Azuis (autor: Ana Tropicana)




Piscicultura duplica vendas
Fonte: Jornal do Comércio de Manaus | Data: 14 de Janeiro de 2006


A produção de piscicultura elevou-se em mais de 100% em todo o Estado nos últimos três anos. Os dados foram anunciados pelo diretor-chefe do departamento da cadeia produtiva do pescado da Agroamazon, Rigoberto Pontes. Segundo o diretor, quando a cadeia produtiva da piscicultura for totalmente regularizada, haverá uma queda no preço do peixe.
“A perspectiva é que haja realmente uma redução no preço do produto para o consumidor final, mas antes temos que nos consolidar para atender mercado interno”, avaliou o diretor da Agroamazon (Agência de Agronegócios do Amazonas).

Pontes disse que a piscicultura antes era feita mais por lazer do que pela comercialização. Nestes últimos cinco anos, houve um salto quantitativo e qualitativo na produção, por isso o Estado resolveu se tornar autosuficiente, e para isso começou a produção de insumos básicos, como os alevinos de tambaqui e matrinxã, ração para o peixe, dentre outros.


Capacitação profissional

“No município de Benjamim Constant, por exemplo, já temos a produção de insumos, com a fábrica de ração e unidade de beneficiamento de pescado, além de cursos de capacitação de técnicos a nível médio e crédito para financiamentos da Afeam (Agência de Fomento do Estado do Amazonas)”, explicou Pontes.

Quanto aos investimentos em tanques escavados e na criação de peixes em tanque-rede, o especialista disse que foram realizados pela Sepror (Secretaria de Estado da Produção Rural), através do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Amazonas) e da Agroamazon.

Com isso, o diretor do departamento disse que houve investimentos da iniciativa privada, aumentando as áreas ou unidades de produção. “Também foram ampliadas as modalidades de criação de peixes, que antes era feita só por sistema de barragem”, explicou.
Entre os sistemas de cultivo utilizados, os peixes em cativeiro estão em tanques-redes (estruturas metálicas hexagonais, medindo 3m x 3m x 2m, com telas de arame galvanizado revestido de PVC), barragens e canais de igarapé.

Na avaliação de Rigoberto Pontes, a realidade atual é da piscicultura economicamente viável, porque existe mercado para o tambaqui curumim (com peso entre 300g e 400g), que substitui perfeitamente a sardinha, em restaurantes que servem refeições às empresas do PIM (Pólo Industrial de Manaus).

“O amazonense sempre foi produtor de peixe, mas de pesca extrativa. Com o sistema artesanal, tínhamos produção em demasia que estragava muito”, explicou Pontes, ressaltando que o valor médio do tambaqui de 1,5 kg custa entre R$ 4,50 e R$ 6 atualmente, e o de 3,5 kg pode ser encontrado de R$ 6,50 até R$ 8.

Balcão de Negócios

O mercado de Manaus tem aceitação de outros peixes da piscicultura de tamanho maior. Próximo de 95%, o tambaqui vendido nos supermercados da cidade são provenientes desta cultura, conforme apontou o diretor-chefe do departamento da cadeia produtiva do pescado da Agência de Agronegócios.

“Estamos trabalhando para que as feiras e mercados públicos também tenham um canal de comercialização. Os produtores não estão estruturados para atuar com este tipo de venda”, assinalou Pontes, ressaltando que o órgão está trabalhando com o Balcão de Negócios de venda no atacado do peixe da piscicultura, na balsa da Feira da Panair.


Venda direta

Além do balcão, existe um posto de venda direto ao consumidor, no estacionamento do Estádio Vivaldão Lima, na Av. Constantino Nery. O diretor afirmou que o local está servindo para dar apoio ao escoamento e a comercialização do piscicultor e do aqüicultor.
Segundo Rigoberto Pontes, atualmente, mais de 80 piscicultores estão cadastrados em Manaus e no entorno da cidade. Ainda assim, devido aos períodos em que falta peixe no mercado, a exemplo da entressafra, é necessário importar dos Estados de Roraima e Rondônia.

Publicado por Ana Tropicana às 05:23 PM | Comentários (0)

Samba, Escola da Vida | «arrependimento»

É na verdade necessário ser um "Ser Superior" para fazer do arrependimento - mais do que qualquer coisa que valha a pena - um instante de puro e genuíno sublime!...

Não, não é para todos. Não é para quem quer: é para quem pode. É para os que sabem. Para os Grandes Mestres, como Aragão e Alcione.

Para os "outros", encolhem-se os ombros, dá-se-lhes uma pancadinha nas costas, diz-se-lhes : «Paciência! Deixa lá!... Azaruncho!», e recomenda-se-lhes que vão aprender com a vida! Para a próxima. Porque há sempre uma próxima. Para os "outros": os incapazes de transformar o arrependimento numa qualquer obra com arte. Como sambam os Grandes Mestres.


«Enredo do Meu Samba», Alcione com Jorge Aragão
[in Duetos - 2003]




«Enredo do Meu Samba» - composição de Jorge Aragão


Não entendi o enredo
Desse samba, amor
Já desfilei na passarela do seu
Coração
Gastei a subvenção
Do amor que você me entregou
Passei pro segundo grupo e com razão
Passei pro segundo grupo e com razão (Não entendi)
Meu coração carnavalesco
Não foi mais que um adereço
Teve um dez em fantasia
Mas perdeu em harmonia
Sei que atravessei um mar
De alegorias
Desclassifiquei o amor de tantas alegrias
Agora sei
Desfilei sob aplausos da ilusão
E hoje tenho esse samba de amor, por comissão
Findo o carnaval
Nas cinzas pude perceber
Na apuração perdi você

Publicado por Ana Tropicana às 04:37 PM | Comentários (1)

Da Janela da Estação


o inverno, lá fora de ana tropicana

Parece que lá fora faz ainda mais frio, agora. Aqui, hibernada, não sinto. Dizem que lá fora continua a ser Inverno. E eu acredito. Não tenho porque duvidar. Olhando daqui.



«Other Side Of The World», KT Tunstall
[in Eye To The Telescope - 2005]





Foto: O Inverno, Lá Fora (autor: Ana Tropicana)




Esta manhã: vista da janela mais infantil aqui de casa.

(...)

Por momentos, interrompem-se os sons verde&amarelo na minha vitrola.
É ela quem agora me (en)canta aqui.




«Other Side Of The World» - KT Tunstall


Over the sea and far away
She's waiting like an iceberg
Waiting to change
But she's cold inside
She wants to be like the water

All the muscles tighten in her face
Buries her soul in one embrace
They're one and the same
Just like water

The fire fades away
Most of everyday
Is full of tired excuses
But it's to hard to say
I wish it were simple
But we give up easily
You're close enough to see that
You're the other side of the world to me

On comes the panic light
Holding on with fingers and feelings alike
But the time has come
To move along

The fire fades away
Most of everyday
Is full of tired excuses
But it's to hard to say
I wish it were simple
But we give up easily
You're close enough to see that
You're the other side of the world


Can you help me
Can you let me go
And can you still love me
When you can't see me anymore

The fire fades away
Most of everyday
Is full of tired excuses
But it's to hard to say
I wish it were simple
But we give up easily
You're close enough to see that
You're the other side of the world
You're the other side of the world
You're the other side of the world to me

É possível escutar as outras faixas do álbum AQUI

Publicado por Ana Tropicana às 11:02 AM | Comentários (0)

janeiro 11, 2006

«Suavidades»


"suavidades #02" de maria branco

Geralmente trocamos frases, eu e a Maria. Hoje conversámos. Sobre «suavidades». Porque "sim". Nada mais.

Publicado por Ana Tropicana às 05:07 PM | Comentários (5)

Auto da Visitação


inside out de ana tropicana

Agora todos os dias há um estafeta que me visita uma vez por dia (com o perdão da redundância). Gosto desse quase pombo-correio que nem nunca chega a tirar o capacete de besouro e os grandes óculos escuros de mosca. Já quase somos amigos sem falar. Somos breves e práticos. Ele já nem toca à campaínha, o que é uma benção porque os sons estridentes sempre me irritaram. Buzina lá em baixo, eu desço, abro uma nesga de porta, ele passa-me tudo o que traz e, por vezes, eu entrego-lhe o pouco que tenho.

Devia chegar-nos sempre assim, o mundo lá fora: uma única vez por dia e na exclusiva condição de ter algo para nos trazer. Igual ao estafeta com capacete de besouro e óculos de mosca: sem barulho, sem se demorar mais que o necessário, e ainda nos pedir desculpa se acaso se atrasar ou chegar antes da hora.

