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dezembro 09, 2005

Michelle Bachelet

«Tengo opinion / Tengo voz / Tengo seguridad / Tengo un deber / Tengo tiempo / Tengo que hacer / Tengo convicción»

Ainda a pensar em mulheres...ELA quer ser a próxima presidente à frente dos destinos do Chile.

«Tengo la fuerza / Tengo confianza / Tengo una meta / Tengo herramientas / Tengo una prioridad /... Estoy contigo»

Ficam as Ideias, o Programa de Governo e... o Blog.




Chile: Michelle Bachelet quer ser a primeira mulher Presidente do país
Fonte LUSA | Autor: António Rodrigues | Data: 09-12-2005 10:32


Michelle Bachelet, a ex-ministra da Saúde e da Defesa socialista, filha de um general que o regime de Pinochet torturou e matou na prisão, poderá tornar-se domingo na primeira mulher a ganhar a presidência do Chile.

Tendo em atenção a evolução das sondagens, tudo aponta para uma segunda volta em Janeiro, já que é muito pouco provável que Bachelet consiga obter mais de 50 por cento dos votos este domingo.

A grande dúvida no seio da Concertação, a coligação de quatro partidos de esquerda e do centro que governa o Chile desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet em 1990, é se o resultado de Bachelet se aproximará mais dos 48 por cento ou dos 45 por cento.

A diferença é maior do que os três por cento aparentam, pois pode representar ter ou não uma votação maior do que a soma do resultado dos dois candidatos da direita, o empresário Sebastián Piñera ou o antigo pinochetista e membro activo da Opus Dei Joaquín Lavín.

As intenções de voto de Bachelet, a favorita desde há muito tempo, têm evoluído de forma inversamente proporcional à da popularidade do Presidente Ricardo Lagos - o primeiro socialista a assumir o cargo desde Salvador Allende - que vai terminar o mandato com 59,8 por cento de popularidade.

Na sondagem de 15 de Novembro, elaborada pelo reputado Centro de Estudos Públicos (CEP), as intenções de voto em Bachelet desceram sete por cento, ficando-se pelos 39 por cento, enquanto as de Piñera subiam cinco por cento para 22 por cento, ultrapassando Lavín com 21 por cento.

Este resultado é ainda mais perturbador para a esquerda chilena, pelo facto do quarto candidato, Tomás Hirsch, apoiado pela coligação Juntos Podemos Mais, englobando comunistas, ecologistas e outras pequenas formações políticas, surgir com apenas três por cento.

A sondagem da CEP dá a vitória a Bachelet na segunda volta, seja qual for o seu adversário, mesmo assim há quem na sua campanha ameace com a demissão se os números da primeira volta se ficarem pelos 45 por cento.

Na Concertação, a possibilidade da repetição do cenário das presidenciais de 1999 tornou-se plausível, depois de um ano de liderança destacada nas sondagens.

Há seis anos, Lagos venceu Lavín na segunda volta com apenas 51,3 por cento dos votos.

Perante os sinais de alarme, os responsáveis da campanha de Bachelet resolveram mudar de estratégia.

Depois de muitos meses a recalcar a ideia que a candidatura de Bachelet provinha da cidadania e não dos partidos e a garantir que a ex-ministra da Defesa não representava a continuação das presidências de Patricio Aylwin, Eduardo Frei e Ricardo Lagos, a candidata surgiu nos últimos dias da corrida eleitoral ao lado de dois patriarcas da Democracia Cristã (DC) chilena, Aylwin e Gabriel Valdés.

Aliás, um dos grandes problemas da candidata é, precisamente, a posição da DC no interior da coligação governamental.

O partido de centro, que surgiu em 1990 ao lado de socialistas e sociais-democratas por necessidade de garantir a estabilidade na transição da ditadura para a democracia, tem sido o que mais problemas tem causado à Concertação nos últimos anos.

Aylwin disse-o em Junho passado: "Na velha guarda da DC há quem se sinta mais próximo de (Sebastián) Piñera que de Michelle (Bachelet).

É precisamente ao eleitorado da DC que as baterias de Piñera têm apontado na sua campanha.

O empresário, doutorado em Harvard, é um dos homens mais ricos do país e representa uma direita liberal moderna que nada tem a ver com a herança de Pinochet - Piñera salienta que em 1988 votou contra a continuação do ditador como Presidente, no plebiscito que abriu as portas da democracia.

Piñera tem procurado ocupar um espaço alargado do centro- direita, espaço que incluiria a DC, ou, pelo menos, parte dos democratas-cristãos.

Os estrategas da sua campanha pensam já numa segunda volta Bachelet-Piñera e estão apostados em romper com os dois blocos que têm dominado a vida executiva e legislativa do país desde 1990, a Concertação no poder e a Aliança, coligação entre a União Democrática Independente (mais à direita) e a Renovação Nacional (liberal), na oposição.

Para conseguir esse novo "arco-íris", como lhe chamam, precisam da DC, não só por representar o espectro central do eleitorado chileno, também porque assim infligiriam um golpe na Concertação, golpe que provavelmente não resultaria vitorioso nestas eleições, mas seria um bom augúrio para as presidenciais de 2009.

Será em 2009, porque este ano a Concertação conseguiu, depois de oito tentativas falhadas, acordar com a direita uma reforma da Constituição feita por Pinochet e que tem manietado a democracia chilena desde o fim da ditadura.

Embora se tenham introduzido 55 modificações na Constituição, incluindo a redução do mandato presidencial de seis para quatro anos, a nomeação do Chefe de Estado Maior das Forças Armadas pelo Presidente e o fim dos senadores nomeados, a Concertação foi incapaz de convencer a direita a abdicar do sistema binominal que tem dividido os cargos políticos entre as duas grandes coligações.

Este sistema eleitoral (os dois partidos mais votados dividem os cargos entre si) restringe o pluralismo político, excluindo os partidos que não pertencem às coligações e dificulta a criação de novos partidos.

O sistema foi criado para favorecer a direita que consegue ter quase metade dos mandatos com pouco mais de um terço dos votos.

Porém, num país onde Pinochet morreu politicamente e a sua herança já não é reclamada por quase ninguém - Lavín, o mais próximo herdeiro dos pinochetistas, afastou-se completamente do antigo ditador, num processo que começou aquando da prisão deste em Londres e culminou com o escândalo das contas no estrangeiro - parecem reunidas as condições para reformar o que resta da Constituição de 1980 que a ditadura impôs à democracia.

Na Concertação espera-se voltar ao assunto da revisão do sistema binominal no próximo ano, isto no caso de continuarem a governar o Chile.

Um país que Lagos deixa entre as democracias mais sólidas da América Latina, com resultados económicos próximos da Europa, mas desigualdades sociais ao nível dos piores países do continente americano.

Apesar dos avanços em termos de luta contra a pobreza, o país permanece como um berço de desigualdades, principalmente na relação entre os mais ricos de Santiago e Valparaíso e os habitantes da periferia, das zonas rurais mais inacessíveis e a população indígena.


Publicado por Ana Tropicana às dezembro 9, 2005 12:07 PM

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