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agosto 15, 2005

No Palácio do Rei do Mar


ray of light de ana tropicana

«Talvez eu vá ficando igual à armadilha da qual os pescadores dizem ser apenas água.»

... Por isso entro no teu quarto e conto-te em silêncio coisas do amanhecer.













Foto: Ray of Light [autor:Ana Tropicana]




«E (...) quase me cega a perfeição como um sol olhando de frente. (...) De forma em forma vejo o mundo nascer e ser criado. Sem dúvida um novo mundo nos pede grandes palavras, porém é tão grande o silêncio e tão clara a transparência que eu muda encosto a minha cara na superfície das águas lisas como um chão. (...) As imagens atravessam os meus olhos e caminham para lá de mim. Talvez eu vá ficando igual à armadilha da qual os pescadores dizem ser apenas água. (...) Ressoa a vaga no interior da gruta rouca e a maré retirando deixou redondo e doirado o quarto de areia e pedra. (...) Desertas surgem as pequenas praias. Eis o mar e a luz vistos por dentro. (...) Os palácios do rei do mar escorrem luz e água. Esta manhã é igual ao princípio do mundo e aqui eu venho ver o que jamais se viu. O meu olhar tornou-se liso como um vidro. sirvo para que as coisas se vejam. (...) Aqui um líquido sol fosforescente e verde irrompe dos abismos e surge em suas portas. (...) A linha das águas é lisa e limpa como um vidro. (...) Tudo está vestido de solenidade e de nudez. Ali eu quereria chorar de gratidão com a cara encostada contra as pedras.»

Adaptação a partir de As Grutas, de Sophia de Mello Breyner Anderson

Publicado por Ana Tropicana às agosto 15, 2005 08:14 AM

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