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agosto 28, 2005

Sob o Signo do Fogo


engolidora de fogo de ana tropicana

Olho no recorte da noite de lua minguada, as duas engolidoras de fogo. Reparo nos pés nús sobre a areia da praia. E percebo que o que resulta belo não é o domínio das chamas, mas o respeito pelo que arde. Percebo a enorme diferença de efeitos que existe entre cuspir e engolir. Reparo que não brincam com o fogo. Antes deixam o fogo brincá-las. Como quem sabe que nada do que é sagrado se profana. As duas engolidoras de fogo. Esta noite. Ainda agora, há pouco: lá em baixo, na praia.















Fotos: Engolidora de Fogo (autor: Ana Tropicana)



A rapariga na foto chama-se Catarina. Quer esquecer-se do apelido. Fugiu dos estudos, da casa, das regras do berço. Corre as praias do litoral a engolir fogo. Algures encontrou a Mónica. Tinham um mesmo fascínio: as chamas. Conversam pouco. Confessam que às vezes ficam vários dias em silêncio por não terem o que dizer uma à outra. Dormem onde calha. Passam sede juntas e alguns outros sobressaltos também. Nunca nenhuma falhou quando a outra precisava. Só por isso acham que são amigas. Se conseguirem poupar o suficiente, no final de Outubro vão atrás dos saltimbancos que ainda povoam algumas planícies da Andaluzia. Sonham correr um dia a Roménia, mas não explicam porquê. Também não pergunto: elas lá sabem. Querem ver mais, saber mais, aprender mais. Dispensam os truques. Gostam das coisas reais. Palpáveis, como o fogo. Boa sorte, ás duas!


Publicado por Ana Tropicana às agosto 28, 2005 04:27 AM

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