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julho 31, 2005

Tambores


a noite dos karajás de ana tropicana

Como dizem os Karajás, cuja visão vai além do céu vermelho, «No mundo dos vivos, coragem é preciso!». É por isso que, quando preciso de um pouco mais de ar, apuro o ouvido ao eco dos magos da floresta, que avisam os filhos das tribos: «Só os valentes não serão devorados pelos deuses-canibais» .

E então, como agora, costuma acontecer-me escutar o bater do meu tambor crescer do Tejo e estremecer o duro chão desta Lisboa adormecida.









Foto: Ritual do Fogo [autor: Ana Tropicana]


Por maior que seja o breu da noite, há sempre um dragão pronto para subir ao céu em nosso nome. Há sempre um amor que nos salva das dores menores.


«Foi você que me ensinou a ser feliz
Delirando sobre as asas da ilusão
Meu novo amor , Meu doce amor
Inspiração!
A razão de não viver mais sem você
é o amor mais escondido às profundezas no olhar de um coração
Resplandesceu o absoluto amor»


... Podia ser só uma canção de amor, mas não é. Vai muito para além. É uma toada das tribos, toscamente traduzida para a língua portuguesa.

Publicado por Ana Tropicana às 10:04 PM

A Festa das Tribos


aqui é Juruti de ana tropicana

Nesta época do ano, os Povos da Floresta tomam a direcção de Juruti, um município nos cafundós ribeirinhos, a oeste do Pará - Okara Sagrada da Festa Tribalesca ("Okara" que significa "morada" na linguagem indígena) que há-de encerrar a disputa entre os grupos Muirapinima e Mundurukus. Por três luas o vermelho dos azuis enfrenta o vermelho dos amarelos em clareira limpa, num grande Tabacuri Místico das ancestrais etnias que compõem o mosaico tribal da Nação Tupi.




É a Amazônia - fonte de vidas, pátria de mitos e lendas - a falar da importância da preservação dos rios e das matas, a ressaltar em ritos sagrados o retrato alado da mágica biodiversidade da floresta.


Fotos: Rumo a Juruti [autor: Ana Tropicana]




Este ano acontece a 10ª edição do Festival das Tribos, considerado o maior da região do Baixo-Amazonas, após reconhecimento oficial como evento de carácter cultural, devidamente registrado no calendário cultural do Estado do Pará.

Desde o mês de Abril, as tribos Mundurukus e Muirapinima vêm ensaiando as coreografias e rituais indígenas que serão apresentados na arena do festival. Os ensaios acontecem nas 'okaras', nome indígena dado às quadras pertencentes aos grupos rivais.

Quem chega pelo Porto de Juruti já pode sentir o clima de animação que toma conta da cidade. As tribos fazem apresentações diárias para receber os visitantes. E durante todo o mês de julho, os ensaios das tribos, com a participação ao vivo das batucadas que acompanham cada uma, transformaram-se na principal atracção noturna da cidade. "As okaras das duas tribos ficam lotadas todas as noites. O público dança e canta as músicas junto com os integrantes. emocionante", explicou-me, ainda durante a viagem de barco, Luiz Souza, que estuda em Belém, mas aproveita religiosamente as férias para "peregrinar" todos os anos a Juruti, por altura da festividade das tribos.

Nos barracões das tribos, os artistas locais trabalham 24 horas para concluir as fantasias e as gigantescas alegorias, que já são a marca registrada da festa. Entre as matérias-primas utilizadas na confecção dos adereços estão a fibra de juta e a palha. Ainda assim, continuo a achar que o traço mais fascinante da celebração é a arte da pintura corporal indígena, que cada tribo recupera na tentativa de se aproximar ao máximo da que é feita nas entranhas da floresta pelos índios da região.

Trazer os rituais para os municípios imprime, inevitavelmente um certo cunho turístico ao acontecimento e obriga à participação de outro tipo de cambiantes que possuam o conhecimento e a destreza necessária a colocar de pé o festival numa estrutura complexa e urbanizada como o são já as pequenas cidades de município, como Juruti. Ainda assim, creio que é interessante o envolvimento de antropólogos, historiadores e folcloristas da cidade, pelo trabalho de intensa pesquisa a que obriga, em torno do tema definido como mote pelos Mundurukus e Muirapinima , e que é desenvolvido durante todo o ano, na preparação dos três dias da apresentação das tribos. Sei que chegam a passar dias nas aldeias da região em busca de novas inspirações e lendas.

Tanto cuidado e dedicação começa, finalmente, a trazer como recompensa uma certa visibilidade da tradição cultural, necessidades e protestos da região. A cada ano que passa, e à medida que se torna mais conhecido e divulgado, o Festival desperta o interesse de pessoas de todo o Brasil e até do exterior, encantadas com a riqueza cultural da região e da festa em si. Uma delas é a estudante de História da UFPA, Rosiane Marques, que desenvolve uma tese de mestrado em Antropologia sobre o trabalho das tribos Mundurukus e Muirapinima. "Só vindo aqui para descobrir como é interessante esse trabalho de pesquisa sobre a cultura indígena feito por eles", confessou-me ela, há um ano atrás, quando nos cruzámos em Juruti.

Em Lisboa, recebo feliz o telefonema de Christian Emanoel, da Coordenadoria de Comunicação Social do Governo do Estado. Ele e Claúdio Santos, estão no local.

Fico a saber que para comemorar os 122 anos do município, o perfeito, Henrique Costa, encomendou à laia de prsente de aniversário o "Auto da Fundação de Juruti - Uma visão indígena", um espetáculo que vai contar em 40 minutos como os primeiros habitantes da cidade, os índios Mundurukus, reagiram à chegada dos portugueses, liderados pelo padre jesuíta Manoel Sanches de Brito, em 1818.

Apesar da subjectividade da apreciação, sussuram-me que este ano a Tribo dos Mundurucus é uma das que monopoliza a atenção do público. Através deles, sei que a Prefeitura de Juruti, o Governo do Estado e o Basa abriram os cordões à bolsa e decidiram ajudar com patrocínios. Comentamos: «até que enfim!» - mais que não seja porque o Festival das Tribos também "aquece" o comércio de Juruti, mudando o ritmo da cidade e fazendo aumentar as vendas 30% nesta época do ano. Christian diz-me que chegaram à cidade caravanas vindas de Manaus, Parintins, Óbidos, Oriximiná, Terra Santa e Faro. Conta-me também que houve um grupo de jipeiros de Santarém que fez o caminho de Juruti, pela rodovia Translago, que liga os dois municípios. Segundo apurou junto da coordenação do evento estima-se que hoje (Sábado) estarão no local 30 mil pessoas, considerando que é o dia mais importante, pois é quando as duas tribos se enfrentam na arena.

Christian passa depois o telefone a Claúdio que promete fazer-me chegar as fotografias que tirar. Extraordinário o instinto de captação da lente de Claúdio! Sempre achei. É ele quem me descreve as modificações que encontraram em Juruti, quando chegaram, principalmente na zona do tribódromo, como é conhecida a arena onde os grupos se apresentam. Por telefone, conta-me que a prefeitura construiu uma grande estrutura no entorno da arena de modo a garantir maior conforto aos visitantes. Christian é um pouco mais lacónico. Para ele as melhorias prendem-se com o facto de Juruti estar sediando um novo projeto de exploração de bauxita, desenvolvido pela multinacional ALCOA. Seguramente que todos os estrangeiros que se encontram temporariamente deslocados na região estão relacionados com a previsão de que este seja um dos festivais mais concorridos dos últimos anos. E com o apoio da Perfeitura, também.





A propósito do projecto de exploração de bauxita e da multinacional ALCOA... deixo um artigo muito interessante, publicado ainda que já no mês de Maio, onde se parte justamente de um lenda associada à fundação da cidade de Juruti para equacionar o impacto do projecto:




Juruti e Canaã: revoluções?
Fonte: Jornal Pessoal | autor: Lúcio Flávio Pinto | Publicado: 04/05/2005


Diz a lenda que pesa sobre Juruti a maldição do padre João Braz. Autoritário, o pároco acabou provocando a revolta do seu rebanho, numa época em que Juruti ainda era vila do município de Óbidos, no início do século passado.

A igreja teve que removê-lo à força, para atender à pressão dos moradores do local. Antes de embarcar num velho vapor que o levaria para sempre de sua base missionária, o padre limpou de suas sandálias franciscanas qualquer resquício do solo jurutiense e amaldiçoou seus desafetos. Eles pagariam caro pelo que estavam fazendo.

De fato, Juruti parou no tempo, distanciando-se dos demais municípios do Baixo Amazonas, tendo como centro a vizinha Santarém, no extremo oeste do Pará, na divisa com o Estado do Amazonas. Seu índice de desenvolvimento humano o coloca entre os mais atrasados municípios paraenses. Sua beleza e suas riquezas naturais pouco serviram para melhorar a vida de seus 31 mil habitantes.

Mas tudo pode estar mudando. Já está mudando. A maior produtora de alumínio do mundo, a americana Alcoa, chegou a Juruti há dois anos. Mesmo ainda na fase de pesquisa de bauxita, o minério a partir do qual é extraído o metal, a Alcoa já é a maior empregadora do município, a maior fonte de renda, a maior contribuinte de impostos e a maior fonte de preocupações e esperanças, com pouco mais de 100 empregados.

Mas os planos da multinacional, que fatura 40 bilhões de dólares (mais de 100 bilhões de reais) ao ano e tem 110 mil empregados espalhados pelos quatro continentes, representam uma autêntica revolução. Para confirmar ou finalmente acabar com a maldição do furibundo padre João Braz, que persiste na memória dos munícipes como um estorvo.

A Alcoa pretende investir US$ 400 milhões (em torno de R$ 1 bilhão, ao câmbio do dia) para produzir inicialmente, a partir de 2008, 4 milhões de toneladas de bauxita, podendo vir a produzir também alumina no futuro.

Da outra margem do rio Amazonas, a Mineração Rio do Norte produz 17 milhões de toneladas do mesmo minério. Quando começou a funcionar, em 1979, a MRN previa não passar de 6 milhões, mas foi ampliando a escala à medida que a procura por bauxita crescia. Seu investimento acumulado já bate em um bilhão de dólares.

A Alcoa conhece bem a região. É uma das sócias da Companhia Vale do Rio Doce na Rio do Norte, instalada no município de Oriximiná. Pretendia explorar sozinha uma jazida vizinha, no Trombetas, mas acabou se associando à MRN porque era mais barato e cômodo.

Agora quer ter mina própria. Com ela, vai garantir o suprimento da fábrica de alumina que implantou, junto com outra multinacional, em São Luís do Maranhão. A Alumar, por enquanto, é abastecida pela MRN, mas quer se livrar dessa dependência, principalmente porque vai se expandir, junto com sua irmã-siamesa na capital maranhense, a fábrica de alumínio, a segunda maior do Brasil, abaixo apenas da Albrás, que fica em Barcarena, a 50 quilômetros de Belém. A Albrás também funciona ao lado de uma usina de alumina, a Alunorte, a maior do mundo. Ambas são controladas pela CVRD, em sociedade com japoneses e outras multinacionais. Representam investimento superior a US$ 2 bilhões.

Números e situações como essas nunca estiveram ao alcance dos habitantes de Juruti. Sua economia mal vai além da subsistência. Seu principal produto é a farinha de mandioca. Vista de uma ótica interna, sua vida atual pode ser considerada como sendo de maior plenitude do que a que a espera. Os jurutienses vivem em comunidades tranqüilas. Têm aquilo de que precisam, desde que essa necessidade não vá além do elementar, para mera sobrevivência. Mas também, de moto próprio, dificilmente sairão dessa situação.

O Projeto Juruti vai alterar todo esse quadro de vida tradicional. Isso é bom e ruim. Há um lado positivo evidente, mesmo na fase prospectiva, ainda cercada de indefinições e desconhecimentos. A Alcoa teve que avaliar o impacto socioambiental do seu investimento na área.

Antes, o EIA-Rima era pouco mais do que uma formalidade. Ocupava prateleiras, motivava uns poucos debates em ambiente fechado, e pouco mais do que isso. Hoje, o documento precisa ter consistência. Do contrário, a empresa pode não obter o licenciamento ambiental da sua obra, que se tornou um dos momentos mais difíceis e tensos no cronograma de quem não se importa com os aspectos sociais e ambientais do seu investimento.

Mas a exigência não é apenas de qualidade técnica: o EIA-Rima tem que ser submetido à apreciação da população. Anteriormente, havia audiências públicas só no local do projeto. Agora, elas se estendem à capital e podem se multiplicar, como no caso da Alcoa, que já fez três audiências e pode ter que realizar uma quarta, em Juruti Velho, já solicitada à Sectam (Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do Estado).

Esse tipo de debate ainda não atingiu um ponto de maturidade satisfatório, mas tem melhorado. A sociedade está aprendendo a estudar os documentos, a projetá-los sobre fatos concretos e a reivindicar além do quadro de referência estabelecido pela empresa.

Há que chegar a um ponto de equilíbrio entre a atitude de cobrança sem limites e a postura de aceitar o que lhe concedem, como manda o ditado popular em relação ao cavalo dado (sem olhar-lhe os dentes). O percurso é longo, mas sua direção já foi divisada.

O Projeto Juruti se apresenta como o melhor laboratório dessa evolução. O EIA-Rima permitiu diagnosticar a situação de uma comunidade humana que simplesmente foi ignorada até agora. Ela vive num paraíso original, delimitado por lagos, animais, árvores, plantas. Mas vive mal nessa bela paisagem. E não vive mais isolada, como antepassados recentes. Pode estar ameaçada por contatos ainda mais graves, como o da frente da soja, que já sangra sua vizinha, Santarém. Precisa melhorar.

Há argumentos disponíveis para os defensores do ingresso da Alcoa, tanto como confirmação da maldição do pároco bilioso quanto de sua negação. A vizinha Oriximiná serve de vitrine para essas reflexões. O município está mais rico do que antes, melhorou materialmente, tem perspectivas. Mas não parece ter tirado todos os benefícios possíveis do investimento da MRN. A mineradora chegou até a reduzir seu capital, por considerá-lo excessivo, sem se importar em identificar quanto de dinheiro oriundo de incentivo fiscal (ou seja, de renúncia fiscal do governo) havia nesse capital a encolher. Pegou uma multa milionária da Receita Federal por essa "desatenção" e se desgastou com o episódio. Não se recuperou até hoje, embora continue lucrando muito.

Espera-se que a Alcoa não se seduza por essa derrapagem e a população de Juruti se instrua a partir desse exemplo. O EIA-Rima delimita competentemente o âmbito do projeto, mostrando até onde vai seu efeito direto e até que ponto alcançam os efeitos indiretos. Essa é a responsabilidade social estrito senso da empresa. Mas ela precisa contribuir para evitar um dano social e ambiental mais sutil, embora, às vezes, mais profundo e duradouro.

No auge da minha tiligância com a Eletronorte em torno da construção da hidrelétrica de Tucuruí, alguns técnicos me levaram para visitar os nucleamentos da beira do Tocantins, que seriam inundadas pela barragem, e as novas vilas, que a empresa edificaria em locais fora do futuro reservatório. Voltei depois para conferir minhas restrições ao discurso triunfalista dos técnicos. De fato, as novas vilas tinham maior e melhor infraestrutura do que os antigos povoados, mas a população, separada do rio, vivia pior. Perdera seu eixo de vida, no mais amplo sentido, que os engenheiros não podiam (ou não queriam) perceber.

Se fossem qualitativos (sociológicos, antropológicos e mesmo psicológicos), os medidores mostrariam que a transformação, para os nativos, não foi para melhor. Esse componente novo na avaliação deve ser aplicado no licenciamento ambiental do Projeto Juruti para prevenir, evitar, mitigar e compensar os danos que vai causar à natureza e ao homem da região, ao romper seu equilíbrio. O equilíbrio é, atualmente, a razão de ser da pobreza, cercada de mitologias.

Mas a revolução provocada pela aplicação maciça de capital e tecnologia, como nunca houve em toda região, para a criação de uma mercadoria nova, como a bauxita, de valor incomparavelmente superior ao de qualquer outra mercadoria existente no município, não pode se ater a dados numéricos, a grandezas materiais. A economia imaterial deve ser levada na conta devida: aquela que representa para os nativos, agora.

Essa perspectiva, contudo, não deve ser o canto de sereia para uma visão passadista, para um épico populista e um discurso paternalista, que acabarão por também desorganizar por dentro a comunidade local. O religioso de hoje pode ser o oposto do padre mandão de ontem, para o qual rebanho bom é o de carneiros obedientes, mas o mundo também mudou na Amazônia.

Tornou-se extremamente complexo e sofisticado, para poder ser reduzido a um maniqueísmo dogmático (o bem límpido de um lado, o mal estigmatizado do outro). Juruti poderá ganhar muito se estudar o que acontece simultaneamente em Canaã dos Carajás, do outro lado do Estado, em estágio mais adiantado. Canaã já abriga um dos maiores empreendimentos econômicos do Pará, a mineração de cobre da Serra do Sossego.

A mesma Companhia Vale do Rio Doce, dona de quase toda a província mineral de Carajás, está iniciando ali mesmo um novo projeto, ainda maior, de quase R$ 2 bilhões, para gerar mais uma mercadoria nova na cesta de produtos do Estado: o níquel.

Simultaneamente, ensaia uma autêntica revolução tecnológica. Em planta experimental, de 10 mil toneladas (equivalente a 8% da produção comercial de Sossego), testa um novo caminho tecnológico para concentrar o cobre, usando muito menos energia, solventes no lugar de fundentes e podendo aproveitar minério de teor mais baixo. Um resultado satisfatório dará viabilidade comercial para a maior - mas também menos rica e mais complicada - jazida de cobre do país, a do Salobo. A hidrometalurgia confirmada, Carajás vai acabar com os gastos brasileiros de todos os anos, de uns US$ 400 milhões, na importação de cobre, e fazer o Brasil pular para o topo dos produtores mundiais.

Cobre e níquel são as duas grandes novidades dessa província mineral de 20 mil quilômetros quadrados. Mas seu produto tradicional, o minério de ferro, também dará saltos. O máximo que se imaginava para ele quando começou a produzir, duas décadas atrás, eram 20/25 milhões de toneladas. Hoje, sua escala está triplicada. Poderá bater em 130 milhões de toneladas no final da década, se incorporar a jazida mais importante, da Serra Sul (com 11 bilhões dos 18 bilhões de toneladas existentes).

A região de Carajás, em uma década, deverá estar com o valor da sua produção de origem mineral ultrapassando a marca de R$ 10 bilhões. Provocará uma transformação que, no momento, mal podemos divisar. Boa ou ruim? Positiva ou negativa? Qual o saldo de ambas as alternativas?

Canaã dos Carajás já possui uma fundação e uma agência de desenvolvimento municipal, que irão administrar os recursos a serem repassados pela CVRD para o cumprimento de sua responsabilidade social. As duas estruturas estão à altura dos desafios que as esperam? Têm verdadeira autonomia? Dispõem de capacidade técnica? São representativas? Estas e várias outras perguntas devem ser feitas antes de um juízo adequado sobre a situação.

Mas pelo menos já há a quem fazê-las. Na maioria dos casos o controle da empresa era total ou completo o despreparo da população. A combinação dos dois fatores resultou no final infeliz da exaustão da mina de manganês de Serra do Navio, no Amapá. Os royalties foram mal aplicados e o fundo de exaustão ou não teve os recursos necessários ou foi mal gerido. Até hoje o governo do Estado não aceita a reversão do patrimônio e a Icomi não consegue encerrar a relação contratual. Ficou um buraco real, o da lavra, e um simbólico, o jurídico. Com uma mesma vítima: a sociedade.

O grande projeto não pode continuar a ser um cavalo de Tróia, que traz o autêntico presente de grego nas entranhas de uma aparência monumental. Tem que se enraizar na localidade onde existe e ser uma fonte de relação comercial proveitosa para a unidade federativa (e o país) que o abriga. Esses resultados são impossíveis? A condição de enclave inviabiliza a relação positiva? Em tese, sim. Mas está na hora de submeter a tese a um teste definitivo.

Juruti precisa escolher, primeiro, se quer continuar como está ou se modificar. Em seguida, é preciso entender o melhor possível a proposta de mudança que lhe está sendo apresentada, explorando suas máximas possibilidades. Além das compensações, dos direitos e do fundo de exaustão, conforme a norma legal exige, um fundo de desenvolvimento, a ser administrado por uma agência pública, controlada por uma fundação, seriamente constituída, parece um passo à frente nessa novela de mau gosto dos grandes projetos. Pode ser, finalmente, uma mudança para melhor. Não em função de soluções santificadas ou amaldiçoadas, mas das possibilidades do próprio homem.




Não só o ALCOA ameaça esta região. Leia-se o relato preocupante e comovedor que a ACESA faz no seguinte documento, divulgado pelo Grupo de Trabalho Amazônico.




SOS Juruti Velho

O manifesto SOS Lago de Juruti Velho grita por ajuda para as comunidades locais no município de Juruti (PA) contra invasores de terras. O Lago de Juruti Velho, localizado à margem direita do rio Amazonas, é mencionado na Enciclopédia Amazônica como “um dos mais belos lagos da Amazônia” e com grande potencial para o turismo - mas corre o risco de ser destruído antes de ser descoberto no seu valor verdadeiro. Ao redor do lago encontram-se mais de trinta comunidades ribeirinhas, com cerca de 6.600 habitantes descendentes do povo Munduruku, pessoas carentes e excluídas como é o caso no interior de quase todos os municípios da Amazônia.

O município de Juruti é pequeno e pobre, com cerca de 30 mil habitantes que vivem da agricultura familiar, da caça e pesca, do pequeno comércio, de aposentadorias e de empregos na prefeitura, estes últimos concedidos exclusivamente a quem apóia o actual prefeito sem respeito por concursos públicos e qualificação dos concorrentes. O desemprego e a carência são grandes, de modo que muitas pessoas estão dispostas a aceitar qualquer emprego sob quaisquer condições. O prefeito se beneficia desta situação de miséria mantendo o povo em dependência, não apoiando movimentos populares e insultando os seus líderes.

Questão fundiária

A falta de vontade política, tanto municipal como estadual e federal, responde pelo facto de que nenhum morador da região de Juruti Velho possua documentos dos seus terrenos, embora o povo tenha lutado desde 1986, pedindo a legalização das terras, fazendo abaixo-assinados e levantamentos, trazendo equipes do Incra e promovendo inúmeras reuniões.

A área em questão, chamada Gleba Vila Amazônia/Juruti Velho, de 221 000 hectares, é "propriedade" do cidadão de São Paulo, Luiz do Vale Miranda (desconhecido pela população nativa desta terra). O INCRA alega que faltam recursos para a desapropriação e fica, a cada ano, na promessa renovada de legalização das terras. Enquanto isso, os moradores da região são prejudicados nos seus projetos, não podendo contrair empréstimos do crédito agrícola e até sendo insultados, pelo próprio gerente do BASA, como “invasores” e “ocupantes ilícitos” da terra que, de facto, herdaram dos seus antepassados indígenas.

As autoridades, desrespeitando as necessidades e direitos das populações tradicionais, mostram-se, em nome do “progresso” e “desenvolvimento”, bem mais generosas para com os exploradores comerciais desta terra, como as empresas madeireiras, de mineração e de plantio de soja, não colocando nenhum obstáculo nas suas actividades predatórias e menos ainda impedindo esta invasão.

Madeireiras

Há décadas, a região está sendo cobiçada e invadida por diversas madeireiras, tanto empresas estrangeiras (como a EIDAI), como pequenos e médios empresários individuais que revendem a madeira às grandes empresas, apesar dos inúmeros abaixo-assinados, protestos, denúncias e inclusive apreensões de madeira levadas a cabo pela população nativa. Embora existindo um Projeto de Plano de Manejo, o corte de árvores continua a ser realizado em toda a região mais fora que dentro do projeto e inclusive em terrenos particulares dos moradores que, pelas ameaças de morte, vão perdendo a coragem de denunciar tais procedimentos.

Em nenhuma parte há reflorestamento nem maneira de trabalhar digna do nome de Manejo Florestal. A devastação é grande e o IBAMA, chamado pela população e levado para a vistoria in loco várias vezes, sempre constata a irregularidade de ditas actividades madeireiras, proibindo a sua continuação. Porém, como faltam a fiscalização e o apoio do poder executivo municipal, a destruição continua.
Conforme o IBAMA, outras 247 grandes e pequenas empresas já deram entrada para Projetos de Plano de Manejo na região.

Alcoa – Projeto Juruti

Uma das maiores companhias de alumínio no mundo, a multinacional ALCOA Inc., instalou um projeto de mineração de bauxita nas margens do Lago Grande de Juruti Velho. O trabalho de prospecções através da prestadora de serviços Senior Engenharia começou em 2001. Sem se comunicar ou procurar acordo com a população, a ALCOA está já a pesquisar outras áreas, chegando até o limite com o município de Santarém. Fala-se em construir uma hidroelétrica no intacto rio Xingu (Belo Monte) para atender essa empresa consumidora de grande quantidade de energia eléctrica e transferida para um país subdesenvolvido pelas suas matrizes nos países ricos. A empresa diz-dona de uma área de 50 mil hectares, dos quais 25 mil são destinados à extração de bauxita.

O desmatamento de 8 mil hectares já se dá como facto indiscutível. Nas diversas publicações da empresa, os números, tanto da área como do volume das jazidas e do tempo previsto de exploração, variam. Para a ALCOA, sendo ela uma empresa multinacional e poderosa, prometendo empregos, impostos e dólares, a questão fundiária parece inexistente. Os órgãos públicos e o poder político são coniventes com todo o procedimento por parte da empresa, ignorando a existência de pelo menos 30 sítios arqueológicos, de cultura e populações tradicionais e de uma biodiversidade exorbitante e, por partes, desconhecida.

A área de influência directa do empreendimento, onde moram umas 1800 famílias, está parcialmente degradada pelo uso pastoril e de agricultura, assim como pela devastação causada pelas madeireiras. Mesmo assim existem, conforme consta no relatório preliminar da CNEC Engenharia Ltda., contratada pela ALCOA para a elaboração do EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental/Relatório do Impacto ao Meio Ambiente), grandes partes de mata virgem (Floresta Ombrófila Densa das Terras Baixas e Floresta Ombrófila Densa Submontana), contando com fauna e flora diversificadas. Existem pelo menos três espécies de árvores protegidas: o Pau-Rosa (Aniba rosaedora), a Castanheira-do-Pará (Bertholletia excelsa), e o Jutaí Vermelho (Hymenaea courbaril). Foram encontradas várias espécies de animais ameaçadas de extinção, entre outras a onça pintada (Panthera onca), a onça vermelha (Panthera puma), a suçuarana (Felis concolor), o gato maracajá (Felis wiedii), a jaguatirica (Felis pardalus), e o peixe-boi (Trichechus imunguis). Outras espécies extremamente raras como a arara azul (Anodorhynchus hyacinthinus), a arara vermelha (Ara chloroptera), e o uirapuru (Cyphorhinus aradus) existem em populações viáveis.

Também a área degradada ("Floresta com Sinais de Exploração") constitui um ecossistema digno de preservar. A maior parte conta com mata alta rica em andiroba, cumaru, itaúba, copaíba, amapá, açaí, uxi, piquiá, fazendo dela um tesouro para actividades extrativistas e uma farmácia fitológica. Os conhecimentos tradicionais vêm sendo esquecidos à medida que os ribeirinhos vão sendo transformados em mão-de-obra assalariada e fardada.

Receamos que toda esta área se transforme em deserto depois do desmatamento. Os resíduos da lavagem de bauxita e uma futura refinaria destinada à mesma, na região, causarão a contaminação do lago, da água do subsolo e do ar, provocando danos irrecuperáveis à vegetação restante. Na lenda do reflorestamento, visivelmente um grande fracasso em outras partes. Um exemplo está bem próximo, na Mineração Rio do Norte do município de Oriximiná, vizinho de Juruti.

Estamos bastante esclarecidos para saber que um complexo ecossistema como este não pode ser substituído por uma simples plantação de árvores nativas, especialmente imbaúbas. Além do abuso da biodiversidade, um projeto de mineração terá incalculáveis impactos sociais - prostituição, empobrecimento de cultura, destruição de empregos tradicionais, futuro desemprego, etc. As políticas sociais e ambientais da ALCOA, embora respeitando a legislação brasileira e certas normas de preservação ambiental, são política de fachada para vender uma imagem positiva a quem nela acreditar, já que tais actividades sempre estão afetando ecossistemas locais, devastando florestas, extinguindo espécies naturais e desprezando a cultura existente. Sua política de ajuda às comunidades da região não passa de uma ajuda assistencialista e paternalista, servindo fins de propaganda e visando calar as opiniões adversas.

