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outubro 12, 2005

Taxi

Acordo estremunhada a meio da noite, entre um nevoeiro indeciso de chuvas e ventos que são ecos da tempestade que continua a andar ao largo. E então, subitamente, a madrugada ganha som e não me deixa voltar a dormir.



«Prayers for rain», The Cure
[in Disintegration - 1989]








Fotos: «Night Taxi» (Autor: autor desconhecido)

Publicado por Ana Tropicana às 02:43 AM | Comentários (1)

outubro 11, 2005

As Vazias Redes de Manaquiri


pescadores do manaquiri de rickey rogers

Admito que, para muitos, o Manaquiri seja pouco mais que um nome que lembra o do "Mikado". Poucos saberão que fica nas margens do rio Paraná, a cerca de 150 km de Manaus, e talvez menos ainda se inquietem em excesso com as redes vazias dos pescadores das 25 comunidades que por lá se ajeitam, há anos e anos. Não chover no Manaquiri pode parecer coisa banal, tendo em conta a seca que por cá vai lavrando. O pior é que não chover por há-de agravar tremendamente os dias sem chover aqui!...








Foto: Pescadores do Manaquiri (autor: Rickey Rogers)




Amazônia enfrenta a pior seca dos últimos 40 anos
Fonte: Reuters | Autor: Terry Wade | Data: Seg, 10 Out - 14h44


A Amazônia sofre sua mais grave seca nos últimos 40 anos, e as consequências são incêndios, doenças e a morte de milhões de peixes.

"O que é terrível para nós é a morte de todos esses peixes, e quando a água voltar não vai ter sobrado quase nenhum", disse o pescador Donisvaldo Mendonça da Silva, de 33 anos.

Perto dali, piranhas debatiam-se na água rasa, com profundidade de apenas 5 centímetros -- o que restou do rio Paraná de Manaquiri, um afluente do Amazonas. Milhares de peixes podres jaziam nas margens secas do rio.

O governo do Amazonas declarou estado de calamidade pública em 16 cidades por causa da seca, que já dura dois meses e vem deixando a população ribeirinha sem alimentos, pois não pode pescar nem plantar.

Há cientistas que responsabilizam pela seca uma elevação da temperatura dos oceanos, provocada pelo aquecimento global. O fenômeno também foi relacionado com os recentes furacões de grande intensidade que atingiram os Estados Unidos e a América Central.

A elevação do ar no Atlântico Norte pode ter feito com que o ar que fica acima da Amazônia tenha descido, impedindo a formação de nuvens e a precipitação, afirmaram cientistas.

"Se o aquecimento do Atlântico Norte for tomado como evidência, ela é uma prova de como o mundo está mudando", disse Dan Nepstadt, ecologista do Instituto Woods Hole, com sede em Massachusetts, financiado pelo governo dos EUA e por entidades privadas.

"A Amazônia é um sinal de saúde para o planeta. Estamos em território desconhecido, pois estamos entrando na tendência do aquecimento global", disse ele.

O desmatamento também pode ter contribuído para a seca, porque a retirada das árvores reduz a umidade do ar, por aumentar a penetração da luz solar na vegetação.

Outros cientistas dizem que secas severas são normais e ocorrem em ciclos, independentemente do aquecimento global.

O rio vira estrada

No principal porto de Manaus, dezenas de barcos estão sobre a terra, com o recuo da água. Onde antes dava para nadar, as pessoas andam de carro.

A uma hora do local onde se junta ao rio Negro para formar o rio Amazonas, o Solimões está tão baixo que quilômetros de leito transformaram-se em dunas. O vento provoca tempestades de areia, e urubus atacam a carniça.

Outro grande afluente do Amazonas, o rio Madeira, está tão seco que os barcos que levam óleo diesel desde Manaus não conseguem chegar à capital de Rondônia. O combustível, usado para alimentar usinas termelétricas, tem de ser levado de caminhão por milhares de quilômetros, desde o sul do Brasil.

O vento seco e a falta de chuvas deixaram a floresta mais suscetível aos incêndios, causados por fazendeiros que querem abrir clareiras para a pastagem.

Durante as estações de seca normais, as chuvas ainda ocorrem e apagam o fogo que tenha escapado do controle dos fazendeiros. Este ano, elas não apareceram, e o incêndio continua.

No Acre, 100 mil hectares de floresta já queimaram desde o início da seca, e a espessa fumaça chegou a fechar aeroportos por falta de visibilidade.

"É ilegal provocar queimadas, mas todo mundo faz isso. Eu faço para me livrar dos insetos e das cobras, e para criar pasto novo para meu gado", disse um homem que se identificou apenas como Calixto, usando folhas verdes para controlar sua queimada perto da estrada.

A seca também atrapalhou a vida das comunidades ribeirinhas, que vivem ao longo do labirinto de igarapés da bacia amazônica.

"Fechamos 40 escolas e cancelamos o ano letivo porque não há comida, transporte nem água potável", disse Gilberto Barbosa, secretário de administração pública de Manaquiri. Os moradores cujos poços artesianos secaram correm o risco de beber água contaminada pelas carcaças de animais.

As vias de navegação acabaram sendo cortadas pelo rebaixamento do nível das águas, prejudicando a rede de transporte da região.

Muitos moradores das 25 comunidades ribeirinhas de Manaquiri estão sendo obrigados a andar quilômetros para comprar comida ou remédio.

Os casos de diarréia, uma das doenças que mais matam no mundo em desenvolvimento, estão crescendo na região. Teme-se que a água parada aumente a ocorrência de malária. O governo estadual enviou 5 toneladas de medicamentos básicos para os vilarejos mais afastados.

Serão necessários mais dois meses para que o rio volte a se encher, durante a estação das chuvas. Mas os moradores temem que a água poluída ainda contamine os peixes e plantações.

"Nunca vi nada assim", disse Manuel Tavares Silva, de 39 anos, que planta melão e milho perto de Manaquiri, cidade que fica a 149 Km de Manaus.

Publicado por Ana Tropicana às 11:08 AM | Comentários (0)

Clipping

Ainda a propósito da blogoesfera: parece que um estudo recente da AskJeeves revela que, na prática, a maioria dos internautas navega exclusivamente por um pequeno e restrito universo de blogs.




Internautas navegam por pequeno universo de blogs
Fonte: Reuters | Autor: Eric Auchard | Data: Seg, 10 Out - 14h52


O universo de blogs publicados na Internet tem milhões de sites, mas somente uma pequeno número deles tem uma audiência significativa, afirma um estudo da empresa de pesquisa AskJeeves.

"Os blogs são a forma de conteúdo que mais cresce na Web", afirmou Jim Lanzone, vice-presidente sênior de busca da AskJeeves, unidade da IAC/InterActiveCorp. "Mas o número de sites que realmente importa é pequeno."

Apenas 60 blogs são "quentes", capazes de serem citados em links inseridos em mais de 5 mil outros sites, disse Lanzone. Sites que atraem mais de mil links são apenas 437, segundo o Bloglines, o mais popular sistema de monitoramento de sites, de propriedade da AskJeeves.

O número total de sites publicados na Internet, segundo várias estimativas, varia entre 14 milhões e 20 milhões.

Sites que "realmente importam", classificados como páginas que são citadas por pelo menos 20 outros sites, somam 36.930, segundo dados de setembro da Bloglines. Sites que "importam", definidos como páginas que são citadas em pelo menos um link de outro site, são quase 1,4 milhão.

O popular site de aficcionados em tecnologia Slashdot tem mais de 50 mil links que se referem a ele, segundo os números da Bloglines.

Mena Trott, co-fundadora da Six Apart, companhia de software que está por trás de duas das mais famosas ferramentas de publicação de blogs -- Live Journal e Movable Type -- disse que os números da Bloglines não incluem muitos blogueiros que nunca se importaram em colocar links em suas páginas para outros sites.

Publicado por Ana Tropicana às 10:09 AM | Comentários (0)

«All News & Blogs»


all news & blogs de yahoo

Descubro que, desde a noite passada, a Yahoo passou a incluir os blogs na lista da oferta jornalística que disponibiliza para a busca de notícias on-line. Registo o acontecimento e fico a pensar em todas as coisas imbricadas nessa decisão.




Internet: Yahoo passa a incluir blogues nas buscas de notícias
Fonte: LUSA | Data: 11-10-2005

São Francisco, Califórnia, 11 Out (Lusa) - O instrumento de busca de notícias da Yahoo passou na segunda-feira a incluir os blogues na sua oferta jornalística on-line, o que atesta o interesse do público norte-americano por fontes alternativas de informação.

Com esta inovação, a busca de uma palavra-chave nas notícias on-line inclui agora uma lista de "Web logs", ou "blogues", relevantes, mostrados numa caixa à direita dos resultados obtidos no jornalismo convencional.

Em comparação, a secção de notícias da Google, que oferece o mais importante motor de busca da Internet, continua a fazer buscas apenas na imprensa de referência.

O passo agora dado pela Yahoo representa o reconhecimento de um público crescente que não se satisfaz com a oferta informativa e editorial dos jornais, das revistas ou dos meios audiovisuais.

Embora muitos dos principais autores de blogues careçam de formação jornalística formal, isso não os impede de fidelizarem leitores e dar notícias que os órgãos de informação dominantes silenciam ou ignoram.

"Os media tradicionais não têm tempo, nem recursos, para cobrir tudo o que se passa", disse Joff Redfern, director de produto de Yahoo.

Mas o mundo dos blogues, ou blogosfera, também faz circular rumores ou informações incorrectas, por não se submeter aos rigorosos crivos das redacções profissionais, que têm critérios mais apertados na selecção de fontes.

É por isso que a apresentação dos resultados das buscas noticiosas da Yahoo recorre a uma caixa para separar os blogues das fontes "confiáveis" tradicionais recolhidas pelo seu novo instrumento de busca.