Publicado por Ana Tropicana às 03:12 PM | Comentários (3)

O Mundo, Lá Fora

Pelo frenesim de carros e autifalantes em torno do meu pacato jardim, suponho que tenha, enfim, começado o período oficial de campanha para as Presidenciais do próximo dia 22. Em todo o caso, continuo decidida a nem me aproximar da janela para confirmar.

(...)

Podia regressar a Maquiavel. Preferi voltar a pegar em Voltaire:

... «É triste não ter amigos,
mas ainda mais triste é não ter inimigos.
Porque quem não tem inimigos
é sinal de que não tem:
nem talento que faça sombra,
nem carácter que impressione
nem coragem para que o temam,
nem honra contra a qual murmurem,
nem bens que lhe cobicem,
nem coisa alguma que lhe invejem...»


... Lógico. Deveras. Perturbador. Bastante. Inquietante. Um pouco. Consolador. Só de raspão. Assustador. Sem a mais pálida dúvida. Em qualquer dos casos.

(...)

Fecho o livro. Tal como as notícias, a campanha e as Presidenciais, também já não me apetece Voltaire.

Publicado por Ana Tropicana às 12:44 PM | Comentários (0)

Frase do Dia

«Seremos felizes quando pudermos tornar felizes os que amamos»
Gilbran Kahlil Gibran

Publicado por Ana Tropicana às 12:21 PM | Comentários (0)

janeiro 10, 2006

«Claro Como Água»


lisas verdades de ana tropicana

Péssimo diagnóstico. Rápida saída à rua, esta manhã, por extrema e absoluta necessidade. Cá fora o mundo é assim como uma zoeira imparável e confusa, um clamor em arco traçado em abóboda por cima da minha cabeça. Rápida a saída, eu prometi. Péssimo o diagnóstico, eu sei.

(...)

Hoje não páro no quiosque. Não compro jornais. Gasto o dinheiro das notícias num braçado de margaridas na florista do meu bairro, que vende sempre no mesmo pouso fixo: ela e a sua cesta larga, entre dois carros estacionados, uns passos adiante da peixaria da D. Rosa. É bom (muito bom) confirmar que as coisas importantes do mundo continuam no seu lugar.

(...)

O céu está espantosamente azul. Apesar do diagnóstico. Azul como água. Azul da cor da água.

(...)

Acabei de falar ao telefone com Matuk e, de repente, voltou-me ao ouvido essa expressão notável que tantas vezes escutava no País das Ruas Líquidas: «Claro como água». Depois de desligar fico a pensar que também em Portugal a expressão existe. A planura do significado é que nem sempre, ou só muito raras vezes. Pelo menos assim: lisa como a água.

Publicado por Ana Tropicana às 04:05 PM | Comentários (1)

janeiro 09, 2006

Janus ou Acerca dos Fins e dos Começos


janus de autor desconhecido

Janus é o deus romano das portas ("janua"), portões e outras entradas: o guardador dos fins e dos começos, representado por uma dupla face, apontando precisamente em duas direcções contrárias. A civilização antiga entendia-o como uma espécie de tutor da transição, uma mão mais iluminada que sempre guiava a passagem de um a outro acontecimento de suma importância na vida de cada humano. Por séculos o homem se questionou diante desse duplo rosto, olhando com expressões distintas para trás e para diante, procurando ler-lhe na sabedoria divina a chave que norteia a correcta forma de olhar o mundo. E vendo-o, então, olhar para trás de sobrolho vagamente franzido, e para a frente de enigmático sorriso nos lábios, entendeu por bem confiar o primeiro mês do ano, Janeiro, ao seu louvor.

(...)

Vem isto agora a propósito de coisa nenhuma, ou mais exactamente do facto simples de ter um calendário mesmo aqui à frente dos meus olhos. Podia falar do tempo. Deu-me para falar dos meses.

(...)

... E "coincidentemente" voltamos a estar em Janeiro! Ou antes: talvez não por acaso volta a ser Janeiro!...

Publicado por Ana Tropicana às 01:35 PM | Comentários (6)

Acerca de Templos, Portas, Portões e Guardiões

Em vida, Janus foi o 1º rei a trazer um tempo de paz e justiça à Terra. Talvez por isso foi o seu nome que Roma se lembrou de chamar na madrugada em que, traída por uma patrícia que abriu as portas da cidade aos invasores, se viu na aflição de cair às mãos dos atacantes. Pacífico, porém justo, Janus escutou o apelo: fez crescer um estranho anel em torno da cidade que repeliu para longe todos quantos ousavam ultrapassar-lhe o perímetro, com eficácia idêntica à propulsão de uma fisga.

Vem isto a propósito de algumas perplexidades recentes com que tenho sido confrontada acerca deste meu costume de escancarar as portas nos momentos de maior debilidade.

Aprendi com os romanos a conservar os portões abertos, precisamente nos tempos de maior perigo: para que os deuses possam intervir em caso de necessidade. Em tempos de paz os portões são finalmente fechados.

Publicado por Ana Tropicana às 01:01 PM | Comentários (1)

janeiro 07, 2006

Pleno Esplendor da Tarde


verde que te quero verde de ana tropicana

Estranhamente, apoio o queixo no parapeito da minha janela e vejo o jardim verde. Como nos meses quentes. Antes do frio vir gretar tudo: os meus lábios, os ramos nus, a dança dos patos no lago, tudo.





Foto: Verde Que Te Quero Verde (autor: Ana Tropicana)

Publicado por Ana Tropicana às 03:12 PM | Comentários (11)

Frenesins de Fim-de-Semana


nothing missing de ana tropicana

Afligem-me cada vez mais as pessoas que mal abrem os olhos começam a engendrar formas de preencher cada minuto do fim-de-semana que têm pela frente. Sempre que penso nisso pergunto-me se não o fazem por viverem apavoradas com a possibilidade de acordar de frente para o tempo morto.

Cá por mim, nada me paga a felicidade de não precisar de fugir das horas: só porque é fim-de-semana.

Publicado por Ana Tropicana às 01:03 PM | Comentários (1)

Frase do Dia

«A curvatura da Terra nunca travou os Sinais»
TSF - jingle promocional

Publicado por Ana Tropicana às 09:07 AM | Comentários (0)

Não é para todos, é para quem tem


fer(id)a de alan rabinowitz

Deitar por terra a fera pode ser um feito reservado aos que se acham poderosos, mas cuidar-lhe as feridas não é, definitivamente para todos. É só para alguns: para os verdadeiramente corajosos, como se prova AQUI.





Foto: «Meu nome é Gal» (autor: Gustavo Duque)


Conhecemo-nos num fim de tarde, no "banheiro" do único lugar onde era possível comer mais do que "churrasquinho de gato", as duas frente a um espelho minúsculo e ferrugento colocado sobre a pia, tentando dar um certo alinho à revolução dos cabelos, para fingir um ar mais civilizadamente condigno com o género feminino, antes de nos sentarmos à mesa.

Viriamos a dividir várias outras coisas, daí em diante: o banco da lancha, o peso das mochilas, alguns banhos de rio, t-shirts e filtros solares, cartões telefónicos e depiladoras eléctricas, passando pela curiosidade masculina, uns litros de gasolina e alguns minutos nos cybercafés locais.

Em qualquer lugar que chegassemos, ela nunca despia inteiramente uma pele ambígua que ficava assim entre o diplomático e o implacável. Assumia a sua condição de indefectível relações públicas, chamando a si a tarefa de zelar pelas relações nem sempre fáceis entre os felinos do mato e as populações circundantes.

Um dia, na praça da Perfeitura, lá para as bandas do município de Marabá, no sudoeste do Pará, teve um "pega bravo" com um fazendeiro que, na época, descobrira o filão dos safaris e do agro-turismo. Chamou-lhe cobarde e a coisa subiu de tom. Emirato puxou dos galões ali mesmo e começou um longo inventário de episódios de caça, de disparos corajosos feitos na solidão da mata «só eu e o olho desse bichão luzindo feroz na minha direcção». Quando perdeu o fôlego e se calou para limpar o suor da testa e pitar o charuto, ela repetiu a frase da discórdia: «Coisa para pouca coragem», ela disse. E disse. Só assim. Não como um arremeço, apenas como se essa fosse a inquestionável conclusão a que se podia chegar depois de tanta oratória empolgada. Disse, simplesmente. Calma e serena, como sempre.