Com a resistência das Associações Comunitárias da região ao projeto de mineração, em favor da preservação do meio ambiente, a ALCOA está começando a executar pequenos projetos de infra-estrutura, como poços e micro-sistemas de água em algumas pequenas comunidades. Dá um tostão para colher bilhões de dólares!

Soja

Como se não já bastassem tantos invasores na terra, começaram, em Abril de 2003, empreendedores sulistas e mato-grossenses de soja a abrir picos nas roças dos moradores e na mata virgem que as comunidades ribeirinhas consideram sua reserva, tendo-a protegida para realizar actividades de caça e extrativismo, e para cumprir a lei que exige que 40% de cada propriedade seja reserva. Não houve nenhum diálogo com as comunidades; pelo contrário, questionado sobre o porquê das medições de terrenos e sobre a existência de alguma autorização, os operários e responsáveis deram as mais absurdas explicações, até que, através do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, soubemos a verdadeira causa e intenção desta invasão.

Percebendo a resistência dos moradores, os invasores adotaram outra táctica: ofereceram preços “astronômicos” aos agricultores humildes, e conseguiram que alguns lhes vendessem seus lotes de terra, facilitando a invasão dos lotes adjacentes. Os mais conscientes, porém, sabem que a agricultura intensiva e as monoculturas vão prejudicar esta região de modo a que esta nunca mais possa vir a ser a mesma, de deixar de ser Amazônia e passar a ser local de produção de grãos para o gado norte-americano e europeio, enquanto os próprios moradores desta terra, famintos, continuarão na miséria.

A nova direção do INCRA regional está facilitando a actuação dos invasores, afirmando que, dividida a terra, “há lugar para todos”, e que “o Governo precisa de dólares para desenvolver o país”. Em 03 de julho de 2004 soubemos que o INCRA Estadual / Belém cedeu 5 (cinco) mil hectares da Gleba Juruti Velho a dois empresários para o cultivo de soja, enquanto a solicitação de legalização das terras dos moradores tradicionais fica parada no mesmo órgão em Belém.

Diante desta situação da nossa região, perguntamos: O engajamento e a luta de décadas por parte da população nativa em benefício da preservação do meio ambiente foram e estão sendo em vão? Nós da região podemos e devemos contentar-nos com isso?

Publicado por Ana Tropicana às 12:36 AM

julho 30, 2005

Mood

Hoje a festa dos Tupinambás continua, lá para as bandas de Juruti. Segunda noite! Tento resgatar o coração lá desses confins entranhados na floresta, por onde o sinto vaguear ao longe, e lembrar-me que pré-adolescentes odeiam passar o Sábado dentro de casa. Especialmente quando é Verão, quando faz calor e há sol a jorrar por todos os lados. Acendo só mais um cigarro. Arranco-me do sofá. Saio, enfim, de casa.

Publicado por Ana Tropicana às 05:12 PM

Girls Talk

Emprestei uns jeans escandalosamente caros à Catarina. Voltaram de Goa ainda como farelos de lama seca das margens do Zuari, mas bordados com canotilhos de brilho e a missangas de limão e esmeralda. Disse à Catarina: «Melhor, muito melhor do que se tivessem voltado lavados, dobrados e engomados!...» Estava a ser inteiramente sincera. Ela sabe.

Publicado por Ana Tropicana às 04:03 PM

Mood

Não sei o que fazer do tempo solto, aqui no rebordo das Praias Lusitanas. Sinceramente, falta-me a imaginação. Talvez devesse começar a encaixotar a casa, com a proximidade da mudança, agora que grandes decisões começaram, enfim, a ser tomadas de forma irreversível. Mas falta-me alento, nesta incerteza de saber se Agosto há-de ou não concretizar um novo regresso. Ainda que só por uns dias. Á Floresta. Á vida. Ás Terras do Lago Verde.

Publicado por Ana Tropicana às 01:11 PM

O «Contista»


Contos em Óbidos de ana tropicana

Ainda a propósito do Canto da Juriti-pepene, na página 64 do livro "Cenas da Vida Amazônica" , José Veríssimo, o primeiro autor de contos da Amazónia de que existe registo, escreve assim:

«uma ave fantástica, que canta perto de vós e não a vêdes,
que está talvez à vossa cabeceira e a não sentis;
ouvireis o pio lúgubre da ave,
sem que possais jamais descobri-la.»


São tesouros como este que se preservam aqui, na simplicidade de uma casa azul, aparentemente igual a tantas outras do País das Casas Azuis. Num lugar a que chamaram Óbidos. Perto de Santarém. No estado do Pará.







Sobre o Homem: AQUI e AQUI.


Publicado por Ana Tropicana às 12:23 PM

A Juruti


Guanacaste de ana tropicana

No canto da juruti, Mãe dos Rios, também bebe a origem dos rios Xingu e Amazonas.




Dizem que antigamente era tudo seco.

Juruna morava dentro do mato e não tinha água nem rio. Juriti era a dona da água, que a guardava em três tambores.


Os filhos de Cinaã estavam com sede e foram pedir água para o passarinho, que não deu e disse:

-"Seu pai é Pajé muito grande, porque não dá água para vocês?"

Aí voltaram para casa chorando muito. Cinaã perguntou porque estavam chorando e eles contaram.


Cinaã disse para eles não irem mais lá que era perigoso, tinha peixe dentro dos tambores. Mas eles foram assim mesmo e quebraram os tambores. Quando a água saiu, Juriti virou bicho. Os irmãos pularam longe, mas o peixe grande que estava lá dentro engoliu Rubiatá (um dos irmãos) , que ficou com as pernas fora da boca.


Os outros dois irmãos começaram a correr e foram fazendo rios e cachoeiras. O peixe grande foi atrás levando água e fazendo o rio Xingu. Continuaram até chegar no Amazonas. Lá os irmãos pegaram Rubiatá, que estava morto. Cortaram suas pernas, pegaram o sangue e sopraram. Rubiatá virou gente novamente. Depois eles sopraram a água lá no Amazonas e o rio ficou muito largo. Voltaram para casa e disseram que haviam quebrado os tambores e que agora teriam água por toda a vida para beber.”





Juruti ou "juriti", é uma ave da família Peristerídeos, gênero Leptotila, que diferem das pombas chamadas "rolas" por não terem manchas metálicas nas asas e terem,além disso, a primeira pena rêmige da mão atenuada. São ainda "jurutis", porém com o qualificativo "pirangas", isto é, vermelhas, as espécies do gênero Geotrygon, as quais de fato se distinguem pelo lindo colorido roxo-purpúreo do pescoço posterior e do dorso.

Em tamanho as jurutis são intermediárias entre as pombas e as rolas. No Brasil meridional há duas jurutis Leptotila reichenbachi, cujo colorido é o seguinte: dorso bruno averinelhado, frente e garganta alvacentas, vértice cinzento, pescoço e peito roxos, barriga branca; Leptotila ochroptera difere da precedente por ter o dorso pardo-cinzento e a nuca e o pescoço posterior tem brilho metálico, verde furta-côr. Da Bahia para o Norte há uma outra juruti, a Leptotila rufaxilla, aliás pouco diferente.

Como o bem-te-vi e a araponga, a juriti é uma ave muito conhecida em regiões onde ainda haja passaredo.

Juruti-piranga ("juruti-vermelha" ou "vevuia"), do gênero Geotrygon, é pomba que pouco voa e que constantemente vemos catando seu alimento no chão, ao mesmo tempo que se distrai cantando, se assim se puder qualificar seu monótono ñ-ñ-ñ inteiramente nasal e um tanto prolongado; só o macho muda um pouco de voz, quando arrula.

Como todas as pombas possui características que universalmente a transformam em símbolo da alma. É por isso, que surge representada aparecem em algumas urnas funerárias, bebendo num vaso que simboliza a fonte da memória. Simbólica semelhante se encontra no cristianismo na narração do martírio de São Policarpo, na qual a alma é representada por uma pomba saindo do corpo do santo depois de sua morte.

“À medida que a alma se aproxima da luz" , escreve Jean Daniélou,citando Gregório de Nissa, "torna-se bela e toma, na luz, a forma de pomba.”
Também, nos contos de fada, graciosas rolas e ágeis pombos são atrelados aos carros de belas princesas que vão ao encontro de seus príncipes encantados. Essa imagem encantadora e ingênua traduz perfeitamente a valorização constante do simbolismo deste pássaro. Portanto, quando o namorado chama sua amada de “pombinha”, não falta com a tradição, já que este termo está entre as metáforas mais universais que celebram a mulher.





Publicado por Ana Tropicana às 11:48 AM

Desgosto


canto surdo de ana tropicana

A Juruti-pepena é uma ave mística, na Amazónia, uma espécie de pomba encantada, que paralisa as suas vítimas (em tupi "pepena" - aquele que faz quebrar, torna paralítico).

De manhã cedo, gosta de vagar pelos trilhos da capoeira e da mata rasteira para se alimentar. Olhá-la é perceber uma particularidade interessante: ao contrário de todas as outras aves, a Jurupi não baixa a cabeça para matar a sede. Nem enquanto bebe água. É considerada boa caça, mas para surpreendê-la é preciso andar cauteloso à sua procura, pois em geral ela foge logo, e só se ouve o bater das asas por entre as moitas. A sua voz é um "ru-gu-gu-gu-hu" melancólico, como que soprado e, no entanto, audível a grande distância.

Este qualquer-coisa de lúgubre inspira aos índios um grande terror, a ponto de não consentirem que se fale na Juriti-pepena com menosprezo. Dizem ainda que, por arte da magia, pode ser transformada em amuleto.

Contam os índios que, certa vez, a filha do pajé foi abandonada pelo amante, em troca de outra donzela. Tão grande foi a desilusão e de tal forma ficou ferido o coração da jovem desprezada, que esta não resistiu à dor da separação e faleceu. O pajé, pai da infeliz, transformou-a na Juruti, e no local onde foi enterrada surgiu uma planta que encerrava a alma da desditosa e apaixonada criatura e imitava o pio lamentoso da Juruti. Essa planta, empregada em sortilégios do amor, enfeitiça os amantes traidores, que passam a ser perseguidos pelo piar da ave, até que se cumpra a maldição, isto é, até que aquele que trocou de amores fique inválido, paralítico.





Fotos: A Juruti-pepene [autor: Ana Tropicana]

Publicado por Ana Tropicana às 11:20 AM

Mood

Sábado. Fim-de-semana. Acordo com esta feliz constatação de facto: até Setembro, terminaram os plantões e os piquetes.

Publicado por Ana Tropicana às 09:04 AM

julho 29, 2005

Mood

Estou aqui, eu, a lembrar-me que quando era pequena perdia muitas horas a perguntar-me se todas as pessoas do mundo veriam a mesma coisa, se acaso olhassem para o céu no mesmo instante, ainda que cada qual do lugar onde estivesse... E depois dou comigo aqui, a pensar que há momentos em que seria feliz se realmente fosse verdade aquele teatrinho de colégio, andava eu na 4ª classe, e que se chamava assim: «O Mundo é a Nossa Casa»... E então vem-me à ideia essa crença dos índios, de que o olho do Grande Feiticeiro alumia todos os céus do mundo, e de que em todos se passeia, por igual, a um só tempo.

Hoje, na verdade, o crepúsculo que se acendeu sobre Lisboa (e que ainda me está na retina) recordou-me as cores dos poentes que costumava ver, sentada na amurada do barco, lá nas estadas de água do Amazonas. Por onde se fazem todos os caminhos.

Publicado por Ana Tropicana às 10:01 PM

Em Súbita Despedida


Crepúsculo, chez moi de ana tropicana

Ouvir, pelo menos uma vez na vida, a voz da sabedoria que fala pelo coração de todas as mães: «Às vezes, as decisões mais acertadas são aquelas que tomamos de repente.»




Eis o registo. Coincidente com o tempo útil da notícia, da decisão. Súbita. Inesperada. Ou talvez já pressentida. Em parte. Em termos. Guardar para sempre o que em breve deixará de se ver. Talvez não para sempre, mas pelo menos de modo idêntico ou sequer semelhante. Eis o registo. Enquanto falamos. No tempo exacto da decisão. Durante o acordo. Estava assim, o céu, o sol poente, a cidade, Lisboa. Deixo aqui o instante, apesar da duvidosa qualidade dos disparos e de uma certa melancolia a turvar a lente. Porque sei que podem ainda ficar a faltar uns dias, mas que pouco importa: a despedida foi hoje. A despedida aconteceu aqui. Foi agora. Neste preciso instante. Sem tanta dor quanto talvez imaginasse que seria um dia. Se é que houvesse dia. Se é que alguma vez esperei com seriedade que esse dia pudesse chegar. Talvez só com uma ponta de nostalgia. Sem pena, apesar de súbita e sem preparo. A sangue frio e, no entanto, sem custo, sem arrependimento, sem pena, nem pesar. Lúcido. Responsável. Razoável. Acertado, sim. Pelo melhor. Sigamos, então! Para um novo lugar. Começou, sim, o novo tempo da mudança.









Publicado por Ana Tropicana às 09:26 PM

Over and Out

É curioso como as pessoas se descomprometem, tão fácil e rapidamente, umas das outras. E dos dias e das noites. E das coisas fluentes que, todas alinhadas numa continuidade argolada, fazem a vida.
Deve ser por ser o último dia útil de Julho. E já ninguém quer saber!

Em Agosto, de qualquer maneira, já nos habituámos à parda realidade: os projectos eclipsam-se, o país vai de férias e só regressa em Setembro, a pensar se há-de voltar já em Outubro, ou se, "assim-como-assim" - e tendo em conta que num instantinho chega o Natal, e que rapidamente se está no Fim do Ano - não será melhor voltar só no início de Janeiro: quando o ano já for outro, depois da ressaca do Réveillon, claro. Porque vistas bem as coisas, não tarda muito lá se está outra vez no Carnaval, que é como quem diz quase em Maio, que é tempo de acreditar em milagrosos solistícios de um Verão que ainda nem chegou, mas que é como se "já cá cantasse". Para depois, no último dia de Julho, voltar tudo a ser igual ao que já é: quase, quase, a entrar Agosto.

Publicado por Ana Tropicana às 08:18 PM

Desernegizar

... Enquanto a EDP no Brasil factura, algo de grave se passa com as energias em Portugal, depois da seca (que já dura há meses) pelos rios e barragens lusitans. A Quercus denuncia: «Energia: Renováveis impedidas de fazer ligação à rede até 2008»

Fonte: Lusa | auror: RCR | 29-07-2005 9:12:00.

A Quercus denunciou hoje que a autorização para ligações à rede eléctrica a partir de fontes renováveis vai estar suspensa pelo menos até 2008, por saturação da rede, e criticou o Governo por não ter acautelado esta situação.

A incapacidade do Sistema Eléctrico Português (SEP) receber mais pedidos de ligação à rede, através de produtores independentes de energias renováveis, levou o Director-Geral de Geologia e Energia a emitir um despacho que impede a instalação de novas unidades de produção de electricidade com fontes de energia renováveis.

Segundo o despacho, constata-se uma "saturação, em grande parte das zonas de rede, da capacidade de recepção para a produção de energia eléctrica em regime especial constante do plano de expansão da rede eléctrica para 2007".

Em consequência desta situação, o Director-Geral de Geologia e Energia dá "a conhecer que não serão aceites quaisquer pedidos para ligação às redes do Sistema Eléctrico Português." O documento salienta ainda que já foram assumidos compromissos de potência a instalar que estão ao nível da capacidade disponível da rede eléctrica até 2007.

As excepções abrangem apenas "projectos-piloto ou de carácter experimental de elevado potencial e valia técnica".

Ou seja, só a partir de 2008 será possível autorizar as ligações à rede para escoamento da electricidade produzida por novos produtores de energias renováveis.

"Sem escoamento garantido, não há projecto de energia renovável que sobreviva", alerta a associação ambientalista.

Esta situação deve-se, segundo a Quercus "à falta de previsão dos responsáveis governamentais pela energia que não souberam em devido tempo acautelar a capacidade de recepção do Sistema Eléctrico Português para os novos projectos de renováveis" Além disso, "algumas empresas de produção de energia eólica esgotaram a capacidade disponível, existindo situações em que os projectos têm uma viabilidade muito duvidosa, quer por questões ambientais, quer por questões de disponibilidade de vento", criticam os ambientalistas.

Ficam assim em causa várias dezenas de projectos de energias renováveis como os de biomassa (resíduos florestais), energia fotovoltaica (solar), produção de biogás (resíduos orgânicos) ou minihídricas.

Segundo a Quercus, estes projectos, além de produzirem energias renováveis, também permitiam nalguns casos mais valias importantes como a limpeza das florestas e redução dos incêndios através do aproveitamento da biomassa ou a reciclagem de resíduos orgânicos (restos de comida, esgotos de pecuárias ou as lamas de ETAR) através da digestão anaeróbia com a produção de biogás.

A associação alerta, por isso, para a necessidade de adaptar o SEP à nova realidade das energias renováveis em Portugal, "para que os investidores interessados em fazer esta aposta não fiquem impedidos de dar o seu contributo para a auto-suficiência energética por inoperância do Estado".



Publicado por Ana Tropicana às 05:05 PM

Lucros da EDP no Brasil

Não que as flutuações da bolsa me retenham por aí além, mas não posso deixar de reparar que o lucro da Energias do Brasil triplicou no primeiro semestre para 79 milhões de Euros.


O lucro da Energias do Brasil triplicou no primeiro semestre deste ano, para 229,5 milhões de reais (79 milhões de euros), face a igual período de 2004, divulgou hoje a subsidiária da EDP - Energias de Portugal.

Nos primeiros seis meses do ano passado, a Energias do Brasil registou um lucro de 70,5 milhões de reais (24,2 milhões de euros, ao câmbio actual).

Para a subida do lucro contribuiu o aumento de 3,4 por cento do volume de energia distribuída e o reajuste das tarifas das empresas controladas pelo grupo no Brasil, refere a empresa, em comunicado.

A receita operacional aumentou 13,4 por cento para 2,92 mil milhões de reais (mil milhões de euros), refere a empresa, em comunicado.

O EBITDA (resultado antes de juros, impostos, amortização e depreciação) aumentou 23,2 por cento para 517,6 milhões de reais (177,9 milhões de euros).


Fonte: Lusa | 29-07-2005 | 13:23:00

Publicado por Ana Tropicana às 04:58 PM

«Post Scriptum»


A Capital & Comércio do Porto

Duas notícias tristes de uma só vez: AQUI e AQUI.

Grupo Prensa Ibérica desiste de "O Comércio do Porto" e "A Capital"
Fonte: Comércio do Porto | autor: Susana Ribeiro | 29-07-2005


Empresa espanhola abandona o mercado português e procura compradores para os dois jornais que detinha. Ambos os títulos foram postos à venda sem passivo de longo prazo e podem ser comprados separadamente


O Grupo Prensa Ibérica decidiu abandonar o mercado português e pôs os títulos que detinha em Portugal à venda ("O Comércio do Porto" (CP) e "A Capital")", assegurou Rogério Gomes, director do nosso jornal, na primeira comunicação que fez à redacção após os súbitos boatos sobre o encerramento das mesmas publicações, no início desta semana.

O director de "O Comércio do Porto" transmitiu ainda que a saída do grupo espanhol do mercado dos media em Portugal terá de ser "concretizada rapidamente" - ideia igualmente passada pelo próprio grupo Prensa Ibérica a outros órgãos de comunicação social.

Ambos os jornais foram postos à venda sem passivo de longo prazo. A compra poderá ser feita em conjunto, ou os possíveis investidores poderão adquirir as publicações separadamente.

De acordo com Rogério Gomes, está completamente "posto de parte o cenário de processo de falência das duas empresas proprietárias dos títulos", ou seja, a NEW D - Notícias do Douro, Lda (do CP) e a Impreopa - Sociedade Jornalística e Editorial Lda (de "A Capital"). O director do CP confirmou ainda que "têm estado a ser realizados contactos e todos os esforços que evitem o encerramento ou suspensão de ambos os diários".

Hoje, em comunicado, o Sindicato dos Jornalistas (SJ) apelou ao grupo espanhol para não desistir do CP e de "A Capital". O SJ refere que, "à medida que as horas passam, aumenta a angústia dos 150 jornalistas e outros trabalhadores" das duas publicações "que o Grupo Prensa Ibérica ameaça encerrar". O SJ adianta que "nem os jornalistas, nem os cidadãos portugueses podem ficar indiferentes à gravidade da ameaça, nem aos riscos de uma eventual decisão nefasta" do grupo. O SJ sugere, por isso, o envio de uma mensagem, que está a fazer circular pelos canais próprios, para e-mails de responsáveis do Grupo Prensa Ibérica, para evitarem os piores cenários.

Dos dias da aquisição pela empresa espanhola até hoje
Em Julho de 2001 surgiram notícias que apontavam para o encerramento de "O Comércio do Porto". As negociações estavam a ser feitas entre a Lisgráfica, então detentora do diário decano da imprensa continental, e o Grupo Editorial Prensa Ibérica, desde esse ano e até agora proprietário do título portuense.

Houve, então, salários em atraso - pela primeira vez em 148 anos , o CP não pagou no final do mês - e avanços e recuos que faziam acreditar cada vez mais no seu encerramento. Escreveu-se, na altura, que era necessário o emagrecimento do pessoal da empresa para que o grupo espanhol, que entretanto já detinha "A Capital", aceitasse o negócio. A 25 de Agosto, um elemento da Lisgráfica, em declarações a uma rádio, afirmava que os espanhóis se tinham retirado das negociações, facto que poderia levar ao fecho do jornal caso não surgisse outro parceiro.

A 13 de Setembro anunciava-se que a Prensa Ibérica poderia voltar a negociar caso houvesse uma redução de cerca de 60 funcionários, entre os mais de 120 do jornal.

Na história deste matutino recordam-se hoje as rescisões por mútuo acordo dos vínculos contratuais. No total, foram embora do jornal 64 pessoas, entre os quais 17 jornalistas.

O Grupo Prensa Ibérica acaba por adquirir o título e assume-o definitivamente a 21 de Novembro de 2001, com 60 trabalhadores nos quadros da NEW D - Notícias do Douro, Lda.

Detentor de 15 jornais em Espanha, entre os quais o Faro de Vigo, o grupo Prensa Ibérica anunciava para o mais antigo jornal de Portugal continental, em Maio de 2002, uma direcção interina, liderada pela jornalista Fátima Dias Iken.

Em Outubro de 2003, Rogério Gomes assumia a direcção de "O Comércio do Porto", relançando editorialmente a publicação e apresentando diversas iniciativas que colocaram o jornal com destaque nas bancas.

Apostou em publicidade para divulgar o novo grafismo do jornal, despediu-se de um cabeçalho pesado e assumiu outro com cores mais suaves e um "lettering" totalmente diferente. Modernizou as instalações e o material informático.

Com o principal objectivo de se tornar cada vez mais "a voz do Norte", o COMÉRCIO assumiu definitivamente a vocação regional, preparando o primeiro grande sucesso de vendas: a história oficial do Futebol Clube do Porto. Há poucos meses foi lançado o guia Porto In, que sai com o jornal de domingo.

Actualmente, o CP engloba mais de 100 trabalhadores entre jornalistas, administrativos, gráficos e comerciais.





Coluna de Opinião: «Um Sonho»
Fonte: A Capital | autor: Daniel Sampaio | 29-07-2005


Durante sete meses escrevi em A Capital de segunda a sexta. Achei que o início do ano de 2005 era o bom momento para responder ao desafio de uma crónica diária: demonstrar a mim próprio e a alguns pessimistas (que se tinham apressado a desencorajar-me) como escrever todos os dias é sobretudo uma questão de trabalho e de disciplina; mas sobretudo pretendia associar-me a um sonho.
O sonho de fazer um jornal livre, mas claro nas suas posições. Um diário sem padrinhos nem recados dos senhores do mundo, frontal nas suas causas e progressista nos seus ideais. Uma publicação atenta a tudo, mas capaz de recortar o essencial e ladear a futilidade. Um jornal com opiniões e perspectivas, virado para o futuro, corajoso nas reportagens e criativo na escrita.
Nem tudo foi conseguido, sobretudo não se conseguiu o essencial: tornar viável o projecto. A ideia com que fico é talvez se tenha querido ir demasiado depressa, num país que lê cada vez menos e com leitores que permanecem fiéis a outros diários, embora digam mal deles. A verdade é que considero que valeu a pena: fez-se jornalismo diferente, liberto e libertador, sensacional e não sensacionalista, oportuno mas não oportunista. Recordo alguns grandes momentos, em que fomos primeiros: a saída de Carvalhas, a corrida de Alegre, a morte da criança no Algarve, o arrastão fingido.
Toda a gente que arriscou esta ideia não pode parar. Para bem de todos nós.





Coluna de Opinião: «Post Scriptum»
Fonte: A Capital | autor: Miguel Romão | 29-07-2005


Fazer um jornal é um desafio extraordinário. Trata-se afinal de participar na definição da realidade, tal como ela é vista por milhões de pessoas, o que não é coisa pouca. Somos nós, jornalistas, os primeiros responsáveis por aquilo que aparece como a verdade. E, como tal, os primeiros responsáveis por tentar não ser iludidos nem deliberadamente querer iludir quem nos lê.
O projecto de A Capital, tal como se construiu editorialmente desde meados do ano passado, com a direcção de Luís Osório e Rogério Rodrigues, era um projecto muito ambicioso. Tratava-se «apenas» de tentar, com poucos meios humanos e financeiros e sem grande horizonte temporal, recolocar A Capital como jornal nacional, exigente do ponto de vista editorial, crítico e provocando a abertura de um espaço para discussões cívicas, mais do que meramente político-partidárias. Isto, que parece apenas retórico, foi o que se tentou fazer e, dentro do que foi viável, se fez. Configurou-se como um periódico que, atendendo ao momento político concreto de 2004, não se revia na situação e não o escondeu – afinal, também assim mais próximo da grande maioria dos portugueses, como se viu nas urnas. Não por qualquer simpatia ou antipatia partidárias ou pessoais, mas porque queria verdadeiramente mais para o País. Configurou-se essencialmente como um jornal que, mais do que assumir opções conjunturais, queria lançar temas e ideias, discuti-las, analisá-las, sem esquecer a sua missão de informar. Este projecto falhou? Eventualmente. Veremos o que o futuro reserva.

PS – Esta é a última crónica que escrevo em A Capital, ao fim de mais de cento e trinta textos, publicados neste espaço desde Janeiro. O «nó» desata-se aqui, portanto. Ao anterior director Luís Osório, que me desafiou a juntar algumas ideias no papel às restantes, mais diáfanas, o meu agradecimento sincero pelo honroso convite, extensível ao actual director, Paulo Narigão Reis. À equipa de A Capital, nestes dias confusos, desejo as maiores felicidades profissionais, de preferência neste título, que bem as merecem. Se a entrega dedicada, a capacidade de trabalho e a criatividade da redacção bastassem para vender jornais, já seríamos o n.º 1 há muito tempo.

mromao@acapital.pt




Coluna de Opinião: «Um Quarto Andar Sem Elevador»
Fonte: A Capital | autor: Nuno Costa Santos | 29-07-2005

Isto vai fechar, pois. O quarto andar não resiste à possibilidade de se montar um elevador – daqueles confortáveis, onde até há um espelho para uma pessoa poder verificar de manhã se tem espuma de barbear nas orelhas – neste prédio da Estefânia e por isso vai encerrar a sua actividade cronística.
Sempre achei que não há nada mais piroso do que os finais feitos de agradecimentos vários – normalmente com uma lágrima ao canto do olho. Daí que não tenha hesitado em fazer um final feito de agradecimentos vários. Com uma inundação no bairro por causa do descontrolado jorro lacrimal.
Agora que isto vai ser demolido, agradeço:
1) Ao meu amigo Luís Osório por ter desafiado este reaccionário de serviço (que em mim se aloja) para uma dose diária. E por ter sido a pessoa que mais me incentivou – juntamente com o meu amigo Luís Filipe Borges – a continuar a fazer a caminhada. (Ou seja: a descer e subir as escadas do meu prédio.)
2) Ao Paulo Narigão Reis e à Fernanda Mira – a quem, durante meses, enviei estas prosas. (Só eles sabem do meu vício de corrigir vírgulas e termos secundários depois de o artigo já ter seguido por e-mail; desculpem-me a irritante obsessão). E também à Ana Kotowicz, por ter acolhido os documentos nestas conturbadas semanas. (A propósito: uma nota de solidariedade dirigida aos meus colegas da redacção – oxalá corra tudo pelo melhor; ou seja: o que quer que aconteça, não percam a pica de querer vingar nisto do jornalismo).
3) À comunidade política, jornalística e de comentadores que teima em funcionar por ódios – e que resume a análise política à avaliação do carácter alheio. Foram vocês que me ajudaram a explorar um generoso nicho de mercado. Se virmos bem, o mundo não se divide só em monstros e santidades.
4) Às generosas colunas de citações que me citaram (segundo a dona Idalina, só me faltou o Destak e a Spectator). Foi bom – sobretudo para a família. E às colunas de citações em que, pura e simplesmente, deixei de ser citado (sobretudo o DN, que repetiu três vezes as minhas palavrinhas na primeira semana de actividade e que me cortou, de um momento para o outro, da lista; devo ter sido inconveniente para a dona da casa ou coisa do género). A estas últimas, faço questão de notar: meus caros, eu não tenho importância suficiente para deixar de ser citado.
5) E, por fim, à minha vizinha de baixo. Obrigado por tudo. Pela sua paranóia constante. Pelo seu canídeo fedorento. Por não querer pagar as contas do condomínio. Por, apesar de tudo isso, exigir que nós a tratemos como uma vizinha de cima (tipo Daniela Cicarelli). Sem a sua colaboração, este pesadelo diário não teria sido possível.

ncostasantos@netcabo.pt

Publicado por Ana Tropicana às 12:23 PM

«Colo»


Mekusiwa com o filho de Siri Naerland

Um colo. Dois braços de mãe a fechar-nos o corpo a todos os males do mundo. E só essa paz ancestral: de ficar imóvel aos cuidados que jorram do regaço. Confiados e nús. Pequenos mas protegidos. Ali.


