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setembro 30, 2005

«A Incúria» II

Faço minhas as palavras dele.

Publicado por Ana Tropicana às 05:42 PM | Comentários (0)

setembro 29, 2005

Gringos


serpente no verde de autor desconhecido

Não me parece que a conclusão resulte de algum estudo efectuado, todavia não deixa de ser sintomática: «Nove em cada dez brasileiros acreditam que está em marcha uma conspiração para internacionalizar a Amazônia pela ocupação estrangeira ou algum tipo de controle internacional»




A Paranóia Amazônica
Fonte: Jornal do Meio Ambiente | Autor: Mario Osava* | Data: 28/9/2005

Nove em cada dez brasileiros acreditam que está em marcha uma conspiração para internacionalizar a Amazônia pela ocupação estrangeira ou algum tipo de controle internacional, afirma o senador Jefferson Peres. Esta convicção é tão forte quanto inverossímil para Peres, representante do Estado do Amazonas e do Partido Democrático Trabalhista (PDT) no Senado, que admite perder eleitores por discordar publicamente dela. Um dos combustíveis da teoria conspiratória foi uma mensagem disseminada pela Internet a partir de 2000, denunciando que livros escolares nos Estados Unidos reproduziam mapas do Brasil onde sua região amazônica seria apresentada como uma reserva florestal internacional.

Mais tarde surgiu como “prova” a suposta página do livro escolar, com um mapa da América do Sul e um texto qualificando os países amazônicos de “irresponsáveis, cruéis e autoritários”, e de serem “povos sem inteligência e primitivos”. Porém, erros grosseiros no texto em inglês e nos números desnudaram a falsificação. O diplomata Paulo Roberto de Almeida, então a serviço na embaixada brasileira em Washington, elaborou um relatório sobre a fraude que pode ser lida neste endereço da Internet: http://www.pralmeida.org. Nele é identificado o site http://www.brasil.iwarp.com como a origem dos boatos. O lema “Brasil, ame-o ou deixe-o”, empregado pela ditadura militar brasileira (1964-1985) em seu período mais brutal dos anos 70, indica que pertence a um grupo ultradireitista. Ironicamente, muitos esquerdistas ajudaram na divulgação do alarme “antiimperialista”, lembrou Almeida.

Os desmentidos e a evidência da falsificação não interromperam os efeitos do boato. Em junho, a Câmara Municipal de Valinhos, interior do Estado de São Paulo, aprovou moção de protesto contra o suposto livro de geografia. Desarmar a intriga gera um trabalho adicional ao encarregado de imprensa da embaixada norte-americana em Brasília, Wesley Carrington, que enviou a Valinhos os documentos que comprovam a fraude. Carrington disse compreender essas reações porque há algumas semelhantes em seu país. O reconhecimento de um sítio ou monumento como patrimônio cultural da humanidade é motivo de orgulho em qualquer país, mas nos Estados Unidos muitos consideram como “o primeiro passo para a desnacionalização”, disse o diplomata ao Terramérica.

Uma onda de rumores mais recente, divulgada pela Internet e imprensa, aponta para territórios indígenas como verdadeiros enclaves estrangeiros, vedados a brasileiros e abertos a norte-americanos, europeus e japoneses. Os indígenas não se consideram brasileiros e impedem que aviões sobrevoem seu espaço aéreo, afirmou uma reportagem da revista Isto É Dinheiro, de 11 de junho de 2004. Custa crer que os indígenas tenham recursos para controlar o espaço aéreo. Organizações não-governamentais indigenistas e ambientalistas despertam em alguns militares e ultranacionalistas a suspeita de que servem a potências estrangeiras, inclusive porque em muitos casos são financiados por fundos procedentes do exterior.

Por último, há um ano surgiram denúncias de que navios estrangeiros roubavam água da desembocadura do Rio Amazonas. Eram navios petroleiros que, ao regressarem com seus tanques vazios para o Oriente Médio, podem carregar até 250 milhões de litros de água como lastro para equilibrar a embarcação. Os temores se intensificaram com comentários como os do francês Pascal Lamy, novo diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, que, em fevereiro, afirmou que poderia ser aplicada uma “gestão coletiva internacional” na Amazônia e outras florestas tropicais, se fossem declarados “bens públicos mundiais”, embora mantendo a propriedade nacional.

Não há razão para temer essa possibilidade nem uma ocupação estrangeira da Amazônia, segundo Guarino Monteiro, coronel da reserva do Exército brasileiro e professor da Escola Superior de Guerra, um centro do pensamento militar. Além da capacidade das Forças Armadas Brasileiras, os militares do primeiro mundo “não sabem atuar em ambiente hostil”, como se viu nas invasões norte-americanas ao Vietnã e Iraque, disse Monteiro ao Terramérica. Por outro lado, preocupa a ocupação econômica, que transfere para o exterior decisões que afetam a região. “Os recursos naturais do mundo são finitos, e a Amazônia é rica em minerais como nióbio e estanho”, muito importantes para novas tecnologias como a aeroespacial, ressaltou o coronel.

Isso desperta a cobiça que está por trás das pressões internacionais para demarcar territórios indígenas onde há jazidas importantes, suspeita Monteiro. “O primeiro mundo conhece toda a riqueza amazônica por meio dos satélites”, afirmou. Para o professor Aluízio Leal, que ensina economia política na Universidade Federal do Pará, a Amazônia já está internacionalizada por um controle econômico que hoje interessa mais do que o político. A economia local está “vinculada de forma umbilical e submetida ao mercado internacional”. Grande parte de sua produção é exportada e controlada por empresas multinacionais, como o minério de ferro de Carajás e o alumínio que consome muita energia das centrais hidrelétricas amazônicas, exemplificou.

Uma ação militar na Amazônia por parte dos Estados Unidos poderia se concretizar se os governos da região negarem os recursos naturais necessários, especialmente energéticos, advertiu Leal. As pressões sobre a Venezuela, fornecedora de petróleo para os Estados Unidos e governada por Hugo Chávez, são uma amostra, acrescentou o professor. Para muitos, a diversidade biológica é o recurso amazônico mais ameaçado pela cobiça estrangeira. A conseqüente paranóia contra a biopirataria está travando as pesquisas com controles que dificultam o acesso a materiais biológicos, disse ao Terramérica Charles Clement, especialista em frutas amazônicas do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa).

A biopirataria é o usofruto ilegal de recursos genéticos e conhecimentos tradicionais vinculados a eles. Sim, existem biopiratas, mas são “um em cem” pesquisadores, afirmou Clement. Foi difundida a idéia de que a biodiversidade equivale a lucros em forma de novos medicamentos, alimentos e cosméticos, mas identificar e desenvolver um produto exige muitos anos, entre 10 e 20 no caso dos remédios, destacou. Com financiamento para poucos anos, muitos projetos são interrompidos e outros nem mesmo começam sua execução por imposição de novas exigências, afirmou. Clement vive há 28 anos na Amazônia sem sofrer discriminações pelo fato de ser norte-americano.

Seu compatriota Thomas Lovejoy, respeitado ecologista, conhecedora da Amazônia e presidente do Centro Heinz de Washington, tampouco se queixou de constrangimentos. O temor pela internacionalização da Amazônia e pela biopirataria tal como hoje se manifesta “não tem bases reais”, disse ao Terramérica. A biodiversidade amazônica “é roubada das futuras gerações, mas por sua destruição”, desmatamento que transforma a árvores em dióxido de carbono, disse Lovejoy. A destruição de árvores, especialmente por incêndios, é uma forma de internacionalizar, porque o gás liberado aquece o clima de todo o planeta, ressaltou.





* Mario Osava é correspondente da IPS. O artigo foi produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

Publicado por Ana Tropicana às 09:54 AM | Comentários (0)

setembro 28, 2005

Ainda o Rio Tietê...

Ocorreu-me que, em tupi, «tietê» quer dizer «águas boas» (irónico, é um facto!). E depois veio-me à cabeça o verso, mas não estou certa de haver relação entre estes dois assomos.

«Água do meu Tietê,
Onde me queres levar?
- Rio que entras pela terra
E que me afastas do mar…»




A meditação sobre o Tietê


É noite. E tudo é noite. Debaixo do arco admirável
Da Ponte das Bandeiras o rio
Murmura num banzeiro de água pesada e oleosa.
É noite e tudo é noite. Uma ronda de sombras,
Soturnas sombras, enchem de noite tão vasta
O peito do rio, que é como si a noite fosse água,
Água noturna, noite líquida, afogando de apreensões
As altas torres do meu coração exausto. De repente
O óleo das águas recolhe em cheio luzes trêmulas,
É um susto. E num momento o rio
Esplende em luzes inumeráveis, lares, palácios e ruas,
Ruas, ruas, por onde os dinossauros caxingam
Agora, arranha-céus valentes donde saltam
Os bichos blau e os punidores gatos verdes,
Em cênticos, em prazeres, em trabalhos e fábricas,
Luzes e glória. É a cidade… É a emaranhada forma
Humana corrupta da vida que muge e aplaude.
E se aclama e se falsifica e se esconde. E deslumbra.
Mas é um momento só. Logo o rio escurece de novo,
Está negro. As águas oleosas e pesadas se aplacam
Num gemido. Flor. Tristeza que timbra um caminho de morte.
É noite. E tudo é noite. E o meu coração devastado
É um rumor de germes insalubres pela noite insone e humana.


Meu rio, meu Tietê, onde me levas?
Sarcástico rio que contradizes o curso das águas
E te afastas do mar e te adentras na terra dos homens,
Onde me queres levar?…
Por que me proíbes assim praias e mar, por que
Me impedes a fama das tempestades do Atlântico
E os lindos versos que falam em partir e nunca mais voltar?
Rio que fazes terra, húmus da terra, bicho da terra,
Me induzindo com a tua insistência turrona paulista
Para as tempestades humanas da vida, rio meu rio!…

[…]

Mário de Andrade - Poesias Completas. 3ª edição. São Paulo: Martins, INL, 1972.




(E já agora, fazendo o historial do rio... )



O Rio Tietê teve grande importância na história de São Paulo, permitindo a interiorização da colonização, ampliando os limites da América portuguesa. Também chamado no passado de Rio Grande e Anhembi ou Anhambi, o Rio Tietê, o maior do planalto, com 1.136 quilômetros de extensão, é um rio muito sinuoso, com uma longa série de corredeiras e cachoeiras, e recebe um grande número de afluentes.

O rio nasce na cidade de Salesópolis, em São Paulo, na cadeia montanhosa da Serra do Mar, a mil metros de altitude e a 22 quilómetros do Oceano Atlântico. Contrariando o curso da maioria dos rios, ele corre para o interior do estado, atravessando a cidade. Essas características fazem com que as suas águas só desemboquem no mar depois de percorrerem 3.500 quilômetros, nos quais se encontram com o Rio Paraná, divisa do Mato Grosso do Sul, e chegam até o Rio da Prata. Com tal percurso, o Rio Tietê tornou-se um dos mais importantes para a expansão territorial do país.

Desde o século XVI, índios, jesuítas e bandeirantes, os "conquistadores do sertão", navegavam pelo Tietê à procura de índios, para utilizar como mão-de-obra escrava, e de ouro.

No início do século XVIII, intensificou-se a navegação fluvial pelo Tietê com a descoberta das minas de Cuiabá.


"Logo que soube-se em São Paulo das descobertas que Pascoal e seus companheiros tinham feito nas circunjacências de Cuiabá", escreveu o brigadeiro Machado de Oliveira, "moços e velhos dispuseram-se a partir para ali, em procura de riquezas que sua cobiça elevara a um ponto desmesurado; e dentro de poucos dias puseram-se a caminho, divididos em grupos que seguiam uns após outros, embarcando no Tietê, e navegando este e outros rios que vão ter ao Cuiabá."

Além dos povoadores que partiam para tentar a sorte nas minas, as frotas de comércio, também conhecidas como "monções", deram especial relevo ao Rio Tietê. Canoas com armas, sal, escravos, vinho, azeite, aguardente e artigos manufaturados abasteciam os moradores de Cuiabá.

As monções partiam de Porto Feliz, desciam normalmente o Tietê até a foz, seguiam o curso do actual Paraná, entravam por um dos seus afluentes, em geral o Pardo e depois subiam o Anhanduí-Guaçu até chegar ao Rio Paraguai. De lá alcançavam o São Lourenço e, finalmente, o Cuiabá. Porém, muitas das frotas sofreram ataques dos índios que transitavam pela região.

A abertura de novas estradas terrestres e a perspectiva de um comércio mais lucrativo reduziram as viagens fluviais pelo Tietê. Sabe-se que as últimas ocorreram por volta de 1838, quando uma epidemia de febre tifóide se alastrou pelas margens do rio, deixando poucos sobreviventes.

No início do século XX, o Rio Tietê era um dos locais de lazer preferidos dos paulistanos: piquenique, natação, pesca e desportos aquáticos. Às suas margens, estabeleceram-se três clubes de regatas: o Club Canottieri Esperia, formado pelos italianos, o São Paulo e o Tietê. O jornalista Thomaz Mazzoni recorda:


"A Ponte Grande se transformou em local de recreio para o paulistano, pois ali, à margem do Tietê, foram criados vários recreios para piqueniques, passeios de barco e restaurantes, entre os quais se destacava o Bella Venezia, freqüentado pelos italianos, que aos domingos se recreavam passeando de barco. Foi justamente um grupo desses rapazes que começou a incentivar a idéia da formação de um clube esportivo que teria, naturalmente como atividade, o remo e a canoagem: o Club Canottieri Esperia".
Mas esses clubes não durariam muito, devido à poluição das águas. Em 1930, 150 empresas já lançavam lixo no Rio Tietê. A publicação A Capital de São Paulo de 1933 traz um alerta: "Estes rios são pouco piscosos, talvez devido à barragem em Parnaíba e ao Salto de Itu. Os resíduos das fábricas e outros também concorrem para tornar o ambiente pouco favorável à vida dos peixes".

As actividades desportivas continuaram até a década de 1950, quando o Tietê se transformou no esgoto a céu aberto da cidade. Hoje em dia, são despejadas diariamente cerca de 134 toneladas de lixo inorgânico nas suas águas e o índice de oxigénio na água é zero. O Rio Tietê volta a dar sinais de vida somente depois da cidade de Salto.

Publicado por Ana Tropicana às 01:57 AM | Comentários (0)

Rio Tietê

As espumas tóxicas que poluem o Rio Tietê adoecem, há 20 anos, os 15 mil habitantes de Pirapora do Bom Jesus, a oeste da Região Metropolitana de São Paulo. Só a taxa de mortalidade infantil aumentou de 7,94% em 2003, para 20,08% em 2004.

As espumas continuam em 2005.




Espuma tóxica do Rio Tietê ameaça Pirapora
Fonte: Diário de São Paulo | Autor: Ana Paiva | Data: 26/09/2005 -

SÃO PAULO - A população de quase 15 mil habitantes de Pirapora do Bom Jesus, última cidade a oeste da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), está doente. Depois de duas décadas de invasões de espumas tóxicas na cidade, provocadas pela poluição do Rio Tietê, um estudo mostra que os gases emitidos no ar pela espuma afetam a saúde não apenas da população ribeirinha, mas de todos os moradores da cidade.

A prefeitura está preocupada e suspeita que um aumento da mortalidade infantil também esteja relacionado ao problema. Segundo dados da Fundação Seade, a morte de crianças menores de um ano passou de 7,94 em 2003 para 20,08 em 2004 por mil nascidos vivos, com 2 e 5 óbitos respectivamente. No ano passado, houve registro de uma morte de criança nascida com má-formação congênita.

- Em municípios pequenos um óbito eleva o coeficiente de mortalidade, mas de cinco mortes, uma teve má-formação - explica a secretária municipal de Saúde, Aparecida Luísa Nasi.

Estudo do governo estadual está analisando os efeitos da poluição do Rio Tietê na saúde dos moradores. O trabalho vem sendo realizado há um ano e já foi concluída a primeira fase.

- Pelo menos já temos um documento que prova que a população está sendo afetada e estamos sugerindo a verificação de casos de má-formação congênita para a segunda etapa - disse Aparecida Luísa.

Levantamento da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) aponta que os índices de gás sulfídrico - produzido nas águas do rio e emitidos no ar - atinge na cidade níveis superiores a 177 parte por bilhão (ppb). O máximo aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 108 ppb.

Jesuíno Romano, gerente de qualidade do ar da Cetesb, admite que o índice do gás sulfídrico no ar de Pirapora deve ser muito maior, já que o aparelho usado no estudo não tem capacidade para medir níveis superiores.

- De qualquer modo, o índice é alto e já deve estar causando danos à saúde da população.

Especialistas alertam que o gás sulfídrico e dióxido de enxofre (também emitido no ar) podem comprometer o funcionamento dos rins e do fígado, além de gerar efeitos crônicos na saúde. O gás sulfídrico afeta, principalmente, o aparelho respiratório. Segundo a secretária de Saúde de Pirapora, de cada dez crianças atendidas no sistema de saúde, sete têm problemas respiratórios. Entre idosos, há cinco casos a cada dez.





Mau cheiro do Tietê espanta turista de Pirapora
Fonte: Diário de São Paulo | Autor: Ana Paiva | Data: 26/09/2005


SÃO PAULO - Além de ser a primeira cidade do mundo invadida pelas espumas de poluição de um rio, Pirapora do Bom Jesus, localizada a 54 quilômetros da capital, também é o primeiro santuário cristão do Brasil, que vive basicamente do turismo religioso. Mas a poluição tem afastado os peregrinos. Na última década, a cidade assistiu a uma queda de cerca de 40% na freqüência de romeiros.

- A poluição acabou com a vocação do município - lamenta o prefeito da cidade, Raul Bueno (PSDB).

Pirapora costumava receber mais de 20 mil visitantes por final de semana. Hoje, os romeiros não ultrapassam cinco mil nos sábados e domingos. A exploração turística do rio, que também era uma fonte de recursos para o município, acabou por causa das espumas do Tietê. A pequena cidade recebe pelas águas do Tietê todo o esgoto doméstico gerado por milhões de moradores da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), que ainda são jogados no rio. Segundo Jesuíno Romano, gerente de qualidade de ar da Cetesb, o órgão tem estudo realizados no local desde 1992.

- Sabemos que a situação lá é ruim - admite.

Para o prefeito, o município de Pirapora deveria receber do governo do estado algum tipo de compensação pelos estragos causados.

- Além dos prejuízos econômicos, a poluição está acabando com a saúde da população - reclama Bueno.

Pirapora do Bom Jesus é uma cidade bucólica, cercada de morros verdes e localizada às margens do Tietê com uma área de 108 km². Mas, em vez de ar puro, é o mau cheiro do rio a primeira sensação que o visitante tem ao chegar.

A espuma tóxica faz parte da paisagem de Pirapora desde meados dos anos 80, quando o governo do estado mudou o fluxo do Rio Pinheiros para impedir que o esgoto continuasse a ser despejado na Represa Billings. Para a Secretaria Estadual de Recursos Hídricos, a população do município está condenada a viver com o problema até que os rios que deságuam no Tietê sejam limpos.

- O único jeito é tratar o esgoto - diz Romano.

Publicado por Ana Tropicana às 01:32 AM | Comentários (0)

setembro 27, 2005

Ainda o Debate

No manifesto que em tempos li e a que, por coincidência, volto justamente hoje, o tupinambá Yakuy recoloca a questão dos impedimentos ao exercício de uma «Cidadania Plena» (as capitulares são do próprio Yakuy) assentes na triologia dos seguintes vectores: "estado", "media" e "sociedade". Respiro fundo enquanto vou pensando: que falta nos fez este tupinambá, na mesa de debate desta manhã!!...




Manifesto em favor dos direitos dos povos indígenas

"POR UM MUNDO MAIS HUMANO"


Nós vivemos com os fatos, sem culpa sem orgulho. Não precisamos falar do óbvio. Não precisamos dizer bom dia se é óbvio que é um bom dia, nem falamos das condições da estrada se é óbvio para a outra pessoa que ela também sabe disso.

Contamos só o começo e o fim. Você então forma as suas próprias imagens do que aconteceu e como você se relaciona com o fato, não como lhe seria dito em português, com todas as palavras inseridas. Partindo desse princípio não haveria necessidade de falarmos da ajuda que nós precisamos porque é óbvio.

A finalidade dessa proposta, portanto, é apelar para a sensibilidade de todos, despertar o espírito de fraternidade, justiça e cooperativismo existente, de forma a poder reparar os equívocos e fraudes de uma intelectualidade histórica mais voltada para privilegiar a economia dos ditos poderosos em detrimento aos valores culturais e sociais de uma raça humana ameaçada de extinção.

Nós Povos Indígenas do Brasil necessitamos de uma aliança com toda sociedade brasileira, em caráter emergencial.

505 anos passaram-se e ainda continua o processo de dizimação. Vários apelos vem sendo feitos ao longo de décadas para que toda a nação brasileira volte seus olhos para as ameaças que pesam sobre nós.

Caravelas despontaram no horizonte, anunciando o declínio de uma raça. O homem branco trazia os paus-de-fogo, micróbios letais, e uma cultura inacessível. Essas três armas destruíram-nos. Em alguns séculos fomos reduzidos a algumas dezenas de milhares de indivíduos. Nações inteiras foram extintas e uma grande parte do acervo cultural perdeu-se ou degenerou. Estima-se, que cinco milhões de pessoas indígenas foram mortas, acredito que nem “Adolph Hittler” foi capaz de tamanha atrocidade, juntando as três Américas, foi o maior genocídio praticado neste planeta.

O rápido declínio não se deveu somente a guerra que nos foi movida pelos brancos; os contatos pacíficos foram igualmente perniciosos, e ainda o são.

O processo de aculturação levou a substituir nossos próprios valores por normas típicas dos brancos. Entretanto, o abismo existente entre as duas culturas impede que haja uma síntese completa entre ambas, desestimulados em nossa própria cultura, permanecemos um marginal dentro do mundo branco.

Tomam nossas terras, viciam-nos, rotulam-nos como preguiçosos, negaram por décadas e décadas nossa identidade, grande parte do nosso Povo perdeu o idioma, a cultura (costumes e tradições). Nos deixaram um longo período sem rosto e sem voz.

Mas, ainda hoje lutamos contra três armas que impedem o direito de exercermos nossa Cidadania Plena.

1 – O Estado

Gera conflitos
Corrompe
Fragmenta nosso Povo
Desenvolve políticas de assistencialismo
Expede Decretos favorecendo latifundiários
Não cumpre as leis estabelecidas pela Constituição

2 – Mídia (meios de comunicação de massa)

Massifica-nos
Padroniza-nos, desconsiderando os valores e identidades regionais
Funciona como uma delegacia a serviço do Poder Político, Religioso, ou Mercantilista
Reforça a visão distorcida, que tem marginalizado e provocado uma imagem falsa dos valores e capacidade do nosso Povo


3 – Sociedade

Marginaliza-nos.

Segundo algumas definições de Cidadania: Todos os seres humanos são iguais perante a Lei, sem discriminação de raça, credo, ou cor.

Todas as mudanças nascem de um sonho, desde que esse sonho, que no inicio era de uma pessoa apenas, venha se tornar o sonho de muitos. Como dizia o Cardeal e pensador humanista – D. Helder Câmara: “Sonho que se sonha só é só um sonho. Mas, sonho que se sonha junto. Torna-se realidade”.