Yahoo Adds Blogs to Its News Section
Fonte: AP | Data: Segunda-feira, 10 de Outubro de 2005 - 10:17 PM ET
por Michael Liedtke (*)


SAN FRANCISCO - Yahoo Inc. (Nasdaq:YHOO - news )'s online news search tool on Monday added Internet journal entries as a supplement to professional media offerings — an experiment that figures to test the public's appetite for information from alternative sources.


Under Yahoo's new approach, a keyword search for online news will include a list of relevant Web logs, or "blogs," displayed in a box to the right of the results collected from mainstream journalism.

Google Inc., which runs the Internet's leading search engine, so far has treated blogs differently.

The Mountain View, Calif.-based company last month introduced a specialty search engine that does nothing but sift through blogs. Meanwhile, Google's news section continues to focus on material from mainstream media.

Yahoo's inclusion of blogs in its news section represents another validation for a growing group of people that are bypassing newspapers, magazines and broadcast outlets to report and comment on topical events.

Although many top bloggers lack formal journalism training, it hasn't stopped them from building loyal readerships or breaking news that the mainstream media either missed or ignored.

Those scoops have helped rally more support for "citizen journalism" — a cause that Yahoo wanted to recognize by spotlighting some of the news appearing in blogs.

"The traditional media doesn't have the time or resources to cover all the stories going on," said Joff Redfern, a Yahoo product director.

But the blogging community, or "blogosphere," also is filled with rumors and inaccuracies. While the traditional media still faces the same problems, professional newsrooms ostensibly have more checks and balances to guard against incorrect or unsubstantiated information from being published.

That distinction is one of the reasons Yahoo is listing its blog results in a box separated from the roughly 6,500 "trusted" news sources tracked by its search engine, Redfern said.

Yahoo's news users can view blog results exclusively by clicking on the box.

That option also shows relevant images posted on Yahoo's photo-sharing site, Flickr. Amateur photos posted online have drawn particular heavy interest recently after major news events such as the terrorist bombings in London and Hurricane Katrina.

Redfern declined to specify how many blogs are included in Yahoo's news search. The Sunnyvale, Calif.-based company is inviting bloggers to submit their sites to the Yahoo index.

He said the blog selection would be based on the most popular blogs among Yahoo users.

(*)AP Business Writer

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On The Net:

Yahoo News Search

Blogging submissions




Sob um outro ângulo, vale a pena ler a mesma notícia AQUI.





Publicado por Ana Tropicana às 09:34 AM | Comentários (0)

Taba


taba/tábua de ana tropicana

Todos nós, de uma maneira ou de outra, queremos um pouco mais do que restará contido nas coisas, antes de as deixarmos.





Foto: Taba/Tábua (Autor: Ana Tropicana)

Publicado por Ana Tropicana às 09:25 AM | Comentários (0)

outubro 10, 2005

Vícios de Cinderela


cinderela de martha menezes

A verdadeira tragédia tem início agora! Próximo objectivo: atingir o supremo vazio absoluto.

Publicado por Ana Tropicana às 03:11 PM | Comentários (0)

«De repente, não mais que de repente»


vince de national hurricane center

«De repente, do riso fez-se o pranto / Silencioso e branco como a bruma (...) / De repente da calma fez-se o vento / Que dos olhos desfez a última chama / E da paixão fez-se o pressentimento / E do momento imóvel fez-se o drama.» Vinícius de Moraes

Diz que há uma «tempestade tropical a dirigir-se para a Europa». Diz que é notícia, que é novidade e facto novo. Não para mim.









Nova tempestade tropical, formada nos Açores, dirige-se para a Europa
Fonte: LUSA | Data: 09-10-2005 21:03

A vigésima tempestade tropical da temporada de furacões no Atlântico, a Vince, formou-se hoje ao largo dos Açores e, ao contrário do que é habitual, dirige-se para a Europa e não para a América.

O Centro Nacional de Furacões, com sede em Miami, disse que a nova tempestade tropical transforma a actual temporada na segunda de maior actividade no Atlântico desde que há registos, iniciados em 1851.

O novo fenómeno meteorológico, com ventos máximos de 85 quilómetros horários, desloca-se para Noroeste a sete quilómetros por hora e espera-se que mantenha essa trajectória nas próximas horas, segundo o Centro de Furacões.

às 16:00 (hora de Lisboa), o olho da "Vince" estava 225 quilómetros a Noroeste da Ilha da Madeira (Portugal), à latitude de 34 graus Norte e à longitude de 19,2 graus Oeste, revelou o último boletim do Centro.

Os meteorologistas prevêem poucas mudanças na intensidade da "Vince", que se formou entre os Açores e as Ilhas Canárias.





"Vince" não ameaça Portugal - SNBPC
Fonte: LUSA | Data: 09-10-2005 22:41

A tempestade tropical «Vince» já passou a Norte da Madeira e vai desfazer-se no mar, pelo que não há razões para os portugueses se alarmarem, garantiu hoje à Lusa o Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC).

Segundo a mesma fonte, a tempestade passou 250 quilómetros a Norte da Ilha da Madeira.

O Centro Nacional de Furacões dos EUA, com sede em Miami, emitira hoje à tarde um comunicado alertando para a vigésima tempestade tropical da temporada de furacões no Atlântico, a "Vince", que, ao contrário do que é habitual, se dirigia para a Europa e não para a América.

Horas depois, a mesma fonte anunciou que a tempestade perdera força e estava agora classificada com a categoria 1 numa escala com cinco níveis.


Publicado por Ana Tropicana às 01:45 AM | Comentários (0)

outubro 09, 2005

Mood


barulhos d'água de ana tropicana

... E eis que o pronúncio infalível se transforma nesse rumor abrupto de água a cantar contra o zinco das telhas.

Subitamente, custa-me menos estar fechada, custa-me menos ser Domingo, custam-me menos os votos, o plantão, as pessoas ou a ausência delas.















Fotos: Barulhos d'Água (autor: Ana Tropicana)

Publicado por Ana Tropicana às 05:09 PM | Comentários (1)

Infalível


depress de ana tropicana

As previsões acertaram: Lisboa amanheceu mais escura e pardacenta neste Domingo de eleições.




Depois de mais de um ano de seca implacável, parece que as águas escolheram tombar no dia em que mais de 8,7 milhões de eleitores vão às urnas. São as nonas eleições autárquicas desde o 25 de Abril de 1974.




Chuva e trovoada podem surgir em todo o país no dia de ir a votos
Fonte: Instituto de Meteorologia | Data: 07-10-2005 19:56

Domingo o céu apresentar-se-á nublado em todo o país. Períodos de chuva, aguaceiros ou mesmo trovoada podem surgir, pela parte da tarde, em todo o país, mas o mau tempo deverá ter mais incidência nas regiões Norte e Centro do território continental.

O vento soprará em geral fraco, inferior a 20 quilómetros por hora, podendo atingir 30 a 50 quilómetros por hora nas terras altas.

Para o arquipélago dos Açores, o Instituto de Meteorologia prevê períodos de céu muito nublado e também aguaceiros fracos.

Na Madeira, o céu apresentará igualmente períodos de céu muito nublado e aguaceiros.





Foto: Depress (autor: Ana Tropicana)



Publicado por Ana Tropicana às 01:17 PM | Comentários (0)

outubro 08, 2005

Acerca do Exercício dos Desprendimentos


pequenos nadas de ana tropicana

Entrementes, a saga continua. Os processos selectivos são inevitáveis. Há quem diga que vêm com o tempo. Eu acrescentaria que com o espaço também. Seja como for, na ausência dessa desejável dimensão ilimitada, ninguém se pode dar à desmesura de guardar todas as coisas eternamente.

Publicado por Ana Tropicana às 11:25 AM | Comentários (0)

outubro 07, 2005

Livre

«Nem tudo o que nos ata nos pode prender /
porque há sempre uma maneira de recomeçar o que se quiser /
Há sempre uma maneira de mudar o que não se quer»

Mafalda Veiga

Publicado por Ana Tropicana às 01:39 AM | Comentários (0)

Frase do Dia

«A memória é o segredo da história»
Octavio Ianni




Na última sexta-feira, dia 30 de setembro, aconteceu o lançamento do livro «O Índio e a Ordem Imperial», de Carlos de Araújo Moreira Neto. Mércio Pereira Gomes, presidente da Funai, fez a apresentação e homenagem ao homem que foi seu professor e inspirador na paixão pelas causas indigenistas.

Aos 76 anos, o antropólogo e etnólogo Carlos de Araújo Moreira Neto é tido como o mestre de toda uma geração que actua na política indigenista. Começou a trabalhar com índios em 1953, sob influência de Darcy Ribeiro, Curt Nimuendaju e Herbert Baldus, as maiores referências na antropologia brasileira. Nesses 52 anos, recuperou a história dos povos indígenas e escreveu diversos livros, inclusive em co-autoria com Darcy. Das conquistas aos problemas que envolvem a questão indígena, continua a acompanhar de perto as discussões e acções do governo como um dos titulares do Conselho Indigenista da Funai.

No livro «O Índio e a Ordem Imperial», Moreira Neto faz uma análise profunda das marcas deixadas por um período histórico de mudanças, rebeliões e conflitos de terra. A sua obra tornou-se referência incontornável para todos os estudiosos da matéria ainda em forma de tese de doutorado. É esse seu trabalho que agora é editada pela Coordenação de Documentação da Funai (CGDOC), proporcionando uma reflexão importante sobre a política indigenista brasileira. Como já escreveu o sociólogo Octavio Ianni, outro mestre: “A memória é o segredo da história, do modo pelo qual se articulam o presente e o passado, o indivíduo e a coletividade. O que parecia esquecido e perdido logo se revela presente, vivo, indispensável”.




