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agosto 12, 2005

O Grande Conselheiro

O País continua a arder mas agora estamos todos mais tranquilos: pelo menos já sabemos onde pára o chefe do Governo! Ontem, a propósito da reunião sobre fogos que aconteceu (finalmente!) na Assembleia da República, foram feitas revelações de efeito profundamente calmante. É certo que o primeiro-ministro não apareceu, mas ficámos a saber pela boca do ministro de Estado, António Costa - em sua substituição - que «já não está no Quénia» em férias. Segundo António Costa, Sócrates «já está em Portugal» e «telefonou mais de duas vezes» a perguntar «se deveria voltar ou não», mas parece que como continuava a precisar de descanso «eu disse-lhe que não se justificava».
Afinal, até ao momento, são 118 mil hectares ardidos!...

Para estas e outras "revelações", ler AQUI.

Incêndios : Não há calamidadeFonte: Correio da Manhã | Autor: Cristina Rita / Carlos Ferreira | 2005-08-12

Em Portugal arderam 118 mil hectares até ao momento, mas, mesmo assim, o Governo entende que não se “justifica”, para já, decretar estado de calamidade pública.

Quem o disse foi António Costa, ministro do Estado e da Administração Interna e primeiro-ministro em exercício, perante os deputados numa reunião conjunta da Comissão de Assuntos Constitucionais e da Subcomissão de Agricultura.

Mais, Costa confessou que aconselhou o chefe de Executivo, José Sócrates, na altura em férias no Quénia, a não interromper o seu descanso. José sócrates já se encontra em Portugal mas continua de férias.

Perante a insistência do PSD e sobretudo do CDS-PP, o ministro adiantou: “O sr. primeiro-ministro telefonou-me mais de duas vezes a questionar-me se deveria voltar ou não. Eu disse-lhe, por mais de duas vezes que não se justificava interromper as suas férias. Se alguém cometeu um erro. Fui eu”, declarou.

António Costa revelou também que o próprio Presidente da República, Jorge Sampaio, o questionou sobre a necessidade de se deslocar aos locais mais afectados ou fazer uma intervenção sobre o problema. Costa insistiu que não e, acrescentou, que Belém enviou um adjunto de Sampaio aos locais mais problemáticos. Recorde-se, que em 2003, o Presidente ‘guardou o fato oficial’ e de forma quase incógnita viajou pelas zonas mais afectadas pelos incêndios.

Para tentar afastar mais críticas da oposição sobre a ausência de Sócrates, Costa revelou que é “alérgico” às atitudes dos políticos que “correm para as câmaras de televisão a chorar e a rasgar as vestes”.

Gestão política esgrimida, o ministro anunciou que a partir do próximo Verão, os helicópteros Puma vão ser desafectados das Forças Armadas e colocados ao serviço do combate a incêndios, enaltecendo a cooperação do Ministério da Defesa.

Sempre ’bombardeado’ sobre os meios aéreos disponíveis, Costa acabou por adiantar que no Orçamento de 2006, o Executivo já vai contemplar a aquisição destes meios. Só não sabe quantos ou de que tipo. Uma coisa é certa, o Estado não terá a actual frota de 49 meios aéreos, utilizados em sistema de aluguer (permanente ou não). Aqui, fez mais confissão. Estes processos negociais de aluguer são um autêntico “inferno”.

O Governo ainda explicou que, até agora, o Estado tem “25 milhões de euros de despesa já contratada” no uso dos referidos meios aéreos de apoio aos incêndios. Este valor pode aumentar, avisou Costa, até porque a época de incêndios pode prolongar-se até 15 de Outubro. E respondeu ao CDS, assegurando que poupou três milhões euros num contrato de dois helicópteros pesados, quatro médios e dois ligeiros, contra os seis pesados que o anterior Executivo pretendia. E acenou com o investimento de 1,5 milhões de euros na compra de novos veículos de transporte de água. No plano social, de apoio às famílias afectadas, o ministro garantiu que a Segurança Social já se está a inteirar dos problemas. Só faltou explicar se já há dados concretos dos danos.

Já o ministro da Agricultura, Jaime Silva, que teve menor destaque neste processo, acabou por garantir que o Ministério já accionou uma medida para recuperar o potencial produtivo. “Essa medida dá subsídios até 75 por cento, está aplicada e eu aguardo apenas as informações detalhadas das direcções regionais sobre a avaliação no terreno das percas”, garantiu Jaime Silva, sempre coordenado por António Costa.

Houve ainda um momento em que o BE sugeriu um pacto entre televisões para não mostrar o combate aos incêndios, como se faz na Galiza e nos Estados Unidos. Costa classificou a sugestão de errada, ao partir de um “agente político”, mas aconselhou as televisões a reflectirem sobre o assunto.

VILA POUCA "INDIGNADA" COM GOVERNO

O presidente da câmara municipal de Vila Pouca de Aguiar reagiu ontem com “indignação” ao facto do Governo não ter declarado o estado de calamidade pública em consequência dos prejuízos causados pelos fogos florestais.

Domingos Dias reagiu com “indignação, revolta e repulsa, por se tratar tão mal a pessoa humana e dar tão pouca atenção às vítimas desta tragédia”.

“A câmara municipal tem feito um esforço terrível, porque não temos tido o apoio do governo central”, afirma Domingos Dias, adiantando que o município “é que tem respondido aos casos humanos, reunido com as populações para saber quais as suas necessidades e distribuído roupa e alimentação”, com a ajuda da Cruz Vermelha. “A Segurança Social só está a fazer o levantamento das pessoas que efectivamente ficaram sem casa”, concluiu o autarca.

O presidente da Câmara de Pombal, outro dos concelhos mais atingidos pelos incêndios da semana passada, não dá relevância à não declaração do estado de calamidade. Para Narciso Mota, “o mais importante é que o Governo, através dos vários ministérios, preste o devido apoio” às vítimas dos fogos.

“Estou na expectativa e, de alguma forma, tranquilo, porque na sequência de uma reunião com o Governo Civil de Leiria percebi que havia sintonia quanto ao que é preciso fazer”, declarou Narciso Mota, embora reconhecendo que a população pode ter ficado “indignada e revoltada” pela não declaração do estado de calamidade pública.

“Mas, é preciso é que haja sentido de Estado e solidariedade para repor tudo o que foi destruído”, concluiu o autarca.

REACÇÕES

TERRITÓRIO DESORDENADO (PS)

O deputado socialista, Braga da Cruz, alertou ontem para o problema “do desordenamento do território” como um dos factores que maiores dramas causa nos incêndios.

"ABSOLUTA PASSIVIDADE" (PSD)

O deputado do PSD Montalvão Machado acusou o Governo de “absoluta passividade” e considerando que isso demonstra uma enorme insensibilidade social.

"RESPOSTA URGENTES" (PCP)

O deputado Agostinho Lopes culpou os governos PS e PSD pela falta de acções concretas contra os incêndios e exigiu “respostas urgentes para as populações”.

"FAZ-ME CONFUSÃO" (CDS-PP)

Nuno Melo insistiu na gravidade da ausência de José Sócrates: “Faz-me confusão”, afirmou. E lembrou que, em 2003, Sócrates definiu os incêndios como “uma pouca vergonha”.

ACORDO ENTRE TELEVISÕES (BE)

O deputado do BE, Francisco Louçã, sugeriu um acordo entre televisões como se faz “na Galiza ou nos EUA” para não se mostrarem imagens dos incêndios, salvaguardando a liberdade de Imprensa.

Publicado por Ana Tropicana às agosto 12, 2005 11:59 AM

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