Mais tarde, sentadas na sombra de um jacarandá generoso, falava-lhe eu dessa valentia inquietante que me era impossível não reconhecer diante de certos caçadores da floresta, desse sentimento algo contraditório, porém indesmentível, que às vezes me dividia na complicada destrinça entre a caça e o caçador, ela disse-me uma coisa espantosa que nunca mais esqueci:

«Qualquer um pode acabar com uma onça. É coisa fácil. Porque para ferir ou matar você não precisa se aproximar. Arriscado é curar porque para sarar é preciso se aproximar. Ninguém pode cuidar se mantendo na protecção da distância. Você precisa escolher. Se quiser cuidar não tem como: precisa ter a coragem de chegar perto. Se quiser só balear, pode até ficar ao largo: basta fazer pontaria. Não precisa mais que uma boa arma com chumbo dentro. Não é para matar que é preciso coragem, é para cuidar. Sem contar que onça ferida é muito mais feroz que onça desavisada. Já viu fera machucada? Pois não queira! Mesmo agonizando você treme na frente dela. »

Também não sei porque me recordo disto agora. Talvez tenha que ver com um texto genial da Luma que li aqui há dois dias atrás.

Na impossibilidade de uma onça para cuidar, tento imaginar o Coronel Emirato, tez dura, corpanzil de quase um metro e noventa, a aproximar-se do gatinho lá de casa para aplicar uma injecção ou dar um comprimido. E morro a rir supondo que iria ser mais ou menos assim: tal e qual é descrito AQUI.





Foto: Anah e os lobos

Anah é bióloga formada pela Universidade Católica de Goiás, com mestrado em Ecologia pela Universidade Federal de Goiás (tese: Nicho alimentar do lobo-guará no Parque Nacional das Emas). Actualmente desenvolve o projecto de doutoramento em Biologia Animal na Universidade de Brasília (tese: Ecologia e conservação de queixadas e catetos na região do Parque Nacional das Emas). Estuda os carnívoros e as suas presas desde 1994 dentro e no entorno do Parque Nacional das Emas - GO.




Já agora, deixo «O Caminho Livre para a Fera»:

«As onças-pintadas costumam encher de medo a vida dos fazendeiros do Pantanal e dos ribeirinhos da Amazônia, as duas regiões brasileiras onde suas aparições são mais comuns. Mesmo assim, os biólogos Leandro Silveira e Anah Tereza Jácomo, que trabalham para a ONG preservacionista Pró-Carnívoros, resolveram seguir passo-a-passo – literalmente – as onças que vivem no Parque Nacional das Emas, uma reserva de cerrado no sudoeste de Goiás. Depois de adormecer os bichos com armas anestésicas, a equipe da Pró-Carnívoros marcou um animal adulto e dois filhotes com coleiras sinalizadoras. "São os primeiros mamíferos terrestres brasileiros monitorados por satélite", diz Leandro. O trabalho começou em 1994 e a dupla já conseguiu dados preciosos sobre o comportamento da espécie. Eles rastrearam o adulto até 40 quilômetros além dos limites do parque e notaram que ele avança sempre por caminhos de vegetação nativa, margeando o rio Corrente em busca de outras áreas de cerrado. A demarcação informal desse "corredor" preservado embargou provisoriamente as obras da barragem de Itumirim, uma hidrelética que, se construída, irá alagar um trecho do rio Corrente até perto a junção dos rios Formoso e Jacuba (...). Com a inundação, as onças ficariam isoladas, impedidas de viajar em busca de alimento e, principalmente, parceiros para a reprodução. (...)»

in National Geographic. Brasil. Vol. 1, n.o 4. Agosto de 2000

Publicado por Ana Tropicana às 08:39 AM | Comentários (0)

janeiro 06, 2006

«Sinais» - A Arte de Esquecer

«O esquecimento é uma das formas da memória, seu impreciso porão, o outro lado secreto da moeda. (...) Não há sobre a terra uma só coisa que o esquecimento não apague ou que a memória não altere. (...) Todos seremos esquecidos»
Jorge Luís Borges



«A Memória, o Esquecimento», Fernando Alves
[in Sinais - Emissão TSF - 04 Jan 2006 - 09:17]

... Sobre as imperdoáveis omissões, as atrocidades do silêncio imposto, a perplexidade face às absurdas incompletudes, o recordar do parentesis atroz, as meras aproximações superficiais e em sobressalto, e a desmesura de alguns crimes que amputam o trabalho da memória e inibem que se aprenda a arte de esquecer.

Também se acede ao registo aúdio por AQUI

Publicado por Ana Tropicana às 11:58 PM | Comentários (0)

Visão Raio-X


auto-retrato de cuf

«Nada!», dizem. Onde? - pergunto - nos pulmões? «Não! No coração». Ah, bom!.... (grande novidade!) Seja como for: redobram os motivos de alívio. Cada vez menos razões para alarme. «Nenhuma obstrução». Onde? - peço que esclareçam - no coração? «Não, nos pulmões».

... E fico eu a suspeitar que talvez deva rever a minha inabalável confiança nos médicos.

(...)

De volta a casa. Dias exóticos de sinistras experiências.




(...)

Dou comigo a interessar-me subitamente pela técnica do raio-x, mas ninguém liga grande importância à minha curiosidade - diga-se de passagem!... Respondem-me que a descoberta tem mais de um século. Talvez seja por isso! Das duas uma: ou acham que o meu interesse vem atrasado, ou a ideia de ver o invisível já perdeu, entretanto, o entusiasmo da novidade.

(...)

A 8 de Novembro de 1895, Wilhelm Conrad Röntgen, reitor da Universidade Wurzburg, na Alemanha, cansou-se da solidão do laboratório. Arrumou as anotações numa pasta e resolveu continuar o seu trabalho em casa. Antes da noite cair, descobria os raios x.

(...)

Por essa época, andava ele às voltas com tubos de vidro, entretido a colocar-lhes dentro um condutor metálico aquecido, e a observar o que acontecia enquanto este ficava a emitir eletrões em direcção a outro condutor. Acontece que, naquela tarde e já em casa, quando Röntgen ligou o tubo, algo muito estranho aconteceu: perto do tubo, estava esquecida uma placa de um material fluorescente - chamado platino cianeto de bario - que começou inesperadamente a brilhar. Röntgen desligou o tubo e o brilho desapareceu. Ligou de novo e lá estava ele, persistindo mesmo quando colocou, primeiro um livro, em seguida uma folha de alumínio, e depois outro e outro objecto, persistindo qualquer que fosse o obstáculo que colocasse entre o tubo e a placa. Concluiu que alguma coisa, qualquer que ela fosse, saía do tubo, atravessava barreiras e atingia o platino cianeto. Por seis semanas, Röntgen ficou enfurnado no laboratório, tentando entender o que era aquilo que presenciava. No dia 22 de Dezembro pegou na mão da mulher, Bertha, pousou-a sobre o tampo da mesa e colocou uma chapa fotográfica do lado oposto. Por 15 minutos fez a radiação atravessar a mão de Bertha e atingir a chapa fotográfica, do outro lado. Revelada a chapa, descobriu que se viam nela as sombras dos ossos de Bertha, ou seja, a primeira radiografia da história: feita às mãos de uma mulher, por acaso a sua - o primeiro corpo a ser objecto dessa fenomenal descoberta, que é como quem diz e tantos haviam já sonhado, conseguir que o olho humano ultrapassasse a barreira da opacidade dos corpos e ganhasse a capacidade de ver o invisível.

(...)

Se estivesse no lugar de Röntgen, e precisasse de nomear o fenómeno, tenho a certeza que também me haveria de ocorrer chamar os raios de "X" . Bem vistas as coisas, nunca somos assim tão originais a designar o desconhecido. O símbolo é quase sempre e só o mesmo.

Publicado por Ana Tropicana às 10:07 PM | Comentários (4)

Frase do Dia (... hoje em dose dupla!)

Recebo, via email, duas observações assaz curiosas que pela pertinência, e com as respectivas vénias, passo a reproduzir aqui:


«Quem quer fazer algo arranja um meio, quem não quer fazer nada arranja uma desculpa»
Provérbio Árabe

(...)

«Embora ninguém possa voltar a atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora a fazer um novo fim.»
Chico Xavier


Interessante. Deveras interessante. Bem hajam!