Deixo em seguida a entrevista, que ontem recebi pelo correio, de Isabel Heringer (CGAE) a Carlos de Araújo Moreira Neto. A conversa aconteceu na passada 3ª Feira, 04 de Outubro.




Como você começou a se interessar pela questão indígena?

No fim da década de 40, eu trabalhava num jornal em Belo Horizonte, onde conheci o Brigadeiro Aboim da Aeronáutica, que cuidava do Parque do Xingu. Foi ele quem me colocou em contato com várias pessoas. Depois, eu fiz o curso de Ciências Sociais, e um dos professores tinha sido colega de Darcy Ribeiro no curso da Escola de Sociologia e Política. Era o professor Fernando Altem Felder, que estudou os índios no Xingu. Foi através dele que, em 1953, conheci o Darcy. Na época, o Darcy era diretor do Museu Índio, onde eu fiz o curso de antropologia. O curso acabou prematuramente por causa das mudanças políticas. O ministro da Agricultura que cuidava do Serviço de Proteção aos Índios resolveu perseguir todo mundo que era a favor de índio. Um cara horroroso! Tirou o Darcy do Museu do Índio, acabou com o curso e fez uma limpeza geral. Então eu saí de lá e fui trabalhar com o Eduardo Galvão, que também tinha sido colega do Darcy e era diretor de antropologia do Museu Goeldi. Eu passei uns três ou quatro anos em Belém e voltei pra trabalhar com o Darcy na Faculdade Nacional de Filosofia. O Golpe de Estado [ditadura militar, 1964 - 1984] veio, o Darcy foi exilado e eu fiquei outra vez sem trabalho. Depois, consegui um emprego, através do Darcy, no Instituto Indigenista Interamericano [México] e trabalhei uns anos lá. Quando voltei, fui trabalhar em São Paulo na faculdade onde o Fernando Altem Felder dava aula. Fiquei lá muito tempo, com um salário miserável, muito vigiado pelos militares. Em 72 eu finalmente consegui terminar o doutorado, que deveria ter feito 10 anos antes. Fui trabalhar no Rio outra vez. O Darcy Ribeiro já tinha voltado do exílio. Me arrependo de muitas coisas, mas não de trabalhar com índio. Uma das poucas coisas que eu tive nesse mar de fracassos foi trabalhar com índio e gostar de índio.

Por que “mar de fracassos”?

É como dizia o Darcy, “minha vida é uma sucessão de fracassos”, e era mesmo. Ele criou a Universidade de Brasília, não pôde trabalhar lá. Foi exilado. De certa maneira, é um fracasso que traz muito orgulho. Eu ficaria péssimo se eu tivesse feito sucesso durante a ditadura.

Qual a influência de Darcy Ribeiro nessa obra?

É total porque ele era meu professor de pós-graduação e mestrado, e o tema que eu escolhi nessa tese retoma a idéia do Darcy usada no curso de mestrado em História da Faculdade Nacional de Filosofia. Eu trabalhei junto aos alunos e, posteriormente, usei esse material para escrever a tese. Além de tudo mais que eu aprendi com o Darcy. Ele me influenciou em quase tudo.

Por que você demorou tanto tempo para publicar esse livro?

Eu havia publicado muita coisa, né. Essa tese foi feita em 1971, mas de maneira muito acidentada, quando eu estava nos piores momentos, na ditadura militar, desempregado e tal. Nem sequer consegui escrever o livro, eu ditei pra uma moça, uma velha comuna chamada Maria da Graça Dutra, nora do velho Carlos Chagas, militante comunista, que foi presa e exilada. Quando ela voltou em 71, estava sem emprego, sem nada, então eu contratei o serviço dela. Ela bateu esse troço todo no computador. Eu falava e ela escrevia. Foi um custo pra sair. Agora com a re-edição, saiu uma beleza de livro. Estou muito orgulhoso. Mas, acima de tudo, o CGDOC é que fez um grande serviço.

E por que essa parceria com a Funai?

Desde 55, eu estava ligado ao Serviço de Proteção aos Índios (SPI). Na época, o Darcy era um dos diretores e quando ele foi demitido, me demitiram também. Comecei a colaborar com a Funai em 67. Sabia que na instituição não existia um arquivo de documentos e, então, propus à Funai que eu percorresse o Brasil inteiro para recolher esses documentos. Passei por Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e nordeste e sul do Brasil...

Qual é a sua opinião sobre a atuação da Funai hoje?

No começo era uma coisa horrorosa. Quem viveu naquela época lembra. O Eduardo Galvão, colega do Darcy, fez uma carta para o presidente da Funai na época porque o governo estava fazendo a Transamazônica e ia passar por cima do que houvesse, de índio, de tudo. E o Galvão dizia pra ele: “mas senhor presidente, existem inúmeros grupos indígenas que vão ser afetados, a Funai não vai tomar providência nenhuma?”. E o presidente respondia: “senhor coordenador, o que a Funai faz é constatar o fato de que vão fazer a Transamazônica e os índios que estiverem no percurso vão pagar o preço. Mas não vou impedir essa obra”. O Galvão se afastou da coordenação. Era horrível. Os caras eram totalmente contra índio. Todos com essa idéia de que os milicos estavam aí para consertar o Brasil e que índio era um “aspecto negativo” da realidade nacional.

Então, não existia política indigenísta?

Não, tinha política antiíndio. A coronelada toda era um horror. Apesar disso, algumas pessoas sobreviveram e conseguiram fazer muita coisa contra os milicos no poder, contra a política. São pessoas admiráveis e pagaram um preço danado.

Quando passou a existir uma política indigenista favorável?

Não levou muito tempo. Eu acho que os primeiros sintomas disso foram no fim dos anos 70. A coisa começou a abrandar e a ser mais favorável para o índio. Nós sobrevivemos a isso tudo. Eu nunca tive muito tempo formalmente na Funai, eu prestava serviço, muito mal pago. Fui demitido várias vezes. Mas nunca tive a responsabilidade e o engajamento do Xará [Ezequias Paulo Heringer Filho, indigenísta que morreu em 1996], por exemplo, e de outros. Alguns morreram, outros decidiram trabalhar em outra coisa e outros continuam aí.

E em relação ao Conselho Indigenista?

O Conselho, na maior parte desses anos da ditadura, era antiindígena. Era um pessoal mais conservador possível. Cheios de preconceito contra índio, um horror! E os índios entraram pelo cano. Apesar disso, nesse período, os índios aumentaram muito em número e andaram razoavelmente contra a corrente. O governo fazia tudo para extingui-los de uma vez e eles aumentaram, o que forçou a Funai -- bem ou mal -- a agir.

Hoje você acha que o Conselho influencia numa política indigenista favorável?

Indiretamente, claro que sim. O Mércio é um antropólogo de sucesso, com uma tradição de identificação com a causa indígena. Envolveu-se pessoalmente com a demarcação de várias áreas dos índios com os quais trabalhou. Então, ele tinha uma experiência anterior muito grande. Era professor da universidade e conseguiu chegar à presidência da Funai. Hoje ele faz um grande trabalho e realmente acho que a Funai está passando por uma grande renovação. Apesar de todos os pesares, as terras indígenas representam, mais ou menos, 12% do território nacional. É surpreendente esse povo tão discriminado, tão humilhado conseguir essa quantidade de terra. A luta agora é transformar em posse efetiva, que, em muitos casos, continuam sendo invadidas. É uma briga feia. Ao mesmo tempo, existem órgãos que são hoje menos hostis à política da Funai. Têm também os funcionários que trabalham aqui, muitos deles são meramente burocratas, mas outros são dedicados e leais aos índios. Todas as agressões do passado teriam dado resultados mais negativos se não fosse o empenho de pessoas como o Xará. Eu acho que se for feito um balanço geral, a conclusão a que se vai chegar é de que pelo menos 30% dos funcionários da Funai são ativos e leais aos índios, o que é surpreendente. Os índios são um produto desse grupo relativamente pequeno, mas muito eficiente, como Orlando Villas Bôas. Não era fácil trabalhar e ainda tem muita coisa a ser feita. Não adianta dizer que “pronto, acabou, já homologamos a Raposa Serra do Sol”. Agora mesmo queimaram as pontes de lá. Não é brincadeira.

Tem alguma coisa que você quer registrar?

Eu acho que por mais que a gente possa valorizar o sacrifício dos funcionários da Funai, o sacrifício pago pelos índios é sempre muito maior. É dramático. Povos inteiros desapareceram, enquanto outros cresceram e se multiplicaram. A longo termo, o resultado, apesar de todo drama, é positivo. Mas são populações que sofreram toda sorte de violência e continuam a pagar o preço da degradação, da miséria, da marginalidade. Algumas populações mais bem sucedidas, como os Guajajara, são um dos exemplos da degradação em que os povos indígenas estão metidos. Eles se transformam, cada vez mais, em um misto de índios com bandoleiros, fazem grupos de bandidos, com toda parafernália de bang bang, assaltam caminhões, ônibus, o diabo-a-quatro. É uma guerra.

Publicado por Ana Tropicana às 01:20 AM | Comentários (0)

outubro 06, 2005

«Escuto!»


porto de tabatinga de ana tropicana

Quase 16h, em Lisboa. O MSN pisca: apesar de descrente e desavisado, desenganado que andava. Pisca! - primeiro contacto, desde 23 de Setembro. Breve, fugaz, telegráfico. E este alívio inexplicável de saber todos de volta a Tabatinga. A salvo, portanto. Outra vez. Mais uma vez. Grácias !!...




