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dezembro 31, 2005

Réveillon 2006


celebração de autor desconhecido

Para compensar, faço estoirar a garrafa antes de toda a gente!...

Publicado por Ana Tropicana às 11:02 PM | Comentários (0)

Feliz Ano Novo!

A propósito da passagem de um ano ao outro, faço por me recordar que 2006 há-de irromper aparentemente como novo, mas deixo a opção idêntica ao critério e cuidado de cada um.
Passo veloz para deixar o meu abraço aos "passantes", para lembrar pela boca de Eugénio de Andrade que, depois das taças, das passas e da meia-noite, continua a ser «urgente descobrir rosas e rios / E manhãs claras», e remeto para a «Receita de Ano Novo» de Carlos Drummond de Andrade que está pendurada AQUI na porta, com toda a excelência.

Que a pressa me seja perdoada (... e a ausência do que escrever ou desejar também!).
Feliz Ano Novo!!


«É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras
Ódio, solidão e crueldade,
Alguns lamentos,
Muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
Multiplicar os beijos, as searas,
É urgente descobrir rosas e rios
E manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
Impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.»


[Eugénio de Andrade - 1923/2005]


P.S - Lamento, não era exactamente a minha intenção, mas desta vez vai sem foto. Não há como editar imagens neste momento.

Publicado por Ana Tropicana às 04:10 PM | Comentários (4)

«Muito Pouco»

«Mas muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais»

[Moska na voz de Maria Rita]

«Faltam 8 horas para entrar em 2006», avisam na rádio. «Estamos quase, quase a virar a página», diz a locutora. Reparo que o tom de voz que empresta à ideia é feliz e confiante. Quase perfeito.

«Muito Pouco» - composição de Moska para a voz de Maria Rita


Pronto
Agora que voltou tudo ao normal
Talvez você consiga ser menos rei
E um pouco mais real
Esqueça
As horas nunca andam para trás
Todo dia é dia de aprender um pouco
Do muito que a vida trás.

Mas muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero (mais)

Chega!
Não me condene pelo seu penar
Pesos e medidas não servem
Pra ninguém poder nos comparar
Por que
Eu não pertenço ao mesmo lugar
Em que você se afunda tão raso
Não dá nem pra tentar te salvar

...veja
A qualidade está inferior
E não é a quantidade que faz
A estrutura de um grande amor
Simplesmente seja
O que você julgar ser o melhor
Mas lembre-se que tudo que começa com muito
Pode acabar muito pior

Publicado por Ana Tropicana às 03:58 PM | Comentários (2)

«Amor Maior»

Simples. Tão simples que dói.


«Amor Maior», Jota Quest
[in Jota Quest: MTV ao Vivo - 2003]





«Amor Maior» - Jota Quest

Eu quero ficar so, mas comigo so eu nao consigo
Eu quero ficar junto, mas sozinho so nao é possivel
E preciso amar direito, um amor de qualquer jeito

Ser amor a qualquer hora, ser amor de corpo inteiro
Amor de dentro pra fora, amor que eu desconheço
Quero um amor maior, amor maior que eu
Quero um amor maior,um amor maior que eu


Eu quero ficar so, mas comigo so eu nao consigo
Eu quero ficar junto, mas sozinho so nao é possivel
E preciso amar direito, um amor de qualquer jeito
Ser amor a qualquer hora, ser amor de corpo inteiro

Amor de dentro pra fora, amor que eu desconheço
Quero um amor maior, amor maior que eu
Quero um amor maior,um amor maior que eu

Então seguirei meu coração ate o fim pra saber se é amor
Magoarei mesmo assim mesmo sem querer pra saber se é amor
Eu estarei mais feliz mesmo morrendo de dor
Pra saber se é amor, se é amor


Quero um amor maior, amor maior que eu
Quero um amor maior,um amor maior que eu

Publicado por Ana Tropicana às 03:47 PM | Comentários (1)

Exemplar


mais perto do céu de autor desconhecido

A Pim vai a caminho da Suíça, fico hoje inesperadamente a saber. Depois de anos sem nenhuma notícia, contam-me "en passant" que vai a caminho do Réveillon nos Alpes, sem grande cortejo, apenas com uma cabana e uma lareira no horizonte. Sinto-me orgulhosa: há, sim, coisas que não mudam jamais. Dimensões que nunca se perdem dentro do peito daqueles que não fazem concessões diante das circunstâncias da vida. E desligo o telefone. E reponho o rumo. O meu rumo. Como convém que seja, diante dos exemplos superiores.

Um abraço muito forte, Pim. Sei que a felicidade seguirá contigo em direcção a 2006. Porque te é devida.

Publicado por Ana Tropicana às 09:19 AM | Comentários (1)

Frase do Dia

«Não há bem que nunca acabe, nem mal que para sempre dure.»
Ditado Popular

Publicado por Ana Tropicana às 08:17 AM | Comentários (0)

Re(In)trospectiva


efémero de ana tropicana

Madrugada de Dia 27 - Que o candeeiro da minha rua guarde, em minha vez, todas as coisas que vê ressuscitar para depois lhe virem morrer aos pés!


christmas in lisbon 2005 de oswaldo gago

Passa da Meia Noite - Digo: «Há árvores maiores que outras. Em Lisboa está a maior de todas». Dizem-me: «Há brilhos que nunca se perdem nem apagam». É sim! Eu sei. E volto para casa a pensar no desperdício das luzes que só se acendem de noite. Quando já todos dormem. Ou quase.


tchin-tchin de ana tropicana

Jantar de Dia 26 - «Avermelhou». O riso, o coração, outros laços. Continua a ser Natal. Aqui: junto à árvore de ramos cor de amor e dos presentes guardados.


dádivas de ana tropicana

Ainda Antes da Hora de Jantar - ... E eu a pensar: que não seja eu - feliz assim - apenas por me serem satisfeitos pequenos caprichos de Natal!... Que se entenda, enfim, que a menor das tarefas é chegar, pagar, levar e entregar. Que o essencial é sempre aquilo que não se compra, não se anúncia em muppies ou na televisão. Invisível até mesmo na montra mais perfeita!


serpentinas de ana tropicana

Até Ser Hora de Jantar - Gosto deste ritual que sempre une a primeira à última geração da família: ver as luzes de Natal da Baixa. O passo mais lento e amparado dos velhos da família. As brincadeiras em zigue-zague das crias pelos desenhos a preto e branco que a calçada portuguesa traça no chão.


in illo tempore de ana tropicana

Tea Time - «A tradição ainda é o que era». Lanche na Benard no dia seguinte. Sempre. O cheiro a torradas e café moído. Os aventais brancos dos empregados. Igual à infância.


rua garret de ana tropicana

Á Tardinha - passeio pelo meu Chiado. Farejar memórias de tempos doces e seguir em frente, mesmo sem tirar as mãos dos bolsos: «se essa rua fosse minha / eu mandava ladrilhar / com o brilho dos meus olhos / só para o meu amor passar»


pormenores de ana tropicana

Dia 26, Quase Hora de Almoço - Olho com alguma desconfiança para as horas que parecem querer recomeçar já a atropelar-se... Olho com indiferença porque no fundo tanto se me faz. Quanto a mim tenciono fazer o caminho ainda tranquila. E é só por isso que reparo que o tapete de folhas estendido do passeio à berma da estrada é da cor dos teus lençóis, e que a calçada é uma interminável manta de retalhos feita de fragmentos de pedra desiguais: nem sempre geométricos, nem todos do mesmo tamanho, peso e solidez.


contraste de ana tropicana

Dia 26, Pela Manhã - Abro os olhos. Olho em redor. Ainda acordo no mesmo lugar. Reconheço o essencial em meu redor


reprise de ana tropicana

Ainda Cedo na Madrugada - Outra vez a estrada. De novo a caminho. Mais perto de chegar. Mais cedo, desta vez. Quero crer.


after hours de ana tropicana

Serão de Natal - Chá quente e bolo rei. Um abraço antes de dormir. Outra noite feliz.


benção das águas de ana tropicana

Jantar de Natal: a horas - Trocar de roupa a correr e voltar a sair. Vai começar o Jantar de Natal! Não se vê ninguém pelo caminho: as ruas estão vazias e alagadas. A cidade ficou deserta. O reflexo quente das luzes e nas poças de água. O frio a embaciar os vidros do carro. O compasso do limpa-párabrisas. Chove!... Como convém: é Natal, pois então!


desejos de ana tropicana

Quase 20h: atrasada - Enfim o primeiro café do dia. Ligo a máquina instintivamente e fico eu a pensar: que bom que seria se a única sede que me ficasse por matar fosse sempre e só a vontade de um café!...


submerso de ana tropicana

Tarde de Natal - Sem laços e sem embrulhos, eu disse. Nada na manga e nada no sapatinho. Tão só o que é vital nos assista ainda!... As águas têm, é certo, esse divino dom de tudo fazer regressar à superfície. Enquanto correm.


hastes de ana tropicana

Dia 25 - Dia de Natal. Na casa. Porque quando não falta nada, ninguém precisa de mais.


yellow de ana tropicana

Noite de Natal - Acordo a meio da noite. Hora de dormir? Tempo de Acordar?... Lembro-me das coisas que me ensinaram quando ainda era «pequenina»: não se deve fazer barulho antes da hora. Pequenos truques para não espantar o Menino Jesus e o que ele traz para nos oferecer.


votos secretos de ana tropicana

Fora de Horas - Chove mais... Faz mais frio... Mas os carros podem ter asas, e ser pássaros, e voar, e conseguir operar verdadeiros milagres para reduzir o tempo e a distância. Atravesso a cidade deserta enquanto vou pensando o quão maravilhoso seria se a mesma faculdade assistisse aos seres humanos!...


consoada de ana tropicana

Véspera de Natal: entrando - Há corredores que abrem em labirínto para aconchegos que nos reparam da cabeça aos pés. Feliz Natal, Feliz Natal!


a casa de ana tropicana

Véspera de Natal: à porta - Cheguei! Cheguei!... Na verdade nunca sairei daqui. Nunca. Estou parada de mãos cheias. Toco à campaínha da porta do útero e penso no disparate do gesto: sei bem que a encontro sempre aberta de par em par.




de cor e salteado de ana tropicana

Véspera de Natal: a caminho - Ás vezes tenho a sensação que podia fechar os olhos, que ia lá ter sempre e sem engano. Ás cegas e sem tactear. Um fenómeno que me sucede a cada vez que o percurso se faz na direcção dos lugares meus.


"recuerdos" de ana tropicana

Ao Anoitecer - Surpreendo-me a dar conta que tudo o que já não me pode alimentar ou aquecer deixou de me fazer falta. Estico a mão, abro os dedos. Deixo que se desprendam duas ou três folhas do álbum de memórias.


felicidade de ana tropicana

Finalmente 24 de Dezembro - Descubro que, contra todas as expectativas mais optimistas, consigo andar numa alegria sem fim, ainda que apanhada em cheio pelo reboliço dos presentes de Natal, das filas, fitas e embrulhos. Mesmo no epicentro do furor consumista dos shoppings, há que encarar a realidade de frente: sou o ser mais genuinamente feliz que por lá respira.

Publicado por Ana Tropicana às 06:49 AM | Comentários (0)

dezembro 24, 2005

Feliz Natal!!!


árvore natal de ana tropicana

Agarrada às raízes, olhos apontados ao alto, faço o coração soprar ao de leve votos de um Bom (MUITO BOM) Natal para todos. Que a Pororoca me sirva também para deixar um abraço apertado a todos os amigos que não posso tocar daqui.

... Que esta seja, então, uma noite mais verde e mais feliz.
Feliz Natal 2005!

Publicado por Ana Tropicana às 11:57 AM | Comentários (18)

dezembro 23, 2005

Sem Terra Natal


melting de rw

O que tem a ver um cubo de gelo, com a escolha de electrodomésticos para por no sapatinho, e a subida do nível das águas do mar, uns Verões aqui à frente, com a foca da Gronelândia e o urso polar...(já estou sem fôlego!)... e as luzes da árvore de Natal, e as janelas mal calafetadas, e o facto de Lisboa ser uma «cidade à beira-mar plantada»???

O emaranhado das relações está enunciado de forma mais clara (reconheço!) AQUI e é ainda mais claramente demonstrado AQUI.

... É por essas e outras relações menos óbvias que o Pai Natal corre o risco de se juntar ao movimento dos Sem-Terra e se tornar mais um Sem-Abrigo!





Foto: Melting (autor: RW)




Global warming will force Santa into waterwings: WWF
Fonte: Reuters | Data: Thu Dec 15, 2005 07:13

LONDON (Reuters) - Santa Claus may have to swap his sleigh for waterwings sooner than expected as global warming melts his Arctic home, environmental group WWF said on Friday.
A new study for the organization formerly known as the Worldwide Fund for Nature predicts that the earth could warm by two degrees centigrade above pre-industrial levels as early as 2026 -- and by triple that amount in the Arctic.

"This ... could result in Santa's home changing forever," said the report by Mark New of Oxford University.

And Rudolph and his fellow reindeer are not the only creatures under threat -- polar bears, ice-dwelling seals and several forms of Arctic vegetation are also at risk.

"We are already seeing signs of significant change in the Arctic with mountain glaciers retreating, snow cover disappearing, the Greenland ice sheet thinning and Arctic sea ice cover declining," said WWF climate campaigner Andrew Lee.

"All these changes tell us there is no time to lose -- we need to take drastic action now to combat climate change."




Fica a notícia em português. Eles traduziram por nós:



Terra do Pai Natal em risco de desaparecer até ao final do século
Fonte: Observatório do Algarve : Data: 22-12-2005 16:51:00

Um estudo do WWF (Fundo Mundial para a Natureza) sobre alterações climáticas no Ártico alertou hoje para o risco de desaparecimento da terra do Pai Natal antes do fim do século se não forem reduzidas as emissões de gases.

O estudo indica que a Terra pode aquecer mais dois graus acima dos níveis pré-industriais até ao ano 2026 e prevê que o Ártico aquecerá três vezes este valor, alterando para sempre as características do Pólo Norte.

Segundo o WWF, para minimizar os impactos devastadores das alterações climáticas seria necessário reduzir a emissão global de dióxido de carbono, o principal gás com efeito de estufa, em 60 por cento até 2050.

No Verão, o mar gelado do Ártico está já a derreter a uma taxa de quase dez por cento por década. Se a tendência se mantiver, o Oceano Ártico vai estar inteiramente derretido nos Verões próximos do final do século.

O processo pode levar à extinção do urso polar, da foca da Gronelândia e de alguns tipos de vegetação, alertam os ambientalistas.

O aquecimento global pode levar ao derretimento substancial do mar de gelo da Gronelândia, implicando o aumento dos níveis do mar em todo o mundo e afectando milhões de pessoas que vivem em cidades particularmente sensíveis à subida dos mares, incluindo Lisboa.

O WWF lembra ainda que todos podem tomar acções este Natal para reduzir o impacto das actividades humanas sobre o clima como, por exemplo, desligar os aquecimentos se a temperatura for igual ou superior a 10 graus, apagar as luzes da árvore de Natal quando não está ninguém em casa e durante a noite e comprar electrodomésticos eficientes.





Seja como for fica também a notícia na voz do arauto genuíno:



Santa's winter wonderland is melting
Fonte: WWF | Data: Monday 19 December 2005
As Santa prepares his sleigh and reindeer for their annual Christmas journey from the North Pole, WWF sends out an urgent warning that his snowy home is in danger of melting well before the end of this century, unless greenhouse gas emissions are cut drastically.
A WWF study, Arctic Climate Change with a 2 degree C Global Warming by Dr Mark New of Oxford University, suggests that the earth may have warmed by 2 degrees above pre-industrial levels as early as the year 2026. The study used simulations of global climate change to predict that the Arctic will warm by up to three times this amount which could result in Santa's home changing forever.

Santa is not the only resident who will be affected by the devastating impacts of dangerous levels of climate change.

Summer sea ice in the Arctic is already melting at a rate of nearly 10 per cent a decade. If this trend continues the Arctic Ocean will be entirely ice-free in summer well before the end of the century. In the Arctic this could lead to a loss of polar bears, some ice dwelling seals and some types of tundra vegetation as well as leading to fundamental changes in the ways of life of indigenous communities and other Arctic residents, including Santa.

The report points out that on-land warming over Greenland could lead to substantial melting of the Greenland Ice Sheet, contributing to an increase in sea levels around the world. The tens of millions of people living in low lying cities like Dhaka, Bangkok, Calcutta, Manila and the US states of Florida and Louisiana are particularly susceptible to rising sea levels. Greenland contains enough potential meltwater to raise global sea level by about seven metres over a time-scale of centuries.

"We are already seeing signs of significant change in the Arctic with the mountain glaciers retreating, snow cover disappearing, the Greenland ice sheet thinning and Arctic sea ice cover declining. All of these changes tell us there is no time to lose, we need to take drastic action now to combat climate change," said Andrew Lee, Director of Campaigns at WWF.

Global emissions of CO2, the main greenhouse gas, needs to be reduced by 60 per cent by 2050. Renewable energy technologies are available now and in many cases would save consumers money as well as helping the planet.

Although the power sector is the biggest single polluter of CO2, we can all take simple steps this Christmas to reduce the impact our lives have on our climate and help prevent Santa's home from melting - making sure he and other Arctic residents can stay in their winter wonderland.


Top five tips to help combat climate change this Christmas:

Buy a living Christmas tree from a sustainable source. Look after it and you should have it for next year, too.
Turn down the heating thermostat by 1°C. If you're cold put on that Christmas sweater your aunty bought you!
Switch off Christmas tree lights and decorations when you are out or overnight and when the family pop round over the festive period don't leave the TV, computer or stereo on standby - switch them off.
Treat your home and the planet to a Christmas present this year and switch your electricity to a credible green energy supplier. WWF's supplier is Ecotricity, for further details visit: www.ecotricity.co.uk
If you are thinking about buying a new washing machine, refrigerator, dishwasher, or oven in those New Year January sales buy the most energy-efficient model. They will pay for themselves through lower energy bills.




Further information
To find out more about ways in which you can live a greener lifestyle visit our Re-think section. To find out more about WWF's work on in this area visit our Climate Change Campaign website.


Publicado por Ana Tropicana às 02:57 PM | Comentários (0)

dezembro 22, 2005

Entre Amigos

O Nuno (que andou por AQUI e depois AQUI) e o Zé (que esteve AQUI, continuou AQUI, e agora também se estreia a solo AQUI) voltaram. Com Aspirina B. «Não mata mas alivía»!...

Planos para fim de serão: vou conhecer a nova morada dos rapazes (até q'enfim!... eu sei!).

Publicado por Ana Tropicana às 04:05 AM | Comentários (2)

dezembro 20, 2005

Leões Sem Destino


perdidos, na estrada de alex d.

Soube do caso ainda no Domingo: durante a tarde, apareceram cinco leões abandonados na beira de uma estrada em Uberaba, a 472 quilômetros de Belo Horizonte, na região do Triângulo Mineiro, Estado do Mato Grosso. Os animais foram encontrados por agentes da Polícia Rodoviária Estadual na caçamba de uma carreta, no km 40 da rodovia MG-427, que liga Uberaba a Conceição das Lagoas. Hoje fico a saber que o destino dos animais continua por definir.

... E um aperto no coração: de que vale ser rei da selva e ter rumo incerto?






Foto: Amor Sem Uma Cabana (Autor: Alex Durban)



Cinco leões são abandonados em rodovia mineira
Fonte: Estadão | Autor: Eduardo Kattah

Belo Horizonte - O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) busca um destino para os cinco leões que foram abandonados no início da tarde de domingo na rodovia MG-427, próximo a Uberaba, no Triângulo Mineiro.

Os animais - dois machos e três fêmeas - estavam na jaula de uma carreta adaptada e sem qualquer tipo de identificação. Os leões foram deixados na altura do quilômetro 40 da rodovia. A Polícia Militar do Meio Ambiente foi informada do abandono por funcionários de uma usina de álcool localizada nas proximidades.

Os felinos foram levados para o posto de fiscalização da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), a cerca de seis quilômetros de Uberaba.

A PM e o Ibama acreditam que o mais provável é que os leões tenham sido abandonados durante a madrugada por algum circo em turnê pela região do Triângulo Mineiro ou interior paulista. A carreta com os animais foi encontrada a cerca de 1,5 quilômetro de um acesso à divisa com o estado de São Paulo.

"É um problema permanente que a gente enfrenta. É um animal que se reproduz muito em cativeiro, tem um custo muito alto e quando deixa de ser interessante é abandonado. Estamos tentando localizar o proprietário, que tem de ser responsabilizado", afirmou o gerente substituto do Ibama em Minas, Alisson José Coutinho.

O veículo em que estavam os leões não tinha placas e os policiais não haviam encontrado a numeração do chassi. Segundo Coutinho, caso seja identificado, o dono dos animais será enquadrado na lei de crimes ambientais. "No mínimo por maus tratos ele está enquadrado na lei de crimes ambientais".


Zoológico
O gerente substituto do Ibama disse que os animais poderão ser encaminhados amanhã, "em caráter emergencial", para o zoológico de Uberlândia. "Vai ser um apoio emergencial mesmo. O tempo necessário para a destinação final", observou. Segundo ele, a carreta e a jaula estavam em estado "precário". Por isso, o Ibama iria solicitar o apoio logístico de uma transportadora da região.

De acordo com os policiais, aparentemente, os leões estão em boas condições de saúde. Os felinos enjaulados às margens da rodovia chamaram a atenção dos motoristas que trafegavam ontem pela MG-427. "Muitos param, tiram fotos. Viraram atração turística e de uma certa forma estão tumultuando a rodovia", contou o tenente da PM do Meio Ambiente, Alexsandro Augusto Rita.

Para alimentar os animais, os policiais contaram com doações de uma granja e um frigorífico de Uberaba. "Cada animal desse come em média oito quilos de carne por dia. É bem complicado", observou o tenente.




Sobre o assunto, há mais informação AQUI e ajuda AQUI.

Publicado por Ana Tropicana às 11:51 AM | Comentários (3)

Elogio em Tom Maior


«falando...» de bmg

Victória tinha razão (Victória sempre tem razão!): Nana «é sublime», sempre. Mesmo por cima dos anos. Sobretudo, «falando de amor». Assim: de voz vagamente castigada pela vida.