Publicado por Ana Tropicana às 07:04 PM | Comentários (0)

janeiro 05, 2006

As Novas Tecnologias da Mata


"uma casa no princípio do mundo" de dudu w.

Nos últimos dias de 2005, fiquei a saber que a Internet chegou enfim à Ilha Encantada, lá nos cafundós do mato, onde as entranhas da Floresta esbravejam, tão viçosas quanto impenetráveis. Mas «não é perfeita, ainda!», avisam-me, «some sem mais nem porquê». Por cima do Atlântico, tento como posso acalmar a euforia e o nervosismo. Garanto que estarei aqui, demore o que demorar a refazer a ligação. Porque sei que 10 minutos, duas horas, um serão, meia dúzia de dias, o que for, é sempre um preço pouco para esta possibilidade nova de ir suavizando a saudade. Estarei aqui, sim: Sem quê, nem mais.

Publicado por Ana Tropicana às 07:39 PM | Comentários (3)

Antípodas


burning horizon de dudu w.

Do outro lado do mundo, Léa conseguiu enfim sossegar os curumins. Traz a cadeira para o alpendre, coa para mim uma chicara daquele café preto como só ela sabe, e vem fazer-me companhia durante a madrugada. Fica noite a fora, a velar-me o sono, a insónia e o ardor da febre. Posso acordar, adormecer... não importa. Sempre que abro os olhos, Léa está ali. Ao meu lado. Não me deixa só um único segundo. Como quem sabe que o abandono é o contrário do princípio de todas as curas.

Vantagens de quem está do lado acordado do mundo: mais pronto no socorro e mais alerta na emergência do que qualquer "112" estacionado umas ruas aqui atrás. Onde ainda continua a ser de noite.

Publicado por Ana Tropicana às 07:18 PM | Comentários (0)

«O Quase»


quarando de vincent steveaux

«Ainda pior que a convicção do não é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.»

Luiz Fernando Verissimo


A Del voltou. Trouxe os amarelos da Praia do Forte, recortes de gentes e revistas, a intacta memória das tartarugas, super-smints e tabaco com o inconfundível aroma das plantações Brasil. E trouxe pérolas. Outras pérolas à memória. Muitíssimo bem lembradas, como se vê.

Vale a pena ler na íntegra AQUI




«O Quase»
por Luiz Fernando Verissimo

Ainda pior que a convicção do não é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto.

A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.

Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.

Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.

O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.

Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.

Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

Publicado por Ana Tropicana às 02:23 AM | Comentários (2)

Carta a Barcelona

«Vem pra me tirar o escuro e a sensação
de que o inferno é por aqui»

Ainda «Segundo». Ainda Maria Rita, que continua a valer a pena ouvir AQUI.




«Feliz» - composição de Dudu Falcão para a voz de Maria Rita


Vem pra misturar juizo e carnaval
Vem trair a solidão
Vem pra separar o lado bom do mal
E acalmar meu coração

Vem pra me tirar o escuro e a sensação
de que o inferno é por aqui
Vem pra se arrumar na minha confusão
Vem querendo ser feliz

Publicado por Ana Tropicana às 01:49 AM | Comentários (1)

«O Chamado da Terra»


30 dias de del

Conta Ela, com a tranquilidade dos corajosos, que essa foto lhe saltou ao caminho, quando voltou a usar a máquina fotográfica. Uma semana e tal após o regresso. Depois de 30 dias. Um mês de jornada em que não estive, dessa vez. Não porque a vida não deixasse, mas porque me lembrei de querer atoleiros em vez de estradas. Circunstâncias! Podem lamentar-se, mas sabemos que não são graves. Fatal seria erguer o olho e não ver mais caminho por onde avançar o pé.

E, subitamente, nenhum pesar.
Por mim, gosto desta coisa de saber que ainda há um chão que nos falta para andar.

Publicado por Ana Tropicana às 01:22 AM | Comentários (0)

Mood

Pronto, então se é para dizer, eu digo: aquilo que verdadeiramente me irrita - aquilo que definitiva e fatalmente me IRRRRIITTAAAA - é acordarem-me a meio da noite sem nada para dizer, e ficar depois eu aqui, às voltas com uma insónia que dispensava, a desentender-me irremediavelmente com os botões do aquecimento, ora a arder em calor, ora a arrepiar-me em tilintares de frio, e quase a convencer-me de que deve haver sim, uma qualquer inaptidão congénita e profunda, que só assiste às loiras!... Porque daí a achar que o mundo não é justo, é só um passo... E ninguém merece grandes inquietações metafísicas a atravessar-lhe o sono. Não a meio da noite!

Publicado por Ana Tropicana às 01:04 AM | Comentários (0)

janeiro 04, 2006

"Omni-ausências"

Ainda que presa dentro do "lar doce lar", participo de uma reunião de trabalho através das fabulosas artes mágicas que o séc. XXI põe ao serviço da «interactividade». Acho graça à coisa, mas continuo a crer que não havia necessidade extrema...
Passo o resto da tarde a interrogar-me porque razão é assim tão complicado encarar o óbvio: ninguém é insubstituível. Nem na profissão, nem na vida. Os factos demonstram-no serenamente, dia após dia, aliás. Devagarinho, todavia. Como talvez convenha que seja.

Publicado por Ana Tropicana às 07:46 PM | Comentários (0)

Alteração de Email


sobre-(o)escrito de sérgio s.

Serve a presente para comunicar que, após 24 preguiçosas horas, cumpri finalmente o firme propósito de me divorciar do Hotmail. A partir de agora, passa a chegar-se «Da Pororoca ao Tejo» via Gmail.

O novo endereço já foi actualizado no link. Basta colocar na garrafinha e tapar direitinho. Depois a maré, as correntezas (e o gmail, claro!) tratam do resto.

Publicado por Ana Tropicana às 06:11 PM | Comentários (0)

Geladeiras e Colheres de Chá


«segundo» de site oficial

«Corta essa / de querer me impressionar / Coisa boa é Deus quem dá / besteira é a gente que faz»

Filha de "Pimentinha", pimenta é.
Toca cá em casa desde de manhã. «Segundo»: recomendo vivamente. "Elementar, meu caro Watson". Básico e ao osso. Gosto disso!

Vale a pena ouvir AQUI.




«Conta Outra» - composição de Edu Tedeschi para a voz de Maria Rita

Conta outra
nessa eu não caio mais

já foi-se o tempo em que eu pensei
que você era um bom rapaz
Corta essa
de querer me impressionar
Coisa boa é Deus quem dá
besteira é a gente que faz

Você jurou pra mim que foi doença
Que te impediu de vir me encontrar
O mundo é bem menor do que 'cê pensa
e ontem já vieram me falar
Que você tava lá
no baile da comunidade
Bebendo e se acabando de dançar
Mas eu não caio do salto
não grito, não falto com a minha verdade
Sinceridade, sai que a fila tem que andar

Conta outra
nessa eu não caio mais
já foi-se o tempo em que eu pensei
que você era um bom rapaz
Corta essa
de querer me impressionar
Coisa boa é Deus quem dá
besteira é a gente que faz

Depois de te deixar na geladeira
eu resolvi te dar colher de chá
é dura a tua cara de madeira
tão dura que bastou eu me virar
E você tava lá
jogando todo o teu feitiço
pra cima da mulherada lá do bar
Mas eu não caio do salto
não grito, não falto com a minha verdade
Sinceridade, sai que a fila tem que andar...

Conta outra
nessa eu não caio mais
já foi-se o tempo em que eu pensei
que você era um bom rapaz
Corta essa
de querer me impressionar
Coisa boa é Deus quem dá
besteira é a gente que faz

Publicado por Ana Tropicana às 03:47 PM | Comentários (3)

janeiro 03, 2006

Porque Razão Me Orgulho Tanto Dos Meus Amigos da Floresta


identidades de ana tropicana

Eis o «Espírito da Coisa»:

«Senhor,

dai-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar.

Dai-me coragem para mudar as que posso mudar.

Dai-me sabedoria para distinguir umas das outras.»


... e a «Coisa Em Si»:


«Coisas que não mudam deviam distinguir-se por si mesmas e gritar aos ventos sua natureza de pedra. Coisas mudaves (como poesia de Barros) deviam mudar-se por si mesmas e nos segredar fluentes sua natureza de água. No fim, mudamos e não mudamos, ao mesmo tempo fluindo e nos distinguindo de nós mesmos, em tempos de pedra, de água e de nada.»
Toinho Alves


Em todo este tempo, sei bem, Meu Muito Caro Amigo, do absoluto apreço pela discrição. Mas, no meu país, muitos são aqueles que - e ainda que nem suspeitem - vivem esfaimados de "estares" e dizeres como os teus. Por isso e só por isso, ouso atravessar-te a margem sem consentimento prévio. Sei que tentarás, pelo menos, entender-me.