Não, na Praça do Velho Império, nem em sonho se suspeita do lado inóspito do paraíso. Aqui vinga o imaginário, o panfleto turítico pintado a cores garridas, vendido a peso de ouro com odores de exótico. Aqui ninguém suspeita de agruras e privações outras, ninguém se aproxima (nem por raspão) dos riscos e dos espinhos, desse peso ralo que o conceito europeu de "pessoa" por lá tem, do frágil e precário valor da vida humana, de frente para a goela exuberante da natureza implacável e excessiva. Sempre. Em tudo. Em todos os momentos e em todas as coisas. Ali: à mercê da força impune dos senhores das terras sem lei, dos caprichos e interesses de déspotas e caciques, do revés do medo das tribos em fuga, acossadas e tímidas, oscilando entre a imprevisibilidade da submissão ou da raiva, famintas de uma paz, ora feita de brandos sossegos, ora de teimosas vinganças, do passo das tribos divididas entre o recuo para dentro das entranhas da floresta e o avanço altivo pelos barrancos do rio. Não, aqui «aventura» é coisa outra. Em Lisboa não se sabe, não se sonha. Em Brasília também não (muito pouco, quase nada!). Nem em Manaus se imagina. Sabe quem se atreve mais adiante que só às portas da Grande Mata. Sabe que mesmo entre fronteiras responde sozinho: sem nenhum governo que lhe valha, que se importe, que se lembre, que se responsabilize. Sabe que segue só. Por sua única conta e risco. Que depende unica e simplesmente de si: da destreza do corpo para suportar o calor, a humidade, as febres, o breu da noite, as feras guardadas na correnteza e na margem; e da agilidade do espírito para fazer trocas, propor negócios e firmar acordos. Não, aqui «aventura» é coisa outra, sim. Diferente (tão diferente!) das horas cruas que se acham nos confins. Lá: onde a vida vale pouco (tão pouco, quase nada!). Como eu sei que vale.




Foto: Rua Abaixo [Porto de Tabatinga - 2004] (autor: Ana Tropicana)




«Canção de Macau» - Mafalda Veiga


Mil aromas enleados
Num calor que se abandona
Mil sabores emaranhados
Numa noite sempre longa

Noutras ilhas, noutro vento
Que é tão denso como lume
Navegando um sentimento
Uma faca de dois gumes

Aprendo o que é regresso
E despedida
Que a distância se guarda
Até ao fim
Nesta saudade estranha
Assim sentida
Longe é sempre
Um lugar dentro de mim
Longe é sempre
Um lugar dentro de mim

Rumo incerto, mil palavras
O Oriente no olhar
Que desenha outro horizonte
Da paixão de desvendar

A neblina dos sentidos
A nudez do amor de alguém
E aquilo que se sente
Que não é de mais ninguém

Aprendo o que é regresso
E despedida
Que a distância se guarda
Até ao fim
Nesta saudade estranha
Assim sentida
Longe é sempre
Um lugar dentro de mim
Longe é sempre
Um lugar dentro de mim

Publicado por Ana Tropicana às 05:08 PM | Comentários (1)

outubro 05, 2005

República de Pirlimpinpin


palmo e meio de ana tropicana

Temos para cardápio de hoje o motivante cenário de um feriado entre armários, gavetas, caixas, cabides e prateleiras. Começa, a partir de agora, o milagre da "multiplicação do espaço" no maravilhoso reino encantado do nº 17. Eta, zorra!...

Publicado por Ana Tropicana às 09:36 AM | Comentários (0)

outubro 04, 2005

Agenda


blonde doll de martha menezes

... E se eu disser que queria mesmo era ficar quietinha, nesse trânsito necessário entre a casa que ainda não é casa e a casa que já não é casa?!

Post it: 21h - show de Paulo Flores na Aula Magna de Lisboa (a noite mais africana do ano!...)/ a partir das 22h - Festa de aniversário das Surflower no Forte de S. Bruno, em Caxias (a noite mais feminina do ano!...) / altas horas - Festa do 6º Aniversário do Lux (a noite mais fashion do ano!...)









Fotos: Festejar-te (autor: Martha Menezes)

Publicado por Ana Tropicana às 07:21 PM | Comentários (0)

Os Espelhos


espelhos de ana tropicana

Olha, reparando bem, todas as superfícies são espelhos por onde se vêem (lisos) os espinhos e vincos da alma.















Fotos: Espelhos (autor: Ana Tropicana)




Não há "segredos". Palavra! Talvez só esse: o de deixar a fala tomar conta de tudo. Até do tempo. Até de ti. Até chegar a ti. E nessa passagem fluída, vens a mim sem sobressaltos, sem nenhuma dor ou constrangimento. Como se fosse tua amiga, o que por acaso até pode vir a ser verdade. Como se nos conhecessemos há muito, o que por acaso ainda é mentira. Só assim: sem "segredos", como vês, a conversar. Porque, de uma forma ou de outra, as palavras sabem sempre o rumo certo das coisas. E levam-nos lá. Como agora: enquanto nos confiamos a elas.

Publicado por Ana Tropicana às 12:47 PM | Comentários (1)

Caixa de Pandora


caixa de pandora de ana tropicana

O problema do espaço resolve-se quase sempre com a confiança. E é só por isso que me ocorre assim, num repente repentista, que só há uma pessoa no mundo que pode ser fiél depositária do que tenho de mais precioso e não posso levar comigo agora.

Post-it : Comprar uma caixa (sem cadeado) amanhã de manhã.





Foto: Caixa de Pandora (autor: Ana Tropicana)




«O fiél depositário não pode remover, alterar o estado, utilizar, vender ou hipotecar a mercadoria que lhe é entregue, sem autorização da entidade competente, sujeitando-se às responsabilidades impostas por lei se não fizer inteira e completa entrega daquela mercadoria quando lhe for exigido.»

in Código de Processo Penal


Publicado por Ana Tropicana às 03:31 AM | Comentários (0)

Arriving Lisbon


from atlantic to lisbon de ana tropicana

Nos tempos que correm, pode um vôo adiantar-se dois dias e algumas horas ao placard electrónico? Pode?? Pode alguém esperar quem já chegou? Pode?? Pouco importa, na verdade. Milagres acontecem, eu sei. Não todos os dias, ou não seriam milagres. Mas acontecem, sim. Como hoje, que voltamos a acordar do mesmo lado do mundo. Tardava. Tardava tanto! Demasiado.





Foto: From Atlantic To Lisbon (autor: Ana Tropicana)

Publicado por Ana Tropicana às 03:00 AM | Comentários (0)

outubro 03, 2005

«Por Outras Palavras»


plano(s) de ana tropicana

Se já gostava de ti, agora gosto mais. Porque reconheces, como eu, toda a intimidade explícita que fica a boiar no primeiro café da manhã.




(...)

Sei que é verdade, sim: ficariamos eternamente aqui ao sol. Porque somos iguais eu e tu: da cor da mesma fogueira, do lume das mesmas palavras. Planas. Concêntricas. Como gotas. De terra. No chão.














Fotos: Plano(s) (autor: Ana Tropicana)




«Por Outras Palavras» - Mafalda Veiga


Ninguém disse que os dias eram nossos
Ninguém prometeu nada
Fui eu que julguei que podia arrancar sempre
Mais uma madrugada

Ninguém disse que o riso nos pertence
Ninguém prometeu nada
Fui eu que julguei que podia arrancar sempre
Mais uma gargalhada

E deixar-me devorar pelos sentidos
E rasgar-me do mais fundo que há em mim
Emaranhar-me no mundo e morrer por ser preciso
Nunca por chegar ao fim

Publicado por Ana Tropicana às 01:45 PM | Comentários (0)

Mafalda


eclipse anelar de pedro s. costa

Tinham-nos dito que «o fenómeno provocaria uma redução da luz solar». Em vez disso borbotou da fonte. Enganaram-nos. Descaradamente! Ás duas. E tu ainda ris!!...




Eclipse: Portugal assiste hoje ao maior eclipse solar em 100 anos
Fonte: Instituo Nacional de Metereologia | Data: 03/10/2005

Os portugueses assistem hoje às 10:00 ao maior eclipse solar visível no território nacional nos últimos 100 anos, um fenómeno que poderá ser observado um pouco por todo o país, mas que será mais espectacular em Bragança.

A Lua começará a sobrepor-se ao Sol às 8:38, mas o auge do eclipse está previsto para perto das 10:00, altura em que, em Bragança, poderá ver-se no lugar do astro rei um círculo negro com um anel luminoso em volta.

O último eclipse anular em Portugal ocorreu em 1912 e o próximo só voltará a acontecer em 2028.

A lua tapará o sol, mas não na sua totalidade, restando um anel de luz em torno de uma esfera escura, dai este eclipse ser apelidado de anular ou anelar.

O fenómeno provocará uma redução da luz solar, embora em menor dimensão do que acontece com um eclipse total.




















Fotos: Eclipse Anelar [Lisboa, 03 de Outubro de 2005] (autor: Pedro Sarmento Costa e João Abreu Miranda)

Publicado por Ana Tropicana às 10:47 AM | Comentários (0)

Agenda

... E depois para somar à ideia, lembro-me que tenho um pequeno-almoço marcado junto ao Tejo e que vou gostar de ver o sol cair a eito sobre a pedra. Daqui a pouco. Para começar o dia.

Post-it: Fazer um esforço e não parar pelo caminho. Deixar para tomar café só no CCB.


Publicado por Ana Tropicana às 07:38 AM | Comentários (0)

Mood

Porque é dia 03 de Outubro e não tarda nada hão-de ser 13h, acordo a pensar que há dias bons e que o que eles têm de melhor é serem naturalmente assim: melhores que outros.