«Esquecendo Você», Nana Caymmi
[in Falando de Amor - 2005]

P.S. - Chegou intacto. Belíssimo. Obrigado!...





Fotos: Nana Caymmi e Dori, representante dos Caymmis, com Daniel, neto de Tom Jobim, durante gravação do CD (Autor: BMG)

Falando de Tom Jobim
Nana, Danilo e Dori Caymmi se juntam a Paulo e Daniel Jobim em álbum que homenageia a obra do "maestro soberano".

Fonte: Revista Época | Autor: Danilo Casaletti | Data: Edição 396 - 19 de Dezembro de 2005


É relembrando sua amizade com Tom Jobim - regada a muito chopp e bolinhos de bacalhau nos bares do Leblon - que Nana Caymmi justifica sua idéia de gravar o álbum Falando de Amor - Famílias Caymmi e Jobim cantam Antonio Carlos Jobim. Junto com ela nesse empreitada, seus irmãos Dori e Danilo - que trabalharam com Tom - e Paulo e Daniel Jobim , respectivamente filho e neto do 'maestro soberano'.

A estreita relação da família começou com os patriarcas Dorival e Tom que foram amigos, confidentes e parceiros. Iniciativa parecida já tinha ocorrido no disco Caymmi Visita Tom (1963) que marcou o encontro dos dois compositores e a estréia do Tom cantor . Mas Nana faz questão de esclarecer que nãos e trata de uma reedição dos disco histórico. 'É um outro momento. Tom não está mais aqui', explica Nana.

Falando de Amor traz 16 faixas e tem a produção de José Milton, fiel escudeiro de Nana, e arranjos de Dori, Paulo e Daniel para faixas como Eu Sei Que Vou Te Amar, Anos Dourados, Desafinado, Praias Desertas, Corcovado, Piano na Mangueira, entre outras.

O álbum ainda traz algumas canções que soam como raridades. É o caso de Bonita Demais, cantada por Daniel Jobim, que até então só tinha letra em inglês, lançada por Tom em 1964. A versão em português é de Vinícius de Moraes e foi encontrada recentemente entre os papéis do poeta. A música, inclusive, faz parte da trilha sonora da novela Belíssima, da TV Globo.

Outra que tem letra inédita é Canção para Michelle, gravada em 1985 como tema intrumental para a minissérie O Tempo e O Vento. 'Fiquei apaixonada por essa música na primeira vez que a ouvi.', conta Nana, que revela ter torturado o amigo para fazer a letra para canção. 'Todas as vezes que nos encontrávamos eu pedia a ele para colocar letra nessa canção'. A tarefa coube ao compositor Ronaldo Bastos e foi registrada por Nana apenas com o acompanhamento de Daniel.

As vozes da Nana, Dori, Danilo, Paulo e Daniel se encontram somente na pouco conhecida introdução de Samba do Avião, que depois ganha decolagem perfeita de Nana. Nas demais faixas, cada um faz sua homenagem ao Tom. Cada um com seu jeito, mas todos mostrando que aprenderam a lição do maestro.

O grande mérito do CD é preservar a música do homenageado. Nada foi desvirtuado. Todas as criações respeitam, como não poderia deixar de ser diferente, a obra do maestro Tom Jobim. Uma aula de música que os cinco aprenderam com ele e agora, definitivamente, provam que foram excelentes alunos.




Fica a entrevista com Nana, na íntegra:




Em entrevista a ÉPOCA Online, Nana Caymmi conta como nasceu a idéia do projeto Falando de Amor - Famílias Caymmi e Jobim cantam Antonio Carlos Jobim e avisa que pretende continuar a gravar a obra do maestro. Ela planeja lançar um disco só com as parcerias de Tom com Vinícius de Moraes e um outro com as trilhas sonoras compostas por Jobim.

Além disso, Nana entra em estúdio no início do próximo ano para gravar um álbum com os sambas-canções de seu pai, Dorival Caymmi. Mais para frente, ela quer lançar outro álbum com os temas de folclore compostos por Caymmi.

O show do álbum Falando de Amor estréia em fevereiro do próximo ano, no Rio de Janeiro, e vai virar DVD.

Confira a entrevista com Nana que, modestamente, confessa. 'Confesso que não pensei que fosse ficar tão bonito, tão gosto de se ouvir! Estou apaixonada por esse álbum'.

ÉPOCA Online - Por que você decidiu revisitar a obra de Tom Jobim nesse momento?
Nana Caymmi- Eu talvez seja a intérprete que mais demorou para dedicar um disco à obra do Tom. Eu gravei diversas vezes com ele no piano. Não fiz ainda por que ainda esteva muito magoada com a morte dele. Quando eu estava fazendo o show Para Caymmi no Canecão, o Danilo (Caymmi) convidou o Paulinho ( Paulo Jobim) e o Daniel para participar do show. Eu olhei para a cara deles e pensei: acho que está na hora de fazermos um disco do Tom. Mas eu não queria nada que lembrasse o Caymmi visita Tom Jobim, mesmo porque ele não está mais aqui. Eles aceitaram a idéia. Mas como todos são muito ocupado, eu decidi tomar a frente do projeto. Fui procurar o repertório sozinho. Depois chamei todos novamente.

ÉPOCA Online - Como foi a escolha de repertório do CD?
Nana Caymmi- Eu queria o Tom no início de carreira, as canções que ele cantava nas boates. O Tom de Copacabana. São coisas que as pessoas ouvem e acham que são músicas inéditas. Todo mundo fica no Chega de saudade, na Garota de Ipanema. Param no João Gilberto. Mas tem muito mais coisa que precisa se tornar popular. Eu vou continuar com outros discos. Quero fazer um só com a parceria de Tom com Vinícius de Moraes. Quero fazer outra com as músicas que ele fez para os filmes...Tem muita coisa. Se fosse em outra país, eu estava feita! Mas aqui tudo depende de dinheiro...É complicado!

ÉPOCA Online - É difícil negociar esse tipo de projeto com as gravadoras?
Nana Caymmi - Bom, isso é um trabalho do meu produtor, o José Milton. Ele tem uma lábia muito boa! (risos). Apresentamos o disco pronto para a gravadora (Sony BMG). Na mesma hora eles aceitaram. Não tivemos problemas.

ÉPOCA Online - Gravar este disco te trouxe uma emoção diferente?
Nana Caymmi- Eu e Tom tínhamos uma ligação muito grande. As vezes penso, tanta gente ruim nesse mundo e Deus resolve levar Tom tão prematuramente. Ele era muito amigo dos meus pais. Sempre moramos no mesmo bairro. Para mim é muito complicado passar pelos locais que ele freqüentava. Há sim toda uma história de dor, mas eu não queria passar isso para o disco. Por isso, eu peguei esse começo de carreira, com letras pequenas , letras de amor...Sei lá, eu não queria pensar que ele não está mais aqui. Mas o Paulinho é a cara dele, me faz lembrar do pai toda hora.

ÉPOCA Online - Então o clima no estúdio foi o melhor possível?
Nana Caymmi- Foi maravilhoso! Trabalhamos arduamente juntos na base. Cada um já sabia o que ia cantar e eles começaram a fazer os arranjos. Depois, cada um foi colocar a voz. Desde o começo eu queria uma coisa simples. Eu não queria fugir muito dos arranjos do originais. Não queria colocar instrumentos diferentes. E sim fazer como Tom fazia com a banda dele.

ÉPOCA Online - Você já dedicou um disco para Caymmi e agora para o Tom...Tem algum outro compositor que gostaria de dedicar um álbum?
Nana Caymmi - Tem tanta gente! Somos tão rico em compositores! Dos antigos eu amor Ary Barroso, Lupicínio, cartola, Braguinha com aquelas marchinhas...Dos mais novos tem Dori e Danilo, Djavan...

ÉPOCA Online - Você concorda com a velha história de que faltam novos compositores?
Nana Caymmi- Compositor não é como ator que vai para um curso e sai gênio. Isso não se aprende. É preciso ter muito talento! Eu lancei vários, como o Kiko Furtado, Dudu Falcão, o próprio Djavan...Tem muita gente boa, mas precisa garimpar. Se eu entrar no estúdio, eu consigo gravar 3 ou 4 compositores novos. Porém, todo artista tem seus compositores preferidos.

ÉPOCA Online - De uns anos para cá, a música tem revelado um geração de novas cantoras. Você acompanha isso? Elas te agradam?
Orlando - As vezes eu sou contra o repertório que elas gravam, não é minha praia. Mas gosto, por exemplo, da Ana Carolina cantando. Quando ela resolve cantar suave é um escândalo! Ainda acho que ela vai fazer uma volta de 90º na carreira. Ele surgiu como uma cantora de impacto, agressiva. Quando eu liguei o rádio outro dia e ouvi ela cantando com o Seu Jorge eu achei lindo! Da Maria Rita, eu ainda não tenho o disco novo. Do primeiro, eu gostei muito. É uma voz fantástica. Musicalmente ela é perfeita. Ela está no juventude da mãe (Elis Regina) que eu, por estar morando na Venezuela, não conheci. Mas é tudo muito autêntico, ela não imita a mãe. É parecido porque é algo que está no sangue. Queriam que ela tivesse a voz de quem? Da Nana Caymmi?

ÉPOCA Online - Por falar em Elis Regina, é verdade que vocês duas não se bicavam?
Nana Caymmi- Elis foi muito amiga até se separar do Ronaldo (Bôscoli). Depois disso ela virou as costas para o Rio de janeiro e ficou contra todos os amigos dele. Aí não dá para segurar com uma pessoa neurótica a esse ponto. Então, me afastei. Ainda teve a história do filho deles, o João Marcello (executivo da gravadora Trama), que foi disputado na justiça. Foi horrível na ocasião. O menino foi muito massacrado pela imprensa e ficou no meio da briga toda. Não posso dizer o que seria das nossas vidas - minha e dela - se a nossa amizade tivesse continuado. Ela nunca me convidou para ir no programa dela. A Elis tinha esse problema com competição. Mas foi isso que aconteceu, não teve briga. Mesmo porque ela tinha um carinho muito grande pelo Dori, que inclusive iria fazer os arranjos do disco que ela iria gravar quando morreu.

ÉPOCA Online - Fazer sucesso ainda te fascina?
Nana Caymmi- Eu não sei se eu fiz esse sucesso todo que as pessoas falam. Eu fui de degrau em degrau, fui conquistando. Sou louca quando criança gosta de mim! (risos) Eu gravei "Fascinação" para uma novela do SBT que entrava depois de uma novelinha infantil chamada "Chiquititas". Aí de repente nos meus shows começou a aparecer um monte de criança para me ouvir cantar. Eu achei ótimo! Na verdade eu acho que já nasci sendo sucesso, ele nunca deu problema para mim...Sempre fui 'filha de'. Nunca fui uma grande venda, mas sempre me preocupei em ficar para história da música brasileira pela qualidade do meu trabalho.










Ficha Técnica:

Lançamento : Falando de Amor - Famílias Caymmi e Jobim cantam Antonio Carlos Jobim
Artistas: Nana, Dori e Danilo Caymmi; Paulo e Daniel Jobim
Gravadora: Sony- BMG


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dezembro 18, 2005

«De Volta ao Lago de Leite»


lago de leite de megaart

Desde 1996 que Cristiane Lasmar, Antropóloga da Universidade Federal do Rio de Janeiro desliza pela região do Alto Rio Negro, tacteando visões do mundo e analisando deslocamentos e trocas entre índios e brancos. Com o pé preso nesse rebojo de matas, focou o olho na experiência das mulheres dos povos Tukano e Aruaque, e narrou a trama de trajectórias dos indígenas que deixam as suas aldeias de origem, e tomam a estrada do Uaupés (afluente do rio Negro) para vir morar na cidade. Desse confabular brotou uma obra belíssima - «De volta ao Lago de Leite» - que agora sai à estampa com a chancela da UNESP.








Os indígenas do ponto de vista das mulheres
Fonte:Correio de Sergipe | Data: 18/12/2005

Primeiro título da Editora UNESP a ser publicado em co-edição com o Instituto Sócio-ambiental e o Núcleo Transformações Indígenas (o próximo será Um peixe olhou para mim), De volta ao Lago de Leite aborda o movimento dos povos Tukano e Aruaque em direção ao mundo dos brancos a partir do ponto de vista das mulheres indígenas. Delineando o sentido deste deslocamento dos habitantes do rio Uaupés (afluente do rio Negro), Cristiane Lasmar produz uma reflexão crítica guiada pela noção de gênero que "torna visível e compreensível a experiência social de mulheres - e homens - que habitam as aldeias e cidades da Amazônia", como salienta Bruna Franchetto, no Prefácio a este trabalho.

Enfrentando os desafios teóricos da etnologia amazônica, Cristiane acompanha as transformações que ocorrem no modo de vida dos índios quando eles deixam suas comunidades de origem e passam a residir na cidade de São Gabriel da Cachoeira (AM). Faz isso atenta às concepções cosmológicas dos índios, observando o modo como o material "civilizado" é apreendido e apropriado pelos Tukanos e Aruaque e como eles constroem a imagem dos índios para si mesmos e como concebem os brancos, as cidades e suas relações com ambos. Assim, o estudo da experiência feminina em São Gabriel da Cachoeira, analisando como as escolhas de vida estavam vinculadas ao sistema de relações sociais, possibilita apreender o universo de sociabilidade indígena na cidade.

Sobre De volta ao Lago de Leite, o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro diz que esta obra traz diversos questionamentos sobre o modo de apropriar-se da "desejável cultura dos brancos" sem ser apropriado por ela e os problemas de manutenção da identidade. E a saúda pela "lucidez com que soube, no sentido mais literal possível, prestar atenção a elas". Privilegiando o ponto de vista dos índios (e, mais especificamente, das mulheres indígenas) sobre o mundo e a vida social, Cristiane aponta para um entendimento mais profundo sobre a questão de convivência entre mundos que são, simultaneamente, tão próximos e tão distantes.
Sobre a autora - Cristiane Lasmar, doutora em Antropologia pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional - UFRJ, faz parte da equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socio-ambiental e é pesquisadora do NúcleoTransformações Indígenas. Desde 1996 realiza pesquisas na cidade de São Gabriel da Cachoeira (Alto Rio Negro, AM), sempre focalizando as transformações experimentadas pela população indígena nos processos de relacionamento com os brancos e com o estilo de vida urbano.





Deixo aqui alguns detalhes sobre a obra:




FICHA BIBLIOGRÁFICA:

OBRA: DE VOLTA AO LAGO DE LEITE
AUTOR(ES): CRISTIANE LASMAR
CAPA: MEGAART DESIGN
ASSUNTO: ANTROPOLOGIA
PÁGINAS: 288
EDIÇÃO: 1ª
ANO: 2005


SINOPSE

O objetivo desta pesquisa foi refletir sobre o movimento dos habitantes do rio Uaupés (afluente do rio Negro) em direção ao mundo dos brancos, buscando delinear o seu sentido segundo os princípios da sociocosmologia nativa. Ela dedica-se a pensar as transformações que ocorrem no modo de vida dos índios uma vez que eles deixam suas comunidades de origem, situadas ao longo de toda a faixa ribeirinha, e passam a residir na cidade de São Gabriel da Cachoeira. Ao se mudar para a cidade, a população indígena realiza um movimento de descida dos rios Uaupés e Negro para se fixar no curso médio desse último. Parte do pressuposto de que uma reflexão sobre o movimento dos habitantes do Uaupés em direção à cidade precisa considerar, de um lado, suas implicações para as relações sociais e o modo como ele se vê implicado por elas; de outro, as concepções cosmológicas que informam a imagem dos índios sobre si mesmos e sobre os brancos.


ORELHAS

De volta ao Lago de Leite é uma obra pelo menos três vezes bem-vinda. Ela é a primeira publicação da série de monografias produzidas pelo NuTI, o Núcleo Transformações Indígenas, criado em 2003 no Museu Nacional tendo em vista a execução do projeto Pronex (CNPq/Faperj) “Transformações indígenas: os regimes de subjetivação ameríndios à prova da história”. Ela é também o resultado inaugural da associação entre o NuTI e o Instituto Socioambiental (ISA), que acolheu a pesquisa de Cristiane Lasmar no rio Negro e soube lhe dar a essencial expressão etnopolítica. Mas a obra deve ser saudada, acima de tudo, por suas qualidades próprias como estudo antropológico: por sua fluência descritiva, sua sensibilidade etnográfica, sua elegância conceitual e sua oportunidade histórica. Ao acompanhar os povos Tukano e Aruaque do rio Uaupés em seu progressivo deslocamento para a cidade de São Gabriel da Cachoeira, no rio Negro; ao descrever este movimento do ponto de vista das mulheres indígenas, ponto de vista já em si marcado pelo descentramento e pela deslocação (as sociedades do Uaupés se organizam em segmentos agnáticos); ao analisar o modo pelo qual o discurso da “comunidade” é utilizado para pensar uma situação em que, justamente, a comunidade deixou de ser uma evidência; e ao determinar teoricamente o processo de alteração da alteridade que redefine a economia sociocósmica nativa ao repor os termos das diferenças internas e externas ao socius, este livro marca, em mais de um sentido, a entrada da antropologia do noroeste amazônico na contemporaneidade. Etnologia indígena com antropologia urbana, comunidade ribeirinha longínqua e bairro da periferia de São Gabriel; casamentos interétnicos contra-associados à produção de uma indianidade genérica face aos brancos e à simultânea reafirmação dos dispositivos indígenas de produção de indivíduos e de distinção de coletivos (hierarquia clânica, segmentação étnica); ritos de iniciação tribal e militância étnica em ONGs, mitos de origem e projetos de educação escolar; virar branco para continuar índio e vice-versa, e pelo avesso, e ao contrário – tudo isso se encontra hoje no coração da Amazônia, ao mesmo tempo e no mesmo lugar, e é descrito de um mesmo fôlego em De volta ao Lago de Leite. As diferenças estão diferindo. Mas como rediferenciá-las, como rediferi-las? Como transformar a transformação? O que fazer diante de uma alteração radical do outro que o muda em Outro, em figura que passa a condensar, sob a máscara do Branco, todas as diferenças significativas e todo movimento “em direção”, e assim impede que os outros desse Outro se constituam como índios pela gestão de suas distinções “internas”? Como evitar se identificar a esse Outro, virando Branco, ou evitar se contra-identificar a ele, virando não-Branco em vez de permanecer internamente diferenciado em Tukano, Desana, Tariana? Como, sobretudo, apropriar-se da desejável cultura dos brancos sem ser apropriado por sua detestável sociedade? “História” é o nome da resposta a essas questões, e devemos saudar De volta ao Lago de Leite pela lucidez com que soube, no sentido mais literal possível, prestar atenção a elas. “Antropologia” é o nome dessa atenção. (Eduardo Viveiros de Castro)

4a CAPA:
Esta obra se constrói a partir dos horizontes de São Gabriel da Cachoeira, cidade amazônica situada no Alto Rio Negro, com a maioria da população composta de indígenas. Tais características esboçam um quadro extremamente instigante de convivência entre índios e não-índios, historicamente cristalizado sob os signos genéricos da exploração, da submissão e, de modo específico, das denúncias de violência sexual contra as mulheres. A antropóloga Cristiane Lasmar, ao estudar os dados de campo à luz da contribuição de sólida literatura, relativa à etnologia amazônica das últimas décadas, realiza uma reflexão densa, questionadora e madura, guiada por uma visão crítica diante da noção de gênero, que aprofunda a compreensão de problemas complexos relativos à nossa história e à nossa gente.

SOBRE O AUTOR:
Cristiane Lasmar, doutora em Antropologia pelo Programa de Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional – UFRJ, faz parte da equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental e é pesquisadora do Núcleo Transformações Indígenas. Desde 1996 realiza pesquisas na cidade de São Gabriel da Cachoeira (Alto Rio Negro, AM), sempre focalizando as transformações experimentadas pela população indígena nos processos de relacionamento com os brancos e com o estilo de vida urbano.


SUMÁRIO

Prefácio
Agradecimentos
Convenções
Mapa do Alto Rio Negro
Introdução
Primeira parte
“Lá se vive como irmão”
Prólogo
1 Visitando a comunidade
Um modelo de estrutura social
A comunidade ribeirinha
A organização social do prestígio
2 Gênero e (re)produção no cotidiano da comunidade
A posição feminina
Casamento e aliança
Aspectos da conjugalidade
Epílogo da Primeira parte
Caderno de ilustrações 1
Segunda parte
Virando branca, mas não completamente
Prólogo
3 Uma cidade e seus significados
Índios e brancos em São Gabriel
História e configuração social
A vista da praia
4 De trajetórias, identidades e corpos
Três histórias de vida
Ser índio na cidade
Casar com branco
5 Conhecer para transformar
O sentido do movimento
Afinal, quem são os brancos?
Uma teoria do conhecimento
A história no mito
Epílogo da Segunda parte
Caderno de ilustrações 2
Considerações finais
Referências bibliográficas
Anexos
1 A viagem da Canoa da Fermentação
2 Mapa da cidade de São Gabriel da Cachoeira

Publicado por Ana Tropicana às 06:53 PM | Comentários (0)

Patrimónios Com Humanidade

Leio, em atraso, a crónica de Zuenir Ventura, e começo o dia em irreparável saudade:

«Fui domingo de manhã à igreja do Rosário dos Pretos assistir à missa rezada em liturgia católica e cantada em música afro-brasileira. Um dia antes voltei à Liberdade, o território sagrado do Ilê Aiyê, dessa vez subindo a lendária ladeira do Curuzu. Sob um sol de 40 graus, visitei o Corredor Cultural que está sendo implantado e comi abará, vatapá e Feijoada de Senzala.»

... Sim, é assim:

«A Bahia dá sempre a impressão de que foi escrita por Jorge Amado, musicada por Caymmi, Gil ou Caetano e filmada por Glauber Rocha ou Sérgio Machado, o do premiado “Cidade Baixa”. Tudo, claro, ao som de um samba-de-roda.»




«Tour Pelas Raízes»
por Zuenir Ventura


13.12.2005 | Até assistir na semana passada a uma apresentação do gênero no Pelourinho, não entendia por que o samba-de-roda do Recôncavo Baiano fora proclamado pela Unesco Patrimônio da Humanidade na categoria “expressões orais e imateriais”. Vendo as velhas baianas rodando e batendo palmas ao som de viola, pandeiro, atabaque e chocalho, percebe-se logo que esse estilo afro-brasileiro condensa o ritmo e o som que embalam o país até hoje, sem falar na influência exercida sobre compositores como Dorival Caymmi, Caetano Veloso e Gilberto Gil.