Foto: Mekusiwa com o filho - Tribo Wajãpi [autor: Siri Naerland]

Publicado por Ana Tropicana às 09:20 AM

Mood


frestas de ana tropicana

Abrir a porta. Sair para mais um dia na convicção de que há, sim: um qualquer céu que nos protege.










Fotos : Frestas [autor: Ana Tropicana]

Publicado por Ana Tropicana às 06:56 AM

julho 28, 2005

Tertúlias

Em qualquer que seja o país de rodagem, a realização de um documentário coloca-nos perante alguns dilemas. Mas no caso concreto do Brasil, segundo o documentarista Eduardo Escorel, há opções específicas a fazer que podem «chegar a pôr em questão a própria legitimidade dessa prática profissional».



Algures no início de Julho, em Paris, por ocasião do festival Melhor do Documentário Brasileiro - que exibiu 23 filmes, entre os quais Entreatos e Cabra Marcado Para Morrer - um grupo de documentaristas deu consigo a discutir o futuro da profissão: Amir Labaki, José Carlos Avellar, Jom Tob Azulay, João Moreira Salles, José Padilha, Eduardo Coutinho, Consuelo Lins.
Foi nesse cenário de tertúlia que aconteceu a Eduardo Escorel pensar sobre os "dilemas do documentarista no Brasil" e colocar a questão nos seguintes termos:



«Seriam quatro, a meu ver, esses dilemas fundamentais: o da (1º) obsolescência; o da (2º) incongruência; o da (3º) indisponibilidade e o da (4º) sobrevivência. Acredito que seja das escolhas feitas diante de cada um deles que resulta a maior ou menor relevância, originalidade, interesse e razão de ser dos documentários que vêm sendo produzidos em nosso país.»


Desenvolveu a este respeito uma reflexão interessante e que vale a pena ler na íntegra AQUI. Mesmo que, como eu, não se concorde.


Agrada-me a ideia de que as comunidades mais carentes tenham passado a retratar os seus cotidianos. Com ou sem ajuda da "gente das câmaras". Não me inquieta por aí além que o tema se esgote demasiado depressa ou se torne excessivamente batido. Há, infelizmente realidades que teimam em perdurar na História e outras tantas desigualdades que nunca os séculos serviram para remediar. Portanto, nunca será por demais voltar-lhes, dar-lhes espaço e voz: falar delas. E como se isto não bastasse, acredito em ângulos e fractais. Acredito que há sempre um outro ponto de vista, por onde é possível recolocar a nossa forma de nos debruçarmos e olharmos para as coisas - em última instância, de as mostrar e dar a ver.


Deixo três alinhavos, em jeito de apontamento da minha discordância:

- incomóda-me o propósito corporativista, ainda que lhe seja sensível ( sobretudo no que se refere às implicações no lado prático da vida: como "ganha pão");

- irrita-me o pressuposto profissionalizante como condição de possibilidade seja do que fôr, inclusive filmar ou reportar alguma coisa, quando narrar é, ao que se conhece, uma das primeiras formas estruturantes quer do pensamento, quer da linguagem, e indubitavelmente uma das primeiras encontradas à compreensão espontânea do mundo;

- perturba-me o princípio da dificuldade como forma de legitimar que o manejo de qualquer técnica seja pertença exclusiva de uns e não de outros. Tomo por princípio que nada há de mais misteriosamente complexo que o fenómeno da percepção de um objecto pela superfície crua de um olho e que, ainda assim, ninguém pode negar que todos (ou quase todos) temos a inata capacidade de ver. Não entendo, portanto, que se limite a inerente capacidade valorativa que todos nós (de forma mais ou menos consciente, mais ou menos assídua) desenvolvemos a partir daquilo que observamos em redor: a de registar isso mesmo que nos é dado testemunhar que acontece, seja na memória ou na película.


Nesse ponto, apetece-me interpelar Escorel com as palavras de João Moreira Salles, na mesma mesa, na mesma tertúlia, na mesma Paris em começo de Julho:

«Por que a sensação de que não somos mais centrais? Porque de fato deixamos de ser. Aliás, nunca fomos, mas agora, pelas razões aventadas por Escorel, somos ainda menos. E isso, curiosamente, poderá ser a nossa eventual salvação. Escorel fala em obsolescência; eu prefiro usar o termo deslocamento. O diretor branco de classe média não é mais o único que filma. Não temos mais a prerrogativa da exclusividade. Seria o caso de dizer que as novas tecnologias representam a nossa Bastilha; e nós, evidentemente, fazemos parte do Ancien Régime.»


Volta a valer muito a pena ler na íntegra. Via NoMínimo: novamente AQUI.

Publicado por Ana Tropicana às 08:52 PM

Mood


defensas na muralha de ana tropicana

Na minha rua há um muro a pique. Alto, muito alto. Mas lá no topo floriu e do outro lado dá para um céu que é mais azul.


Foto: Defensas na Muralha [autor: Ana Tropicana]

Publicado por Ana Tropicana às 06:54 PM

Elefantes Brancos

Temos, nos tempos que correm, e ao que percebo, mais uma afinidade a somar às restantes, eu e Cora: qualquer coisa esquisita que fica entre a revolta e a vontade de chorar.

Ela assinala-a, hoje, no Segundo Caderno de O Globo. Eu remeto para o artigo que o Miguel escreveu, com magistral destreza de pena e vísceras, em O Público da semana passada, e que passo a citar na íntegra, já que agora nos fizeram o favor de restringir o acesso on line.




"UM CRIME NA OTA E OUTRO NO TGV"
Fonte: O Público |autor: Miguel Sousa Tavares - Jornalista | edição de 22-07-2005


Luís Campos e Cunha foi a primeira vítima a tombar em virtude desses
crimes em preparação que se chamam aeroporto da Ota e TGV. Não se pode
pedir a alguém que vem do mundo civil, sem nenhum passado político e com
um currículo profissional e académico prestigiado que arrisque o seu nome
e a sua credibilidade em defesa das políticas financeiras impopulares do
Governo e que, depois, fique calado a ver os outros a anunciarem a festa e
a deitarem os foguetes. Não se pode esperar que um ministro das Finanças
dê a cara pela subida do IVA e do IRS, pelo aumento contínuo dos
combustíveis e pelo congelamento de salários e reformas, que defenda em
Bruxelas a seriedade da política de combate ao défice do Estado, e que, a
seguir, assista em silêncio ao anúncio de uma desbragada política de
despesas públicas à medida dos interesses dos caciques eleitorais do PS,
da sua clientela e dos seus financiadores. O afastamento do ministro das
Finanças e a sua substituição por um homem do aparelho socialista é mais
do que um momento de descredibilização deste Governo, de qualquer Governo.
É pior e mais fundo: é um momento de descrença, quase definitiva, na
simples viabilidade deste país. É o momento em que nos foi dito, para quem
ainda alimentasse ilusões, que não há políticas nacionais nem patrióticas,
não há respeito do Estado pelos contribuintes e pelos portugueses que
querem trabalhar, criar riqueza e viver fora da mama dos dinheiros
públicos; há, simplesmente, um conúbio indecoroso entre os dependentes do
partido e os dependentes do Estado. Quando oiço o actual ministro das
Obras Públicas - um dos vencedores deste sujo episódio - abrir a boca e
anunciar em tom displicente os milhões que se prepara para gastar, como
se o dinheiro fosse dele, dá-me vontade de me transformar em "off-shore",
de desaparecer no cadastro fiscal que eles querem agora tornar devassado,
de mudar de país, de regras e de gente. Há anos que vimos assistindo, num
crescendo de expectativas e de perplexidade, ao anunciar desses projectos
megalómanos que são o TGV e o aeroporto da Ota. O mesmo país que,
paulatinamente e desprezando os avisos avulsos de quem se informou, foi
desmantelando as linhas férreas e o futuro do transporte ferroviário, os
mesmos socialistas que, anos atrás, gastaram 120 milhões de contos no
projecto falhado dos comboios pendulares, dão-nos agora como solução
mágica um mapa de Portugal rasgado de TGV de norte a sul. Mas a prova de
que ninguém estudou seriamente o assunto, de que ninguém sabe ao certo que
necessidades serão respondidas pelo TGV, é o facto de que, a cada Governo,
a cada ministro que muda, muda igualmente o mapa, o número de linhas e as
explicações fornecidas. E, enquanto o único percurso que é economicamente
incontestável - Lisboa-Porto - continua pendente de uma solução global,
propõe-nos que concordemos com a urgência de ligar Aveiro a Salamanca ou
Faro a Huelva por TGV (quantos passageiros diários haverá em média para
irem de Faro a Huelva - três, cinco, sete mais o maquinista?).

Quanto ao Aeroporto da Ota, eufemisticamente baptizado de Novo Aeroporto
Internacional de Lisboa, trata-se de um autêntico crime de delapidação de
património público, um assalto e um insulto aos pagadores de impostos.
Conforme já foi suficientemente explicado e suficientemente entendido por
quem esteja de boa-fé, a Ota é inútil, desnecessário e prejudicial aos
utentes do aeroporto de Lisboa. E, como o embuste já estava a ficar
demasiadamente exposto e desmascarado, o Governo Sócrates tratou de o
anunciar rapidamente e em definitivo, da forma lapidar explicada pelo
ministro das Obras Públicas: está tomada a decisão política, agora vamos
realizar os estudos. Mas tudo aquilo que importa saber já se sabe e
resulta de simples senso comum: - basta olhar para o céu e comparar com
outros aeroportos para perceber que a Portela não está saturada, nem se vê
quando o venha a estar, tanto mais que o futuro passa não por mais aviões,
mas por maiores aviões; - em complemento à Portela, existe o Montijo e, ao
lado dela, existe uma outra pista, já construída, perfeitamente
operacional e que é uma extensão natural das pistas da Portela, que é o
aeroporto militar de Alverca - para onde podem ser desviadas todas as
"low-cost", que não querem pagar as taxas da Portela e menos ainda
quererão pagar as da Ota; - porque a Portela não está saturada, aí têm
sido gastos rios de dinheiro nos últimos anos e, mesmo agora, anuncia-se,
com o maior dos desplantes, que serão investidos mais meio bilião de
euros, a título de "assistência a um doente terminal", enquanto a Ota não
é feita; - os "prejuízos ambientais", decorrentes do ruído que, segundo o
ministro Mário Lino, afectam a Portela são uma completa demagogia, já que
pressupõem não prejuízos actuais, mas sim futuros e resultantes de se
permitir a urbanização na zona de protecção do aeroporto; - a deslocação
do aeroporto de Lisboa para cerca de 40 quilómetros de distância retirará
à cidade uma vantagem comercial decisiva e acrescentará despesas, consumo
de combustíveis, problemas de trânsito na A1 e perda de tempo à esmagadora
maioria dos utentes do aeroporto, com o correspondente enriquecimento dos
especuladores de terrenos na zona da Ota, empreiteiros de obras públicas e
a muito especial confraria dos taxistas do aeroporto. O negócio do
aeroporto é tão obviamente escandaloso que não se percebe que os
candidatos à Câmara de Lisboa não façam disso a sua bandeira de combate
eleitoral e que, à excepção de Carmona Rodrigues, ainda nem sequer se
tenham manifestado contra. Carrilho já se sabe que não pode, sob pena de
enfrentar o aparelho socialista e os interesses a ele associados, mas os
outros têm obrigação de se manifestarem forte e feio contra esta coisa
impensável de uma capital se ver roubada do seu aeroporto para facilitar
negócios particulares outorgados pelo Estado. A Ota e o TGV, que fizeram
cair o ministro Campos e Cunha, são um exemplo eloquente daquilo que ele
denunciou como os investimentos públicos sem os quais o país fica melhor.
Como o Alqueva, à beira de se transformar, como eu sempre previ, num lago
para regadio de campos de golfe e urbanizações turísticas, ou os
pendulares do ex-ministro João Cravinho, ou os estádios do Euro, esse
"desígnio nacional", como lhe chamou Jorge Sampaio, e tão
entusiasticamente defendido pelo então ministro José Sócrates. Os piedosos
ou os muito bem intencionados dirão que é lamentável que não se aprenda
com os erros do passado. Eu, por mim, confesso que já não consigo
acreditar nas boas intenções e nos erros de boa-fé. Foi dito, escrito e
gritado, que, dos dez estádios do Euro, não mais de três ou quatro teriam
ocupação ou justificação futura. Não quiseram ouvir, chamaram-nos "velhos
do Restelo" em luta contra o "progresso". Agora, os mesmos que levaram
avante tal "desígnio nacional", olham para os estádios de Braga, Bessa,
Aveiro, Coimbra, Leiria e Faro, transformados em desertos de betão e num
encargo camarário insustentável, e propõem-nos um TGV de Faro para Huelva
e um inútil aeroporto para servir pior os seus utilizadores, e querem que
acreditemos que é tudo a bem da nação? Não, já não dá para acreditar. O
pior que vocês imaginam é mesmo aquilo que vêem. Este país não tem saída.
Tudo se faz e se repete impunemente, com cada um a tratar de si e dos seus
interesses, a defender o seu lobby ou a sua corporação, o seu direito a 60
dias de férias, a reformar-se aos 50 anos ou a sacar do Estado
consultorias de milhares de contos ou empreitadas de milhões. E os
idiotas que paguem cada vez mais impostos para sustentar tudo isto.

Chega, é demais!

Publicado por Ana Tropicana às 03:46 PM

La Vie en Rose


santíssima trindade de ana tropicana

Amanhecer e tentar recordar-me que, por vezes, é só o exagero que distorce a perfeição das coisas.







Publicado por Ana Tropicana às 07:26 AM

Na Rota do Oeste


rota do oeste de ana tropicana

Hoje dediquei-me a pôr em ordem algumas imagens tresmalhadas. Como quem recomeça lentamente a construir o puzzle interrompido.


Publicado por Ana Tropicana às 12:47 AM

«Ministério do Índio»

Comunidades indígenas propõem criação de secretaria especial com status de ministério.

Fonte: Agência Brasil | Autor: Érica Santana | 01/07/2005

Representantes das comunidades indígenas reivindicam a criação de uma secretaria especial com status de ministério, vinculada à Presidência da República, para acompanhar as políticas e ações voltadas às suas populações. A proposta foi apresentada pelos delegados indígenas durante painel na 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, que será encerrada amanhã (2).

De acordo com a relatora da proposta, Azelene Kaingang, os índios não se sentem contemplados pelas ações da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), que consideram "uma conquista do movimento negro, com ênfase na população negra". A relatora pede uma secretaria para "monitorar, conduzir, pensar, formular, coordenar e articular as políticas relacionadas aos povos indígenas".

Ela disse considerar ineficientes as políticas governamentais voltadas para os índios, principalmente devido à falta um órgão especifico. "É preciso que as políticas do governo sejam articuladas. Há algumas ações extremamente importantes, mas elas estão desarticuladas, o que torna os recursos que nós temos insuficientes para os povos, porque eles não são potencializados. Se essas ações forem articuladas por um órgão especifico nós poderemos potencializar nossos recursos ".

Os índios também reivindicam mais discussão para a criação do Conselho Nacional de Política Indigenista, "porque nem todos estão sendo contemplados com a proposta que está na Presidência da República". Segundo a relatora, a criação desse conselho atende a proposta do Abril Indígena e ele terá a participação da sociedade civil, dos povos indígenas e do governo.

Os representantes indígenas apresentarão 125 propostas ao Plano Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, que será finalizado amanhã (2). O documento, que contemplará políticas voltadas para questões de gênero, cultura e religião, será entregue à ministra Matilde Ribeiro e servirá como um guia de prioridades para a execução de ações pelo governo federal. Os delegados também querem criar uma comissão para levar o documento final ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


Publicado por Ana Tropicana às 12:24 AM

julho 27, 2005

... «a cada mil lágrimas sai um milagre»

Tão linda a voz de Alzira Espíndola!... Tão, tão linda.
Sabe-me bem. Ao começo da noite. Hoje. Esta noite. Quando começa a ser já tão difícil continuar a acreditar.


Clique para ouvir em RealPlayer

Milágrimas
(Itamar Assumpção e Alice Ruiz)


em caso de dor ponha gelo
mude o corte de cabelo
mude como modelo
vá ao cinema dê um sorriso
ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo

se amargo foi já ter sido
troque já esse vestido
troque o padrão do tecido
saia do sério deixe os critérios
siga todos os sentidos
faça fazer sentido
a cada mil lágrimas sai um milagre

caso de tristeza vire a mesa
coma só a sobremesa coma somente a cereja
jogue para cima faça cena
cante as rimas de um poema
sofra penas viva apenas
sendo só fissura ou loucura
quem sabe casando cura ninguém sabe o que procura
faça uma novena reze um terço
caia fora do contexto invente seu endereço
a cada mil lágrimas sai um milagre

mas se apesar de banal
chorar for inevitável sinta o gosto do sal do sal do sal
sinta o gosto do sal
gota a gota, uma a uma
duas três dez cem mil lágrimas
sinta o milagre
a cada mil lágrimas sai um milagre

Publicado por Ana Tropicana às 08:27 PM

julho 26, 2005

E Raoni Sonhou ....e Criou a TV!

Raoni,Raoni,Raoni
coração amazona

Bate tambor tupi
cabeça de branco peão
rola no chão guarani

Uadê,uadê,txucarramãe
Uadê,Uadê, clarão de fogo
A manhã é vermelha no céu Xingu

Raoni,Raoni,Raoni


Clique para ouvir em RealPlayer de Zeh Rocha com Lenine

Raoni quer criar TV Indígena com programas feitos no próprio Xingu
FOLHA DE S. PAULO | BRASIL | 17/11/2003
HUDSON CORRêA
DA AGêNCIA FOLHA, EM CAMPO GRANDE


Meio século após tomar contato com o homem branco por meio do sertanista Orlando Villas Bôas (1914-2002), o cacique Raoni, líder dos índios caiapós, apresentou ao MinC (Ministério da Cultura) o projeto de criação da TV Indígena Aldeia Virtual. Conseguiu, na quinta-feira, R$ 1 milhão pelo CNIC (Comissão Nacional de Incentivo à Cultura).

Raoni, que calcula ter 79 anos, quer exibir pela TV programas feitos pelos índios do Parque Nacional do Xingu, localizado numa faixa de terra a partir do centro de Mato Grosso até a divisa com o Pará. A área é maior do que o Estado de Sergipe. Pelo menos 21 lideranças indígenas assinaram documento apoiando a TV.

Batizado pelos caiapós como Cabelo de Milho, 46 (o nome verdadeiro ele prefere não dizer), o assessor do Instituto Raoni disse que, na aldeia, os índios já possuem câmeras digitais e equipamentos para edição de imagens.

O instituto foi criado em 2000, durante visita do cacique ao presidente da França, Jacques Chirac, e será responsável pela TV.

O secretário do Desenvolvimento das Artes Audiovisuais do MinC, Orlando Senna, afirmou que a verba de R$ 1 milhão aprovada na CNIC deve ser usada na elaboração do projeto e na compra de equipamentos. Senna disse que os índios podem começar com um programa na TV pública.

A UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso) é a dona da TV Universitária, similar à TV Educativa existente em outros Estados. O reitor Paulo Speller disse que a programação será ampliada para atender os movimentos sociais, incluindo os índios.

Cabelo de Milho acrescenta que a idéia é ter um canal próprio, com sinal por satélite. Esse modelo, segundo Raoni, foi inspirado nos "parentes dos caiapós" no Canadá e nos Estados Unidos, onde haveria 54 emissoras indígenas.

Documentário
Em 1976, Raoni teve o primeiro contato com as câmeras, quando ajudou a filmar o documentário do francês Jean Pierre Dutilleux, "Mostrei a Floresta." O documentário ficou famoso ao ser narrado por Marlon Brando, em 1979, com o
título "Raoni: a Luta pela Amazônia".

Um ano depois, o cacique ganhou fama ao assumir os assassinatos de 11 peões que entraram nas terras dos índios. Na ocasião, ele mostrou a borduna (arma de madeira), usada contra os homens. A partir daí, percorreu o mundo ao lado do roqueiro inglês Sting com a bandeira de preservação da Amazônia.

Para os caiapós, o projeto da TV Indígena não é bem uma novidade. Em 1993, o índio caiapó Kiabet Metuktire passou uma semana em São Paulo para levar imagens da cidade grande para a aldeia.

Megaron Txucarramãe, sobrinho de Raoni, apresentou naquele mesmo ano, no Japão, vídeos com imagens da aldeia.

Um sonho que pode não parecer estranho à incauta vista desarmada do "Homem Branco", mas que ainda tem o som dissonante do inusitado para os indíos. Ora leia-se este texto de uma universitária da Tribo dos Xacriabá, publicado pela faculdade de Letras da Universidade de Minas Gerais:

A Televisão
Maria José Moreira Alkmim Mota

Para nós Xacriabá, a televisão chegou há pouco tempo, devido a chegada da eletricidade nas aldeias. A partir daí, o consumo de eletrodomésticos está muito intenso e o controle se torna muito difícil, devido a extensão da área. A TV chegou nas aldeias e para a maioria era novidade, mas pelo pouco tempo que ela chegou já causa algumas influências nas aldeias, como, por exemplo, as crianças, que antes tinham outras atividades e que, hoje, se não ficarmos atentos, passam o tempo todo vendo TV E isso não é bom para nossas crianças, pois a TV traz muitas informações que não são adequadas para elas, são cenas de violência, pornografia, etc.
Se nós, povos indígenas, não tomarmos cuidado com a TV ela irá nos prejudicar, principalmente na parte cultural, porque ela implanta em nossas casas outras culturas e aos poucos ela poderá enfraquecer a nossa, porque as pessoas não irão mais querer participar das rezas, festas, rituais, etc, pois a TV, diretamente ou indiretamente, coloca na cabeça das pessoas o que eles querem e, muitas vezes, massacra a cultura da gente "povos indígenas".
O importante mesmo seria se tivéssemos um canal de TV Indígena para divulgar nossa cultura no Brasil todo, ou se nós mesmos produzíssemos vídeos mostrando a nossa cultura, a nossa realidade para trabalharmos com nossas crianças. Isso faria com que cada vez mais fortalecêssemos nossa cultura.
Tivemos uma experiência no curso de formação de Professores Indígenas de MG, produzimos uma fita de vídeo, foi muito importante, tivemos a noção de como se faz. Mostramos em nossas aldeias e foi uma novidade, todos gostaram.
Mas ainda é pouco, o meu sonho é que pudéssemos produzir vídeos de diversos temas para que assim pudéssemos trabalhar nas escolas, com a nossa realidade e as crianças iriam aprender com mais facilidade, pois vão estar lidando com um mundo que é nosso, não deixando de conhecer outras realidades, mas firmando sim, cada vez mais, nossa cultura.
Ouvi um relato de uma parente, em que ela conta que quando chegou o rádio na aldeia eles no inicio aceitaram, mas logo viram que os jovens não estavam participando dos rituais, então decidiram que ninguém mais iria utilizar o rádio. Essa é uma realidade desse povo. Para nós é um pouco diferente, porque somos um total de aproximadamente sete mil índios, espalhados em mais de 25 aldeias e sub-aldeias, com uma área de, mais ou menos, 52 mil há, é muito difícil o controle, portanto temos que nos conscientizar e definir o que é bom para nossas crianças, controlando o que elas podem ou não podem assistir, não deixando de lado nossa cultura.
Cada aldeia, cada povo tem uma realidade diferente, não quer dizer que por sermos indígenas, temos que ser iguais. Mas sim, nós indígenas lutamos pelos mesmos objetivos.


O sonho de Ronaí tornou-se realidade.

Disso mesmo se dá notícia AQUI e AQUI, mas passo a citar os artigos:


Raoni lança canal de TV indígena
Fonte: O Estado de S.Paulo | Autor: Keila Jimenez | 12/7/2005 | 09:31:00

O canal Aldeia Virtual, o primeiro de TV indígena do País, pretende entrar no ar ainda este mês.
Projeto da Fundação Raoni, ONG que reúne lideranças indígenas e colaboradores nacionais e internacionais, a emissora, dirigida pelo cacique Raoni Mentuktire, exibirá programas produzidos pelos índios e funcionará na aldeia Cachoeira, na Terra indígena de Kapoto/Jarina, no Mato Grosso, onde mora um subgrupo de indígenas Caiapós. Segundo a organização do canal, a tribo Caiapó é uma das maiores do País e conta atualmente com uma população de cerca de 15 mil índios.
Uma das idéias é que o Aldeia Virtual tenha, inicialmente, um horário na programação da TVE, antes de se transformar em um canal comunitário.
Os programas serão todos realizados e editados pelos próprios índios, que já possuem alguns equipamentos, como câmeras e ilha de edição. Boa parte deles vieram de prêmios por vídeos indígenas que concorrem em festivais fora do País - a outra parte é fruto de doações.
Mesmo assim, a TV Aldeia Virtual necessita de apoio, principalmente técnico, para colocar o canal no ar. Funcionários da TVE devem ajudar a tribo no lançamento.
Os índios também buscam apoio do Ministério da Cultura e de tribos indígenas internacionais, como grupos de índios canadenses e australianos, que já possuem seus próprios canais de televisão. Nos Estados Unidos, a segmentação do setor também permite a existência de canais direcionados a indígenas e seus descendentes .


Primeira TV Indígena do País
Agência Comunique-se | autor: Marcos Linhares | 17/11/03

A TV Aldeia Virtual, um projeto dos índios Caiapó, do Mato Grosso, deverá ter sua programação "encaixada" na TV Educativa (TVE), graças a uma parceria firmada na semana passada entre o secretário para o Desenvolvimento das Artes Audiovisuais, Orlando Senna, e o cacique Raoni, da tribo Caiapó.
De acordo com informações do Jornal de Brasília, pelo acordo, a TV Aldeia Virtual contaria, num primeiro momento, com um horário na grade da TVE, exibindo programas produzidos pelos índios. O canal de TV é um antigo sonho da tribo Caiapó, que possui uma população entre 12 mil e 15 mil índios, considerada uma das maiores e mais organizadas do Brasil.
O material será editado e produzido na Aldeia Cachoeira, Terra Indígena Kapoto/Jarina, que fica nos municípios de Peixoto de Azevedo e São José do Xingu (MT). Na localidade, residem cerca de 600 caiapós. Se a iniciativa evoluir e se concretizar, estará nascendo o primeiro canal indígena do país, baseado em território Caiapó, no Mato Grosso, contando com apoio técnico da TV Educativa.
O Ministério da Cultura planeja reunir-se com o presidente da Radiobrás, Eugênio Bucci, em busca de apoio. Todo esse trabalho é fruto de iniciativa da Fundação Raoni, uma entidade constituida por lideranças indígenas e organismos nacionais e internacionais, e que desenvolve projetos na área de educação, cultura, agricultura e ecoturismo.
Em tempo, os índios Caiapós já fazem vídeos e filmam em 35 mm há um tempo considerável, só faltando um espaço para exibir sua produção, já tendo inclusive, arrebanhado prêmios em festivais como o JVC, no Japão, e em Los Angeles, nos Estados Unidos.


Publicado por Ana Tropicana às 10:31 PM

Fragilidades


Primeira Foto de Ana Tropicana

Noite de insónia, quase em claro. A ansiedade da manhã por contraste à quietude do amanhecer. O telefone confirma a transferência do S.O para o bloco operatório. Um café e um banho: arranjar forças para mais um dia de hospital e esquinas de corredores intermináveis. Em pé. Em espera. Com o coração apertado. Tanto!

Publicado por Ana Tropicana às 08:50 AM

Perplexidades

Fico a saber que a rotina diária dos hospitais não é retomada antes das 09h. Enquanto espero vou vagueando pelas edições on line dos jornais do dia. O Movimento dos Sem Terra fez novas ocupações e o O Globo publica declarações corrosivas contra o Governo de Lula, por parte do coordenador do MST.