Publicado por Ana Tropicana às 07:28 AM | Comentários (0)

Margem Esquerda


marxismos de boitempo

Recomeça amanhã, em São Paulo, e até ao próximo dia 05 de Outubro, o II Seminário organizado pela Revista Margem Esquerda. O mote deste ano gravita em torno de uma espécie de "Santíssima Trindade": celebrar o 10º aniversário da Editora Boi Tempo; assinalar o lançamento da 6ª edição da Revista Margem Esquerda ("Ensaios Marxistas"), e homenagear Michael Löwy, considerado um dos maiores pensadores do marxismo brasileiro. Vale a pena estar atento a este esforço da Esquerda para se "re-pensar" porque das várias comunicações apresentadas têm saído algumas análises interessantes. Como esta, por exemplo.




Seminário aborda marxismo na América Latina e homenageia Michael Löwy
Fonte: USP Online | Autor: Diego Mattoso- mattoso@usp.br | Data: 30/09/2005

A América Latina tem uma tradição teórica marxista que não pode ser ignorada para se compreender a realidade social contemporânea do continente. A análise é dos participantes da mesa de debates “Marxismo na América Latina”, reunidos durante o II Seminário Margem Esquerda, no auditório da Faculdade de História da USP.

Segundo o professor Osvaldo Coggiolla (FFLCH-USP), foram os autores marxistas que pensaram as nações latino-americanas contemporâneas. “Sem eles é impossível pensar a imagem de nação que foi feita”, frisou.

Entre os autores, Coggiolla citou o argentino Juan Justo, o peruano José Carlos Mariategui, o boliviano Guillermo Lora e brasileiros como Caio Prado Jr., Florestan Fernandes e Nelson Werneck Sodré.

Caio Prado e Florestan foram identificados pelo professor Carlos Nelson Coutinho (UFRJ) como os principais pensadores marxistas no Brasil. Eles não se submeteram, disse Coutinho, às idéias da III Internacional Comunista, criada após a Revolução Russa, que serviram de molde aos partidos comunistas de muitos países latino-americanos. O modelo do Partido Comunista Brasileiro, por exemplo, indicava que o país carecia de uma revolução democrático-burguesa para atingir a modernidade, e assim, estar preparado para a revolução proletária.

“Caio Prado e Florestan utilizaram o marxismo como método de análise e não como modelo, e por isso muitas vezes se contrapuseram ao PCB, fortemente influenciado pela III Internacional”, afirmou o professor.

A análise de Caio Prado Jr. e Florestan Fernandes sobre a história do Brasil aponta que o país desenvolveu-se por meio de transições que combinam modernização e conservação. O processo de desenvolvimento se deu pela conciliação entre os setores “modernos” e arcaicos da classe dominante, em reação a subversões esporádicas das classes subalternas. Disso resultam novidades, ao mesmo tempo em que elementos da velha ordem são conservados.

Os pensadores, explicou Coutinho, chegaram por conta própria, sem tradição teórica anterior, a uma análise semelhante a que foi feita por Lênin e Gramsci respectivamente sobre o desenvolvimento da Rússia e da Itália e identificadas como “via prussiana” e “revolução passiva”.

Coutinho reconhece o marco que Caio Prado e Florestan representam, mas indica a necessidade de avançar nesse tipo de análise: “É preciso ir além da reflexão já feita sobre o processo peculiar de desenvolvimento no Brasil. Hoje, com um ex-líder sindical no poder, percebe-se que há formas mais sofisticadas de dominação burguesa que precisam ser compreendidas”.

Sobre isso, disse o professor Coggiolla: “A América Latina tem uma tradição marxista da qual precisamos nos apropriar para termos uma intervenção consciente nessa crise que não atinge apenas o Brasil, mas todo o continente”. E completou: “O pior erro é tentar resolver a crise com a desmoralização da idéia de que as classes baixas podem chegar ao poder. Se for frustrado o governo Lula, frustra-se toda a experiência do povo brasileiro no sentido de ter um representante seu no poder”.

O Seminário

Além de celebrar os dez anos da editora Boitempo e o lançamento da sexta edição da Revista Margem Esquerda (de ensaios marxistas), o II Seminário Margem Esquerda foi promovido para homenagear o intelectual Michael Löwy (*), considerado um dos maiores pensadores do marxismo brasileiro.

Löwy proferiu uma conferência sobre um texto do filósofo Walter Benjamin na noite dessa quinta-feira para um auditório lotado, que reuniu estudantes e professores. Entre eles Emir Sader, Roberto Shwarz, Gabriel Cohn e Marilena Chauí.

“Foi com Michael que duas gerações compreenderam que sem teoria revolucionária não há prática revolucionária. Ele uniu o marxismo à militância. Hoje é preciso resgatar esse modelo de intelectual militante”, disse o professor Emir Sader.

“Löwy é conhecido como historiador, mas pouco conhecido como militante surrealista. Ele associou socialismo e surrealismo, dois aspectos que atacam a ordem pela raiz”, declarou o professor Roberto Shwarz. “Ele é anti-realista e prefere a arte visionária”.

O II Seminário Margem Esquerda continua na segunda-feira, na Unesp de Araraquara, com debate entre os professores Leda Paulani, Maria Pinassi e Valério Arcary sobre a obra de Michael Löwi. Na quarta-feira, é a vez de Marcelo Ridenti, Francisco Hardman e Jeanne-Marie Gagnebin comporem a mesa de discussões sobre messianismo, romantismo e utopia, no auditório do IFC da Unicamp.




(*)Nota:
Michael Löwy - Vive há quatro décadas na França, onde é diretor emérito de pesquisas do Centre National de Recherches Scientifiques (CNRS). Autor que trabalhou com várias questões seminais para a esquerda, profundo conhecedor da obra de Marx, Rosa Luxemburgo e Lukács, seus livros são traduzidos em mais de 22 países. É autor, entre outros títulos, de Método dialético e teoria política (1989); As aventuras de Karl Marx contra o barão de Munchhausen (1987); Marxismo e Teologia da Libertação (1991); Romantismo e política (1993); Ideologias e ciência social (1996); O marxismo na América Latina (1999); Estrela da manhã: surrealismo e marxismo (2002); A teoria da revolução no jovem Marx (2002); e Walter Benjamin: aviso de incêndio, este lançado em 2005, pela Boitempo.

Publicado por Ana Tropicana às 03:25 AM | Comentários (0)

«Ser ou Não Ser»


fantástico de rede globo

«Ser ou Não Ser: Um jeito novo de falar sobre filosofia! Viviane Mosé vai mostrar para você como o pensamento pode ser uma viagem fantástica!»

Desde meados de Julho que, nas madrugadas de Sábado, o programa «Fantástico» da Globo concede 8 minutos para Viviane Mosé falar de Filosofia. Se o tempo for apertado para tratar questões ancestrais como "mudança e movimento", "a alma", "a realidade e o mundo das ideias", "o valor da experiência", "os limites da razão", "a articulação entre a lógica e a linguagem", e não entender bulhufas, também não interessa nada: pode ir ao blog que lá ela explica com mais vagar.




Tem a Globo (ou o Fantástico, ou até mesmo Viviane) o mérito de trazer a filosofia à caixa mágica. Ainda assim, e para o mérito lhe ser devido, caberia perguntar se é efectivamente filosofia isso que traz à antena semanalmente, ou qualquer outra coisa a que entendeu por bem atribuir a designação de "filosofia". Mas adiante! Não porque seja uma questão secundária (bem pelo contrário: é, muito provalvelmente, o que antes de mais conviria esclarecer), mas porque não está em causa o que a Globo(ou o Fantástico, ou Viviane)produzem: está em causa a apreciação feita sobre essa produção. E, no que a isso diz respeito, lamento, Caríssimo, mas continuo convicta de que o problema não se coloca do modo que o formula. Nada existe de trágico em servir filosofia discricionariamente, em doses de 8 minutos semanais. Aquilo que é letal (verdadeiramente letal, diga-se!) é a forma como a Globo (ou o Fantástico, se não mesmo Viviane) a tem vindo a servir.
Em «O Mundo de Sofia», de Jostein Gaarder, a que fazes referência no teu artigo, também havia qualquer coisa de muito simples, não raras vezes até simplista: uma ou outra (muitas!) ausências vagas, imprecisões tantas... mas era um livro e não um programa de televisão o que, no caso, e tratando-se do incitamento a uma atitude/reflexão filosófica, faz toda a diferença.

Avançar para um projecto destes faz-me suspeitar que, das duas uma: ou a Globo (o Fantástico, a Viviane, whatever!)é demasiado ambiciosa, ou levianamente "poucachinha" para não ter percebido que se estava a "meter numa camisa de sete varas". Como se já não lhe bastasse a difícil tarefa de motivar a audiência para "questões filosóficas", (sendo um programa de televisão) tinha ainda pela proa o "berbicacho" de encontrar uma solução para as transpôr em conteúdos televisivos, isto é, de objectivar abstracções em imagens palpáveis (ou pelo menos visíveis). Pelo simples facto de que é disso que em televisão se trata: pôr em imagem. Ora, justamente, «foi aí que a vaca foi para o brejo», como escreveu a Bia, em Julho, na Folha de São Paulo.

Mesmo não podendo, daqui, da Praça do Velho Império, seguir de perto os desenlaces encontrados em «Ser ou Não Ser», creio que o projecto se encontra sob suspeita - desde o início - por uma razão de fundo: a televisão é, de certa forma, avessa ao pensamento. A capacidade que tem para nos desligar os neurónios é uma das razões da sua grande popularidade. Dito de outro modo, este projecto é contra-natura porque tudo na televisão «conspira contra o pensar» e muito pouco (quase nada) a favor do pensamento.




A Filosofia no Fantástico
por Urariano Mota (*)

A intelectual Viviane Mosé possui uma competência que vai da poesia à psicanálise, com o acréscimo de um doutorado, em filosofia. As informações pesquisadas dizem mais: que ela é autora de livros, atriz, carismática, e que possui muitos e influentes admiradores dos seus cursos particulares de filosofia. Para a filósofa, o sucesso se deve à razão de que "as pessoas gostam porque é uma filosofia que atua na vida, não no pensamento". Grande comunicadora, enfim. Por conta desses universais talentos, ela estaria mais que apta, quase com um fado escrito, para grandes vôos. E foi por assim estar que naturalmente pousou no programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão. Mais precisamente, no quadro "Ser ou não ser?", de todos os domingos.