Toda a Nação Brasileira deve estar comprometida com o nosso destino e com o nosso direito a uma existência digna e autônoma.

Aproveitando a XXXII Jornada Internacional de Cinema da Bahia (inicio de tudo), onde a tecnologia e a arte se colocam a favor da evolução do ser humano, solicitamos a todo Povo Brasileiro sensível à causa indígena, que se coloquem a nossa disposição para referendar nas questões por nós consideradas mais emergentes:

· Demarcação das Terras Indígenas.

· Criação do Ministério Indígena, juntamente com Secretarias em todos os estados brasileiros

· Atualização e Aprovação do Estatuto do Índio

Não queremos ser grandes. Não queremos ser pequenos. Queremos nossos direitos garantidos!





Yakuy Tupinambá
[Representante indígena Tupinambá de Olivença na APOINME - Articulação dos Povos Indígenas Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo]

Contatos:
E.mail: yakuy@indiosonline.org.br
Tel: (73) 3694 1169
Tel p/ contatos: (71) 32494237

Auere!
Yakuy Tupinambá
yakuy@indiosonline.org.br

Publicado por Ana Tropicana às 11:46 PM | Comentários (0)

Mood


bica ao balcão de ana tropicana

É no mínimo cruel: debater «Comunicação, Ética e Política» às 09:00 da manhã! Se o arrependimento matasse, a resposta agora seria "Não, muito obrigado!".

Publicado por Ana Tropicana às 07:56 AM | Comentários (0)

«Wellcome To The Real World...!!»


the lie de louis foxx

«Have you heard of the Meatrix? Do you want to know what it is? The Meatrix is all around you. Take the blue pill and stay here in the fantasy. Take the red pill and I will show you the truth.»


...Simplesmente genial!!





«Meatrix is the lie we tell ourselves about where our food come from.»







«Click here and I will show you what you can do to escape Meatrix».




Créditos Oficiais

Escrito por: Louis Fox e Jonah Sachs
Concepção: Jonah Sachs e Louis Fox
Diretor: Louis Fox
Vozes: Louis Fox
Animação: Louis Fox
Supervisão musical: Louis Fox
Produtoras Executivas: Diane Hatz e Rebecca Bray

Produzido por Free Range Graphics em conjunto com o Centro de Ações e Recursos Globais para o Meio Ambiente (GRACE)





Biografia do filme

The Meatrix, www.themeatrix.com, é uma animação humorística de 4 minutos em Flash™, que faz uma paródia dos filmes The Matrix e destaca os problemas da agricultura industrial. Ao invés do Keanu Reaves, a estrela de Meatrix é um jovem porquinho, Leo, que vive em uma agradável propriedade familiar... é o que ele pensa. Leo é abordado por um boi vestindo um sobretudo preto, o Moopheus, que mostra a ele a dura verdade sobre o agronegócio, incluindo uma paródia à tomada em câmera lenta imortalizada pelo Matrix. A mistura de humor, referências da cultura pop e uma importante mensagem se identifica claramente com a ampla cobertura do público usuário da Internet.

No início de 2003, a Free Range Graphics, www.freerangegraphics.com, convidou organizações sem fins lucrativos de todo o país para submeterem propostas para o primeiro Fundo de Apoio ao Ativismo promovido pela Free Range . Depois de revisar 50 propostas, a Free Range destinou o prêmio ao Centro de Ações e Recursos Globais para o Meio Ambiente (GRACE) www.gracelinks.org, uma organização comprometida em terminar com as fazendas industriais e promover a agricultura sustentável.

Com o material de apoio provido do GRACE, Louis Fox, da Free Range Graphics, criou o filme Meatrix. A decisão dele de parodiar The Matrix foi baseada nas similaridades entre o filme e o sistema corporativo da agricultura dos dias de hoje.

Em menos de três meses depois do lançamento, em 3 de novembro de 2003, mais de 4.2 milhões de pessoas visto Meatrix , incluindo pessoas na Europa, América do Sul, Canadá, México, Austrália, Nova Zelândia, China Coréia e Japão. Dez meses depois do lançamento, uma média de 80.000 a 100.000 novos expectadores estão assistindo o filme na Internet a cada mês. Isto é um sucesso sem precedentes para um filme que advoga em nome de uma causa.

O Meatrix tem tido tanto sucesso que os emails continuam chegando em massa com pedidos de cópias do filme para mostrá-lo em escolas, apresenta ç ões, conferências, festivais e eventos. O filme ganhou diversos prêmios, incluindo o "Prêmio Navegadores da Rede" (Netsurfers Award) para curta-metragens para Internet, do Festival Internacional Annecy de Filmes Animados e o prêmio "Filme para Pensar" (Film for Thought), do Festival de Filmes Mídia que Importa. O Meatrix também foi aceito em festivais de filmes pelo mundo todo.




Biografia do GRACE

O Centro de Ações e Recursos Globais para o Meio Ambiente (GRACE), www.gracelinks.org, é uma rganização sem fins lucrativos que trabalha com pesquisa, política e comunidades de base para fornecer informação e promover soluções para preservar o planeta para as gerações futuras.

Projeto Fazendas Industriais do GRACE - uma equipe única de consultores especializados que ajudam comunidades, ranchos familiares e pequenos produtores a se oporem à disseminação de novas fazendas industriais e a fechar aquelas que afetam a saúde e o bem-estar. A equipe faz análises econômicas e dá suporte organizacional para comunidades ameaçadas. O site do projeto é um vasto recurso sobre questões relacionadas à agricultura industrial.
http://www.factoryfarm.org
O Henry Spira/Projeto do GRACE sobre Produç ão Animal Industrial - Uma parceria entre GRACE e o Center for a Livable Future na Escola de Saúde Pública Bloomberg, da Universidade Johns Hopkins. A parceria visa fomentar a pesquisa interdisciplinar sobre a produção industrial de animais e abordar os impactos na dieta alimentar, no meio ambiente e na saúde humana e animal.
http://www.jhsph.edu/Environment/Projects/spira_GRACE/Spira-Grace.html

Campanha sobre Irradiação de Alimentos - Em parceria com a Public Citizen, GRACE apoia um esforço internancional para informar o público sobre os riscos da irradiação de alimentos, usada meramente para mascarar as práticas insalubres do agronegócio e prolongar a "vida de prateleira" para o comércio internacional da carne
http://www.foodirradiation.org

GRACE também trabalha para eliminar as armas nucleares e a energia nuclear e para limpar o legado tóxico da era nuclear através do seu Projeto de Abolição Nuclear.
http://www.gracelinks.org

Biografia da Free Range Graphics

Free Range Graphics é criatividade com consciência. Sabemos que poderíamos estar usando nossos talentos para vender hambúrguers ou tênis esportivos, mas nós sentimos que uma parte inerente à criatividade é a criação de algo positivo e significativo.

Por isso nos concentramos em oferecer design de alta qualidade e serviços de publicidade a empresas e organizações cuja visão vai além de transformar o mundo em um shopping center. E enquanto nossos clientes vão desde ativistas mundiais como a Anistia Internacional até lojas independentes tentando sobreviver em uma era de franquias, todos eles partilham consosco a crença de que o trabalho de uma vida deveria criar e não corromper.

Sediados em Washington DC , nossos serviços incluem design gráfico para materiais impressos e Internet, concepção de campanhas e estratégia. Também oferecemos serviços de ponta na Internet, como gerenciamento de dados e aplicativos de Internet personalizados.

Sócios Fundadores

Jonah Sachs e Louis Fox são os sócios fundadores da Free Range Graphics. O trabalho pioneiro deles com a tecnologia Flash foi visto por milhões de usuários da Internet e foi citado em jornais de renome e redes de notícias de televis ão pelo país e pelo mundo, incluindo o Crossfire da CNN, The Washington Post, Fox News e The New York Times. Em 2001, Jonah e Louis foram nomeados entre "As Trinta Pessoas Salvando a Terra", pela revista Shift. Eles s ão considerados l í deres neste novo e importante movimento de disseminação de mensagens de cunho político e social ao público em geral por meio da Internet.


Publicado por Ana Tropicana às 03:55 AM | Comentários (0)

setembro 26, 2005

Clipping

E as boas notícias prosseguem. Parece que, durante o fim-de-semana, o mundo se tornou um pouco mais complacente: o FMI anulou os 40 mil milhões de dólares da dívida multilateral dos países mais pobres.




Estados membros do FMI chegaram a acordo sobre anulação da dívida de países pobres


Washington, 25 Set (Lusa) - Os Estados membros do Fundo Monetário Internacional (FMI) chegaram a acordo para aplicar um projecto visando a anulação dos 40 mil milhões de dólares da dívida multilateral dos países mais pobres, anunciou sábado a instituição.

"Chegámos a um acordo sobre todos os elementos" relativos ao FMI, afirmou perante a imprensa o presidente do comité monetário e financeiro da instituição, Gordon Brown.

"O director-geral (do FMI, Rodrigo Rato) informou o comité que vai convocar o conselho de administração para finalizar a aprovação do acordo para que o aligeiramento da dívida tenha efeitos até ao final de 2005", acrescentou o também ministro das Finanças britânico.

"O processo histórico de anulação da dívida (multilateral) terminou hoje", afirmou o ministro.

O princípio desta anulação, que deve beneficiar duas dezenas de países, essencialmente africanos, foi adoptado em Julho pelos oito países mais industrializados do Mundo (G8), na Escócia.

No entanto, a sua aplicação ficou dependente da resolução das divergências, sobre o seu financiamento, entre os Estados membros das instituições envolvidas (FMI, Banco Mundial, Banco Africano de Desenvolvimento).

Vários países, nomeadamente os do norte da Europa e a Bélgica, que consagram mais dinheiro ao desenvolvimento que os membros do G8, insistem numa repartição equitativa do peso das doações.

Dos 40 mil milhões de dólares envolvidos, cerca de 11 por cento referem-se ao FMI.

O essencial, 70 por cento do dinheiro, refere-se ao Banco Mundial, que ainda não deu o seu aval ao projecto.

No entanto, Brown está optimista.

"Penso que os pontos que foram adoptados hoje (pelo FMI) são os mesmos que foram discutidos no seio do comité de desenvolvimento do Banco Mundial e espero que também eles cheguem a um acordo", acrescentou.

O comité do Banco Mundial reúne-se hoje numa Assembleia-geral anual.





Banco Mundial aprova anulação da dívida dos países mais pobres


Washington, 25 Set (Lusa) - O comité do Banco Mundial deu hoje luz verde à anulação da dívida multilateral de várias dezenas de milhões de dólares dos países mais pobres do planeta, anunciou o secretário norte-americano do Tesouro, John Snow.

"Estou muito satisfeito por ver que o comité de Desenvolvimento do Banco Mundial aprovou por larga maioria a proposta de anular em 100 por cento a dívida dos países mais endividados", afirmou Snow em comunicado publicado após a reunião daquele órgão de que faz parte.

"Esperemos que os conselhos de administração do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial dêem rapidamente o seu derradeiro aval e passem à prática", acrescentou.

O FMI tinha já dado sábado o seu acordo à anulação da dívida.

O projecto envolve 40 mil milhões de dólares relativos à dívida dos 18 países mais pobres do planeta ao banco Mundial, FMI e ao Banco Africano de Desenvolvimento.

"Chegámos a um acordo sobre todos os elementos" relativos ao FMI, afirmou perante a imprensa o presidente do comité monetário e financeiro da instituição, Gordon Brown.

Vários países, nomeadamente os do Norte da Europa e a Bélgica, que consagram mais dinheiro ao desenvolvimento que os membros do G8, insistem numa repartição equitativa do peso das doações.

Dos 40 mil milhões de dólares envolvidos, cerca de 11 por cento referem-se ao FMI.

O essencial, 70 por cento do dinheiro, refere-se ao Banco Mundial.





Fonte: LUSA - entre 25 e 26 de Setembro de 2005


Publicado por Ana Tropicana às 01:56 PM | Comentários (0)

Clipping

Os observadores dizem que é verdade: em Belfast, o IRA depôs todas as armas.




«Reportamos agora aos governos britânico e irlandês que observamos e verificamos acontecimentos para pôr fora de uso grande quantidade de armas que acreditamos serem todas que estavam em posse do IRA», disse a comissão internacional em nota, comprovando uma promessa feita há algumas semanas pela milícia católica.

Ao que parece, o Exército Republicano Irlandês (IRA) depôs as armas que havia juntado durante anos para combater o domínio da Grã-Bretanha sobre a Irlanda do Norte. O movimento do grupo rebelde pode reactivar finalmente as negociações por um acordo político na região.




Procuro saber um pouco mais sobre o inacreditável:





Ulster: Desarmamento do IRA será anunciado segunda-feira


Belfast, 25 Set (Lusa) - O general canadiano John de Chastelain, encarregue do desarmamento dos para-militares norte- irlandeses deverá anunciar segunda-feira à tarde, em Belfast, que o arsenal do IRA foi desmantelado sob a sua supervisão, informou fonte oficial.

O IRA (Exército Republicano Irlandês) renunciou oficialmente à violência a 28 de Julho e comprometeu-se a desmantelar o seu arsenal por completo sob a supervisão de uma comissão internacional presidida pelo general Chastelain.

Dois membros do clero, um católico e outro protestante, foram também autorizados pelo Estado-maior do IRA, a principal organização clandestina católica da ilha, a assistir ao desmantelamento, como testemunhas.

Estes dois membros do clero deverão falar segunda-feira durante a conferência de imprensa organizada pela comissão internacional para o desarmamento, num hotel de Belfast, pelas 13:00 TMG.

O desarmamento do IRA era exigido pelos dirigentes protestantes da Irlanda do Norte desde o início do processo de paz, há mais de dez anos.





Irlanda do Norte: Desarmamento do IRA é acontecimento "histórico" - PM irlandês


Dublin, 26 Set (Lusa) - O primeiro-ministro irlandês, Bertie Ahern, classificou hoje o anúncio do desmantelamento total do arsenal do Exército Republicano Irlandês (IRA) como um acontecimento "histórico".

"A declaração da Comissão [de Desarmamento] segundo a qual o IRA aplicou o seu compromisso de colocar fora de uso todas as suas armas acarreta enormes consequências", declarou Ahern, em conferência de imprensa em Dublin.

"É um desenvolvimento histórico, com um significado verdadeiramente histórico, o IRA já não tem armas", afirmou entusiasmado, acrescentando que "as palavras são claras e particularmente bem-vindas".

Por sua vez, o presidente do Sinn Fein, Gerry Adams, afirmou que após o desarmamento do IRA, que classificou como um "grande salto", chegou o momento de olhar "mais além" no processo de paz da Irlanda do Norte.

Numa conferência de imprensa em Belfast, o líder do Sinn Fein, braço político do IRA, defendeu o reatamento das conversações de paz, para aplicar os Acordos de Sexta-Feira Santa, de 1998, e restaurar o governo autónomo da Irlanda do Norte.

A autonomia da província está suspensa desde Outubro de 2002, devido a um caso de alegada espionagem do IRA nas instalações de Stormont, sede da assembleia norte-irlandesa.

O reverendo radical Ian Paisley, o principal dirigente protestante norte-irlandês, líder do maioritário Partido Democrático Unionista (DUP), reagiu hoje ao anúncio do desmantelamento do arsenal do IRA afirmando que o relatório da Comissão de Desarmamento sobre a inutilização das armas não é transparente.

Paisley criticou a "duplicidade" e a "desonestidade" dos governos britânico e irlandês, bem como do IRA, denunciando ao mesmo tempo a ausência de dados concretos no relatório sobre a quantidade de armas inutilizadas.

O general canadiano John de Chastelain, chefe da Comissão de Desarmamento, anunciou hoje ao início da tarde que o IRA desmantelou todas as suas armas, tendo o grupo paramilitar norte-irlandês feito uma declaração semelhante menos de uma hora depois.





Irlanda do Norte: Ninguém pode confirmar desarmamento total do IRA - Paisley

Belfast, 27 Set (Lusa) - O reverendo protestante radical Ian Paisley, líder do Partido Democrático Unionista (DUP), maioritário na Irlanda do Norte, afirmou hoje que "ninguém" pode confirmar que o arsenal do Exército Republicano Irlandês (IRA) foi inutilizado.

Paisley proferiu tais declarações depois de reunir-se em Belfast com o presidente da Comissão Independente de Desarmamento (IIDC), o general canadiano John de Chastelain, que assegurou segunda-feira que todo o armamento do IRA foi finalmente inutilizado.

Segundo o líder protestante radical, elementos do seu partido foram para a reunião com o general cheios de dúvidas e determinados a esclarecer várias questões, mas o que ouviram, durante o encontro, deixou-os "horrorizados".

Durante a sua intervenção de segunda-feira, De Chastelain disse que a quantidade de armas inutilizadas coincide com os cálculos apresentados pelas forças de segurança britânicas e irlandesas, a única referência disponível sobre os arsenais do grupo católico separatista armado.

Paisley explicou hoje que, apesar de as estimativas terem sido posteriormente revistas, a IIDC utilizou os inventários anteriores.

"Até as forças de segurança admitem que algumas armas que estavam na lista original tenham agora sido passadas a outros grupos dissidentes. Parte do armamento que deveria ter sido inutilizado desapareceu", afirmou o líder unionista.

Na opinião de Paisley, estas revelações questionam seriamente o processo de desarmamento do IRA e dificultam a possibilidade de o seu partido contemplar a hipótese de negociar com o Sinn Fein - braço político do IRA - a formação de um governo norte-irlandês de coligação.





Irlanda do Norte: Kofi Annan insta todas as partes a consolidarem a paz


Nações Unidas, Nova Iorque, 27 Set (Lusa) - O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, saudou hoje o anúncio do desarmamento completo do Exército Republicano Irlandês (IRA) e instou todas as partes envolvidas a aproveitar a ocasião para consolidar o acordo de paz de 1998.

"O secretário-geral congratula-se com o anúncio de que foi retirado um grande obstáculo na busca de uma solução política duradoura na Irlanda do Norte", declarou a ONU em comunicado.

O desarmamento anunciado "é uma etapa fundamental no compromisso do IRA, assumido a 28 de Julho, de prosseguir a partir de agora os seus objectivos por meios exclusivamente pacíficos e democráticos", segundo o texto.

"O secretário-geral insta todas as partes a aproveitar esta oportunidade única para consolidar o acordo de Sexta-Feira Santa", de Abril de 1998, prossegue o comunicado.

Depois de uma reunião com o general canadiano John de Chastelain, encarregado de desarmar os paramilitares, o dirigente protestante radical Ian Paisley anunciou hoje que o principal partido protestante norte-irlandês, o Partido Democrático Unionista (DUP), não partilhará o poder com os deputados católicos apenas com base no desarmamento do IRA.

O general Chastelain anunciou segunda-feira o desmantelamento total do arsenal do grupo separatista armado, informação confirmada menos de uma hora depois pelo próprio IRA.

O IRA, a principal organização clandestina da ilha, renunciou oficialmente ao uso da violência a 28 de Julho, após 35 anos de conflito, e comprometeu-se a desmantelar o seu arsenal o mais rapidamente possível.




Fonte: LUSA - entre 25 e 27 de setembro de 2005

Publicado por Ana Tropicana às 12:44 PM | Comentários (0)

Pergunta

«Quem manda no seu Mundo?» AQUI

Quem manda no seu mundo?

A BBC está a lançar uma série de reportagens sobre pessoas e grupos que têm poder no mundo.
A série especial, «Quem manda no seu mundo?», explora o tema do poder em todos os níveis: Quem tem esse poder? Quem o quer ter? Como é usado? Quem são as pessoas que exercem o poder ao seu redor?

As opiniões podem ser enviadas por meio do formulário que se encontra ao lado.

Leia abaixo as mensagens enviadas por alguns dos internautas que visitaram o site da BBC Brasil.