... Porque é que, em Portugal, os dias começam tão tarde que as más notícias ainda chegam a tempo de me alcançar primeiro??

Eis os dois artigos, publicados:


Stédile: ‘Este governo já acabou

Marcos Xavier Vicente
Especial para O GLOBO
Rio, 26 de julho de 2005

CURITIBA. Coordenador nacional do Movimento dos Sem Terra (MST), João Pedro Stédile criticou duramente ontem o PT. Segundo ele, que participou em Curitiba de uma das manifestações organizadas pela Central dos Movimentos Sociais (CMS) em comemoração ao Dia do Trabalhador Rural, o PT acabou adotando os mesmos métodos contra os quais sempre lutou.

Ao ser perguntado se o movimento social poderia ajudar o governo Lula a criar um novo modelo de desenvolvimento, Stédile disse que isso não será possível neste governo do PT.

— Este governo já acabou — disse, às gargalhadas.

Para ele, o PT está copiando os métodos da burguesia:

— Compra deputados da direita para que eles aprovem projetos de direita.

Ele classificou de “grande vergonha” as suspeitas de que o PT pagava mensalão. Sobre a possibilidade de impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele assume um tom mais moderado:

— O ideal seria que Lula esquecesse as alianças com os partidos e com o Congresso, que estão desmoralizados, e fizesse uma aliança com o povo, realizando um mutirão social para debater o futuro do país.

Ele criticou a política econômica, que considera insustentável e é tão prejudicial ao país quanto os casos de corrupção.

Stédile disse ainda que dados do MST indicam que somente cem mil dos 400 mil assentamentos previstos para os quatro anos de governo Lula foram concretizados até agora.







MST invade a Embrapa
Rio, 26 de julho de 2005


BRASÍLIA e PORTO ALEGRE. O MST fez ontem invasões em Brasília e no Rio Grande do Sul. À tarde, os sem-terra ocuparam a sede da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), em Brasília, para reivindicar o assentamento de 700 famílias na Fazenda Sálvia, em Sobradinho.

No Rio Grande do Sul, o MST invadiu uma fazenda em Sananduva, a 370 quilômetros de Porto Alegre, quatro dias depois de ter ocupado outra fazenda na fronteira com o Uruguai, de onde saiu ontem por ordem judicial. A invasão em Sananduva mobilizou 700 pessoas. Elas se instalaram em galpões e silos da Granja Três Pinheiros, que pertence a uma massa falida controlada pelo Banco do Brasil.

Em Sant’Ana do Livramento, 50 famílias que ocupavam a Fazenda Alto Alegre deixaram a área por ordem da Justiça. O MST ocupa também a Cabanha Dragão, em Eldorado do Sul.

Publicado por Ana Tropicana às 08:08 AM

«Dotô Ogêno»

«Isto é Gente!»: O infectologista Eugênio Scannavino Netto reduziu a mortalidade infantil de Santarém ao mesmo padrão de São Paulo, gastando R$ 40 por pessoa no ano, e foi eleito pela media internacional como um dos 21 pioneiros do século XXI.



Médico Reduz Mortalidade Infantil
Saúde a baixo preço
Texto: Fábio Bittencourt (PA)
Fotos: Pio Figueiroa


“Só tenho a metade do que preciso para melhorar a qualidade de vida da população ribeirinha”, diz o infectologista, premiado pela World Media
Quando “dotô Ogêno” chega, o tumulto é inevitável. Os 20 mil habitantes das 17 comunidades ribeirinhas de Santarém, no interior do Pará, se aglomeram e não há quem não queira cumprimentá-lo ou trocar uma palavrinha rápida com ele. Eugênio Scannavino Netto, 40 anos, é infectologista e levou 13 anos para alcançar tamanha popularidade num local que não tem rádio nem televisão – até porque a eletricidade é rara e gerada por óleo diesel ou energia solar. Nesse tempo, ele fez pela população o que a maioria dos políticos promete em época eleitoral. Reduziu pela metade a mortalidade infantil, que caiu de 47 crianças que morriam a cada 1.000 para 26 - número próximo ao de metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro. Acabou com a desnutrição, zerou a evasão escolar e organizou formas de trabalho comunitário. O impressionante é que fez isso com R$ 40 ao ano para cada um das comunidades. O reconhecimento do trabalho do médico atravessou fronteiras. No final do ano passado, Scannavino Netto ganhou o prêmio da World Media, uma organização formada por jornais do mundo inteiro, como um dos 21 pioneiros do século que se inicia. O médico foi notícia no The New York Times e em agências internacionais. “Os R$ 40 anuais, por pessoa, são metade do que precisamos para dar maior qualidade de vida à população”, diz.

Nas mãos de Scannavino Netto, o pouco dinheiro rende muito. Há 13 anos, ele criou o Projeto Saúde e Alegria, uma Organização Não-Governamental (ONG) que capta verbas oficiais e da iniciativa privada. Com os recursos, os mocorongos – cidadãos nascidos em Santarém – passaram a ter, em suas casas, acesso a água tratada com cloro, fundamental para reduzir os casos de disenteria, que provocava desidratação e elevava a mortalidade infantil. O Saúde e Alegria também é responsável por melhorias educacionais, que vão da implantação de escolas propriamente ditas ao lazer através do circo e de peças teatrais. “Não existem crianças sem estudar”, diz o médico, que ensinou às lideranças comunitárias como aproveitar melhor os recursos para educação das crianças. “Foi só depois de nos organizarmos que os políticos nos escutaram”, diz a professora Zulmira Tapajós Conceição, 43 anos.

Scannavino Netto também arrumou emprego para muita gente. Em Urucureá, uma das comunidades ribeirinhas, 25 mulheres passaram a produzir cestas e outros objetos de palha. Elas aumentaram a renda doméstica, que antes era sazonal. Hoje as vendas chegam a R$ 8 mil no semestre. Rosângela Tapajós, gerente de vendas, saiu do Brasil, há dois anos, e foi a Nova York, nos Estados Unidos, para participar de uma feira sobre a Amazônia. “Agora, meu sonho é ir para o Rio”, diz.


O médico foi notícia no The New York Times e em várias agências internacionais
Para dar conta de toda a população ribeirinha – algumas comunidades ficam em distâncias medidas por 20 horas de barco –, Scannavino Netto organizou grupos praticamente voluntários de trabalho, com 25 profissionais. “É difícil contratar gente especializada sem dinheiro”, diz. Há um mês, a enfermeira Francesca de Stefani, 24 anos, deixou o conforto de Lugano, na Suíça, para dormir no barco e tomar banho no rio. Ela soube do projeto através de uma prima que trabalhou na Amazônia e destacou a seriedade do médico. “Quero me especializar em saúde pública e o melhor exemplo no mundo hoje está aqui”, diz Francesca.

No início de fevereiro, cinco diretores do Banco Mundial (Bird), uma das entidades que fornecem recursos para a região, visitaram as comunidades. “É fascinante ver como vivem essas pessoas”, afirmou Nick Van Praag, diretor de relações externas de meio ambiente do Bird. Até quem parece não ter nada a ver com o assunto foi acompanhar os resultados do trabalho do médico. A atriz Giulia Gam e o apresentador de televisão Marcelo Tas já estiveram lá e conheceram o Projeto. O ator José de Abreu também. Mas ele nunca imaginou ser anônimo no país da novela.“Ninguém me reconheceu.”

O infectologista Scannavino Netto tinha acabado de receber o canudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1983, quando decidiu arrumar as malas e mergulhar no interior do Brasil. Fazia estágio na Fundação Oswaldo Cruz e, por conta do trabalho, viajou para fazer pesquisas na região Norte. Chegou a Santarém em 1984 e arrumou trabalho na Prefeitura. Acabou debruçando-se num projeto para atender os habitantes das comunidades ribeirinhas. Colocou o projeto debaixo do braço e saiu à caça de um patrocinador. Um ano depois, estava de volta à cidade, com financiamento do governo federal. A fonte secou no governo de Fernando Collor. “Tive de buscar recursos fora do Brasil”, diz Scannavino Netto. Além do calvário atrás de dinheiro para seus projetos, enfrentou a resistência que a população local tinha dos forasteiros vindos das metrópoles. Na comunidade de São Francisco, distante seis horas de barco de Santarém pelo rio Arapiuns, as pessoas o viam como uma espécie de espião que queria comprar a Amazônia para empresas internacionais. “Ele chegou dizendo que vinha de São Paulo para nos ajudar”, recorda o agricultor Manoel Edivaldo Santos Matos, 36 anos, uma das lideranças da comunidade. “Mas todos desconfiaram.” Scannavino Netto levou seis meses para convencer Edivaldo, por exemplo, a deixá-lo examinar sua família. “Hoje vemos que seu objetivo era outro”, diz o agricultor. Na cidade, suas ações repercutiram. As autoridades de saúde, desconfiadas, acusaram o médico de estar distribuindo veneno para os habitantes, quando na realidade se tratava apenas de cloro para tratar a água. Superado o primeiro boato, veio então a cisma de que a mandioca aconselhada pelo médico para ser consumida, rica em nutrientes, era alimentação de animais. “Diziam que distribuía comida de porco”, recorda.


“Em nossa área de atuação, já não existem mais crianças sem estudar”, diz Eugênio, sobre uma canoa, num igapó. “Mas continua difícil contratar gente especializada para nos ajudar”
Scannavino Netto aparenta estar preparado para participar de um show de Woodstock. Seus cabelos, sem corte, caem sobre os ombros. A barba está sempre por fazer. Veste bermuda e camiseta surradas. Calça chinelos ou tênis encardidos. “É o charme dele”, diz a professora Zulmira Tapajós, de Urucureá. Filho de um engenheiro do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Scannavino Netto era um rapaz de classe média alta. Nasceu em Campinas (SP) e mudou-se para São Paulo com o pai, Caetano Scannavino, já falecido, a mãe, Glória Munaiar, 70, e os irmãos Lívia, 49, e Caetano Filho, 34, hoje braço direito e vice-coordenador no projeto. Scannavino Netto estudou no Colégio Santa Cruz e, aos 17 anos, entrou em Medicina.

O médico é casado com a designer paulista Débora Laruccia, 36. Os dois se conheceram em Santarém, há quatro anos, quando ela trabalhou como intérprete para visitantes estrangeiros. Ele tem uma filha, Adhara Gama Scannavino, 13, do primeiro casamento, com Márcia Gama, 35. Ambas moram no Rio de Janeiro. Scannavino Netto garante que vai ficar menos em Santarém. Quer levar seu projeto a outros cantos do País. De Santarém, leva consigo a lembrança de uma mocoronga que examinou em seus primeiros dias: “Dotô Ogêno, a saúde é a alegria do corpo. E a alegria é a saúde da alma.”


Publicado por Ana Tropicana às 07:46 AM

As Mulheres de Urucureá

Em Urucureá, no rio Arapiuns, 29 mulheres estão organizadas na produção de artigos de artesanato.


Juntas, elas formam o Núcleo Mulher Cabocla e dedicam-se à revitalização da antiga tradição de produção de cestaria em palha de tucumã.

Tucumã é uma palmeira nativa da Amazônia com grande poder de regeneração: após 30 dias da retirada de uma folha, outra nasce no lugar. Essa qualidade permite que ela gere matéria-prima permanentemente para a comunidade de Urucureá, perto de Santarém.

A palha é tingida com pigmentos naturais extraídos do urucum (vermelho), do jenipapo (preto azulado), da capiranga (violeta), do crajirú (marrom) e da mangarataia (amarelo). O acabamento é feito com fios de curauá e a própria palha natural. Sementes nativas são usadas para fechar as peças.

Raimunda dos Santos Ferreira, 73 anos, a mais antiga artesã do Urucureá, aprendeu com a avó, que aprendeu com a sogra, que vivia em outra comunidade da região. Hoje, ela ensina a arte para alguns dos seus 45 netos. “Antes a gente fazia só de bandalheira”, gosta de brincar dona Raimunda. Ela foi uma das primeiras moradoras da comunidade e sabe a explicação para o nome. “Urucureá é a terra das corujas. Dizem que aqui tinha muita”.

A partir do resgate das técnicas artesanais, da diversificação dos produtos, do melhor controle de qualidade e do fortalecimento da organização e autogestão comunitária, o grupo de mulheres de Urucureá não apenas aumentou a produção, como também passou a comercializá-la nos grandes centros urbanos do país.

O impacto ambiental do trabalho é mínimo. “Unir tradição com alternativa econômica e preservação ambiental é o que tentamos fazer aqui”, explica Valcléia. As próprias mulheres coletam as palhas que devem ser secadas. Uma folha de tucumã demora cerca de um ano para se regenerar. A renda das cestas, no entanto, não é suficiente para a sobrevivência. Pesca, que às vezes é rara, e a roça, continuam garantindo o sustento. Cada artesã recebe por produto vendido e já há aquelas que se especializaram. Um fundo de caixa de 30% sobre as vendas reverte para um fundo rotativo da comunidade, utilizado em acções de melhorias na comunidade e apoio a projetos, como o combate à desnutrição e acompanhamento médico da saúde materno-infantil. No ano passado, três mulheres do Urucureá tiveram cinco consultas de pré-natal com transporte e outras necessidades pagas pela Associação.

"As mulheres são o eixo principal no contexto comunitário", conta Valcléia Lima, responsável pelo Mulher Cabocla. Segundo ela, mais do que para o estabelecimento de uma alternativa económica sustentável, o programa serviu para instaurar a discussão de género e romper a visão patriarcal que pairava sobre aquelas populações quando,há sete anos, iniciaram as actividades. "Hoje já há mulheres presidentes de comunidades. Urucureá é um exemplo".

O Núcleo Mulher Cabocla integra o Projeto Saúde e Alegria que actua na Amazônia desde 1987 junto a 16 comunidades ribeirinhas dos rios Amazonas, Tapajós e Arapiuns, na área rural dos municípios de Santarém e Belterra. Em 2001, ampliou as suas actividades para localidades situadas na Floresta Nacional do Tapajós (Flona) e na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns (Resex), beneficiando aproximadamente 20.000 habitantes.


Mulher Cabocla ganha prêmio do Banco Mundial
Fonte: Revista Agro Amazônia

O Núcleo Mulher Cabocla, da organização não-governamental Projeto Saúde e Alegria, ganhou o primeiro lugar no prêmio Banco Mundial de Cidadania no ano passado, por causa do projeto das cestarias das mulheres do Urucureá.
Foram R$ 66 mil de premiação, que conta com o apoio da ONU (Organização das Nações Unidas) e Comunidade Solidária do Governo Federal. O próprio presidente do Banco Mundial, James D. Wolfensohn, conheceu mais detalhes do projeto quando esteve em Belém, em novembro de 2000.
O dinheiro recebido será revertido em projetos no Urucureá e em outras quatro comunidades que fazem parte do Núcleo Mulher Cabocla. “Vamos colocar outros produtos. A intenção é aumentar o leque de ofertas”, salienta Valcléa dos Santos
Em Aninduba, o grupo vai melhorar a confecção de redes. Em Suruacá, a idéia é trabalhar o beneficiamento de doces e geléias, desenvolvendo produtos e embalagens com artesanatos que já são feitos na comunidade. Em São Francisco, as mulheres vão trabalhar com frutas desidratadas para comercialização. Já em Cachoeira do Aruã, serão iniciadas oficinas para resgatar a cultura da arte utilitária, como fabricação de tipiti, abanos e paneiros.
No Urucureá, o próximo passo é atingir o mercado de outros países com a obtenção da certificação do FSC (Forest Stewardship Council), o selo verde internacional. “O conhaque surgiu como marca da cidade de mesmo nome na França, por que não criar a marca Urucureá”, argumenta Caetano Scanavino, coordenador do Saúde e Alegria.

Publicado por Ana Tropicana às 06:24 AM

«Santarém, o Planeta Água»

Tropeço num artigo sobre essa outra Santarém da Selva. Já tem mais de um ano, mas a verdade é que pouco mais tem merecido à escrita desde então.

Revista Big Amazônia No 33
16/01/2004


«A bela Santarém é o lugar perfeito para se conhecer o espetáculo dos rios da Amazônia. Águas claras, pretas, brancas, amarelas e esverdeadas estão lá, prontas para um delicioso mergulho ou uma excitante pescaria. Pronta para os turistas de todo mundo.
O Tapajós é uma grande avenida. Pelo menos é o que se diz em Santarém, em referência ao belíssimo rio que banha a cidade. Dentro do espaço do município, é o segundo em extensão territorial e até desaguar no rio Rio Amazonas, em frente à Santarém, ele percorre 132 quilômetros, cortando a porção central da região, de sul a norte. É um afluente da margem direita do rio Amazonas, nascendo do encontro dos rios Juruena e São Manuel (conhecido como Teles Pires)), na divisa dos estados do Pará, Amazonas e Mato Grosso.
Em Santarém, o rio Tapajós é idolatrado e sua fama é chega ao resto do país nas imagens da praia de Alter do Chão. Com uma coloração azul-esverdeada ele expõe, no verão, cerca de cem quilômetros de praias, ao longo de ambas as margens. A atenção dos turistas só se divide quando o Tapajós se encontra com o rio Amazonas, revelando um espetáculo inesquecível. Em verdade, o santareno entende ser o Tapajós o rio da cidade, já que o Amazonas nasce em outro país. Mas o rio Amazonas tem seu valor reconhecido, pois abrange 1/6 de toda a extensão territorial do município, oferecendo boas condições de navegabilidade e expondo sua maior riqueza: a pesca farta.
Os Rios das Praias e das Hidrelétricas
Mas Santarém tema mais quatro importantes rios: o Arapiuns, o Moju, o Mojuí e o Curuá-Una. O Arapiuns é o que mais se destaca por banhar belíssimas praias, à disposição dos visitantes por todo o verão. Já o Curuá-Una tem um forte significado econômico, pois nele está localizada a hidrelétrica do mesmo nome, na Cachoeira do Palhão, distante cerca de 72 quilômetros do centro de Santarém. A hidrelétrica, por mais de 20 anos abastece Santarém. As bacias dos rio Moju e Mojuí são parte da bacia do rio Curuá-Una e formam toda a malha hidríca existente na "região do planalto", composta por inúmeros igarapés e rios de pequeno porte, todos convergindo para o Curuá-Una.
Os Rios do Encontro das Águas dão a Base da Cozinha Santarena: os Peixes
E vem desses rios a base da deliciosa culinária santarena. É claro que a carne bovina, a farinha tapioca e os frutos regionais não estão fora da mesa nativa. Mas é o peixe que seduz o povo e os visitantes de Santarém. São pratos saborosos, com origem indígena, no sábio uso dos produtos amazônicos. Um cardápio peculiar, saboroso e excêntrico.
O pirarucu está entre os mais apreciados. O maior peixe de escamas da Amazônia chega a atingir mais de dois metros e cem quilos de peso e tem carne saborosa. Infelizmente é uma espécie que está escasseando e sua presença nos mercados está proibida pelo Ibama. Só nos resta torcer para que o órgão contenha a pesca predatória para que possamos voltar a saborear o delicioso peixe, o "bacalhau de água doce".
Delícias da Piracai
Curimatá, tambaqui, acari-bodó, jaraqui, tucunaré, de todos estes peixes, a culinária de Santarém faz pratos deliciosos. Entradas como o bolinho de piracuí (a farinha de peixe) e o delicioso charutinho frito, são largamente utilizadas na cozinha santarena, e sucesso garantido entre os turistas. É também às margens dos rios da Amazônia que acontece a piracaia (na língua indígena, peixe na brasa), uma prática muito comum entre a população ribeirinha. Com o tempo, muitas cidades cresceram e perderam o costume de realizar as piracaias. A tradição era reunir as famílias e amigos em praias próximas ao centro da cidade para comer peixe fresco. Tudo ao natural.
Encanto dos Rios
É da água que sai a maior lenda da região, muito viva em Santarém. A lenda do boto encantado é o mito amazônico do delfim maior do rio, que se transforma em homem para seduzir e engravida as moças ribeirinhas. Até hoje, os nativos acreditam mesmo que o boto se transforma em gente e ganha ares de encantamento nas primeiras horas da noite. A sua imagem é inconfundível. Usa um chapéu para esconder o orifício que existe no alto da cabeça para ocultar o forte cheiro de peixe. Veste-se elegantemente de roupa branca e, ao chegar as festas ,atrai a atenção das moça mais jovens e bonitas. Contam que sua tática é infalível: primeiro dança, depois convida as moças para um passeio e, do passeio, a conseqüente gravidez. O encanto do boto termina quando, antes do amanhecer, ele pula na água e volta à forma primitiva. Em regiões mais isoladas da Amazônia, o boto chega a ser naturalmente apontado pai de crianças de paternidade desconhecida.
É toda essa riqueza dos rios amazônicos, dos rios de Santarém, que dá vida ao povo das florestas, que purifica quem neles se banha, que cura quem deles se alimenta.. São os rios que levam estórias de uma região a outra. É a água que dá inspiração aos sonhos dos caboclos, mantém as tradições e a cultura amazônida. A água representa a maior riqueza de um povo que às vezes até sofre com a distância dos grandes centros, mas que, com certeza, é o recurso natural mais valioso, o futuro da humanidade.
»

Publicado por Ana Tropicana às 05:32 AM

A Cafuringa

Lembrei-me da cafuringa, que é um meio de transporte alternativo utilizado para ajudar no escoamento da produção no Pará.
Vem isto a propósito de me ter lembrado do taxista que costumava transportar-me em Santarém e das nossas discussões sobre a construção da nova rodovia que retoma a intenção antiga de rasgar a Floresta.

Sobre a cafuringa, então!

Agência Brasil - 13/07/2004
por Keite Camacho

Nove comunidades da Bacia de São Pedro, no estado do Pará, serão beneficiadas com um transporte inédito: a cafuringa – uma espécie de caminhonete a diesel, adaptada para regiões com grandes elevações. O transporte permitirá aos trabalhadores da Reserva Extrativista (Resex) Tapajós Arapiuns o escoamento da produção até os rios.

Habitantes do centro da floresta, que ficam afastados das margens do rios Tapajós e Arapiuns, poderão comercializar seus produtos, após percorrer, na cafuringa, os seis quilômetros que ligam a reserva aos rios. Os principais produtos de extração são: óleos vegetais, mel de abelha, castanha-do-Pará, seringa, andiroba, copaíba, cumaru, uxí, pequiá, cacau, bacaba, tucumã, inajá, patauá, buriti, açaí, jatobá, coco, curuá, ingá e mucajá.

Ao todo, são duas cafuringas: uma que liga as comunidades ao rio Tapajós e a outra ao Arapiuns. Nazareno José de Oliveira, 56, nascido na Reserva, sabe o que é transportar a produção numa região de difícil acesso. Segundo ele, na época em que trabalhava como seringueiro, era preciso levar a borracha nas costas, pois não havia trilha para andar de bicicleta, moto, carro-de-boi ou mesmo a pé. Hoje, é possível andar com a cafuringa pela floresta, mas seu Nazareno trabalha em outra frente, como presidente da Associação Tapajoara, a principal da Reserva, buscando melhorias para a população da região.

“Conheço a realidade dos moradores da Resex. Diante da necessidade de escoamento da produção dentro da reserva, fizemos um projeto e, junto com o Ministério do Meio Ambiente, a Secretaria de Coordenação da Amazônia e o Projeto de Apoio ao Agroextrativismo, conseguimos R$ 26 mil para a construção das cafuringas e para o frete, de Santarém até o interior da reserva. Com isso, as famílias vão melhorar a sua renda”, disse Nazareno.

Segundo ele, além de levar a produção até o rio e transportá-la para a cidade, os extrativistas precisavam melhorar o preço do produto – o que está sendo remediado por meio de cursos de capacitação, que vêm sendo ministrados na reserva. “Produzir borracha de qualidade traz dinheiro garantido. Além disso, a associação vai capacitar 20 pessoas da comunidade para manusear corretamente o transporte”, disse.

Duas cafuringas, no entanto, representam pouco para a região, segundo o seringueiro. “Ainda não são suficientes. Com crédito, vamos conseguir mais cafuringas, que é o transporte mais apropriado para dentro da floresta”, disse.

A cafuringa vai beneficiar 20 mil pessoas, em 68 comunidades da reserva, que possui mais de 647 mil hectares, e fica localizada no território de duas cidades do Pará: na região oeste de Santarém e noroeste de Aveiro. Criada há cinco anos, a Associação Tapajoara foi resultado da necessidade de união das comunidades frente à invasão das madeireiras. “Tiravam a madeira e acabavam com tudo”, denunciou.

Publicado por Ana Tropicana às 04:50 AM

julho 25, 2005

A propósito do Programa DocTv Ibero-América...

... Deixo dois links interessantes à consulta: Ciberamérica e Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura.

Sabia-se que o Brasil ia reunir com a Venezuela. Dessa reunião sabe-se agora que há notícias animadoras. Assim sendo, oxalá as américas em acordo venham em breve sacudir a reunião com os iberos paralizados!!...

Publicado por Ana Tropicana às 05:19 PM

Mood

Há dois dias que mato a cabeça tentando perceber porque é que, de repente, há uma margem tão larga aqui do lado direito!... Para piorar as coisas, uma nova descoberta: do lado esquerdo apareceram umas estranhas pintas cinzentas, junto de cada link... Eta!!!

Publicado por Ana Tropicana às 03:19 PM

julho 24, 2005

Sobressaltos

Os povos da Floresta acreditam que no céu se pode ler o que está para vir. Podia ter suspeitado que o cinza que hoje amanheceu com o dia era auspício do sobressalto. Divido-me entre o plantão e as notícias do SO do hospital. Venho cá fora fumar mais cigarros do que é costume e, numa dessas idas e vindas, alguém faz reparo do melro que chilreia na árvore em frente. E fico eu a pensar que há sempre uma nota boa em todas as coisas: como esta de haver melros rente ao edifício. De haver alguém que ainda sabe reconhecer uma ave depois de tantos anos no frenesim da urbe.



Publicado por Ana Tropicana às 04:51 PM

Mood

... Depois de ter explicado que os adornos indígenas são uma roupagem do corpo e da alma, e não um mero enfeite à luz do conceito "fashion" europeu, ouvi mais uma vez o "simpático" reparo às "indianices", que é como quem diz, os belíssimos objectos saídos das mãos dos índios. Ia responder: «Prefiro os índios que andam nús, aos que andam tão esfarrapados e sem perceber, por conta de tantas mentiras somadas em cima do lombo!...» Mas achei melhor ficar calada. Não devia... Foi pena!

Publicado por Ana Tropicana às 04:23 PM

Transformar "Limão em Limonada"


Zélia Duncan de autor desconhecido

Para arranjar um bocadinho de coragem diante da terrível ideia de estar atrasada, apesar de ser Domingo... É crime perder mais 5 minutos diante de uma coisa bela?

Escuto AQUI.


Publicado por Ana Tropicana às 01:41 PM

Mood

Domingo abafado,céu cinzento. Quase Agosto, pois então!...típico. Dia de piquete. Nada de novo. O PS não sabe se Alegre, se Soares. Cavaco mantém o «tabú»: ninguém sabe se avança ou não para a corrida, nas presidenciais. É deprimente pensar que, quase 20 anos depois, os protagonistas da querela continuam a ser os mesmos. Como se a regeneração das classes ficasse fora do tempo, no Portugal cristalizado dos fósseis e dinaussauros do costume.

Publicado por Ana Tropicana às 01:26 PM

Lamentos

Leio AQUI que a tão eficiente polícia inglesa que, horas após as explosões de 07 de Julho, em Londres, identificou os quatro terroristas envolvidos no atentado , confundiu um cidadão brasileiro com os responsáveis investigados. Matou-o a tiro, mas foi "por engano".

Publicado por Ana Tropicana às 01:11 PM

Mood

Resultado da observação nocturna - O ciúme mal disfarçado produz uma espécie de substância pegajosa, assim como que uma coisa azeda, parecida com a dor de cotovelo. Bebida lentamente e em silêncio surte um estranho efeito: bloqueia os sentidos à fruicção de toda e qualquer experiência do belo. Inclusive da música.

Publicado por Ana Tropicana às 05:37 AM

julho 23, 2005

Hoje a Felicidade Cantou!...


Uirapuru de autor desconhecido

...E Tupã, o Grande Deus, se quer silêncio na mata, ordena que o mágico pássaro desate a melodiosa voz…



Arcada espessa de vegetação encobria o igarapé. A canoa passava exatamente sob esse túnel formado pela natureza, quando alguém levou o indicador aos lábios e sussurrou:
- Psiu!
- Que é? – perguntou o moço cuja voz fora interceptada.
– Psiu! – insistiram.

De repente, em meio ao estridular e à vozearia do passaredo, ouviu-se como que uma escala de cinco sons límpidos, ternos, macios, agradáveis. Logo após a seqüência de outras notas, vibrantes, que feriam o ar e penetravam até o íntimo dos seres. Nesse interim, o silêncio emudecera tudo: calou-se o sabiá, tacitou o araçari, quietou-se a aratinga.