"Aqui foi Tróia!", disse Dom Quixote, ao mirar o sítio onde caíram ele, Rocinante e armas numa só queda. O mesmo diria a filósofa do Fantástico, se refletir pudesse com serena sabedoria. Pois o que se proclama no site do quadro como um jeito novo de falar sobre filosofia, Viviane Mosé a mostrar para todos nós como o pensamento pode ser uma viagem fantástica! – pois é, aqui também foi Tróia.

Onde se trata do que seria visto

Os desajustes de um quadro de filosofia na televisão feito mais para distrair que para educar, perdão, televisão não foi feita para educar ou instruir, a não ser em horas da madrugada, quando todo o mundo, insone, pode ver, mas digo, os desajustes de um quadro de filosofia em 8 minutos na televisão já eram ou seriam mais ou menos previsíveis. Mas nada mágico, nada fantástico. Notem o crescendo, que não é bem um subir de estágios, mas um somatório, melhor, um produto de multiplicação que se conhece pouco a pouco: filosofia na televisão multiplicada por diversão multiplicada por 8 minutos. Que resultado esperar de tão potentes fatores?

Mas aqui, como a venda de um imóvel por um esperto corretor, os fatores do quadro, quando anunciados, não se apresentavam tão secos e objetivos assim. Dizia-se, ao ser divulgado o "Ser ou não ser?", como uma afirmação, sem nenhuma dúvida perturbadora.

"A idéia é falar de filosofia com quem nunca estudou o assunto. Não concordo que a filosofia não seja para todos. Atualmente, as pessoas querem respostas para a vida e, na ausência delas, estão voltando ao pensamento", dizia a filósofa. Bom, se a manifestação ia ser assim, mui bem-vinda seria. Pensávamos então, e por favor escondam o sorriso, que teríamos algo como O Mundo de Sofia no ar, todos os domingos, em todos os lares do Brasil. E se assim pensávamos, como um pobre de um necessitado de casa que se deslumbra ante um imóvel já vendido antes que seus olhos o vejam, mais contentes ficávamos com o aval dos editores do quadro à filósofa. Diziam eles:

"O programa não pretende ensinar filosofia academicamente, mas oferecer ao espectador uma iniciação ao tema, incitando à reflexão. É plantar uma sementinha e esperar os resultados".

E completava a doutora:

"O quadro terá poucas citações a nomes e certa influência nietzschiana. Sua continuidade estará no site do programa. Lá, o espectador aprofunda as questões".

Onde se trata do que se viu

Na crítica ao primeiro programa, Bia Abramo, na Folha de S.Paulo, já observara que as imagens eram de um óbvio quase tautológico. Se o texto falava em catástrofes a imagem na tela era de um furacão. Agora, oito programas depois, podemos ver além da imagem, ou, para usar o jargão, ir além do sensível.

Ainda que à revelia da intenção dos seus realizadores, o "Ser ou não ser?" aprofunda de certo modo a filosofia. Isto porque já podemos ver que ele faz no pensamento filosófico uma profunda simplificação. E aí difícil é saber se a Galinha da filosofia em 8 minutos pôs o Ovo da simplificação da filósofa, ou se foi o Ovo do resumir da filósofa que gerou a Galinha de todos os domingos do programa. Para sair desse impasse medieval, melhor será dizer que ambos se geram, porque vêm num diálogo mui profundo e produtivo. Vejam se nos enganamos:

(Narra o texto) "Platão afirmava que o corpo era um túmulo que aprisiona a alma. Um obstáculo ao pensamento. (Corte para o depoimento)

"Eu não posso te falar o que é alma, porque eu nunca vi uma alma para vir me avisar o que é alma", diz o coveiro João Caetano."

Vejam: chega a ser constrangedor o grau de simplificação, o nível simplório até o nível da idiotia disto. Se nos permitem um comentário, um só, vejam: o pobre do Platão passou toda a sua vida a lutar por um conceito de alma, da alma que abarcasse do desejo à coragem e daí à razão, que o fizesse penetrar no mundo das idéias, para ver toda essa luta ser rebaixada ao conceito da alma que é assombração. Com direito a cenário de cemitério numa noite de agosto do Brasil.

Onde a lógica prima

Mas não nos assombremos, ainda. Vejam, no programa que mencionava Aristóteles:

"Uma família de Natal inventou uma língua maluca para se comunicar, um dialeto que não se parece com nada que você já ouviu antes. Será que isso tem lógica? E o que esse idioma inventado tem a ver com a Filosofia?"

Imagina? Pois aí vai a resposta e sua continuação:

"Tudo! ‘Sete gombe pra maezta’. Russo? ‘Kudermente tombe kundermebre!’ Japonês? ‘Ebnaskdedkkenjej fuki six! Canjães! Canjães!’ Está de trás para frente? Você consegue decifrar o que são essas frases? Esse código faz sentido? Para eles, sim. E você sabe por que a família Padilha se entende, mesmo nessa língua tão estranha? Porque a conversa deles segue as regras da lógica..."

Se se permite um rápido comentário, vejam. Pouco importa, para o quadro de filosofia do Fantástico, que essa brincadeira particular de uma família nada tenha a ver com língua ou idioma. De um ponto de vista científico, claro, nada tem a ver. Escrevemos "científico"? Ora, científico. Nós estamos no domínio de outro território – o de passar idéias para crianças adultas, mais conhecidas como o grande público, sim, esse mesmo, o grande, ignaro e manipulável público. Porque de outro modo não pode ser visto um conjunto de crianças burras, muito burras, a quem se dirigem sons absurdos, dos quais se diz fazerem parte de um sistema lógico, do qual não se esclarece afinal que lógica mantém.

Mas não descansemos, inda. Oito minutos na televisão fazem um tempo precioso para o que o arbítrio determinar como natureza da filosofia.

(Depoimento de uma juíza) "A lógica está na lei, a lógica também está na boa argumentação. A boa argumentação é fundamental para a gente chegar no justo. Mas não a argumentação só da oratória e do discurso vazio. A argumentação fundamentada na prova do processo". Nada se comenta sobre qual lógica, numa sociedade de classes, desigual como a brasileira, repousa o espírito das leis. E se não se comenta, é porque se achou bem ilustrativa para os objetivos do quadro do programa semelhante declaração. Mas estamos sendo injustos, porque a narração fala a seguir: "Para a lógica, não importa o que está sendo dito, mas como. Ela é a forma da linguagem, não o conteúdo". Ou seja, sem dizer claramente que isto não é mais assim, a narração passa um sentido moderníssimo, universal, ao que já foi superado e morto muito antes deste 2005.

Então perguntamos, por fim, o que tal produção, tal quadro, tal, não sabemos bem o quê, realiza ao pretender levar ao espectador essa iniciação na filosofia?

Onde tudo, ou quase tudo é relativo

No blog da filósofa, aquele mesmo que aprofunda as informações do site, que aprofunda as questões do programa, estão e se escrevem estas linhas:

"Para Espinosa, Deus não criou o mundo, ele é o mundo. Em outras palavras, tudo o que existe no mundo é Deus, que também pode ser pensado como a natureza, ou a substância infinita".

Ainda que debitemos à informalidade dos blogs o cochilo do "ele" sem E inicial maiúsculo, que identificaria melhor Deus, logo depois do "não criou o mundo", ainda assim não poderíamos desculpar a ligeireza, para não usar mais rigoroso juízo, da frase "tudo que existe no mundo é Deus, que também pode ser pensado como a natureza". Vejam, basta um ouvido, uma percepção acostumada à língua, para que se conclua que algo de não-Espinosa está aí. Porque, no mínimo, a natureza aí não pode ser somente física, inumana. E depois, O mundo é Deus, ou Deus é o mundo? As duas ordens de frase não significam a mesma coisa.

Percebe-se claro uma vulgarização da filosofia, que vai além ou aquém de tornar algo público. Há uma vulgarização de fazer vulgar mesmo, de tornar pequeno, reles, mesquinho.

Vejam. Não se trata de pretender que se ensine filosofia pela televisão, numa emissora privada que vive, em tese, de propaganda e anúncios. A nossa candidez de Candide não chegaria a tanto. Trata-se da esperança de que se encarem problemas sérios, o que não quer dizer graves, da vida de todos nós, de todos os dias, com um tratamento menos descartável, que não acabe no primeiro segundo depois que a imagem suma da tela. O "Ser ou não ser?" nem faz isto, nem apresenta filósofos, sequer superficialmente. Ensaia furar as duas coisas ao mesmo tempo, e o resultado é desastroso. Deixa no grande público a falsa impressão de que assistiu a qualquer coisa "filosófica". Deixa nos editores do Fantástico a não menos verdadeira impressão de que levaram algo novo, inteligente, para a grande massa.

Esta simplificação, em nome de se divulgar a filosofia, lembra uma anedota onde figura a venerável figura de Einstein. Conta-se que ele tentava explicar a Teoria da Relatividade a um senhor interessado no magnífico sistema. Por mais que explicasse, o homem não o entendia. Então o ilustre cientista tentou a simplificação, e passou cada vez mais a simplificar, até um ponto em que o seu interlocutor exclamou, "ah, agora entendi!". Ao que o cientista observou, desolado: "É, mas infelizmente isto já não é mais a Teoria da Relatividade".

Simplificar facilita muito. Mas não chamem isso por favor de Filosofia. Tentem Conversa de Telefone.




(*) Jornalista e escritor





Eis o guião na íntegra do 2º programa:




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Edson, Luciene e Conceição lidam todos os dias com a ordem. O trabalho
deles é organizar.