"Sinceramente, o dono de "MEU MUNDO" é DEUS. Ele que rege tudo em meu ser, minha vida. Depois dele apenas NOSSA SENHORA e seu FILHO JESUS. Agora este PLANETA está sob o regimento do CAPITALISMO, DINHEIRO, PODER desenfreado que nos fazem escravos. Escravos de um poder "VIRTUAL". Afinal a Lei Áurea realmente existiu/existe?"
Catherine Silva Serra, São Paulo (SP)

"No meu mundo, quem manda e sempre mandará é Deus. Sem Ele não somos nada e nada poderemos ser. Com Ele e Seus ensinamentos passamos por todos os problemas mas não nos deixamos corromper."
Neide Goldenberg, São Paulo (SP)

"O dinheiro, com seu capitalismo, que funciona muito bem por sinal. Minha vida – e acho que a de muitos no Brasil e no mundo – é determinada e totalmente definida pelo dinheiro nos tempos de hoje. Ele me diz quando devo trabalhar, quando eu posso parar de trabalhar, quando eu posso viajar, quando posso tirar férias, quando posso dormir mais ou dormir menos, quando posso estar feliz ou quando posso estar triste, quando posso estar com meus familiares, quando posso relaxar ou quando posso ficar estressado, simplesmente, tudo... Conseqüentemente, quem/o que dominá-lo ou dispor de grandes partes, terá controle de tudo."
Daniel Monguilhott, João Pessoa (PB)

"Quem manda no meu mundo é meu país, os Estados Unidos. É ele que eu respeito e admiro. Infelizmente nasci nesta porcaria."
Liliane, Recife (PE)

"Eu penso que uma só nação tem poder de vida e morte de pelo menos mais da metade da vida existente no mundo e esta nação invade países com propósito de combater o terrorrismo, mas na verdade é o petróleo que interessa a esta nação."
Cassio José Rabelo Fernandes, Belém (PA)

"Manda quem pode, desobedece quem tem juízo."
Carlos Souza, Brasília (DF)

"No meu mundo (o Brasil) quem manda é o FMI (credor do Brasil). O meu presidente é simplesmente uma figura representativa nomeada pelo povo igual ao Congresso, um grupo de boêmios também nomeados por nós para gastar todo o nosso dinheiro e fazer mais empréstimos ao FMI para os políticos ficarem eternamente sendo submissos ao nosso credor."
Jean, São Paulo (SP)

"O poder é dado a cada um de nós, sendo então permitido traçarmos as metas desejáveis, bem como elaborar estratégias para atingi-las. Tornar-nos submissos à vontade alheia (de qualquer ordem) é declarar-nos impotentes e incapazes de cumprir nossa missão."
Cristina Fogliene, Guarulhos (SP)

"São os capitalistas, banqueiros e os EUA."
Carlos O. Pires, Belo Horizonte (MG)

"Quem manda no mundo são, na minha opinião, as grandes corporações. Megamultinacionais que possuem representações em praticamente todos os países patrocinam políticos que por sua vez têm a dívida de lavar a mão de quem o ajudou. Essas corporações nos dizem o que vestir, o que comer, o que ouvir, o que ver e onde deve cair aquele míssil!!!!"
Daniel Teixeira, Japão

"Quem manda no meu mundo são o medo, a esperança, a oportunidade, a fé, a confiança, a sabedoria. Enfim, tudo o que faça com que eu aja de uma certa maneira, mesmo que isso seja espontaneidade."
Fernando, Suzano (SP)

"Basicamente, quem manda no meu mundo são meus chefes, meus pais e meu namorado. Depois, meu dinheiro. Não adianta negar, todos eles influenciam muito no meu mundo e (o trabalho e dinheiro, principalmente) ditam meus horários e minhas diversões."
Isis, São Paulo (SP)

"Eu mando no meu mundo. Só deixo me influenciar pelo que escolho, só estou a serviço do que escolho ser certo. Aprendi a controlar a minha vida e estou muito mais feliz assim."
Juliana Martins, São Paulo (SP)

"Quem manda no mundo é a necessidade e o acaso (oportunidades). A combinação destes dois elementos pautam as ações de todos, seja para o bem ou para o mal."
Ronaldo, São João da Boa Vista (SP)

"Quem manda no mundo deve estar com a cabeça no mundo da lua e passou uma procuração para os políticos."
Luciano Max, Brasília (DF)

"Quem manda no mundo é o dinheiro. Compra o céu ou remete o indivíduo para o inferno. No fim de tudo, está o dinheiro."
Eloi Inacio Carmezini, Biguaçu (SC)

"Absolutamente, o dinheiro e o capitalismo funcional."
Daniel Monguilhott, João Pessoa (PB)

"A Bíblia nos dá a pista de quem hoje realmente governa este mundo. São forças influenciadas pelo Maligno e que ditam as regras dos governos e manipulam a maioria das pessoas. Vocês acham que governos corruptos, a violênica, países mais preocupados na corrida armamentista do que na fome do povo, armas de destruição em massa, entre outras coisas viriam de Deus? Claro que não!!! A pista que a Bíblia nos dá é esta: “Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no Maligno.” 1 JOÃO 5:12. O mal está por todas as partes, até nas coisas que parecem inocentes como por exemplo os modernos desenhos animados que dissiminam violência pura. Mas a hora de Deus está chegando, tudo está se cumprindo e somente os céticos não percebem. A maior esperança do cristão é esta, que Jesus está voltando e só assim teremos paz."
Francisco, Campinas (SP)

"NINGUÉM manda no mundo! E talvez este seja nosso grande problema. Se houvesse um líder mundial, sincero e sem vínculos religiosos (o ideal é que fosse ateu!), o mundo seria muito melhor. Se a pergunta fosse: 'O quê manda no mundo?', eu diria sem medo de errar que é o futebol. Se a Fifa organizasse um jogo entre Brasil e Iraque, em Bagdá, tenho certeza que até o Bin Laden decretaria uma trégua e as únicas explosões que existiriam em Bagdá seriam de fogos de artifício."
Alexandre Coelho, Porto Seguro (BA)

"Sem sobra de dúvida, são os donos do dinheiro, os banqueiros, os industriais aliados à mídia."
Luiz Fernando Oliveira, Brasília

"Meu mundo é aquele que está dentro de minha alma, onde meus pais semearam o bem e muitos valores. Hoje, longe do meu país, trato de imitá-los semeando as mesmas sementes, deixando bons rastros em alguns corações. A FAMÍLIA é o princípio e o fim do mundo de qualquer pessoa."
Vera Vieira, Neuquen (Argentina)

"Jesus Cristo."
Michelle Pinheiro, São Paulo (SP)

"Hoje em dia, o mundo é uma enorme plutocracia. Onde ricos ficam mais ricos e os pobres ficam cada vez mais miseráveis. Eu me incluo naqueles que 'sobrevivem' ao sistema."
Herick A. Werneck, Lorena

"Bom, quem manda lá em casa sou eu. Mando nos filhos, no marido, na minha casa e na minha empresa. Acho que tenho o dom pra mandar."
Clara Bartulic, Curitiba

"Quem manda no mundo é uma entidade chamada confusão, aliada a outra chamada mentira, porém o meu mundo que governa é Jesus. E estou muito contente com isso."
Willies Monteiro, Parnaíba (PI)

"Os Juízes e Advogados."
Victor de Palma, Salvador

"O poder de quem controla os meios de comunicação é maior do que qualquer arma nuclear. Ela simplesmente controla as opiniões das pessoas, fazendo você, eu ou qualquer pessoa, acreditar naquilo que transmitem."
Leonardo Marinho, Recife

"Quem manda no meu mundo sou EU, e cada um de vocês mandam nos seus respectivos mundos. O fato de vivermos em uma sociedade global não faz com que percamos o controle sobre o mundo em que vivemos."
Leandro, Belo Horizonte (MG)

"No plano religioso, a Igreja Católica através do Papa, tem muito poder, mas o usa muito pouco. No plano militar, os EUA, e países com bombas atômicas têm muito poder. No plano eonômico, os EUA, UE, Japão e China realmente mandam no mundo nesta ordem. Mas a força desta economia é fechada demais, pouco permitindo desenvolvimento de outras nações como o Brasil."
Tito Marcos Martini, Garça (SP)

"Acho que são os políticos."
Dorivan da Silva Sousa, Vila Rica (MT)

"Sem sombra de dúvida, Deus manda no meu mundo e no mundo de todos os sobreviventes."
Flávio Santos Meira, Valinhos (SP)

"Na minha vida particular (meu mundo restrito), quem manda é a minha família. No mundo ao redor dela é o capital, comandado pelos dirigentes das grandes empresas e pelos países 'desenvolvidos'".
Carol, Rio de Janeiro (RJ)

"Falam de mercado, mas por trás do mercado estão as empresas, os governos, as pessoas e o dinheiro! Quem tem poder é quem tem dinheiro e/ou pode coagir. O poder hoje é exercido de forma negativa, apenas para explorar e te convercer de algo que não existe mais - liberdade e igualdade."
Camila Evangelista, Guarulhos (SP)

"Quem manda no mundo, é quem tem dinheiro, por esse motivo, o mundo está agonizante com falta de fé, guerra, fome, miséria etc. O mundo precisa de comandante com amor ao próximo."
Daniel Rocha, Rio de Janeiro (RJ)

"Eu, na verdade, não tenho dúvidas acerca daquele que manda no meu mundo, aliás, no mundo que nem é meu. É o super poderoso, o imortal, que é Deus."
Francisco Santos, Maputo (Moçambique)

"O instinto responsável pelo desejo de mandar, comandar, dominar, ter o controle. Este sentimento íntimo comum em todo ser humano de ter algo para si e chamar de seu, possuir, ser detentor. Este instinto que ao longo da história se manifesta em todo líder como uma entidade subjetiva e filosófica ou espiritual para alguns, que regendo sua existência, gera a necessidade de ter sempre mais."
Alceo Biazawa, Curitiba

"O meu mundo não é tão diferente do mundo comum. É um mundo governado pelas opiniões restritas e conseqüências abrangentes. É um mundo no qual o certo é errado e o errado ninguém vê."
Renato Caldas, Rio de Janeiro (RJ)

"Eu acho que manda no mundo quem consegue influenciar a população com as suas opiniões seja na música, política ou no jornalismo. O poder está em mudar o conceito da população."
Fernando Fidelix Nunes, Brasília (DF)

"Quem manda no mundo é aquele que tem mais dinheiro, pois "ele" tem todas as melhores coisas: pode escolher carros, casas e até mesmo o tipo de parceiro(a)que quer usar por uma noite ou o tempo que achar necessário para se satisfazer; mandar e desmandar, mesmo estando errado. Enfim, abusa o quanto quer e todos a sua volta têm que ficar calados se não quiserem ser prejudicados."
Alessandro, Uberaba (MG)

"A palavra de Deus diz que esse mundo jaz no maligno, e ele é o príncipe desse mundo, mas a minha vida é controlada, e todos os meus passos guiados, pelo rei dos reis Jesus Cristo."
Lucia A. dos Santos, Mogi das Cruzes (SP)

"Quem manda no mundo é quem detém o poder, e são os países desenvolvidos que detêm o conhecimento. E por meio desse domínio propagam seu modo de vida consumista sobre nós, meros consumidores de tecnologia de lá. Ao invés de aproveitarmos melhor nossas próprias idéias, acabamos preferindo consumi-las pois é mais cômodo mandar alguém fazer por nós do que fazermos nós mesmos. O que é um grande erro se almejamos ser um país realmente justo e desenvolvido."
Willian Takamura, São Paulo (SP)

"Para mim quem manda no mundo é Deus o todo poderoso. Só que quase todo mundo ainda não se deu conta disso. Só para se ter uma idéia: alguém já viu quem que se acha poderoso andar tranqüilo e estar sem segurança? Pois é, esse tipo de pessoa pensa que tem poder, mas na verdade não tem nenhum. O maior poderoso é justamente aquele que se acha sem poder."
Luiz Carlos Peixoto, Nova York (EUA)

"Eu tenho meus poderes com a família, nada em termos públicos ou religiosos. Lido muito com auto-análise, nem por isso tenho sucesso. Nada temo e tenho a morte como um acidente inexorável. Aliás, tenho reservas em relação a quem faz uso do poder que não seja trabalhado com a cabeça."
Calypso Escobar, Rio de Janeiro (RJ)

"Sem dúvida, o supremo Criador do Universo e a fé no que posso realizar. Não me considero subordinada a nenhum ser humano, pois ele é hoje e não é amanhã, não tem assim tanta força como pensa e 'quando Deus faz, o homem não desfaz'."
Eliane Maria Arruda Silva, Fortaleza (CE)

"Quem manda no meu mundo é o criador dele, Jeová, só ele sabe onde/por que/para onde vamos. As nações estão cada dia mais perdidas, pois o grande dia se aproxima cada vez mais rápido!"
Luiz Leite, Nova York (EUA)

"Quem manda no mundo é o capital, que fortalece quem o tem e oprime quem vive na miséria."
Ricardo Souza, Nova Lima (MG)

"A corrupção manda no mundo."
Paulo, Brasília (DF)

"O poder não pertence a um único grupo ou pessoa. O poder flui. Cada pessoa constitui um elo, um mero canal de transferência. A articulação de pessoas canaliza o poder para uma direção ou outra. Os Estados Unidos, então, podem ser vistos como uma articulação particular de pessoas. Nota-se aí que a capacidade de organizar as pessoas, influenciá-las, é uma das maiores expressões do poder como ocorre com as grandes empresas de comunicação."
Rodrigo di Lorenzo Lopes, São Paulo (SP)

"Para mim a única pessoa que manda em nós é Deus, mas como alguns grupos ou países pensam que são "deuses" fica difícil classificar um agora, pois são tantos. O que me deixa espantado é saber que alguns desses grupos têm o poder de acabar com as pessoas como se fosse tirar o pó da mesa. Isso é inadmissível, temos que nos unir e ajudar as pessoas que precisam de ajuda."
Cleverson Dupin, Belo Horizonte (MG)

"Deus."
Javier, Ciudad del Este (Paraguai)

"Como podemos observar nas opiniões anteriores, cada um leva a pergunta para lados e sentidos diferentes. Quem manda no seu mundo, independentemente de qualquer momento político, religião, dinheiro, países ou seja lá o que for, é você mesmo. Não ponha a culpa nem se apóie em desculpas nem em deuses. Você é o que plantou. Você que é culpado ou consagrado pelo caminho que escolheu. Quem manda no seu mundo é sua mente, sua esperteza, sua audácia, sua sabedoria e sua inteligência. O resto são desculpas apontadas por você, talvez, pelos seus fracassos. Meu amigo, "Ser ou não ser? Essa é a questão". Corra... talvez você ainda tenha tempo de ser o dono o seu próprio mundo."
Claudio Bucci, São Paulo (SP)

"Eu diria que o mundo está dominado pelo poder político-financeiro e logo segue o poder jurídico. A forma como esses poderes são combinados varia em dependência de quem os tem total ou parcialmente, pessoa ou corporação. Na pequena escala, podemos constatar que companhias ou pessoas com poder financeiro normalmente preocupam-se em conquistar o respaldo jurídico e político. Os que têm poder político não o exercem sem respaldo financeiro. Daí vemos que o poder está naqueles que sabem balancear esta equação. No meu mundo são os governantes, são os que ditam as regras."
Paulo Manassi, Luanda, Angola

"Há duas formas de poder, o poder irreal, que é aquele que os demais tentam exercer sobre cada um ao seu redor e o segundo e o poder do autoconhecimento, o poder interior, definitivo e verdadeiro, o qual é o único que eu reconheço. O resto é ilusão. Ninguém me influencia!!!!!"
Egbert Silva, Amsterdã (Holanda)

"Meu emprego!"
Manuel, Recife (PE)

"Primeiro é Deus, que me permitiu viver e criou tudo. Depois sou eu, que luto para sobreviver e amar. Depois vem minha família, a quem preciso e devo amar eternamente. Por último vêm meus semelhantes, a que devo amar, entender, respeitar, sem distinção de qualquer espécie, com plena igualdade de entendermos que somos todos um só."
Carlos Alberto Paulo de Brito, Juazeiro

"Ninguém. Afinal, até os mais poderosos estão à mercê das forças do caos. E, cedo ou tarde, o caos prevalecerá, provavelmente por uma catástrofe ecológica e o exaurimento nos recursos naturais."
Alexandre Medeiros

"Os acionistas e os fundos de pensão."
Diego Bregolin, Porto Alegre (RS)

"Temos três poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário. Há dez anos surgiu um outro poder: a Imprensa. Agora a maior poder é o poder Econômico."
Vital Serafin, Marau (RS)

"Sem medo de estar cometendo nenhuma injustiça, no meu mundo quem manda são os políticos e governantes corruptos - ladrões do dinheiro público, que escravizam e excluem covardemente seres humanos inocentes."
Francisco Manoel da Rocha Neto, Palmas (TO)

"De acordo com a História mundial, com o passar do tempo, só existiram duas classes: o dominador e o dominado. E hoje não é diferente. Sempre existirá essa subordinação, até a extinção da humanidade."
Jurandir, Recife

"O dinheiro."
Miguel Angelo Pinheiro, Fortaleza

"Na minha opinião, o mundo é regido por um bloco de indivíduos, classificado por mim em Grandes, Médios e Pequenos, que se encontram repartidos em estados, países, ilhas e comunidades. Mas que, por conseguinte, o grupo pequeno ordena um determinado sítio ou espaço. Envia a sua informação aos Médios que, por sua vez, processam-na e enviam-na aos do grupo Grande que, por sua vez, analisam e processam respostas para os demais problemas da humanidade. Mas essas respostas são para o benefício deles e não dos mais necessitados, que só recebem migalhas."
Verdim, Luanda (Angola)

"Os demagogos, pois usam desculpas mentirosas para manipular os poderes judiciários e legislativos de seus países."
Wagner, Belo Horizonte

"O 'mercado' manda no mundo. Eles compram e vendem tudo. Identificando os operadores, identificaremos quem (pessoas) ou quais (corporações) compõem o 'mercado'."
Antonio Carlos, Quirinópolis (GO)

"No plano econômico os Estados Unidos ainda lideram e exercem enorme poder de liderança no mundo. Esta liderança econômica, embora esteja ameaçada pela China, deverá perdurar por uma ou duas décadas até que a China assuma o seu poder. No plano político, porém, os Estados Unidos governados pela administração republicana cometeram vários erros estratégicos. Com isto os Estados Unidos perderam o foco do que acontece no mundo e aos poucos perdem terreno para a política européia."
Sergio Salomon, Deerfield Beach, Flórida (EUA)

"A meu ver, o "meu" mundo é comandado por aqueles que estabelecem as regras e/ou detêm o "controle" sobre o domínio do conhecimento em seus respectivos segmentos e suas aplicações. (...) Quem são as pessoas que exercem o poder ao seu redor? Os agentes das instituições mais fortes, sejam públicas ou privadas."
Antonio C. Fernandes, Santo André (SP)

"O mundo é comandado por um grupo seleto de pessoas, que obviamente são poderosas financeiramente ou pertencem a instituições igualmente poderosas. Não importa se você é da África, Estados Unidos, Reino Unido, Índia ou Brasil. Se você tiver cacife suficiente para fazer parte desse seleto grupo, então você é um dos 'donos do mundo'."
Joel Ribeiro Camara, João Pessoa (PB)

"No meu mundo Jesus Cristo é Rei, Deus é o Sol e o Espírito Santo é Mestre."
Daniel M. Carneiro, Rio de Janeiro (RJ)

"É muito complexo responder a esta pergunta, porém, percebe-se que cada indivíduo constrói seu mundo particular, e grupos de indivíduos compartilham visões sobre seu mundo que permitem a entrega do controle de tal mundo a uma figura específica. A verdade é que o ser humano precisa, necessita de um referencial de autoridade, quer seja o pai, o chefe, o professor... Se este não encontra uma figura de autoridade no seu mundo, ele penetra no mundo de outro para não se sentir "desprotegido". Quem manda no meu mundo é alguém que pagou um preço de vida por mim, Jesus Cristo."
Messias Lins, Manaus (AM)

"Os americanos, hoje, "mandam" no mundo. Em umas regiões mais, outras menos. Na América do sul a sua influência é de arrogância, peculiar da política Bush e do povo americano. O contraponto da Europa hoje só existe pelo lado da França, hoje o único país Europeu que não segue as "deteminações" americanas neste continente. É o que contrabalança, ao menos na Europa, alguma coisa, pois a Grã-Bretanha segue e é hoje quase a mesma coisa, vivendo de frente para o Atlântico Norte, de costas para a Europa em seu provincianismo típico de povos insulares, o que é uma grande perda para toda a Europa e conseqüentemente ao mundo também."
Luis Nascimento, Rio de Janeiro (RJ)

"Na minha opinião, quem manda mesmo no mundo é o dinheiro, em todas as suas formas de apresentação. Quero dizer, o poder que o dinheiro representa, se levarmos em consideração que por mais espiritualizada que seja uma sociedade, seus problemas mais emergenciais sempre serão resolvidos com bens materiais. Exemplo disso são as civilizações asiáticas e orientais em geral. Quando começaram a se voltar para os aspectos materialistas da vida iniciaram um processo sem volta de perda de espiritualidade. O tempo provará esta teoria. Nas sociedades ocidentais, nem se fala. A frase que ouvi nesta semana é uma prova irrefutável disso: "Multa é a solução, pois irá atingir o ser humano no lugar onde mais dói. No seu bolso!" Lamentável? Sim, mas inevitável, eu creio."
Zolira Baratto, Cambé (PR)

"Quem tem o poder: os grandes empresários/industriais/políticos/militares/religiosos... os dominantes. Quem quer ter o poder: os religiosos. O poder é usado para manipular a grande massa do população para produzir e manter os dominantes mais e mais fortes. O poder ao meu redor (Brasil) é exercido por políticos e ladrões."
Raimundo Dialciles A. Martins, São Luis (MA)

"Indiscutivelmente quem manda no meu mundo sou eu."
Alexandre Alencar, Águas Formosas (MG)

"Quem detém o capital e finge ser honesto!!!!!!!!"
Paulo Lyrio, Petrópolis (RJ)

"O poder mundial está nos países que possuem produtos como o petróleo, e metais em geral. Quem tem e quem quer ter esse poder são os Estados Unidos. O maior exemplo foi a chamada Guerra do Iraque pelo qual os EUA teriam a certeza que o Iraque produzia armas químicas!!! Onde estão estas armas??? A briga mundial é principalmente pelo petróleo, o líquido que move o mundo... Os EUA querem esse poder por isso "inventam" uma guerra e utilizam os recursos naturais do país invadido sendo assim o país mais nocivo e o que tem mais poder."
Diego Lima Scadelai, Ribeirão Preto (SP)

"Quem tem todos os poderes na verdade é Jesus Cristo, mas no caso específico aqui proposto seguem os mandantes: 1º EUA; 2º Todos que se opõem aos EUA para fazerem igual a eles; 3º os políticos nacionais inescrupulosos que são manipulados pelo capital e interesses norte-americanos. Duro é saber que aqui na minha pequenina cidade, somos prejudicados pelo império dos EUA."
Adilson Ramos, Pedro Canário (ES)

"São as grandes corporações econômicas, em especial as de origem bancária e de investimentos."
Francisco Nogara Neto, Guarapuava (PR)

"Acho que são os Estados Unidos e algumas empresas de tecnologia, como a Microsoft, pois seus modelos e estilos são copiados o tempo todo por outras pessoas da Terra."
Rodrigo Flausino, Varginha (MG)

"Os capitalistas que especulam em bolsas de valores."
Luciano Almeida de Oliveira, Goiânia

"O poder está na mão das grandes potências mundiais, nos países industrializados."
Jair, Massaranduba

"Manda no meu mundo quem detém poder sobre o povo assim como na idade média. No Brasil a falta de acesso da população à educação de boa qualidade produziu ao longo da última geração, um povo ingênuo, desinteressado, miserável e conseqüentemente altamente dominável. Como resultado, o Brasil hoje não pode ser considerado democracia com 55% da população vivendo em condições de tamanha miséria."
Victor, São Paulo (SP)

"Quem manda no mundo é o dinheiro e as grandes corporações. As do petróleo, farmacêuticas, agro-industriais, armamentos, cigarro, bebidas, etc. Os políticos são forçados a fazer valer os interesses destas em detrimento a bilhões de pessoas."
Jerônimo, Bruxelas (Bélgica)

"No 'meu mundo' são as forças vindas do poder judiciário, e tais forças ou poderes estão concentrados em pessoas que exercem a jurisdição, ou seja, juízes. O poder, que vem do cargo que ocupam, é mal usado e de pouca eficiência social... Num sentido mais amplo, genérico, diria que o poder que mais aflinge vem, também, do Estado. Agora, o Executivo, de onde a sociedade recebe e sente de imediato qualquer ato que daí venha. E, mal usado também, pois suas decisões tem sempre a finalidades de interesses "maiores", dos MAIORES, ou seja, de quem detém o poder econômico."
Luiz Lobo Filho, Foz do Iguaçú

"Quem manda no "meu" mundo é o MERCADO. Este, por sua vez, usa os políticos como peões de manobra (normalmente através da corrupção) para meter a mão nos cofres públicos e transferir montanhas de dinheiro (público) para empresas privadas nacionais e internacionais."
Roberto, Curitiba

"Quem manda no meu mundo é Deus. Sem ele não consigo dar um passo. Para tudo dependo da providência divina."
Carlos, Mogi Guaçú (SP)

"Neste século não são pessoas fisícas que mandam no mundo, mas sim grandes empresas, grandes governos com economia forte e bem estruturada!!"
Andreatto Pinheiro Viana, Recife

Publicado por Ana Tropicana às 01:41 AM | Comentários (0)

setembro 25, 2005

Galeão


terminal 2 de Gilberto SantaRosa

17:20 - de volta ao Galeão.





Foto: Terminal 2 (autor: Gilberto SantaRosa)

Publicado por Ana Tropicana às 05:33 PM | Comentários (0)

«No entendimento»

Ainda o «mensalão»: Severino («ex-deputado e futuro deputado», como muito bem observa o escritor João Ubaldo Ribeiro, na edição de hoje de O Globo) andou a pensar, «ofendido» e caluniado, tomou uma decisão: foi ao Planalto e apresentou a «renúncia».

