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setembro 23, 2005

Houston, Are You There?!

A repórter da BBC Brasil, Denize Bacoccina, está em Houston, no Texas, próxima das áreas atingidas pelo furacão Rita. O relato das suas impressões sobre o estado da cidade e a reacção das pessoas em plena tempestade, vai sendo registado no Blog do Furacão.




Foto: Denize Bacoccina (Autor: BBC Brasil)



25/09, domingo, 8h (10h de domingo em Brasília)

Passei o sábado percorrendo, com dois colegas, as áreas mais atingidas pelo furacão Rita, entre Beaumont, no Texas, e Lake Charles, na Louisiana.

A destruição material é grande, com árvores caídas sobre casas, telhados parcial ou totalmente destruídos, postes caídos no meio da estrada e ruas inundadas. A maioria das casas resistiu sem danos, mas muitas garagens, de madeira, mais frágeis, simplesmente desmontaram com a força dos ventos.

Toda a região está sem energia elétrica.

Mas, pelo menos até onde conseguimos ir, pouquíssimas pessoas estavam em casa quando o furacão chegou. A grande maioria atendeu às ordens das autoridades de ir para um lugar mais seguro. As casas estavam trancadas e vazias. Algumas com tábuas protegendo as janelas.

Desta vez parece que não vão se repetir as cenas dramáticas que vimos após a passagem do furacão Katrina, quando milhares de pessoas ficaram presas em áreas inundadas ou entre os escombros das casas.

Uns poucos ficaram, porque tinham familiares que não podem se locomover, como um casal que encontramos em Lake Charles, ou porque não tinham para onde ir. Outros passaram a noite em outra cidade e estavam voltando pra casa para ver o estrago.

Em Houston, embora milhares de pessoas já tenham voltado desde sábado de manhã, o comércio ainda estava todo fechado até a noite de sábado, e o único restaurante aberto no centro da cidade era o do hotel onde estou hospedada.

O grande problema agora na região é a falta de gasolina. Era grande a fila nos poucos postos que tinham combustível. Muitos que saíram da região não conseguem voltar porque não têm como encher o tanque. Outros que ficaram nas áreas afetadas e estão com a casa intacta não conseguem sair pelo mesmo motivo.


24/09, sábado, 12h (14h de sábado em Brasília)

Muitos moradores já estão voltando para a cidade. No meio da manhã, já era grande o movimento nas rodovias que dão acesso à cidade.

Mas todo o comércio ainda está fechado. A expectativa é que a vida comece a voltar ao normal ainda neste fim de semana.

A prefeita de Galveston, que havia ordenado evacuação obrigatória, disse que os moradores não devem voltar para a cidade porque ainda o local ainda não está seguro.

Boa parte do sistema de energia elétrica foi danificada e existe o risco de as pessoas serem eletrocutadas.


24/09, sábado, 10h45 (12h45 de sábado em Brasília)

Com a confirmação de que o estrago em Houston foi pequeno, é intenso o movimento de saída do hotel onde estou hospedada.

Famílias inteiras trouxeram roupas, comidas e bebidas e se prepararam para ficar no hotel por vários dias, temendo pelo que poderia acontecer com suas casas, mas muitas já estão voltando.

"Não tem lugar como a casa da gente", me disse uma mulher que às 9 horas da manhã já estava pronta para ir embora.

A situação não é tão tranqüila, no entanto, em lugares como Beaumont, no Texas, e Lake Charles, na Lousiana, atingidos em cheio pelo olho do furacão.


24/09, sábado, 7h (9h de sábado em Brasília)

Fui dormir esperando acordar a qualquer momento com o alarme do hotel avisando que o furacão estava se aproximando, e os 3 mil hóspedes deveriam ir para o salão de festas do hotel, onde ficariam mais protegidos.

Em vez disso, acordei com o telefone celular tocando.

Bom sinal: não apenas o furacão não atingiu Houston diretamente, como os telefones estão funcionando. Assim como as luzes da cidade.

As ruas ainda continuam vazias, mas o número de carros nas grandes avenidas que circulam o centro já é bem maior do que ontem.

Rita poupou a quarta maior cidade dos Estados Unidos. O olho do furacão passou mais ao leste, na divisa entre os Estados do Texas e da Louisiana.

E provocou inundações e derrubou prédios em várias cidades do litoral dos dois Estados, mas a destruição, pelo menos pelas informações que chegaram até agora, foi menor do que se temia.

Ainda é um furacão categoria 2, mas a previsão é que se torne uma tempestade tropical até domingo.


23/09, sexta-feira, 22h (0h de sábado em Brasília)

"Do alto do 14º andar do Hotel Hilton, no centro de Houston, tudo parece estranhamente calmo. Calmo demais para quem espera um furacão de categoria 3 para as próximas horas.

Da enorme parede de vidro dá pra ver que as ruas estão vazias. Sem carro, sem gente. Somente carros de polícia guardam as ruas do centro da quarta maior cidade dos Estados Unidos, com uma população metropolitana de 4 milhões – incluindo 5 mil brasileiros.

E apesar da tempestade que se aproxima e já provocou chuva forte em outros lugares, o céu se mantém ensolarado durante boa parte do dia. Só começa a chover no início da noite. Ainda assim, uma chuva fraca, quase uma garoa.

Mas logo após um pôr do céu que tingiu o céu de um amarelo cálido, a mensagem da gerência do hotel na secretária eletrônica avisando que o hotel deve ficar sem energia elétrica durante a tempestade não deixa dúvidas: a cidade está prestes a receber a força devastadora de um dos maiores furacões já registrados na história dos Estados Unidos.

Mas a perspectiva de ficar sem energia elétrica não é que mais assusta. Já vim equipada com carregadores de carro para computador e telefone. O que dá medo é a possibilidade - bastante provável - de ficar sem comunicação telefônica. Sem telefone, como informar o que está acontecendo aqui?

Além disso, é possível que tenha que passar a noite com os outros 3 mil hóspedes do hotel - todos instruídos a levar sua coberta e travesseiro para o grande salão de festas do prédio, protegido do estrago que o furacão pode causar às janelas.

Por enquanto, pelo menos, o vento forte levou as nuvens embora e a cidade lá embaixo continua iluminada."

Pode ler-se mais sobre a temporada dos furacões AQUI e ver-se algumas fotos AQUI ou AQUI
e AQUI e ainda AQUI.

Publicado por Ana Tropicana às setembro 23, 2005 09:49 AM

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