O espetáculo fazia parte do VI Mercado Cultural, um evento que reúne o que há de mais expressivo no circuito independente e autoral daqui e de fora em termos de música, principalmente. Ouvem-se inesperados sons vindos da Finlândia e da Austrália, mesmo dos EUA, Colômbia e Argentina, ou até do Brasil. Como em geral são produtos ainda não consumidos pela mídia, há sempre a possibilidade de surpresas e novidades.

Entre um show e outro, quis fazer um tour pelas raízes. Fui domingo de manhã à igreja do Rosário dos Pretos assistir à missa rezada em liturgia católica e cantada em música afro-brasileira (só essa celebração vale uma ida a Salvador). Um dia antes voltei à Liberdade, o território sagrado do Ilê Aiyê, dessa vez subindo a lendária ladeira do Curuzu. Sob um sol de 40 graus, visitei o Corredor Cultural que está sendo implantado e comi abará, vatapá e Feijoada de Senzala. O estômago resistiu bravamente, mas um joelho não. Agravado pelas muitas andanças no Pelô, o menisco esquerdo saiu lesionado, justo às vésperas da Copa do Mundo.

Mas compensou. Há anos, cobrindo a Festa de Iemanjá, entrevistei o professor de Direito Joaquim Barbosa Gomes, que ainda não era ministro do Supremo Tribunal Federal. Negro e militante da causa negra, ele tinha várias razões para amar Salvador, entre as quais o multiculturalismo e o respeito à História. “Aqui se respeita o passado”, ele me disse, “as referências estão por toda parte.” Foi então que me dei conta de que, se o Rio é uma cidade geográfica, Salvador é histórica.

Com uma arquitetura de convivência, sincrética, misturando passado e presente, ela traz a cara e a alma encharcadas de reminiscências. Esbarra-se com a História em cada canto. Basta dizer que fez de sua independência uma espécie de data “nacional”. Não é o 7 de setembro que atiça o civismo baiano, mas o 2 de julho, quando em 1823 os portugueses foram expulsos da cidade. Na Bahia, há vestígios do passado até no anacrônico H do nome, tão dispensável em sua função quanto os Fortes protegendo a entrada da cidade.

Essa terra de Todos os Santos, ela própria um patrimônio cultural, não se descobre, se reconhece. Mesmo pela primeira vez, a gente desembarca já carregando uma na imaginação. A Bahia dá sempre a impressão de que foi escrita por Jorge Amado, musicada por Caymmi, Gil ou Caetano e filmada por Glauber Rocha ou Sérgio Machado, o do premiado “Cidade Baixa”. Tudo, claro, ao som de um samba-de-roda.

Publicado por Ana Tropicana às 11:33 AM | Comentários (1)

«A Amazónia é Nossa»

O exército brasileiro está a investigar as ONG's que actuam na Amazónia. Eis na verdade uma questão delicada: distinguir as entidades que desenvolvem um trabalho sério, das que utilizam o pretexto do trabalho de campo para fins mais nebulosos. A transparência é urgente, é certo, mas receio que a vaga de suspeição possa representar também uma tentativa do Estado para neutralizar tantas e tantas vozes incómodas que o interpelam por parte das ONG's.




Forças Armadas investigam atuação de ONGs na Amazônia
Fonte: Jornal do Brasil | Data: 17 Dezembro de 2005 - 18h 51

BRASÍLIA – O Exército brasileiro está investigando a atuação de organizações não-governamentais (ONGs) na Amazônia. A informação é do comandante Francisco Albuquerque, durante audiência pública, esta semana, na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.


Segundo ele, o Exército é favorável à atuação de organismos na área desde que não haja uma desnacionalização da região. ''Os trabalhos de ONGs nos países em desenvolvimento são uma realidade e precisamos entender o que há por trás disso'', afirma ao dizer que ''a Amazônia é nossa'' e que o país lutará para defendê-la e administrá-la.


Para o deputado André Costa (PDT-RJ), autor do requerimento que solicitou a audiência com membros das Forças Armadas, a investigação é uma ação crescente que deve ser trabalhada para se transformar numa política pública brasileira.


O parlamentar enfatizou que muitas organizações são bem intencionadas. Mas disse acreditar que outras "atuam de uma forma um tanto mais cínica, porque atendem ao interesse geopolítico de uma potência, geralmente financiadora desse trabalho, e poderiam ter outras razões além do sentido de cooperação e solidariedade para com os povos da Amazônia". Agência Brasil.




Para associação, suspeita contra atuação de ONGs na Amazônia não tem base real
Fonte: Agência Brasil | Autor: Fernanda Muylaert | Data: 17 de Dezembro de 2005 -18:46

Brasília - A suspeita que levou o Exército a iniciar uma investigação sobre a atuação das organizações não-governamentais (ONGs) na Amazônia "não tem base real". A avaliação é de Alexandre Cicconelo, advogado da Associação Brasileira das Organizações Não-Governamentais (Abong). Ele afirma não ter fundamento a tese de que ONGs são financiadas por recursos de organizações de outros países e por isso agem em defesa de interesses internacionais. "Esse é um argumento simplista, porque mesmo recebendo financiamento de agências de cooperação internacional, não necessariamente defenderemos um interesse específico", conta.

Cicconelo lembra que há três anos uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi instaurada no Senado para apurar a atuação dessas organizações na Amazônia. "Esse discurso que as Forças Armadas usa não tem base em fatos reais e a CPI é prova disso, porque durante todos esses anos de investigação nada foi comprovado", diz.

Para o advogado, o governo brasileiro mostra um medo de um inimigo interno e externo que não existe: "Esse discurso das Forças Armadas até se justifica um pouco pela falta de um papel claro e definido para suas atuações no país. E com todas essas falsas teorias apresentadas, eles usam a tese de um inimigo que pode invadir a Amazônia para justificar alguma atuação da corporação na região".

Publicado por Ana Tropicana às 10:25 AM | Comentários (0)

Mood


a idade dos «porquês» de partimpim

Acordei sem saber o que pensar dos dias. A precisar de um beliscão, sim.

Publicado por Ana Tropicana às 08:58 AM | Comentários (0)

dezembro 17, 2005

Coração Cor de Mel a Derreter


«... e quando o mundo crescer?» de partimpim

... Só para dizer «Obrigado!» às crias. A TODAS: Biá, Matilde, Laura, Pilar, Maria, Lourenço, Salvador, Gonçalo e Diogo.

Lindo o coro das vozinhas desafinadas a cantar na plateia! Melhor que os óculos da Partimpim e os batuques com palmas de água, e os bigodes de gato arisco, e as asas de borboleta da bailarina cor de rebuçado. Muito Melhor!


«Fico Assim Sem Você», Adriana Partimpim
[in Adriana Partimpim - 2004]

Publicado por Ana Tropicana às 08:36 PM | Comentários (0)

Efeito Surpresa


letras e canções de partimpim

Penso que são 17h 30 e é quase noite. Penso que não gosto do Inverno. Penso que é uma triste ideia caminhar ao lado do mar da Palha com este frio. Penso que estou a andar e não sei para onde vou. Penso que as crias estão com ar de quem esconde algum segredo bem guardado. E depois penso como é tão incrivelmente fácil deixar-me guiar com o passo cego: confiado às crias. E penso que bom que era se pudesse ser sempre assim: passo cego e sempre adiante!...

Deixo-me levar pela mão para onde não sei que vou e, de repente, já não faz mal ser quase noite e fazer muito frio.

Publicado por Ana Tropicana às 08:22 PM | Comentários (0)

dezembro 16, 2005

«Touched By The Hand Of God»


25 praias cariocas de vários

Afinal, o Natal chegou-me mais cedo. Acabo de receber, nesta margem do Atlântico, 25 visões do paraíso, em livro de fino trato organizado por Bia Corrêa do Lago e publicados pela Editora Capivara.

São 25 praias cariocas pela lente de 12 excelentes fotógrafos brasileiros: a prova provada de que há lugares «abençoados por Deus / e bonitos por natureza»... Mas que beleza!




Segundo Zuenir Ventura, o jornalista que redige o trecho de apresentação da obra, Praias do Rio: 25 Ensaios Fotográficos, produz «uma tensão estética que leva o observador do estranhamento à identificação, seja pelo inusitado do ângulo ou da perspectiva, seja pelo deslocamento do ponto de vista ou pela diversidade da linguagem e das técnicas, que vão das fotos em cor até as em preto e branco, passando por polaróide ou digital».









Fotos: Ana Carolina Fernandes, Alexandre Sant’Anna, Bruno Veiga, César Barreto, Marcelo Tabach, Márcia Kranz, Marcos André Pinto, Marcos Bonisson, Marco Terranova, Milton Montenegro, Rogério Reis e Zeca Fonseca.

Publicado por Ana Tropicana às 02:24 PM | Comentários (0)

Estatísticas

Isto sim, é trágico: «para cada 1000 crianças índias nascidas vivas, 51,4 morreram antes de completar o primeiro ano de vida». E a lástima aumenta quando o próprio IBGE admite que «a mortalidade infantil indígena pode ter sido subestimada», pelo censo que está na base do cálculo destes números.




Mortalidade infantil entre índios supera de brancos e negros
Fonte: Folha do Amapá | Data: 13/12/05 - 15:15


A taxa de mortalidade infantil entre índios e brancos registrou uma diferença de 124%, segundo os números divulgados pelo IBGE. Com base no Censo Demográfico de 2000, os pesquisadores constataram que para cada 1000 crianças índias nascidas vivas, 51,4 morreram antes de completar o primeiro ano de vida.
No mesmo período, a população branca apresentou taxa de mortalidade de 22,9 crianças por cada grupo de 1000. Apesar de tamanha diferença, o próprio IBGE admite que a mortalidade infantil indígena pode ter sido subestimada.
De acordo com o Sistema de Informação de Atenção à Saúde Indígena (Siasi), órgão ligado à Fundação Nacional de Saúde (Funasa), do Ministério da Saúde, a mortalidade infantil indígena em 2000, mesmo período analisado pelo IBGE, chegou a 74,6 mortes nos primeiros 12 meses de vida.
O índice está bem distante daquele encontrado pelo IBGE, mesmo quando confrontados exclusivamente com a população residente apenas em terras indígenas (45,9 por mil crianças nascidas vivas).

Publicado por Ana Tropicana às 10:07 AM | Comentários (0)

Inquietações

Dois apontamentos que me inquietam particularmente esta manhã:

- No hemisfério Norte, 2005 foi o ano mais quente desde que, em 1860, se começou a medir a "febre" ao planeta.

- A orla das águas, em redor da Praia de Ponta Negra, amanheceu sob um imenso "tapete verde" formado pela moreru, uma planta aquática que, é sabido, desponta sempre que a natureza necessita de sinalizar o seu desequilíbrio.




2005 é ano mais quente da história no hemisfério norte
Fonte: BBC Brasil | Data: 15/12/2005 - 15h50


O ano de 2005 vem sendo o mais quente no hemisfério norte desde que os registros começaram, na década de 1860.

A informação foi divulgada nesta quinta-feira pelo Departamento de Meteorologia Britânico e da Universidade de East Anglia, na Inglaterra.

Os dados mostram que a temperatura no hemisfério norte durante 2005 foi 0,65 graus Celsius superior à da média entre 1961 e 1990, normalmente usada por cientistas como base de comparação.

Segundo os cientistas britânicos, globalmente, 2005 também vem sendo o segundo ano mais quente de que se tem registro.

Globalmente, a temperatura média só é foi inferior à de 1998, cujo número foi inflado pelo fenômeno El Niño.

Os cientistas dizem que o hemisfério norte está se aquecendo mais rapidamente do que o sul porque tem uma proporção maior de terra, que responderia mais imediatemente ao aquecimento global do que os oceanos.




Desequilíbrio forma "tapete verde" em Manaus
Fonte: Terra | Data: Quinta, 15 de dezembro de 2005, 23h10

A capital amazonense registra desde quarta-feira um fenômeno natural inédito: a chegada de grande quantidade da planta aquática conhecida como moreru que formou tapetes verdes sobre vários pontos da orla. O visual esverdeado da praia da Ponta Negra, localizada no lugar mais nobre da cidade, espantou banhistas.
A chegada da planta levantou suspeitas de desastre ecológico e medo de que o espesso capim aquático esteja trazendo para a cidade animais peçonhentos, como cobras, aranhas caranguejeiras, escorpiões, lacraias.

Após analisar em campo a chegada do moreru, a pesquisadora do Inpa, a bióloga Auristela Conserva, informou que a planta aquática não é nociva à saúde. Igualmente, segundo ela, não é habitat de animais peçonhentos. "Na verdade, ela é uma planta que age limpando o meio ambiente", diz a cientista.

As autoridades ambientais suspeitam, porém, que a seca rigorosa pode ter produzido alterações nas populações desta planta. Com a subida das águas, todas as que ficaram desgarradas pela seca, foram arrastadas rio abaixo.

Publicado por Ana Tropicana às 07:53 AM | Comentários (0)

dezembro 14, 2005

Lá: Onde «Cruza a Ipiranga e a Av. S.João»

Fico a saber que nunca mais voltaremos a passar despercebidamente nas avenidas São João e Ipiranga, nem pelos serões na zona do Teatro Municipal, nem na Praça da Sé ou nos passeios pelo Parque Dom Pedro!...

Instalaram 35 cameras para vigiar 93 ruas, no centro de S. Paulo.
R$ 2,4 milhões, foi quanto custou dar-nos "segurança" ao passo.




Centro será monitorado por 35 câmeras
Fonte: Folha de S.Paulo | Autor: Luisa Brito | Data: 14/12/2005 - 10h21


A partir do segundo semestre do próximo ano, a região central de São Paulo contará com um sistema de monitoramento por câmeras. Serão instaladas 35 câmeras para vigiar 93 ruas, a um custo de R$ 2,4 milhões.

Onze equipamentos ficarão na região do Teatro Municipal e avenidas São João e Ipiranga, entre outras, nove na área da praça da Sé, cinco na região do parque Dom Pedro, quatro na Nova Luz (ex-Cracolândia) e quatro no Vale do Anhangabaú. Outras duas devem ser instaladas no alto do prédio da prefeitura.

Os equipamentos serão capazes de girar 360º e poderão monitorar áreas a mais de mil metros de distância. Quando instalados sobre prédios, podem captar imagens de diversas ruas.

Segundo a assessoria de comunicação da GCM (Guarda Civil Metropolitana) - que fez o projeto de instalação em parceria com a Subprefeitura da Sé -, os locais foram definidos de acordo com o campo de abrangência visual, a facilidade de manutenção e a proteção contra chuvas e danos.

A central de monitoramento ficará na sede da GCM e fará parte de um sistema integrado de comunicações do qual a Polícia Militar deve participar.


Revitalização

Também ficarão para 2006 duas das obras mais importantes do projeto de revitalização da região central: as reformas das praças da Sé e da República.

Previstas para começar neste ano, as obras não tiveram nem o edital de licitação lançado.

De acordo com a Subprefeitura da Sé, não houve atraso, pois os prazos estipulados anteriormente eram técnicos porque dependiam da tramitação junto ao BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), que liberou a verba para o serviço.

Segundo o subprefeito, Andrea Matarazzo, o banco solicitou alguns ajustes nos editais.

A restauração da praça da Sé está orçada em R$ 5,15 milhões e a da República, em R$ 4,5 milhões.

Pelo novo cronograma, o edital de licitação será lançado no próximo mês e as obras devem começar em abril.





Sobre as virtudes do «monitoramento» há mais AQUI.

Publicado por Ana Tropicana às 11:10 PM | Comentários (0)

dezembro 12, 2005

Mood

Mal acostumada, ainda aninhada no conforto manso destes últimos cinco dias tão próxima das coisas da terra, preparo-me a contra-gosto para regressar ao centro de burburinhos e corropios. Vale-me o ocre do Sol de Inverno contra o céu turqueza, na manhã fria.

P.S. - ... Quantos dias faltam mesmo para as férias de Natal!?

Publicado por Ana Tropicana às 09:06 AM | Comentários (0)

dezembro 11, 2005

Por Arenas da Roma Antiga


o prisioneiro de animal

No seguimento de uma investigação sob disfarce, iniciada em Agosto de 2003, a Animal Defenders International (ADI) e a ANIMAL acabam de divulgar um relatório pioneiro sobre a realidade de vida dos animais que integram as companhias de circo portuguesas. Elementos das organizações conseguiram ser aceites como empregados, tendo fotografado e gravado diversos materiais em video que comprovam diversas situações de maus tratos e abusos graves. Na investigação foram alvo de observação grandes companhias de circo, como Victor Hugo Cardinali, Chen 1 e 2, Soledad Cardinali, Roberto Cardinali, Atlas, David Cardinali, Dallas, Americano e Magic.

As imagens foram colocadas on line AQUI e o relatório «Basta de Sofrimento Nos Circos» está disponível para download AQUI.




Activistas da Animal acorrentaram-se duas vezes no Porto
Contra animais nos circos

Fonte: O Primeiro de Janeiro | Autor: Isabel R. Monteiro | Data: 11 de Dez 2005

Contra o uso de animais nos espectáculos de circo, activistas da Animal acorrentaram-se ontem no Parque da Cidade, em frente à entrada do Circo Soledad Cardinali. Miguel Moutinho denunciou as “condições miseráveis e violentas” registadas numa investigação recente.

A Associação Animal promoveu ontem no Porto duas acções para alertar a população para as condições em vivem os animais dos circos portugueses. Cerca de uma dezena de activistas acorrentaram-se de manhã na Rua de Santa Catarina e de tarde no Parque da Cidade, junto da entrada do Circo Soledad Cardinali, uma das companhias que a Animal diz ter condições inadequadas para os animais.
Na base desta campanha pública, que em acções futuras deverá ser repetida em Vila Nova de Gaia e Lisboa, está a observação de investigadores em Agosto de 2003 e entre Junho e Agosto deste ano das actividades de 11 circos com animais, uma exposição de serpentes e animais e um circo sem animais. Na investigação foram alvo de observação grandes companhias de circo, como Victor Hugo Cardinali, Chen 1 e 2, Soledad Cardinali, Roberto Cardinali, Atlas,
Davide Cardinali, Dallas, Americano e Magic. Os resultados desta investigação são resumidos por Miguel Moutinho, director executivo da Animal, que em declarações ao JANEIRO relatou as “condições miseráveis e violentas” em que vivem os animais. Durante estes meses em que um dos activistas conseguiu emprego no Circo Soledad Cardinali e registou imagens em vídeo e fotografia, a Animal conclui
que o problema de reclusão dos animais “é agravada” em Portugal com “alojamentos inadequados para as espécies” e que a violência usada passa por situações como “elefantes a serem agredidos com ganchos e aguilhões de metal, e espancados e agredidos na cabeça”. Os animais são normalmente enjaulados em exíguos espaços, poucos mais largos do que o próprio corpo e, segundo a associação, nem sempre as condições de limpeza são asseguradas.
Durante a permanência do activista no Circo Soledad Cardinali, diz Miguel Moutinho, foi registado um pónei a ser esbofeteado esmurrado e chicoteado sucessivamente durante uma sessão de treino para que se mantivesse e caminhasse apenas sobre as suas pernas traseiras. Estas são algumas das situações que a Animal quer divulgar junto da população em geral, manifestando-se contra o uso de animais nos circos. A investigação foi também divulgada junto das entidades governamentais e bancadas parlamentares, com o objectivo de fazer cumprir parca legislação que existe neste sector, nomeadamente as inspecções da Direcção-Geral de Veterinária.
Joaquim Cardinali, responsável pelo Circo Soledad Cardinali, em declarações ao JANEIRO desvaloriza as acusações e exorta a que a Animal apresente queixa às entidades competentes quando tem provas de que os animais são mal tratados nos circos.




Uma nota minha:

O recurso a animais em espectáculos de circo foi proibido na Áustria, nos estados brasileiros do Rio de Janeiro e de S. Paulo, e em dez municípios da Irlanda e outro da Croácia.

Está a circular uma petição europeia para incentivar a Comissão Europeia a produzir uma directiva de teor semelhante.

Publicado por Ana Tropicana às 11:39 PM | Comentários (2)

Michelle Bachelet II

Pronto! Confesso que corro para saber novidades do Chile: as primeiras contagens de votos dão vantagem a Michelle Bachelet, a mulher que quer ser Presidente no País de Allende.




Chile/Eleições: Encerraram primeiras mesas de voto, Bachelet à frente
Fonte: LUSA | Data: 11-12-2005 21:02

A contagem dos votos das eleições presidenciais e parlamentares hoje realizadas no Chile já começou em diversos pontos do país, após o encerramento das primeiras mesas de voto, ocupando a socialista Michelle Bachelet a dianteira.

No Chile, não existe um encerramento oficial das assembleias de voto e cada mesa inicia a contagem ao fim de nove horas ininterruptas de funcionamento.

Se, ao chegar a hora do encerramento, houver eleitores à espera para votar, a mesa deverá manter-se aberta até atendê-los todos.

Quando uma mesa de voto é aberta com atraso, só é encerrada depois de cumprir as nove horas de funcionamento regulamentares.

Quando já não há eleitores, o presidente da mesa chama, de viva voz, os que não se apresentaram para votar e só quando tem a certeza de que não aparecerá mais ninguém é que procede ao encerramento formal e inicia a contagem dos votos.

O escrutínio é público e o presidente da mesa anuncia em voz alta cada voto, mostrando, além disso, o boletim aos espectadores, para que confirmem que deu a informação correcta.

Bachelet, candidata pela Concertación por la Democracia, vai em primeiro lugar, seguida do empresário da direita liberal Sebastián Piñera, do ultra-conservador Joaquín Lavín e, por último, do esquerdista Tomás Hirsch.

O reduzido número de mesas cujos votos foram até agora contados não permite fazer uma estimativa de percentagens, importante para saber se haverá uma segunda volta a 15 de Janeiro ou se as eleições ficam hoje decididas.