«Portanto, passemos a borracha em tudo isso, graças a Deus somos brasileiros e resolvemos no entendimento o que em outros países que se dizem mais afortunados se resolve no tiro.» - magistral texto, o de Ubaldo Ribeiro, que vale a pena ler em atacado.




Mentira, mentira, mentira!
por João Ubaldo Ribeiro

Publicado em O Globo, a 25 de setembro de 2005


Reproduzo no título acima, dando o devido crédito, as palavras proferidas pelo ex-deputado Severino, ao mencionar as denúncias de que ele recebia uma gruja do concessionário dos restaurantes (casa de pasto talvez fosse a designação mais adequada a boa parte da freguesia dos estabelecimentos em questão) da Câmara. O homem estava indignado, era sua honra em jogo, era o presidente da Câmara de Deputados, uma das mais altas autoridades do país, sendo falsamente acusado de tomar uma grana comparável à de um bom flanelinha, desses que no Rio às vezes cobram 50 reais pelo direito de usar a rua por três horas. Quer dizer, o flanelinha pode até ganhar mais um pouco e certamente qualquer chefe de quadrilha que explore menores mendigos fatura bem melhor, mas, de qualquer forma, podia sair num jornal estrangeiro e não ficava bem para a nossa imagem. Mentira, mentira, mentira, pois.

Haverá quem ache que é mentira dele, porque, ao que parece (fico todo cheio de dedos ao escrever estas coisas, não só porque pertenço à deletéria imprensa, como porque posso ser processado e condenado, como esse doleiro que pegou uma pena de 25 anos, num país onde autores de chacinas são até absolvidos, traficantes perigosos cumprem pena em regime semi-aberto ou não cumprem pena nenhuma e a impunidade é geral, a não ser para quem incomoda), ele recebia mesmo o agradozinho dele. Tanto assim que certamente tomou uma providência imediata e mandou comprar — claro que com dinheiro nosso, pois, afinal, era despesa pública — um dicionário novo, onde encontrou a palavra “renúncia”. Sabem como são essas coisas, a palavra “renúncia” está em uso praticamente desde que começou a língua portuguesa, mas o dicionário dele era mais antigo e não registrava essa tal renúncia, coisa certamente de comunistas, que são traidores da pátria, sim, mas muitos são inegavelmente inteligentíssimos. Aí ele pegou o dicionário novo, achou a palavra, não gostou muito, mas não imaginou outro jeito e resolveu renunciar.

Pensou no país até o fim e em amenizar tanto quanto possível o sofrimento de quem, afinal, não tinha nada a ver com o problema. Primeiro, pensou na aposentadoria, obrigação de pai de família e provedor. Segundo depreendo da leitura dos jornais, já está garantida. Depois pensou nos parentes e amigos, que são tão parte do povo brasileiro quanto vocês e eu e, portanto, não há o que reclamar, são brasileiros sendo beneficiados, melhor isso do que só se fosse no tempo dos russos. A renúncia não os podia prejudicar e então ele teve a hombridade de visitar o presidente da República, onde, ao que se disse, tratou dos problemas de seu povo, ou seja, pediu e obteve a garantia de que nenhum apaniguado seu perderia o emprego. Só mesmo um mau brasileiro, como nós, da imprensa, não compreenderia o calor humano desses dois grandes corações.

E, claro, somente a má vontade — e má vontade é com a gente da imprensa mesmo — é que vê na renúncia o reconhecimento da culpa e a convicção de que, exposto a julgamento, seria condenado. Portanto, passemos a borracha em tudo isso, graças a Deus somos brasileiros e resolvemos no entendimento o que em outros países que se dizem mais afortunados se resolve no tiro. Ele renuncia, ninguém fica mais querendo bisbilhotar o que não é da conta de ninguém além dele mesmo, porque nosso direito é o de pagar os subsídios (ou que outro nome artístico ora se empregue para designar tudo o que deputado embolsa legalmente, de forma direta ou indireta) dele e de nos gabar disso em qualquer lugar — a democracia está aí mesmo e não me deixa mentir: quem nos deu nosso juízo foi o governo, quem nos concede permissão para pensar é o governo, quem nos dá o direito de opinar e falar é o governo e, enfim, a gente só se queixa do governo porque é um governo bom e dá permissão, lembrem como o presidente disse que tem de ter muita, mas muita paciência mesmo, com um povo que pelo visto só faz atrapalhar.

Pronto, tudo resolvido. O dinheirinho pago já deve ter tido bom uso, ajudando um aqui, outro ali, vocês não sabem que saco sem fundo é eleitor nordestino. Se soubessem, não abriam a boca para ficar aí dizendo besteira sobre como deputado ganhar demais e ter muita regalia para pouco trabalho. Experimente ser do interior do nordeste e voltar à sua terra como deputado — é dinheiro que pedem que não acaba mais nunca, mas ninguém se lembra nessas horas da função social de alta relevância que o deputado exerce. Ouviram o galo cantar, não sabem onde e ficam repetindo essa bobajada, quem quiser que pense que o comunismo morreu, ele continua bem vivo aí, com as mesmas táticas desleais e inescrupulosas. E calvário enfrentado pelo bem do país, dolorosos momentos vividos, agora tem assegurado o direito de se candidatar e, provavelmente, de se eleger outra vez. A elite, talvez ele tenha comentado na visita ao presidente, não se conforma mesmo com um presidente operário e um nordestino militante como ele, de sotaque e tudo.

Alguém tem de prender e arrebentar essa elite, é a conclusão a que venho chegando. Ela já está indo longe demais com esse negócio de sabotar o governo Lula e brasileiros típicos como o futuro deputado Severino. Em primeiro lugar, a elite financeira, os bancos, muitos dos quais se dão tão mal que nem imposto de renda pagam, têm os maiores lucros de sua história, ou seja, a economia vai esplendidamente. Devem estar chateadíssimos com essa situação. A elite política tem no seu topo eles mesmos, isso é coisa que se faça? O FMI nos cobre de elogios, ostentamos um belo perfil internacional e um líder carismático e decidido, sempre na frente de combate. Mas a elite não engole estar se dando tão bem com esse governo, deve ter medo de ser feliz. Mentira, mentira, mentira, como disse o ex-deputado e futuro deputado Severino.

Publicado por Ana Tropicana às 08:39 AM | Comentários (0)

Na Volta do Correio


gurupá de mónica barroso

A Mônica prometeu enviar um ensaio fotográfico sobre o Gurupá, um pequeno município de cerca de 25 mil habitantes, localizado no Norte do Pará. São imagens registradas entre Março e Abril do ano passado, durante o trabalho de campo da pesquisa de doutoramento sobre Políticas Sociais que a Mónica desenvolve na London School of Economics and Political Science. Aguardo animada.

Publicado por Ana Tropicana às 08:10 AM | Comentários (0)

A Certain Need of Warm and Rest


caribeña de f.marino

Desejo aos outros o mesmo que desejo para mim: dias com sol (... for those who have a certain need of warm and rest). Creio que basta.




Consulto a metereologia: pode não ser nada comigo, mas gostava que fizesse um sol explendoroso, nos próximos dias.








Na verdade, as previsões não são as melhores!... Consulto a CNN porque é imbatível: nunca falha. Vamos lá a ver...


















... Nada feito: «Scattered Thunderstorms», everywhere!!! De Norte a Sul. Na Costa do Pacífico tanto quanto na Costa Atlântica. Infelizmente.
... Mas também, será que as agências de viagens não avisam os clientes que, por estes meridianos, paralelos e cercanias, Setembro é um tiro em cheio na estação das chuvas??!

Publicado por Ana Tropicana às 07:36 AM | Comentários (0)

setembro 24, 2005

Mood

«Paraná» e «Panamá»: palavras (no mínimo!) impertinentes, a resvalar-me na língua e que confundo sem remédio pelo resto da noite. Como se fossem semelhantes!... Como a chuva: aqui e lá.

Publicado por Ana Tropicana às 11:41 PM | Comentários (0)

Cheers!


jasmim de ana tropicana

Sábado. Edifício Jasmim. Desfocamos à mesma mesa três celebrações. Distintas. Paralelas. Como as vidas. As nossas.

























Fotos: Jasmim (autor: Ana Tropicana)

Publicado por Ana Tropicana às 11:18 PM | Comentários (0)

Clipping

Leio AQUI que esta noite há fado no Canadá: «Mariza updates music born in her native Lisbon».

Publicado por Ana Tropicana às 09:17 PM | Comentários (0)

Isolados no Breu

«Na cidade tem internet, telefone e televisão. Lá no lago e nas comunidades, predomina a escuridão. Às vezes tem radinho, para obter informação» - José Nascimento de Carvalho, poeta e membro da Associação de Produtores Rurais do Guanabara 2, de Benjamin Constant, durante o debate sobre recursos de comunicação comunitária, nas entranhas da Grande Mata, esta semana, em Manaus.




Comunidades discutem comunicação popular na Amazônia
Fonte: Radiobras


Vinte e oito moradores de nove municípios do Amazonas estiveram reunidos nos dias 17 e 18 de setembro para discutir experiências de comunicação popular na região. Falaram sobre as rádios comunitárias, além do rádio-poste e do rádio amador utilizados pelos ribeirinhos no dia-a-dia. Também trataram de outros aspectos do direito à comunicação, como acesso ao telefone, inclusão digital e concentração da propriedade dos meios de comunicação.

"Sem comunicação o trabalho em rede não existe. Ela é fundamental para as populações amazônicas acessarem programas, projetos e políticas públicas", afirmou José Arnaldo de Oliveira, assessor de comunicação da Rede do Grupo de Trabalho Amazônico (Rede GTA), que organizou a oficina de comunicação popular e comunitária, em Manaus. A rede surgiu em 1992 e é composta por cerca de 600 organizações não-governamentais (ONGs) e movimentos sociais da Amazônia Legal.

"Para trabalhar em rede na Amazônia é preciso mapear os comunicadores, ver as condições de trabalho deles e tentar prover infra-estrutura para quem não tem nada, sequer telefone", completou Cristiane Dey Andreotti, rádio-ativista e consultora voluntária da Rede GTA.

O evento encerrou um ciclo de oficinas iniciado em novembro de 2004, em Brasília, e levado também neste ano para Belém (PA) e São Luís (MA), com financiamento da organização alemã Fundação Friedrich Ebert (FES). "O objetivo desses encontros é fortalecer o trabalho dos comunicadores e das comunicadoras, trazer informações às quais eles nem sempre têm acesso sobre funcionamento de rádios, legislação e resistência", explicou Fernanda Papa, representante da fundação. (Thaís Brianezzi)

Publicado por Ana Tropicana às 09:00 PM | Comentários (0)

«Café do Brasil»


café brasil de ana tropicana

Ontem, ao jantar, a Juliana comentava que virou a cidade à procura de sacas de Café Brasil para usar na decoração da mesa (à Juliana nunca basta esse magistral dom de ter mão para a cozinha!). Era uma ideia de génio, na verdade, mas sacas nem vê-las. Que é feito do Café Brasil??... Voltamos ao assunto mais tarde (previsivelmente) na hora em que o café é servido. Não chegamos a nenhuma conclusão.

Hoje, pela manhã, leio AQUI que, dentro de cinco anos, o Brasil pode tornar-se «no maior consumidor mundial de café». Donde a questão se mantém: intrigante, pertinente e actual - onde (Diabo!) andam as famosas sacas de juta?!




Brazil May Be World's Biggest Coffee Consumer by 2010
Fonte: Bloomberg (USA) | Autor: Jeb Blount - jblount@bloomberg.net.| Data: 24/09/2005


Sept. 24 (Bloomberg) -- Brazil, the world's biggest coffee producer, will overtake the U.S. as the world's biggest coffee consumer by 2010 as it tries to boost domestic demand and producer profit, Brazil's agriculture minister said.

Brazil will consume about 20 million of the 60-kilogram (132- pound) bags of coffee a year in the local market within five years, Roberto Rodrigues said at the second world coffee conference in Salvador, Brazil. By promoting coffee drinking, Brazil will also improve the quality and price of its coffee and coffee products, he added. U.S. demand was about 20 million bags last year, according to the International Coffee Organization.

By 2015, rising consumption in Brazil and other emerging markets may boost world demand by 25 million bags, or 1.5 million metric tons, a fifth of last year's levels, he said.

``Adding value to products is one of the best market instruments for a more equitable distribution of income throughout the supply chain,'' Rodrigues said. ``Value addition can also be achieved by increasing quality, and better quality signifies greater consumption.''

Larger Brazilian consumption will help stabilize world prices by cushioning the impact of rising production from countries such as Vietnam, said Rodrigues, 63.

8.4 Million Tons

The increase will also improve the competitiveness of Brazilian makers of industrialized coffee products, such as roasted beans and instant coffee, helping boost exports of products that offer greater returns on investments than raw coffee beans, Rodrigues said.

Brazilian domestic consumption more than doubled to 15 million bags a year in 2004 from 6.5 million bags in 1989. Brazilian consumption increased 9 percent in 2004, six times the world average, Rodrigues said. Brazil produced 39 million sacks of coffee last year, or a third of the world's total.

If Rodrigues' expectations for world demand materialize, coffee consumption will rise to about 140 million sacks, or 8.4 million tons, from 115 million sacks today, based on demand estimates in an August report from the ICO.

Rodrigues and conference participants from producer countries are looking for ways to boost the income of farmers and reduce the power over prices exercised by beverage companies such as U.S.- based Kraft Foods Inc. and Switzerland's Nestle SA. They also want an end to European tariffs on industrialized coffee products.

Coffee Futures

``Only about 1 percent of the price of a cup of coffee in rich countries goes to coffee producers,'' said Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva, who spoke with Rodrigues and Colombian President Alvaro Uribe at the conference's opening ceremonies.

``It's natural for countries with power to use that advantage to their benefit, but we have to start doing that too,'' he said.

The price of robusta coffee, which makes up a third of all coffee production, have fallen by more than a third after reaching a five-year high on $1,295 a metric ton on June 3. While coffee, which closed Friday at $858 a ton on London's Liffe exchange, is more than a quarter above the average for the 2000-2005 period, prices are less than half the average for the previous five-year span, according to Bloomberg data.

In the last year, arabica coffee futures prices have gained 9.5 percent in New York and robusta prices rose 27 percent in London.

Uribe called on the world's coffee consumers and producers to seek ways to better balance their interests. To start, Uribe wants to set a world minimum price for coffee to improve the lot of small farmers who grow more than 70 percent of all beans.

In Colombia, the world's third-largest producer, many farm coffee plots of three hectares (7.4 acres) or less, Uribe said. These farmers, he added, help form the backbone of the country's economy and democracy and are a bulwark against illegal drug trafficking and political terrorism.

``In a world of quotas, we have to find a way to set a floor price in dollars for coffee,'' he said. `` You can's just look at coffee from the point of view of the market, as a crop, its has social component as well.''

Publicado por Ana Tropicana às 09:35 AM | Comentários (0)

Yes, Your Majesty

Recado de Victória, antes de apanhar o táxi para o aeroporto:

«Ás vezes deixamos de acreditar na simplicidade com que a vida se apresenta. Outras vezes, achamos que o universo conspira contra nós. ENGANOS, Menina da Rua!!! Se olharmos para os que estão abaixo de nós, nos sentiremos melhores. Se olharmos os que estão acima de nós, perceberemos que lutar é preciso.»

Publicado por Ana Tropicana às 09:20 AM | Comentários (0)

setembro 23, 2005

«O Samba, a Voz e o Violão»


that same old spot de ana tropicana

Ganhei da Verónica um rosário com 15 pérolas raras. Um «simples» quadrado com um círculo de laser inscrito dentro. Assim como que uma espécie de Pedra Filosofal, em formato 12x15, onde estão contidas as entranhas fundas do "coração-brasilis".

«Moro onde não mora ninguém / Onde não passa ninguém / Onde não vive ninguém / É lá onde moro / Que eu me sinto bem / Moro onde moro ....! »

E ela não percebe esta minha abusiva alegria. E eu não estou certa de alguma vez lhe saber explicar. Porque nunca soube ao certo como se faz para agradecer um tesouro.





Fotos: That Same Old Spot (autor: Ana Tropicana)




Fotos: Panorâmica (autor: Marcão)




Costumava tocar às Terças e Quartas-Feiras no "La Playa", um dos restaurantes mais tradicionais da Ilha do Governador. Ele e aquele dom feiticeiro para escolher à noite os sambas mais belos. Os sambas "dos outros". Sempre. Os sambas-nossos, na verdade: pérolas antigas e delicadas, salvas ao esquecer criminoso do tempo. Salvas por Ele. Só com a voz e o violão. Empoleirado num banco coxo de madeira... E aqueles saborosos pratos da cozinha brasileira, que a Idalene serve como ninguém... E a vista sobre a noite da Guanabara, que cai ali, na última extrema da Praia da Bica, como de nenhum outro lugar... Esse deitar de olho para o Rio ao fundo... no embalo da garganta do Moreno. Como se o Paraíso não ficasse, afinal, tão distante assim do nosso alcance.







Foto: Capa do CD de Nélio Moreno (autor: Paulo Verardo)




Faixas:

01. Aquarela Brasileira (Silas de Oliveira) ouvir | letra

02. Poxa (Gilson de Souza) ouvir | letra

03. Que Se Chama Amor (José Fernando) ouvir | letra

04. Insensato Destino (Chiquinho/Maurício Lins/Acyr Marques) ouvir | letra

05. Malandro (Jorge Aragão/Jotabê) ouvir | letra

06. Deixa Acontecer (Carlos Caetano/Alex Freitas) ouvir | letra

07. Moro Onde Não Mora Ninguém (Agepê/Canário) ouvir | letra

08. Enredo Do Meu Samba (D.Ivone Lara/Jorge Aragão) ouvir | letra

09. O Teu Chamego (Pagon/Lúcio Curvelo/Beto Correa) ouvir | letra

10. Fato Consumado (Djavan) ouvir | letra

11. Mulheres (Tuninho Geraes) ouvir | letra

12. Coração Leviano (Paulinho da Viola) ouvir | letra

13. Nó na Madeira (Eugénio Monteiro/José Nogueira) ouvir | letra

14. O Meu Jeito de Ser (José Fernando) ouvir | letra

15. Verdade (Nelson Rufino/C.Santana) ouvir | letra

























































Fotos: La Playa (autor:Ana Tropicana & Gilberto SantaRosa)




Praia da Bica, 39 - Jardim Guanabara
Ilha do Governador - Rio de Janeiro - RJ
Cep: 21931-076

Telefones: (21) 2466-1007 / 2466-3047
E-mail: contato@laplaya.com.br

Publicado por Ana Tropicana às 03:44 PM | Comentários (0)

Houston, Are You There?!

A repórter da BBC Brasil, Denize Bacoccina, está em Houston, no Texas, próxima das áreas atingidas pelo furacão Rita. O relato das suas impressões sobre o estado da cidade e a reacção das pessoas em plena tempestade, vai sendo registado no Blog do Furacão.




Foto: Denize Bacoccina (Autor: BBC Brasil)



25/09, domingo, 8h (10h de domingo em Brasília)

Passei o sábado percorrendo, com dois colegas, as áreas mais atingidas pelo furacão Rita, entre Beaumont, no Texas, e Lake Charles, na Louisiana.

A destruição material é grande, com árvores caídas sobre casas, telhados parcial ou totalmente destruídos, postes caídos no meio da estrada e ruas inundadas. A maioria das casas resistiu sem danos, mas muitas garagens, de madeira, mais frágeis, simplesmente desmontaram com a força dos ventos.

Toda a região está sem energia elétrica.

Mas, pelo menos até onde conseguimos ir, pouquíssimas pessoas estavam em casa quando o furacão chegou. A grande maioria atendeu às ordens das autoridades de ir para um lugar mais seguro. As casas estavam trancadas e vazias. Algumas com tábuas protegendo as janelas.

Desta vez parece que não vão se repetir as cenas dramáticas que vimos após a passagem do furacão Katrina, quando milhares de pessoas ficaram presas em áreas inundadas ou entre os escombros das casas.

Uns poucos ficaram, porque tinham familiares que não podem se locomover, como um casal que encontramos em Lake Charles, ou porque não tinham para onde ir. Outros passaram a noite em outra cidade e estavam voltando pra casa para ver o estrago.

Em Houston, embora milhares de pessoas já tenham voltado desde sábado de manhã, o comércio ainda estava todo fechado até a noite de sábado, e o único restaurante aberto no centro da cidade era o do hotel onde estou hospedada.

O grande problema agora na região é a falta de gasolina. Era grande a fila nos poucos postos que tinham combustível. Muitos que saíram da região não conseguem voltar porque não têm como encher o tanque. Outros que ficaram nas áreas afetadas e estão com a casa intacta não conseguem sair pelo mesmo motivo.


24/09, sábado, 12h (14h de sábado em Brasília)

Muitos moradores já estão voltando para a cidade. No meio da manhã, já era grande o movimento nas rodovias que dão acesso à cidade.

Mas todo o comércio ainda está fechado. A expectativa é que a vida comece a voltar ao normal ainda neste fim de semana.

A prefeita de Galveston, que havia ordenado evacuação obrigatória, disse que os moradores não devem voltar para a cidade porque ainda o local ainda não está seguro.

Boa parte do sistema de energia elétrica foi danificada e existe o risco de as pessoas serem eletrocutadas.


24/09, sábado, 10h45 (12h45 de sábado em Brasília)

Com a confirmação de que o estrago em Houston foi pequeno, é intenso o movimento de saída do hotel onde estou hospedada.

Famílias inteiras trouxeram roupas, comidas e bebidas e se prepararam para ficar no hotel por vários dias, temendo pelo que poderia acontecer com suas casas, mas muitas já estão voltando.

"Não tem lugar como a casa da gente", me disse uma mulher que às 9 horas da manhã já estava pronta para ir embora.

A situação não é tão tranqüila, no entanto, em lugares como Beaumont, no Texas, e Lake Charles, na Lousiana, atingidos em cheio pelo olho do furacão.


24/09, sábado, 7h (9h de sábado em Brasília)

Fui dormir esperando acordar a qualquer momento com o alarme do hotel avisando que o furacão estava se aproximando, e os 3 mil hóspedes deveriam ir para o salão de festas do hotel, onde ficariam mais protegidos.

Em vez disso, acordei com o telefone celular tocando.

Bom sinal: não apenas o furacão não atingiu Houston diretamente, como os telefones estão funcionando. Assim como as luzes da cidade.

As ruas ainda continuam vazias, mas o número de carros nas grandes avenidas que circulam o centro já é bem maior do que ontem.

Rita poupou a quarta maior cidade dos Estados Unidos. O olho do furacão passou mais ao leste, na divisa entre os Estados do Texas e da Louisiana.

E provocou inundações e derrubou prédios em várias cidades do litoral dos dois Estados, mas a destruição, pelo menos pelas informações que chegaram até agora, foi menor do que se temia.

Ainda é um furacão categoria 2, mas a previsão é que se torne uma tempestade tropical até domingo.


23/09, sexta-feira, 22h (0h de sábado em Brasília)

"Do alto do 14º andar do Hotel Hilton, no centro de Houston, tudo parece estranhamente calmo. Calmo demais para quem espera um furacão de categoria 3 para as próximas horas.

