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setembro 02, 2005

Eis, Enfim: a "Cooperação"!

Leio na edição de hoje do Diário de Notícias que, mais de um mês depois das primeiras referências ao alegado envolvimento de empresas portuguesas no "Mensalão", a Polícia Federal brasileira «vai contactar Portugal» e que a Polícia Judiciária declara ter já iniciado «uma "averiguação preliminar"».




PJ entra na pista do 'mensalão' brasileiro
Fonte: DN | Autor: Carlos Rodrigues Lima | Edição: 02 Setembro de 2005


A Polícia Federal (PF) do Brasil deverá contactar "nas próximas semanas" a Polícia Judiciária (PJ) no âmbito da investigação ao caso do "mensalão". A informação foi adiantada, ontem, ao DN pelo gabinete de comunicação da PF, em Brasília. Na sequência do envolvimento de nomes de empresas portuguesas no caso (sobretudo a Portugal Telecom e o Banco Espírito Santo), o DN apurou que a Judiciária já iniciou uma "averiguação preliminar", ou seja, uma recolha de informação que também tem passado por contactos informais com a PF no Brasil.

No contacto telefónico estabelecido com a PF, um dos assessores de imprensa disse ao DN que só ontem é que esta polícia "recebeu autorização do Supremo Tribunal Federal para continuar as investigações que até agora estavam um pouco paradas". Questionado sobre a existência de contactos com a PJ em Portugal, o mesmo assessor disse que até ao momento ainda não foram efectuados, mas "nas próximas semanas deverá acontecer esse contacto".

Já na passada semana, Giselly Siqueira, assessora de imprensa do procurador-geral da República brasileiro, António Silva de Souza, tinha afirmado ao DN que até ao momento não foi feito nenhum contacto oficial com o Ministério Público português, mas admitia esse contacto "no decorrer das investigações".

De acordo com informações recolhidas pelo DN, na Direcção Central de Investigação da Corrup- ção e Criminalidade Económica e Financeira (DCICCEF) já foi iniciada uma "averiguação preliminar", tendo em conta os ecos das comissões parlamentares de Inquérito no Brasil. Por outro lado, apesar de oficialmente ainda não ter existido quaisquer contactos, o DN sabe que tem havido informalmente um troca de informações entre a PF e a PJ. Após esta pré- -investigação, como a lei permite, será proposto ao MP a abertura ou não de um inquérito judicial.

Em causa estão os contactos alegadamente mantidos pelo publicitário Marcos Valério (que está no centro de toda a polémica) com elementos do grupo Portugal Tele-com e do Banco Espírito Santo. A denúncia de tais contactos, envolvendo a transacção entre negócios no Brasil e alegadas contrapartidas para o Partido dos Trabalhadores do Presidente Lula da Silva, foi denunciada pelo deputado Roberto Jefferson numa comissão parlamentar de inquérito conjunta que integra elementos do Congresso e do Senado. Segundo Jefferson, Marcos Valério tinha sugerido que promovesse junto da direcção do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) a transferência de uma conta de aproximadamente 600 milhões de dólares para o Banco Espírito Santo. Porém, após este depoimento, Jefferson viria a declarar que a "operação" portuguesa de Marcos Valério falhou, uma vez que ambas as empresas recusaram negociar com o publicitário.

Tanto a PT como o BES rejeitaram qualquer tipo de negociação com o publicitário brasileiro. Mas, o ex-ministro das Obras Públicas António Mexia acabaria por contribuir para a polémica quando afirmou ao Expresso ter recebido Marcos Valério na qualidade de "consultor" do Presidente Lula. Uma versão que viria, entretanto, a desmentir posteriormente.

Ricardo Espírito Santo, responsável do BES no Brasil, em declarações ao jornal O Globo, chegou a confirmar ter estado reunido com o ex-ministro José Dirceu (outro dos suspeitos no caso) para abordar questões relacionadas com os investimentos do BES no Brasil. No entanto, não ficou claro em que moldes é que a reunião foi convocada.

Publicado por Ana Tropicana às setembro 2, 2005 10:36 PM

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