Publicado por Ana Tropicana às 09:29 PM | Comentários (3)

Diagnóstico

«Sim, estou cansado / e um pouco sorridente / de o cansaço ser só isto / uma vontade de sono no corpo / um desejo de não pensar na alma / e por cima de tudo uma tranquilidade lúcida»
Álvaro de Campos

Publicado por Ana Tropicana às 08:34 PM | Comentários (5)

A Great Remember II


vendinha de ana tropicana

Era Sábado, mas podia não ser. Porque naquele como noutros povoados ribeirinhos, as semanas não existem e os dias são iguais ao tempo: não têm nome certo. E havia um som, uma melodia, uma música, uma canção, qualquer coisa assim. Porque no povoado as opiniões dividiam-se: havia quem lhe chamasse bolero, havia quem lhe chamasse choro, quem lhe chamasse samba-canção. Podia entrar pela janela - o som da canção. Podia!... se janelas houvessem. Mas não havia. Assim sendo, constata-se simplesmente: toca a canção. Toca alto. Muito alto. Porque nos povoados ribeirinhos tudo toca sempre muito alto. Como os pássaros e as onças, e o mato e todas as criaturas que lhe berram dentro. Nos povoados ribeirinhos é difícil fazer ouvir qualquer coisa acima do correr dos rios. E tudo tem que soar alto para não ser abafado por tantas sinfonias. Por isso a canção toca, mas alto. A voz partida, as sibilantes arranhadas, um ou outro risco do vinil a fazer saltar os acordes. Preciosas contingências a coroar em arte o som roufenho, vindo de uma vitrola velha, pouco diferente de como soaria se acaso viesse lá detrás do tempo, de onde se costuma dizer que ficou parado o passado. Mas não. Vinha só do fundo do quintal, onde a cerca pega com a rua, e uma vala de lodo pardo separa a berma da venda de tapumes caiados a azul celeste. Linda, a canção. «Linda!», pensei eu, achei eu. E ainda acho. Mesmo sem ter aqui o sabor que então me teve: naquele povoado ribeirinho, a entrar pelos fundos do quintal, num Sábado que nem sei se era Sábado. Escutada, portanto, no lugar certo. Da vida. Do tempo.

(...)
Deixo a gravação que o "Seu" Gervásio fez o favor de copiar para uma fita e me oferecer, e que o David acabou de fazer o favor de me enviar por mail, devidamente convertida em formato digital.

Uma prendinha para partilhar. Porque estou gripada, mimada e, portanto, obviamente bem disposta.


«Tudo Acabado», Ângela Maria com Simone
[in Fita do "Seu" Gervásio - copiada em 2004]

Publicado por Ana Tropicana às 05:07 PM | Comentários (0)

A Great Remember I

Meto o passo por um corredor antigo. Volto a recordar-me que as grandes verdades se escrevem assim: com a simplicidade da nitidez - a Azul Cobalto.

AQUI

Publicado por Ana Tropicana às 03:02 PM | Comentários (0)

Mood

Estou aqui a pensar se não estarei demasiado mimada para me entregar a algumas empreitadas que urgem: tentar perceber porque é que a margem direita (mesmo aqui ao lado) cada vez alarga mais, fazendo com que tudo neste blog tenda mais e mais para a esquerda; ordenar a coluna de links de acordo com uma lógica que lhes dê alguma utilidade e se torne perceptível para mais alguém que não apenas eu; deletar do template esta parafernália de referrers que cá foram vindo parar sem eu saber muito bem como; limpar a caixa de correio e quem sabe mudar de vez o email «DA POROROCA AO TEJO» para bem longe do Hotmail; organizar ó arquivo fotográfico; limpar ficheiros e ganhar memória no disco; ligar para a Embaixada do Brasil e para o consulado. Enfim!... Se alguma diferença significativa for visível por aqui, é porque afinal os mimos não atrapalharam assim tanto as potencialidades de um dia inteiro presa em casa.

Publicado por Ana Tropicana às 02:06 PM | Comentários (0)

A «Inspirar Cuidados»


prémio de consolação de divulgação

Em casa, nesse caso. À força, mas com todo o prazer. Valha-me isso!... Boazinha e bem comportada, eu. A «inspirar cuidados», então. Seja! Venham eles: TODOS - os que forem precisos e mais aqueles a que tenho direito. Começo a gostar disto, confesso. Todo o "mal" tem sempre qualquer coisa de providencial, não haja dúvida.

Publicado por Ana Tropicana às 01:06 PM | Comentários (2)

Meia-luz ou Meia-sombra


meias de ana tropicana

A cidade amanhece partida ao meio. À meia-luz ou à meia-sombra. Depende do ponto de vista.

Publicado por Ana Tropicana às 12:22 PM | Comentários (0)

Meu Chão


meu chão de ana tropicana

A noite cai. O cheiro único a terra certa. E eu a tirar enfim do bolso o CD que ganhei de presente, rés-vés com o cair da porta ondulada das lojas do centro. E eu a entrar à pressa na manga do avião. As luzes cálidas do aeroporto Eduardo Gomes a ficar para trás, lá em baixo, lá ao fundo, como uma declaração de amor assinada a luz sobre a superfície da terra, à medida que vou ganhando altura e distância. A penumbra da coxia do avião. Manaus ao largo. Lisboa apontada adiante. E eu a tactear o bolso, subitamente recordada do movimento furtivo das mãos. Há menos de uma hora atrás. E eu a descobrir enfim que levo comigo a mais recente "pérola" da Marron.

Foi em 2004 e não sei porque me lembro disto quando já tivemos tempo de descer do banco, tirar um pé do passado e outro do futuro, quando temos já ambos os pés assentes em 2006. Não sei. Se calhar porque o disco toca agora mesmo, aqui em casa.


«Faz Uma Loucura Por Mim», Alcione
[in Faz Uma Loucura Por Mim - 2004]

Publicado por Ana Tropicana às 04:29 AM | Comentários (3)

janeiro 02, 2006

Breus de Lua

Durante o ano que agora acaba, no Estado do Amazonas, o programa «Luz para Todos» (até 2008) levou pela primeira vez energia eléctrica a 9 mil domicílios. O governo brasileiro estava satisfeito: o número representava mais de um terço da meta a que se tinha proposto, tendo em conta que, segundo os seus cálculos, estariam por atender as necessidades de 81 mil famílias. Acontece que um levantamento da Fundação Nacional de Saúde [Funasa] e do Sistema de Protecção da Amazônia [Sipam] mostrou que esse número não corresponde à verdade. Para o corrigir é preciso considerar quase o dobro: nos tempos que correm, vivem na realidade cerca de 150 mil famílias que nunca tiveram acesso a electricidade.




Luz para Todos atende pouco mais de um terço das famílias previstas no Amazonas
Fonte: Agência Brasil | Autor: Thaís Brianezi | Data: 02 Jan 2006 - 17:28


Manaus - No Amazonas, o programa Luz para Todos cumpriu 36%, pouco mais de um terço, da meta de atendimento até 2005. No estado, a energia elétrica chegou a 9 mil domicílios (4,2 mil deles na capital e o restante em 17 municípios do interior), quando a previsão inicial era de que 25 mil famílias fossem beneficiadas. "Nossa meta neste ano é atender 30 mil famílias. O ministério repassará à Companhia Energética do Amazonas [Ceam] e à Manaus Energia cerca de R$ 90 milhões", informou hoje (2) o representante do Ministério de Minas e Energia (MME) e coordenador estadual do programa Luz para Todos, Robson de Bastos.

Segundo ele, o não-cumprimento da meta se deve a fatores climáticos, como a seca severa de 2005, e a questões operacionais – falta de mão-de-obra qualificada e de planejamento. "Não são raros os casos de fornecedores que demoram oito meses para receber o pagamento", contou Bastos. "Isso, de certa forma, faz o programa cair em descrédito. O ministério só pode liberar a verba quando o serviço já está executado, mas ele demora a receber a notificação oficial de conclusão das obras."