Da enorme parede de vidro dá pra ver que as ruas estão vazias. Sem carro, sem gente. Somente carros de polícia guardam as ruas do centro da quarta maior cidade dos Estados Unidos, com uma população metropolitana de 4 milhões – incluindo 5 mil brasileiros.

E apesar da tempestade que se aproxima e já provocou chuva forte em outros lugares, o céu se mantém ensolarado durante boa parte do dia. Só começa a chover no início da noite. Ainda assim, uma chuva fraca, quase uma garoa.

Mas logo após um pôr do céu que tingiu o céu de um amarelo cálido, a mensagem da gerência do hotel na secretária eletrônica avisando que o hotel deve ficar sem energia elétrica durante a tempestade não deixa dúvidas: a cidade está prestes a receber a força devastadora de um dos maiores furacões já registrados na história dos Estados Unidos.

Mas a perspectiva de ficar sem energia elétrica não é que mais assusta. Já vim equipada com carregadores de carro para computador e telefone. O que dá medo é a possibilidade - bastante provável - de ficar sem comunicação telefônica. Sem telefone, como informar o que está acontecendo aqui?

Além disso, é possível que tenha que passar a noite com os outros 3 mil hóspedes do hotel - todos instruídos a levar sua coberta e travesseiro para o grande salão de festas do prédio, protegido do estrago que o furacão pode causar às janelas.

Por enquanto, pelo menos, o vento forte levou as nuvens embora e a cidade lá embaixo continua iluminada."

Pode ler-se mais sobre a temporada dos furacões AQUI e ver-se algumas fotos AQUI ou AQUI
e AQUI e ainda AQUI.

Publicado por Ana Tropicana às 09:49 AM | Comentários (0)

Última Hora

Fim de Semana: Ir até AQUI e ficar a dormir AQUI (desta vez é indiferente o andar, com a salvaguarda de que 10º e 11º andar... nem pensar!). Pode não ser muito sensato, mas há que tirar partido das abençoadas imunidades ao jet-legg.




















Fotos: Premiére (Autor: Dominique Valansi)

Publicado por Ana Tropicana às 01:44 AM | Comentários (2)

setembro 22, 2005

Festival de Cinema do Rio 2005


cartaz oficial de autor desconhecido

Dois apontamentos na minha Moleskine:

- 1967/68. Brasil pós-golpe militar de 1964 e pré AI-5. Passeatas estudantis, festivais de música, uma geração caminhando contra o vento. No Rio de Janeiro, nasce o jornal-escola "O Sol", uma experiência única no jornalismo e na cultura brasileira.

- "Meu caro Vinicius de Moraes, escrevo-lhe aqui de Ipanema para lhe dar uma notícia grave: a primavera chegou. É a primeira primavera desde 1913 sem a sua participação. Seu nome virou placa de rua. E nessa rua que tem seu nome na placa vi ontem três garotas de Ipanema que usavam minissaia. Parece que a moda voltou nessa primavera". (Rubem Fonseca, dois meses após a morte do poeta)





FESTIVAL DO RIO 2005
Mosaico do cinema mundial movimenta a cidade

Considerado o maior e mais charmoso festival de cinema da América Latina, o FESTIVAL DO RIO promete inundar a Cidade Maravilhosa com o melhor do cinema mundial. A versão 2005 irá apresentar mais de 300 produções de 60 países, que serão exibidas em 35 locais da cidade, divididos em 25 cinemas, oito lonas culturais e Praia de Copacabana.

Entre os destaques estão Broken Flowers, de Jim Jarmusch, Last Days, de Gus van Sant, L´Enfant, de Luc e Jean-Pierre Dardenne, The Wayward Cloud, de Ming-liang Tsai, Where the Truth Lies, de Aton Egoyan, e Breakfast at Pluto, de Neil Jordan.

Além das mostras consagradas, como Panorama, Expectativa 2005, Midnight Movies e as Première Brasil e Première Latina, este ano o festival apresentará as mostras Dox - dedicada a documentários nacionais e internacionais; O Brasil com Z, com produções estrangeiras sobre nosso país; Clássicos Japoneses, tributo aos 110 anos da Shochiku Films, o maior estúdio nipônico; Retrospectiva Raymond Depardon, com os filmes do grande fotógrafo e documentarista francês. Nesta edição, o país homenageado será a Espanha e, através da mostra Foco Espanha, serão apresentados 22 dos filmes mais recentes daquele país, entre eles, Iberia, de Carlos Saura, Real - La Película, de Borja Manso, e Reinas, de Manuel Gómez Pereira, com Carmen Maura e Marisa Paredes.

Haverá ainda sessões especiais de grandes clássicos do cinema mundial em versão restaurada: Entre a loura e a morena - em homenagem aos 50 anos de morte de Carmem Miranda; Encouraçado Potemkin, exibicão com orquestra ao vivo; Pele de Asno, (Peau D'Ane) de Jacques Demy, Batalha do Chile, em versão completa de seis horas; e Soy Cuba, de Mikheil Kalatozishvili.

A edição 2005 vai inaugurar, em parceria com a Prefeitura, a Tenda Cinelândia, em frente ao cinema Odeon BR. O local será o ponto de encontro oficial do público com o audiovisual: haverá uma loja com DVD´s e objetos de cinema e, diariamente, serão promovidos debates com atores, diretores e críticos do Brasil e do mundo.

Outro segmento importante que vem se desenvolvendo no Festival do Rio é o de negócios. No Hotel Meridien, representantes do mercado cinematográfico - 300 produtores e empresários estrangeiros e 600 exibidores e outros profissionais do cinema nacional - se reúnem para participar do Rio Screenings and Seminars, um encontro de negócios dentro do Festival onde o produtor brasileiro poderá exibir e negociar seus filmes com compradores do mundo inteiro. Em contrapartida, emissoras de TV, além de distribuidores nacionais, podem comprar filmes nunca antes exibidos no país. Ou seja, a partir deste encontro, novas oportunidades se abrem no mercado do cinema.

Festival do Rio 2005 - de 22 de setembro a 6 de outubro
Programação – www.festivaldorio.com.br





Vinicius: o homem e o mito

Vinte e cinco primaveras e verões ensolarados depois, Vinicius é tema de uma cine-biografia homônima, dirigida por Miguel Faria Jr e apresentada em avant-première na solenidade de abertura do Festival do Rio 2005, nesta quinta-feira, 22 de setembro, no Odeon BR.

Poeta, escritor, autor de teatro, diplomata, advogado, crítico de cinema, músico, compositor, boêmio e um eterno apaixonado pelas mulheres - não necessariamente nesta ordem-, ele continua sendo um ícone da cultura brasileira por sua obra e trajetória únicas.

Além de contar a vida do poeta cronologicamente, o filme híbrido de documentário e ficção contextualiza sua história intercalando vídeos e fotos de época, depoimentos emocionados (e despojados) de pessoas próximas, leitura de seus poemas, imagens caseiras inéditas e releituras de seus maiores sucessos por intérpretes convidados. Intimista e pessoal, faz uma profunda análise de seus inúmeros e intensos relacionamentos. Afinal, segundo dizem, Vinicius nunca gostou de estar só.

Da infância marcada pela religiosidade do colégio Santo Inácio, Vinicius passa pela rigidez da faculdade de Direito e produz muitas poesias eruditas com toques católicos. Ele estuda em Londres, casa-se, tem filhos, volta para o Brasil e torna-se diplomata. Ao longo dos anos, ele vai se deslocando deste mundo inicialmente erudito e europeu, para o popular e brasileiro, uma dualidade que o acompanhou a vida toda. Em seu depoimento, Edu Lobo declara que "Vinicius era um velho com 24 anos". E Ferreira Gullar completa afirmando que "aos poucos ele vai virando o Vinicius, vai virando brasileiro".

Um ponto em que ele quebra paradigmas, ao reunir a cultura popular brasileira à erudita, é na peça Orfeu da Conceição, escrita para um elenco obrigatório de atores negros. Ela serviu de base para o filme Orfeu Negro, que em 1959 conquistou o primeiro prêmio no Festival de Cannes.

Em um hilário depoimento, Caetano Veloso lembra que a primeira vez que "viu" Vinicius foi na televisão, falando sobre Orfeu da Conceição. Ele conta que comentava com todos na Bahia que tinha um escritor no Rio muito bom, chamado Vinicius, que era negro. Na verdade quem estava sendo entrevistado na tevê era o protagonista da peça. Como não sabia disso, o compositor baiano passou mais de um ano sem saber do engano.

A vida pessoal de Vinicius, seus nove casamentos e a relação com a família são abordados de modo intenso por suas filhas Suzana (produtora do filme), Georgiana, Luciana e Maria. Sua amiga Tônia Carrero conta que "ele precisava do precipício da paixão" para viver e por isso se apaixonava tanto.

A boêmia e seu "cachorro engarrafado", o uísque, sempre presentes nas últimas décadas de sua vida têm destaque no filme. Em um vídeo caseiro inédito feito por Suzana, Tom Jobim e Vinicius aparecem completamente bêbados em um jardim, cantando Pela Luz dos Olhos Teus.

A música e suas parcerias a partir do nascimento da Bossa Nova são outros aspectos fundamentais do filme. Chico Buarque conta que o conheceu com 10 anos, pois Vinicius era amigo de seu pai. Também dão seus depoimentos Gilberto Gil, Miúcha, Toquinho, Maria Bethânia, Francis Hime e Carlinhos Vergueiro.

O elo da história com o presente é a montagem de um pocket-show em homenagem a Vinicius, em um palco simples, com uma bela iluminação. Nele, Camila Morgado e o ator Ricardo Blat recitam e interpretam poemas, "apresentando" o filme para o público. Apaixonada pelo poeta, a atriz afirma que "Vinicius não pertence a uma geração. Pertence a todas. Não há como não ser tocada por sua obra".

A parte musical fica por conta de novos nomes que interpretam clássicos da obra de Vinicius. Yamandú Costa toca Valsa de Eurídice, Mônica Salmaso canta Insensatez e Canto Triste, e o sambista Zeca Pagodinho entoa Pra Que Chorar. Em uma apresentação emocionada, Adriana Calcanhoto toca Eu Sei Que Vou te Amar e Mariana de Moraes canta Coisa Mais Linda. Também participam Mart´Nália, MS Bom, Nego Jeff e Lerov, Sérgio Cassiano, Olívia Byington e Renato Braz numa seleção diversificada e interessante.

O sentimento que é mais evocado e talvez provocado pelo filme é a alegria e o amor. A intensidade do amor de Vinicius pelas pessoas, pelo Brasil e pela vida é contagiante. Muita gente vai sair do cinema com a total certeza que "É melhor ser alegre que ser triste / Alegria é a melhor coisa que existe / É assim como a luz no coração".

Vinicius estréia comercialmente na primeira semana de novembro, mas a gravadora Biscoito Fino promete lançar antes o CD com a trilha-sonora, totalizando 25 faixas.




«O Sol, Caminhando Contra o Vento» no Festival do Rio


Um retrato sobre a geração 68 sob a ótica de um jornal alternativo que marcou época no Rio de Janeiro. Assim é o filme "O Sol, caminhando contra o vento", da cineasta Tetê Moraes em parceria com Martha Alencar. O jornal O Sol, que teve vida efêmera - durou apenas seis meses- circulou até 05 de janeiro de 1968 quando foi fechado pela ditadura.

Tetê chegou a trabalhar na diagramação do jornal que era editado pelo
jornalista Reynaldo Jardim. O Sol era encartado no Jornal dos Sports e virou porta-voz da esquerda contra as arbitrariedades da ditadura. O filme apresenta entrevistas com dezenas de personalidades do país, entre elas Caetano Veloso - autor da música "O sol nas bancas de revista/ Me enche de alegria e preguiça. Quem lê tanta notícia?" -, Gilberto Gil , Hugo Carvana, Nelson Rodrigues Filho, Chico Buarque, Fernando Gabeira, Beth Faria, Zuenir Ventura e Carlos Heitor Cony.

Tetê Moraes conta que O Sol "foi um jornal do bem, criativo, dinâmico, precursor do Pasquim, do Opinão e quem diria, também do Bafafá. O Sol é o avozinho do Bafafá", assegura. O filme será exibido em primeira mão no Festival do Rio.


As sessões são as seguintes:

- Segunda-feira, 26 de setembro às 15:15 e 19:15 no Espaço Unibanco de Cinema 3:

- Quarta-feira, 28 de setembro às 14:30 no Cine Odeon (com ingressos a R$ 2 e debate após a exibição)





Foto e texto: Tetê Moraes (autor: Dominique Valansi )

Publicado por Ana Tropicana às 05:14 PM | Comentários (2)

Clipping

Leio AQUI:

«Governo altera Imposto Automóvel para penalizar veículos mais poluentes»




Governo altera Imposto Automóvel para penalizar veículos mais poluentes
Fonte: Jornal de Negócios | Autor: Nuno Carregueiro - nc@mediafin.pt | Data: 22 de Setembro 2005


O Governo aprovou hoje uma resolução, a aprovar no próximo Orçamento de Estado e que entrará em vigor em Julho de 2006, através da qual os veículos mais poluentes vão pagar um Imposto Automóvel (IA) mais elevado, com este imposto a deixar de considerar apenas a cilindrada dos veículos.

A resolução aprovada em Conselho de Ministros «estabelece que o IA dos veículos ligeiros de passageiros, novos e usados, deixa de ser definido exclusivamente em função da respectiva cilindrada e passa a considerar um factor ambiental, representado pelo nível de emissões do dióxido de carbono, indexado a escalões de emissões», refere um comunicado do Governo.

Estas orientações serão introduzidas no Orçamento de Estado para 2006, prevendo-se que, com salvaguarda da necessária adaptação dos representantes das marcas e do mercado em geral, tais alterações só comecem a vigorar a partir de 1 de Julho de 2006.

«Queremos que as alterações na tributação do IA tenham uma gradualismo suave e que o sector automóvel disponha de tempo para se adaptar às mudanças», justificou o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, João Amaral Tomaz, citado pela Lusa

Segundo o membro do executivo, a tendência é que o futuro IA adopte «progressivamente uma discriminação positiva em relação aos veículos menos poluentes e uma discriminação negativa em relação aos mais poluentes». «O IA para os veículos ligeiros deixará de ser apenas definido em função da respectiva cilindrada, tal como tem acontecido até agora», acrescentou.

«Inicia-se a reforma progressiva do modelo de tributação dos veículos automóveis, colocando-o ao serviço do combate à poluição, no respeito pelo princípio do poluidor/pagador, direccionado à procura de automóveis mais amigos do ambiente e mais eficientes em termos energéticos, em consonância com as mais recentes propostas da Comissão Europeia», refere o comunicado.

Carga fiscal não aumenta

Segundo o Governo, o novo modelo de tributação do IA «não provocará um aumento da carga fiscal no sector», registando-se apenas uma redistribuição de modo a estimular opções mais amigas do ambiente.

Sobre os novos valores da tributação de veículos ligeiros para efeitos de Imposto Automóvel, o secretário de Estado declarou que o objectivo do Governo é «fazer com a que a receita global de IA seja equivalente à actual, que ronda anualmente mil milhões de euros».

João Amaral Tomaz referiu depois que os ministérios das Finanças e do Ambiente já fizeram «uma simulação», partindo de uma base de «redução de 10% para os veículos menos poluentes». «Mas os valores ainda não estão definidos», acrescentou.

Também presente na conferência de imprensa, o secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, declarou que o combate às alterações climáticas "é um objectivo transversal a todos os departamentos do Governo".

Passe Social

No que respeita ao acordo com as empresas rodoviárias privadas a operarem na região da Grande Lisboa, o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, referiu que a extensão, até ao final de 2006, da utilização de passes sociais nesses transportes custará ao Governo «9,1 milhões de euros».

«Este acordo é importante em termos de mobilidade social e para desincentivar a utilização de veículos privados por parte dos cidadãos», justificou Pedro Silva Pereira.

Segundo o comunicado do Conselho de Ministros, o acordo celebrado pelo Governo abrange a Rodoviária de Lisboa, a Transportes Sul do Tejo, a Vimeca Transportes e a Scotturb.

Publicado por Ana Tropicana às 12:57 PM | Comentários (0)

Foot Prints


foot prints de ana tropicana

Sentada na soleira da porta, penso na enorme quantidade de coisas que cabem para ser feitas nas primeiras horas de uma simples manhã, aparentemente igual a todas as outras: plena dos circunstanciais constrangimentos das horas impostas pela rotina, que contornamos "com jeitinho".





Foto:Foot Prints (autor: Ana Tropicana)



Não, não me incomóda o soalho espezinhado, nem as pegadas de cal sobre o pó fino que ainda cobre tudo. Olho para este imenso patinhado como marcas solenes do início de alguma coisa que ainda não sei o que é. Gosto da ideia. Agrada-me que assim seja. A casa nova começa a ter história. São os primeiros registos das memórias que lhe hão-de ficar associadas, eu sei. Como este: o das pegadas das pessoas que estão ao meu lado, na altura certa, para me ajudar a pô-la de pé... e que nem quero pensar no trabalhão que darão a limpar!

Publicado por Ana Tropicana às 08:03 AM | Comentários (0)

setembro 21, 2005

Falling


amarelecendo de ana tropicana

Hoje, até às 22:23, o Verão ainda vai estar comigo. Sei que o dia já há-de terminar dentro de um longo Outono. Até 21 de Dezembro. Quando, enfim, o Inverno, chegar. Às 18:35. Infelizmente para mim, que tenho pavor do frio e não sei viver dias sem sol.





Foto: Amarelecendo (autor: Ana Tropicana)



Ás vezes o olhar ergue-se um pouco mais acima do chão sem nenhum motivo aparente. Aconteceu-me hoje, à saída de casa. Foi aí que dei conta que as copas do jardim já começaram lentamente a mudar de cor. A seguir lembro-me que é dia 21 e que «21» é sempre a data certa para mudar de estação. Hoje o Verão há-de ir embora, lá mais para a noite, que é sempre a altura do dia mais propícia às despedidas. Continuo com o olhar apontado ao alto. Continuo a fixar as copas em redor. Sorvo-lhe as cambiantes e os tons, e percebo que nem sempre a beleza nos salva da tristeza.

Publicado por Ana Tropicana às 09:42 AM | Comentários (0)

setembro 20, 2005

A Última Grande Terra Indígena


área mapuera de autor desconhecido

Só hoje fico a saber que o Ministério da Justiça declarou a Terra Indígena Trombetas–Mapuera (AM, PA e RR) - última grande área identificada pela Funai que aguardava portaria ministerial para entrar em processo de demarcação - com quase quatro milhões de hectares. A área é habitada pelos Wai Wai, Hixcariana e outros grupos isolados. O governo também reconheceu duas área no Amazonas, respectivamente dos povos Kokama e Ticuna.





Localização: Mesorregião do Baixo Amazonas, cobrindo uma área de aproximadamente 135.238,345 km2, o que corresponde a 10,8 % da área territorial do Estado do Pará.

Municípios: A Sub-Bacia Hidrográfica do Rio Trombetas, está inserida nos municípios de: Oriximiná, Terra Santa, Óbidos e Faro.

Drenagem: As principais drenagens que compões esta Sub-Bacias são os rios Poana, Anamu, Turuna, Inhabu e Mapuera.





Última grande terra indígena da Amazônia é reconhecida
Fonte: ISA | Autor: Lívia Almendary | Data: 20/09/2005


O Ministério da Justiça, em portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) de ontem, 19 de setembro, declarou três novas Terras Indígenas (TIs) que, juntas, somam 4.124.448 hectares de áreas protegidas. Além da TI Trombetas-Mapuera (3.970.418 ha), localizada nos estados do Amazonas, Pará e Roraima, onde vivem os índios Wai Wai, Hixcariana e grupos isolados, foram contempladas a TI São Domingos do Jacapari e Estação (AM), dos índios Kokama, com 133.630 ha, e a TI Matintin (TO), dos índios Ticuna, com 20.400 ha. No total, com as novas portarias, as terras declaradas pelo Governo Lula totalizam 8.749.475 ha. Veja aqui o quadro parcial de reconhecimento de Tis pelos últimos 5 governos federais.

“Os índios estavam esperando ansiosos por mais de um ano, e a expectativa agora é que a Trombetas-Mapuera seja logo demarcada”, diz o antropólogo Rubem Caixeta, coordenador do Grupo de Trabalho da Fundação Nacional do Índio (Funai) que identificou e delimitou a área, cujo relatório ficou pronto no início de 2004 e foi publicado no DOU em outubro do mesmo ano. Caixeta, ao falar da importância da continuidade do processo, lembra que a Trombetas-Mapuera, mesmo com sua grande extensão, ainda não possui nenhum tipo de ocupação de não-índios.

No entanto, lideranças indígenas da região estão apreensivas pelo avanço das plantações de soja nas duas margens do rio Nhamundá, em direção à parte sul da terra, nos estados do Pará e do Amazonas, e esperam que as próximas etapas até a homologação sejam concluídas antes das fazendas alcançarem os limites da TI e produzirem um cenário propício às invasões e ao desmatamento.

Hoje, de acordo com o relatório do GT, a Trombetas-Mapuera abriga cerca de 2.800 índios. O número não inclui os grupos isolados que habitam a região, mas contabiliza índios Wai Wai e Hixcariana da TI contígua Nhamundá-Mapuera que, por sua tradição migratória, não necessariamente têm residência fixa na Trombetas-Mapuera, mas a utilizam para estabelecer roças e caçar.

O antropólogo ressalta, também, a vitória que representa a declaração da Trombetas-Mapuera num estado como Roraima, onde a tensão foi crescente durante todo o processo de reconhecimento da TI Raposa-Serra do Sol. Essa TI, mesmo depois de homologada, em abril deste ano, ainda é palco de ações criminosas por parte de fazendeiros e políticos antiindígenas, como as realizadas no último final de semana, quando uma centena de homens encapuzados invadiu e destruiu um centro de formação indígena dentro da TI. Rubem Caixeta menciona como exemplo um pronunciamento feito pelo Senador Mozarildo Cavalcanti (PPS-RR), uma das principais lideranças antiindígenas do Congresso Nacional, durante as discussões pela homologação da Raposa-Serra do Sol, quando declarou não aceitar os limites da TI Trombetas-Mapuera.







Publicado por Ana Tropicana às 02:37 PM | Comentários (0)

setembro 19, 2005

«Brain Pattern»

Continuamos em teste, eu e as pré-adolescentes eléctricas. Entretanto chocamos de frente com uma nova descoberta: pode, sim!... ser o funcionamento mental um imbricado enigma cheio de ramificações contraditórias. Ou não?!




Faço o teste. Eis o resultado:






Your Brain's Pattern



Your mind is a firestorm - full of intensity and drama.

Your thoughts may seem scattered to you most of the time...

But they often seem strong and passionate to those around you.

You are a natural influencer. The thoughts you share are very powerful and persuading.

What Pattern Is Your Brain?





Volto a fazer o mesmo teste, cinco minutos depois. Eis o resultado:






Your Brain's Pattern



You're a simple thinker, and this is actually a very good thing.

You don't complicate matters when you don't have to.

You look for the simplest explanation or solution, and you go with that.

As a result, your mind is uncluttered and free of stress.

What Pattern Is Your Brain?