Afinal, com suavidade e harmonia surpreendente, variou o motivo e, em quente modulação, recheou de trinados e chilreios a sonata, quer alongando as notas plangentes e as harmonias agonizantes, quer elevando-se aos movimentos rápidos e gorjeios vigorosos. Ali se ouviam vozes brancas, timbres de címbalo e clavecino, sibilos de flautim e flajolé, doçuras de ocarina, e o ressoar de mil tintinábulos.

Enquanto a embarcação corria à flor das águas, os viajantes varriam com os olhos o verde sobrecéu que os encobria.
– Todos os pássaros silenciaram…
- É isso que acontece quando ele canta. Reúnem-se em volta dele e escutam.
– Onde estaria?
Deliciavam-se todos com a magia daqueles sons, daquelas harmonias.
– Que animal é esse? – inquiriu alguém.
– O uirapuru! – respondeu outra voz.
– Flechado, se ele cair de peito para cima, serve ao homem como protetor nos negócios e assuntos amorosos… Caso contrário, só serve à mulher…
- Só com flecha que se caça?
- Certo. Não pode ser ferido de outra maneira.
As conversas descambaram, então, para casos narrados sobre o poder da avezinha. E depois:
- Ah! Se eu tivesse um desses bichinhos!
- Quem carrega o uirapuru no pescoço ou no bolso é um afortunado…
- É, carece, enquanto o pajé tratar pela curuaruicica e pelo carajuru. Conforme o rito secreto e especial, o uirapuru se destina a proteger as pessoas em determinada coisa: assim, há uirapuru para o jogo, para o amor, para a caça, para negócios, para viagens e para a pesca.
– Depois de preparado, alguns têm cheiro adocicado e ficam irreconhecíveis. Existe muito uirapuru falsificado por aí.
- Se eu possuísse um urirapuru, guardava num cofre…
- Muitos têm medo…
A palestra seguia, porém, novo silêncio foi imposto a todos. O uirapuru retomava o canto e, agora, bem em cima da canoa, que parecia paralizar a marcha. Súbito, estacou a sonata. Ouviu-se, sim, um forte silvo de flecha lançada de arco certeiro. Num instante, no meio do barco, inerte, jazia caído lá da altura verdejante, o mago cantor do bosque. Fora o barqueiro que o fizera todos se voltaram contra o autor da façanha…
- Um crime matar um pássaro como esse!
Mas, logo se lembraram de sua força sobrenatural, e calaram-se. Naquela luta entre humanidade e superstição, ninguém, entretanto, tivera o cuidado de verificar de que modo ele havia tombado ao fundo do barco. Tomou-o o moço e guardou-o no samburá.

A moça, que a tudo assistira, não partilhara da revolta contra o barqueiro; pelo contrário, aproximou-se dele, em seguida. A sua estória era semelhante. Ela amava esse moço, mas este se apaixonara por outra, que, aliás, não o queria.
– Cinco vinténs pela caça? – disse a jovem apaixonada.
– Nem todo o dinheiro do mundo! – exclamou o canoeiro.
– Pois bem, tu bem sabes que eu o quero: hei de trabalhar de sol a sol, ganhar muito dinheiro, e comprar um uirapuru. Depois, hás de sofrer na alma a paixão incompreendida…

Por isso, se você ama e não é correspondido, ou se não vão bem os negócios, trate de possuir logo um uirapuru, que ele dá sorte e traz a felicidade no amor.
Como descobri-lo? É fácil: quando o uirapuru começa a cantar, o passaredo, estatelado e silente, se põe à roda a escutar…

FONTE
(Hermínio de Campos Melo. In MELO, Anísio.
Histórias e lendas da amazônia)


Um jovem guerreiro apaixonou-se pela esposa do grande cacique. Como não poderia se aproximar dela, pediu à Tupã que o transformasse em um pássaro.

Tupã transformou - o em um pássaro vermelho telha, que à noite cantava para sua amada, porém foi o cacique que notou seu canto. Ficou tão fascinado que perseguiu o pássaro para prendê-lo. O Uirapuru vôou para a floresta e o cacique se perdeu.

À noite, o Uirapuru voltou e cantou para sua amada. Canta sempre, esperando que um dia ela descubra o seu canto e o seu encanto. É por isso que o Uirapuru é considerado um amuleto destinado a proporcionar felicidade nos negócios e no amor.

(repete a anterior)AQUI: Uirapuru


O UIRAPURU

Lenda do pássaro da voz mais melodiosa da mata. Conta a história que um belo índio, disputado por todas as jovens da tribo, foi morto por seu rival. Mas como que por encanto, o corpo desapareceu, transformado num pássaro invisível. Desse dia em diante, apaixonadas e saudosas as índias ouviam apenas um canto maravilhoso, povoando de harmonias os ermos da floresta, mas que afastava-se sempre que elas o perseguiam. Era o belo índio que haviam perdido para sempre, encantado no pássaro da voz mais melodiosa da mata. Era o Uirapuru.


O uirapuru é um pássaro típico do norte do país, onde existe uma lenda de que todos os outros pássaros param de cantar para ouvi-lo.

Vive na parte baixa da floresta. Come frutas, mas, principalmente, insetos.

Após uma época de seca e logo que começa a chover, as formigas taocas saem de seus formigueiros e atacam todos os pequenos seres que encontram. Isso gera uma movimentação desesperada de vários seres na floresta, chamando a atenção de vários pássaros, inclusive o uirapuru. É um banquete para todos os pássaros que comem formigas.

Enquanto os outros comem, o uirapuru canta. O seu canto, curto e forte, demonstra que ele está dominando o território.

Com um canto longo e melodioso, sua "intenção" é outra: a atração para acasalamento. Esses cantos duram de dez a quinze minutos ao amanhecer e ao anoitecer, na época de construção do ninho.

Durante o ano todo, o uirapuru canta apenas cerca de quinze dias.


Irapuru - O canto que encanta

Certo jovem, não muito belo, era admirado e desejado por todas as moças de sua tribo por tocar flauta maravilhosamente bem. Deram-lhe então o nome de Catuboré, (flauta encantada). Entre elas, a bela Mainá conseguiu o seu amor; casar-se-iam durante a primavera.
Certo dia, já próximo do grande dia, Catuboré foi à pesca e de lá não mais voltou. Saindo a tribo inteira à sua procura, encontraram-no sem vida à sombra de uma árvore, mordido por uma cobra venenosa.
Sepultaram-no no próprio local.
Mainá, desconsolada, passava várias horas a chorar sua grande perda.
A alma de Catuboré, sentindo o sofrimento de sua noiva, lamentava-se profundamente pelo seu infortúnio. Não podendo encontrar paz pediu ajuda ao Deus Tupã. Este então transformou a alma do jovem no pássaro Irapuru, que mesmo com escassa beleza possui um canto maravilhoso, semelhante ao som da flauta, para alegrar a alma de Mainá.
O cantar do Irapuru ainda hoje contagia com seu amor os outros pássaros e todos os seres da Natureza



Os nossos ancestrais índios, consideravam certas aves como entes de forças superiores e atribuíam-lhes especial devoção, admitindo a existência de um poder que se comunicava à pessoa que os possuísse.

Nesta crença que se fez tradição, tomam vulto dois pássaros: o cauré e o uirapurú. O primeiro é um rapineiro escuro (falco rufigularis), que tem as asas inferiores com pontos brancos, a cabeça grande, os olhos extremamente vivos e o porte esbelto dos falcões. Revela tanto no seu porte a nobre origem que tira da mais alta linhagem da família dos falconídeos, como no esporte que ele cultiva na caça de andorinhas, reservado a maestria excepcional na arte de voar destes nobres salteadores. Há naturalista que acrescentam que o cauré atira-se em qualquer pássaro de vulto como o mutum, não temendo nem o gavião real. Persegue-os no seu vôo e introduz-se sob as asas, onde se agarra e vai devorando-os até caírem.

Em todo o Brasil há ciclo de lendas em torno deste pequeno gavião.

Entre o povo da Amazônia, o cauré é um símbolo de fortuna e felicidade doméstica a que muitos aspiram. Com extrema rapidez, passeando pelo ar ele arranja tudo que necessita para o seu ninho. Nada lhe escapa ao bico. Sem suar, nem fadigar, arranja num rápido passeio pelo ar tudo que lhe for preciso para sua casa, que cresce da noite para o dia. Pode haver criatura mais feliz do que o cauré, do qual mesmo dormindo seus haveres aumentam, enquanto que os outros tem de se cansar nas labutas da vida cotidiana? Esta é a razão pela qual muita gente procura usar como talismã, pedaços de seu ninho, considerado chamariz de fortuna.

Na bacia do Prata, conta-se que nosso falcão, quando grita ou olha do alto, todas as aves que estão ao alcance de sua voz estremecem e não conseguem fugir. Conta-se que esta ave exerce um fascínio muito grande e as outras aves atraídas como por um ímã, encaminham-se para ele, pulando de galho em galho até chegarem ao falcão que as espera imóvel. Deste modo sempre lhe foi conferida a virtude de atrair pessoas e coisas.

Uma crença antiga, era que quem possuísse um cauré, ou mesmo três penas de sua asa, tudo lhe correria bem. Não tardará em ser um homem venturoso possuidor de terras, em tirar sorte grande, se costuma comprar bilhetes de loteria. Todo comerciante deve guardar na mais alta das suas prateleiras do seu negócio um pacote contendo as milagrosas penas do cauré, para aliciar irresistivelmente grande número de fregueses. Já as jovens que procuram um namorado, não deixam de recorrer a este mágico atrativo, aos seus olhos, talvez mais poderoso do que Santo Antônio.

Mas, entretanto, não é tarefa fácil, conseguir tal amuleto. O cauré não freqüenta centros populosos e esconde-se nas selvas mais virgens, o que torno difícil apanhá-lo. É uma lástima, pois se houvesse mais à mão o cauré, talvez todos os desejos seriam cumpridos e com a devida magia, o vocábulo "solteirona", seria riscado do dicionário.

Semelhante o cauré, no que diz respeito à uma ave sagrada, temos o uirapurú. Entretanto, enquanto que o cauré se destaca pelo predomínio do terror, o uirapurú, arrebata pelo seu encanto e simpatia. É uma ave pequena, do tamanho do curió, mas cujo canto possui a virtude de seduzir e prender todas as outras aves. As modulações de seu canto provocam efeitos de um concerto no seio da floresta.

Segundo uma tradição, esta ave é não só protegida por todas as outras aves que formam seu sequito, como é por elas sustentada. O seu único perseguidor é o homem que considera-a portadora de felicidade, pelo poder que tem seu canto, empregando os maiores sacrifícios para obtê-la, mesmo morta, acreditando conservar o seu inestimável condão. No Pará e Amazonas, elevadíssimo o preço de um uirapurú e, segundo a crença, aquele que o possuir, será sempre feliz.

O uirapurú filia-se a Guarani, o deus superior a quem o índio atribuía a criação do homem e de todo o ser vivo. Sua missão na terra é presidir o destino dos pássaros, dos quais toma a forma, fazendo-se rodear deles.

O uirapurú era a maravilha da mata, muito embora pequeno e feio, seu canto encanta e fascina a todos que tem o privilégio de o escutar. Orfeu com sua lira encantada não seria mais poderoso, nem tampouco tão hipnótico e magnetizador que o uirapurú cantando na selva amazônica. É difícil vê-lo ou ouvi-lo cantar, pois ele só o faz nas copas mais altas das árvores.

Os uirapurús eram preparados como amuletos pelos indígenas, que tinham a virtude de trazer felicidade e riqueza a quem o possuísse. Mas para que estes resultados surtissem efeito, ele não poderia ser comprado, ganho ou achado e sim subtraído.

Ao belo canto desta ave, que é imitativo, com o qual provoca o cortejo das demais, dedica, com espirituosa e irônica alusão a outros cantores e poeta maranhense Humberto de Campos o soneto:

"Dizem que o Uirapurú, quando desata

A voz, Orfeu do seringal tranqüilo

O passaredo, rápido, a segui-lo

Em derredor agrupa-se na mata.

Quando o canto, veloz, muda em cascata

Tudo se queda, comovido a ouvi-lo:

O mais nobre sabiá surta a sonata

O canário menor cessa o pipilo.

Eu próprio sei quanto esse canto é suave

O que, porém, me faz cismar bem fundo

Não é, por si, o alto poder dessa ave.

O que mais no fenômeno me espanta

É ainda existir um pássaro no mundo

Que fique a escutar quando outro canta!"

Ainda hoje, algumas pessoas o procuram como amuleto para redobrar o encanto, simpatia ou fortuna do possuidor.

O URUTAU

Destino diverso do uirapuru é o do urutau. Enquanto o primeiro tem a virtude de atrair as outras aves e prender a curiosidade humana pela magia de seu canto, este atemoriza pelo grito de queixa ou de gemido.

É uma ave noturna, "nictibius gradis", que em noites de luar desliza nas alturas, entretendo-se em perseguir e devorar borboletas. Ele habita a zona norte e nordeste da Argentina, as matas do Paraguai, o norte do Uruguai e o Brasil, onde toma vários nomes: Jurutaui na região amazônica; ibijouguaçú entre os tupis e Mãe da Lua entre os mineiros. Suas designações correspondem a diversas zonas lingüísticas: à dos tupis e guaranis e à do idioma quichua. Na zona guaranítica o pássaro chamava-se urutau. Existem duas etimologias para esta palavra, a primeira vem do tupi "uirataub" e quer dizer pássaro fantasma. A outra, de "Juru" (boca) e "tahy" (escancarada). De acordo com este significado, este pássaro deu origem a dois contos bem procedentes, onde a boca aberta do pássaro era comparada a vulva da mulher, versão também estendida entre os índios Uapiziana, da Guiana. Na zona de idioma quichua, o urutau tem o nome de "cacuy".

O urutau é uma ave rara, que dorme durante o dia escondida em uma árvore. Procura uma extremidade e aí se estende, se adaptando de tal maneira que toma o aspecto de prolongamento do galho. Possui a cabeça chata, olhos grandes e vivos, a boca rasgada de tal maneira que seus ângulos alcançam a região posterior dos olhos. Sua cor é parda acanelada, apresentando listras transversais escuras. Isso lhe permite adaptar-se a cor do galho onde pousa. Esse seu disfarce associado a sua perfeita imobilidade o protegem da vista dos caçadores. Tem a cabeça larga e chata, belos e grandes olhos, uma boca enorme, de sorte que seus ângulos alcançam a região posterior dos olhos.

Seu grito é um "hu-hu-hu", que se faz ouvir após o anoitecer, procurando então, a solidão mais espessa dos bosques, de onde faz se desprender sua voz de profunda lamentação. Para alguns, parece semelhante ao clamoroso lamento de uma mulher que termina com amortecidos "ais". Seu canto provoca, portanto, espanto e piedade aos que possam ouvi-lo e é também fantasmagórico. A par da voz queixosa e plangente, uma quase invisibilidade, confere-lhe o caráter de um ente misterioso. Muitos não o tomam por uma verdadeira ave, senão por um ser fantástico, inacessível a mão e o olhos humanos. Já outros, porém, não duvidam de sua existência, mas consideram-no como um ente enigmático e superior, dotado de muitas qualidades fora das leis naturais, entre elas, a de preservar das seduções a pureza das moças. Conta-se que antigamente, matavam para isso uma dessas aves e tiravam-lhe a pele que era seca ao sol. Servia para assentarem-se nela as filhas, nos três primeiros dias, do início da puberdade. No término deste tempo, a jovem saía "curada", isto é, invulnerável à tentação das paixões desonestas que pudessem atrair.

As qualidades sobrenaturais deste pássaro se destacam nas crendices populares. As penas e a pele do urutau, portanto, são tão milagrosas como as do cauré.

Apesar de seu grito de lamentação, o urutau não era tido entre os indígenas como uma ave de mau agouro. Conta-se que os tupinambás consideravam o canto desta ave como saudações de defuntos parentes e amigos e para excitá-los à guerra contra os inimigos. Conta-se que um, foi pousar em uma aldeia dos Tupinambás, quando ouviu um lastimosos gritar, vendo que os pobres índios estavam tão atentos a ouvir o urutau e sabendo também a razão, queria mostrar-lhes a loucura do proceder, mas um velho lhe respondeu:

- "Cala-te e não me impeças de ouvir as boas notícias que nossos avós agora nos ensinam, pois quando ouvimos esta ave, nós alegramo-nos e cobramos uma nova força".

LENDAS DA ORIGEM DO MITO

Várias são as lendas de seu nascimento.

Uma delas nos relata que à beira das águas do Uruguai, ondeadas pelos balsâmicos ares da região missioneira, foi berço de Nheambiú, terna jovem guarani, filha única de um poderoso morubixaba , que tinha castigado os ferozes goitacazes. Preso dele foi Quimbae, guapo e generoso guerreiro, que se apaixonou por Nheambiú. Porém os pais opuseram-se constantemente à união matrimonial dos dois seres que já não eram senão uma alma.

Um dia, quando menos esperavam, desapareceu Nheambiú da casa de seus pais. Os alarmados tuxavas acudiram à morada de Quimbae, suspeitando que com ela tivesse fugido. Quimbae, porém, estava em casa e surpreendido manifestou sinceridade e estranheza que lhe causou a notícia, julgando impossível que uma jovem tão meiga e discreta tivesse fugido da casa paterna.

- "Sonhei, disse ele, que uma mulher fera, que representava a desgraça, tinha levado Nheambiú aos montes, onde mora entre os quadrúpedes e as aves, que não a ofendem, nem fogem dela".

-"Aos montes! Aos montes!" clamava o aflito pai. "Aos montes para buscar minha filha, que levou caipora".

O barulho que faziam os "ipecuas" (pica-paus), pássaros que alvorotam muito ao chegar gente, excitou a curiosidade da fugitiva. Saindo do espesso mato, achou-se logo rodeada dos solícitos vassalos de seu pai, que carinhosos tentam por todos os meios, persuadi-la a regressar aos lares de sua família. Mas o excesso de dor, sem esperança e sem consolo, afogava no peito de Nheambiú, que nem se deu o trabalho de articular alguma palavra. Tinha perdido inteiramente a sensibilidade. Insensível e muda, virou-lhes as costas e internou-se de novo no denso mato.

As amigas de Nheambiú lhe eram muito afeiçoadas, pois ela fazia-se querida por elas em virtude da sua bondade e indulgência. Vendo frustrada a missão dos emissários que tinham voltado, lamentando o acontecido, determinaram unânimes ir em busca da fugitiva. Mas estas, também retornaram consternadas. Suas perseguições não foram mais eficazes do que as que a precederam. Nheambiú permaneceu perante elas, muda e fria como uma estátua de mármore, sem dar sinal de sentimento.

Consultaram então o adivinho. Este preparou-se para fazer o possível, tomando diversas cabaças de mate e chicha, murmurando algumas palavras entre os dentes e depois de fazer algumas viagens, caiu como que morto. Em seguida levantou-se e foi-se novamente, mas voltou dizendo que abandonassem esperanças quanto a pretensão de trazer a moça de volta para casa.

Mas, seus pais, preferiam morrer a abandoná-la. Então fez Aguara outro e último esforço. Entendia que para tirá-la do seu letargo era necessário uma inteira revolução moral que fizesse reviver em sua alma o fogo da sensibilidade que estava como extinta, convertendo-se num estado de absoluta indiferença a tudo. "Faz que ela sinta", disseram ao feiticeiro. Obedecendo chegou-se pausadamente e disse em seu ouvido:

- "Quimbae faleceu".

Uma faísca elétrica rápida e eficaz inflamou seu corpo. A moça exalando repetidos "ais", desaparece instantaneamente aos assombrados olhos dos que a rodeavam e que, penetrados de dor, convertem-se em salgueiros. Nheambiú, convertida subitamente em uma ave que chamam urutau escolhe o mais velho e desfolhado galho daqueles salgueiros para chorar eternamente sua desgraça.

Já outra lenda, nos fala de Jouma, cacique dos Mocovies (guaranis), surpreende a Marramac, nos braços de um estrangeiro e o mata a flechadas. Perde posteriormente a razão e transforma-se no urutau. Segundo uma outra versão, o Urutau é um menino, órfão de pai e mãe, que passa a vida muito triste, chorando a perda dos progenitores. Fita o Sol e a Lua e, quando os astros desaparecem, não faz mais do que lamentar-se. Contava uma lenda também, que o urutau foi uma pessoa que não quis visitar o Menino Jesus, e por isso hoje chora arrependido de novembro a janeiro.

Por sua existência misteriosa, o urutau além das lendas era objeto de práticas supersticiosas. Os guaranis acreditavam que partindo-se as asas e as pernas do pássaro durante a noite, no dia seguinte ele amanhecia perfeito. Segundo à algumas crendices indígenas, esta ave noturna se revestia de atribuições que são inerentes ao Cupido. As penas do urutau eram eficazes talismãs de amor. Assim sendo, aquele que conduzir uma de suas penas, atrai a simpatia e o desejo do outro sexo; que se consegue qualquer pretensão com a escrita com uma de suas penas. Acreditava-se ainda, que suas penas e cinzas eram remédios contra doenças.

Uma das crenças mais curiosas no poder sobrenatural do urutau é a que faz referências a sua posição face ao ciclo solar. Quando o sol nasce o pássaro volta sua cabeça para ele e acompanha o seu curso. Quando o astro caminha para o poente, começa então a entoar o canto dolorido "u - ru - tau".

Couto de Magalhães elevou o urutau à categoria dos deuses, reservando-lhe o segundo lugar da sua teogonia tupi.

O urutau pertence à Ordem dos Caprimulgiformes, família dos Nyctibiidae. No Brasil, ocorrem as seguintes espécies: Nyctibius grandis (Urutau, Mãe da Lua Gigante); Nyctibius griseus (Urutau) e Nyctibius aethereus (Mãe da Lua Parda).

JURUPARI

A crença neste mito aceita duas denominações gerais: no norte, o "Jurupari" e no sul, o "Anhangá".

Entre as tribos indígenas é diferente e contraditório o destino do JURUPARI. Alguns, não o conheciam como espírito do mal, porém, emprestam-lhe todas as feições de um ser maligno. Outros o identificavam como o Anhangá, aquele espírito nada bom de que falavam os escritores do sul. Mas todos concordavam que Jurupari e Anhangá significavam simplesmente "diabólicos".

Entre o anhanga do sul, conhecido por "Cuaçu anaga" ou "Catingueiro" e o ananga do Amazonas, é que se deve estabelecer a diferença. O primeiro deriva de "ayua" ou "ayba", mal, e "anga", alma, de onde se formou a expressão espírito do mal. E o segundo vem do "aná", parente e "anga", alma, de onde procede o preceito de alma do parente, fantasma ou alma do outro mundo.

A única dúvida que resta é saber como se parecem. O Jurupari não tem encarnação alguma e o Anhangá apresenta-se sob o aspecto de um veado vermelho, com chifres cobertos de pelos, olhos de fogo e com uma cruz no meio da testa. Ele vive em lugares da mata considerados assombrados, perseguindo os caçadores que se atrevem a violar o seu domínio. O Anhangá foi um dos primeiros seres sobrenaturais dos quais os conquistadores portugueses tiveram notícias entre os indígenas.

O Anhangá junta-se com outros defensores da natureza, como o Curupira, Caipora e o Mantintaperera. Defende as fêmeas grávidas ou com filhotes e os animais fracos e feridos. Existem Anhangás que encarnam outros animais, como Tatu-Anhangá, ou mesmo disfarçando-se de gente, como o Mira-Anhangá.

Jurupari é o espírito dos maus pensamentos, que aparece em sonhos, causando os chamados "pesadelos" noturnos. É portanto, uma entidade espiritual que provoca insônias, mal estar, prejudicando a tranqüilidade e o repouso. Assim também é Anhangá.

Pelas indicações que nos oferecem as lendas coletadas do Jurupari e do Anhangá, verifica-se que é um motivo da ordem fisiológica, pesadelo ou sonambulismo, que determina a ação deste espírito.

Há, entretanto, lendas cheias de mistérios e romance sobre suas origens e destino. Em uma, Jurupari, aparece como imigrante invasor, que dita leis e se constitui como orientador de uma raça e, cujos exemplos e lições devem ser obedecidos pelos índios.

Na maioria das lendas de que se têm conhecimento, os Juruparis não são outra coisa, senão o resultado das atribulações noturnas do indígena, surpreendido e salteado por pesadelos.

Foram os jesuítas, sabe-se hoje com certeza, que caracterizaram o Jurupari como demônio. Supersticiosos, os índios foram fáceis de serem conduzidos, aceitaram prontamente que as interrupções do sono e os sustos eram obra de um espírito do mal. E, efetivamente, o testemunho de quase todos os missionários era que o jurupari era sinônimo do demônio. Já mostraremos, porém de onde procede esta analogia.

Jurupari, é traduzido como: "ser que vem a nossa rede", isto é, ao lugar onde os índios dormiam. A tradução, conforme tradição indígena, exprime a idéia de que um estranho visita os homens em sonho, causando aflições e trazendo-lhes imagens de perigo horríveis. Esta aí delineada nitidamente a imagem do pesadelo.

Os índios piranhas, que habitavam o médio rio Maici, afluente do rio Marmelos, dão o nome de "paracé" aos rituais com que costumavam invocar os espíritos de Urupá, zelador e protetor da tribo e de Jurupari, interesseiro e vingativo, mas que tudo sabe.

Quando no momento da invocação o pajé tomava as suas vestes guerreiras, embrenhava-se na mata, deitava-se comodamente no solo e fazia sua penitência. Aí, depois de longos momentos de concentração, assobia para as bandas do nascente, como fazem as crianças para chamar o vento, esperando, deste modo, o momento em que deve incorporar o espírito. Se é o espírito de Urupá que chega, o pajé mostrava-se calmo e corria até o terreiro da maloca, onde, confundia-se com os demais índios, dançava e conversava moderadamente incitando-os ao amor e ao trabalho e às terras conquistadas pelos seus antepassados.

Mas, se era o espírito de Jurupari que se manifestava, o pajé tornava-se rebelde e inquieto, vociferando, cantando com imprecações, rolando pelo chão e quebrando o mato alucinadamente. Cessado este estado de excitação, o pajé se aproximava da maloca, onde os índios cantavam e dançavam em torno de uma fogueira e ocultamente dava um assobio pedindo caxiri, vinho de bacaba, patauá ou qualquer outra bebida preparada para o purecé. Um dos índios ia até o local onde se encontrava o pajé, entregava-lhe a bebida e voltava com os olhos cravados no chão sob pena de ser varado por uma flecha vibrada pelo arco do pajé que o fitava com sisudez e severidade sem perder nenhum de seus movimentos.

Incorporado no pajé, Jurupari toma a bebida e corria novamente para a mata distante onde prossegue sua cólera diabólica, imprecando ou brandindo o arco na simulação de uma luta contra o inimigo. Mais tarde, retornava a uma touceira de mato, próxima da maloca e, oculto aos olhares profanos, respondia às perguntas que lhes eram dirigidas pelos índios, profetizando bens e males que haveriam de suceder.

LENDA DO JURUPARI, O HERÓI SOLAR

O Jurupari é um profético-legislador, o filho de uma virgem, concebido sem contato com homem, pela virtude do sumo da cucura (pouruman Aubl) do mato, no momento em que Ceuci comia embaixo da árvore, esta fruta que era proibida as donzelas. Veio à mando do Sol, era portanto um filho do sol, que deveria reformar os costumes da terra e também encontrar a mulher perfeita com quem o Sol pudesse casar. Não a encontrou e jamais encontrará. Mas, talvez até por que não lhe desagrade a missão, continua sua busca, sem que se saiba o caminho por onde se tem arriscado nessa esforçada e inútil tentativa. Só regressará ao céu no dia em que a tiver encontrado e corresponder assim, a confiança nele depositada. Enquanto isso não acontece, ele desenvolve sua atividade em outro sentido.

Quando o Jurupari chegou à terra, as mulheres é que mandavam, elas eram as representantes do sexo forte (sistema matrilinear). O enviado do Sol não gostou do que viu. Cassou-lhes de imediato o poder (sistema patrilinear), transferindo-os para os homens, sob o fundamento que as coisas como estavam iam de encontro ás leis do Sol (deus masculino).

Para os homens se tornarem independentes delas, instituiu grandes festas em que só eles podiam participar e segredos só a eles contou. As mulheres que fraudassem tais regras deviam morrer. E, em desobediência a esta lei, morreu Ceuci, a própria mãe do legislador.

As leis de Jurupari revelam que os homens só são iniciados nos seus segredos depois de sofrerem, desde a puberdade, esmerado preparo e atingirem a idade em que se sentem plenamente fortes para resistir a qualquer sedução que lhes queira arrebatar os segredos. A morte á a punição a todo aquele que o desvenda. Castigo idêntico recaía sobre a mulher que, mesmo por acaso, soube ou viu os instrumentos sagrados.