Até agora, o MME repassou cerca de R$ 70 milhões à Ceam e à Manaus Energia. O recurso foi utilizado em obras de extensão da rede de distribuição de energia e na construção de pequenas usinas hidrelétricas, com capacidade de gerar até 800 quilowatts, energia suficiente para abastecer 2 mil famílias. "O consumo desses novos beneficiados inicialmente é pequeno, porque eles não possuem equipamentos eletroeletrônicos. Só quando a energia chegar é que eles podem começar a sonhar com eletrodomésticos", ponderou Bastos.

A meta do governo federal é de que até 2008 todos os brasileiros tenham acesso à energia elétrica. No Amazonas, o Luz para Todos foi planejado para atender 81 mil famílias. "Em 2003, usamos dados do IBGE, do Censo 2000. Mas um levantamento da Fundação Nacional de Saúde [Funasa] e do Sistema de Proteção da Amazônia [Sipam] mostrou que esse número é quase o dobro – cerca de 150 mil famílias", revelou Bastos. "Queremos até 2008 cumprir pelo menos a meta inicial. Essas famílias não-previstas significam que o programa deveria ser estendido por mais dois ou três anos."

Publicado por Ana Tropicana às 11:10 PM | Comentários (1)

Frase do Dia

«Talvez não saibas, mas dormes nos meus dedos»
Kátia Guerreiro

Publicado por Ana Tropicana às 10:40 PM | Comentários (0)

Vivos Sopros de Vento Manso


«nessas horas...» de viviane coppola

«Nessas horas, eu me esforçava em analisar o que estava acontecendo no meu coração, enquanto admirava as partículas de luz flutuando nesse espaço silencioso. O que afinal eu procurava? E o que afinal as pessoas procuravam em mim? Eu era incapaz de obter uma resposta conclusiva. Às vezes estendia a mão em direção às partículas de luz flutuando no ar, mas as pontas dos meus dedos não tocavam em nada.»

Haruki Murakami

(...)
Serve o "decalque" fiél do presente post para render tributo ao notável trabalho feito de detalhes, argúcias e tilintares, da minha amiga Viviane. Grata, eu. Pela amizade.





Foto: «Nessas horas...» (autor: Viviane Coppola)

Publicado por Ana Tropicana às 02:27 PM | Comentários (2)

Humilhações


os miseráveis de ana tropicana

Regresso a Lisboa. Passo em casa para apanhar o carro. Num banco do jardim, à minha porta está um homem encolhido. Levanta-se. Vem na minha direcção. Talvez chore. Não sei. Parece-me. Começa uma ladaínha que vou tentando entender. Não pelo homem. Não pelas lágrimas (que só me parecem). Apenas porque não gosto de não entender. Especialmente as palavras. As que me são dirigidas. Queixa-se o homem do álcool. Diz que ficou só, que "vendia saúde e alegria", noutros tempos. Diz que não se apercebeu, que era "amigo do vinho", mas que ele não foi seu amigo. No fim. Diz que achava que "mandava no vício". E eu escuto o homem. E eu a escutar o homem e a sua ladaínha. E ele prossegue, encorajado nem sei porquê, se por mim que nada digo, se pelo que ainda lhe enebria as veias ou se por não ter mais nada que fazer. E diz. Diz que caiu "em desgraça". Diz que o álcool lhe "roubou o amor" da sua vida, que perdeu "a mulher",que ela "se cansou" de o disputar com o líquido, que lhe disse à saída que preferia tê-lo "perdido para outra mulher", outro ser humano, enfim. Não um copo. Um frágil copo de vidro, tão fácil de partir e, no entanto, tão mais forte do que ela. Sempre mais importante na mão dele do que ela. E eu estendo-lhe as moedas que trago comigo, volto as costas e vou-me embora a pensar que dispensava ouvir a história e sem nenhum remorso pelo desprezo que subitamente me invade. Deixei-lhe as moedas que tinha. É tudo quanto precisa alguém que prefere perder um amor em troca de um vício: dinheiro para continuar a alimentá-lo e nunca acordar do torpor ao ponto de se aperceber da escolha.

Publicado por Ana Tropicana às 01:30 PM | Comentários (2)

Milagres Acontecem!


toques mágicos de ana tropicana

Perguntam-me, logo pela manhã, que milagre foi esse que fez a febre desaparecer tão subitamente como chegou. Não sei responder com exactidão, mas inclino-me para o facto de não haver mal que se não cure nas mãos de quem verdadeiramente sabe cuidar.

(...)

Tinha-me esquecido de alguma coisa que me lembrei de observar, a primeira vez que entrei na "casa bela". Que é feita de transparências. Que tem telhados de vidro. Muitos. Como se não tivesse medo das pedras.





Foto: Toques Mágicos (autor: Ana Tropicana )

Tinha-me esquecido de alguma coisa que me lembrei de observar, a primeira vez que entrei na "casa bela". Que é feita de transparências. Que tem telhados de vidro. Muitos. Como se não tivesse medo das pedras. Que tem portões abertos por onde cães e gatos entram e saem, sem nunca se perder. Tinha-me esquecido que é grande e soalheira. Até no Inverno, quando faz frio noutras paragens, e tudo é de um gelo sem remédio: desumano e traiçoeiro. Tinha-me esquecido que aqui se dorme de janelas abertas. Porque durante o sono ninguém vem roubar nada pela calada. Nem os sonhos. Volto a reparar no auto-retrato que está na parede. Voltado para a frente. A olhar de frente. A olhar em frente. Lembro-me que é igual ao rosto. Porque há rosto e ele se parece com o que na realidade é. Mesmo depois de pintado: igual. A si. Só. Basta. Que bom! Entro cada divisão sem buscar nada. Como quem sabe que lá encontra tudo. Como eu, agora. Aqui: a achar. Cheira a limpo a casa. Como se o seu odor fosse sem perfume. Como se nem por debaixo dos alicerces passasse um esgoto e no jardim não fosse necessária sarjeta. Por não haver nada podre, nada ruim, decadente ou vergonhoso a precisar de se escoar por subterrâneos à sucapa. Mais distantes da luz. Mais longe do sol, e dos olhos, e da vista, e do mundo, e do coração. Voltei a lembrar-me como é simples de encontrar: a casa. Esta casa: a "casa bela". Até de noite e apesar das curvas. E reparei também que tem o nome escrito na caixa do correio. Como se não quisesse nunca ser reconhecida por qualquer coisa diferente do que é.

Já não me lembrava. Felizmente nunca me esqueci.


(...)

Regresso, agora, a Lisboa.

Publicado por Ana Tropicana às 11:37 AM | Comentários (1)

Assumidamente

Com todos os riscos, vícios e virtudes da pieguice, não consigo partir para o dia sem agradecer este «je-ne-sais-quois» ou quase «presque rien» que faz sempre de mim um ser feliz. Em toda e qualquer circunstância. Mesmo por debaixo de uma ou outra lágrima mal segura. Até quando o que está no redor mais imediato pouco presta e já em nada se aproveita.

Publicado por Ana Tropicana às 11:13 AM | Comentários (0)

Entrar Em África Com a Noite


embarque de schlesser

Ao fim do dia de hoje terá sido feita a ligação de mais de 300 Km entre Portugal a Málaga. Aí se estará a fazer, por esta altura, o embarque rumo a Nador. São sete longas horas de travessia. Imagino as últimas horas de conforto nas cabines “quentes” do barco que antecedem o desembarque previsto para as cinco da madrugada, já em território Marroquino. O segundo dia do ano cumpre-se com a primeira especial africana, nada mais, nada menos que 314 quilómetros. Ás portas do deserto, então! Seja.




Com o objectivo de tornar a disputa do maior rali do mundo mais acirrada e proporcionar maior emoção aos aficcionados da modalidade, foram introduzidas algumas novidades na prova. Para começar, a partida foi transferida para Lisboa e a largada alterada para o último dia de 2005 e não mais no dia 1º de janeiro.

Sob a alegação de assegurar a segurança dos concorrentes, na 28ª edição do Dakar, foi reduzido em 99% o uso do GPS, aparelho de navegação por satélite, a velocidade limitada para 160 km/h, devido ao excesso de acidentes em 2005 (que culminaram em duas mortes), e a capacidade do tanque das motos reduzida.