Descubro que a brincadeira só serviu, afinal, para me deixar a braços com uma dúvida existencial terrível: a contradição óbvia entre os dois resultados é um problema meu ou do quiz?!

Publicado por Ana Tropicana às 01:03 PM | Comentários (0)

«Hidden Talent»

Peço perdão, mas tinha que entreter quatro pré-adolescentes de alguma forma para me manter vigilantemente online. Vai daí, sucumbi à tentação fácil dos Quiz Test.







Your Hidden Talent



You are a great communicator. You have a real way with words.

You're never at a loss to explain what you mean or how you feel.

People find it easy to empathize with you, no matter what your situation.

When you're up, you make everyone happy. But when you're down, everyone suffers.

What's Your Hidden Talent?

Publicado por Ana Tropicana às 12:36 AM | Comentários (0)

setembro 18, 2005

Mood


lã da serra da estrela de ana tropicana

Absolutamente deprimente: resisti até onde me foi possível, mas não aguentei mais - hoje, depois de muitos e muitos meses, tive que calçar meias. Impressionante como um acto tão banal pode carregar tanta angústia. Morro perante a evidência de que o Verão está a chegar ao fim e só vai voltar daqui a um ano. Quero fugir daqui, URGENTE!!!

Publicado por Ana Tropicana às 03:59 AM | Comentários (0)

Intacta Faculdade de Intuir


memorias & llegando al mar de carola nudman

Pergunto se é de propósito, se acaso é bruxa ou visionária. Responde que quando o pincel lhe resvala para a tela desce ao centro de um alcance que nem ela conhecia ao punho. Dou-me por satisfeita. Com a resposta e com o resultado - um retrato contemporâneo dos dias e da alma.








Conheci Carola no final de 2003... talvez até começos de 2004... não posso precisar... tinha ela acabado uma série de trabalhos a que chamou «La Otra Realidad» , em Santiago do Chile. Estendeu-me um cartão sépia onde estava gravada a curiosa ocupação de "Consultora en Feng Shui - asesorias, talleres y fuentes de agua".






«Ana / Anna» e «Encuentro con el Infinito / Meeting with the Infinite»



Achei graça ao detalhe das "Fontes de Água". Pareceram-me ainda mais belas por serem «Fuentes» e delas se dizer que eram «de Água». Agradou-me aquilo, não sei porquê... o detalhar de certas minúcias aparentemente ( aparentemente!) dispensáveis e redundantes. E agradou-me porque me interpelou algures onde o óbvio sempre trai a percepção, no que ela tem de linear: ... porque me recordou de sopetão que existem, sim, pessoas que sabem da existência de outras fontes, outros escorreres... da persistência inefável de um certo Olímpo onde Baco continua a jorrar vinho entre ânforas e cântaros mais tintos.






Pintando un Sueño / Painting a Dream





«El Salto / The Jump» e «Claro en el Bosque / Clear in the Forest»



Por essa altura, ter-me-á dito, mais ou menos com estas palavras, e uma certa candura inusitada à mistura:

«A mi me gusta la técnica milenaria de armonizácion de los espacios»

Voltei a achar graça. Talvez até belo, essa coisa de alguém se "ocupar" a buscar a "harmonização" ao espaço. Guardei o cartão junto com a impressão que me ficou das telas, um tanto ou quanto oníricas. Depois guardei a amizade e os escritos com que sempre vamos farejando distâncias, ausências inofensivas e mútuos silêncios mais ou menos irregulares.






«Multitude I»





«Realidades Desconocidas / Unknown Realities»





«El Ladron del Tiempo/ The Time Thief»





«Asombro / Fear»





«Simbolo I / Symbol I»



Entre 1997 e 1999, Carola andou por Bangkok e pela Tailândia, estudou a arte taoísta do Feng Shui e tornou-se autodidacta em óleos, tintas e acrílicos. As telas vieram quase de seguida, como explica no texto de apresentação das suas exposições, e que nunca muda, nunca refaz, nunca altera uma vírgula, desde a primeira vernissage:

«My painting is the via that I use to express what I see, that in the end is like a dream. Because, as I feel it, each painting is a dream it self, in which the color and the feeling give us to hope.»

Voltámos a conversar há dois dias atrás. Primeiro escreveu. Dentro do envelope vinha a polaroid desta tela que eu vi pela primeira vez em 2003, numa sala perfumada a acácias, em Santiago. Depois telefonou. Esqueci-me de perguntar porquê o envio. Ou talvez não. Porque, em verdade, desde o embate da primeira "mirada" sempre nos entendemos na convicta intencionalidade do "sem razão" das coisas.





«Al Borde de los Sueños / At the Dreams'Edge»


Falámos, pois, eu disse: da Casa das Artes que teima de portas abertas; do convénio quase assinado entre a Universidade do Chile e a Universidade Nacional de San Juan, na Argentina; das atrocidades da pesquisa genética aplicada à agricultura e da guerra declarada contra a uva menos perfeita; das suas preocupações na quinta: dos pêssegos de primeira qualidade que, por algum motivo, ficaram farinhentos e manchados durante o transporte, das uvas de mesa que caíram da videira antes de estar maduras, da cor fúsia dos pimentos da última colheita, da seca da queñoa e da perfeição curva do tamarugo. Falámos das novas tonalidades que tingiu com sucesso nos teares do atelier, dos mais recentes grafismos nativos que descobriu e (claro!) de algumas questões indígenas associadas a tudo isto. Desligamos. Conto-lhe pouco ou quase nada sobre as coisas da vida por Lisboa. Passaram dois dias. Esta tarde recebo dois jpeg's que, combinados e "enfiados" tão criteriosamente no mesmo email, me deixam até agora de sorriso no canto dos lábios.

«Mi trabajo ha surgido de una búsqueda personal e intensa de la propia intuición», recordo-me ter ela escrito no tal texto de apresentação que costuma fazer seguir com o catálogo de cada exposição. Esse a que não muda uma virgula. Porque não precisa. Continua inalterável: «el frágil equilibrio entre el arte, el entorno, el quehacer y la necesidad de expresarse». Eu bem vejo que sim: intui em duas telas o que me levaria horas a relatar por telefone, se acaso lhe tivesse querido traçar o esboço dos meus últimos dias aqui. É essa a maravilha inenarrável que, há um bom par de horas, me faz prolongar o sorriso: constatar que tudo o que lhe possa contar, já ela o sabe. Porque o intuiu e pintou antes mesmo de me poder ocorrer dizer-lho.






«Llegando al Mar / Arriving at the Sea»





«Memorias / Memories»

Publicado por Ana Tropicana às 01:36 AM | Comentários (0)

setembro 17, 2005

"Essencialismos"

Leio AQUI, tirado DAQUI:

«Portuguese is essentially Brazilian without vowels.»

Sei que pode ser criticável, mas não deixa de ser, convenhamos, muito "bem apanhado".

Publicado por Ana Tropicana às 12:30 PM | Comentários (0)

setembro 16, 2005

Leaving Lisbon


from tejo to atlantic de ana tropicana

11:00 - Um ronco no céu, sobre mim... e alguma coisa a vir ,subitamente, recordar-me da libertadora sensação de ver, do ar, Lisboa ficar para trás. Saudade!... Muita saudade (confesso!) desse mágico golpe de asa que nos deita ao largo.





Foto: From Tejo To Atlantic (autor: Ana Tropicana)

Publicado por Ana Tropicana às 12:15 PM | Comentários (0)

«Frágil»


frágil de ana tropicana

Olho em redor. Começo a desmanchar o espaço. Sem dó nem piedade. Só aquele peso irreparável que vem da absoluta impotência diante das escolhas inevitáveis. Em quinze minutos o caos toma conta do lugar das coisas. Do que era a casa e já não é. Do que aos poucos se transforma em coisa nenhuma.










Foto: «Frágil» (autor: Ana Tropicana)




Não sei porquê, passo a madrugada entre caixas e caixotes, a cantarolar sempre o mesmo punhado de versos soltos.




«Frágil» - Jorge Palma


Põe-me o braço no ombro
Eu preciso de alguém
Dou-me com toda a gente
Não me dou a ninguém
Frágil
Sinto-me frágil

Faz-me um sinal qualquer
Se me vires falar demais
Eu às vezes embarco
Em conversas banais
Frágil
Sinto-me frágil

Frágil
Esta noite estou tão frágil
Frágil
Já nem consigo ser ágil

Está a saber-me mal
Este Whisky de malte
Adorava estar "in"
Mas estou-me a sentir "out"
Frágil
Sinto-me frágil

Acompanha-me a casa
Já não aguento mais
Deposita na cama
Os meus restos mortais
Frágil
Sinto-me frágil

Frágil
Esta noite estou tão frágil
Frágil
Já nem consigo ser ágil

Publicado por Ana Tropicana às 07:05 AM | Comentários (0)

setembro 15, 2005

«O Segredo das Lágrimas»


farol de cascais de autor desconhecido

Para celebrar 20 anos de estrada. «Entre amigos», diz-me. Ao fim do dia: resvés com o começo da noite. Estão 29º e, no entanto, chove furiosamente. Como se fossem lágrimas, que não se sabe ao certo de onde vêm, a embater nas vidraças do Farol. Como ondas. Como o mar. Atlântico. Lá em baixo: no sopé dos rochedos. Como se por instantes nos fosse dado viver - em Lisboa - os húmidos climas tropicais de outros meridianos. Mesmo que sem merecimento. Sem nenhum merecimento, há que reconhecer. Como uma espécie de espuma vinda lá de trás. Em salpicos. Como os beijos: aqueles que perdoam. Tudo. Sem excepção e sem perguntas. Ainda que na ausência de qualquer convincente resposta vã. E nem sabemos se (por isso) nos fazem sentir maiores do que na realidade somos, se mais pequenos do que na verdade parecemos.

Podem ouvir-se 30 segundos: AQUI. Seja como for, ter-se-à escutado o mais importante.




Correr. Correr muito. Contra o tempo e os afazeres do dia. Contra atrasos e imprevistos. Contra a confusão das coisas sobrepostas.










Fotos: Farol Design Hotel (autor: Focus )




E chegar a tempo. Chegar no exacto instante dos primeiros acordes, que depois registo assim:





Fotos: Água Lisa (autor: Ana Tropicana )




Como se fosse importante. Como se não fosse só espuma de maré. Só lágrimas de chuva. Tropical. Em Lisboa. Esta noite.




«So Do I» - Paulo Gonzo


You say need somebody in your life
so do I, so do I

you say you wake up crying every night
so do I, so do I

to loose somebody
you build your world upon
leaves you apart when they're gone

Now you feel you want to love again
so do I, so do I

you say you find you'd have now to pretende
so do I, so do I

and look upon it being more than friends
so do I, so do I

love don´t come easy belive me I should know
I´ve love to lost someone before

but if you belive in me the way there I believe in you
woman nothing gonna stop us
until we make our dreams come true

I know that you really wanna try
so do I, so do I

you may say I´m dreaming
but should the dreams come true
now that I´ve found someone like you
you say you got a feeling whith love
so do I, so do I,
so do I, so do I.

Publicado por Ana Tropicana às 08:47 PM | Comentários (2)

setembro 14, 2005

Paralelos


Panamá 2005 de autor desconhecido

Lembro-me que uma tarde, quando alguma coisa me assombrava entre chegadas e partidas, João Ibiajara (que em tupi quer dizer Cavaleiro dos Planaltos) me disse do alto da sua sabedoria mansa, qualquer coisa que, traduzida para o português de Portugal, soaria mais ou menos assim: «Só as viagens felizes valem a pena mas todas servem algum propósito».


Consulto o dicionário, pela manhã:

«ISTMO - do Lat. isthmu < Gr. isthmós, lugar por onde se vai
s. m.,
faixa de terra que une uma península a um continente.»

Esclarecedor, na verdade. Oxalá!...





Continuo perto do dicionário...





«Mapa - do Lat. mappa


s. m.,
representação plana da Terra, no seu conjunto ou nas suas partes;

carta geográfica ou celeste;

catálogo;

quadro sinóptico;

lista;

relação.»








«Realidade -


s. f.,
qualidade do que é real;

o que existe de facto;

objectividade;

certeza;




«Virtual - do Lat. virtus


adj. 2 gén.,
que existe como faculdade, mas sem exercício ou efeito actual;

potencial;

possível;

susceptível de se exercer ou realizar.




- realidade virtual: ambiente simulado, muito próximo da realidade que transmite a impressão de se fazer parte desse ambiente e dá a possibilidade de intervir, através de um equipamento especial criado para esse fim; sistema construído através de modelos matemáticos e programas de computador que criam mundos simulados e que criam igualmente no utilizador, através de dispositivos especiais de interface experiências ilusórias de ver, caminhar, tocar, comunicar e interagir com objectos ou figuras virtuais (incluindo as próprias imagens, movimentos e vozes do ou dos utilizadores).

Publicado por Ana Tropicana às 09:37 AM | Comentários (0)

A Propósito da Noite Quente

Acordar a meio da noite para beber água. Encontrar Brasília a piscar no monitor e, sem saber bem como, tropeçar em alguém que ainda se distrai diante do cheiro "exuberante" das alfarrobas. E depois escreve. Como se tivessemos sido nós sem saber.

«Se ao menos tivéssemos suspeitado que o tempo/ muda as coisas de lugar/ e acima de tudo nos muda / e haveria de mudar sobretudo os lugares que ocupávamos/ quando a alegria transbordava nas mesas.»

Volto para a cama. Não sei se por ser tarde ou se por ser ainda demasiado cedo.

Publicado por Ana Tropicana às 05:05 AM | Comentários (0)

setembro 13, 2005

Perguntas Difíceis

... E ela pergunta-me: «Porque será que o lugar onde sempre és mais feliz fica entre os miseráveis?!». Lembro-me dos Clássicos. Ainda penso em Vitor Hugo. Mas não sei responder. Porque é verdade.

Publicado por Ana Tropicana às 08:14 PM | Comentários (0)

Marginal


o mar pela marginal de ana tropicana

Acontece-me, inesperadamente, um dia na rua. Como costumavam ser todos os dias nos bons velhos tempos. Longe das paredes fechadas e das cadeiras do poder, onde se manda e decide, mas já nada se faz. Com as próprias mãos, pelo menos.

É bom porque serve para perceber que afinal ainda não "perdi a mão para a coisa". É terrível porque me aumenta o perigo de saber cada vez menos como voltar. Para dentro das paredes fechadas. Áquela cadeira de agora.

Publicado por Ana Tropicana às 07:43 PM | Comentários (0)

Belas Surpresas


expresso de ana tropicana

Nunca imaginei que o simples pousar da xícara prometida, à minha frente, pudesse mudar tudo o que estava sobre a mesa.

Pelos cálculos, terá sido mais ou menos por estes dias. Há coisa de um ano atrás. Um expresso que continua a ter um sabor único. O melhor expresso do mundo, para dizer a verdade.

























Fotos: Expresso (autor:Ana Tropicana e Maria Branco)

Publicado por Ana Tropicana às 08:59 AM | Comentários (0)

Frase do Dia

«De onde quer que tudo venha / tudo irá para onde nada nunca se alcança.»
Zeca Baleiro

Publicado por Ana Tropicana às 06:59 AM | Comentários (0)

setembro 12, 2005

Banco de Escola


abc de meire santiago

Início do ano lectivo de 2004 / 2005, nas escolas portuguesas. Apesar da data oficial, as aulas só começaram efectivamente em 17,4% dos estabelecimentos escolares. Que faria se não estivessemos na Europa!... Anyway, talvez isso explique porque voltei a remexer alguns trabalhos que reflectem sobre o tema da escola indígena.















Foto: ABC (autor: Meire Santiago)




Escola indígena: fortalecimento das identidades e dos direitos dos índios

Desde o século XVI, logo após a chegada dos portugueses ao Brasil, a educação escolar no país atinge comunidades indígenas, pautada, a princípio, pela catequização feita pelos missionários jesuítas, e posteriormente, pela integração forçada dos índios à sociedade nacional, pelos programas de ensino do extinto Serviço de Proteção aos Índios. Nas últimas duas décadas, a partir da mobilização dos próprios índios, essa situação vem mudando gradativamente. Nas comunidades indígenas onde o contato com o não-índio já é antigo e a língua herdada dos portugueses predomina, a escola passou a ser vista como um espaço para o resgate da identidade étnica desses povos. Nas escolas, por sua vez, onde as aulas eram ministradas apenas em língua indígena, o português passou a ser solicitado como instrumento para os índios na luta pelos seus direitos.

De acordo com o Ministério da Educação (MEC), atualmente, há cerca de 170 línguas indígenas em uso nas comunidades de 210 etnias brasileiras, mas não há um número preciso de quantas das 2.322 escolas indígenas do país são bilíngües. “A diversidade de casos é muito grande. Em cada pedaço do país, há uma realidade diferente”, afirma Kleber Gesteira, coordenador-geral de Educação Escolar Indígena da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) do MEC. “Algumas comunidades usam a língua indígena na escola; em outras, a língua indígena está sendo reintroduzida; algumas envolvem mais de uma língua indígena ou também o espanhol, no caso de povos das fronteiras; e existem, inclusive, comunidades monolíngues em que o professor trabalha na língua local e mais tarde introduz o português como segunda língua”, explica.

Em março, durante o 1º Seminário Nacional de Material Didático Indígena, que contou com a participação de professores indígenas e representantes das secretarias estaduais de educação e de organizações não-governamentais, Gesteira anunciou o compromisso do MEC de investir R$ 800 mil, em 2005, na produção de CDs e vídeos didáticos feitos com a participação das próprias comunidades indígenas. O objetivo é valorizar a tradição oral através da reprodução de cânticos, discursos e narrativas. “Tudo isso é fruto da reivindicação dos próprios índios. O peso deles nas políticas de educação indígena é total”, destaca.

“Os indígenas têm participado ativamente nos fóruns organizados pelo MEC em parceria com a Funai [Fundação Nacional do Índio], nas audiências públicas e em outras reuniões”, reforça Maria Helena Fialho, responsável pela Coordenação Geral de Educação do órgão indigenista federal. A Funai, que outrora geria a educação indígena em todo o país, atua agora no incentivo à participação dos índios nas discussões nessa área, já que a coordenação das ações escolares de educação indígena está, atualmente, a cargo do MEC, e a sua execução, a cargo dos estados e municípios.

“A Funai, através de Oficinas de Políticas Públicas, tem buscado levar elementos para que os povos indígenas possam exercer o controle social sobre os diversos programas do MEC, como o FNDE e o Fundef, entre outros, objetivando atingir o maior número de comunidades para esse controle”, diz Fialho. Segundo ela, a Comissão Nacional de Professores ampliou o número de representantes indígenas, e os professores indígenas participam ainda dos conselhos municipais e estaduais e têm, inclusive, uma representante no Conselho Nacional de Educação.

Além de promover oficinas, a Funai também publicou e distribuiu, entre 2003 e 2004, cartilhas para os Tupari, os Kalapalo, os Potiguara, os Cinta-Larga, os Karajá, os Bakairi. Essa atividade da Funai de edição e distribuição de material didático específico para os indígenas, no entanto, foi extinta e já não faz parte do Plano Plurianual do governo federal. Já o MEC, segundo Gesteira, prevê investir, no decorrer de 2005, R$ 1 milhão em livros didáticos para os índios e R$ 2 milhões na formação de 3 mil professores indígenas que ainda não concluíram o ensino médio. Essa formação é feita em regime de alternância, com um período de ensino intensivo de quatro semanas em um centro de formação e outro período de estudos realizados na própria aldeia, que podem eventualmente contar com a visita de tutores.

Histórico
A política educacional voltada para os índios começou a mudar a partir da Constituição Federal promulgada em 1988. O seu artigo 210, embora reafirme a imposição da língua portuguesa no ensino fundamental brasileiro – posta em prática, inicialmente, no século XVIII, pelo Marquês de Pombal –, assegura às comunidades indígenas a possibilidade de também utilizar nas escolas suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. Em dezembro de 1996, o governo federal cria a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da Educação Nacional, que dedica dois capítulos (o 78 e o 79) ao ensino voltado para os índios. A LDB estipula que a União deve desenvolver programas de ensino e pesquisa para oferecer educação escolar bilíngüe e intercultural aos povos indígenas, com o objetivo de proporcionar a eles a recuperação de suas memórias históricas, a reafirmação de suas identidades étnicas e a valorização de suas línguas e conhecimentos tradicionais

A partir dessa regulamentação, surge uma demanda, por parte dos indígenas, por um ensino diferenciado em suas comunidades. Em novembro de 1999, as escolas voltadas para os índios – até então, indiferenciadas das chamadas “escolas rurais” – passaram a ser tratadas como instituições de ensino com diretrizes específicas, a partir da Resolução nº 3 publicada pela Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação. Em 2000, a Câmara dos Deputados decreta o Plano Nacional de Educação e estipula entre suas metas a criação da categoria oficial de “escola indígena” para assegurar a especificidade do modelo de educação intercultural e bilíngüe.

Alguns estudiosos das comunidades indígenas, no entanto, questionam o papel da escolarização de índios. “É preciso ainda cautela e pesquisa para saber qual precisamente o significado cultural da demanda por escolas pelos índios. Não basta chacoalhar a retórica dos direitos constitucionais”, pondera o pesquisador Ricardo Cavalcanti-Schiel, autor da dissertação de mestrado Presente de branco, presente de grego? Escolas e escrita em comunidades indígenas do Brasil Central, defendida no Museu Nacional, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “O fundamento regulatório de nossos princípios jurídicos são os direitos individuais. Por isso, as demandas indígenas podem encontrar, frente a essa gramática jurídica, apenas o lugar das margens”, argumenta.

Já o lingüista Wilmar da Rocha D’Angelis, que trabalhou praticamente duas décadas como indigenista antes de entrar para a vida acadêmica, na Unicamp, considera importante atender certas demandas das comunidades indígenas. Em uma delas, ele coordenou um projeto de pesquisa encomendado pelos próprios índios da reserva indígena do Araribá, no município de Avaí, próximo a Bauru, no interior de São Paulo. Nessa comunidade, as crianças só conheciam o português. O objetivo da pesquisa, que contou com o apoio da Fapesp e da Associação Brasileira de Leitura, foi o estudo fonológico do dialeto nhadewa da língua guarani, falado apenas pelos índios mais velhos no Araribá, para que ele fosse reintroduzido na reserva indígena através da escola. “Nós trabalhamos apenas como consultores da comunidade. Os próprios índios elaboraram uma cartilha e um livro de leitura”, conta o lingüista.

Apesar de a alfabetização de índios através de cartilhas já ser antiga no Brasil, o pesquisador da UFRJ diz que o seu significado ainda é pouco discutido. Além de sugerir cautela em relação à escolarização de índios, no caso da escrita, ele é ainda mais crítico. “Do que se está tratando, afinal, quando se fala de ‘alfabetização’? Alguma panacéia em favor da defesa do ‘estoque de conhecimento oral’ via escrita?”, questiona. Segundo Cavalcanti-Schiel, tecnicamente, pode-se dizer que os índios dominam mais facilmente o manejo do código alfabético quando travam conhecimento dele pela aproximação fonética – ou seja, dos sons – da sua própria língua. “Dizer mais que isso é, no mínimo, apressado, e só se justifica como recurso para receber financiamentos em nome do desfraldar de bandeiras tidas como ‘politicamente corretas’”, ataca.