Publicado por Ana Tropicana às 10:59 PM | Comentários (0)

Os Novos Bárbaros

Na praia de Cornulla, em Sidney (Austrália), alguém escreveu na areia: «"100% Aussie Pride». Depois, cerca de 5 mil pessoas - ao que parece, na sua maioria, veraneantes e surfistas - perseguiram e atacaram violentamente todos os jovens que aparentavam ter origem árabe.
Vi as imagens: tão inqualificáveis que me apetecia usar a areia da mesma praia para reescrever a velha máxima surfista: «Destroy waves, "not people"»




Jovens atacam originários do Oriente Médio na Austrália
Fonte: Agência Estado | Data: 16:48 11/12


Milhares de jovens brancos atacaram pessoas originárias do Oriente Médio e policiais em um subúrbio na praiano de Sydney, na Austrália, no que autoridades classificaram de distúrbios raciais. Uma pessoa foi esfaqueada e está em estado grave. Pelo menos 12 pessoas foram presas por agressão e outras ofensas e várias ficaram feridas em brigas na praia de Cronulla.


No final da noite, a violência havia se espalhado para pelo menos um subúrbio próximo.


Mais cedo, os jovens brancos se aproximavam de pessoas com "aparência mediterrânea ou do Oriente Médio" e as agrediam verbal e fisicamente, segundo o subcomissário de polícia Mark Goodwin.


Muitos dos jovens carregavam garrafas de cerveja, agitavam bandeiras australianas e gritavam ofensas contra o Oriente Médio em resposta a notícias dando conta que jovens de origem libanesa tinham atacado no último fim de semana dois salva-vidas.


Um adolescente branco tinha pintada nas costas a frase: "Nós nascemos aqui, vocês vieram para cá". Na praia, alguém escreveu: "100% orgulho Aussie."


Dois paramédicos numa ambulância foram feridos quando tentaram tirar jovens de aparência mediterrânea de um clube de surfe onde tinham procurado abrigo. A multidão quebrou as janelas da ambulância, chutou suas portas e atacou os paramédicos.


Alguns jovens brancos pisotearam veículos da polícia e outros carros. Policiais reagiram com cassetetes e spray de pimenta.


O presidente da Associação da Amizade Islâmica da Austrália, Keysar Trad, disse que a violência foi incitada por talk shows de rádio depois do incidente com os salva-vidas.


O comissário da polícia estadual, Ken Moroney, prometeu agir contra aqueles que alimentam tensões étnicas. "Claramente houve um nível de demonização racial... e aqueles que se comportaram desta forma serão processados", garantiu.



Tensões étnicas em praia da Austrália
Fonte: Reuters | Data: 11/12/2005 - 18h27m


SYDNEY - Tensões étnicas se transformaram em episídios violentos no litoral de Sydney neste domingo, quando cerca de 5 mil pessoas atacaram jovens de origem árabe dizendo que estavam defendendo seu pedaço da praia.

Com gritos de guerra racistas, milhares de surfistas e freqüentadores se reuniram na praia de Cronulla depois de dois salva-vidas terem sido atacados no domingo passado por um grupo de jovens do subúrbio.

Bêbados, muitos deles perseguiram e atacaram australianos com traços árabes na praia do sul de Sydney. A polícia tentou conter a violência.

Na noite de domingo, a violência tinha se estendido a outra praia, Maroubra, onde homens armados com tacos de beisebol arrebentavam carros. A polícia afirmou que um homem foi esfaqueado pelas costas no sul de Sydney, em um incidente ao qual a mídia local se referiu como violência racial.

No momento em que os manifestantes andavam pela praia, um homem atrás de um caminhão gritava contra os libaneses. Outros carregavam bandeiras da Austrália.

A polícia prendeu 12 pessoas por comportamento ofensivo e bloqueou as vias que levam à praia de Cronulla, já cheia de garrafas de cerveja quebradas.

Na semana passada, no mesmo local, dois salva-vidas sofreram um ataque. Dias depois, jovens agrediram uma equipe de um veículo de imprensa.

Após o ataque aos salva-vidas voluntários, uma campanha por meio de mensagens de celular começou, convocando os residentes de Cronulla a se reunirem neste domingo para proteger sua praia.


Publicado por Ana Tropicana às 09:30 PM | Comentários (0)

Dorothy Stang II


«a morte da floresta é o fim da nossa vida» de ana tropicana

É com agrado e um pouco mais apaziguada que percebo que, à semelhança da imprensa internacional, também em Portugal o julgamento dos acusados pelo assassinato da freira missionária, Dorothy Stang - a 12 de Fevereiro deste ano, em Anapu, na região amazónica do Pará - foi considerado digno de ser notícia (vá lá!...). Foram raros os meios de comunicação que não dedicaram espaço ao caso, como se pode observar AQUI. Quero crer que é um sinal de que o mundo começa a acordar para as atrocidades acontecidas ao longe, no útero isolado da Grande Mata. Pelo menos sinto aquecer a esperança de que se caminhe para o fim das impunidades que, há séculos, por lá reinam.






























Fotos: Julgamento do Caso Dorothy Stang (Autor: Oswaldo Forte e Cláudio Pinheiro)




Assassinos de Dorothy Stang são condenados
Fonte: Estado de São Paulo | Autor: Roldão Arruda | Data: 10 Dezembro de 2005 - 20h 15

A Justiça do Pará condenou na noite deste sábado Rayfran das Neves Sales a 27 anos de prisão pelo assassinato da missionária americana Dorothy Stang. Clodoaldo Carlos Batista, que acompanhava Rayfran no momento do crime, foi condenado a 17 anos de prisão.

A freira foi morta com seis tiros em 12 de fevereiro último em um acampamento de trabalhadores rurais, a 50 quilômetros de Anapu, no sudoeste do Pará.

Logo após o juiz Cláudio Montalvão das Neves, titular da 2ª Vara Penal do Tribunal do Júri, ter anunciado o resultado da sentença, o irmão da missionária, David Stang, que permaneceu no tribunal durante os dois dias do julgamento, comentou: “Esse é um grande dia, é um grande começo para a família Stang. Nós vamos voltar aqui para acompanhar cada um dos próximos julgamentos.”

David e a irmã Margarida fizeram vários elogios à Justiça do Pará, que teria prestado um grande serviço não só à família, mas também aos pobres de Anapu que eram defendidos por sua irmã. O júri rejeitou todas as teses da defesa, incluindo a de que não houve recompensa financeira para a execução. Isso foi comemorado pelas entidades de defesa de direitos humanos, pois facilita o caminho para o julgamento dos fazendeiros acusados de sem

O julgamento, que começou na sexta-feira às 8h40 e prosseguiu até as 19h30 - foi reiniciado pela manhã com as alegações finais do promotor de Justiça Edson de Souza. Logo no início da intervenção, ele deixou clara a intenção de pedir pena máxima para Rayfran e Clodoaldo Carlos Batista.

De acordo com o promotor, foi um homicídio qualificado - planejado, mediante promessa de pagamento, e no qual a vítima não teve nenhuma chance de defesa.

Uma das principais preocupações do promotor Souza foi tentar derrubar a tese da defesa de que Clodoaldo teria tido uma pequena participação no crime e até procurou demover Rayfran do intento.

Segundo a tese do promotor, Clodoaldo teve participação direta no crime. “Já pudemos ver que Rayfran é instável emocionalmente, mudando de opinião com facilidade, enquanto Clodoaldo é mais duro, domina melhor as situações”, afirmou. “A arte de matar está no Rayfran, mas a arte de conceber o crime intelectualmente está neste outro homem aqui”, completou, apontando para Clodoaldo, que, à frente dele e de costas para o júri, ouvia de cabeça abaixada.

O promotor também disse que irmã Dorothy, “senhora de comportamento humilde, mas de inteligência acima da média”, sabia que o controle da situação estava nas mãos de Clodoaldo e por isso dirigiu-se a ele, no rápido diálogo que teve com os dois antes de receber os seis tiros. “Quando sentiu que ia morrer, foi a ele que a Dorothy se dirigiu, tentando estabelecer um diálogo.”

No primeiro dia, a principal novidade do julgamento foi a mudança de comportamento dos dois acusados, que passaram a apontar como mandante do crime o patrão deles, o fazendeiro Amair Feijoli da Cunha, o Tato. Até agora ele era apontado como intermediário da execução da religiosa.

Publicado por Ana Tropicana às 05:35 PM | Comentários (0)

Banho Verde


novidade de o boticário

Entrar no dia assim: mergulhando ervas de chá verde. Como se o despertar no rebordo da Floresta amanhecesse ainda no pé da minha rede, ao alcance estremunhado da minha mão.

(...)

Recordo-me do meu próprio espanto (como se não fosse o Brasil o país-berço dos génios publicitários!) ao dar com o slogan na vitrine da loja da Av. das Américas, lá no bairro da Tijuca: «Você pode ser o que quiser», podia ler-se em maiúsculas.
Agora - aqui - a destilar bálsamos de chá verde contra o frio de morte de Lisboa, que vai embaciando por fora os vidros da janela do banheiro, constato mais uma vez que a noção de empowerment se transmite, com elevado teor de eficácia, sempre que implícita nas coisas mais aparentemente triviais do quotidiano!

(...)

Quatro gotas da botica, pele branca em águas verdes e alguns milagres a acontecer. Há, sim: Domingos perfeitos.

Publicado por Ana Tropicana às 09:08 AM | Comentários (0)

Último Capítulo


boi campeão de rede globo

Dou comigo a olhar para o ecran. A princípio é aquele olho de boi que me chama. Como chamou "Tião", fico eu a saber num pronto resgate da trama, feito em arrepio sobre a mesa do restaurante, especialmente para mim, que perdi meses de enredo e preciso conhecer o fio à meada. A princípio foi, pois, olhar aquele boi que se fosse de pano, podia ser o meu... E pergunto-me como terá sido a noite em que passou o último episódio, lá no Amazonas?!... Imagino as cadeiras dispostas na frente das casas, o televisor no parapeito das janelas, voltado para a rua... homens, mulheres, velhos, crianças, casados, solteiros, largados, juntos ou viúvos... todos vibrando com o frame de cada cena em despedida, discutindo alto o destino guardado às personagens, chorando, rindo, batendo palmas, gesticulando e falando alto: vivendo cada história como sua, vivendo em cada história a sua própria história. E comovendo-se: comovendo-se sem o pudor urbano dos que engrossam à sucapa o share da emissora, mas que já perderam o dom de se emocionar.

«Tem histórias que precisam de meses para se resolver. Tem histórias que levam anos. Tem outras que levam muitas vidas.»

Terminou a novela América. Em Portugal.

Publicado por Ana Tropicana às 02:18 AM | Comentários (0)

dezembro 10, 2005

Manipulações, Ingerências, Promiscuidades e Afins

Um excelente trabalho de reportagem do pessoal do jornal A Crítica, revela que «25% dos 74 políticos com mandatos na Câmara de Manaus, na Assembleia, no Congresso e no Governo do Estado do Amazonas», tem a seu cargo a apresentação de programas, actualmente no ar, na rádio e na TV.
Perturbador! Muito. Deveras.




Programas que produzem mandatos
por Antonio de Souza (jornalista do 24 Horas News) | Data: 08/12/2005 - 15h00


Principal jornal do Amazonas, “A Crítica” publicou, em novembro, reportagem extremamente esclarecedora (e até perturbadora) sobre a utilização cada vez maior de veículos de Comunicação como instrumentos de campanha político-eleitoral. Casos específicos do rádio e da TV.

Segundo o levantamento, até este mês, estarão no comando de programas de rádio e televisão 25% dos 74 políticos com mandatos na Câmara de Manaus, na Assembléia, no Congresso e no Governo do Estado. Hoje, esses políticos são apresentadores de programas nesses dois veículos, principais meios de comunicação de massa.

Em Mato Grosso – especificamente em Cuiabá -, o principal meio de comunicação utilizado como palanque é a TV. Diariamente, em algumas das principais emissoras, o telespectador é brindado com programas “populares”, geralmente, em horário nobre (entre 11h e meio-dia). Para quem gosta, é um excelente acompanhamento na hora do almoço. Com o risco, claro, de ter uma indigestão.

Exceção feita à TV Centro América – que, como afiliada da Rede Globo, resiste ao formato e tenta seguir os famosos padrões globais de qualidade -, as demais emissoras não oferecem o mínimo de qualidade em matéria de programação nessa faixa de horário. A falta de opção para o telespectador é tanta, que, se por ventura ele evitar, digamos, a TV Brasil Oeste (Band/8), onde o deputado Sérgio Ricardo (PPS) faz campanha eleitoral explícita e abusa do clientelismo (é incrível como esse político acha solução para tudo e assume a paternidade de obras públicas com uma naturalidade incomum) e mudar para a TV Cidade (SBT/12), simplesmente trocou seis por meia-dúzia.

Se fugir do SBT, para evitar o populismo e a campanha eleitoral permanente e não menos explícita - com doses generosas de clientelismo - do vereador Walter Rabello (PMDB), o telespectador escolhe entre se render aos “padrões globais” que impedem sua afiliada de ter programação regional ou aos sermões dos manjados “bispos” da Igreja Universal do Reino de Deus. Essa igreja, por sinal, cuja teologia e atos, posições sociais e morais e métodos de trabalho são duramente criticados tanto por leigos quanto por religiosos de outras linhas, justamente por se envolver direta e abertamente em questões políticas.

Pode o telespectador optar pela Record (Canal 10), que nesse horário mantém em evidência o sangüinolento “Cadeia Neles”, apontado como responsável pela eleição de um deputado estadual (Clóvis Roberto, ex-PSDB e hoje no PPS, numa estranha uma troca de camisa) e um federal (Lino Rossi, que se notabilizou muito mais pela troca de partidos, de acordo com as suas conveniências, do que propriamente pela defesa do povo). Se preferir a TV Rondon (Rede TV!/5), num horário menos nobre (final da tarde), vai dar de cara com o jornalista Maksuês Leite (PDT), que tentou ser prefeito de Várzea Grande e, hoje, sonha com uma vaga na Assembléia Legislativa.

Nada contra os apresentadores, embora alguns deles achem que o fato de atuar no horário nobre e num veiculo poderoso lhes dá o direito de se apresentar aos olhos do público como uma espécie de panacéia; muito menos contra as emissoras que os acolheram, certamente com o objetivo, cada uma a seu modo, de fazer face à concorrência. O problema é que, a cada dia que passa, fica patente que esses programas não foram produzidos para discutir soluções políticas, nem tampouco para resolver os problemas do cotidiano. Na verdade, eles contribuem para que estes problemas continuem mais evidentes.

O alto índice de políticos presentes na mídia, na apresentação de algum tipo de programa, em sua maior parte na linha populista e clientelista, cita o professor-doutor Narciso Júlio Freire Lobo, da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal do Amazonas, torna extremamente frágil o próprio conceito de política quando entendido como meio de inclusão do povo no debate de idéias. Traduzindo: a mídia deixa de ser um espaço para as necessárias discussões coletivas e vira um meio individualizado de propagação de idéias, transformando-se num poderoso palanque político-eleitoral.

Em vez de solução para os problemas do povo, esses programas na TV produzem mandatos e sinecuras. Desconfie quando certas emissoras anunciam mudanças na sua grade de programação, prometendo ampla participação popular.

Publicado por Ana Tropicana às 04:24 PM | Comentários (0)

«FastMinds»

«a revolutionary program that boosts your brain power to the maximum possible with minimal effort.»

Agradeço à Filipa por quase me ter enlouquecido!... Não aguentei chegar às 24 horas com o programa instalado.
Ainda assim fica o link. O download é gratuito. A experiência é no mínimo sinistra.

Go ahead, see for youself - AQUI.

Publicado por Ana Tropicana às 02:22 PM | Comentários (0)

Pretty in Pink


ratzr V3 pink version de motorola

My Whishing List - Um besouro falante novo. Quero este.

P.S. - E sim, tem que ser nesta cor: "marquinhas" assumido.





Foto: Divulgação Oficial (autor: Motorola)



Resigno-me à necessidade: preciso de trocar de telefone. E (pasme-se), desta vez até já sei qual quero. Very femish, eu sei. Paciência! Cansei-me dos modelos radicais: muito promissores, mas demasiado problemáticos. Vai-se ver, a bateria é fraca, a captação de antena perde facilmente o alcance e a verdade é que não são nada, mas mesmo nada resistentes. Um autêntico "flop": recuso-me a cair na esparrela pela terceira vez!

Publicado por Ana Tropicana às 01:46 PM | Comentários (0)

dezembro 09, 2005

Frase do Dia

«Crocodilo que dorme demais vira mala de senhora»
Autor Desconhecido

Publicado por Ana Tropicana às 03:11 PM | Comentários (0)

Entre Gregos e Troianos


por cima das tuas cinzas de galp

É vertiginosa a rapidez com que Portugal se senta e se levanta e volta a sentar-se à mesa!... No dia em que se encerra a Conferência de Montreal - a cuja mesa se sentou para assinar o compromisso de controlar os níveis de emissão de poluentes para a atmosfera - o Governo português pula de cadeira e ocupa o seu lugar numa outra mesa que já tinha à espera, para nova assinatura, desta vez destinada a viabilizar o acordo para a construção de uma megarefinaria - a maior da Península Ibérica - na costa de Sines.




Energia: Acordo para construção de mega-refinaria em Sines é assinado hoje
Fonte: LUSA | Autor: JB | Data: 09-12-2005 7:45


O Governo vai assinar com um grupo de investidores internacionais liderado por Patrick Monteiro de Barros um memorando de entendimento para a construção de uma nova mega- refinaria em Sines, noticia hoje a imprensa.

O Diário Económico avança que o acordo de entendimento para a construção da maior refinaria de petróleo da Península Ibérica é assinado hoje à tarde.

Este jornal acrescenta que o projecto, que deverá estar operacional logo no início de 2009, representa um investimento na ordem dos quatro mil milhões de euros.

A futura refinaria deverá ter uma produção estimada em 300 mil barris por dia, mais de uma vez e meia a actual produção da refinaria da Galp de Sines.

De acordo com o Diário Económico, a refinaria dedicará metade do seu esforço à transformação de crude em gasóleo, destinado aos mercados externos, principalmente aos Estados Unidos.

A refinaria começará a ser construída no próximo ano, deverá criar cerca de 800 novos postos de trabalho, e ainda mais no período de construção, adianta o Diário de Notícias.

Já existem em Portugal outras duas refinarias de menor dimensão.




Energia: Nova refinaria dificulta cumprimento do Protocolo de Quioto -Quercus
Fonte: LUSA | Autor: SB | Data: 09-12-2005 10:11


A associação ambientalista Quercus disse hoje que a construção de uma nova megarefinaria em Sines vai dificultar o compromisso de Portugal em cumprir o protocolo de Quioto sobre a emissão de gases poluentes.

A imprensa noticia hoje que o Governo vai assinar com um grupo de investidores internacionais liderado por Patrick Monteiro de Barros um memorando de entendimento para a construção de uma nova mega- refinaria em Sines, que será maior da Península Ibérica.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Quercus, Hélder Spínola, disse que a "construção de uma refinaria é sempre um projecto que causa preocupações ambientais" e, que, no caso de Portugal, vai dificultar o compromisso de Quioto.

O ambientalista chamou ainda a atenção para a necessidade de um estudo ambiental à construção da refinaria, "que ainda não deve ter sido realizado dado que a situação é ainda muito prévia".

Hélder Spínola considera importante fazer-se a avaliação do impacto da nova refinaria - a instalar em Sines - na população local.

"A nossa economia está fortemente dependente do petróleo, por isso encaramos isto (construção da nova refinaria) como uma inevitabilidade", acrescentou.

Face a essa inevitabilidade, a Quercus chama a atenção para a utilização de novas tecnologias que minimizem os danos ambientais da refinaria.

O Diário Económico avança hoje que a futura refinaria deverá emitir 2,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano, valor que Hélder Spínola considera "elevado", mas "difícil de evitar tendo em conta a dimensão do projecto".

O Diário Económico avança que o acordo de entendimento para a construção da maior refinaria de petróleo da Península Ibérica é assinado hoje à tarde.






Foto: Sines: costa alentejana ou «O Cemitèrio do que Podiam Ser Boas Memórias» (Autor Desconhecido)


Publicado por Ana Tropicana às 01:01 PM | Comentários (0)

Dia Mundial Contra a Corrupção

Quando se pensa na luta de tanta gente, pelos séculos e pelo mundo, em nome do direito ao livre exercício de cidadania implícito na constituição de um partido político, é sempre uma dor ler:

« Os partidos políticos são considerados em todo o mundo como a instituição mais corrupta»

A conclusão é de um estudo revelado pela ONG Transparency International (TI). O Relatório está disponível para consulta na íntegra AQUI.




Corrupção: Partidos políticos são instituição mais corrupta, relatório
Fonte: LUSA | Autor: JPA | Data: 09-12-2005 1:51

Os partidos políticos são considerados em todo o mundo como a instituição mais corrupta, revela a Organização Não Governamental T ransparency International (TI) num relatório divulgado hoje, Dia Mundial das Naç ões Unidas contra a Corrupção.

"Os partidos políticos são encarados como os mais corruptos" em 45 dos 69 países abrangidos por um inquérito, no qual foram ouvidas cerca de 55.000 pessoa s, afirmou Huguette Labelle, a presidente do TI, ao apresentar em Londres o "Bar ómetro Mundial da Corrupção 2005".

"Globalmente, os partidos políticos foram, de longe, encarados como as ins tituições mais corrompidas da sociedade. Trata-se de um número superior ao apura do no ano passado, onde só 36 dos 62 países envolvidos no inquérito manifestaram essa opinião", acrescentou.

A TI sublinha que a corrupção tem tanto mais impacto sobre a via pessoal d os cidadãos quanto mais pobres eles são. Para 43 por cento das pessoas com rendi mentos baixos a corrupção afecta-os muito ou de forma mediana, contra 36 por cen to dos que têm rendimentos elevados.

A sondagem efectuada pela Gallup para a TI revela também que a maioria dos entrevistados (57 por cento) considera que a corrupção aumentou nos três último s anos, enquanto para 27 por cento ela mantém-se estável e apenas 10 por cento a cha que diminuiu.

O pessimismo também se revela quanto ao futuro: 44 por cento dos interroga dos pensa que a corrupção vai aumentar nos próximos três anos, 30 por cento que vai continuar no mesmo nível e 19 por cento que vai diminuir.