AS DURAS LEIS:

As leis estabelecidas por Jurupari, relegaram as mulheres a uma situação de total inferioridade e subordinação aos homens. A sua simples existência, demonstra que a situação da mulher antes delas era outra.

Em 1909 foi Don Frederico Costa, bispo de Uaupés que as recolheu no seio de um movimento de libertação de mulheres, são elas:

1 - A mulher deverá conservar-se virgem até a puberdade;

2 - Nunca há de prostituir-se e ser'á sempre fiel ao seu marido;

3 - Após o parto da mulher, deverá o marido abster-se de todo o trabalho e de toda a comida, pelo espaço de uma Lua, a fim de que a força desta Lua passe toda para a criança. (Aqui é estabelecido o "couvade", retirando os direitos de propriedade sobre os filhos das mulheres)

4- O chefe fraco será substituído pelo mais valente da tribo;

5 - O chefe poderá ter tantas mulheres quantas puder sustentar;

6 - A mulher estéril do chefe será abandonada e desprezada;

7 - O homem deverá sustentar-se com o trabalho de suas mãos;

8 - A mulher nunca poderá ver o Jurupari, afim de que assim seja castigada por alguns de seus três defeitos dominantes:

a) a incontinência;

b) a curiosidade

c) a facilidade em revelar segredos.

Jurupari também estabeleceu uma rigorosa distribuição de trabalho: os homens deveriam ir à guerra, à caça e pesca e às derrubadas da mata. As mulheres deveriam dedica-se à cerâmica, tecelagem, transporte de carga, trato dos filhos e agricultura.

O general Couto de Magalhães, referindo-se ao Jurupari afirma que "com exceção do Jurupari, não há um só ente sobrenatural entre os selvagens a que se não atribua a ação benéfica de proteger uma certa parte da criação, de que ele era reputado um pai mais próximo do que o Sol ou a Lua, mas em suma, um pai".

E este ilustre desvendador de tantos mistérios deste reino maravilhoso dá-nos ainda, importantes informes no seu grande livro "O Selvagem" sobre a teogonia dos índios, que atribuíam a cada ordem da criação um deus protetor, uma espécie de mãe, que a defende contra tudo e, especialmente contra a ação destruidora do próprio homem.

SIGNIFICADO DO JURUPARI

As leis do Jurupari impunham silêncio total sobre os segredos ocultos. Um pai deveria matar seu filho, se este descobrisse, antes de ser iniciado pelos rituais qualquer particularidade sobre suas festas sagradas. Nestas cerimônias iniciáticas, os Uananá, por exemplo, cantavam os seguintes versos:

"Sol, faz valente seus corações!

Lua adoça suas falas!

Sete-Estrelo (Ceuci) ensina-os a fugir

De um dia tudo contar!"

Pois a cantiga já despensa muitas palavras. Os iniciados portanto, tinham que permanecer sempre com a boca fechada, segundo regiam as leis de Jurupari e deviam também, invocar a proteção das Sete Estrelas ou Ceuci, a mãe de Jurupari, que correspondem ao aglomerado estelar aberto das Plêiades, na Constelação de Touro, próximo às "Três Marias", o cinturão da constelação de Órion.

O Jurupari é o responsável pela criação da instituição secreta da "Casa dos Homens" e também pelo invento dos instrumentos sagrados, máscaras e da festa reservada exclusivamente para o homem, o que servia para evidenciar o caráter de dominação patriarcal no seio das tribos.

Vemos no Jurupari a representação do poder masculino as vezes justo, mas em outras extremado O sentimento de ódio e paixão às mulheres é o que domina no Jurupari. Algumas mulheres, também o possuem, sem saber, a força do Jurupari, a sua faceta masculina que se expressa com maior ou menor intensidade.

Até hoje se mantêm na Amazônia o culto ao Jurupari.

CURUPIRA

Curupira, de "curu", abreviação de "curumi" e "pora", corpo ou corpo de menino. É a "Mãe do Mato", o tutor da floresta, que se torna benéfico ou maléfico aos freqüentadores desta, segundo as circunstâncias e o seu procedimento. Ele possui várias formas apresentando-se através de uma figura de um menino de cabelos vermelhos, peludo, com a particularidade de ter os pés virados para trás (no rio Negro); ser privado de órgãos sexuais (Pará); com dentes azuis ou verdes e orelhudo (rio Solimões).

Sob sua guarda direta está a caça e é sempre propício ao caçador que mate de acordo com suas necessidades. Mostra-se extremamente hostil ao que persegue e mata as fêmeas quando prenhas ou cause danos aos filhotes. Para estes o curupira é inimigo terrível. Consegue iludi-los sob a feição de caça e deixa-os no mato à fome e desamparo. Esta entidade é capaz de imitar a voz humana para atrair os caçadores.

Além de ser protetor dos animais, o Curupira é considerado o Senhor das Árvores.

Entre os mitos indígenas, o Curupira é incontestavelmente o mais antigo, companheiro inseparável das crenças populares, de onde se admite a possibilidade de ser verdadeiramente indígena, senão antes legado pela população primitiva que habitou o Brasil no período pré-colombiano e que descendia dos invasores asiáticos. Por esta hipótese, teria passado dos Nauas aos Caraibas e destes aos Tupis e Guaranis. De sua existência há notícia nos primeiros cronistas da nossa formação, em Anchieta (1560), Fernão Cardim (1584), Laet (1640) e Acuña (1641). Todos lhe celebraram as manifestações como guardião das florestas. Fatores naturais do tempo e do espaço se encarregaram de modificá-lo pouco a pouco. Assim, atravessando épocas e geografias, o Curupira foi sofrendo inevitáveis influências do meio por onde se estendeu, adquirindo novas feições e ganhando novos atributos. Para crença em geral, ele o Senhor, a Mãe, o Guardião das florestas e da caça, que castiga a todo aquele que a destrói, premiando a aqueles que não o contrariam ou se mostram solícitos e obedientes.

O Curupira, ora é imperioso e brutal, ora é delicado e compassivo, ora não admite desrespeito ou desobediência, ora se deixa iludir como uma criança. Em cada região adquiri um tipo característico, quando varia o lugar. Segundo uma crença generalizada, é o responsável pelos estrondos da floresta. Armado com um casco de jaboti, bate nas árvores para ver se conservam-se fortes para resistir as tempestades. No Alto Amazonas, porém, bate é o calcanhar. Tão variadas são as suas metamorfoses, que não é difícil vê-lo tomar a forma feminina e mesmo, a dos dois sexos, que lhe dá uma aparência andrógina. O Curupira, entretanto, sob qualquer aspecto que se apresente, sempre tem os pés voltados para trás, que são indícios para filiá-lo ao berço semítico, o qual nos refere a uma crença corrente na Ásia em "Homens com pés voltados para trás", bem como os que tinham "orelhas grandes" eram comuns.

Transplantada para solo americano, esta crença foi se modificando ao sabor das circunstâncias. Assim é que vemos surgir o Curupira sob diferentes nomes: o "Maguare", na Venezuela; o "Selvaje", na Colômbia; o "Chudiachaque", no Peru; o "Kaná", na Bolívia. Como se vê, inúmeras são suas metamorfoses e designações, conforme testemunhos e fatos colhidos na história.

Quando Curupira entra no Maranhão, não muda de nome, mas mora no galho dos Tucunzeiros e procura as margens do rio para pedir fumo aos canoeiros e vira-lhes as canoas quando não lhe dão, fazendo as mesmas correrias pelos matos onde tem as mesmas formas com que se apresenta na Amazônia. Atravessando pelo Rio Grande do Norte e pela Paraíba, toma então o nome de Caapora. Conta-se que tornou-se inimigos dos cães de caça. Obriga-os a correr atrás dele, para fazer com que os caçadores o sigam, mas desaparece de repente, deixando os cães tontos e os caçadores perdidos. Nestes locais anda sempre à cavalo, ou montando um veado ou um coelho.

Em algumas ocasiões, foi descrito como um índio de pele escura, nu, ágil, fumando cachimbo e que adora fumo e cachaça, dominando com seus assobios os animais da mata. Indo o caçador munido de fumo e encontrando o Caapora, se este pedir-lhe e for satisfeito, pode contar que será daí em diante feliz na caça.

No Ceará conserva o nome de Caapora, porém muda novamente seu aspecto, perde todo o pelos do corpo, que se transforma numa enorme cabeleira vermelha, apresentando também dentes afiados.

O Caapora não é senão um prolongamento do Curupira. Em Pernambuco lá está ele com suas características. Montado num veado, tem nas mãos um galho de iapekanga e traz consigo sempre um cão a que dão o nome de "Papa-mel". Em Sergipe, mostra-se sempre gaiato e, brincando faz o viajante rir até cair morto. Por isso talvez, que ele é venerado como "espírito cômico". Passando pela Bahia, sofre aí uma transformações completa e não só muda de nome como de sexo, aparecendo sob a forma de "caiçara", cabocla pequena, quase anã, que anda montada num porco.

O Curupira e o Caapora constituem a mesma personificação do guardião das florestas, sendo o primeiro peculiar da região setentrional e o segundo da central e meridional.

Bibliografia consultada

As Amazonas - Fernando G. Sampaio

Indiologia - Angyone Costa, Biblioteca Militar, 1943.

Migrações e Cultura Indígena - Angyone Costa, Comp. Ed. Nacional, Brasiliana. 1939

O Selvagem - Couto de Magalhães. 4 Ed. Brasiliana

Mitos e Lendas do Brasil
www.rosanevolpatto.trd.br

A Lenda do Uirapuru

Um pássaro de plumas vermelhas e canto perfeito é atingido por uma flecha de uma donzela apaixonada e se transforma num forte e belo guerreiro. Muito enciumado, um feio e aleijado feiticeiro toca uma linda música em sua flauta encantada e faz com que o jovem desapareça. Desde então, só restou a bela voz do guerreiro na mata. É muito difícil conseguir ver o uirapuru, mas com freqüência seu canto perfeito é ouvido.

Publicado por Ana Tropicana às 07:11 PM

Recantos


verdes águas de autor desconhecido

Fico então a saber que, talvez em Agosto, seja necessário regressar. Há sim, muito trabalho a fazer. Muita coisa a ser feita.

Publicado por Ana Tropicana às 05:42 PM

Davi e os "Golias"

14 lideranças indígenas assinam uma carta, datada de 30 de Junho, que denuncia a invasão de território Yanomami, demarcado e homologado há 13 anos, por garimpeiros. O documento refere cinco pistas clandestinas, a noroeste do estado de Roraima, e descreve a situação como estando «fora de controle».



Foto: Ti Yanomami.


Carta denuncia invasões garimpeiras em terras Yanomami
Fonte: Folha Boa Vista - Roraima | 22/07/05

Uma carta enviada pelo Conselho do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami e Ye`kuana ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, denuncia que os garimpeiros estão invadindo a reserva indígena Yanomami, no noroeste de Roraima.

Segunda a carta, os garimpeiros ainda estão fornecendo espingardas e munição para os índios como salvo-conduto para permanecer na região em busca de minérios como ouro, cassiterita, urânio e nióbio.

Conforme o documento, o contato com os invasores também faz com que os Yanomami contraiam malária, gripe e doenças sexualmente transmissíveis. A atividade garimpeira compromete ainda a qualidade dos rios que abastecem as comunidades indígenas.

A carta, datada de 30 de junho, relata estes problemas e afirma que a invasão do território Yanomami está fora de controle. A denúncia foi divulgada no site do Instituto Socioambiental - (ISA).

Cópias da carta do Conselho foram entregues também à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, aos presidentes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), além do Ministério Público Federal

O documento é assinado por 14 lideranças indígenas e outros membros do Conselho, que listam cinco pistas clandestinas no território indígena, demarcado e homologado há 13 anos.

Davi Kopenawa, uma das mais importantes lideranças Yanomami, afirma que as ações dos órgãos do Governo Federal não estão sendo suficientes para expulsar os garimpeiros, nem ao menos para intimidá-los.

Para o ISA, a assessoria de imprensa da Funai admite que a invasão da TI está deflagrada e que a principal medida proposta pelo órgão para combatê-la é regulamentar o poder de polícia de seus funcionários.




Invasões garimpeiras voltam a ameaçar povo Yanomami
Fonte: ISA | autor: Bruno Weis | 20/07/2005 | 12:44


Intrusos fornecem armas de fogo para grupos indígenas rivais, o que aumenta o número de mortes nos conflitos entre aldeias da Terra Indígena Yanomami, localizada nos estados de Roraima e Amazonas. A presença de garimpeiros faz crescer também o risco de epidemias de malária e outras doenças.

A Campanha Nacional de Desarmamento recolheu, desde agosto de 2004, mais de 393 mil armas em todo o País. Na contramão deste movimento, garimpeiros estão invadindo a Terra Indígena Yanomami, que abrange parte dos estados de Roraima e do Amazonas, e fornecendo espingardas e munição para os índios como salvo-conduto para permanecer na região em busca de minérios como ouro, cassiterita, urânio e nióbio. O contato com os invasores também faz com que os Yanomami contraiam malária, gripe e doenças sexualmente transmissíveis. A atividade garimpeira compromete ainda a qualidade dos rios que abastecem as comunidades indígenas. Em carta de 30 de junho, o Conselho do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami e Ye`kuana relata estes problemas e afirma que a invasão do território Yanomami está fora de controle.

A carta do Conselho é destinada ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, aos presidentes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O Ministério Público Federal também recebeu uma cópia do documento. A carta, assinada por 14 lideranças indígenas e outros membros do Conselho, lista cinco pistas clandestinas no território indígena, demarcado e homologado há 13 anos. Outros oito pontos de garimpo estão identificados. “Não é difícil prever que estamos a caminho de uma situação de caos social e sanitário, como a vivida pelos Yanomami no final dos anos 1980 e início dos anos 1990, quando, pelo menos, um quinto da população Yanomami morreu devido às doenças introduzidas pelos garimpeiros”, afirma o texto do Conselho do DSEI. Leia aqui a carta na íntegra.

Davi Kopenawa, uma das mais importantes lideranças Yanomami, afirma que as ações dos órgãos do governo federal não estão sendo suficientes para expulsar os garimpeiros, nem ao menos para intimidá-los. “Eles estão tão à vontade na região que chegam a pedir carona nos aviões da Fundação Nacional de Saúde para buscar mantimentos nas cidades e utilizam os rádios dos postos da Funai para pedir novas cargas de munição”. Procurada pela reportagem do ISA, a assessoria de imprensa da Funai admite que a invasão da TI está deflagrada e que a principal medida proposta pelo órgão para combatê-la é regulamentar o poder de polícia de seus funcionários.

Espiral de violência

Uma das mais graves conseqüências da invasão garimpeira é o constante armamento dos Yanomami, o que nos últimos anos tem resultado no aumento da letalidade dos conflitos entre as comunidades indígenas. Hoje os ferimentos por arma de fogo estão entre as principais causas de mortalidade entre os Yanomami, muito acima da malária, por exemplo. Em relatório do ano passado, intitulado Armas de fogo, violência e assistência à saúde entre os Yanomami, os antropólogos Moisés Ramalho e Marcos Pelegrini, consultores da Funasa, afirmam que “as armas de fogo fazem com que os conflitos entre as aldeias tornem-se cada vez mais sangrentos, produzindo muito mais vítimas do que no passado, o que, por sua vez, prolonga as hostilidades, já que cada morte é vingada; o ciclo então se perpetua ao mesmo tempo em que se amplia quando outras aldeias acabam sendo envolvidas no conflito”.

Os conflitos intercomunitários são parte integrante do universo sociocultural dos Yanomami, caracterizando-se por um conjunto de regras e um universo ritual que condicionam a prática de ações violentas. O antropólogo Rogério Duarte do Pateo, do ISA, explica que os enfrentamentos, marcados quase exclusivamente por emboscadas nas áreas de roça ou no entorno das aldeias, se inserem em um complexo sistema de relações intercomunitárias que se articula a uma extensa rede de aliança e inimizade entre os grupos. “As relações de antagonismo podem ser deflagradas por motivos banais e cotidianos”, diz Rogério. “E são fruto da degeneração progressiva das relações de aliança e amizade entre dois ou mais grupos durante um determinado período de tempo, articulando ataques efetivos, feitiçaria guerreira e xamanismo agressivo”.

Balas no lugar de flechas

O problema é que as armas de fogo, ao contrário das flechas, bordunas e zarabatanas, causam ferimentos muito mais fatais e aumentam o número de mortos. Com isso, potencializam os ciclos de vingança entre os grupos, num espiral de violência sem precedentes entre os Yanomami. “Antigamente nossas disputas eram com flecha, agora muitos têm bala e ficam mais fortes”, diz Davi Kopenawa. Os consultores da Funasa recomendam a realização de uma campanha de desarmamento entre os Yanomami, com a troca de espingardas por ferramentas e outros utensílios. A resistência dos índios, porém, é grande. Davi Kopenawa conta que as armas são objetos muito valorizados e não utilizadas para caça. “Servem apenas para matar os parentes”, relata. “Eu já tentei duas vezes recuperar armas mas é difícil dos índios se desfazerem delas”. Ao tentar desarmar as aldeias da região do Surucucu, Davi recuperou 3 espingardas. “Mas sei que enquanto não tirarem os garimpeiros de lá outras armas vão chegar”.

No relatório sobre a escalada bélica na Terra Indígena, Ramalho e Pellegrini relatam que, entre 1995 e 2003, o DSEI Yanomami registrou a morte de 47 índios por arma de fogo, e a de 17 por meio de pauladas, flechadas ou zarabatana. Outros 15 homicídios não tiveram a causa esclarecida. “Vale a pena lembrar que, apesar de impressionantes, esses números registram apenas as mortes, mas a quantidade de feridos, principalmente à bala nos conflitos, é também igualmente significativa”, escrevem os consultores. Eles destacam ainda que entre janeiro de 2000 e dezembro de 2003, 25 das 42 mortes violentas foram provocadas por armas de fogo.

Saúde na mira

O acirramento dos conflitos armados entre as comunidades indígenas atinge também os funcionários da saúde que atuam na TI. Um dos episódios mais traumáticos relacionados ao uso das armas fornecidas pelos garimpeiros aos Yanomami ocorreu em 11 de dezembro de 2003, quando o auxiliar de enfermagem Orisvam Araújo da Silva, da ONG Urihi – Saúde Yanomami, que prestava serviço na região, foi morto com um tiro nas costas enquanto se banhava em um rio nas proximidades da aldeia Kahusiki. Silva teria sido confundido com um Yanomami por membros de uma aldeia inimiga, que estavam de tocaia na área com a intenção de matar um rival. Entre 2001 e 2003, outros seis casos de ataques de Yanomami na presença de agentes de saúde ou educadores foram registrados.

Estes episódios, o recrudescimento das invasões garimpeiras e dos conflitos entre as comunidades indígenas prejudicam diretamente o atendimento à saúde na TI. O assessor técnico do Departamento de Saúde Indígena da Funasa em Brasília, Edgar Dias Magalhães, afirma que muitos garimpeiros incitam os Yanomami contra os agentes de saúde. “Nossa preocupação maior é com a segurança das equipes de saúde e a ação de cooptação dos índios por parte dos garimpeiros, que em algumas situações já chegaram a vetar, a pedido dos garimpeiros, o acesso das equipes de saúde a certas regiões”, afirma. O assessor, que estima em 3 mil o número atual de garimpeiros na TI, diz que o fornecimento de bebidas alcoólicas para os índios também compromete o desenvolvimento de trabalhos de saúde na região.

Risco de malária

Edgar Magalhães garante que a Funasa está atenta à deterioração sanitária relacionada ao garimpo, mas que por enquanto não há indícios que demandem ações emergenciais. “A malária encontra-se controlada na TI, havendo vigilância epidemiológica dos casos e ações de controle. Estamos levantando junto ao DSEI uma tabela atualizada dos dados de malária para checagem da situação”, afirma. O assessor técnico lembra ainda que o garimpo traz o risco da volta da doença em nível endêmico e epidêmico, pois os garimpeiros não se tratam adequadamente. “Eles funcionam como reservatórios de malária”. Isso porque, ao picar um indívíduo doente, o mosquito vetor da malária se contamina e, ao picar outros indíviduos posteriormente, lhes transmite o parasita causador da doença.

Outros problemas decorrentes da presença dos intrusos na TI, segundo o técnico da Funasa, é a poluição dos rios, que provoca o aumento de casos de diarréia entre os índios, e a escassez de caça, que some das beiras de rios assustada com o barulho das máquinas de garimpo. O missionário Carlo Zacquini, da Diocese de Roraima, trabalha com os Yanomami desde 1975 e afirma que as doenças levadas às comunidades pelo contato dos índios com os garimpeiros podem causar novos surtos da doença. “Foram muitos anos para a malária ser controlada na região e todo este trabalho está sendo jogado no lixo”, alerta Zacquini. O missionário denuncia a falta de atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização do território indígena.

O fantasma de Haximu

Cerca de 15 mil Yanomami vivem no território de 9.6 milhões de hectares organizados em aproximadamente 200 comunidades. A presença de garimpeiros e o interesse minerário na Terra Indígena Yanomami não são novos. De acordo com a publicação Mineração em Terras Indígenas na Amazônia Brasileira, lançada pelo ISA este ano, há 640 requerimentos de empresas para pesquisa e lavra dentro da TI – a grande maioria deles feita antes da Constituição Federal de 1988. Tampouco são novas as trágicas conseqüências da presença dos garimpeiros. Entre 1987 e 1990, uma invasão sem precedentes ocorreu na região, quando cerca de 40 mil homens realizaram uma verdadeira corrida do ouro no território indígena, levando à morte um quinto da poulação Yanomami da época. O episódio mais conhecido desta trágica história ocorreu em 1993, quando um bando de garimpeiros chacinou 16 Yanomami, principalmente mulheres e crianças, no chamado “massacre de Haximu”. Até hoje, os índios temem sua repetição.



Interessante recordar o apelo de Davi Kopenawa feito há 14 anos atrás.





Foto: Davi Kopenawa - Tribo Yanomami [autor: D.Esseler]


Entrevista com Davi Kopenawa Yanomami
Terence Turner (TT) entrevista Davi Kopenawa Yanomami (DY)
em Boa Vista, em março de 1991.
Transcricao por Bruce Albert.

DY: Entao eu vou mandar a minha mensagem...meu mensagem para os outros amigos indigenas, entao amigos do branco tambem, aquele que ta' do nosso lado...que fica a favor da gente... eu quero dar a minha noticia e mensagem para, o que que eu estou sentindo, o que que eu estou precisando. Meu nome completo e D.K.Y., eu moro a Watorikethesi. Nome do maloca meu chamado Watorikethesi... Serra do Vento... entao o meu povo Yanomami, eles entao fica sabendo agora... eles estao vendo que esta acontecendo nossa comunidade, eles estao vendo que os parentes, outras malocas esta' acontecendo... ele ja' ficaram assustado atraves dos garimpeiros, entao eles ficaram assustados pelos rios.

Os garimpeiro entao invadiram a nossa reserva e comeca chegar perto do comunidade pegando amizade, ficando mentindo, fica mentindo, enganando os indios. Entao eles fica, foi enganado. Depois que cresceu chegou muitos garimpeiros na reserva. Comecaram levaram, comecaram trazendo maquinario para sujar rio, para matar peixe, matar camarao, matar tudo o que tem do nosso rio. E eu estou tentando, tentando nao, eu estou ajudando muito meus parentes.

Primeiro eu nao sabia de nada, como eu sou ja' aprendi a falar portugues para poder reclamar com governo brasileiro, qualquer autoridade... eu estou mostrando meu trabalho para meus parentes, como Toototobi, Araca', Ajuricaba e Catrimani, e tambem eu fico muito triste onde nao posso chegar, la' no outro maloca porque fica longe, eu fico assim afastado no outro maloca. Eu quero que alguem ajudar, alguma... algum amigo, amigo como branco ajudar e... ajudar trabalhar. Agora eu estou fazendo isso ai que tive dinheiro para pagar aeronave, fretar para mim, ir fazer viagem, visita para outras malocas...

Isso e' muito dificil porque a minha floresta e' grande, mato alto e montanha. Eu estou falando isso para voce pensar, eu vou fazer um trabalho para Surucucus, Paapiu, Jeremias, Arais, Coico, Waikas e Mucajai e...la' no Mavari. Nesse lugar fica dificil para mim. Se fazer esse lugar que esta' mais longe eu leva muito dias , leva mais ou menos 20 dias, entao um ano andando a pe'.

TT: A FUNAI nao da ajuda para voce nisso?

DY: Entao isso que a FUNAI, eu nao tem apoio para FUNAI... a FUNAI nunca me ajudou para fazer trabalho isso... FUNAI nao deu assim aviao para mim visitar varias malocas onde tem pista, onde tem condicao de pousar aeronave, isso a FUNAI nao faz para mim isso...

TT: Sera que a FUNAI esta fazendo alguma coisa para ajudar o seu povo agora?

DY: Bem e'... eu conheco muito bem a FUNAI desde pequeno, quando a FUNAI comecou a trabalhar para os indios Yanomami e agora eu sou funcionario da FUNAI, eu sou chefe de posto na minha maloca Watrike. Entao eu estou trabalhando FUNAI, eu estou trabalhando para meus parentes, eu nao estou trabalhando para FUNAI nao; entao eu entrei como Yanomami dentro da FUNAI, o que que a FUNAI faz, entao a FUNAI nunca fez trabalho bem feito. Sempre, fica sempre falando nao tem verba, sempre falando nao tem aviao, sempre falando nao tem apoio, governo nao da' apoio para FUNAI fazer um trabalho bom para os Yanomami, isso nunca teve.

Agora estao piorando. Ta' ficando fraco, a FUNAI esta' ficando fraca. Essa para mim fazer um trabalho contando com... fica contando com outras comunidades. Eu precisa muito porque a FUNAI nao faz isso. Se eu fazer os trabalhos, FUNAI fica ciume, fica brabo. FUNAI nao quer que eu sai la' na minha lugar, FUNAI quer esconder, FUNAI quer que eu fica calado, sem reclamar, sem falar para os outros, outros amigos brancos. Primeiro ele proibia eu sair no posto, ele proibia na minha saida. Eles queria que fica sempre la' num lugar so', mas eu nao queria ficar num lugar so', nao queria ficar quieto quando os meus parente ta' morrendo. Eu precisa sair. Eu precisa gritar. Eu precisa reclamar, precisa nao, eu tenho direito de reclamar para sair noticia para outros paises. A minha noticia chega no outro como Europa, como E.U., Japao e Venezuela e outros paises que existem no mundo inteiro. Entao os outros parentes que fica afastado tambem la' na fronteira, voce esta vendo esta fronteira, ne'? Na fronteira tem, existe maloca, eu sozinho nao da' conta fazer trabalho tudo.

TT: Fronteira com a Venezuela?

DY: Sim, Venezuela. Eu sozinho fica muito dificil, fica muito assim; trabalho muito pesado. Entao eu tou, eu tou tentando fazer trabalho para os Yanomami, para salvar a vida dos povo meu. Meu Yanomami.

TT: Deixa eu perguntar se houve antropologos que tem ajudado ou estao ajudando a sua luta, o seu esforco. Pode falar um pouco a respeito?

DY: Sim eu posso falar, sim. Mas antropologo so' existe fora da FUNAI. Fora da FUNAI. Antropologo so' tem dois, nao e' brasileiro, e' um chamado Bruce Albert e um antropologo tambem, Alcida Ramos. Entao esse dois antropologo ajudam. Ajudam ai fazendo um relatorio, fazendo relatorio e leva tambem eles... o Bruce que fala nossa lingua Yanomami... entao esse que esta' ajudando bastante. Nos tamos gostando do trabalho dele. Ele ta' fazendo trabalho para... o favor dos Yanomami e levando os noticia, muitas noticias aqui que eles estao vendo. Bruce vai para area e Alcida tambem vai para Avaris. Onde eles chega na maloca os Yanomami conta para eles o que esta acontecendo, entao Bruce e Alcida fica sabendo, eles fica fazendo notando pelo escrito, ai depois manda para noticia, para os outros ficar sabendo tambem.

TT: Sera' que a FUNAI esta' ajudando o trabalho desses antropologos? Pode falar um pouco a respeito?

DY: Nao, esse trabalho do antropologo eles nao gosta trabalho. Eles fica proibindo antropologo, esses dois antropologos que faz trabalho, ele fica... FUNAI nao gosta antropologo fica andando nos aldeias e aldeias porque antropologos fala verdade, antropologo ve de perto la' no reserva, no Paapiu, no Surucucus, no Avaris, Toototobi, Catrinami, esses lugares. Entao quando um antropologo esta' falando a verdade, ta' falando contra o governo, entao esse... a FUNAI e' um orgao federal entao ele nao gosta do trabalho.