No total serão 748 veículos, com 240 motos, 188 carros, 80 camiões e 240 viaturas de apoio. Na edição 2006, o Dakar terá um total de 9.043 quilômetros – 4.813 km de trechos cronometrados – e passará por sete países: Portugual, Espanha, Marrocos, Mauritânia, Mali, Guiné e Senegal, durante 16 dias de provas. A etapa mais longa será no dia 9 de janeiro, após o único dia de descanso, entre as cidades de Nouakchott e Kiffa, na Mauritânia, com um total de 874 quilômetros de distância, dos quais 599 cronometrados.
A organização da prova aumentou o número de trechos longos para peneirar os competidores até a Mauritânia. Com o percurso traçado mais para o sul da África diminuirá os troços com dunas e aumentará o trajecto em terreno duro.

Durante 15 dias, uma caravana de 2.200 pessoas irá percorrer 9.043 quilômetros de Lisboa, em Portugal, até Dakar, no Senegal. São 1.465 competidores, 385 membros da organização, 250 jornalistas e mais de 100 pilotos e ajudantes contratados para serviços diversos.
O comboio integra 508 veículos competidores: 240 motos, 188 carros e 80 camiões -, seguidos por outras 240 viaturas de apoio directo.
Para transportar organizadores, jornalistas e todo o tipo de equipamento necessário ( incluindo os acampamentos montados no deserto), serão utilizados 18 aviões, numa média de 30 vôos diários, a que se junta o apoio dos helicópteros: oito deles estarão disponíveis para a organização, sendo um para acompanhar o trajecto, quatro com as equipas de televisão, um com fotógrafos e mais dois tripulados por equipas médicas. Além do transporte aéreo, a organização conta com 27 carros e 11 caminhões de assistência.

Todo o combustível utilizado para mover as máquinas - incluindo os veículos em competição - é da responsabilidade dos organizadores. Estima-se que será necessário transportar pelo deserto cerca de 1.200.000 de litros de gasolina e diesel, longe de qualquer posto de combustível, o que torna o líquido tão precioso como a água (ou mesmo o ouro).

Publicado por Ana Tropicana às 04:39 AM | Comentários (1)

Estradas d'Água


mirante de autor desconhecido

Da Praça do Império saiu também Ricardo Diniz: velejador desde os 12 anos, conta no currículo com mais de 60 mil milhas náuticas, incluindo quatro travessias do Oceano Atlântico. É a primeira vez que vai fazer uma viagem entre Lisboa e Dakar, a bordo do «Taylor's Port», um veleiro de cruzeiro veloz, com 12,5 metros, contruído na Africa do Sul e desenhado por Angelo Lavranos. Tirando o equipamento e os diversos meios técnicos, Ricardo segue tendo como únicos companheiros a bordo a música, os livros e o mar. Para quê mais, quando «o inferno são os outros»?!...

A ideia é ir-lhe acompanhando os ventos AQUI





Foto: Veleiro «Taylor's Port» (Autor: )




Lisboa-Dakar num barco à vela
A aventura portuguesa de um jovem lobo do mar

Fonte: InfoDesporto | Data: 27/12/2007


Um jovem português prepara-se para fazer sozinho a ligação entre Lisboa e Dakar à vela, embarcando em pleno Inverno numa aventura em que tudo pode acontecer, mas com a confiança de superar dificuldades e o objectivo de simplesmente chegar.
Ricardo Diniz tem 28 anos e a experiência de já ter navegado mais de 60 mil milhas náuticas o que equivale a dar duas voltas e meia ao mundo.

Contudo esta é a primeira vez que vai fazer uma viagem entre Lisboa e Dakar, a bordo do veleiro "Taylor's Port", com 12,5 metros equipado com diversos meios técnicos e tendo como únicos companheiros a música, os livros e o mar.

às 15:30 de 31 de Dezembro Ricardo estará a passar frente ao Padrão dos Descobrimentos, dando início a uma viagem que previsivelmente demorará cerca de 15 dias.

Os imprevistos podem ir dos mais normais como embater num contentor à deriva no mar, aos mais absurdos como o que aconteceu uma vez, em que uma vaca caiu (de um avião) em cima de um barco, diz.

"É normal nestas viagens as coisas correrem menos bem, mas cabe ao velejador saber superá-las e eu tenho que ter confiança na minha preparação", afirma.

E preparação não falta a Ricardo Diniz que veleja desde os 12 anos e entre as mais de 60 mil milhas náuticas que compõem o seu currículo, contam-se quatro travessias do Oceano Atlântico e muitas outras viagens já repetidas diversas vezes como as ligações de Lisboa a Londres ou a Cabo Verde.

Esta não será a primeira vez que Ricardo veleja sózinho e embora afirme que gosta muito e que necessita destes momentos solitários, reconhece que não são fáceis e que há períodos particularmente difíceis de ultrapassar.

A vontade de velejar surgiu aos oito anos quando em Inglaterra o pai o levou a ver o navio Cutty Sark e ele se encantou com outro barco pequenino à vela que estava perto.

Quando lhe foi explicado que nesse mesmo barco um homem sozinho tinha dado a volta ao mundo, Ricardo Diniz pensou:"Uau! A volta ao mundo sozinho. Também quero."Foi nesse momento que nasceu esse sonho". Mas hoje em dia Ricardo diz já não ser um sonho e sim "um objectivo" pelo qual está há anos a trabalhar e para o qual já contactou com mais de quatro mil empresas de todo o mundo.

Ricardo Diniz deixa bem claro que não se trata de nenhuma corrida e que não está a competir com ninguém, apenas entrou no espírito do Lisboa-Dakar e impôs-se um único objectivo: conseguir chegar.




Ricardo Diniz ruma a Dacar de... barco
Fonte: Correio da Manhã | Data: 2005-12-28


“A prova enquadra-se num projecto criado em 2003, chamado ‘Made in Portugal’, que visa promover o nosso país, a cultura, produtos. Foi um gesto natural aderir a esta competição, que liga duas cidades que têm portos. É uma maneira de honrar a prova e dizer a todos os envolvidos bem-vindos”, disse Ricardo Diniz que, às 15h30 de sábado, espera estar a passar frente ao Padrão dos Descobrimentos. “Vou adiar a partida em algumas horas para vê-los partir. A vela é sempre imprevisível e, na melhor das hipóteses, espero chegar a Dacar dentro de 13, 14 dias, num total de 1600 milhas”, acrescentou.

Para abraçar este projecto rumo à capital do Senegal, este jovem vai comandar uma embarcação nada fácil para uma aventura a solo. “Velejá-lo sozinho é complicado. As velas são pesadas e vai ser um desafio físico muito grande. Mas é rápido e robusto”, disse ao Correio da Manhã.

Um boneco da Fundação do Gil vai fazer companhia – “identifico-me com o projecto e na Expo andei mesmo vestido de Gil” – e vai matar o tempo com a biografia de Belmiro de Azevedo e com o ‘Código da Vinci’. Mas nunca esquecendo a segurança. “Um relógio salvou-me a vida, depois de em 2001 ter batido num contentor e de ter ficado à deriva. Como o relógio tinha bússola, consegui orientar-me e pedir ajuda.”

Ricardo Diniz diz que todos os participantes do Dacar, “cheguem ao fim ou não”, têm um ponto comum. “Todos eles tiveram de enfrentar uma luta familiar, de trabalho e financeira”.




Este é o traçado original da viagem - que se iniciou às 15h 30 de Sábado dia 31 de Dezembro - , mas deixo o link para os mapas diários do percurso AQUI.





Publicado por Ana Tropicana às 03:52 AM | Comentários (1)

janeiro 01, 2006

A Prova


2ª pele de autor desconhecido

Pode ser só por desporto, pouco importa. Interessa, sim, que ainda há à face da terra aqueles que se aventuram na travessia de um deserto.

Publicado por Ana Tropicana às 05:14 PM | Comentários (5)

«Gracias a la Vida!»


«bom dia, alegria!» de ana tropicana

Bem sei que a vida é assim mesmo: irregular de espantos, caleidoscópica a olho nú, enlouquecida mutante de vertiginosos e extremos contrastes... Mas mesmo assim!... Será que alguém me consegue explicar, com alguma coerência: como é possível que depois de um dia acordado para esquecer, se acorde dentro de um despertar inesquecível??! Como, raio, pode isto ser!?


[«Gracias a la Vida», Violeta Parra]




«Gracias a la Vida» - Violeta Parra


Gracias a la vida, que me ha dado tanto.
Me dio dos luceros, que cuando los abro,
Perfecto distingo lo negro del blanco,
Y en el alto cielo su fondo estrellado,
Y en las multitudes el hombre que yo amo.