Paradoxalmente, África é a excepção, pois no continente africano são as fo rças policiais que são consideradas como a instituição mais corrupta e não os pa rtidos políticos.

Além das formações partidárias, as outras instituições tidas como as mais corrompidas variam conforme as regiões, desde os parlamentos à polícia, passando pelos sistemas judiciários, pelas alfândegas e pelas administrações fiscais.

Os países desenvolvidos e os seus sistemas democráticos também não são pou pados pela corrupção.

Entre os países ricos "onde os partidos políticos foram classificados como a instituição mais corrupta" a TI indica a Alemanha, Canadá, Espanha, Estados U nidos, Finlândia, França, Israel, Itália, Japão, Luxemburgo, Reino Unido e Suíça .

Na Europa ocidental, as instituições tidas como mais corrompidas, depois d os partidos, são os parlamentos, os sectores de negócios e os media.

As Organizações Não-Governamentais e as instituições religiosas são consid eradas as instituições menos corrompidas em todo o mundom, embora a Turquia mani feste dúvidas sobre as ONG's e o Japão, Grécia e Israel também o façam relativam ente às entidades religiosas.

"Os resultados deste inquérito são um sinal de alarme. Mas as coisas podem mudar", mas para isso é necessário haver liderança e pressão por parte da opini ão pública em cada país", considerou Huguette Labelle.


Publicado por Ana Tropicana às 12:43 PM | Comentários (0)

Michelle Bachelet

«Tengo opinion / Tengo voz / Tengo seguridad / Tengo un deber / Tengo tiempo / Tengo que hacer / Tengo convicción»

Ainda a pensar em mulheres...ELA quer ser a próxima presidente à frente dos destinos do Chile.

«Tengo la fuerza / Tengo confianza / Tengo una meta / Tengo herramientas / Tengo una prioridad /... Estoy contigo»

Ficam as Ideias, o Programa de Governo e... o Blog.




Chile: Michelle Bachelet quer ser a primeira mulher Presidente do país
Fonte LUSA | Autor: António Rodrigues | Data: 09-12-2005 10:32


Michelle Bachelet, a ex-ministra da Saúde e da Defesa socialista, filha de um general que o regime de Pinochet torturou e matou na prisão, poderá tornar-se domingo na primeira mulher a ganhar a presidência do Chile.

Tendo em atenção a evolução das sondagens, tudo aponta para uma segunda volta em Janeiro, já que é muito pouco provável que Bachelet consiga obter mais de 50 por cento dos votos este domingo.

A grande dúvida no seio da Concertação, a coligação de quatro partidos de esquerda e do centro que governa o Chile desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet em 1990, é se o resultado de Bachelet se aproximará mais dos 48 por cento ou dos 45 por cento.

A diferença é maior do que os três por cento aparentam, pois pode representar ter ou não uma votação maior do que a soma do resultado dos dois candidatos da direita, o empresário Sebastián Piñera ou o antigo pinochetista e membro activo da Opus Dei Joaquín Lavín.

As intenções de voto de Bachelet, a favorita desde há muito tempo, têm evoluído de forma inversamente proporcional à da popularidade do Presidente Ricardo Lagos - o primeiro socialista a assumir o cargo desde Salvador Allende - que vai terminar o mandato com 59,8 por cento de popularidade.

Na sondagem de 15 de Novembro, elaborada pelo reputado Centro de Estudos Públicos (CEP), as intenções de voto em Bachelet desceram sete por cento, ficando-se pelos 39 por cento, enquanto as de Piñera subiam cinco por cento para 22 por cento, ultrapassando Lavín com 21 por cento.

Este resultado é ainda mais perturbador para a esquerda chilena, pelo facto do quarto candidato, Tomás Hirsch, apoiado pela coligação Juntos Podemos Mais, englobando comunistas, ecologistas e outras pequenas formações políticas, surgir com apenas três por cento.

A sondagem da CEP dá a vitória a Bachelet na segunda volta, seja qual for o seu adversário, mesmo assim há quem na sua campanha ameace com a demissão se os números da primeira volta se ficarem pelos 45 por cento.

Na Concertação, a possibilidade da repetição do cenário das presidenciais de 1999 tornou-se plausível, depois de um ano de liderança destacada nas sondagens.

Há seis anos, Lagos venceu Lavín na segunda volta com apenas 51,3 por cento dos votos.

Perante os sinais de alarme, os responsáveis da campanha de Bachelet resolveram mudar de estratégia.

Depois de muitos meses a recalcar a ideia que a candidatura de Bachelet provinha da cidadania e não dos partidos e a garantir que a ex-ministra da Defesa não representava a continuação das presidências de Patricio Aylwin, Eduardo Frei e Ricardo Lagos, a candidata surgiu nos últimos dias da corrida eleitoral ao lado de dois patriarcas da Democracia Cristã (DC) chilena, Aylwin e Gabriel Valdés.

Aliás, um dos grandes problemas da candidata é, precisamente, a posição da DC no interior da coligação governamental.

O partido de centro, que surgiu em 1990 ao lado de socialistas e sociais-democratas por necessidade de garantir a estabilidade na transição da ditadura para a democracia, tem sido o que mais problemas tem causado à Concertação nos últimos anos.

Aylwin disse-o em Junho passado: "Na velha guarda da DC há quem se sinta mais próximo de (Sebastián) Piñera que de Michelle (Bachelet).

É precisamente ao eleitorado da DC que as baterias de Piñera têm apontado na sua campanha.

O empresário, doutorado em Harvard, é um dos homens mais ricos do país e representa uma direita liberal moderna que nada tem a ver com a herança de Pinochet - Piñera salienta que em 1988 votou contra a continuação do ditador como Presidente, no plebiscito que abriu as portas da democracia.

Piñera tem procurado ocupar um espaço alargado do centro- direita, espaço que incluiria a DC, ou, pelo menos, parte dos democratas-cristãos.

Os estrategas da sua campanha pensam já numa segunda volta Bachelet-Piñera e estão apostados em romper com os dois blocos que têm dominado a vida executiva e legislativa do país desde 1990, a Concertação no poder e a Aliança, coligação entre a União Democrática Independente (mais à direita) e a Renovação Nacional (liberal), na oposição.

Para conseguir esse novo "arco-íris", como lhe chamam, precisam da DC, não só por representar o espectro central do eleitorado chileno, também porque assim infligiriam um golpe na Concertação, golpe que provavelmente não resultaria vitorioso nestas eleições, mas seria um bom augúrio para as presidenciais de 2009.

Será em 2009, porque este ano a Concertação conseguiu, depois de oito tentativas falhadas, acordar com a direita uma reforma da Constituição feita por Pinochet e que tem manietado a democracia chilena desde o fim da ditadura.

Embora se tenham introduzido 55 modificações na Constituição, incluindo a redução do mandato presidencial de seis para quatro anos, a nomeação do Chefe de Estado Maior das Forças Armadas pelo Presidente e o fim dos senadores nomeados, a Concertação foi incapaz de convencer a direita a abdicar do sistema binominal que tem dividido os cargos políticos entre as duas grandes coligações.

Este sistema eleitoral (os dois partidos mais votados dividem os cargos entre si) restringe o pluralismo político, excluindo os partidos que não pertencem às coligações e dificulta a criação de novos partidos.

O sistema foi criado para favorecer a direita que consegue ter quase metade dos mandatos com pouco mais de um terço dos votos.

Porém, num país onde Pinochet morreu politicamente e a sua herança já não é reclamada por quase ninguém - Lavín, o mais próximo herdeiro dos pinochetistas, afastou-se completamente do antigo ditador, num processo que começou aquando da prisão deste em Londres e culminou com o escândalo das contas no estrangeiro - parecem reunidas as condições para reformar o que resta da Constituição de 1980 que a ditadura impôs à democracia.

Na Concertação espera-se voltar ao assunto da revisão do sistema binominal no próximo ano, isto no caso de continuarem a governar o Chile.

Um país que Lagos deixa entre as democracias mais sólidas da América Latina, com resultados económicos próximos da Europa, mas desigualdades sociais ao nível dos piores países do continente americano.

Apesar dos avanços em termos de luta contra a pobreza, o país permanece como um berço de desigualdades, principalmente na relação entre os mais ricos de Santiago e Valparaíso e os habitantes da periferia, das zonas rurais mais inacessíveis e a população indígena.


Publicado por Ana Tropicana às 12:07 PM | Comentários (0)

Ex (ecuções) ortações Capitais

Três embaixadores da União Europeia estão de visita ao Japão. Cá dentro e lá fora, a imprensa parece unânime no destaque:

«Delegação europeia exorta Governo japonês a abolir a pena de morte».

Penso nos vôos-sombra da CIA e nas alegadas prisões secretas que mantém na Europa. Penso que está próxima a execução de Stanley Williams (apontado como candidato a Nobel da Paz) marcada para 13 de Dezembro, com requintes de pontualidade.

Não sei se o fulgor da "exortação" dos embaixadores europeus reside na diferença higiénica que possa existir entre um enforcamento e uma injecção letal, mas era bom (que bom que era!) que ela ganhasse coragem para se estender também aos EUA!




Delegação europeia exorta Governo japonês a abolir a pena de morte
Fonte: LUSA | Autor: NVI | Data: 09-12-2005 8:30

A União Europeia exortou hoje o ministro japonês da Justiça para que adopte medidas para abolir a pena de morte no Japão, disse à agência France Press uma fonte da delegação da Comissão Europeia em Tóquio.

No decorrer de um encontro quinta-feira com o ministro da Justiça japonês, Seiken Sugiura, três embaixadores da UE, entre os quais o chefe da delegação no Japão, Bernard Zepter, pediram uma moratória imediata sobre as execuções.

O ministro disse ter "tomado nota" da posição europeia e sublinhou a posição oficial do governo nipónico segundo a qual a sociedade japonesa não está ainda preparada para uma supressão da opena capital, que está "na base" do código penal.

Desde 2003, apenas foram executadas quatro pessoas no Japão, mas o número de condenados à morte está em alta, 77 em Dezembro de 2005 contra os 56 registados há dois anos.

No dia seguinte à sua nomeação no quadro de uma remodelação ministerial, em Novembro, Sugiura foi repreendido pelo primeiro- ministro Junichiro Koizumi por ter afirmado que não assinaria nenhuma ordem de execução de um condenado à morte.

O ministre da Justiça, membro do partido néo-budista Komeito, teve de fazer marcha-atrás nas suas declarações.

Uma conferência internacional sobre os direitos do Homem e a pena de morte decorreu terça e quarta-feira em Tóquio, organizada pela UE e por associações japonesas e norte-americanas.

No Japão, os condenados à morte costumam ser executados por enforcamento.





EUA: Vida de Stanley Williams depende do governador californiano Schwarzenegger
Fonte: LUSA | Autor: ANC | Data: 07-12-2005 17:45

Los Angeles, Califórnia, 07 Dez (Lusa) - O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, ouve quinta-feira defensores e acusadores de um condenado à morte apontado como candidato ao Nobel da Paz, para decidir sobre a comutação da pena, como lhe pedem numerosas organizações e celebridades.

Stanley "Tookie" Williams, de 51 anos, fundador do célebre "gang" de rua "Crips" em 1971, em Los Angeles, foi condenado em 1981 à morte pelo assassínio de quatro pessoas.

Williams sempre clamou a sua inocência e desde que foi condenado à pena capital, repudiou o passado, escreveu livros para crianças e militou contra a violência, tudo a partir da sua cela na penitenciária de San Quentin, perto de San Francisco, onde deverá ser executado por injecção letal a 13 de Dezembro.

Depois de ter esgotado todos os recursos legais, a única esperança de Williams reside num indulto do governador californiano, que tem o poder de comutar a pena de morte para prisão perpétua.

Schwarzenegger, antiga estrela de Hollywood, fez saber no final de Novembro que receberá quinta-feira em audiência os advogados do condenado e representantes do Ministério Público, dispondo cada grupo de meia hora para convencê-lo mas não indicou quando divulgará a sua decisão.

Desde há várias semanas que organizações de defesa dos direitos humanos e celebridades estão a levar a cabo uma campanha a favor de um perdão, existindo ainda a circular na Internet uma petição que já recolheu dezenas de milhares de assinaturas.

Os apoiantes de Stanley Williams, cujo nome tem sido persistentemente referido como potencial candidato ao prémio Nobel da Paz nos últimos cinco anos, afirmam que este mudou na prisão e seria mais útil vivo, para continuar a difundir a sua mensagem de não- violência, do que morto.

"Os seus contributos para as actividades anti-'gang', os seus livros para crianças e o seu papel na negociação de tréguas entre 'gangs' produziram efeitos nos Estados Unidos e em todo o mundo", afirmou Philip Gasper, um professor que propôs novamente o nome de Williams como candidato ao Nobel da Paz.

A Associação Nacional para a Promoção das Pessoas de Cor (NAACP), o mais poderoso organismo de defesa dos negros norte- americanos, organizou terça-feira reuniões públicas nas grandes cidades da Califórnia a favor de "Tookie".

A Amnistia Internacional, responsáveis religiosos como Jesse Jackson e celebridades como o "rapper" Snoop Dogg, Bianca Jagger e Jamie Foxx, bem como a actriz Alfre Woodard, uma das estrelas da série televisiva "Donas de Casa Desesperadas", expressaram também o seu apoio ao condenado.

O destino de Stanley Williams está a mobilizar igualmente vontades no estrangeiro: 19 dos 20 Presidentes regionais de Itália lançaram sábado um apelo conjunto a Schwarzenegger para comutar a pena de morte.

Por sua vez, os procuradores de Los Angeles pediram ao governador da Califórnia para não conceder o indulto a um prisioneiro que, segundo defendem, "pede agora piedade, a piedade que cruelmente negou" às suas quatro vítimas.

No total, 647 pessoas - 633 homens e 14 mulheres - encontram- se no corredor da morte e 11 foram executadas desde 1978 no Estado da Califórnia, onde nenhum condenado à pena capital é indultado desde 1967.

Os observadores salientaram que Schwarzenegger, defensor da pena de morte, rejeitou os dois recursos de comutação de pena de condenados que lhe foram apresentados desde a sua eleição para o cargo, em Outubro de 2003.

Candidato à reeleição em 2006, Arnold Schwarzenegger sabe também que a maioria dos californianos é a favor da pena capital.

A decisão de analisar o pedido de clemência de Williams surge quando os Estados Unidos estão prestes a atingir um milhar de executados desde que o Supremo Tribunal Federal reinstaurou a pena de morte, em 1976.

A execução número 1.000 deveria ter ocorrido na terça-feira, mas o governador do Estado da Virgínia, Mark Warner, comutou a pena de Robin Lovett para prisão perpétua.

Depois da rejeição dos recursos apresentados para lhe salvar a vida, o executado número 1.000 nos Estados Unidos será Kenneth Lee Boyd, a quem será aplicada uma injecção letal na próxima sexta-feira, no Estado da Carolina do Norte.

A marcação destas execuções coincidiu com a divulgação de novas sondagens sobre a pena capital que indicam que esta conta apenas com o apoio de 64 por cento da população norte-americana, uma diminuição considerável quando comparada com 80 por cento registado em 1994.

A última dessas sondagens, efectuada pela empresa Gallup, indica que se os norte-americanos pudessem escolher entre uma execução ou a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional, só 50 por cento optaria pela primeira hipótese.

Além disso, a maioria dos cidadãos norte-americanos é de opinião que o sistema não é perfeito e acredita que inocentes foram executados devido a erros legais ou a uma defesa deficiente.

Mas há também partidários importantes de tal pena, como é o caso do Presidente norte-americano, George W. Bush.

O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, indicou na sexta- feira passada que Bush considera que a pena de morte é uma medida dissuasora do crime que "em última instância, ajuda a salvar vidas inocentes".

McClellan afirmou que é importante que "se administre com imparcialidade, rapidamente e com segurança" e recordou que Bush promoveu o uso das provas de ADN para evitar condenações erróneas.

Durante os seis anos que ocupou o cargo de governador do Texas, Bush deu "luz verde" a 152 execuções e apenas comutou a sentença de morte de um dos condenados no Estado.

Publicado por Ana Tropicana às 11:23 AM | Comentários (0)

Ardendo nos Caldeirões do MUndo


mapa verde de autor desconhecido

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, lançou oficialmente nesta quinta-feira, durante a 11.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 11), a proposta brasileira de apoio financeiro internacional para a preservação da Amazónia. A proposta brasileira soma-se às da Papua Nova Guiné e Costa Rica, que lideram o movimento pela compensação dos serviços ambientais prestados pelas florestas - entre eles, a estabilização do clima.A COP 11 deve terminar nesta sexta-feira com o saldo de ter aprovado, definitamente, as regras para o funcionamento do Protocolo de Kyoto (versão simplificada AQUI ), mas sem qualquer avanço na inclusão dos Estados Unidos - país é responsável por cerca de 25% dos gases do efeito estufa lançados na atmosfera - nas negociações de metas para o segundo período do protocolo, que começa em 2012.


O discurso da ministra Marina da Silva na COP11, em Montreal,
pode ler-se na íntegra AQUI.





Foto: Consequências do Aquecimento Global (Autor: USP)





Brasil quer apoio financeiro para preservar a Amazônia

A ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, discursou na 11ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 11), em Montreal

Fonte: Estado de São Paulo | Autor:Herton Escobar | Data:

Montreal - A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, lançou oficialmente nesta quinta-feira a proposta brasileira de apoio financeiro internacional para a preservação da Amazônia, como forma reduzir as emissões de gases do efeito estufa provenientes do desmatamento.

Em discurso na 11.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 11), em Montreal, Marina cobrou a adoção de “incentivos positivos para os países em desenvolvimento que comprovarem seus esforços de conservação das florestas”. Algo que, segundo ela, o Brasil já está fazendo. “O valor das emissões de gases de efeito estufa decorrentes do desmatamento já é, hoje, significativo o suficiente para que nos debrucemos sobre esse problema”, disse Marina.

“Isso implica, por parte da comunidade internacional, o reconhecimento de que a conservação das florestas tropicais é importante para o equilíbrio climático do planeta. Por isso, em adição aos esforços que os países em desenvolvimento já têm promovido, é necessário que se avaliem mecanismos pelos quais esses países possam ser incentivados à adoção de medidas nesse sentido.”


Floresta em pé
Quais seriam esses mecanismos e como eles funcionariam é algo que precisará ser negociado. A idéia do Brasil, a princípio, era colocar o tema na pauta de negociações da convenção - que, por enquanto, valoriza apenas projetos de reflorestamento, mas não de manutenção da floresta em pé. “Se você derrubar uma floresta e plantar pinus no lugar dela, consegue ser remunerado. Mas, se mantém a floresta em pé, não”, disse ao Estado o secretário-executivo do ministério, Claudio Langone.

A proposta brasileira soma-se às da Papua Nova Guiné e Costa Rica, que lideram o movimento pela compensação dos serviços ambientais prestados pelas florestas - entre eles, a estabilização do clima. “As florestas da Amazônia contribuem para refrescar o clima e produzir chuva em várias partes do mundo”, diz o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, Virgílio Viana, em artigo enviado ao Estado.

Cerca de 75% das emissões brasileiras de dióxido de carbono (CO2), principal gás do efeito estufa, são provenientes do desmatamento na Amazônia. O gás é estocado pela vegetação no processo de fotossíntese, e acaba liberado para a atmosfera quando essa vegetação é cortada ou queimada. Evitar o desmatamento, portanto, seria a maneira mais eficaz de reduzir a contribuição brasileira para o aquecimento do planeta.


Sem adesão americana
A COP 11 deve terminar nesta sexta-feira com o saldo de ter aprovado, definitamente, as regras para o funcionamento do Protocolo de Kyoto, mas sem qualquer avanço na inclusão dos Estados Unidos nas negociações de metas para o segundo período do protocolo, que começa em 2012.

Os americanos mantiveram-se irredutíveis em sua posição de não aceitar qualquer meta compulsória de redução de emissões. O país é responsável por cerca de 25% dos gases do efeito estufa lançados na atmosfera.




Intervenção da ministra do Meio Ambiente do Brasil, Marina Silva, durante o segmento de Alto Nível da 11ª Conferência das Partes da Convenção sobre Mudanças do Clima das Nações Unidas, em Montreal, no Canadá
Fonte: ASCOM | Data: 08/12/2005

Senhor Presidente

Desejo, inicialmente, felicitá-lo por sua designação para presidir os trabalhos desta mesa e reiterar o compromisso do Brasil com o fortalecimento das instâncias multilaterais para enfrentar o desafio da mudança do clima. Felicito, também, o Governo Canadense pelo esforço dispendido para assegurar o sucesso desta reunião.

Trata-se de momento de crucial importância para o regime internacional de mudanças climáticas. Há um ano, encontravamo-nos em Buenos Aires (Argentina) com a perspectiva otimista da entrada em vigor do Protocolo de Quioto. Realizamos agora a 1ª Reunião das Partes do Protocolo, e é fundamental que a mensagem que saia daqui para o mundo seja de compromisso de todas as partes, do Norte e do Sul. As evidências de que as ações antrópicas têm afetado o equilíbrio do planeta não nos deixam muita margem para negociações lentas e pouco efetivas.

Tampouco podemos nos dar ao luxo de aguardar por novas catástrofes naturais, que cada vez mais atingem de maneira igual países ricos e pobres, mas sempre sacrificando de maneira mais perversa as populações mais pobres desses países.

No contexto das negociações internacionais, preocupa-me a forma como alguns países têm conseguido retardar ou dificultar negociações com base em seus interesses imediatos, de ordem puramente econômica. A entrada em vigor do Protocolo de Quioto foi um momento importante no regime internacional de mudança climática, mas não podemos deixar de reconhecer o tempo que se passou até que esse instrumento se tornasse realidade e as conseqüências decorrentes desse atraso.

A população do Planeta espera de nós mais do que novos papéis. É hora de provarmos, não a nós mesmos, mas às sociedades que aqui representamos, que estamos mais comprometidos do que os resultados de nossas ações até agora demonstraram.

O Brasil, ao lado dos países em desenvolvimento, tem sido um permanente defensor do princípio das responsabilidades comuns mas diferenciadas. Trata-se de princípio consagrado na maior parte dos acordos internacionais ambientais e meu país, ao tempo em que o reafirma, quer também dizer ao mundo que responsabilidades diferenciadas não significam ausência de responsabilidades. Por isso o Brasil tem feito sua parte.