No caso do povo do Araribá, que contou com o auxílio de pesquisadores da Unicamp para a reintrodução do guarani na comunidade através da escola, os textos escritos na língua indígena são todos com temática cultural dos índios. Mas as aulas de guarani, cuja metodologia de ensino foi totalmente criada pelos professores indígenas, começaram pela tradução de palavras e frases do português para a língua indígena. À medida em que o guarani foi se tornando mais familiar aos alunos, as traduções passaram a envolver orações religiosas, e os índios se aventuraram até mesmo em uma versão guarani da primeira parte do Hino Nacional Brasileiro. “Isso tem um valor simbólico para eles, porque torna a língua viva, coloca a língua em operação, em lugares de prestígio”, avalia D’Angelis.

O lingüista da Unicamp também intermediou a ida de uma pesquisadora da mesma universidade para o nordeste do Mato Grosso, com o objetivo de ensinar o português como segunda língua para os Tapirapé de duas áreas, a Tapirapé-Karajá e a Urubu Branco. Nessas comunidades, onde todas as disciplinas são ministradas em tapirapé – exceto o português –, a escola atende alunos de 1º grau, e a partir de 2004, passou a atender também o ensino secundário. “Ela surgiu em 1973, por solicitação dos Tapirapé, no contexto da demarcação da área Tapirapé-Karajá”, conta Maria Gorete Neto, que lecionou ali por três anos. “Eles solicitaram a escola para a luta pela terra”, completa.


Ensino superior
Apenas duas universidades do país já oferecem graduação específica para a formação de professores indígenas. A pioneira foi a Universidade Estadual de Mato Grosso, que criou o curso em 2002 e atualmente conta com 294 indígenas matriculados. Em 2003, a Universidade Federal de Roraima criou, com a mesma finalidade, a Licenciatura Intercultural, que está com 120 alunos em 2005. Segundo o coordenador-geral de Educação Escolar Indígena do MEC, a intenção do governo é induzir e apoiar, através da Secretaria de Educação Superior (Sesu) e da Secad, parcerias com universidades para a criação de novos cursos para professores indígenas. Gesteira estima que até o final de 2005 já existirão pelo menos três novas licenciaturas interculturais. De acordo a Sesu, além desses 414 indígenas cursando licenciaturas, há cerca de 850 cursando habilitações diversas em instituições particulares de ensino superior e aproximadamente 300 estudando em outras instituições públicas do país. São casos como o de João Nonoy, que se tornou em 2003 o primeiro índio do Maranhão com graduação em Direito (que ele cursou em Tocantins), e depois de formado, retornou à aldeia Krikati prometendo lutar por causas ambientais e indígenas.





MEC reforça a participação dos índios na produção de materiais didáticos


Professores indígenas de todo o país, além de técnicos das secretarias estaduais de educação e de organizações não-governamentais, participaram do 1º Seminário Nacional do Material Didático Indígena, realizado pelo Ministério da Educação (MEC), em Brasília no mês de março. No evento, foram apresentadas experiências positivas, como as rádios comunitárias existentes em algumas aldeias, e negativas, como a dificuldade de se trabalhar com materiais didáticos que não valorizam as experiências culturais de cada etnia. O MEC se comprometeu a apoiar a produção de novos materiais didáticos que valorizarão a cultura oral indígena e que os próprios índios ajudarão a elaborar.

Os pontos de partida das discussões no Seminário foram os artigos 78 e 79 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Eles asseguram que a educação indígena ofereça, além dos principais aspectos da cultura ocidental, ou seja, da cultura do não-índio, um ensino que valorize os conhecimentos tradicionais dos povos indígenas, suas práticas culturais e suas línguas. Professores e líderes indígenas como o Xavante Lucas Roriô, de Mato Grosso, e o Macuxi Fausto da Silva, de Rondônia, se queixaram da forma como o índio e sua cultura aparecem nos materiais didáticos tradicionais e nos programas educacionais em geral.

De acordo com Kleber Gesteira, coordenador-geral de Educação Escolar Indígena da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad/MEC), além de existir uma indústria do material didático já consolidada, a qual não valoriza a cultura indígena, o próprio MEC tem feito pouco nessa área. "O Seminário veio marcar essa diferença: a decisão de produzir material didático de autoria dos próprios índios, com valorização da oralidade, através da reprodução de cânticos, discursos, narrativas e rituais", afirma. Segundo Gesteira, o MEC, que já financia materiais impressos específicos para os índios, como livros e cartilhas, prevê investir em 2005 cerca de R$ 800 mil na produção de materiais audiovisuais, como vídeos, CDs e fitas cassete, e também de materiais gráficos como mapas e cartazes.

"A escola é o espaço da comunicação, aprendizado e difusão da escrita, mas a oralidade é importante para qualquer cultura", defende o coordenador-geral de Educação Escolar Indígena. "Mesmo em um grande centro, como São Paulo, uma escola situada em plena Avenida Paulista pode trabalhar com rituais de oralidade", completa. E para os povos indígenas, de cultura tradicionalmente oral, essa importância é ainda maior. "Nossos antepassados passavam a cultura por meio do diálogo. Há uma tradição dos povos indígenas em absorver o conhecimento oralmente", reforça o professor indígena Xavante.

A maior dificuldade, em termos de infra-estrutura para utilização desse material audiovisual que será produzido com o apoio do MEC, é o uso de TV e vídeo. Gesteira informa que 400 das mais de 2 mil escolas indígenas do país já têm esse recurso, e os próprios professores indígenas possuem aparelhos de som que tocam CD ou cassete. "Quando não há o aparelho na escola, é possível que haja na casa comunitária, na casa do cacique ou no posto da Funai", esclarece.

O coordenador-geral de Educação Escolar Indígena também destaca o projeto da Secretaria de Educação a Distância do MEC que inseriu em algumas aldeias do Norte e do Centro-Oeste a Rádio Escola. Trata-se de uma rádio comunitária de baixa potência, com alcance apenas nos arredores da aldeia, na qual os programas produzidos pelos próprios índios e voltados para os índios, além de fortalecer a sua cultura, também são destinados a serviços de interesse da comunidade, como programas de prevenção de saúde, por exemplo.

O Seminário realizado pelo MEC começa a consolidar políticas do governo federal que já apontavam, em 2004, o esforço para o cumprimento da Lei de Diretrizes e Bases em relação à educação indígena. Em novembro do ano passado, o MEC criou duas comissões nessa área: uma para fortalecer a formação de professores indígenas em nível superior e outra para apoio e incentivo à produção e edição de material didático específico para os indígenas (leia notícia sobre o assunto).




Políticas públicas privilegiam a diversidade étnica


A escola, uma das instituições da cultura européia dominante que há meio milênio vêm entrando nas comunidades indígenas, está se voltando cada vez mais para a preservação e o fortalecimento das identidades étnicas. Na primeira quinzena de novembro, duas medidas foram tomadas pelo Ministério da Educação (MEC) com vistas a elaborar políticas específicas para as comunidades indígenas. No dia primeiro, a Portaria nº 52 criou uma comissão especial para formular programas voltados para a formação de professores indígenas em nível superior e, duas semanas depois, uma reunião no MEC formava outra comissão: a de Apoio e Incentivo à Produção e Edição de Material Didático Específico Indígena.

Um dos objetivos desta última é valorizar, ampliar e revitalizar, através de material didático, o uso das línguas indígenas entre as comunidades de índios. Essa comissão é formada por representantes da Organização Geral dos Professores Tikuna Bilíngües, da Comissão Pró-índio, do Instituto de Pesquisa e Formação em Educação Indígena, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Fundação Nacional do Índio (Funai).

A UFMG leva para essa comissão a sua experiência no assunto: através de sua editora, a universidade publicou em 2000 o livro Shenipabu Miyui: história dos antigos, uma coletânea de lendas indígenas contadas, escritas e ilustradas por índios kaxinawá e realizada pela Organização dos Professores Indígenas do Acre. São histórias como a da Feiticeira Cega, do Relâmpago e do Trovão, da Arara Misteriosa e da Origem dos Remédios da Mata, que aparecem no livro em versões bilíngues: kaxinawá e português. A idéia da comissão recém instalada é que a literatura indígena de lendas e mitos de cada etnia passe a ser estudada nas escolas de suas respectivas comunidades.

Como são poucas as comunidades indígenas que ainda se mantêm isoladas da influência da cultura dominante e o português já se tornou a principal língua da maioria das crianças de diversas etnias, a prioridade, no momento, é investir na educação bilíngüe. Cartilhas como a que foi produzida pelos próprios índios Guarani da reserva indígena do Araribá, no interior de São Paulo, podem servir de referência para a produção de materiais didáticos específicos para cada comunidade. Essa cartilha foi feita a partir de um projeto iniciado em 1998, coordenado pelo lingüista Wilmar da Rocha D'Angelis, da Unicamp, envolvendo o estudo do dialeto nhandeva da língua guarani, falado no Araribá (leia notícia sobre o assunto). "Com os programas de educação bilíngüe, as comunidades começam a revitalizar a sua língua e a recuperar a sua identidade cultural", comenta Antônio Luiz de Macedo, da Comissão Pró-Índio do Acre.

Outra prioridade do MEC e das organizações voltadas para as comunidades de índios é o aumento do número de licenciaturas específicas para professores indígenas. A Universidade Estadual do Mato Grosso foi pioneira ao oferecer, em 2001, o primeiro curso específico de licenciatura do país para cerca de 200 indígenas de 35 etnias. Mas segundo o Censo da Educação Indígena de 2002, menos de 2% dos professores indígenas tinham o 3º grau e 44% sequer possuíam o ensino médio. Esse mesmo levantamento apontava que apenas 54% das escolas indígenas utilizavam aspectos da cultura do índio em seu currículo. As licenciaturas específicas, além de aumentar a escolaridade indígena, têm como objetivo o retorno do índio para sua própria comunidade, onde atuará ou continuará atuando como professor e utilizará aspectos da cultura de sua etnia em sala de aula.

Pioneiros
Dos índios que se aventuram fora das aldeias para aumentar sua escolaridade, não são apenas os estudantes de licenciaturas que retornam à sua terra para atuarem como professores indígenas. João Nonoy, que se tornou em 2003 o primeiro índio do Maranhão com graduação em Direito (que ele cursou em Tocantins), retornou à aldeia Krikati prometendo lutar por causas ambientais e indígenas. E o Terena Rogério Ferreira, que é agrônomo e está cursando um doutorado na Universidade Federal de Londrina, voltou para o seu estado de origem, o Mato Grosso do Sul, após completar os créditos obrigatórios de disciplinas, com a intenção de desenvolver um projeto de sustentabilidade em agricultura, educação e saúde para os povos indígenas. "Atuar na defesa do meu povo é a prioridade de sempre na minha vida", diz o índio Krikati, do Maranhão. "Na cidade, se preocupam muito de forma individual, e aqui [na aldeia] há uma união do grupo muito grande. Sabemos que não somos só um. Devemos unir e buscar forças um no outro", filosofa.





Estudo fonológico contribui para resgate de língua indígena

Uma pesquisa realizada no Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp ajudou uma comunidade indígena a oferecer para suas crianças, na escola, o ensino da língua de seus ancestrais. Nhandewa aywu, dissertação de mestrado defendida por Consuelo Paiva no dia 21 de fevereiro, é um estudo sobre a fonologia do dialeto nhadewa da língua guarani, falado por comunidades indígenas do estado de São Paulo e norte do Paraná. O trabalho contribuiu para a elaboração de cartilhas para o ensino do guarani, feita por professores indígenas.

"Na primeira parte da minha dissertação, trato o nome, a história e as características dialetais dessa etnia, além das migrações religiosas e do percurso até a fixação nas áreas atuais", diz a pesquisadora. Ela explica que muitos índios migraram em busca do que eles chamavam de "Terra Sem Males", terminando sua jornada, muitas vezes, no litoral. Outros seguiram para o interior, fugindo do extermínio.

Na segunda parte do trabalho, composta por três capítulos, a pesquisadora apresenta um inventário fonético, ou seja, o conjunto de sons produzidos pelos falantes da língua; propõe uma interpretação para a fonologia do nhandewa; e destaca processos fonológicos, como o espalhamento da nasalidade de um fonema (vogal ou consoante) para toda a palavra, e o desaparecimento de uma determinada consoante, chamada de "fricativa glotal", em certos contextos específicos.

Essa pesquisa é a continuidade de um trabalho que Paiva desenvolveu em sua iniciação científica, ainda na graduação, como parte de um projeto iniciado em 1998, para resgatar o nhandewa-guarani falado na reserva indígena do Araribá, no município de Avaí, interior de São Paulo. Coordenado pelo lingüista Wilmar da Rocha D'Angelis, que também orientou a dissertação de Paiva, esse trabalho de resgate foi encomendado pelos próprios índios do Araribá e contou com a ajuda dos índios mais velhos da comunidade.

Paiva afirma que seu orientador, nas entrevistas, alternava o questionamento de dados lingüísticos a conversas sobre o tempo, a cultura dos índios, o seu meio e sua história, para não torná-las cansativas. Ela conta que no intervalo de uma delas, enquanto D'Angelis lia um texto em guarani, Seu Francisco e Dona Adelaide, respectivamente tio e mãe do cacique, reconheceram a história e fizeram comentários entre si em sua língua. "Eles reconheceram também seus parentes em algumas fotos do livro", diz Paiva.

Segundo a pesquisadora, as crianças e os jovens da aldeia também demonstraram interesse no resgate de sua cultura. Durante a primeira entrevista realizada com Dona Magnólia, a filha dela cantou uma canção em guarani paraguaio, com o acompanhamento do filho do cacique no violão.

Já na segunda visita dos pesquisadores à aldeia, no entanto, a entrevista com Dona Magnólia e seus parentes foi bastante difícil. Todos na aldeia estavam muito abalados com a morte dos seus dois irmãos em um curto espaço de tempo; um deles, seu Francisco. Nessa ocasião, ficou claro que o fim das poucas pessoas que ainda têm o conhecimento do nhandewa poderia significar a sua extinção.

Os frutos do trabalho
Os professores indígenas começaram a dar aulas noturnas de guarani na escola da comunidade, paralelamente ao estudo lingüístico que eles haviam solicitado. D'Angelis observou que os três professores voluntários da comunidade adotavam, para alguns sons, formas diferentes na sua escrita. Após a análise fonológica e diversos encontros com a comunidade, os índios adotaram uma convenção ortográfica do guarani que eles próprios escolheram, padronizando a escrita entre os professores.

Os índios elaboraram uma cartilha e um livro de leitura, e os lingüistas trabalharam apenas como consultores da comunidade. "Os textos em guarani, escritos pelos professores para esses livros, são todos com temática cultural indígena", conta Paiva. Quando eles inseriram as aulas de guarani na escola da comunidade, começaram pela tradução de palavras e frases do português para a língua indígena. Com o passar do tempo, traduziram orações religiosas e até mesmo a primeira parte do Hino Nacional Brasileiro. "Isso tem um valor simbólico para eles, porque torna a língua viva, coloca a língua indígena em operação, em lugares de prestígio", comenta D'Angelis, orientador do trabalho.


Densas nuvens ainda pairam sobre a educação indígena
por Ricardo Barretto e Marina Kahn

O novo governo alça vôo em direção à educação indígena tendo que enfrentar pesadas nuvens pela frente. Uma intempérie já é familiar: os cortes orçamentários que paralisam o repasse de verbas. Como se não bastasse, a Secretaria de Ensino Fundamental (SEF) ainda não conseguiu confirmar sinais favoráveis à renovação do convênio entre o Ministério da Educação (MEC) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Desses recursos dependem a montagem de uma equipe de trabalho no ministério e a contratação de consultorias especializadas para as práticas escolares indígenas nas aldeias.

Quanto à Coordenação Geral de Apoio às Escolas Indígenas (CGAEI), vinculada à SEF, seu vôo inaugural foi alçado no encontro entre representantes das Secretarias Estaduais de Educação, professores e lideranças indígenas, e sociedade civil, com a presença inédita do Ministério Público (MP). Frente aos depoimentos desanimadores de professores e lideranças indígenas de várias regiões, o MP instituiu audiências públicas no Amazonas, no Pará, na Bahia, no Ceará e em Tocantins, onde ocorreu uma audiência pública extraordinária no dia 14/04.

De acordo com Kleber Matos, coordenador da CGAEI, a atuação do Ministério Público criando esses mecanismos de consulta poderá forçar estados e municípios a firmarem Termos de Ajustamento de Conduta para cumprirem as obrigações previstas em lei.

Fora isso, para desanuviar o horizonte, a CGAEI tem uma estratégia simples: consultar e informar. A intenção é divulgar para escolas indígenas e seus professores informações sobre os recursos do Fundo de Manutenção e de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), que são repassados aos estados, e consultar as várias fontes de acesso a financiamentos, que já existem dentro do próprio MEC e, que podem beneficiar a educação indígena.

É o caso do programa Diversidade na Universidade, da Secretaria de Ensino Médio e Tecnológico (Semtec), que em diversos estados poderá acolher os programas de formação de professores, ou ainda o Projeto Alvorada, da mesma Semtec, que dispõe de R$ 400 milhões para fortalecer o ensino médio por meio da formação de professores e elaboração de material didático.

Essas possibilidades vêm como surpresa para a histórica falta de recursos da CGAEI e para a dependência dos convênios MEC/Pnud.

O que permanece lamentável, porém, é o fato da Coordenação estar totalmente desmobilizada para participar da divisão do bolo do Plano Plurianual (PPA). É preciso saber como viabilizar burocraticamente o acesso e a execução desses recursos, tomando como referência o fracasso dos benefícios do Fundef às escolas indígenas, o que serve como indicador de que o problema reside na vontade política e não da falta de dinheiro.

Recomendações e prioridades

Na Reunião Extraordinária sobre Educação Escolar Indígena realizada pelo MEC em março, o ISA apresentou algumas recomendações para o aprimoramento da educação indígena no Brasil e para a melhoria da relação do Estado com os índios nessa área. As prioridades apontadas insistem em medidas já defendidas: a formação inicial e continuada dos professores indígenas, que inclui a realização de cursos e o acompanhamento pedagógico às escolas das aldeias; a produção de materiais didáticos específicos; e a formação política de professores e lideranças indígenas para que possam cobrar a responsabilidade dos órgãos governamentais e realizar o gerenciamento da educação escolar.

Diante de um panorama em que iniciativas bem sucedidas na formação de professores e na criação de material didático específico são realizadas por ONGs, com apoio da cooperação internacional, a proposta do ISA é chamar o Estado Brasileiro à sua obrigação legal, apontando a necessidade de maior participação institucional e financeira dos governos estaduais no fomento aos programas de educação indígena.

Para tanto, sugere a criação de Coordenações Regionais de Educação Indígenas, multi-institucionais, constituídas paritariamente por governo e sociedade civil (leia-se também aí as instâncias indígenas de representação), cabendo à CGAEI do MEC coordenar um grupo executivo, composto por representantes governamentais e indígenas, que duas vezes ao ano dariam subsídios administrativo e político às coordenações regionais.


Os números da educação indígena

Hoje, no Brasil, a educação indígena responde por 1.392 escolas, 93 mil alunos e 3.059 professores indígenas, além de outros 939 professores não-índios. Desse total, apenas 1,5% dos professores indígenas possuem ensino superior completo e 17,6% possuem o ensino médio com magistério completo. Em relação aos alunos, 81% estão no ensino fundamental, sendo que 82% deles estão cursando de 1ª. à 4ª. série.

Publicado por Ana Tropicana às 08:35 PM | Comentários (0)

setembro 09, 2005

Fala Tapirapé


aldeia tapirapé de unicamp

Existe uma característica que me interessa sobejamente na oralidade dos índios tapirapé: trazer o interlocutor para perto e tratá-lo com proximidade.





Fotos: Redacções e Desenhos Tapirapés




Maria Gorete Neto é linguista no Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas (IEL/Unicamp). Durante três anos morou em aldeias da região do médio Araguaia, no Mato Grosso, leccionando a língua oficial brasileira aos indígenas. A experiência inspirou-lhe uma muito interessante dissertação de mestrado, que defendeu em Fevereiro deste ano:

«Construindo interpretações para entrelinhas: cosmologia e identidade étnica nos textos escritos em Português, como segunda língua, por alunos indígenas tapirapés»


Maria Gorete analisou 30 textos de alunos de 5ª a 8ª séries do ensino fundamental. Nas cartas, redacções e bilhetes, os jovens apresentavam um jeito próprio de se manifestar na segunda língua. Questões aparentemente estilísticas mostraram-se recorrentes nos textos. A investigadora focou a sua atenção na influência da língua tapirapé no português usado pelos índios: “ É perceptível a resistência ao colonizador feita de forma estratégica e muito súbtil” ,defende.

Na gramática desse povo, a mobilidade sintáctica é muito flexível. O adjectivo pode vir no início da frase e o sujeito no fim. O sujeito e objecto são colocados antes ou depois do verbo. Mas todos se entendem. Dito de outro modo, as partículas presentes na língua indígena permitem a um tapirapé dizer algo do tipo “a menina mordeu o cachorro”, sem risco de o interlocutor pensar que o cão de facto foi ferido.

As marcas da língua-mãe e o modo de ver o mundo aparecem sempre na fala de quem aprende um segundo idioma. No caso dos tapirapés, os temas preferidos são a abundância de comida, as suas crenças e, principalmente, a sua alegria. Segundo a investigadora, a alegria é o mote da vida da etnia e está associada ao estar junto e partilhar.

Entre os habitantes das duas últimas aldeias, uma nas proximidades da cidade de Santa Teresinha e outra em Confresa, ambas no Mato Grosso, não se nega um pedido feito por uma pessoa próxima. É essa mesma postura que aparece refletida nos textos dos alunos. A professora cita como exemplo a carta que uma menina tapirapé, de 13 anos, escreveu ao presidente, pedindo ajuda nas questões da sua terra: “Meu amigo Fernando Henrique, estou escrevendo para você organizar a área indígena.” Esta intimidade manifestada com o ex-presidente da República´não difere daquela com que lidaria com um dos últimos 560 remanescentes da sua etnia: “Na linguagem deles não existem formas de tratamento específicas para autoridades. O respeito aos índios mais velhos e sábios é mostrado por atitudes quotidianas” conta Maria Gorete Neto.


Ainda a propósito do trabalho desenvolvido, vale a pena ler:


Surge uma nova língua: o ‘português-tapirapé’
Fonte: Jornal UNICAMP | Edição 299 - 29 de agosto a 4 de setembro de 2005

Ensinar a Língua Portuguesa aos índios sem interferir nos costumes e na cultura do povo é um dos grandes desafios atuais na formação educacional indígena. Desafio que a lingüista Maria Gorete Neto sentiu na pele. Convidada a lecionar a disciplina de Língua Portuguesa, como segunda língua, na aldeia dos Tapirapé, no Mato Grosso, Maria Gorete acabou permanecendo três anos em contato direto com este povo, de 1999 a 2001. O resultado da experiência levou a pesquisadora a analisar os textos escritos em português dos adolescentes e jovens de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental e chegar à conclusão de que existe um “português-tapirapé”. “Embora sejam totalmente compreensíveis a qualquer falante do português, os índios carregam uma marca de identidade muito forte nos textos”, explica.


