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agosto 13, 2005

Frase do Dia

«Vai, abandona a morte em vida em que hoje estás»
Taiguara






Foto: Imira, Tayra, Ipy [autor: capa do album de Taigura - 1976]




«Vai» - Taiguara (1945-1996)

Vai,
abandona a morte em vida em que hoje estás,
Ao lugar onde esta angústia se desfaz,
E o veneno e a solidão mudam de cor,
Vai indo amor...
Vai, recupera a paz perdida e as ilusões,
Não espera vir a vida as tuas mãos,
Faz em fera flor ferida e vai lutar,
Pro amor voltar...
Vai, faz de um corpo de mulher estrada e sol,
Te faz amante,
faz teu peito errante, acreditar que amanheceu...
Vai, corpo inteiro mergulhar no teu amor,
E esse momento, vai ser teu momento,
O mundo inteiro vai ser teu... teu... teu.
Vai, abandona a morte em vida em que hoje estas,
Ao lugar onde esta angústia se desfaz,
E o veneno e a solidão mudam de cor,
Vai indo amor...




Uma pérola perdida, entre os vinys que herdei. Recordo-me do trauteio do homem que cantava e de ouvir conversas em viés que falavam dele como um "baladeiro" do amor e das liberdades. Sei pouco mais sobre Taigura: apenas que fazia parte da 2ª geração da Bossa Nova, de onde sairam Chico e Toquinho e que a primeira canção que cantou ao vivo foi «Poema dos Olhos da Amada» de Vinícius de Morais e Paulo Soledade - fantástica escolha, se me é permitido. Movia-se perto do bairro de Santa Teresa e cantava nas noites do Rio, no mítico "João Sebastião Bar". Nos entretantos da vida, cruzou caminhos com Miele, Ronaldo Boscoli, Claudete Soares, Jongo Trio, e mais tarde com Eliana Pittman, Cipó, Dori Caymmi e Luís Eça, no «Farnheit 2000», um show que em 1968 se transformaria em disco através da Odeon. Sei que era pouco dado a concessões, que teve problemas muitos com a borracha da censura, que liderou a resistência contra a repressão da ditadura militar a que o Brasil esteve sujeito durante vinte anos, e que viveu no exílio a maior parte da vida. Este álbum sobrevivente, "Imira, Tayra, Ipy" , por exemplo, sei que tinha lançamento previsto durante a celebração do 1º de Maio, em 1976, num grande espectáculo nas ruínas das Missões Jesuítas, no Rio Grande do Sul, com Taiguara ao lado de Hermeto Pascoal, Ubirajara, Toninho Horta e Novelli. O espetáculo foi cancelado, e Taiguara, mais uma vez, partiu, desapontado, para um novo exílio. Esteve em Londres (1973), Paris (1976), Tanzânia e Etiópia (1978), voltando então ao Brasil e partindo novamente para Nova Iorque (1994), onde ainda morou por alguns meses.

Quando morreu, andava a pesquisar sambas que falassem da pobreza e da alegria de viver nos morros cariocas. O seu próximo trabalho seria dedicado ao samba carioca, e nele planeava incluir regravações de Noel Rosa e Paulo Cesar Pinheiro, entre outros. Poucos são, em Portugal, aqueles que se lembram de ter ouvido Taiguara, mas mesmo os que guardam memória frágil da sua voz, sabem que a versatilidade foi talvez o maior prémio que levou da vida conturbada que os anos lhe deram. Tocou de tudo: guarânia paraguaia, samba de morro, bossa-nova, pop-rock.

Publicado por Ana Tropicana às agosto 13, 2005 01:19 PM

Comentários

Amig ANA
Se vc gosta do Taiguara visite, e se puder, deixe uma mensagem.

http://taiguaralivre.blogspot.com/

http://flamas.blogger.com.br/

ABREIJOS DE UM BRASILEIRO MUITO TAIGUARIANO.
Jocimar

Publicado por: jocimar às agosto 19, 2005 08:55 PM

Obrigado pelas pistas que deixa à sugestão! Passarei seguramente por lá, numa dessas andanças vadias pelo ciberespaço.

Devolvo o abraço:)

Publicado por: Ana Tropicana às agosto 23, 2005 12:42 PM

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