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dezembro 18, 2005

«A Amazónia é Nossa»

O exército brasileiro está a investigar as ONG's que actuam na Amazónia. Eis na verdade uma questão delicada: distinguir as entidades que desenvolvem um trabalho sério, das que utilizam o pretexto do trabalho de campo para fins mais nebulosos. A transparência é urgente, é certo, mas receio que a vaga de suspeição possa representar também uma tentativa do Estado para neutralizar tantas e tantas vozes incómodas que o interpelam por parte das ONG's.




Forças Armadas investigam atuação de ONGs na Amazônia
Fonte: Jornal do Brasil | Data: 17 Dezembro de 2005 - 18h 51

BRASÍLIA – O Exército brasileiro está investigando a atuação de organizações não-governamentais (ONGs) na Amazônia. A informação é do comandante Francisco Albuquerque, durante audiência pública, esta semana, na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.


Segundo ele, o Exército é favorável à atuação de organismos na área desde que não haja uma desnacionalização da região. ''Os trabalhos de ONGs nos países em desenvolvimento são uma realidade e precisamos entender o que há por trás disso'', afirma ao dizer que ''a Amazônia é nossa'' e que o país lutará para defendê-la e administrá-la.


Para o deputado André Costa (PDT-RJ), autor do requerimento que solicitou a audiência com membros das Forças Armadas, a investigação é uma ação crescente que deve ser trabalhada para se transformar numa política pública brasileira.


O parlamentar enfatizou que muitas organizações são bem intencionadas. Mas disse acreditar que outras "atuam de uma forma um tanto mais cínica, porque atendem ao interesse geopolítico de uma potência, geralmente financiadora desse trabalho, e poderiam ter outras razões além do sentido de cooperação e solidariedade para com os povos da Amazônia". Agência Brasil.




Para associação, suspeita contra atuação de ONGs na Amazônia não tem base real
Fonte: Agência Brasil | Autor: Fernanda Muylaert | Data: 17 de Dezembro de 2005 -18:46

Brasília - A suspeita que levou o Exército a iniciar uma investigação sobre a atuação das organizações não-governamentais (ONGs) na Amazônia "não tem base real". A avaliação é de Alexandre Cicconelo, advogado da Associação Brasileira das Organizações Não-Governamentais (Abong). Ele afirma não ter fundamento a tese de que ONGs são financiadas por recursos de organizações de outros países e por isso agem em defesa de interesses internacionais. "Esse é um argumento simplista, porque mesmo recebendo financiamento de agências de cooperação internacional, não necessariamente defenderemos um interesse específico", conta.

Cicconelo lembra que há três anos uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi instaurada no Senado para apurar a atuação dessas organizações na Amazônia. "Esse discurso que as Forças Armadas usa não tem base em fatos reais e a CPI é prova disso, porque durante todos esses anos de investigação nada foi comprovado", diz.

Para o advogado, o governo brasileiro mostra um medo de um inimigo interno e externo que não existe: "Esse discurso das Forças Armadas até se justifica um pouco pela falta de um papel claro e definido para suas atuações no país. E com todas essas falsas teorias apresentadas, eles usam a tese de um inimigo que pode invadir a Amazônia para justificar alguma atuação da corporação na região".

Publicado por Ana Tropicana às dezembro 18, 2005 10:25 AM

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