Mas assim vai, tem que ser um homem coragem, antropologo corajoso nao e' so' fazer trabalho e depois foi embora nao, tem que fazer um coragem, porque nos indios precisa antropologo, nos indio precisa antropologo fala nossa lingua. Antropologo vem trazendo noticias do branco, o que que o branco ta' fazendo, o que o governo fala, o que o governo estrangeiro, governo Europa fala, nos queremos noticias de la', noticia boa... porque aqui no Brasil o governo brasileiro nunca deu noticia bom para nos Yanomami. Entao e' hoje que nos estamos achando bom que eles fala nossa lingua, depois conta para gente, conta para a comunidade, conta para os velhos, aquele que nao sabe falar portugues, fala com as mulheres que nao fala portugues. Antropologo fala para o Shabori, fala para Tuxava, aquele que nao sabe fala portugues, aquele que nunca saiu da aldeia para chegar aqui na cidade. Entao isso a gente fica aprendendo, a gente fica sabendo outros do antropologo que fala nossa lingua. Isso e' muito importante.

TT: Pode falar um pouco sobre o problema da saude? Esta' piorando? Sera que a FUNAI esta' fazendo alguma coisa? O que se pode fazer a respeito?

DY: Bem, o problema de saude a FUNAI tentou, tentavam para fazer um trabalho de saude comunidade do Yanomami em geral. Eles fizeram so' um pouquinho, muito pouco, eles nao resolveram nada, a FUNAI nao resolveu. Porque nao tem o medico da FUNAI, nao tem medico de confianca que gosta de Yanomami, que gosta de trabalhar para ajudar os Yanomami. Eles fizeram trabalho so' para, acho que um, dois mes... eles fizeram do meio dos garimpeiros. Essa trabalho que eles fez, FUNAI, o governo achavam muito tambem dificil, achavam muito dificil porque eles nao, nao esta' acostumado, nao ta' preparado para trabalhar de saude.

Eu para mim eu acho bom eles conhecer primeiro. Antes acontecer FUNAI, governo nao conheceu os Yanomami, so' vem conhecendo atras de, atras de chamada de socorro. Quando chega na aldeia eles ficam estranhando, fica estranhando porque nao tem casa para ficar, nao tem igarape' limpo pora eles tomar. Eles fica com medo para nao pegar malaria. Bem, melhorou pouquinho, nao e' muito nao, agora ta' continuando, o malaria ta' continuando... O malaria nunca vai acabar, eu nao vou dizer que malaria acabou, mas malaria sempre esta' la'. Que para acabar FUNAI tem que fazer um trabalho, mas FUNAI e' um pouquinho, uma fraco, FUNAI nao faz trabalho forte para acacar com essa doenca que atacou o meu povo.

Acabar tem que ter um medico la' dentro, passando um mes, dois mes, sem vir aqui na cidade, ai vai diminuir de doenca de la'. Agora so' vai parar daqui para Boa Vista, chega no aldeia, no Paapiu, no Sucurucus, uma local so'... ele nao ta' resolvendo isso... so' vai resolveria o medico sai daqui da cidade por causa da FUNAI, o medico da FUNAI que chega no Paapiu onde tem muita malaria, tem que ficar. Chega na maloca e tem que passar um mes. Ai precisa, ai no Paapiu precisa dois medicos bom que fica trabalhando um mes sem vem da cidade, tem que ficar la', trabalhando, que junto... tambem fica junto com dois pessoas da SUCAM, tem que tambem levar esse microscopio para saber qual e' a doenca, qual e' o tipo de malaria, qual tipo de malaria, para dar um... dar um... tratar direitinho.

TT: Claro, coisa que nao esta' acontecendo agora, nao e'?

DY: E', entao isso que nao aconteceu... e' pouco, nao e' pouquinho, mas morreu muita gente, morreu crianca, morreu rapaz, morreu moca, morreu Sabori, morreu quase tudo, agora no Paapiu tem pouca, e por isso que estou preocupado. FUNAI nao ta' fazendo trabalho bem correto, so' FUNAI chega la', passa um, passa uma semana, a vezes passa 3, 4 dias, medico vai embora para cidade, ai indio Yanomami continuando doente, ai indio Yanomami precisando o medico, enfermeira junto la' na aldeia. Isso ai nao tem, tem pouca. So' vai para Surucucus, Surucucus, Surucucus... vai para Jeremia... e aquele que... tem gente que nao gosta fica no mato, tem gente que nao gosta de comer caca, e tem gente que... agora no Paapiu nao tem rio, tem rio mas esta' sujo. Esse medico nao vai tomar agua. Quando esta' assim, rio contaminado, agua contaminado, o medico nao dura nem uns dez dias. Ele vontade vai embora para cidade, e os indios precisam os medico, cade os medicos que nao ficam, nao ficam nao...

TT: Como voce sabe, eu estou aqui por parte da AAA que e' uma associacao estrangeira, de um pais estrangeiro. Estou querendo que voce fale um pouco para a associacao. Quais as coisas que nos poderiamos fazer para apoiar. O que voce acha ou o que voce deseja que nossa associacao faca la' no exterior para apoiar a luta do seu povo?

DY: Bem, isso e' bom, ne'? Voce ta', voce vem me procurar aqui em Boa Vista, e' bom que voce me encontrou aqui na cidade. Se eu ficasse na aldeia era dificil conversar com voce. E nos precisa esse sua trabalho que voce estao fazendo com associacao de estrangeiro ta' querendo... voce esta' querendo apoiar, ne'? Entao eu to, eu vou, preciso apoio de voces, como nos estamos sofrendo, minhas parentes Yanomami. Preciso apoio de voces para trabalhar... para fazer uma pressao, pressao e pressionar o governo para ele pensar um pouco, o governo pensar, para ele resolver nosso problema. E sempre voce fazendo uma cartas com governo, sempre da' uma noticia para o presidente Collor. Nos precisa apoio de voces, que voce fazer uma forca para sair nossa terra demarcada, para sair nossa terra demarcada, continua, area unica. Isso que nos precisa.

Nos Yanomami nao podemos ficar brigando contra os brancos. Eu nao quero que o governo brigando contra indio. Entao eu sou brasileiro mas que do governo... Isso que pedir, eu precisa voces fazer uma forca para fazer noticia, fazer uma cartas, voce dizendo que o governo resolve demarcar a terra dos Yanomami, tira garimpeiro, tira tudo o que que tem la' no reserva...O garimpeiro sempre deixa os maquinario escondido, garimpeiro tambem sempre fica escondido, entao governo tem que tirar tudo. Tem que deixar area limpo sem garimpeiro para acabar doenca que esta' la', para deixar, para diminuir malaria, TB, gripe e outros TB tambem, que mata a gente muito. Entao este ai e outros doenca que nao conhece, eu nao conhece. Essa doenca que venha tambem de fora do Brasil entao chega aqui na cidade de Boa Vista, e homem branco entra doente, fica gripado depois ele transmite.

E tambem eu queria deixar mensagem com voces. Eu tenho um projeto . Acho que voce nao viu ainda esse, voce ja' ouviu falar, nao e'? Eu tenho um projeto, projeto, um projeto que pensei fazer. Chama de projeto da comunidade Demini, esse projeto nao e' da FUNAI, nao e' do governo, nao e' dos missionarios, nao e' do Igreja, nao e' de CCPY... esse projeto, que criou outros do pensamento meu. Entao esse que tou precisando ajuda.

TT: Fale um pouco a respeito desse projeto que nao conheco.

DY: Entao esse projeto esta'... eu tou tentando trabalho ajudar esse quatro comunidades, esse projeto sai do Demini, esse...estou fazendo trabalho para chamando missao Tototobi e Araca' e Ajuricaba. E tambem eu dao apoio missao Catrimani, atras do dente, de dente estragado. Estou experimentando como os brancos faz. Esse projeto eu nao entendo muito bem nao, mas eu tou aprendendo agora atras do projeto. Esse projeto eu faco trabalho, leva medico, dois medicos que estao trabalhando com o projeto da comunidade Demini: um homem e uma medica, Gorete, aquela que voce conheceu ontem, e chamado Itivan, o medico. Tem um enfermeira que tambem foi, agora ela esta' em Sao Paulo fazendo estudo, entao esse trabalho que estou convidando os medicos para poder trabalhar, ajudar as quatro comunidades...

Tem a Cida tambem, ela e' um dentista. Ja' conhece como fazer, ja' conheceu um poucos familias Yanomami. Entao esse tres nao falam nossa lingua. Entao esta' trabalhando, ajudando. Esse projeto que eles tambem respeitando. A FUNAI ja' conhece esse meu projeto. Igreja e as missionario crente, e o pessoa do Ministerio da Saude... eu ja' mostrei para eles. Ele ja' acharam bom. E como voce perguntou o que que Yanomami precisa, entao eu dou resposta, ne'? Eu tou precisando um... eu nao... esse projeto que saiu quando eu visitei para Europa. Entao pessoal de Europa concordou, achavam bom que eu fazer, achavam bom que eu comecar, comecar trabalhar, comecar a conhecer o dinheiro, comecar conhecer como trabalho. Se eu nao fazer nada, tipo do deixa fazendo FUNAI, deixando fazendo governo, CCPY... sempre fica atras, ne'... fica.


PARTE II: COMO A INTERFERENCIA DO HOMEM BRANCO NO MEIO-AMBIENTE PODE DESTRUIR O MUNDO.

DY: Temos duas lutas: a primeira defender a terra, o meio-ambiente, o ceu, o vento, as arvores, a terra; a segunda, defender nossa terra, nossa area. Os shabori [xamas] sabem fazer isto; e' o trabalho deles porque eles entendem Omam (Deus, criador), e o jeito dele. Oman e' como um governo, como Presidente do Mundo, mais poderoso que qualquer governo humano. Os governos (do Brasil, etc, brancos) nao estao conhecendo, escutando Omam, ou os shabori. Estao estragando o mundo, e os yhabori estao ficando muito preocupados com isto, mas estao ficando cansados de falar, estao deixando. Assim o mundo vai acabar.

Estou trabalhando com Bruce para que ele escreva os conhecimentos do Omam, dos shabori e os transforme em um livro para que todo mundo possa ficar ciente. A poluicao que o branco esta' fazendo e' uma fumaca - fumaca das fabricas, dos fogos (de desmatamento), fumaca das bombas . [Branco faz guerra, joga esta bomba atomica e a fumaca surge, cobrindo o mundo inteiro. Esta fumaca da' muita doenca na gente, e os shabori ficam muito preocupados com isto.] No mundo inteiro - brancos, indios - gente esta' caindo doente com uma doenca [ferro] causada por esta poluicao.

O mundo e' um ceu. Esta fumaca de poluicao que o branco esta' soltando vai subir neste ceu ate que ele nao aguente mais, entao o mundo vai eclodir, vai acabar. Vai ser assim se nos nao pararmos esta poluicao. Nos todos estamos com os espiritos sujos. Brancos tem espiritos sujos. Indio tambem. Mas tem lugares neste mundo que nao estao sujos, onde tem natureza limpa, como Omam ordenou. Shabori conhecem estes lugares, compreendem esta limpeza, podem ensina'-la aos outros.

Na cidade do branco tem muita gente pobre. Por que? Porque os brancos ricos prendem suas terras, pegam seu dinheiro e nao dao de volta. Indio nao. Nao temos pobres. Cada um pode usar terra, pode brocar roca, pode cacar, pescar. Indio, quando precisa comer mata so' uma, duas antas. Corta so' poucas arvores para brocar a roca dele. Nao acaba com os animais, ou com a floresta. Branco, sim, acaba, porque ele corta grandes areas, mata todo bicho, e assim nao da' para voltar.

Os hupu cri [espiritos de doenca] moram por baixo da terra, junto com cassiterita, ouro - sai com po', suja olho, causa oncocercose. Omam escondeu shawara dentro da terra. Nabuwakari [branco estrangeiro] usa maquinario, cava buraco muito fundo na terra - ferro - para fazer peca de aviao, de trem. Solta muita poeira, fumaca que o vento leva, faz muita gente doente.

Doenca de petroleo (aprendi isto da mao de Lorival - meu tuchaua [xama, professor], e tambem meu sogro): petroleo sai da terra, o branco tira-o da terra. O petroleo, as pedras, o ferro nao sao mortos, sao vivos. So' morrem quando esquentam na fabrica - espirito deles fica rodando no ar, no vento e pega crianca, velho. Shawara de pedra sai, quer se vingar. [Esta e' a doenca universal da poluicao, a doenca da fumaca: surgiu do ferro, pedra, petroleo, bomba, todas estas coisas.] Por isso estou preocupado com guerra na Arabia, esta fumaca preta que esta' saindo do petroleo.

Se tira o garimpeiro so' para entrar grandes mineradoras com grandes maquinas que podem cavar mais fundo, isto vai ficar pior ainda, vai soltar ainda mais shawara, mais doenca [shawara=doenca]. A doenca e' gulosa, quer comer a gente, e' comilona. Ela e' forte demais, nao tem nessa terra shabori (xama) forte bastante para enfrenta'-la. Assim vai acabar todo mundo. O mundo vai acabar em nosso tempo, nao vai demorar. Assim Lourival fala, todos os Yanomami falam, outro indio fala tambem. Xama forte?

TT: Por que nao trabalhar, tentar se tornar um xama?

DY: Quem trabalha muito forte contra doenca, contra shawara, eles matam como mataram Chico Mendes. Por isso nao estou dizendo que estou "forte".

TT: Mas se a situacao e' tao desesperadora, por que entao voces continuam a lutar?

DY: Por que eu luto? Porque estou vivo. Eu acredito na minha luta. Estou lutando para os novos, as criancas, os adultos do meu povo nao morrerem tao cedo.

Rutucala [demiurgos do mundo; forca que anima o mundo] pode chamar um vento muito forte por baixo da terra, onde o vento fica, chamar fora [swirling arm gesture] e mandar limpar toda aquela fumaca, toda a poluicao e leva-la de volta por baixo da terra. Assim o mundo pode ficar limpo mais uma vez. Mas precisaria ser muito forte, porque o mundo e' muito grande. Por isto todos os Yanomami nao conseguem.

TT: Na sua carta "A todos os povos da terra", publicada no ultimo boletim da Acao pela Cidadania (1990), voce menciona a necessidade de proteger a serra sagrada da nacao Yanomami. Voce poderia explicar porque estas montanhas sao tao importantes?

DY: Eu posso explicar assim. Eu gosto de explicar os brancos, ne', para saber. Nos Yanomami sempre falamos nome do criador do montanhas... e nosso respeito muito, nos indios, indigena do Brasil, e tambem indigena do mundo inteiro; esse lugar sagrado, as montanhas alto, as montanhas bonito, e' lugar do espirito. Entao espirito, esse nao e' minha lingua nao, esse e' lingua dos... que inventa, mistura... chama espirito... entao eu aprendeu chama espirito... entao a meu mesmo nome indigena nos chamanos hekurabe... sabtribe e' nome indigena... esse shabori que mora, que vive no montanhas, nas montanhas fica espirito do shabori, tem varios espiritos, varias shabori... as montanhas que... mundo inteiro se criou para eles sobreviver, o shabori, viver... shabori gosta de ficar nas montanhas, as montanhas sagrado, muito importante, todo mundo, nao so' pro indio nao, essa shabori que existe nessa terra, que existe no mundo inteiro. Mas e' dificil entrar contato com esse shabori. Para conhecer, para ver, os Yanomami consegue, consegue entrar em contato... lugar sagrado no chamamos hutu pata... entao essa lugar sagrado... as malocas velho, mas existe ainda alma dos indio... alma... nos chama de bore, ne borebi... voce chamam "alma", mas nos chamanos nossa lingua ne borebi, o ne borebi kua... a nomarayomeki a ne borebi temi.

Mas nosso pai, nosso avo, o shabori morre mas existe, o alma dele, alma do indio e' viva. Ele so' deixa esse couro (...). Sim, carne, couro, osso, porque ta' velho ja'... entao como a gente tiramos roupas ta' rasgado, nao presta mais... ta' jogando fora... entao e' assim... entao Yanomami morre, a gente queima, mas alma dele nao morre, ele fica onde ele morreu, onde que, onde estava a maloca, ne'? Entao ela fica sempre, entao nos respeitamos o lugar sagrado, nos respeitamos, tambem nos ficamos medo para ele; eles quer viver, ficar junto com nos, ele quer separar, fica separado. Nos faz muito barulho entao esse shabori. Fazer mal pelos proprios Yanomami. Esse que nos chamamos doenca conhecido nossa... entao ele faz mal para os criancas, mas outro paje' que existe hoje ele conversa com ele, ele consegue curar para nao deixar morrer...

TT: Se os garimpeiros cavarem nas montanhas ainda vai ser possivel contatar os espiritos?

DY: Se a gente entra em contato sim, mas eles nao quer o shabori... shabori ja' entrou em contato esse espirito, esse hekurabe que moram no montanha, eles nao quer mexer o lugar deles. Ele quer ser, ficar montanha limpo. Quando o brancos chegam la' querendo destruir, querendo derrubar montanhas, eles ficam com raiva. Aconteceu la' no Paapiu, eles mexeram... os garimpeiros mexeram nas montanhas mas tinha... ele tinha... onde tem... eles mexeram a lugar sagrado, montanha sagrada. Eles ficaram cavando la', entao o shabori ficou com raiva, ai mataram.

TT:Por isso muita gente morreu?

DY: Por isso muita gente morre... entao para saber um branco nao... nao sabendo o que o espirito esta' fazendo... ele quebra, desbarranca onde o garimpeiro trabalha, acontece muitas coisas todos lugares; acontece onde que o sagra... o shabori fica revoltado, brabo, fazendo barulho de helicoptero. As vezes acontece entao sumir aviao, as vezes acontece tambem que o espirito derruba um aviao tambem. Entao esse chamar de mostrar, ne'... hekurabe hisiotehe a yahikibrahire...hekurabe...be ubroo jehe be hisioteje aviao ahatehame a thaiejehe thebe sebrai... (...) entao esse espirito eles sao pequeninos, os saburi sao pequenos mas sao fortes, eles tem forca de derrubar e mostrar, mas tem que os brancos entender... agora se mexer, continuar ficando mexendo lugar sagrado, vai morrer muita gente, cai aviao, some aviao, e a... muito vento, chega muito vento, chega muita chuva, ate' na cidade acontece... porque os sabori estao ficando bravo... da' muito trovao, da' muito vento, e a muita chuva e... na cidade acontece isso... chega muito vento... ate' na cidade acontece derruba uma casa.

TT: Como voce sabe, uma das justificativas para a divisao da nacao Yanomami em "ilhas" discontinuas tem sido a de que as comunidades Yanomami estao sempre lutando entre si. Voce poderia comentar isto?

DY: Bem, isso que eles estao falando mal da gente ja' ouvi falar mas na minha tempo, agora os Yanomami nao esta' brigando mais. Na minha tempo nao existe guerra entre os Yanomami. Antigamente tinha como voces tem... ( ) agora tem uma guerra la' no Arabia, entao acontece nao e' so' indio que e' perigoso. Os branco e' mais perigoso que indio; Yanomami nao tem bomba como eles tem, maltrata, mata todos. A nossa guerra e' diferente, nao joga bomba, nao tem aviao para guerrear. Essa briga tinha primeiro, quando era, nao tinha nada... quando eu estava na barriga na minha mae. Entao brigavam mas agora nao existe. Nos ficamos todos amizade e acontece nao e' muito nao, briga assim mata outro nao e para fazer um guerrear todo tempo, muitos anos nao. Eles estao falando porque eles nao quer criar a nossa reserva, eles tem medo de voces, eles tem medo da gente tambem, eles tem medo de perder esse branco que estao falando. Eles pensam que nos Yanomami sao igual a eles. E' contrario, nos estao querendo esta reserva para os Yanomami viver. Eles criavam pedacinho de as terras. Eles nao explica de nos.

O Calha Norte... que criou esse escondido, eles trabalha assim segredo, ne'... sem chamar a gente, sem explicar para ouvir indio que concorda esse pedacinho de terra. No Brasil nao tem briga, briga assim, violencia nao tem. Se tiver eu falaria verdade. Eu sou Yanomami, eu gosto de falar, mostrar de verdade, eu nao quero fazer assim falando mentira, eu quero assim deixar claro para esse pessoal. Eu falaria: "olha, realmente nos somos perigosos, nos briga muito, nos mata muitos outro, nao se da' bem, entao nao precisa terra. Nos precisamos pequeninos de terra". Eu falaria, mas como nao tem ate hoje o meu povo Yanomami ta' ficando fraco, por causa da malaria, porque como eles falam, eles querem trabalhar, eles querem usar nosso minerio, nosso ouro, nossa cassiterita dentro da reserva. Ele ta' fazendo ... o governo do presidente Sarney, junto com Calha Norte, junto com FUNAI, junto com IBAMA, fizeram cortar um pedacinho de cada comunidade, para eles poder trabalhar, para eles poder entrar e acabar nosso... o meu povo... eles fizeram muita violencia para matar o indio, eles usaram para fim de acabar com indio. Entao eu tou lutando para nao deixa acabar meus parentes.

La' no Niyayobethesi, Shamatari, nos chamamos Niyayibethesi outro Shamatari (...) eles brigavam muito, brigavam muito porque la criou coragem, la que criou Waithesi, nos chama de Waithesi, onde se criou Oeoeri, se criou Aiamori. Se criou Aroweke, entao onde nasceu Oeori, Aroweke entao ele criou la' o seu lugar chamado de Niyayobethesi, ali que espalhou coragem para o indio, para o branco, entao la' Niyayobethesi estao guerreando muito... agora nao sei, nao fui la', agora nao fui la', nunca mais ouvi falar se estao guerreando...

TT: Dizem tambem que os Yanomami brigam muito por causa de mulheres, que lutar e um meio de se obter mulheres. O que voce pode dizer sobre isso?

DY: Bem, eles briga, nao briga a toa nao, nao e' so' por causa de mulher nao. Nos Yanomami brigaram muito quando eu era, nao tinha Davi, entao eles brigavam nao e' so' por causa de mulher, eles brigavam entre os Yanomami porque outro parente matava outra comunidade, entao isso por causa se cria, se cria com raiva a todo mundo. Porque outro comunidade mata um parente meu, eu tinha que fazer um briga. Eu tenho que defender o meu parente (Claudia) tem que se vingar para matar ele tambem, entao ai por causa desse ai que cresce briga. Tive muito assim guerreiro parente meu mesmo contra mim, entao que chama outra comunidade para ajuda: outra comunidade mata 2, 3 meu irmao, meu comunidade tambem mata 2, 3. Entao e' isso que os Yanomami fazem.

Os Yanomami estao guerreando por causa desse matanca dos outros rapazes, dos outros velhos, outros shabori. Entao eles todo tempo brigando, nao e so por causa de mulher.

TT: Entao e' verdade que o guerreiro que mata mais fica com mais mulheres?

DY: Nao, isso nao e' verdade nao. (Todo) Guerreiro que e' mais bravo do outro comunidade ele nao pode pegar mais mulher nao. Porque esse guerreiro que nasce desde pequeno , desde pequenino fica crescendo, crescendo junto coragem, quando ele fica grande, ele quer maltratar um parente deles, fica famoso, fica brigando, quer vontade brigar mais, cada vez mais ver. Esse guerreiro nao precisa assim tomar mulher do outro nao. Como se criou Oeoeri, Omame... Aimori... entao Aimori que inventa esta briga. Esse Aimori Oeoeri briga dele e' muito antiga, esse briga nao e' agora que os brancos estao olhando, estao vendo. Essa briga nao e' agora nao, e' muitos anos. Como voces brigam, como voces brigam com outros paises para tomar terra do outro, para tomar petroleo do outro. Agora nos, essa briga ai nao e' para tomar mulher dos outros nao, a gente briga diferente.

Quando fofoca chega na outra comunidade, como a gente briga, briga FUNAI, CCPY, porque voces brigam com o governo... so' pela boca, ne'? Mas nos Yanomami tao brigando e vou atras de fofoca, atras de mentira, entao outro rapaz quer brigar logo, entao brigam pelo peito, pela mao, com borduna como esse ai...

TT: Nao para matar...

DY: Se a vez machuca, as vez mata... agora se ele pega flecha de... flecha... entao ele mata... agora quem mais corajoso eles matam... para quem nao quer matar entao eles briga que... tem dois briga: pela flecha nos chamamos de wayibe, oleara... nome de wayu huu. O outro nome pariki seyo esse e' para briga com peito... (...) com peito, pedaco de pau, pedaco de pedra, tem que machucar o peito do outro. Entao tem dois teve assim, um... outros parentes que carrega uma mulher. Entao o marido, ele quer fazer, o marido dele quer fazer um briga, entao comunidade decide. So' nos resolve se nos indios Yanomami para resolver problema da comunidade so' na briga. Ai briga tudo mundo depois fica bom. Mas fazer outro de novo.

TT: Voce diria que estao brigando hoje destas duas maneiras, hoje menos que no passado?

DY: Agora nao tem brigas mais nao. Claro, tem briga. Essa briga nao e' agora, tudo mundo, gente quer brigar... ou atras de fofoca, atras de mentira... assim ganhando uma briga. Mas nao e' para fazer, matar tudo mundo uma vez. Se matam dois, tres. Depois tem que tambem fazer um amizade de novo. Depois vem outra briga de novo, tudo tempo.

Quando era pequeno, eu lembro muito bem meu tio, era um guerreiro chamado Roberto. Entao eles sao guerreiro porque eles inventava briga com guerra porque ele... outras comunidades mataram o pai dele, entao quando Roberto cresceu ele foi brigar com aquele que matou o pai dele. Entao e' assim que os Yanomami brigam. Agora eu vou brigar, outras comunidades matar meu pai, minha mae... entao aquele que matou meu pai, mae eu vou matar ele. Entao isso que Yanomami fica brigando.

Publicado por Ana Tropicana às 05:40 PM

Plástico de Buriti


Buriti de Ana Tropicana

É um fruto. Permite obter um tipo de plástico ecologicamente correto, sem prejuízo da natureza. Faz diferença (toda!), considerando que os plásticos comuns podem levar até 450 anos para se decompor.

... Não é fantástico?!

O buriti (Mauritia vinifera e M. flexuosa) pertence à família das palmáceas e predomina numa extensa área que cobre praticamente todo o Brasil central e o sul da planície amazônica. É uma espécie de porte elegante, cujo caule pode alcançar até 35 m de altura. As suas folhas grandes formam uma copa arredondada. Entre Dezembro e Abril dá flores de coloração amarelada. Os frutos têm uma forma elipsóide, castanho-avermelhado, e têm a superfície revestida por escamas brilhantes. A polpa amarela cobre uma semente oval e dura, mas a amêndoa é comestível. Frutifica de dezembro a junho. O buriti pode desenvolver-se isoladamente ou em comunidades, mas exige sempre um abundante suprimento de água no solo. É por isso que terrenos de várzea e brejos, de solo fofo e húmido, onde se destacam, são indício seguro de que por ali existe um curso d'água. São as águas que carregam e espalham as sementes da palmeira buriti, por onde vão passando. O buriti possui várias utilidades, dentre elas a produção de uma bebida conhecida por "vinho de buriti". Da polpa dos seus frutos é extraído um óleo comestível que possui alto teor de vitamina A. Esse mesmo óleo também é utilizado contra queimaduras, por possuir um efeito cicatrizante e propriedades calmantes que aliviam a dor. A polpa é muito utilizada para a produção de sorvetes, cremes, geléias, licores e vitaminas de sabores exóticos e alta concentração de vitamina C.

Publicado por Ana Tropicana às 03:52 PM

julho 22, 2005

"Esplanando"


Estoril Mandarim de Ana Tropicana

São angustiantes os dias que tiramos para colocar em dia o lado burocrático da vida. E depois pedem compensação!... Almoçar iguarias milenares na esplanada, recentemente inaugurada, frente aos jardins do Casino do Estoril, apesar de ser ainda e só sexta-feira e haver um fim-de-semana de piquete pela frente. À minha espera. Até lá...

Publicado por Ana Tropicana às 11:35 AM

Incêndios

O verão em chamas que se volta a viver em Portugal é notícia nos antípodas do mundo.

Publicado por Ana Tropicana às 10:50 AM

Reflexões

A euforia da pesca desportiva... o desespero de sobrevivência de uma população pobre e tantas vezes faminta... Os desequilíbrios causados no ecossistema dos rios amazónicos...

Eis um link que sugiro à consulta: Mongabay. Um site que reúne trabalhos resultantes do esforço de vários cientistas preocupados com a preservação da vida na Rainforest.

Deixo o exemplo de alguns artigos interessantes que é possível encontrar por lá.

(*)

A LONG-TERM ETHNOBIOLOGICAL REFLECTION ON THE CONSERVATION BIOLOGY OF THE FISHES IN LAKE TITICACA.