Durante a reuniao de Buenos Aires, o Brasil apresentou ao mundo seu Comunicação Nacional. Na oportunidade, num trabalho de altíssima qualidade e transparência, apresentamos não apenas nosso inventário de emissões, mas, também, as ações que o nosso governo vinha tomando para reduzí-las, especialmente no que diz respeito à expressiva parcela de 75% decorrentes do desmatamento na Amazônia.

É, portanto, com grande satisfação que compareço aqui para anunciar que, pela primeira vez, desde 1997, verifica-se reduçao nas taxas de desmatamento da Amazônia. Os dados de 2005, divulgados no Brasil há dois dias, apontam uma acentuada reduçao de 31% nessas taxas.

É importante notar que se verificou queda nas taxas de desmatamento em todas os estados amazônicos, mas essa queda foi particularmente forte nas áreas onde houve maior intervençao do Governo Federal por meio do Plano de Acao para Prevencao e Controle do Desmatamento na Amazonia, o mesmo plano que apresentamos em Buenos Aires.

A queda na taxa de desmatamento do Brasil é mostra inegável do compromisso brasileiro com a redução das emissões brasileiras. As ações do Plano de Controle do Desmatamento não constituem esforço desprezível. Pelo contrário, pela variedade de atores que afeta, pela grande quantidade de interesses que contraia, o plano transformou-se num delicado exercício de internalização da variável ambiental em outros setores do Governo.

Pelo seu alcance, complexidade e pelo número de setores que envolve, o Plano exigiu coordenação além da esfera ambiental. Ele é coordenado no mais alto nível governamental, pela Casa Civil, e acompanhado diretamente pelo Presidente da República. Não é um esforço da área ambiental. É um esforço de Governo.

Estou falando do Brasil, mas vários outros países em desenvolvimento têm, igualmente, feito esforços no sentido de compatibilizar suas legítimas aspirações de desenvolvimento econômico com a conservação do meio ambiente. Não há razões para que países dotados de condições econômicas e sociais altamente favorecidas hesitem em assumir seus compromissos no âmbito do Protocolo de Quioto sob a argumentação de que países em desenvolvimento não têm responsabilidades com o regime do clima.

É fundamental que essa Conferência reconheça os esforços dos países em desenvolvimento e reconheça, também, que a contribuição histórica desses países para o estado atual do clima do planeta é baixa. Essa é a razão pela qual o Brasil não aceita a idéia de metas e prazos compulsórios. Temos defendido a noção de incentivos positivos aos países em desenvolvimento para que, levando em conta suas responsabilidades diferenciadas, seus objetivos e circunstâncias específicos, possam adotar políticas e medidas e formular e implementar programas nacionais para mitigar a mudança do clima.

É com essa convicção que saúdo os encaminhamentos dados à proposta submetida por Papua Nova Guiné e Costa Rica nesta Conferência no sentido de que se possam avaliar as perspectivas de adoção de incentivos positivos para os países em desenvolvimento que comprovarem seus esforços de conservação das florestas. O valor das emissões de gases de efeito estufa decorrentes do desmatamento já é, hoje, significativo o suficiente para que nos debrucemos sobre esse problema e incluamos mecanismos que apóiem esforços no sentido de sua contenção.

Para o Brasil, a despeito dos avanços já alcançados, precisamos agora fazer com que esses resultados sejam permanentes. Isso implica, por parte da comunidade internacional, o reconhecimento de que a conservação das florestas tropicais é importante para o equilíbrio climático do planeta. Por isso, em adição aos esforços que os países em desenvolvimento já têm promovido, é necessário que se avaliem mecanismos pelos quais esses países possam ser incentivados à adoção de medidas nesse sentido.

Estou convencida de que esforços voluntários para reduzir o desmatamento constituem uma situação onde todos são vencedores. Para o Planeta, de maneira geral, assegura-se significativa redução das emissões globais de gases de efeito estufa. Para os países em desenvolvimento, asseguram-se alternativas de desenvolvimento que valorizem a floresta em pé, maximizando os benefícios da exploração sustentável dessas áreas e promovendo a correta distribuição dos benefícios econômicos, com transparência e controle social.

Contudo, Senhor Presidente, os esforços dos países em desenvolvimento para a proteção de seus ecossistemas podem ser anulados pela ausência de comprometimento com as decisões que tomamos no passado no âmbito desta Convenção. Por isso, ao fim de minha fala, quero também reiterar o apoio e o comprometimento do Brasil com o Protocolo de Quioto, esse importante instrumento internacional, objeto de tao longas e complexas negociacoes e que, agora em vigor, teve suas regras de procedimento finalmente adotadas.

O Brasil, autor da idéia do MDL, ainda em 1997, responsável pelo maior número de projetos de MDL aprovados até o momento pelo Executive Board, reitera a importância de que esta Conferência lance, conforme esperado, o processo de negociações para o segundo período de compromissos do Protocolo.

O que temos feito é, ainda, insuficiente. A complexidade e a gravidade do problema das mudanças climáticas requerem respostas e ações ainda mais fortes. O momento atual requer a superação de antigos impasses e a construção de políticas equilibradas que enfoquem a questão do regime internacional de mudança climática sob o prisma dos impactos que já vivemos e daqueles de mais longo prazo. Qualquer ação contrária ou, pior, inação, será a mensagem que daremos ao mundo de que, afinal, o problema não merece preocupações de nossa parte.

Muito obrigada.


Publicado por Ana Tropicana às 09:24 AM | Comentários (0)

dezembro 08, 2005

Dorothy Stang I


dorothy stang de autor desconhecido

A missionária Dorothy Stang trabalhava há quatro décadas junto de pequenas comunidades no interior da Amazônia. No dia 12 de fevereiro de 2005, caminhava na mata, como sempre fazia, quando foi abordada. Parou, conversou, leu um trecho da Bíblia para os pistoleiros. Em seguida, foi fuzilada.

Passado quase um ano do crime, dois dos cinco acusados vão a julgamento.








Em quatro décadas trabalhando junto a pequenas comunidades no interior da Amazônia, a missionária americana Dorothy Stang tornou-se uma figura marcante – pela coragem, pela simpatia, pela eficiência da sua ação junto aos trabalhadores rurais, pela importância internacional de sua pregação em defesa do desenvolvimento sustentável e da reforma agrária. No dia 12 de fevereiro de 2005, um pistoleiro se infiltrou entre os trabalhadores e assassinou-a.

A freira naturalizada brasileira foi atingida pelas costas, com quatro tiros. Caminhava na mata quando foi abordada. Parou, conversou, leu um trecho da Bíblia para os pistoleiros. Em seguida, foi fuzilada.

Passado quase um ano do crime, dois dos cinco acusados vão a julgamento. Os pistoleiros Rayfran das Neves Sales, o Fogoió, e Clodoaldo Carlos Batista, o Eduardo, acusados de assassinar a freira, serão os primeiro a ir ao banco dos réus. Os fazendeiros Vitalmiro Bastos Moura e Regivaldo Pereira Galvão, acusados de encomendar o crime, e Amair Feijoli da Cunha, apontado como intermediário, devem ir a julgamento em 2006.


Em defesa dos camponeses
Em uma de suas últimas entrevistas, em novembro de 2004, a missionária americana afirmava que apesar das ameaças que vinha recebendo – desde 1999 ela aparecia em uma “lista negra” de fazendeiros e madeireiros da região de Anapu, no Pará, – não tinha medo. “Não quero fugir, nem abandonar a luta dos camponeses que vivem sem nenhuma proteção em plena selva”, afirmou. Em dezembro, recebeu o prêmio José Carlos Castro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e foi elogiada no Senado. Era referência na história da colonização amazônica. Também em 2004, recebeu o título de cidadã do Pará. Desde 1972, unida às mulheres e agricultores da comunidade Sucupira, ela desenvolvia projetos sustentáveis para geração de emprego e renda com reflorestamento em áreas degradadas. Queria reduzir os conflitos fundiários, mas chegou a ser acusada, em 2001, de instigar a violência. A morte da missionária foi a primeira de uma integrante da CPT no governo Lula.


Rayfran das Neves Sales, o Fogoió & Clodoaldo Carlos Batista, o Eduardo
Foram denunciados pelo Ministério Público por homicídio triplamente qualificado e serão os primeiros a ir a júri popular. Se condenados, os pistoleiros poderão pegar entre 45 e 60 anos de prisão. Eles afirmam que Vitalmiro Bastos Moura, o Bida, encomendou a morte de Dorothy, forneceu a arma e a munição, além da promessa de pagamento. O crime teria custado R$ 50 mil, mas eles não receberam o dinheiro.


A defesa
Os advogados dos pistoleiros pretendem defender no julgamento a tese de que foi a própria irmã Dorothy quem provocou sua morte. Segundo eles, a missionária americana seria inimiga declarada de fazendeiros, grileiros de terras e madeireiros da região e com isso teria atraído o ódio de todos. A tese será reforçada com antecedentes criminais da religiosa.


italmiro Bastos Moura, o Bida; Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão; Amair Feijoli da Cunha, o Tato
Os fazendeiros Vitalmiro Bastos Moura e Regivaldo Pereira Galvão são acusados de encomendar o crime. Amair Feijoli da Cunha é apontado como intermediário. Eles aguardam o julgamento de recursos que tramitam no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo Tribunal Federal (STF) contra decisão da Justiça paraense de mandá-los a júri popular. Taradão também responde a processo na Justiça Federal por envolvimento nas fraudes contra a extinta Sudam. Bida é um grande criador de gado de corte em duas fazendas que ocupam área de 3 mil hectares, em Anapuã. Já foi apontado pelo Incra como grande grileiro, em relatório de inspeção feito pela autarquia. Indiciado pela polícia por homicídio qualificado pela morte da freira, Bida , segundo a polícia, um dos homens que fizeram fortuna com a prática de grilagem no Pará. Depois do crime, ele perdeu um dos três lotes, que foi repassado ao Incra para o assentamento de 90 famlias, que vivem na área onde a missionária foi assassinada.

Começa sexta-feira julgamento de matadores de irmã Dorothy
Fonte: Estado de São Paulo | Autor: Roldão Arruda | Data: 07 Dezembro de 2005 - 03h 37


Trancafiados numa mesma cela, no Presídio Estadual Metropolitano 3 (PEM3), em Santa Isabel, a 56 quilômetros de Belém, os dois homens acusados pelo assassinato da irmã Dorothy Stang passam os dias acuados por um profundo medo. Não do julgamento oficial, previsto para este fim de semana e para o qual devem ser mobilizadas organizações de direitos humanos de todo o Brasil e do exterior, mas dos outros presos. Clodoaldo Carlos Batista, o Eduardo, e Rayfran das Neves Sales, o Fogoió, temem ser mortos.

Eles raramente saem da cela, num pavimento acima daquele onde ficam os outros presos. Só vão para o banho de sol, ao qual todo detento tem direito durante uma hora e meia por dia, depois de certificarem-se de que os corredores e o pátio estão vazios. Também precisam de horários especiais para os chuveiros. Tomam o café da manhã, almoçam e jantam debaixo de trancas, confiantes na afirmação das autoridades de que a comida deles é feita à parte. Para evitar envenenamento.

Não é um medo infundado. Pelo código de leis próprias que rege a vida nos presídios, o assassinato da religiosa, uma senhora de 73 anos, é uma espécie de crime hediondo e sem perdão. Assim como o estupro e a violência contra crianças.

O crime ocorreu em 12 de fevereiro, numa estradinha vicinal de Anapu, no sudoeste do Pará. Eduardo e Fogoió foram presos em seguida e levados para Altamira. De lá, foram transferidos para o PEM3, espécie de presídio de segurança máxima, no qual os detentos não têm acesso a celulares, TV, rádio nem a livros. Só à Bíblia.

Os assassinos confessos da irmã foram postos numa cela especial, com Amair Feijoli da Cunha, o Tato, um dos três fazendeiros acusados de terem contratado os serviços dos dois. Os outros acusados de serem mandantes do crime, Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, e Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, estão em outro presídio da região metropolitana. O julgamento dos pistoleiros começa sexta-feira, enquanto o dos fazendeiros não está marcado.

Ontem, o Estado tentou ouvir os dois. Fogoió, por orientação de seu advogado, não quis falar. Apareceu por alguns instantes na ala de recepção do presídio, mas depois se recolheu. Eduardo, acompanhado pela defensora pública que cuida de seu caso, concordou em falar. Ele tem 31 anos, aparência robusta, com 58 quilos e 1m65 de altura, e tatuagens nos dois braços. As mãos de pele fina não lembram alguém que trabalha desde os 7 anos na roça, como ele conta. "Elas estão assim porque eu estou há nove meses na cadeia, sem trabalhar", diz.

Desde que foi preso, nunca recebeu visita amiga: de parentes, amigos, nem de conhecidos. "Só Deus é que me sustenta nessa hora", diz o acusado, que começou a ler a Bíblia. Segundo a advogada, a ausência de familiares ocorre porque eles são pobres, sem recursos para sair lá do interior do Espírito de Santo, de onde Clodoaldo zarpou, em 2004, a pedido de seu patrão, o fazendeiro Amair, e foi bater no sudoeste do Pará.

Ele contou ontem que seu pai resolveu dá-lo para uma família de conhecidos quando tinha apenas 7 anos, alegando que não tinha condições de criá-lo. Cresceu entre estranhos. Mais tarde soube que o pai tinha sido assassinado e que o assassino vivia solto: "Eu cresci olhando para a cara do homem que matou ele. Se eu fosse um homem violento, teria matado. Mas não sou. Não matei a irmã Dorothy. Nunca matei ninguém." Uma das pessoas que o acusaram de ter participado do crime foi o próprio Fogoió. "Mas não é verdade. Eu estava ali porque ia para o trabalho."




Especial: Até a próxima morte
Após assassinato da freira Dorothy,governo se mexe, mas política
agrária sofre críticas

Fonte: Revista Isto É | Autor: Mino Pedrosa e Ronaldo Brasiliense
Anapu (PA) | Colaborou: Florência Costa

Os seis tiros que ceifaram a vida da freira americana naturalizada brasileira Dorothy Mae Stang, 73 anos, na manhã do sábado 12, em Anapu, no sudoeste do Pará, expuseram a fragilidade da política agrária do governo Lula. O assassinato da missionária é fruto também da impunidade nos crimes em conflitos de terras. A ausência da Justiça já transformou em tradição no País e funciona como combustível para a violência que queima vidas no campo. Sob pressão internacional, o governo foi forçado a promover a maior movimentação de tropas dos últimos anos para evitar uma nova guerra pela posse da terra na Amazônia. Pelo menos dois mil soldados foram deslocados de batalhões de Belém, Manaus e Marabá para a região, a 680 quilômetros da capital paraense. Um grande aparato policial foi montado para caçar em plena selva amazônica quatro suspeitos do assassinato: o mandante, um intermediário e dois pistoleiros.

Apontado como mandante, o “fazendeiro” Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, foragido, está sob a proteção do verdadeiro grileiro das terras: Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, um velho conhecido da Polícia Federal. Ele chegou a ser preso no escândalo da Sudam, acusado de desviar mais de R$ 1,2 bilhão de incentivos fiscais para projetos fraudulentos, mas foi libertado e continua com sua carreira de golpes em Altamira, na região da rodovia Transamazônica, onde tem residência fixa. Vitalmiro nada mais é do que um “laranja” a serviço de mais uma fraude comandada por Regivaldo, grilando as terras da União, desta vez de olho no dinheiro fácil dos incentivos fiscais da Agência de Desenvolvimento da Amazônia (ADA) sucessora da Sudam.

Antigo alvo
A irmã Dorothy estava na linha de tiro dos latifundiários da região há muitos anos. Mas os ânimos dos fazendeiros-madeireiros ficaram mais acirrados desde o fim de 2004, quando o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) baixou uma portaria obrigando os donos de terra a se recadastrarem. O problema é que boa parte da área é de terra devoluta (pertencente à União). A medida do Incra fez com que dez mil proprietários tivessem seus títulos de terra suspensos. A onda de violência no Pará provocou várias reuniões no Planalto. Na quinta-feira 17, o presidente Lula reuniu seus principais colaboradores.

O governo anunciou a interdição de 8,2 milhões de hectares de florestas em terras da União junto à BR-163 (Cuiabá–Santarém): equivalente a quase o dobro da área do Estado do Rio de Janeiro. Outra decisão tomada na reunião foi a de instalar um gabinete provisório do governo federal na área. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, antecipou a criação de um parque nacional e de uma estação ecológica na região conflitada; o Incra assegurou que 140 mil hectares de terras do Projeto de Desenvolvimento Sustentável defendido pela missionária Dorothy seriam regularizados a curto prazo; a Polícia Federal, no Tocantins, prendeu 14 grileiros na operação Terra Nostra. O governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), comunicou que em poucos dias a Assembléia Legislativa votará o projeto de reordenamento fundiário, transformando em unidades de conservação 63% do território paraense.

Quando o líder seringueiro Chico Mendes foi assassinado em 1988, em Xapuri (Acre), o governo criou a reserva extrativista que leva seu nome, com 960 mil hectares, e liberou recursos extras para reforma agrária e de combate aos desmatamentos na Amazônia. A história se repete: a cada assassinato a reação do governo vem rápida, com ações espetaculosas para justificar a ineficiência dos sucessivos projetos de reforma agrária. A falta de projeto não inibe a política de extermínio de líderes sindicais e religiosos.

A missionária não contava com proteção policial – que ela recusava. “Ninguém vai gastar uma bala numa velha como eu”, acreditava. Para os grileiros, irmã Dorothy era “terrorista”. Mas os trabalhadores rurais a chamavam de o “Anjo da Transamazônica”. Sua morte, após uma noite mal dormida num barraco coberto de palha de apenas 1,7 metro de altura, alcançou repercussão internacional só comparável à que ocorreu com a morte de Chico Mendes. Na pasta amarela que carregava dentro da bolsa a tiracolo no momento em que foi assassinada numa estrada de terra aberta em meio a floresta, a 47 quilômetros de Anapu, irmã Dorothy deixou para a polícia mais do que indícios para apontar seus executores: dois documentos oficiais, autos de infração, com multas de R$ 3 milhões, expedidos pelo Ibama contra Vitalmiro, apontado pela polícia como o mandante do assassinato, por ter desmatado ilegalmente uma área de dois mil hectares no assentamento Esperança, menina-dos-olhos de irmã Dorothy. Segundo a polícia, Vitalmiro teria acertado com Amair Feijoli da Cunha, o Tato, a contratação dos pistoleiros que mataram a religiosa.


A morte de Dorothy causou grande comoção. No enterro da missionária, duas mil pessoas gritavam por justiça e pediam o fim da impunidade. Sob pressão, o governo mandou o Exército para caçar os acusados, como Vitalmiro.

























Fotos: Adeus a Dorothy (Autor Desconhecido)


Publicado por Ana Tropicana às 12:09 PM | Comentários (0)

«Samba da Criação»

Faça o seu próprio samba: AQUI.

Publicado por Ana Tropicana às 09:56 AM | Comentários (0)

Imaculada Conceição


a padroeira de d.a

É feriado, numa margem e na outra: Da Pororoca ao Tejo, é feriado! Fecho os olhos só mais um bocadinho: debaixo das batidas de chuva, 26 mil pessoas avançam as ruas do centro de Manaus. Vão levando o andor de Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Manaus e da Praia do Carvoeiro: não, não há coincidências, é certo. Fico mais um pouco entre edredons, grata à Santa que me dá o feriado, a pensar que deve começar por aqui: a sensação de um certo colo, a vertigem reconfortante do descanso. Senhora da Conceição: Senhora Aparecida dos Navegantes. Mãe dos pescadores e dos povos das águas, dos seres anfíbios e dos naufragados. Senhora da Conceição: minha também.





Foto: Imaculada Conceição





Nossa Senhora da Conceição, padroeira do Reino.
in Dicionário Histórico de Portugal, por Manuel Amaral

Nas cortes celebradas em Lisboa no ano de 1646 declarou el-rei D. João IV que tomava a Virgem Nossa Senhora da Conceição por padroeira do Reino de Portugal, prometendo-lhe em seu nome, e dos seus sucessores, o tributo anual de 50 cruzados de ouro. Ordenou o mesmo soberano que os estudantes na Universidade de Coimbra, antes de tomarem algum grau, jurassem defender a Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Não foi D. João IV o primeiro monarca português que colocou o reino sob a protecção. da Virgem, apenas tornou permanente uma devoção, a que os nossos reis se acolheram algumas vezes em momentos críticos para a pátria. D. João I punha nas portas da capital a inscrição louvando a Virgem, e erigia o convento da Batalha a Nossa Senhora, como o seu esforçado companheiro D. Nuno Alvares Pereira levantava a Santa Maria o convento do Carmo. Foi por provisão de 25 de Março do referido ano de 1646 que se mandou tomar por padroeira do reino Nossa Senhora da Conceição. Comemorando este facto cunharam-se umas medalhas de ouro de 22 quilates, com o peso de 12 oitavas, e outras semelhantes mas de prata, com o peso de uma onça, as quais foram depois admitidas por lei como moedas correntes, as de ouro por 12$000 réis e as de prata por 600 réis. Segundo diz Lopes Fernandes, na sua Memoria das medalhas, etc., consta do registo da Casa da Moeda de Lisboa, liv. 1, pag. 256, v. que António Routier foi mandado vir de França, trazendo um engenho para lavrar as ditas medalhas, as quais se tornaram excessivamente raras, e as que aquele autor numismata viu cunhadas foram as reproduzidas na mesma Casa da Moeda no tempo de D. Pedro II. Acham-se também estampadas na Historia Genealógica, tomo IV, tábua EE. A descrição é a seguinte: JOANNES IIII, D. G. PORTUGALIAE ET ALGARBIAE REX – Cruz da ordem de Cristo, e no centro as armas portuguesas. Reverso: TUTELARIS RE­GNI – Imagem de Nossa Senhora da Conceição sobre o globo e a meia lua, com a data de 1648, e; nos lados o sol, o espelho, o horto, a casa de ouro, a fonte selada e arca do santuário. O dogma da Imaculada Conceição foi definido pelo papa Pio IX em 8 de Dezembro de 1854, pela bula Ineffabilis. A instituição da ordem militar de Nossa Senhora da Conceição por D. João VI (V. o artigo seguinte) sintetiza o culto que em Portugal sempre teve essa crença antes de ser dogma. Em 8 de Dezembro de 1904 lançou-se em Lisboa solenemente a primeira pedra para um monumento comemorativo do cinquentenário da definição do dogma. Ao acto, a que assistiram as pessoas reais, patriarca e autoridades, estiveram também representadas muitas irmandades de Nossa Senhora da Conceição, de Lisboa e do país, sendo a mais antiga a da actual freguesia dos Anjos, que foi instituída em 1589.