Luciene da Silva é arrumadeira num hotel do Rio de Janeiro. “Eu gosto
de arrumar. Eu adoro quando encontro bastante bagunça pra arrumar. Até
mesmo na minha casa. Você tem que puxar bem, dar uma arrumada bem na
cama. Tudo tem que ficar no seu lugar. Depois vai vir a nossa
supervisora verificar nosso serviço, se está bem feito”.

Hora do rush em Belo Horizonte: a missão de Edson Bruno é controlar o
trânsito num grande cruzamento. “É um conflito de interesses, eu estou
administrando conflitos de interesses: do pedestre que quer atravessar,
do veículo que quer passar”.

Conceição Oliveira também tem uma qualidade essencial para o trabalho
que realiza. “Eu, como arquivista, tenho que ser atenta, dinâmica. Eu
sou organizada. Acho que esse é o perfil do arquivista”.

Mas de vez em quando eles precisam se desorganizar.

Luciene adora dançar forró. Edson não perde um clássico no Mineirão.
“Eu costumo ir a um pagode, num barzinho”, conta Conceição. “Quando eu
chego aqui eu esqueço da vida, eu extravaso. Deixo de ser arquivista.
Eu sou anarquista!”.

Todo mundo sente necessidade de se perder um pouco de vez em quando.
Você já pensou nisso? É nesse caminho do trabalho à festa, do
comportamento controlado à euforia que está uma das principais
características dos seres humanos: a criação e a quebra de limites. É o
que diz um filósofo francês chamado Georges Bataille.

“O serviço é demais mesmo. A gente trabalha de manhã à noite. A vida na
roça não é fácil não”, comenta o agricultor Vicente de Almeida.

Foi quando começou a trabalhar que o homem passou a ter algum controle
sobre a natureza. Este processo teve início há milhões de anos, mas
ganhou força com o surgimento da agricultura, cerca de dez mil anos
atrás.

“Se tiver preguiça, meu filho, você não come de jeito nenhum”.

O trabalho exige um comportamento controlado. Os desejos que a gente
liberta nas festas, nos jogos e na sexualidade devem ser contidos.

“Quando eu entro em cirurgia para operar um coração, é uma concentração
absoluta. É uma vida nas suas mãos”, comenta o cirurgião José Oscar
Brito.

Mas este limite não é dado apenas pelo trabalho. Desde que começou a
viver em grupo, o homem criou regras de convivência: as proibições.

O nosso dia-a-dia é cheio de proibições. Eu não posso estacionar em
qualquer lugar, eu não posso andar nua no meio da rua, eu não posso
ouvir música alta depois das dez da noite. Eu não posso matar, eu não
posso roubar e outros tantos crimes que estão previstos no Código
Penal. Mas não são todas as proibições que levam à cadeia. Por exemplo:
num restaurante chiquérrimo, não fica bonito tomar sopa fazendo
barulho.

Eu não vou ser presa por isso, mas eu estou ferindo uma regra de
etiqueta, e isso provoca um constrangimento, que vem da opinião dos
outros. Pode não parecer, mas esta é umas das proibições mais difíceis
de lidar – o olhar dos outros.

A gente precisa das leis e das proibições para viver em grupo. Elas são
essenciais porque organizam a sociedade e controlam os nossos
instintos. Sem esses limites, não teríamos desenvolvido cultura,
pensamento e linguagem.

“Eu estou aqui para ajudar as pessoas a chegarem em casa mais rápido e
com segurança”, afirma Edson.

Sem a lei a gente se perde. Ela não serve apenas para controlar o
trânsito e impedir que os carros batam uns nos outros, mas para pôr
ordem na nossa cabeça. Caso contrário, todo mundo viveria o caos, a
loucura.

Mas a gente seria robô, e não humano, se vivesse apenas obedecendo às
leis. Se somos capazes de controlar nossos desejos e trabalhar, por
outro lado precisamos libertar esses impulsos, sair do trilho.

Luciene precisa dançar e cantar para recuperar tudo o que teve de
controlar em nome da lei e do trabalho. Isso não é uma opção para ela,
não é supérfluo. Ao contrário, é uma necessidade.

Esta sensação de abertura, de quebra de limites, recebeu o nome de
erotismo. Mas você sabe o que é erotismo? Não se assuste com a palavra.
Neste caso, ela significa muito mais do que sexo.

O erotismo que o filósofo pensou é a sensação de perda dos limites -
nem que seja por um segundo. Pode ser um orgasmo, mas pode ser também o
grito de gol. Ou seja: uma trégua da lei - temporária.

A lei e o erotismo são duas faces da mesma moeda, dois elementos
fundamentais da condição humana. Um não vive sem o outro. Assim como a
gente não pode viver sem lei, também não pode viver sem erotismo.

Para a gente entender a relação entre proibição e erotismo, é só pensar
num brinquedo de parque de diversões. Se eu simplesmente me atirar do
alto do brinquedo, sem nenhuma proteção, eu morro. Assim é a vida sem
limites.

Se eu tiver medo e desistir, vou deixar de viver esta e outras
sensações incríveis. Eu preciso de um equipamento que me dê segurança,
que me permita saltar e, ao mesmo tempo, me mantenha viva.

O brinquedo é a lei. O abismo é a morte. E a queda é erotismo!

A lei é o que nos permite viver o erotismo, como se fosse a prancha de
surfe ou a asa delta que nos sustenta no ar. Resumindo: tudo isso que a
gente falou hoje é mais ou menos como aquela música de Marcelo D2,
citando Chico Science. “Lembrando de Chico comecei a pensar, que eu me
organizando posso desorganizar!”

A ordem pode permitir ao homem ir além dele mesmo, expandir seus
limites, e não somente torná-lo bem-comportado. Quer permanecer
eternamente jovem? Corra riscos!

Qual a importância da arte na sua vida? Ou melhor: existe vida sem
arte? Vamos falar, no terceiro episódio da série, sobre o nascimento da
tragédia grega e conhecer a história de um homem que passou 19 anos na
cadeia por um crime que não cometeu.

Beleza e dor. Este é o nosso próximo assunto.

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Filosofia entrou de gaiata no "Fantástico"
Folha de São Paulo - São Paulo, domingo, 24 de julho de 2005
por Bia Abramo (*)


A filosofia , quem diria, acabou no "Fantástico". Semana passada,
entre outras várias estréias, o programa dominical passou a exibir "Ser
ou Não Ser", quadro que pretende mostrar como "o pensamento pode ser
uma viagem fantástica".
Entre uma reportagem que resgatava o significado do grupo Mamonas
Assassinas na história da música pop brasileira e outra sobre os dez
anos da novela infanto-juvenil "Malhação", receitas de sopas para o
inverno, humor e futebol, a Rede Globo achou por bem oferecer também
uma pitada de pensamento filosófico. Apresentado pela filósofa Viviane
Mosé, o quadro tentou fazer uma introdução do tipo "a filosofia ao
alcance de todos" ou "a filosofia, vejam só, pode fazer parte da sua
vida".
OK, como intenção. Facilitar, introduzir, explicar e, até mesmo,
simplificar não constituem um problema em si nem mesmo quando se está
diante de uma disciplina tão complexa como a filosofia. Mas, para além
de trazer para um patamar acessível, "Ser ou Não Ser" precisa
transformar as questões filosóficas em conteúdo televisivo, e é aí que
a vaca vai para o brejo.
Não há dúvida de que o roteiro de um quadro como esse representa um
enorme desafio técnico. Como traduzir em imagens concretas, em
movimento, com algum tipo de narrativa lógica, a abstração que é a base
do pensamento filosófico? "Ser ou Não Ser" opta por duas soluções. No
primeiro caso, as imagens ilustram ponto a ponto o texto, ou seja,
enquanto o texto fala em catástrofes naturais, a imagem na tela é de um
furacão; mais adiante, ao serem mencionadas tragédias humanas, aparece
o avião afundando no World Trade Center no 11 de Setembro. A outra
solução poderia se chamar de metafórica, ou seja, para falar de
perplexidade, indagações diante do desconhecido etc., acompanharam a
chegada de um migrante a São Paulo, com suas primeiras impressões. Medo
da morte? Fácil: entrevista-se um pára-quedista.
A concretude dos exemplos e a relação quase simplória que estabelecem
entre idéia e imagem não permitiram que o texto saísse do chão. Não que
tivesse lá muito potencial para fazê-lo -com frases coordenadas e
assertivas, tratava-se de dar conta da origem da filosofia, da
linguagem e, de quebra, convencer os espectadores de que tudo isso pode
ser tão divertido quanto ver os gols da rodada.
"Ser ou Não Ser" pode até se acertar tecnicamente, mas o projeto está,
de início, sob suspeita por uma razão de fundo: a televisão é, de certa
forma, avessa ao pensamento. O fluxo de imagens sem hierarquia, a
linguagem que estabelece sua sintaxe pela alternância de sensações, a
ausência de silêncios; tudo isso conspira contra o pensar. O que,
aliás, é justamente um dos grandes atrativos da televisão, ou seja, sua
capacidade de amortecer o pensamento, fazer esquecer, alienar, é um dos
principais motivos de sua enorme popularidade.




(*) Crítica e colunista de A Folha de São Paulo





Por altura da estreia, era assim:





"Fantástico" estréia série sobre filosofia
Televisão UOL - 14/07/2005 (18h21)
"Ser ou Não Ser?" é o nome do novo quadro do "Fantástico". No ar a partir deste domingo (17), a série pretende mostrar as questões filosóficas que o homem comum enfrenta em seu dia-a-dia.

Sob o comando de Viviane Mosé, que é psicóloga e doutora em Filosofia, o quadro terá, todos os domingos, personagens que ilustrarão os grandes dilemas da humanidade. No episódio de apresentação, um jovem que saiu de uma cidade do interior da Paraíba para trabalhar em São Paulo terá seu caso "estudado" pela filósofa.

