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setembro 28, 2005

Rio Tietê

As espumas tóxicas que poluem o Rio Tietê adoecem, há 20 anos, os 15 mil habitantes de Pirapora do Bom Jesus, a oeste da Região Metropolitana de São Paulo. Só a taxa de mortalidade infantil aumentou de 7,94% em 2003, para 20,08% em 2004.

As espumas continuam em 2005.




Espuma tóxica do Rio Tietê ameaça Pirapora
Fonte: Diário de São Paulo | Autor: Ana Paiva | Data: 26/09/2005 -

SÃO PAULO - A população de quase 15 mil habitantes de Pirapora do Bom Jesus, última cidade a oeste da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), está doente. Depois de duas décadas de invasões de espumas tóxicas na cidade, provocadas pela poluição do Rio Tietê, um estudo mostra que os gases emitidos no ar pela espuma afetam a saúde não apenas da população ribeirinha, mas de todos os moradores da cidade.

A prefeitura está preocupada e suspeita que um aumento da mortalidade infantil também esteja relacionado ao problema. Segundo dados da Fundação Seade, a morte de crianças menores de um ano passou de 7,94 em 2003 para 20,08 em 2004 por mil nascidos vivos, com 2 e 5 óbitos respectivamente. No ano passado, houve registro de uma morte de criança nascida com má-formação congênita.

- Em municípios pequenos um óbito eleva o coeficiente de mortalidade, mas de cinco mortes, uma teve má-formação - explica a secretária municipal de Saúde, Aparecida Luísa Nasi.

Estudo do governo estadual está analisando os efeitos da poluição do Rio Tietê na saúde dos moradores. O trabalho vem sendo realizado há um ano e já foi concluída a primeira fase.

- Pelo menos já temos um documento que prova que a população está sendo afetada e estamos sugerindo a verificação de casos de má-formação congênita para a segunda etapa - disse Aparecida Luísa.

Levantamento da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) aponta que os índices de gás sulfídrico - produzido nas águas do rio e emitidos no ar - atinge na cidade níveis superiores a 177 parte por bilhão (ppb). O máximo aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 108 ppb.

Jesuíno Romano, gerente de qualidade do ar da Cetesb, admite que o índice do gás sulfídrico no ar de Pirapora deve ser muito maior, já que o aparelho usado no estudo não tem capacidade para medir níveis superiores.

- De qualquer modo, o índice é alto e já deve estar causando danos à saúde da população.

Especialistas alertam que o gás sulfídrico e dióxido de enxofre (também emitido no ar) podem comprometer o funcionamento dos rins e do fígado, além de gerar efeitos crônicos na saúde. O gás sulfídrico afeta, principalmente, o aparelho respiratório. Segundo a secretária de Saúde de Pirapora, de cada dez crianças atendidas no sistema de saúde, sete têm problemas respiratórios. Entre idosos, há cinco casos a cada dez.





Mau cheiro do Tietê espanta turista de Pirapora
Fonte: Diário de São Paulo | Autor: Ana Paiva | Data: 26/09/2005


SÃO PAULO - Além de ser a primeira cidade do mundo invadida pelas espumas de poluição de um rio, Pirapora do Bom Jesus, localizada a 54 quilômetros da capital, também é o primeiro santuário cristão do Brasil, que vive basicamente do turismo religioso. Mas a poluição tem afastado os peregrinos. Na última década, a cidade assistiu a uma queda de cerca de 40% na freqüência de romeiros.

- A poluição acabou com a vocação do município - lamenta o prefeito da cidade, Raul Bueno (PSDB).

Pirapora costumava receber mais de 20 mil visitantes por final de semana. Hoje, os romeiros não ultrapassam cinco mil nos sábados e domingos. A exploração turística do rio, que também era uma fonte de recursos para o município, acabou por causa das espumas do Tietê. A pequena cidade recebe pelas águas do Tietê todo o esgoto doméstico gerado por milhões de moradores da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), que ainda são jogados no rio. Segundo Jesuíno Romano, gerente de qualidade de ar da Cetesb, o órgão tem estudo realizados no local desde 1992.

- Sabemos que a situação lá é ruim - admite.

Para o prefeito, o município de Pirapora deveria receber do governo do estado algum tipo de compensação pelos estragos causados.

- Além dos prejuízos econômicos, a poluição está acabando com a saúde da população - reclama Bueno.

Pirapora do Bom Jesus é uma cidade bucólica, cercada de morros verdes e localizada às margens do Tietê com uma área de 108 km². Mas, em vez de ar puro, é o mau cheiro do rio a primeira sensação que o visitante tem ao chegar.

A espuma tóxica faz parte da paisagem de Pirapora desde meados dos anos 80, quando o governo do estado mudou o fluxo do Rio Pinheiros para impedir que o esgoto continuasse a ser despejado na Represa Billings. Para a Secretaria Estadual de Recursos Hídricos, a população do município está condenada a viver com o problema até que os rios que deságuam no Tietê sejam limpos.

- O único jeito é tratar o esgoto - diz Romano.

Publicado por Ana Tropicana às setembro 28, 2005 01:32 AM

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