Publicado por Ana Tropicana às 08:59 AM | Comentários (0)

dezembro 07, 2005

A Propósito das «Grandes Ideias»


doces molejos de ana tropicana

Recorda-me: acaso já te terei dito que afinal a felicidade é tão redonda, tão pequena, tão simples e doce, que se pode morder?




Celebrando a folga: de carro, sem saber o rumo. Confiar às cegas, como é bom que seja. Final do dia junto à ria. E eu a pensar "de mim para comigo" que a compensação acaba sempre por chegar: um dia alguém se lembra dessa coisa óbvia que é trazer-me a Aveiro só para comer ovos moles da «A Barrica».





Foto: Ás Portas do Paraíso (autor: Ana Tropicana)





Foto: Doces Molejos (autor: Ana Tropicana)


Publicado por Ana Tropicana às 08:23 PM | Comentários (0)

Por «Mão Cheia»


laranja glacê de ana tropicana

«Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces.
Recomeça.»

Cora Coralina


Durante a tarde fazem-se doces na cozinha do montado. Fico empoleirada na janela a ver o fogão destilar um pomar de aromas, e a perguntar-me que mistério é esse que torna tão simples convencerem-me em verso?!





Foto: Laranja Glacê (autor: Ana Tropicana)




Fica a receita aprendida com D.Rita, que por sua vez a herdou de Cora Coralina que fazia doces com uma mão tão cheia como fazia poemas (... ou vice-versa!):





Doce de Laranja(*) que «fica glaçado por fora e molhadinho por dentro»:


«Tem que ter paciência para tirar a casca bem fininha.
Você corta a laranja no meio, que o gomo sai inteirinho. O principal da laranja é a polpa branca.
Aí, passe água na laranja, leve ao fogo e deixe ferver.
Quando ela estiver mole, tire da panela.

Agora, o grande segredo: a calda em que a laranja foi cozida é a mesma que vai servir para glaçar o doce.
Depois que os pedaços da laranja são retirados e escorridos, a calda que sobra volta ao fogo por mais 10 ou 15 min até atingir uma espessura mais grossa.
Após isso, a gente tira do fogo e passa por uma leve batida, como se fosse clara em neve. Depois a gente passa no doce, para que fique glaçado. Você tem que fazer rápido, caso contrário, a calda fica açucarada, e o doce, em vez de ficar glaçado, fica açucarado, entendeu?!»


* a partir de gravação audio, registado durante a visita a Goiás (Maio de 2004).

Publicado por Ana Tropicana às 03:12 PM | Comentários (0)

«A Importância De Se Chamar Ernesto»


ernesto de ana tropicana

O Ernesto: esta manhã!... no auge do decoro, espojado no sotão, entre os meus "trapos" preferidos. Como se não fizessemos ambos a concessão de nem sempre nos enervarmos mutuamente!... Como se não soubessemos ambos - à boa maneira felina - que também somos capazes de odiar para lá do amor.

... Como se desconhecesse por completo que o tolero apenas pela «Importância De Se Chamar Ernesto»!





Foto: Ernesto (autor: Ana Tropicana)

Publicado por Ana Tropicana às 01:47 PM | Comentários (1)

De Mulher para Mulher

Apesar das reservas que guardo diante do pressusposto de evitação do erro, enquanto fórmula útil na aprendizagem, e do desconforto de princípio que a noção de «modelo de conduta» me causa, deixo o link para o Projecto de Mentoring - De Mulher para Mulher. Porque nunca é demais «reforçar a autonomia e o envolvimento em domínios onde a presença das mulheres ainda é escassa». Porque qualquer contributo para «uma nova cultura política» onde mulheres e homens detenham a mesma força e influência é sempre bem vinda.

Já agora, o projecto também tem um blog: AQUI.


Publicado por Ana Tropicana às 01:02 PM | Comentários (0)

Não Há Paraísos

Leio AQUI: Web tem 16 milhões de páginas ilegais que fazem a apologia da violência.




Web tem 16 milhões de páginas ilegais
Fonte: Estado de São Paulo | Autor: João Magalhães | Data: São Paulo, 05 Dezembro de 2005 - 09:02

São Paulo - Relatório divulgado pela internet Security Systems revela que o número de sites com conteúdo extremista (apologia do nazismo, incitação à violência contra gays) cresceu 42,4% em 2005. Segundo o estudo, existem atualmente 180 mil endereços do gênero frente aos 132 mil contabilizados em 2004. No total, eles chegam a 16 milhões.

As páginas que roubam dados confidencias dos internuatas também estão se expandindo. O fenômeno, de acordo com Grupo de Trabalho Anti-Phishing (APWG, na sigla em inglês) é conseqüência do uso cada maior pelos fraudadores digitais de sofisticadas técnicas e ferramentas hackers.

”Os golpistas estão usando uma rede de bots para enviar e-mails falsos ou aumentar o número de phishing sites”, diz Dan Hubbard, diretor da Websense, empresa que analisa os dados de ataques de phishing para o APWG.

Os bots referidos por Hubbard são uma rede de computadores que sofreram invasões por meio de vírus ou cavalo-de-tróia e que são usados pelos malfeitores para todo o tipo de atividade criminosa pela internet, como o envio de spams.

Publicado por Ana Tropicana às 10:34 AM | Comentários (0)

Complexo de Electra


complexo de electra de ana tropicana

Pânico: a calçada amanheceu outra vez toda cintada de fitas vermelhas e brancas. Conclusão óbvia: hoje volta a ser dia de filmagens aqui, na colina e no jardim. Conclusão elaborada: Conseguir uma previsão de sossego implica estimar o tempo que uma novela da TVI está no ar: ... seis meses? nove? dois anos?? Céus!... É tenebroso pensar que geralmente duram até cair decrépitas ou o José Eduardo Moniz acordar com uma ideia melhor. Prece: Oxalá esse dia chegue depressa!...





Foto: Complexo de Electra (autor: Ana Topicana)

Publicado por Ana Tropicana às 07:20 AM | Comentários (0)

Salvadores da Pátria


feeding de ana tropicana

4h da manhã. Descubro que, entre todas as outras coisas, a noite também é propícia à formulação de regras matemáticas:

Constatação de facto - Os períodos mais criativos são inversamente proporcionais ao equilíbrio alimentar.

Variação sobre o mesmo - A actividade do estômago varia na razão inversa à actividade do cérebro.





Foto: Feeding (autor: Ana Tropicana)


Por maior que seja o caos, por muito que tudo esteja vazio... Há sempre alguma coisa que nos salva a fome!

Publicado por Ana Tropicana às 04:15 AM | Comentários (0)

dezembro 06, 2005

Memo

Post it: 15h30 - Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna, Rua 1º de Maio (Lisboa):

«O Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Jorge Lacão, e o Secretário de Estado Adjunto e da Justiça, José Conde Rodrigues, estão presentes no 1º Fórum com o tema «Prostituição e Tráfico, Visibilidade(s) sobre o problema e modos legais de intervenção», no âmbito do Projecto CAIM, Projecto Piloto na Área da Prostituição e Tráfico de Mulheres em Portugal.»

Estrutura deverá reunir informações permanentes e elaborar estudos
Portugal terá um observatório permanente contra tráfico de mulheres até 2007

Fonte: O Público | Autor: LUSA | Data: 06.12.2005 - 19h39


Portugal vai ter até 2007 um observatório permanente de segurança para questões relacionadas com o tráfico de mulheres para fins de exploração sexual, foi hoje anunciado pela coordenadora do CAIM - Projecto Piloto na Área da Prostituição e Tráfico de Mulheres em Portugal, Isabel Varandas.

De acordo com a responsável, o observatório, já aprovado pelo Governo, vai ser criado junto do Ministério da Administração Interna e terá como funções reunir informações permanentes e elaborar estudos sobre o fenómeno.

Em funções há quatro meses, o projecto CAIM realizou hoje em Lisboa o primeiro fórum para debater o problema e os modos legais de intervenção. Isabel Varandas explicou que o projecto CAIM pretende "conhecer melhor um problema profundamente obscuro", o tráfico de mulheres, aumentar a investigação sobre o fenómeno, apoiar e integrar as vítimas.

No âmbito do CAIM deverá ainda ser criada uma casa de acolhimento para mulheres traficadas e um guia de registo de denúncias, a ser usado pelas forças de segurança, adiantou a responsável.

Durante o fórum, Isabel Varandas propôs a necessidade de se criar uma "estrutura de acolhimento de emergência" para apoiar as prostitutas. Segundo a responsável, nesta estrutura as pessoas reflectem se querem ou não denunciar a sua situação e têm um acompanhamento médico, psicológico e judicial e, posteriormente, serão avaliadas por uma comissão independente que definirá a sua condição ou não de vítima. "Caso sejam consideradas vítimas de tráfico, são colocadas numa instituição de acolhimento temporário", sugeriu, sublinhando que, neste local, as vítimas receberiam apoio e seriam integradas na sociedade.

A responsável considerou ainda que as vítimas de tráfico deveriam receber "um rendimento de integração". "As vítimas são mulheres exploradas e em condições de vulnerabilidade. Muitas delas vieram para Portugal, deixaram os filhos nos países de origem e precisam de enviar dinheiro todos os meses", afirmou.

Isabel Varandas recomendou ainda que é necessário transpor para Portugal a legislação que está em vigor na União Europeia relativamente a esta matéria. Também o secretário de Estado adjunto da Justiça, José Conde Rodrigues, considerou necessário "actualizar a legislação portuguesa", adiantando que no âmbito das reformas do processo penal e direito penal, que vão estar em curso em 2006, o tráfico de pessoas para fins sexuais terá de ser incluído.

O secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Jorge Lacão, sublinhou, por sua vez, que "no quadro de um trabalho que está a ser orientado pelo Ministério da Justiça vai haver a revisão de alguns instrumentos legais no combate da criminalidade mais grave e organizada".

Sem especificar mais pormenores, Jorge Lacão acrescentou que vão ser "repensadas algumas soluções para tornar mais eficaz o combate ao tráfico".

O secretário de Estado referiu que o projecto CAIM "é pioneiro no país" e vai permitir "identificar os problemas sociais deste fenómeno e procurar as respostas adequadas". O projecto "ajuda a tomar consciência que o tráfico de seres humanos é um problema sério", não só da sociedade portuguesa, mas também a nível internacional, frisou.

A Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres, os ministérios da Justiça e da Administração Interna, o Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas, a Associação para o Planeamento da família e a Organização Internacional para as Migrações são os parceiros do projecto CAIM.

Publicado por Ana Tropicana às 01:45 PM | Comentários (0)

Adversários

Leio, ao começo da tarde: «Debate Cavaco-Alegre foi o mais visto». Prossigo a leitura. É introduzida uma pequeníssima correcção: em vez de «foi o mais visto» passa a ler-se «entre os programas mais vistos do dia». Continuo a ler AQUI: «Frente-a-frente entre dois dos candidatos presidenciais só foi ultrapassado por telenovelas». Era bom de mais para ser verdade!





Foto: Cavaco Silva e Manuel Alegre - 1º Debate em TV para as Eleições Presidenciais de 22 de Janeiro de 2006 (autor: André Kosters)




Debate Cavaco-Alegre entre os programas mais vistos do dia
Frente-a-frente entre dois dos candidatos presidenciais só foi ultrapassado por telenovelas
Fonte: Portugal Diário | Data: 2005/12/06 - 12:47


O frente-a-frente entre Cavaco Silva e Manuel Alegre, transmitido segunda-feira pela SIC, foi um dos programas mais vistos do dia, só ultrapassado pelas telenovelas da TVI, divulgou hoje a Marktest.

O primeiro dos debates presidenciais agendados pelas três estações generalistas, que foi transmitido logo a seguir ao "Jornal da Noite", foi o terceiro programa mais visto pelo público televisivo.

O encontro entre os dois candidatos presidenciais conseguiu 16,2 por cento de audiência média (número médio de portugueses que viram, pelo menos, parte do programa), ou seja, foi acompanhado por uma média de 1,532 milhões de telespectadores.

O frente-a-frente entre Cavaco Silva e Manuel Alegre conseguiu igualmente um dos melhores 'shares' (número de telespectadores que sintonizaram, pelo menos uma vez, o canal durante o tempo em que estiveram a ver televisão) de segunda-feira: 36 por cento.

O debate da SIC só foi ultrapassado pelas telenovelas portuguesas da TVI, "Ninguém como Tu" e "Dei-te Quase Tudo", que ocuparam a primeira e segunda posição do 'ranking' de programas, respectivamente, de acordo com os mesmos dados.

Em termos globais, a estação de Carnaxide foi o segundo canal mais visto de segunda-feira com uma quota diária de 29,1 por cento.

O "confronto" entre Cavaco Silva e Manuel Alegre foi o primeiro da série de dez debates entre os candidatos presidenciais agendados até 20 de Dezembro pelas três televisões generalistas.

Além do debate de segunda-feira, a SIC vai transmitir os debates Cavaco Silva-Jerónimo de Sousa (dia 13) e Mário Soares- Francisco Louçã (dia 16).

A TVI terá a seu cargo os debates Cavaco Silva-Francisco Louçã (dia 9), Mário Soares-Manuel Alegre (dia 14) e Manuel Alegre-Jerónimo de Sousa (dia 19).

A RTP, que terá o maior número de debates, vai transmitir os "confrontos" Mário Soares-Jerónimo de Sousa (dia 8), Manuel Alegre- Francisco Louçã (dia 12), Jerónimo de Sousa-Francisco Louçã (dia 15) e Cavaco Silva-Mário Soares (dia 20).

Os dez debates serão todos transmitidos em directo a partir das 20:45, ou seja, logo a seguir aos principais telejornais de cada estação de televisão e terão uma duração de 60 minutos úteis.

A eleição do Presidente da República realiza-se a 22 de Janeiro de 2006, decorrendo o período oficial de campanha entre os dias 08 e 20 desse mês.

Publicado por Ana Tropicana às 01:03 PM | Comentários (0)

Do Amor, Da Proteína e Dos Prazos de Validade

Começar o dia a folhear jornais traz sempre instantes de grande revelação.

Diz que a paixão exerce sobre o cérebro um efeito viciante, semelhante ao de uma droga: AQUI.
Ao que parece, o aumento dos níveis das proteínas chamadas neurotrofinas, existentes no cérebro, está ligado aos sentimentos de euforia e dependência que surgem no começo de uma paixão. Acontece que o efeito tende a dissipar-se ao final do primeiro ano: AQUI.

Está explicado!...

Publicado por Ana Tropicana às 08:30 AM | Comentários (0)

(Des) Matar


(des)matando de adriano becker

O desmatamento da Amazónia caiu 30%, entre Agosto de 2004 e Julho de 2005. Contas feitas, a consciência do mundo fica mais levezinha: foram abatidos 18,9 mil quilómetros de Floresta, contra os 27,2 mil registados em igual período do ano passado.

Segundo dados obtidos por satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que realizou a medição em 87% da região amazónica, com uma margem de 5% de erro, verificou-se uma queda acentuada da devastação nas áreas próximas à rodovia Cuiabá-Santarém (BR-163). O problema é que os números também indicam que o desmatamento cresceu exponencialmente no sudeste do Pará e no sul do Amazonas!







Fotos: (Des)Matando (autor: Adriano Becker)




Marina atribui redução do desmatamento na Amazônia a ação conjunta de 13 ministérios
Fonte: Agência Brasil | Autor: Mylena Fiori | Data: 05/12/2005 - 22:43


Brasília - A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, avaliou que a redução do índice de desmatamento anunciada hoje (5) resulta do Plano de Ação de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia, lançado em julho de 2003 e desenvolvido em conjunto por 13 ministérios, sob coordenação da Casa Civil. "Essa redução é, em primeiro lugar, a persistência no planejamento, a persistência em ter uma estratégia que comporte uma ação de governo de forma integrada com vários setores, um plano específico, um orçamento específico e um trabalho constante", afirmou.

Os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam queda de cerca de 30% no índice de desmatamento de 1º de agosto de 2004 a 31 de julho de 2005, em comparação com o período anterior. A redução, a primeira em nove anos, significou, nas contas do instituto, a preservação de 207.015 metros cúbicos de madeira.

A área devastada estimada para este ano é de 18.900 quilômetros quadrados, contra os 27,2 mil quilômetros desmatados entre Agosto de 2003 e Julho de 2004, ou seja, 8 mil quilômetros quadrados a menos que no ano anterior, conforme divulgaram os ministérios do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia, ao qual Inpe é ligado. Os dados partem de 77 imagens de satélite que correspondem a 87% da área total da Amazônia, com uma margem de erro de 5%. O mapeamento total, com a estatística definitiva, deve ser concluído até o final do ano.

O mapa do desmatamento mostra que a redução não foi homogênea. As maiores quedas ocorreram no eixo em torno da BR-163, que liga Cuiabá a Santarém, onde o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) adotaram medidas de combate à grilagem de terra e regularização fundiária. A derrubada de árvores continuou crescendo no sudeste do Pará e no Sul do Amazonas.

Segundo Marina Silva, o desafio, agora, é fazer com que a redução do desmatamento seja sustentado, a fim de evitar o efeito "montanha-russa". "Nosso grande desafio, agora, é combinar as ações de comando e controle do Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis], da Polícia federal, do Exército e do Incra com as ações de desenvolvimento sustentado no âmbito de outros setores de governo que têm a agenda do fomento e do desenvolvimento", disse.

Nesse sentido, segundo a ministra, é fundamental a aprovação do Projeto de Lei de Gestão de Florestas Públicas, já aprovado na Câmara e parado no Senado há nove meses. Outra ação importante, apontada por Marina Silva, é a instituição dos chamados Distritos Florestais Sustentáveis, para promoção de emprego, renda e desenvolvimento com uso sustentável dos recursos florestais. O primeiro distrito que deve sair do papel é o da BR-163, com potencial identificado de produção florestal entre 4,1 milhões e 8,7 milhões de metros cúbicos de toras e geração de 100 mil empregos diretos. Hoje, segundo Marina, a produção é de 1,6 milhão de metros cúbicos, grande parte explorada de forma ilegal.

"Ao mesmo tempo em que achamos altamente relevante esta queda, não podemos baixar a guarda", enfatizou Marina Silva. "Iremos continuar, agora dando ênfase às ações de desenvolvimento sustentável, com a certeza de que apostar em ações estruturantes e não ter uma visão imediatista dá certo quando se trata de política pública", concluiu a ministra.

Publicado por Ana Tropicana às 02:16 AM | Comentários (0)

dezembro 05, 2005

Ser «Alegre»

«É possível falar sem um nó na garganta
é possível amar sem que venham proibir
é possível correr sem que seja para fugir.
(...)
É possível andar sem ser a olhar para o chão
é possível viver sem que seja de rastos.
(...)
É possível viver de outro modo.
É possível viver de pé.
(...)
Não te deixes murchar. Não deixes que te domem.
É possível viver sem fingir que se vive.
É possível ser homem.
É possível ser livre livre livre.»


[Letra Para Um Hino - Manuel Alegre]

Publicado por Ana Tropicana às 10:49 PM | Comentários (0)

Há Gaivotas Na Minha Rua!


"gaivotas do tejo" de ana tropicana

Céu de chumbo sobre Lisboa. Começa, esta noite, o primeiro debate em televisão para as eleições presidenciais. Céu cada vez mais cinza, do outro lado da janela. O grasnar das gaivotas que subiram do Tejo está por todo o lado. Estou fascinada com a proximidade rasante da asa em vôo: roçandro o vidro, raspando o beiral. Intenso o rumor de porto que rompe o silêncio da manhã. O debate. Logo à noite. (Não esquecer!). Continuo fascinada com as gaivotas que vieram dar aqui. Disparo quase 400 fotos até me dar por satisfeita. Passou uma hora. O debate: mais logo. Ainda falta!... Apresso o passo mesmo assim. Saio de casa. (Atrasada!). Céu cinza sobre Lisboa. Cinza sem chumbo. Deixo a rua à guarda das gaivotas. Céu sem chumbo, agora. Nenhum chumbo.


Post it: acrescentar «uma Nikon nova» à minha whishing list de Natal.





Foto: "Gaivotas do Tejo" (autor: Ana Tropicana)

Publicado por Ana Tropicana às 10:12 AM | Comentários (0)

dezembro 04, 2005

... Ainda as Grandes Crueldades

Ainda estou para aqui a magicar no Relatório que me chegou esta madrugada.
No mesmo propósito, vale a pena ler a reportagem especial publicada na Revista Época, no passado dia 26 de Novembro. São 8 páginas sobre violência contra defensores de direitos humanos no Pará, assinadas pelas jornalistas Eliane Brum e Solange Azevedo: AQUI.

Publicado por Ana Tropicana às 05:46 PM | Comentários (0)

... Ainda os «Grandes Amores»

Ainda estou para aqui a magicar na reportagem da Cândida.
De tudo o que vi e ouvi para somar ao que já conhecia da história de Snu e Sá Carneiro, retenho três linhas de força:

- A perpicácia "Mátria" de Natália Correia, que a fez pressentir que o nórdico sono de Snu no seu «esquífe de gelo» devia ser desperto por Francisco, e os apresentou aos dois. Estava certa, a poetisa: foi amor à primeira vista. Como na literatura mais fina. Como se o romance já tivesse sido escrito por alguma musa e tudo o mais que se seguisse não fosse senão pura fatalidade literária.

- A franqueza de Vasco Abecassis quando fala desse «estranho bicho nórdico» que era a ex-mulher, lhe reconhece o que designa por "will power" e, com um certo brilho ainda a perdurar no olhar, quase 30 anos depois, coloca desta forma o derradeiro instante do abandono: «Percebi, nesse momento que não havia nada a fazer: dei-lhe o divórcio e deixei-a ir». Como se fosse simples deixar partir um grande amor. Como se a suprema dignidade estivesse afinal em saber perder a mulher da nossa vida.