Pelo menos três características identificadas nas 30 redações livres e desenhos analisados pela lingüista estão descritas em sua dissertação de mestrado “Construindo interpretações para entrelinhas: cosmologia e identidade étnica nos textos escritos em português, como segunda língua, por alunos indígenas Tapirapé”, orientada pela professora Marilda do Couto Cavalcanti. Uma das questões abordadas pela pesquisadora é aquela que chamou de “etnicização” do português. Ela explica, por exemplo, que a mobilidade sintática no “português-tapirapé” é flexível, assim como ocorre na língua Tapirapé. As frases “Estou com fome muita” ou “Índio muito joga bola animado” são perfeitamente aceitáveis dentro dos padrões de escrita e oralidade dos índios.


Outro aspecto foi a presença incisiva de elementos da cosmologia Tapirapé nos textos. “As relações de partilha e a alegria associada à abundância de comida e de terra – características do povo – aparecem a todo instante na escrita”, comenta Maria Gorete. Os relatos das invasões de terra, discussões sobre direitos indígenas, ameaça de morte pelos posseiros, enfim, questões relacionadas às necessidades de sobrevivência dos índios, e os conflitos com os não-índios, são assuntos recorrentes nas redações.


A terceira marca, e talvez a mais importante observada nos textos, refere-se à identidade indígena. “Por um lado, os aspectos da cosmologia constantes nos textos apontam para um modo Tapirapé de ver e agir no mundo. Tais aspectos os diferenciam e auxiliam a construir sua identidade étnica em contraste a outros povos. De outro lado, as características aparentes nos textos denotam um português-tapirapé com uma função identitária, diferente do português considerado ‘padrão’ e de outras variedades desta língua. É um português específico que traz à tona o fato dos povos indígenas apropriarem-se e moldarem a Língua Portuguesa ao invés de aceitá-la passivamente. Apesar de utilizar a língua historicamente imposta, os alunos ‘preservam’ suas especificidades”, esclarece. Neste sentido é que a lingüista defende políticas lingüísticas que garantam o ensino e a valorização das múltiplas variedades do português sem que haja discriminação para com nenhuma delas.

Publicado por Ana Tropicana às 03:34 PM | Comentários (0)

setembro 07, 2005

Filhos de Um Deus Menor

Um estudo recente da National Aboriginal and Torres Strait Islander Survey revela que a probabilidade de uma criança indígena não sobreviver até aos cinco anos de idade é cinco vezes maior do que a das outras crianças.


Publicado por Ana Tropicana às 06:11 PM | Comentários (0)

setembro 06, 2005

"Renascimento"


varanda da sala dos reis de autor desconhecido

Não sei se foi porque alguma coisa ou alguém me recordou o espectáculo de logo mais, à noite... se o sol que entretanto começou a despontar... ou se uma certa vontade de concentrar o pensamento na boca do Tejo por onde largaram as primeiras caravelas... mas deixo o link. As imagens são belíssimas.





Foto: Cartaz Oficial do show de Mariza na Torre de Belém



A fadista Mariza actua a 06 de Setembro, em Lisboa, no relvado frente à Torre de Belém, com a Sinfonieta de Lisboa, sob a direcção de Jaques Morelenbaum, o músico brasileiro que produziu o seu recente álbum, "Transparente".
Fonte: Agência Lusa


O concerto de Mariza, que o ano passado reuniu 22.000 pessoas no anfiteatro Keil do Amaral, insere-se no programa das Festas da Cidade.

"Transparente", que entrou directamente para o primeiro lugar de vendas na semana de lançamento em Abril, é para a fadista "um virar de página", aproximando-se mais da sonoridade que procura.

A esta sonoridade não é estranho o trabalho de Jaques Morelenbaum, salientou Mariza à Agência Lusa.

"Transparente" é uma abordagem diferente ao fado, "mais reflectida e pensada, logo permitindo alguma ousadia, fruto também da segurança que sinto e do conforto que foi gravar com o Jaques".

Além da Sinfonieta de Lisboa, no palco da Torre de Belém estarão os músicos que acompanham habitualmente a fadista: Luís Guerreiro (guitarra portuguesa), António Neto (guitarra acústica), Vasco de Sousa (baixo), João Pedro (percussão), Paulo Moreira (violoncelo), António Barbosa (violino) e Ricardo Mateus (viola de arco)

Jaques Morenlenbaum, director musical de Caetano Veloso, com quem trabalha desde 1991, actuou o ano passado ao lado do músico brasileiro no Pavilhão Atlântico e com Sakamoto na Aula Magna, em 2002.

O músico e produtor participou no álbum "Livro" de Caetano Veloso, que em 1999 recebeu um Grammy Award para o Melhor Álbum de World Music.

"António brasileiro" de Tom Jobim, que Morelenbaum também produziu, venceu, em 1995, o Grammy para o Melhor Actuação de Jazz Latino.

Morelenbaum tem trabalhado quer como músico, quer como produtor, com destacados nomes da música internacional, nomeadamente Sting, Egberto Gismonti, Ryuichi Sakamoto, Madredeus, Gal Costa e Carlinhos Brown, entre outros.

Mariza foi a única portuguesa que participou no Live 8, no palco "Africa Calling". No âmbito da sua digressão, este ano, pelos países nórdicos, deslocou-se à Islândia onde foi a primeira artista portuguesa a actuar naquele país.

Mariza faz assim jus ao Prémio Amália Rodrigues Internacional com que será distinguida em Outubro.

Durante o mês de Setembro, e antes de partir em digressão pelo Canadá e Estados Unidos, a intérprete de "Meu fado meu" (Paulo Carvalho) actuará em Santa Maria da Feira, no âmbito das comemorações dos 500 anos da Festa das Fogaceiras, em Faro, Angra do Heroísmo e Ponta Delgada (Açores) e Câmara de Lobos (Madeira).

Um dos pontos altos do concerto de Lisboa será a interpretação por Mariza de "Duas lágrimas de orvalho" (João Linhares Barbosa/Pedro Rodrigues), apenas acompanhada pelo violoncelo de Morelenbaum.


Transportes

Autocarros: 27, 28, 29, 43, 49, 51 e 112
Eléctricos: 15
Comboio: Linha de Cascais, estação de Belém
Barcos da Trafaria e Porto Brandão, estação fluvial de Belém

Publicado por Ana Tropicana às 01:11 PM | Comentários (0)

O Celeiro Global

Mantenho este hábito de me interessar por jornais atrasados. Pego finalmente na edição deste Domingo de O Público. Na revista em suplemento, também. A três dias de celebrar 183 anos de independência, reparo que o Brasil que está para além do "mensalão" merece a atenção da imprensa portuguesa. Até que enfim!





Foto: Capas do Jornal O Público e da Revista Pública - Edição de Domingo, 04 de Setembro de 2005



Destacam-se dois grandes textos de fundo:

«Brasil, a nova superpotência agrícola»
Dentro de uma década, dizem as previsões, o Brasil será o grande mercado abastecedor do mundo. Apesar das muitas questões sociais e ambientais por resolver, o certo é que a economia brasileira está a viver uma pujança inusitada, em parte alicerçada no desenvolvimento espantoso que a agricultura registou. O país tem à sua frente um futuro que lhe assegura um lugar preponderante na geoestratégia mundial. Mas sobejam as amarras, que lhe enredam o horizonte.

«Transgénicos, a oportunidade perdida da Europa»
Como o maior produtor de soja do planeta, o Brasil é um fortíssimo candidato a destronar os EUA como o principal exportador de transgénicos.


Mas há também duas crónicas:

«O Gigante Cordial - O Brasil foi um erro que deu certo.»
por José Eduardo Agualusa

«Quem é Lula?»
por Paulo de Vasconcellos

Publicado por Ana Tropicana às 12:03 PM | Comentários (0)

Mood


alarmes de ana tropicana

Chegaram as primeiras chuvas. Acordo de frente para a realidade: tenho cada vez mais dificuldade em vislumbrar Lisboa.













Fotos: Alarmes (autor: Ana Tropicana)



Passaram algumas horas desde que abri os olhos. Entretanto já andei pela rua. Nada do que amanheceu pardacento se alterou grandemente...

(...)


... Claros sinais de pânico: a mescla de humidade branca continua a pender sobre a cidade. As ruas escorregam. O chão derrapa nas curvas e nas esquinas. Gosto cada vez menos de clandestinas solidões. As saudades de casa começam a gritar demasiado alto. Tenho medo de não saber como suportar mais um Inverno aqui. Sem calor, sem luz, sem sol, sem mar, sem energia, sem saúde, sem tempo, sem liberdade. Sem poder vestir a minha roupa, descalçar-me dos sapatos, comer o que me dá fome, fazer as coisas que me agradam, andar por onde gosto, ser igual a mim. A cor a fugir, a pele a desfazer-se, o rosto a transformar-se. Tudo mais feio, tudo mais triste. Preciso urgentemente de uma âncora, de boas razões, motivos válidos... qualquer coisa que me segure aqui. Preocupantes os sintomas. Grave o diagnóstico. Distante a cura.

Publicado por Ana Tropicana às 11:00 AM | Comentários (1)

setembro 04, 2005

Febres


pafuera telerañas de bebe

A passagem do furacão pelos EUA toma conta de todas as conversas: onde quer que se esteja, é o assunto do fim-de-semana. Fico eu aqui a pensar que o Katrina expõe misérias que vão muito além dos desnorte do Grande Senhor dos Arredores. Depois lembro-me da febre que eu trazia e milagrosamente foi embora. E, então, ocorre-me que não há-de ser muito diferente o remédio que pode curar o mundo:

«La Tierra tiene fiebre / Necesita medicina / Y un poquito de amor / Que le cure la penita que tiene»

AQUI




«Ska De La Tierra» - Bebe


La Tierra tiene fiebre
Necesita medicina
Y un poquito de amor
Que le cure la penita que tiene

La Tierra tiene fiebre
Tiembla llora, se duele
Del dolor más doloroso
Y es que piensa que ya no la quieren

Y es que no hay respeto por el aire limpio
Y es que no hay respeto por los pajarillos
Y es que no hay respeto por la tierra que pisamos
Y es que no hay respeto ni por los hermanos

Y es que no hay respeto por los que están sin tierra
Y es que no hay respeto y cerramos las fronteras
Y es que no hay respeto por los niños chiquininos
Y es que no hay respeto por las madres que buscan a sus hijos

La Tierra tiene fiebre
Necesita medicina
Y un poquito de amor
Que le cure la penita que tiene

La Tierra tiene fiebre
Tiembla llora, se duele
Del dolor más doloroso
Y es que piensa que ya no la quieren

Y es que no hay respeto y se mueren de hambre
Y es que no hay respeto y se ahoga el aire
Y es que no hay respeto y hoy lloran más madres
Y es que no hay respeto y se mueren de pena los mares

Y es que no hay respeto por las voces de los pueblos
Y es que no hay respeto desde los gobiernos
Y es que no hay respeto por los que huyen de doló
Y es que no hay respeto y algunos se creen Dios

La Tierra tiene fiebre
Necesita medicina
Y un poquito de amó
Que le cure la penita que tiene

La Tierra tiene fiebre
Necesita medicina
Y un poquito de amó
Que le cure la penita que tiene

Y es que no hay respeto por el aire limpio
Y es que no hay respeto por los pajarillos
Y es que no hay respeto por la tierra que pisamos
Y es que no hay respeto ni por los hermanos

Y es que no hay respeto por las voces de los pueblos
Y es que no hay respeto desde los gobiernos
Y es que no hay respeto por los que huyen de doló
Y es que no hay respeto y algunos se creen Dios











Foto: La Tierra (autor: Carlos Verlanga)



2004 foi, efectivamente uma ano de experiâncias invulgares, como esta de brincar a Terra como forma de buscar outras linguagens às imagens. Não tenho como mostrar o que daí resultou, mas posso partilhar um pouco do making of.

Para assistir AQUI.


Publicado por Ana Tropicana às 07:05 PM | Comentários (1)

Label


barbie-praia de ana tropicana

Ainda Ribeira de Ilhas...




Olho a multidão, os corpos alinhados, impecáveis de cuidados mil, os cabelos penteados, o cheiro dos bronzeadores solares, as cores garridas das marcas espalhadas por todo o lado, logotipos bordados nas toalhas de praia, nas mochilas, nos óculos de sol, nos porta-chaves do carro, nas roupas, nas falésias, no areal... Festa de quê?! «Festas das Ondas», havia eu escrito... Talvez. Talvez ainda seja. Pelo menos um bocadinho.
















Fotos: Café Buondi em Pro Domingo Billabong (autor: Ana Tropicana e Ricardo Bravo)

Publicado por Ana Tropicana às 02:46 PM | Comentários (0)

Frase do Dia

«I feel nice, like sugar and spice»
James Brown

Publicado por Ana Tropicana às 10:23 AM | Comentários (0)

setembro 03, 2005

Aloha Spirit


Waves de vários autores

Apesar da mudança de planos à última hora, descubro que há sempre um perdão a corrigir os desvios mais felizes. É fim de semana em Ribeira de Ilhas. Não vou ficar para a festa das ondas. Retomo o rumo do Sul. Levo na bagagem o livro que o Cação, a Marina e a Renata trouxeram de presente.








Fotógrafos:

Adriano Becker, Afonso Paiva, Agobar Jr., Alberto "Cação" Sodré, Alberto Woodward, Aleko, Alexandre Gennari, Alex Uchoa, Ana Salvatore, Beto Paes Leme, Chico Padilha, Christian Herzog, Cícero Lehmann, Clemente Coutinho, Cly LoylIe, Delfim Martins, Dener Vianez, Eduardo Marco, Eduardo Moody, Ed Viggiani, FAbio Bonotti, Fernando Bronzeado, Fernando Mesquita, Flávio Vidigal, Francisco Chagas, James Thisted, Jesus Carlos, Jota Correia, Juca Martins, Klaus Mitteldorf, Levy Paiva, Lisandro de Almeida, Luis Salvatore, Marcello Lourenço, Marcos Vilas Boas, Marina Ribeiro, Motaury Porto, Nilton Barbosa, Paulo Santos, Paulo Soares, PlInio Bordin, Ptolomeu Cerqueira, Renata Mello, Ricardo Azoury, Ricardo Resende, Rick Werneck, Silvia Winik e Wagner Setúbal.

Título: Brasil do Surf
Projeto gráfico: Renata Zincone
Edição: Alberto J. R. Woodward
Publisher: Romeu Andreatta Filho




Juntamente com um grupo de fotógrafos brasileiros, especializados na modalidade ou no fotojornalismo em geral, estes três acabam de colaborar na edição de um livro belíssimo, cujo objectivo consistiu em mostrar o litoral brasileiro através da óptica do surf, uma espécie de alinhavo de imagens exuberantes das mais belas praias, com um enfoque paralelo na história e na cultura local.

A Renata conta-me as aventuras e desventuras para colocar de pé um projecto editorial cuja mais valia o governo e os patrocinadores têm eterna dificuldade em "vislumbrar". A Marina continua convicta de que o surf é a cultura de vida que mais cresce no Brasil. Muito mais que um simples desporto, costuma ela defender, está presente na vida de praticamente todo o povo brasileiro: seja por uma camiseta que se veste ou pela pura paixão humana de deslizar nas ondas do mar.

Folheio as primeiras páginas. Entre os meus dedos perfila-se um retrato lúdico e poético do litoral brasileiro, produzido sob a perspectiva dos surfistas, calcado na beleza das fotos e nos ângulos inusitados. Das paisagens gélidas de Torres até as muralhas de coqueiros do Nordeste. De sul a norte. De norte a sul. Maresias, Matinhos, Guarda do Embaú, Saquarema, Itacaré, Serrambi, Pipa, Noronha… Fundos de areia e de rochas, saídas de rio, costões de pedras, lajes… Ondas que habitam o imaginário dos que perseguem as incríveis formas da energia e pelo caminho descobrem os mais exóticos e inóspitos pontos da costa: balneários como Garopaba, metrópoles como o Rio, praias como a da Pipa ou pontos isolados como Ilhabela e a pororoca do Araguari.

Sim, este livro é uma homenagem ao surf com o Brasil incrustado: "do Oiapoque ao Chuí", com diria o Cação. Brasil singular. Brasil do mar. Brasil do surf. Do Amapá ao Rio Grande do Sul. No verão e no inverno. Chova ou faça sol. Saudades!... Muitas. E, só por isso, talvez na volta ainda passe por Ribeira de Ilhas: por ser o mais parecido que por cá temos.

Publicado por Ana Tropicana às 11:38 PM | Comentários (0)

«Alma Limpa»


eyes wide open de andré f.

Fico a saber que o Pedro inaugura, hoje, na Galeria Leme uma exposição de trabalhos na área social. São imagens captadas através de câmaras fotográficas artesanais, confeccionadas com latas de tinta. Longe de São Paulo, deixo o abraço e o convite aberto sobre a mesa: para quem estiver a passar lá por Butantã, «pertinho da Ponte Eusébio Matoso».











Foto: Alma Limpa (autor: Pedro M.)

Estes dois trabalhos resultam do atelier de pinhole que o Pedro aceitou orientar, inserido no âmbito projecto Imagem Mágica, que visa a integração social de jovens através do ensino da fotografia. Uma extraordinária ideia do André. Há nove anos atrás.


Publicado por Ana Tropicana às 03:39 PM | Comentários (0)

"Forever and Ever"


promisses de ana tropicana

Na Lisboa antiga, quando é Verão, há sempre um qualquer casamento, num qualquer adro de igreja, a atormentar-nos o Sábado, logo pela manhã.





Foto: Promisses (autor: Ana Tropicana)


... E não sei porquê, vem-me à ideia uma música dos U2.



All I Want Is You - U2 (sugiro a versão com Tom Petty e Benmont Tench)

You say you want a diamond on a ring of gold
You say you want your story to remain untold

All the promises we made from the
Cradle to the grave
When all I want is you

You say you'll give me a highway with no-one on it
Treasure just to look upon it
All the riches in the night
You say you'll give me eyes on a moon of blindness
A river in a time of dryness
A harbour in the tempest

All the promises we made from the
Cradle to the grave
When all I want is you

You say you want your love to work out right
To last with me through the night
You say you want a diamond on a ring of gold
Your story to remain untold
Your love not to grow old

All the promises we made from the
Cradle to the grave
When all I want is you

All I want is you




Foto: Stone Words (autor: Ana Tropicana)

Publicado por Ana Tropicana às 02:57 PM | Comentários (0)

Mood


dolce vita de brigitte

Volto a lembrar-me que afinal odeio telemóveis. Entretanto, entretenho-me a olhar em volta, para me esquecer que ainda não passaram cinco minutos desde que fechei a porta de casa. Há um ministro a ler o jornal como se não fosse governo; um polícia a guardá-lo de longe como se nunca o tivesse visto; três espanholas a olhar o miradouro como se não fossem turistas; um sem-abrigo a vender a Cais como se não precisasse de dinheiro; uma grávida com uma criança pela mão com se gostasse de ser mãe; e eu a tomar o primeiro café do dia como se ainda houvesse tempo.





Foto: Dolce Vita (autor: Brigitte)

Publicado por Ana Tropicana às 02:26 PM | Comentários (0)

setembro 02, 2005

Eis, Enfim: a "Cooperação"!

Leio na edição de hoje do Diário de Notícias que, mais de um mês depois das primeiras referências ao alegado envolvimento de empresas portuguesas no "Mensalão", a Polícia Federal brasileira «vai contactar Portugal» e que a Polícia Judiciária declara ter já iniciado «uma "averiguação preliminar"».




PJ entra na pista do 'mensalão' brasileiro
Fonte: DN | Autor: Carlos Rodrigues Lima | Edição: 02 Setembro de 2005


A Polícia Federal (PF) do Brasil deverá contactar "nas próximas semanas" a Polícia Judiciária (PJ) no âmbito da investigação ao caso do "mensalão". A informação foi adiantada, ontem, ao DN pelo gabinete de comunicação da PF, em Brasília. Na sequência do envolvimento de nomes de empresas portuguesas no caso (sobretudo a Portugal Telecom e o Banco Espírito Santo), o DN apurou que a Judiciária já iniciou uma "averiguação preliminar", ou seja, uma recolha de informação que também tem passado por contactos informais com a PF no Brasil.

No contacto telefónico estabelecido com a PF, um dos assessores de imprensa disse ao DN que só ontem é que esta polícia "recebeu autorização do Supremo Tribunal Federal para continuar as investigações que até agora estavam um pouco paradas". Questionado sobre a existência de contactos com a PJ em Portugal, o mesmo assessor disse que até ao momento ainda não foram efectuados, mas "nas próximas semanas deverá acontecer esse contacto".

Já na passada semana, Giselly Siqueira, assessora de imprensa do procurador-geral da República brasileiro, António Silva de Souza, tinha afirmado ao DN que até ao momento não foi feito nenhum contacto oficial com o Ministério Público português, mas admitia esse contacto "no decorrer das investigações".

De acordo com informações recolhidas pelo DN, na Direcção Central de Investigação da Corrup- ção e Criminalidade Económica e Financeira (DCICCEF) já foi iniciada uma "averiguação preliminar", tendo em conta os ecos das comissões parlamentares de Inquérito no Brasil. Por outro lado, apesar de oficialmente ainda não ter existido quaisquer contactos, o DN sabe que tem havido informalmente um troca de informações entre a PF e a PJ. Após esta pré- -investigação, como a lei permite, será proposto ao MP a abertura ou não de um inquérito judicial.

Em causa estão os contactos alegadamente mantidos pelo publicitário Marcos Valério (que está no centro de toda a polémica) com elementos do grupo Portugal Tele-com e do Banco Espírito Santo. A denúncia de tais contactos, envolvendo a transacção entre negócios no Brasil e alegadas contrapartidas para o Partido dos Trabalhadores do Presidente Lula da Silva, foi denunciada pelo deputado Roberto Jefferson numa comissão parlamentar de inquérito conjunta que integra elementos do Congresso e do Senado. Segundo Jefferson, Marcos Valério tinha sugerido que promovesse junto da direcção do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) a transferência de uma conta de aproximadamente 600 milhões de dólares para o Banco Espírito Santo. Porém, após este depoimento, Jefferson viria a declarar que a "operação" portuguesa de Marcos Valério falhou, uma vez que ambas as empresas recusaram negociar com o publicitário.

Tanto a PT como o BES rejeitaram qualquer tipo de negociação com o publicitário brasileiro. Mas, o ex-ministro das Obras Públicas António Mexia acabaria por contribuir para a polémica quando afirmou ao Expresso ter recebido Marcos Valério na qualidade de "consultor" do Presidente Lula. Uma versão que viria, entretanto, a desmentir posteriormente.

Ricardo Espírito Santo, responsável do BES no Brasil, em declarações ao jornal O Globo, chegou a confirmar ter estado reunido com o ex-ministro José Dirceu (outro dos suspeitos no caso) para abordar questões relacionadas com os investimentos do BES no Brasil. No entanto, não ficou claro em que moldes é que a reunião foi convocada.

Publicado por Ana Tropicana às 10:36 PM | Comentários (0)