Os próximos programas da série já terão questões mais aprofundadas. No dia 24, o tema será a relação entre lei e erotismo. No domingo seguinte, a tragédia grega será o ponto de partida para a discussão sobre sofrimento e arte.





Globo estréia série e tenta popularizar a filosofia
Folha de São Paulo - São Paulo, domingo, 17 de julho de 2005
Marcelo Bartolomei


Quando a Globo colocar no ar hoje à noite o primeiro capítulo de "Ser
ou Não Ser?", quadro do "Fantástico" que vai abordar o pensamento
filosófico, uma audiência qualificada, formada por filósofos, estará de
olho no programa. É que a proposta da série, inicialmente com 16
capítulos de oito minutos cada um, é considerada controversa nas
universidades. Será possível aproximar a filosofia do popular, num
veículo de massa, e obter sucesso?
Para Roberto Romano, 59, professor de ética e filosofia política na
Unicamp, é um pouco complicado. "Não que o meio não tenha condições nem
o público. O problema é que a filosofia exige raciocínios longos e uma
lógica dedutiva e indutiva completa. É um objeto difícil de ser
exposto", afirma.
O filósofo acredita que o teatro e o cinema, como formas de arte,
sugerem mais pensamentos que a TV. "A televisão tem um tempo rápido,
mas depende do virtuosismo da professora que vai apresentar o programa.
A filosofia é a pesquisa que vai levar à descoberta de coisas, ao
pensamento e à crítica", diz Romano.
O início do primeiro programa -comandado pela psicóloga, mestre e
doutora em filosofia Viviane Mosé, 40- mostra a perplexidade diante da
novidade por meio de um imigrante que chega a São Paulo. "A idéia é
falar de filosofia com quem nunca estudou o assunto. Não concordo que a
filosofia não seja para todos. Atualmente, as pessoas querem respostas
para a vida e, na ausência delas, estão voltando ao pensamento", diz a
filósofa, que ministra aulas de teatro e lidera grupos de estudos no
Rio de Janeiro.
O quadro terá poucas citações a nomes e certa influência nietzschiana.
Sua continuidade estará no site do programa. "Lá, o espectador
aprofunda as questões", afirma Mosé, autora de "Nietzsche e a Grande
Política da Linguagem" (ed. Civilização Brasileira).
Diante da possibilidade de falar "por cima" sobre filosofia, a
resistência ao programa cresce. José Arthur Giannotti, 75, professor
emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP,
não acredita que o assunto possa ser tratado na TV. "Uma coisa é
jornalismo filosófico e outra é a reflexão, que implica em ócio,
sossego e tempo. Não sou contra, o problema é não confundir uma coisa
com outra. Não haverá uma discussão filosófica de conceitos
filosóficos, apenas insinuações", aposta.

Respostas
Demanda há, e todos concordam. Mosé diz ter experiência na
popularização da linguagem ao falar de filosofia. "Eu falo para a dona
Maria. Tenho alunos de idades diferentes, universitários e
donas-de-casa", conta. "A gente ia começar o programa falando da
mitologia, mas achamos muito difícil. Então, falaremos que o homem
construiu mitos, mas quis encontrar na própria natureza um princípio de
explicação. Resumimos a filosofia pré-socrática. O homem é homem
porque, além de viver, ele se vê vivendo aquilo. Isso é pensamento."
Para apresentar as idéias, serão utilizados personagens da vida real,
como um escultor, um mágico, um fotógrafo, um imigrante, um ator ou uma
atriz. A série não vai falar de política nem de religião. "Falaremos do
universal e das questões humanas."
Até aqui, a TV tem sido palco para entrevistas e programas em redes
educativas ("Café Filosófico", da Cultura) e universitárias, que
dedicam mais tempo à discussão. A TV paga também ensaia um flerte com a
participação da filósofa gaúcha Márcia Tiburi no "Saia Justa" (GNT) e
em programas como o "GloboNews Painel".
A proposta de tentar aproximar a linguagem da filosofia do público é
ousada, mas tem entusiastas. Tiburi é uma delas (leia texto ao lado),
também amparada pela professora Dulce Critelli, 54, da PUC-SP, para
quem a iniciativa é louvável. "Acho que a filosofia tem de ser mais
acessível", afirma.
O filósofo Leandro Konder, 69, da PUC-RJ, acha que não existe fórmula
nem receita para falar de filosofia na TV e vê positivamente a abertura
do assunto. "Os princípios filosóficos são acessíveis a todos, depende
do tratamento dado ao tema", diz.
O programa não pretende ensinar filosofia academicamente, mas oferecer
ao espectador uma iniciação ao tema, incitando à reflexão. É o que
garantem Eugenia Moreyra, editora-executiva do programa, e Bruno
Bernardes, editor do quadro. "É plantar uma sementinha e esperar os
resultados", diz Moreyra, empolgada com o projeto com elogios ao
editor, "pai" da idéia.
"Ser ou Não Ser?" vai ao ar aos domingos, dentro do "Fantástico". "Não
vou assistir porque estarei fazendo outras coisas", afirma Giannotti.
Como em determinado ramo da filosofia, será ver para crer. "Acho que as
pessoas se surpreenderão", acredita Mosé.


Publicado por Ana Tropicana às 02:17 AM | Comentários (1)

outubro 02, 2005

«Uma Infância Sem Violência»


infância na ilha grande de erich l. blagay

A ONG sueca, Save the Children, aposta na fotografia como forma de divulgar a sua luta contra a violência infantil. Este ano escolheu trabalhos de sete brasileiros. Notáveis trabalhos, na verdade, diga-se!



































Fotos: Crias (Autor: Vários - c.f thumbnails abaixo)




Uma Infância sem Violência foi o tema do concurso que a ONG sueca Save the Children promoveu na América Latina e Caribe, seleccionando sete brasileiros entre os vencedores. Alexandre Severo, Jacqueline Maia Braga, Erich Laver Blagay, Gilson de Souza, Gisella Maria Bulkool, Flavio Canalonga e Valéria Simões concorreram com fotografias preto-e-branco, que agora vão fazer parte do material gráfico da Instituição em 2006. A ONG trabalha pelos direitos da criança e do adolescente em vários pontos do mundo, garantindo a sua cidadania e futuro, desde 1919.










Podem ver-se todos os eleitos deste ano AQUI.

Publicado por Ana Tropicana às 11:13 AM | Comentários (0)

Distracções

Para desespero de quem me rodeia (reconheço), continuo, sim, a ouvir o disco da Zélia... «a rir de mim mesma»... distraidamente... distraída.

«Se você não se distrai / a vida fica mais dura / e o tempo passa doendo»




Uma soma de vários acasos fez com que perdesse, um a um, todos os telemóveis. Estou incomunicável. Há três dias, Graças a Deus e à minha distracção. E então perguntam-me como posso estar calma e indiferente diante de tal «tragédia:... todos ao mesmo tempo!» É verdade: Não sobrou um. Para contar história. Para me contarem histórias. Que posso fazer?!... Distraí-me, eu acho. Mas depois dou por mim a cantar, e nunca me parece que o resultado seja, afinal, tão grave assim:... o elevador chega, as estrelas caem, a lua cresce, o dia nasce e a música toca.




«Distração» - de Christiaan Oyens para Zélia Duncan


Se você não se distrai,
o amor não chega,
a sua música não toca,
o acaso vira espera e sufoca,
a alegria vira ansiedade
e quebra o encanto doce de te surpreender de verdade.

Se você não se distrai,
a estrela não cai,
o elevador não chega,
e as horas não passam.
O dia não nasce,
a lua não cresce,
a paixão vira peste,
o abraço armadilha.

Hoje eu vou brincar de ser criança
e nessa dança, quero encontrar você...
Distraída, querida...
perdida em muitos sorrisos
sem nenhuma razão de ser.

Se você não se distrai,
não descobre uma nova trilha,
não dá um passeio,
não ri de você mesmo,
A vida fica mais dura,
o tempo passa doendo,
E qualquer qualquer trovão mete medo
se você está sempre temendo a fúria da tempestade.

Hoje eu vou brincar de ser criança
e nessa dança, quero encontrar você...
Distraída, querida...
perdida em muitos sorrisos
sem nenhuma razão de ser.

Olhando o céu, chutando lata,
e assobiando Beatles na praça
Olhando o céu,hoje eu quero encontrar você.
Hoje eu quero encontrar você.

Publicado por Ana Tropicana às 09:41 AM | Comentários (0)

outubro 01, 2005

A "Diáspora Africana"


os negros de adenor g.

Fico a saber que nos dias 5, 6 e 7 de outubro, estarão reunidos no Hotel Sofitel, em Copacabana, no Rio, estudiosos do tema da dispersão da população africana pelo mundo, na 3ª Conferência Bienal da Aswad.





Foto: Os Negros de Jean Genet (Autor: Adenor G.)




Segundo me explica o professor Júlio César Tavares, do Departamento de Estudos Culturais e Mídia da UFF, a discussão em torno da valorização e inclusão social dos afrodescendentes ganhou impulso no mundo todo, principalmente nos EUA, onde surgiu o conceito de "Diáspora Africana".

Com esse conceito, tomado de empréstimo dos judeus, o movimento pretende aproximar a experiência das populações africanas à dos seus descendentes fora da África, elucidando a dispersão ocorrida nos últimos séculos.

O encontro do Rio é promovido pela Aswad, instituição criada em 2001, na Universidade de Nova Iorque, com o objetivo de congregar, em reuniões bienais, o maior número possível de estudiosos da diáspora africana.


A respeito do tema, deixo alguns links: AQUI.

Publicado por Ana Tropicana às 09:49 AM | Comentários (0)