- O embaraço mal disfarçado de Mário Soares, confrontado com a frase infeliz usada no tempo de antena da campanha eleitoral da época, tentando teimosamente justificar o injustificável, como se nenhum acto de contricção lhe tivesse chegado com o tempo. Como se na condição de actual candidato a um 3º mandato na Presidência da República, em 2006, continuasse a parecer-lhe aceitável que «o combate político» legitime todas as analogias. Até as mais deploráveis, como aquela: «Como é que se pode esperar que um homem que não soube tomar conta da própria família, saiba tomar conta de um país?».





Foto: Snu Abecassis e Francisco Sá Carneiro (autor: Alfredo Cunha)





Foto: Camarate, 04 de Dezembro de 1980 (autor: Alfredo Cunha)

Publicado por Ana Tropicana às 03:26 PM | Comentários (0)

Pará: Terra dos "Sem-Lei"


velho "oeste" de cpt

A Pastoral da Terra e as ONGs Justiça Global e Terra de Direitos divulgaram, no passado dia 28 de Novembro, o relatório intitulado «Violação dos Direitos Humanos na Amazônia: conflito e violência na fronteira paraense», fruto do trabalho de alguns meses, iniciado pouco após o assassinato da missionária, Dorothy Stang, a 12 de Fevereiro deste ano.

As conclusões são chocantes: dos 772 assassinatos cometidos contra trabalhadores rurais e outros defensores dos direitos humanos no Estado do Pará, entre 1971 e 2004, apenas 3 julgamentos foram realizados. Nos últimos 10 anos, foram assassinados, em média, 13 trabalhadores por ano, houve 128 tentativas de assassinato e foram registadas 459 ameaças de morte.

De acordo com dados, nos últimos cinco anos mais de 300 fazendas foram denunciadas pela prática de trabalho escravo, envolvendo mais de 10 mil trabalhadores. Estima-se que cerca de 10 mil trabalhadores continuem a ser mantidos escravizados na região, como forma de diminuir os custos da produção.

O documento divulga ainda listas de lideranças assassinadas no Pará, de 48 pessoas ameaçadas de morte, de 76 fazendeiros multados por trabalho escravo, e de 30 pistoleiros e mandantes que tiveram a prisão decretada, sem nunca ser cumprida.

O Relatório está disponível para download AQUI





Foto: Capa Oficial (autor: CPT)


É certo que os factos e dados apresentados são claros e gritantes. Ainda assim, para dissecar o relatório apresentado, deixo dois artigos, à laia de auxiliares:




Intimidação, ameaça de morte e assassinato de lideranças, grilagem de terras, formação de milícias privadas, destruição do meio ambiente, corrupção, desvio de recursos públicos e utilização de trabalho escravo. Todos esses crimes e violações de direitos humanos se concentram de maneira perversa no Pará, principalmente nas regiões sul e sudeste do Estado, marcadas pela ausência do poder público. Soma-se a isso a total impunidade em relação aos autores desses crimes, o que perpetua os conflitos no campo paraense.

O relatório “Violação Dos Direitos Humanos na Amazônia: conflito e violência na fronteira paraense”, que contém recomendações para a atuação dos governos federal e estadual no Pará, pretende ser um instrumento para trabalhadores rurais e organizações locais de monitoramento e cobrança de ações do Estado. Ele será entregue a diversos ministérios brasileiros e a representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) que tratam dessas questões.

De acordo com o relatório, “os conflitos fundiários têm resultado, nas últimas décadas, em inúmeras chacinas nas quais é inequívoca a conivência dos poderes públicos com o crime organizado no campo”.

A impunidade, por sua vez, se constitui numa espécie de “licença para matar” e garante a repetição desse ciclo: “É muito difícil que um caso desses seja levado à Justiça, e quando isso acontece, os culpados não são presos, ficam foragidos. A atuação do Judiciário e da polícia é muito mais rápida quando se trata de um trabalhador rural ou integrante do MST acusado injustamente”, compara Carlos Eduardo Gaio, coordenador de relações internacionais da Justiça Global, que participou da elaboração do relatório.

O documento aponta que o Pará também desponta no cenário nacional em relação ao trabalho escravo.

Toda essa situação ocorre, em grande medida, por causa da histórica ausência do aparato do Estado na região. A parca presença da Polícia Federal, do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), por exemplo, não é suficiente para evitar os conflitos. “Muitas delegacias sequer têm recursos para pagar o combustível de suas viaturas e algumas não possuem telefone, num Estado que é maior do que a Bolívia. Elas ficam isoladas, muito mais suscetíveis a pressões de fazendeiros e grileiros”, afirma Gaio.

Em relação às políticas e programas governamentais existentes, o estudo avalia que algumas delas apontam para uma mudança de perspectiva na atuação do Estado na Amazônia. “É inegável que, principalmente nos últimos dois anos, ao lado das políticas desenvolvimentistas e das obras de infra-estrutura, os governos têm dado progressiva atenção às políticas que respeitam e promovem a sociodiversidade amazônica”, afirma o relatório. No entanto, diversas políticas públicas em discussão no Pará continuam “espelhando as contradições e a disputa de modelos de desenvolvimento”. Uma prova disso é a convivência entre os debates em torno da construção de estradas e hidrelétricas e de propostas inovadoras, conquistadas na forma de políticas públicas por meio da luta popular.

Se, por um lado, houve ações importantes para os trabalhadores rurais da região como a criação da Reserva Extrativista Verde para Sempre, dos Projetos de Desenvolvimento Sustentável e a edição do Decreto 4.887, de 2003, que regulamenta a regularização dos territórios quilombolas, por outro, também ocorreu a autorização pelo Congresso da construção da hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira, a continuidade do desmatamento e o incentivo à expansão do agro-negócio, em especial da cultura de soja, que avança a cada dia.

“Essa possibilidade de mudança de gestão do território e inserção de um ingrediente sustentável apresentada pelo governo federal e de que a polícia federal retome o controle do território, suspenda o desmatamento e controle os grileiros sofre forte reação dos fazendeiros. Eu credito a isso a morte da irmã Dorothy Stang, em fevereiro deste ano”, avalia o advogado Darci Frigo, coordenador da ONG Terra de Direitos, um dos responsáveis pelo relatório. Segundo ele, esse novo formato da política na região não teve o acompanhamento devido dos órgãos governamentais para resolver situações litigiosas, o que gerou um acirramento dos conflitos.

Por isso, o problema dos defensores de direitos humanos jurados de morte se encontra em situação emergencial. Mesmo com a comoção nacional e internacional gerada pelo assassinato da irmã Dorothy, esse tipo crime continua se repetindo na mesma proporção. “Com a presença do exército na região durante dois meses, fazendeiros e grileiros ficaram quietos, mas depois, quando eles saíram, a situação voltou ao que era. Jagunços e grileiros ficaram mais fortalecidos para fazer o que faziam antes”, denuncia Gaio.


Reforma agrária sustentável

Dentre as recomendações do relatório, destacam-se a aprovação imediata da a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 438/2001 que prevê a expropriação de terras onde forem encontrados trabalhadores escravos; o fortalecimento e estruturação das unidades do Ibama no Estado do Pará, garantindo eficácia às ações de fiscalização e combate ao desmatamento ilegal e às ações de implementação das unidades de conservação criadas; o cancelamento imediato dos registros irregulares de terras griladas; a estatização dos cartórios; e a investigação de todos os casos de ameaças, tentativas e assassinatos de trabalhadores rurais, lideranças e demais defensores dos direitos humanos na região.

Uma política séria de reforma agrária, no entanto, é apontada como a principal solução para grande parte dos problemas descritos no documento. “São mais de 20 mil famílias, acampadas ou ocupando latifúndios em todo o Estado. Sem reforma agrária (que promova uma verdadeira desconcentração da terra, coibindo e retomando terras griladas) e sem punição para os crimes contra trabalhadores e outros defensores, a violência continuará ceifando a vida das pessoas que lutam pelo justo direito à terra, à preservação do meio ambiente e a uma vida digna nesta porção da Amazônia”, ressalta o relatório. Mas não é uma reforma agrária qualquer que eles defendem e sim um modelo específico. “Queremos uma reforma agrária que seja sustentável, baseada nos direitos humanos, no respeito às comunidades tradicionais e na sustentabilidade ambiental. Não é para distribuir terra a torto e a direito”, define Frigo.

As entidades pretendem entregar o documento a diversos ministérios, – como o da Reforma Agrária, do Meio Ambiente, da Justiça e da Agricultura – solicitando que ministros e secretários dêem atenção especial a esse relatório e suas recomendações. Ele também será enviado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), para quem as entidades já fizeram uma apresentação preliminar de seu conteúdo, à Comissão de Direitos Humanos e aos relatores especiais da ONU relacionados a temas abordados no relatório, como execuções extra-judiciais, defensores de direitos humanos, independência de juízes e advogados, direito à alimentação, direito à saúde, entre outros.

No dia 5 de dezembro, a Representante Especial das Nações Unidas para Defensores de Direitos Humanos, Hina Jilani, inicia sua missão oficial ao Brasil e estará no Pará de 7 a 9 de dezembro. As organizações da sociedade civil se mobilizaram para que a visita dela ao Estado coincida com o julgamento de dois acusados do assassinato da irmã Dorothy Stang, que devem ser levados a júri popular nos dias 9 e 10 de dezembro. Ela também deverá passar pelos Estados de Pernambuco, Bahia, Santa Catarina, e São Paulo.

por Fernanda Sucupira





Cf.

Violação dos direitos humanos na Amazônia: conflito e violência na fronteira paraense


As organizações não-governamentais Comissão Pastoral da Terra (CPT),
Terra de Direitos e Justiça Global apresentam no dia 28 de novembro, às 14h30, na sede da CNBB em Brasília, o relatório "Violação Dos Direitos Humanos na Amazônia: conflito e violência na fronteira paraense". O livro, que também será disponibilizado em inglês e alemão, será entregue além das autoridades do governo federal e do Pará, à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, à Comissão de Direitos Humanos da ONU e à Representante Especial das Nações Unidas para Defensores de Direitos Humanos, Hina Jilani, que chega ao Brasil em missão oficial no dia 5 de dezembro, e que inspecionará o Pará de 7 a 9 do mesmo mês.

A pesquisa, realizada em parceria pelas três organizações, traz uma análise sobre a situação fundiária e a violência no Estado do Pará, desnudando as relações entre a degradação ambiental, a situação fundiária e as violações de direitos humanos.

A partir das denúncias, lutas e problemas enfrentados pelos trabalhadores, o relatório aborda o desmatamento, a grilagem e a violação dos direitos humanos. As reflexões procuram também abordar e analisar as dificuldades na implementação de um programa de reforma agrária sustentável e na demarcação de reservas extrativistas.

Como lugares e exemplos dessa luta, foram visitadas e pesquisadas as localidades de Rondon do Pará, Anapu, Terra do Meio, Castelo dos Sonhos e Porto de Moz. Essas regiões ilustram, por um lado, a ação criminosa de latifundiários, grileiros, e madeireiros, além da recorrente e não menos criminosa ação de órgãos do Poder Público. Por outro lado, estas regiões são palcos de luta e resistência de posseiros, ribeirinhos, trabalhadores rurais, defensores de direitos humanos na busca de uma reforma agrária e de um modelo de desenvolvimento capaz de garantir melhores condições de vida população e a preservação da Amazônia.

O Pará carrega alguns tristes recordes, como o de campeão dos conflitos de terra e de mortes. De fato, nos últimos dez anos, os números relativos aos conflitos, mortes e ameaças de morte são excessivamente elevados. Os registros da CPT mostram que, de 1971 a 2004, foram assassinados 772 camponeses e outros defensores de direitos humanos no Pará, sendo que a maioria dessas mortes (574 casos) foi registrada na região sul e sudeste do Estado. Na primeira metade do período mencionado (1971-1985) foram registrados 340 assassinatos em conflitos fundiários. Na segunda metade do período (1986-2004) foram vitimados 432 camponeses, demonstrando assim a persistência no tempo do padrão de violência existente no Pará.

Se o padrão de violência impressiona, a impunidade choca ainda mais: dos 772 assassinatos no campo no Pará, foram realizados apenas três julgamentos de mandantes dos crimes. Para demonstrar a impunidade, a pesquisa traz uma lista com os nomes de mandantes e pistoleiros que já tiveram a prisão preventiva decretada mas que continuam em liberdade.

Ao final do relatório as entidades apresentam um rol de recomendações, especificando os órgãos competentes a que se destinam e as competências que lhes cabem em cada uma delas. Este relatório, além de ser mais uma ação de denúncia e monitoramento em torno das violações de direitos humanos e destruição ambiental no Pará, quer contribuir para transformar a realidade.

Publicado por Ana Tropicana às 03:21 AM | Comentários (0)

dezembro 03, 2005

«Snu»


snu e francisco de autor desconhecido

Conheceram-se num almoço. Eram ambos casados, no Portugal conservador do pós 25 de Abril. Apaixonaram-se. Ele era primeiro-ministro, o primeiro eleito com maioria absoluta em democracia; ela viera da Escadinávia e abrira uma editora, que incomodava a pasmaceira intelectual do país e trazia a PIDE em furor persecutório. O divórcio foi-lhe concedido a ela. A ele não. Amaram-se mesmo assim: sem nunca recuar, contra tudo e contra todos, desafiando protocolos, resistências familiares, interesses partidários, morais e outras razões de Estado. Ele nunca abriu mão da presença dela a seu lado, qualquer que fosse a ocasião, por mais fortes, hipócritas ou sinistras que fossem as ameaças, os ataques, as pressões. Exigiu a Portugal e ao Mundo que a tratassem com o respeito e a dignidade que convêm a um Grande Amor. A 4 de Dezembro de 1980, em plena campanha eleitoral para as eleições presidenciais, embarcam num Cessna em Lisboa rumo ao Porto. Faltava um ano para expirar o prazo que faria com que a lei o reconhecesse, também a ele, como um homem divorciado. A viagem dura 38 segundos. O avião cai em Camarate. Cedo demais.

Para ver, depois das 20h, AQUI.




Na noite de 4 de Dezembro de 1980, o primeiro-ministro de Portugal, Francisco Sá Carneiro, Snu Abecassis, o então Ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa e a mulher, Maria Manuel Amaro da Costa, António Patrício Gouveia e os pilotos, morreram num desastre de avião, durante a campanha para as eleições presidenciais desse ano. O avião tinha acabado de levantar voo quando se despenhou em chamas numa rua do bairro de Camarate, às portas de Lisboa. Vinte e cinco anos depois da queda do Cessna as dúvidas e as suspeitas sobre as causas do desastre continuam por esclarecer.


Em 1999, tentámos, eu e a equipa que fez para a RTP 2 a resenha dos factos mais marcantes do século, conversar com a família de Snu Abecassis e Francisco Sá Carneiro. O conceito de «O Juízo Final» obrigava à selecção de um e um só facto, acontecimento e/ou personalidade, marcantes do Século XX por programa. No total: 100 escolhas para 100 programas, a emitir durante os 100 dias que faltavam até à chegada do novo milénio. Foram muitas e vivas as discussões e os argumentos, até chegarmos ao alinhamento definitivo: Marylin ou Elvis Presley, Hitler, Kennedy ou Gandhi, a invenção da pílula ou o 1º transplante cardíaco, a chegada à lua ou a descoberta da electricidade, enfim. Nesse processo de selecção, recordo-me que houve raros momentos de consenso. A escolha de Francisco Sá Carneiro foi um deles. Todos entendíamos que era um nome incontornável, não apenas pela dimensão de estadista, mas sobretudo como homem, vertical nos sentimentos, íntegro na forma como lhes foi coerente e leal, desafiando convenções e preconceitos, protagonista irrepreensível de uma grande história de amor, inevitavelmente inscrita na memória colectiva do país: Sá Carneiro, o amador sem concessões, à laia de Pedro, vergando a corte em reverência à Bela Inês.

Importava-nos Sá Carneiro pelos olhos do amor a Snu. Mizé Freitas do Amaral, Conceição Monteiro, Maria João Avillez, encabeçaram o restrito leque de amigas de Snu que permitiram, pela primeira vez, erguer o véu sobre um amor maldito, tão belo quanto castigado. Não fomos mais longe: de um lado e de outro, ambas as famílias se recusaram à conversa, magoadas pela ausência de vontade política no esclarecimento das circunstâncias da morte dos dois, pelos sucessivos arquivamentos do processo de apuramento de causas e responsabilidades que estiveram na origem do acidente, pelo desgaste teimoso e solitário na luta pela reabertura da investigação, melindradas pela memória fresca da condenação pública da relação dos dois, assustadas pelos rumores do interesse, que entretanto começava a surgir, para passar ao cinema a vida de Snu e Francisco, ainda que à revelia do seu consentimento.


Durante o ano seguinte, os rumores confirmam-se, apesar da polémica em torno da autorização e contra as vontades expressas das famílias, Luís Filipe Rocha e Tino Navarro levam em diante o guião e realizam o filme a que dão o lacónico título: «Camarate».


Hoje, véspera do dia em que se cumprem 25 anos sobre a morte de Snu e Francisco, a SIC passa uma reportagem onde, finalmente, aqueles que se cruzaram mais de perto com o casal aceitam quebrar o longo e intrespassável silêncio, para falar de amor.


O trabalho é da autoria de Cândida Pinto que fala assim, da reportagem que será exibida logo, durante o Jornal da Noite, no ar a partir das 20h:


«Quem era a nórdica que apaixonou Sá Carneiro e desafiou a sociedade portuguesa nos anos 70? Esta curiosidade levou-me a tentar perceber a mulher fugidia, que surgia sempre em segundo plano, atrás de Sá Carneiro, em escassos momentos de imagens ou em meia dúzia de fotografias, mas que suscitava todo o interesse. A razão é simples: como diz o filho de Sá Carneiro, Francisco Sá Carneiro, a Snu «bastava estar».


Há dez anos tentei fazer este trabalho, conhecer melhor esta mulher esquiva que tinha levado um líder político português a deixar a conservadora família no Porto, para viver em "união de facto" com uma escandinava. Na altura a família não aceitou falar, mas agora, 25 anos depois da morte de Snu e Sá Carneiro, foi possível obter depoimentos inéditos, consultar os arquivos familiares e revelar imagens exclusivas de Snu Abecassis.

E encontrei algumas surpresas: o carácter determinado, aventureiro e competitivo de Snu quando era criança e adolescente, contado pelas colegas de liceu, na Suécia. O "will power" que cativou o ex-marido de Snu, o português Vasco Abecassis, homem de forte personalidade que impressiona pela lucidez e transparência com que fala da mulher que amou. Os filhos de Snu, que ficaram com uma relação prematuramente quebrada, que não conheceram bem a mãe e que ainda hoje procuram saber mais sobre ela. O filho de Sá Carneiro, que confessa a saudade que lhe deixou Snu. Os funcionários que a acompanharam na Dom Quixote, e que guardam a imagem de uma mulher de coragem, que desafiava a PIDE.

Mário Soares, Cavaco Silva, Artur Santos Silva, Francisco Pinto Balsemão, Miguel Veiga, Maria João Avillez dão testemunho do que viveram com Snu e Sá Carneiro.

A paixão vivida pelo casal, contra tudo e contra todos, não deixava ninguém indiferente. Nem a mãe de Snu, Jytte Bonnier, que identificava na filha uma personalidade de liderança.

Entre o rigor nórdico e a falta de organização portuguesa, Snu surge sempre inquieta. O ex-marido é claro na conclusão: Snu nunca se integrou na sociedade portuguesa.

A 4 de Dezembro de 1980, com 40 anos, morre num desastre de avião, ao lado de Sá Carneiro.»


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Ficha Técnica:

Reportagem SIC/Expresso
Jornalista: Cândida Pinto
Imagem: José Maria Cyrne
Montagem: Marco Carrasqueira
Grafismo: Paulo Alves
Produção: Isabel Mendonça
Coordenação: Daniel Cruzeiro
Emissão: 3 de Dezembro de 2005

Publicado por Ana Tropicana às 11:23 AM | Comentários (0)

dezembro 02, 2005

Mood II


a cor das cinzas de ana tropicana

«Um arco-íris se formou no céu» e há 24 horas que, insistentemente, me persegue assim: perfeitamente desenhado. Quando quer que erga os olhos, para onde quer que volte o olhar, lá está ele: nítido e visível... tanto que me acorda aquele samba antigo que, desde então, não consigo parar de cantarolar.



«Novos Tempos», Mart'nalia
[in Pé do Meu Samba - 2002]





Foto: A Cor das Cinzas (autor: Ana Tropicana)





«Novos Tempos» - Mart'nalia


A chuva chega
e ela vem lavar
vem me livrar do mal
É água fresca para aliviar
meu coração que secou
de tanto pranto derramado
pela mágoa
que se instalou no meu peito
de um jeito tão perverso
que hoje se desfaz desses versos
um arco íris se formou no céu
é um sinal que a paz
está de volta na minha alma
sinto calma
são novos tempos enfim
graças à chuva que levou o rancor
me permitindo viver outro grande amor

Publicado por Ana Tropicana às 05:21 PM | Comentários (0)

dezembro 01, 2005

Mood I


dilúvios de ana tropicana

Por estranho que possa parecer, agrada-me a ideia de ver Dezembro chegar assim: prenho e em dilúvio. Quase humano de tão líquido.








Fotos: Dilúvios (autor: Ana Tropicana)

Publicado por Ana Tropicana às 03:36 PM | Comentários (0)

«D»: de "Dezembro" e de "Dilúvio"


protection de autor desconhecido

«Previsão meterológica: os ventos ciclónicos intensificam-se esta 5ª feira. Períodos de chuva intensa com tendência a agravar-se durante a noite.»

(...)

Por toda a madrugada, escutando as bátegas de água e o rugido animal do vento serpenteando entre as telhas e a boca da chaminé, tive uma certa impressão de existir no útero de uma espécie de Arca de Noé talhada no lugar da casa... Quem manda escolher o rebordo da colina para empoleirar a maloca?! Quem manda querer recriar a Casa da Floresta no centro do velho coração da cidade?! A saudade, eu creio. Esta irremediável saudade(benza-a Deus!).





Foto: Protection ou «Nocturno Sem Gatos Mas Com Dilúvio» (autor desconhecido)

Publicado por Ana Tropicana às 06:33 AM | Comentários (0)