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agosto 12, 2005

Mood

Jantar ainda à luz do dia. No melhor indiano que conheço a Lisboa: forrado a sebosos azulejos de casa de banho e com uma luz parda pegajoso-depressiva. O "mensalão" abre o telejornal. As declarações de ontem do Lula: devidamente recortadas e tricotadas, como convém. Para o diabo com o Fukuyama!... Muda de conversa que estavas até a ir muito bem, esta noite. E não, não entendo o discurso do fim das ideologias. Digo: «A vontade de mais é intrinsecamente humana. Toda a gente sonha com uma casa melhor, uma vida melhor, um país melhor, um amor melhor.» Há um garfo a cair no chão. Não sei que parte te irritou, se a do amor, se a do país. Paciência! Creio sim, que a Grande Nação Brasil há-de voltar a acreditar. Creio, pois! Num grande futuro brasileiro.

Publicado por Ana Tropicana às agosto 12, 2005 10:39 PM

Comentários

É verdade que a liberdade levou a formação de partidos políticos, sindicatos e de outras associações de opinião e interesses em todo o mundo e que moldou o fazer político, centrando-o nas ideologias, à esquerda e à direita, porém a História não segue caminhos pré-estabelecidos e nem tudo saiu como queriam Kant, Rousseau, Marx e outros.
No velho e sebento restaurante indiano falava-mos do PT, de política e da dor que o povo brasileiro arrasta consigo... a descrença de um povo.
Os partidos, principais agentes do paradigma político que se esgota hoje em dia , não conseguem mais traduzir nem representar a complexidade dos actores sociais, e subsistem num quadro de cepticismo com relação à própria política.
Hoje em dia há movimentos de todos os tipos, contudo a maioria reflecte ideais específicos, com objectivos que vão do particular, como os movimentos gays e raciais, até aos mais gerais, como os ecologistas. Neste novo contexto político globalizado, as micropolíticas assumem o lugar das Grandes Narrativas, é por isso que te falava do fim das grandes narrativas, no fim das ideologias, hoje em dia quem mais acredita que tudo o que Marx escreveu será posto em prática, quem assume tão alto este sonho, que será capaz de dar a vida por ele, de abandonar um amor ou a família, quem? conheces? Eu não....
Todos temos direito aos nossos grandes sonhos, mas não era desses que falava, o Brasil será sempre muito grande porém será sempre igual a tantos e tantos outros lugares grandes...até em Cuba já se bebe Coca-Cola é só preciso ter dólares para a comprar...
Quanto a grande nação Brasil eu estive lá e vi, tu estavas do meu lado e viste... mas fazer acreditar uma segunda vez num grande ideal, não no “grande” sonho de cada brasileiro casa melhor, uma vida melhor, um país melhor, um amor melhor, alias no “grande” sonho de todos os seres humanos.... achas possível?
Há um mundo onde os ciganos já não vendem cavalos, nem as ciganas já lêem a sina....
Quanto ao garfo simplesmente caiu....Um Beijo

Publicado por: kokas às agosto 16, 2005 07:48 PM

É verdade que a liberdade levou a formação de partidos políticos, sindicatos e de outras associações de opinião e interesses em todo o mundo e que moldou o fazer político, centrando-o nas ideologias, à esquerda e à direita, porém a História não segue caminhos pré-estabelecidos e nem tudo saiu como queriam Kant, Rousseau, Marx e outros.
No velho e sebento restaurante indiano falava-mos do PT, de política e da dor que o povo brasileiro arrasta consigo... a descrença de um povo.
Os partidos, principais agentes do paradigma político que se esgota hoje em dia , não conseguem mais traduzir nem representar a complexidade dos actores sociais, e subsistem num quadro de cepticismo com relação à própria política.
Hoje em dia há movimentos de todos os tipos, contudo a maioria reflecte ideais específicos, com objectivos que vão do particular, como os movimentos gays e raciais, até aos mais gerais, como os ecologistas. Neste novo contexto político globalizado, as micropolíticas assumem o lugar das Grandes Narrativas, é por isso que te falava do fim das grandes narrativas, no fim das ideologias, hoje em dia quem mais acredita que tudo o que Marx escreveu será posto em prática, quem assume tão alto este sonho, que será capaz de dar a vida por ele, de abandonar um amor ou a família, quem? conheces? Eu não....
Todos temos direito aos nossos grandes sonhos, mas não era desses que falava, o Brasil será sempre muito grande porém será sempre igual a tantos e tantos outros lugares grandes...até em Cuba já se bebe Coca-Cola é só preciso ter dólares para a comprar...
Quanto a grande nação Brasil eu estive lá e vi, tu estavas do meu lado e viste... mas fazer acreditar uma segunda vez num grande ideal, não no “grande” sonho de cada brasileiro casa melhor, uma vida melhor, um país melhor, um amor melhor, alias no “grande” sonho de todos os seres humanos.... achas possível?
Há um mundo onde os ciganos já não vendem cavalos, nem as ciganas já lêem a sina....
Quanto ao garfo simplesmente caiu....Um

Publicado por: kokas às agosto 16, 2005 07:52 PM

Acredito sim, repito, que a vontade de melhor é intrínsecamente humana e sobrevôa tenaz por cima das sínteses que organizam o geométrico puzzle das teorias políticas. Acredito sim, na subsistência de convicções mais polidas que a mera força motriz de um dólar. Há sim, uma legião de Grandes Guerreiros a viver debaixo do sol, gente que quotidianamente arregaça punhos hirtos e se arroga ainda e sempre a liberdade incondicional de confabular. Maravilhoso poder esse: o de acender lumes intensos e em seu redor sentar vontades firmes, desejos inabaláveis. Triste o mundo que cede ao efeito preverso de certos incautos destemperos. Triste a vida que não sobrevive à derrocada de um sonho. Acredito sim, na mágica capacidade humana de reerguer dos escombros sonhos outros. Acredito sim, num infindável leque de possibilidades renovadas. Rente à raiz: entre aqueles que jamais se perdem do que permanece genuíno. Onde alma, boca e coração falam uma e uma só língua coincidente. E sei que enquanto assim for, as Grandes Narrativas sobreviverão intactas e inteiras no peito cigano que, entre mil outras nobres ocupações, há-de continuar a vender cavalos e a ler a sina.
Sim, acho possível. Sim, sei ser possível.

Fica um abraço meu. De boas-vindas. Aqui. :)


Publicado por: Ana Tropicana às agosto 23, 2005 01:28 PM

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