Gracias a la vida, que me ha dado tanto.
Me ha dado el oído que, en todo su ancho,
Graba noche y día grillos y canarios
Martillos, turbinas, ladridos, chubascos,
Y la voz tan tierna de mi bien amado.

Gracias a la vida, que me ha dado tanto,
Me ha dado el sonido y el abecedario.
Con él las palabras que pienso y declaro,
"Madre,", "amigo," "hermano," y los alumbrando
La ruta del alma del que estoy amando.

Gracias a la vida, que me ha dado tanto.
Me ha dado la marcha de mis pies cansados.
Con ellos anduve ciudades y charcos,
Playas y desiertos, montañas y llanos,
Y la casa tuya, tu calle y tu patio.

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio el corazón, que agita su marco.
Cuando miro el fruto del cerebro humano,
Cuando miro al bueno tan lejos del malo.
Cuando miro el fondo de tus ojos claros.

Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado la risa, y me ha dado el llanto.
Así yo distingo dicha de quebranto,
Los dos materiales que forman mi canto,
Y el canto de ustedes que es el mismo canto.

Y el canto de todos que es mi propio canto.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.

Publicado por Ana Tropicana às 04:29 PM | Comentários (0)

Dossier Amazónico

A Revista Ciência & Ambiente publica no número Janeiro/Junho 2006, a 2ª parte de um amplo dossier sobre a Amazónia. À semelhança da opção que já havia sido feita na edição Julho/Dezembro 2005, os editores decidiram-se por um enfoque em grandes e importantes sistemas amazônicos. Vale a pena ler! Pela correcta dimensão da região e dos problemas lá existentes.




Revista Ciência & Ambiente publica dossiê amazônico
Os editores optaram pelo enfoque de grandes, e importantes, sistemas amazônicos.
Fonte: Portugal Digital - DF | Data: 26/12/2005 - 09:30


São Paulo - Entre tantos adjetivos comumente usados depois da palavra Amazônia, fica complicado destacar um que realmente dê a correta dimensão da região e dos problemas lá existentes. Talvez seja por isso que a gama de assuntos escolhidos pela revista Ciência & Ambiente para as suas duas mais recentes edições seja tão grande.

Ao contrário de sínteses, Delmar Bressan, editor da publicação do Rio Grande do Sul, feita na Universidade Federal de Santa Maria, e o jornalista Marcelo Leite (editor convidado) optaram pelo enfoque de grandes, e importantes, sistemas amazônicos. Tanto na edição número 31 como na 32, 12 artigos em cada uma, muitos assinados por mais de um pesquisador, apresentam e discutem a Amazônia.

Recursos naturais, história, economia e políticas públicas. Esses quatro grandes temas dão o tom das contribuições. Os irmãos Antônio e Carlos Nobre, pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), escreveram o artigo O carbono e a Amazônia, enquanto José Maria Cardoso da Silva, da Conservação Internacional, voltou a um de seus assuntos preferidos em Áreas de endemismo da Amazônia.

No volume 32, mais representantes de ONGs e de universidades. E, em ambas as situações, como atesta Leite em editorial, a produção científica está sempre presente, principalmente no caso amazônico.

Adalberto Veríssimo, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), escreveu sobre uma política para conservação e manejo florestal sustentável. Mas o cardápio vai além. Passa pela madeira, soja e pecuária. Enfim, sobre todos os assuntos essenciais para quem se interessa pelo exuberante continente verde ao Norte do país.

Mais informações AQUI .




Edição nº 32 - «Amazônia: Economia e Políticas Públicas» (Editor convidado: Marcelo Leite - 168 páginas)


Sumário:


EDITORIAL
“Florestania”
análises, princípios e propostas socioambientais para superar os vícios da economia de fronteira na Amazônia
Marcelo Leite


Do Avança Brasil ao PPA de Lula
o que mudou do ponto de vista ambiental na agenda do desenvolvimentismo na Amazônia
Mary Allegretti


PPA 2004-2007 e obras de infra-estrutura na Amazônia
Roberto Smeraldi


Passos para uma política de gestão socioambiental da indústria madeireira da Amazônia
Daniel Nepstad, Claudia Azevedo-Ramos, Paulo Moutinho, Eirivelthon Lima e Frank Merry


Florestas Nacionais
uma política para conservação e manejo florestal sustentável na Amazônia
Adalberto Veríssimo


O desmatamento na Amazônia e a efetividade do Protocolo de Quioto
Márcio Santilli e Paulo Moutinho


Custos e benefícios do desmatamento na Amazônia
Ronaldo Seroa da Motta


Origem e destino da madeira amazônica
Paulo Barreto


Apoio científico para os padrões de manejo de madeira na floresta amazônica
a questão da sustentabilidade
James Grogan, Edson Vidal e Mark Schulze


Pecuária e madeira
lucratividade, expansão e sustentabilidade
Eugênio Arima e Paulo Barreto


O dilema brasileiro
Lester Brown


Soja na Amazônia
impactos ambientais e estratégias de mitigação
David G. McGrath e Maria del Carmen Vera Diaz






Edição nº 31 - «Amazônia: Recursos Naturais e História» (Editor convidado: Marcelo Leite - 168 páginas)


Sumário:

EDITORIAL
Amazônia
uma gigantesca oportunidade para o Brasil reinventar-se
Marcelo Leite


Megadiversidade amazônica
desafios para a sua conservação
Gustavo A. B. da Fonseca e José Maria Cardoso da Silva


Áreas de endemismo da Amazônia
passado e futuro
José Maria Cardoso da Silva


O carbono e a Amazônia
o incerto conhecimento atual e estratégias
Antonio Donato Nobre e Carlos Afonso Nobre


Os rios da Amazônia e suas interações com a floresta
Pia Parolin, Maria Teresa Fernandez Piedade e Wolfgang J. Junk


Situação das unidades de conservação na Amazônia brasileira
Nurit Bensusan


O lugar dos lugares
escala e intensidade das modificações paisagísticas na Amazônia Central pré-colonial em comparação com a Amazônia contemporânea
Eduardo Góes Neves


Alianças conservacionistas com sociedades indígenas da Amazônia brasileira
Barbara Zimmerman e Enrico Bernard


Línguas indígenas, línguas ameaçadas
Bruna Franchetto


O perspectivismo ameríndio ou a natureza em pessoa
Eduardo Viveiros de Castro


“Arrastados por uma cega avareza”
as origens da crítica à destruição dos recursos naturais amazônicos
José Augusto Pádua


Entre o global e o local
a pesquisa científica na amazônia do século xx
Marcos Chor Maio, Nelson Sanjad e José Augusto Drummond

Publicado por Ana Tropicana às 01:16 AM | Comentários (0)

«Fatos Florestais da Amazônia 2005»

«Fatos Florestais da Amazônia 2005» resume as informações disponíveis sobre o sector florestal da Amazónia com base nos levantamentos primários mais recentes do Imazon, secundados por dados de outras instituições (Ibama, IBGE, Ipea, Pnud, Inpe etc.).

A publicação está disponível para download AQUI.




«Fatos Florestais da Amazônia 2005»
Lentini, M.; Pereira, D.; Celentano, D.; Pereira, R. 2005


«O livro está dividido em sete capítulos. Inicialmente, resumimos os dados gerais da Amazônia brasileira. Em seguida, apresentamos os dados sobre o uso do solo, situação fundiária e cobertura florestal. No terceiro capítulo, compilamos os dados sobre o setor madeireiro a partir do levantamento do Imazon realizado em 2004. No capítulo 4, apresentamos dados comparativos do setor madeireiro em 1998 e 2004. No capítulo 5, resumimos as características da exploração florestal e do transporte madeireiro realizado na Amazônia Legal. No sexto capítulo, sintetizamos os avanços do manejo florestal, da certificação florestal e das iniciativas de manejo florestal comunitário. Por fim, no capítulo 7, resumimos os dados sobre o mercado de madeira e os preços médios dos produtos madeireiros processados na região.» [IMAZON]

Publicado por Ana Tropicana às 01:13 AM | Comentários (0)

Dia Primeiro


... às vontades e paixões! de autor desconhecido


... à saúde e alegrias! de autor desconhecido


... à força e excelência! de autor desconhecido


... às fúrias e ganas! de autor desconhecido

Uma experiência única, esta. Diria mesmo: irrepetível. Será, com toda a certeza um ano de estreias, novidades e descobertas. Feelings!...

Publicado por Ana Tropicana às 12:22 AM | Comentários (0)