CAPRILES, JOSE; Domic, Alejandra. Department of Anthropology, Wash-XIX Annual Meeting of the Society for Conservation Biology ABSTRACTS ington University in St. Louis, St. Louis, MO 63130, USA, jcaprile((AT))artsci.wustl.edu. Carrera de Biologia, Universidad Mayor de San Andres, La Paz, Bolivia, alejandradomic((AT)) biociencias.org.

In this paper, we present a synthesis of the available information on the human use of fish in Lake Titicaca, south-central Andes. First, we present a diachronic history of the human exploitation of fishes in light of recent archaeological information as well as classical and current ethnographic literature. Second, we discuss the biological and ecological information about Lake Titicaca fishes focusing on the endemic killifish genus Orestias currently considered endangered. Third, we make a strong reflection on the importance of understanding long-term ecological processes of humannature interactions. We conclude that the available information still has many gaps in relation to the biology and ecology of the fish populations as well as long-term impacts of human fisheries on them, particularly in relation to recent threats

THE VULNERABILITY OF AQUATIC ECOSYSTEMS OF THE NAPO RIVER BASIN TO ANTHROPOGENIC DISTURBANCES, ECUADORIAN AMAZON.

CELI, JORGE; McClain, Michael. Department of Environmental Studies, Florida International University, 11200 SW 8th St., Miami, 33199, FL, USA, jceli002((AT))fiu.edu.

Aquatic ecosystems exhibit different vulnerabilities to anthropogenic disturbances as a function of ecosystem characteristics and the nature of disturbances. Determining the vulnerability of aquatic ecosystems to existing threats is an important prerequisite for effective management of biodiversity. In this study we examined the main aquatic ecosystems of the Napo river basin in Ecuador. The Napo is Ecuador’s largest river basin and has a high diversity of aquatic habitats and biota extending from the high Andes to the lowland Amazon. Widespread development in the basin threatens to degrade aquatic ecosystems and their environmental services. We stratified the basin into six Ecological Drainage Units and 53 ecosystems. Ecosystem condition was assessed by analyzing the streamside zone, physical form, water quality, aquatic life, and hydrology. We also identified and mapped the main threats, which were habitat conversion/degradation, land development, mining/oil industries, and water diversion. We are currently examining the relationship between threats and health of aquatic systems using multivariate analysis in order to develop a model to assess vulnerability. These results will be presented, along with guidelines to improve the sustainable use of natural resources in the region

BUY A FISH SAVE A TREE - SAFEGUARDING A SUSTANABLE WILD ORNAMENTAL FISHERY AND ALLEVIATING POVERTY IN THE RIO NEGRO BASIN, AMAZONIA, BRAZIL (PROJECT P).

CHAO, NING L.; Silva, Marcio Pinheiro da. Universidade Federal do Amazonas; Departamento de Ciências Pesqueiras Universidade do Amazonas - Projeto Piaba Av. Gal. Rodrigo Otavio Jordão Ramos, 3000 69700- 000 Manaus - AM, Brazil (NLC).

Ornamental fishery has been the principal livelihood for riverine communities of the middle Rio Negro basin, since the discovery of cardinal tetra (Paracheirodon axelrodi) in the 1950s. Those fishes are small with short life span and highly adapted to the water cycle of the region. An annual catch of 20-60 million has provides 60% of local income revenue to thousands families throughout the trade processes. The production is mainly depended on t he international market demand and strongly influenced by the variation of water levels. Is the fishery sustainable? We have found: (1) A single species, cardinal tetra, constitutes over 80% of total catch; any significant changes in its stock or large scale cultivation of these native fishes can eliminate the wild-caught ornamental fishery, which would be disastrous to the local socioeconomic orders and the fate of the ecosystem. (2) Species richness (fish diversity) is much greater than previously known, the role of river channel as a barrier and refuge for floodplain fish is evident. (3) Strong El Niño events (1984 and 1998) have greatly altered the duration of drought and on fishery catch for 2-3 years. (4) The spreading of invasive and exotic species in the region is on going agencies

CONDITIONS FOR COMMUNITY-BASED MANAGEMENT: THE PIRARUCU FISHERY AT THE MAMIRAUÁ RESERVE, AMAZON.

CASTELLO, LEANDRO; Viana, João Paulo; Watkins, Graham. Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, Tefé AM, Brazil, and College of Environmental Science and Forestry, State University of New York, 1 Forestry Drive, 242 Illick Hall, Syracuse NY, United States of America, lcastell((AT))syr.edu (LC). Gerência de Gestão de Recursos Pesqueiros, Diretoria de Conservação de Biodiversidade, Ministério do Meio Ambiente, Brasilia, Brazil (JPV). Iwokrama International Centre for Rainforest Development and Conservation, Georgetown, Guyana (GW).

Little knowledge exists about the conditions determining “successful” community-based management (CBM). In an ecosystem characterized by marginalization of local fishers, poorlydeveloped government institutions, and open-access natural resource use regime in the Brazilian Amazon, a model now exists for the CBM of pirarucu (Arapaima gigas). Pirarucu is a giant and obligate air-breathing fish that is vulnerable to extinction. At the Mamirauá Reserve, every year local fishers assess the population of pirarucu by counting the fish at the moment of aerial breathing and then use the data to determine fishing quotas for the next year. The Mamirauá Institute mediates negotiations between the fishers and the government and assists in the selling of the catch. The fishers commit to obeying size, season, and quotaXIX Annual Meeting of the Society for Conservation Biology ABSTRACTS regulations and earn exclusive rights over the local pirarucu. In virtually all of the 30 communities and 2 cities running this model, fishers engaged in the process and had profits doubled and pirarucu populations recovered by doubling in numbers every year. One condition for “successful” CBM appears to be the matching and assignment of the responsibilities of each stakeholder group with the appropriate levels of capacity and scale

FUTURE TRENDS IN AMAZON BASIN DISCHARGE AND FLOODPLAIN INUNDATION.

COE, MICHAEL T.; Costa, Marcos Heil. Woods Hole Research Center, P.O. Box 296 Woods Hole, MA, 02540, USA, mtcoe((AT))wisc.edu, (MTC), Departamento de Engenharia Agricola, Universidade Federal de Viçosa, Brazil.

Observational evidence indicates that in tropical regions river discharge generally increases with increasing deforestation. We have recently begun using numerical models to investigate future scenarios of river discharge and flooded area as a result of realistic estimates of deforestation. Simulations have been performed to investigate the sensitivity of the Amazon River system to scenarios representing land cover for the period 2000 to 2050. Two different trajectories of deforestation are investigated: 1) Business as Usual (BAU); and 2) Governance (GOV) under which land cover changes are limited by applied governance rules. In our simulations, deforestation, primarily on the main southern tributaries, increases discharge by 10-15% during the wet season in the GOV simulation with 20-30% of the individual basins deforested. With BAU, the discharge during the wet season increases by 20-25% compared to the modern simulation. Similarly, the flooded area of the basin increases wi th increasing deforestation; for the southern tributaries, the total flooded area during the wet season increases by 15% with GOV and 30% with BAU. The simulations clearly indicate that differences in the trajectories of deforestation are likely to significantly impact the future hydrology of the Amazon River basin

POPULATION GENETICS OF COMMERCIALLY IMPORTANT CHARACIDS OF THE VÁRZEA: IMPLICATION FOR CONSERVATION.

FARIAS, IZENI P.; Vasconcelos, William; Nunes, Mário; Leão, Adam; Mota, Edvaldo; Teixeira, Ailton; Ruffino, Mauro Luis; Santos, Maria. Laboratório de Evolução e Genética Animal - LEGAL, Departamento de Biologia, I.C.B., Universidade Federal do Amazonas, Estrada do Contorno 3000, Manaus, AM, 60077-000, Brazil, izeni_farias((AT))ufam.edu.br (IPF, MN, AL, EM, AT, SM). Provárzea - IBAMA, Manaus, AM, 60077-000, Brazil (MR).

Many characid fishes are commercially important food resource for several Amazonian countries, however, little is known about their population genetics within the huge Amazonas River system. In this category Prochilodus nigricans (curimatã) and Colossoma macropomum (tambaqui) are the two most important characid species of the Amazônia várzea. The tambaqui is also a very important aquiculture species. They are classified as seasonal migratory species which use both lacustrine and riverine environments for reproduction, feeding and dispersal, following the year flood regime of the Amazon River. In the present study we report a population genetic analysis of two mitochondrial DNA gene regions analyzed in approximately 100 individuals per species collected from multiple localities within the Solimões/Amazônas várzea system. Both species show a high level of genetic exchange among localities with no population differentiation through the entire Amazon channel. These findings suggest that each species comprise one evolutionary unit and acts as a panmitic population. Despite other studies suggesting over-exploitation, C. macropomum shows high genetic variability; the same result is observed in P. nigricans. The genetic studies are encouraging for the longterm sustainable management and preservation of healthy stocks of these species, and for acting as a genetic reservoir for aquiculture populations

FRESHWATER ECOSYSTEM CONSERVATION: PERSPECTIVES FROM THE FLOODPLAIN.

Viers, Joshua H.; Mount, Jeffrey F.; Moyle, Peter B.; Quinn, James F.; HOGLE, INGRID B. University of California - Davis, One Shields Ave., Davis, CA 95616, USA, ibhogle((AT))ucdavis.edu.

California has embarked upon an ambitious plan to restore the San Francisco Bay-Delta ecosystem while improving the quality and reliability of its water supply through the CALFED Bay-Delta Authority. The CALFED-funded Cosumnes Research Group joins biologists from three institutions and the Nature Conservancy to examine floodplain dynamics in the Cosumnes watershed. Restoration activities at the Cosumnes River Preserve involve the intentional compromise of flood protection levees to restore the ecosystem benefits of hydrologic connectivity-the exchange of water, sediment, nutrients, food resources and organisms between the Cosumnes River and its surrounding landscape. Our studies of these restoration activities show an increase in primary and secondary production through changes in nutrient composition, subsequent increases in the abundance of native fishes through improved rearing habitat, and improved habitat utilization by a variety of birds and bats due to changes in the composition and structure of adjacent riparian forests. Ongoing studies focus on the role of regional groundwater on the timing and magnitude of river flow, including the impact of evapotranspiration by riparian vegetation, and local groundwater extraction. Study results show that the timing, duration, and magnitude of flood waters have a profound effect upon the dynamics of this freshwater ecosystem

COMMUNITY MANAGEMENT OF PIRARUCU: A PARTICIPATIVE EXPERIENCE IN AMAZÔNIA.

Vieira, Elisabeth, F.; Farias, Izeni P.; ESTUPIÑAN, GUILLERMO. Instituto de Ciências Biológicas, Departamento de Biologia, Universidade Federal do Amazonas, Av. Gen. Rodrigo Octávio Jordão Ramos, 3000, Campus Universitário, Bairro Coroado I, 69077-000, Manaus, AM, Brazil.

Important goals for successful management of pirarucu is to know whether traditional systems of management address the immediate needs of the riverine communities, and at the same time are sustainable. Our study integrates a series of research activities and participative work methods, focusing on better understanding of population dynamics, behavior, dispersal and fishery of pirarucu. These studies proceed through monitoring and evaluation of the actual and hypothesized state of exploitation socioeconomic and ambiental indicators. The principles of this evaluation are based on the dynamic alterations of traditional communities in response to growing socioeconomic needs, and on alterations of fishing levels correlated with local population density and with the presence of local consumer markets. The three studied regions are the Costa do Canabuoca in the municipality of Manacapuru, and sets of communities in the middle Juruá and the middle Purus River regions. The communities differ in their use of fisheries resources. Participation of the local users in the data collection and implementation of management methods facilitates the passing of this knowledge to the community, the strengthening of local community organization, which then in turn is better organized to control its natural resources, and for example implement aquiculture and harvest scheme

THE ROLE OF LAND USE CHANGES ON THE BIOGEOCHEMICAL FUNCTIONING OF AQUATIC ECOSYSTEMS IN THE AMAZON.

VICTORIA, REYNALDO L.; Ballester, M. V. R.; Krusche, Alex V.; Richey, J.; Kavaguishi, N.; Gomes, B.; Victoria, D.; Montebelo, A.; Neill, Christopher; Deegan, Linda A. CENA/USP, Av. Centenario 303, 13416-000 Piracicaba SP, Brazil, reyna((AT))cena.usp.br.

In this study we present the results of an integrated analysis of physical and anthropogenic controls of river biogeochemistry in Amazônia. At the meso-scale level, both soil properties and land use are the main drivers of river biogeochemistry and metabolism. Pasture and soil ECC explains 99% (p < 0.01) of the variability observed in surface water ions and nutrients concentrations. In small rivers, forest clearing can increase cations, P and C inputs. P and light are the main PPL limiting factors in forested streams, while in pasture streams N becomes limiting. Pasture streams on Oxisols have very low P export, while on Ultisols P export is increased. Conversions of forest to pasture leads to extensive growth of in channel Paspalum resulting in higher DOC concentrations and respiration rates. In pasture areas the soil are compacted, there is less infiltration and higher surface run off, leaching soil super- ficial layers and caring more DOC to the streams. Mineralogy and soil properties are key factors determining exports of nutrients to streams. Therefore, land use change effects on nutrient export from terrestrial to aquatic ecosystems and the atmosphere must be understood within the context of varying soil properties across the Amazon Basin

THE IMPORTANCE OF AMAZONIAN RIVERS FOR THE CONSERVATION UNITS LOCATION.

VENTICINQUE, EDUARDO M.; Moreira, Marcelo; Neto, Hermógenes B. Wildlife Conservation Society - Andes Amazon Conservation Program, Rua dos Jatobás 274, Coroado III, Manaus, AM, 69085-380, Brazil, eventicinque((AT))wcs.org, (EMV). Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais, Manaus, AM, 69011-970, CP 478, Brazil (MM, HBN).

A number of conservation units (CU) have been created in Amazonas state in the last years. Most recently created CUs are Sustainable Development areas and not Integral Protection areas. In the present study we have analyzed the role of the 14 main rivers of the Brazilian Amazonian basin as barriers for the distribution of mammalian species in the state of Amazonas. Data on species distribution were obtained from the literature. We built a matrix for each of the margins of the 14 rivers considering the presence or absence of 196 mammalian species. The rivers Negro, Solimões and Amazonas were the most effective barriers for the distribution of mammals within Brazilian Amazonia. Differences between species sets in each margin of the same river were 27% (Rio Negro), 27% (Amazonas) and 19% (Solimões). The most affected groups were the monkeys (51%), rabbits (40%), opossumus (26%), cavylike rodents (21%), sloths (17%), rodents (16%) and carnivores (6%). As most of the conservation units designed for integral protection are north of Rio Solimões-Amazonas and west of Rio Negro, there is an expressive number of mammal species which are not protected in the state of Amazonas

AQUATIC INSECTS IN VÁRZEA LAKES: ARE THERE CONCORDANT BIOGEOGRAPHIC PATTERNS AMONG ECOLOGICALLY DIFFERENT GROUPS?

DE MARCO JR., PAULO; Nessimian, Jorge L.; Hamada, Neusa; Ferreira Jr, Nelson. Laboratório de Ecologia Quantitativa; DBG; Universidade Federal de Viçosa, 36570-000; Viçosa, Minas Gerais Brazil; pdemarco((AT))ufv.br.

The Várzea floodplains are a major components of the Amazon basin. However, there is little little information about its insects, a group that represent different ecological guilds and thus could be useful as indicators of ecosystem function. We collected aquatic insects associated to the floating macrophyte Eichhornia crassipes, in 26 sites along the Várzea of the Amazon River in order to use this data to discuss the use of aquatic insects as a component to determine conservation priorities in Várzea. We used data from Odonata, Ephemeroptera, Hemiptera, Coleoptera and Trichoptera to determine patterns on species compositio n, richness and beta diversity, assuming that these groups vary greatly in ecological characteristics including predators that use very different habitats, herbivores with very distinctive particle size selection and also collectors. We capture ca. 350000 specimens with 178 taxa and 61 new records. There is a substantial variation in the response of those groups but the main concordant biogeographic patterns are the existence of a difference in composition and diversity among sites before and after the rio Negro in the middle Amazon, and a possible distinction of the areas near the estuarine, after the Tapajós River

FRESHWATER KEY BIODIVERSITY AREAS IN AFRICA.

DARWALL, WILLIAM R. T.; Smith, Kevin G.; Vié, Jean-Christophe. IUCN - The World Conservation Union

USE OF MULTI-TIME SEQUENCES OF RADAR JERS-1 SAR IMAGES TO ESTIMATE MONTHLY VARIATION IN HABITAT AVAILABILITY AND ITS INFLUENCE ON A FISH COMMUNITY.

VEGA-CORREDOR, MARÍA; Forsberg, Bruce; Arruda, Warley C. Laboratorio de Ecossistemas Aquáticos, Centro de Pesquisas em Ecologia, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia; Av. Efigenio Sales 2239, 69011-970, Manaus, AM. Brazil, mariacvc((AT))hotmail.com (WR, BF, MCV).

The flood pulse produces cyclical variations in aquatic habitat availability, creating expansion and contraction of flooded areas. This, in turn, causes changes in shelter and food resource availability for fish communities, forcing them to adapt to varying conditions. Remote sensing and Geographical Information Systems (GIS) are proving useful in evaluations of how changes in flooded wetland habitats and impacts of human activities affect the distribution of the fish communities utilizing these habitats. The objective of this research was to determine how changes in habitat availability influenced the structure of a fish community in a floodplain lake. A multi-time sequence of radar JERS-1 SAR images was classified to estimate the monthly variation in habitat availability (open water, aquatic macrophyte beds, and flooded forest). Fish were collected monthly between January and November 2003 in the three types of habitat. Fish community structure did not differXIX Annual Meeting of the Society for Conservation Biology ABSTRACTS between habitats, as the majority of species were caught in whatever habitats were available at the particular time of the year. With respect to variations in seasonal flooding, the results demonstrate a high level of plasticity in the utilization of available food resources and shelter by the icthiofauna associated with these habitats

BUILDING CAPACITY FOR FRESHWATER ECOLOGICAL ASSESSMENTS IN THE BRAZILIAN CERRADO.

UPGREN, AMY; Pinder, Laurenz; Kimura de Freitas, Glauco. Nicholas School of the Environment and Earth Sciences, Levine Science Research Center, Duke University, Durham, NC, 27708, USA, aupgren((AT))yahoo.com (AU). The Nature Conservancy, Central South America Savannas, SHIN Centro de Atividades 05, Conjunto J Bloco B Salas 301-309, Brasília, DF, 71.503 Brazil (LP, GF).

The growth of agricultural production in the Brazilian Cerrado has substantially affected the natural landscape. To understand and document the effects of agricultural expansion on river systems in the Cerrado, assessment programs that evaluate a broad range of ecological functions are necessary. Recognizing this need, The Nature Conservancy of Brazil (TNC) developed a comprehensive river assessment program, which evaluates the water quality, biological condition, and physical habitat structure of river systems, with the aim of transferring the assessment program to the environmental agency of the state of Goiás. To allow for the adoption of the assessment into the state’s monitoring program, TNC analyzed the agency’s existing resources and capabilities, took them into account while designing the assessment program, and built capacity by developing and implementing a training course to instruct agency biologists to use the assessment. The environmental agency of Goiás has begun applying the assessment on two rivers in the state and is currently integrating the assessment into its freshwater monitoring program. TNC’s approach, which identified the agency’s current capabilities and focused capacitybuilding efforts on enhancing those capabilities, provides a useful example of a strategy to improve regional capacity for ecological assessments

“FISHES” AND “STONES” TO IMPLEMENT FISHERY CO-MANAGEMENT IN THE UPPER SÃO FRANCISCO RIVER, MINAS GERAIS, BRAZIL.

THÉ, ANA PAULA GLINFSKOI; Mancuso, Maria Inês; Cerdeira, Regina; Santos, Gilvandra Silva; Apel, Marcelo; Madeira, Thaís; Macnaughton, Alison. Universidade Federal de São Carlos, Departamento de Ciências Sociais, Rod. Washington Luiz, Km 235, 13560-000, São Carlos, SP, Brazil, anathecomanej((AT)) yahoo.com.br.

This paper describes participatory research which is being carried out since 2004 by the Instituto Amazônico de Manejo dos Recursos Ambientais (IARA) and the Federal University of São Carlos (UFSCar), with collaboration of other partners of the Project “Fish, People and Water.” The work is facilitating the establishment of fishery co-management with the professional artisanal fishermen in the São Francisco River in Minas Gerais state, bringing the experience from Amazon region of fishery agreements (“acordos de pesca”) to the São Francisco region. Six towns are in the pilot study, ranging from Três Marias to just north of Pirapora. This involves four fisheries “colônias” and represents about 450 fishing families. Seven activities were carried out to promote community empowerment and governmental decentralization in the management of fishery resources. The dialogue between community and governmental agencies was established and legal instruments for co-management now exist. Considerable progress has been made towards strengthening the fisheries organizations and their expression, but considerable more work is still needed to bring concrete and sustainable returns to the community, and it is still unclear what form of fisheries co-management will eventually be established

COMMUNITY-BASED MANAGEMENT OF FISHERIES IN AMAZONIA.

SILVA-FORSBERG, M. C. Gerencia dos Estudo Estratégicos, Provarzea-Ibama, Rua Min. João G. de Souza, Distrito Industrial. 69075-830- Manaus- AM- Brasil.

Communities are managing local fisheries such as lakes on the Amazon River through fishing accords which restrict access to users from outside of the community. In recent decades with increasing population pressure and commercialization, conflicts between local and non-locals have arisen. Since no users have the right to restrict access, the Brazilian Government found a way to solve the conflicts and to conserve the fish species by legalizing the involvement of communities in the management of resources through fishing accords (Portarias) taking advantage of their existing management practices and knowledge. To formulate and implement the Portarias, however, communities need some technical, economical and institutional support. In this paper we present the results of some promising initiatives in community fisheries management supported by ProVarzea/Ibama (Project Management of the Natural Resources of the Várzea). In Silves, for example, in the state of Amazonas, 19 communities (548 families and 2700 people) implemented fishing accords which resulted in the increase of fishing stocks, wild animals and the productivity of subsistence fishing. Thus, an effective way to make conservation work is by supporting local communities in their effort to elaborate, establish and implement management practices of wetland resources

MANAGING FRESHWATER ECOSYSTEMS FOR BIODIVERSITY AND HUMAN WELL-BEING: INDICATORS TO MEASURE PROGRESS.

REVENGA, CARMEN; Bryer, Mark; de Villiers, Pierre. Global Priorities Group, The Nature Conservancy, 4245 N. Fairfax Drive Suite 100, Arlington, VA 22203-1606, USA, crevenga((AT))tnc.org (CR, MB). Department of Tourism, Environmental and Economic Affairs, Private Bag X20801, Bloemfontein 9300, Free State Province, South Africa, devilp((AT))dteea.fs.gov (PV).

Human activities have severely affected the condition of freshwater ecosystems worldwide. Physical alteration, water withdrawal, pollution, overexploitation, and the introduction of nonnative species all contribute to the decline in freshwater biodiversity. In North America alone, the projected extinction rate for freshwater fauna is five times greater than that for terrestrial fauna–a rate comparable to the species loss in tropical rainforests. Human population growth and development will place even higher demands on already stressed freshwater ecosystems, unless an integrated approach to managing water for people and nature is more broadly implemented. We report on a global assessment of the extent and quality of data available about populations of freshwater species, and change in the extent and condition of natural freshwater habitats and propose a suite of indicators that can be applied at multiple scales to fill some information gaps. The indicators we propose can be used to measure progress in halting the rapid decline in freshwater species, and to craft policies that support an integrated approach to water management, taking into account development and biodiversity goals

FRESHWATER TURTLE GATHERING IN JAÚ NATIONAL PARK, AMAZONAS, BRAZIL.

PEZZUTI, J. C. B.; Félix-Silva, D.; Lima, J. P.; Begossi, A. Universidade Federal do Pará-UFPA, Núcleo de Altos Estudos Amazônicos-NAEA Campus Universitário do Guamá, Rua Augusto Corrêa 01, CEP 66075- 110 Belém, PA, Brazil.

The relationship between human populations of the Rio Negro River basin and the vertebrate fauna was studied, with emphasis on freshwater turtles. The areas studied between 1997 and 2002 were the Jaú, Carabinani and Unini Rivers, that together represent the main drainage basin of the Jaú National Park (PNJ). Study methods included the application of hunting calendars, the collections of the skulls of hunted animals, interviews and direct observation of hunting and fishing, as well as personal experimentation with local fishing and hunting techniques. Freshwater turtle fishing strategies are highly diversified and subject to spatialABSTRACTS Universidade de Brasília, Brazil, July 2005 and temporal variations in use, production and selectivity. The most common turtle hunting technique, a baiting and harpooning combination called “baliza”, was employed in 37,5% of the hunts. This was highly productive (17,9 kg of game per hunter per day) and selective for the bir-headed Amazonian turtle (Peltocephalus dumerilianus), the most consumed turtle species. Some techniques are seasonal and related to the annual flooding cycle of the river. Among these, the capture of nesting “tracajá” females (Podocnemis unifilis), either manually or in traps, and the capture of this species in dry season aggregations are considered to represent the most serious impacts

CONSERVATION OF FISHERIES IN THE AMAZON BASIN - DISCUSSION AND CONCLUDING REMARKS.

PEREIRA, HENRIQUE S. Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis, R. Min. João Gonçalves de Souza s/n - Km 01 BR 319-DI - 69.075-830, Manaus, Amazonas, Brazil, henrique.pereira((AT))ibama.gov.br.

Fishery is a vital socioeconomic activity all over the Amazon basin and the need for sustainable conservation strategies are increasingly gaining significance as deforestation, commercial exploitation and demographic pressure are putting fish stocks at risk. Fish conservation effectiveness will improve if new scientific knowledge is brought into the methodological approaches for each guild and management unit or dimension. By focusing on ecological and genetic available data for the main target species and confronting conventional policies with innovative management ongoing experiences, this symposium offers opportunities to built epistemological links between sociopolitical and biological aspects of Amazonian fisheries conservation. Metapopulation models used to explain genetic data patterns also suggest the suitability of combining local (micro) and regional (basin) management a pproaches. At local level, sub-population of sedentary species are being protected at managed fishery grounds (floodplain lakes) where capture is forbidden during reproduction season and fishing quotas and other restrictions are strictly observed by local actors and monitored by governmental agencies. Seasonal migratory species also benefits from such strategies as their growth areas at the floodplain are preserved. Large migratory channel catfishes, identified and highlighted as single populations begin to be adequately managed as fishery restrictions and rules are unified at regional level

VERTEBRATE COMMUNITY STRUCTURE IN AMAZONIAN SEASONALLY FLOODED AND UNFLOODED FORESTS.

PERES, CARLOS A. Centre for Ecology, EvolutionXIX Annual Meeting of the Society for Conservation Biology ABSTRACTS & Conservation, University of East Anglia, Norwich, NR4 7TJ, UK, C.Peres((AT))uea.ac.uk.

Amazonian floodplain forests are one of the most seasonally variable habitats anywhere in the tropics. I present data from a standardized series of line-transect censuses of forest vertebrate assemblages of western Brazilian Amazonia occurring at ten flooded (“várzea”) and fourteen unflooded (“terra firme”) sampling sites. Terra firme forests invariably contained richer bird and mammal species assemblages than did adjacent várzea forests, but faunal interchanges between forest types is a typical feature of the terra firme-várzea interface. There was a clear habitat-dependent positive association among vertebrate species, particularly within várzea forests, as well as marked shifts in guild structure between forest types. Species turnover between these two forest types involved primarily ground-dwelling and understory insectivores, which were usually absent from inundated forest on a seasonal basis. On the other hand, large-bodied arboreal folivores such as howler monkeys and sloths were rare in terra firme forests, but extremely abundant in annually flooded várzea and supraannually flooded floodplain forests. This can be largely explained by the predictable flood pulse and nutrient-rich alluvial soils of young floodplains, compared to the heavily weathered terra firme soils occurring even within short distances of major white-water tributaries of the Amazon. This study clearly shows a reverse diversity-density pattern resulting from the lower species richness, but high overall community biomass of seasonally flooded Amazonian forests, which can now be generalized to other terrestrial vertebrate taxa

PATTERNS OF AQUATIC BIODIVERSITY IN THE AMAZON BASIN.

FERREIRA, LEANDRO. Coordenação de Ciências da Terra e Ecologia (CCTE), Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), Avenida Perimetral 1901, Bairro Terra Firme,66077-530, Belém, Pará, Brazil, lvferreira((AT))museugoeldi. br.

The Amazon basin is comprised of the Amazon River and its tributaries, defined as those areas periodically or permanently flooded by freshwater. This includes permanently flooded areas such as lakes or swamps as well as periodically flooded areas along the edges of rivers and lakes. These flooded areas encompass a variety of soil conditions (sand, mud and clay) and various physical and chemical-based aquatic classifications (saltwater influence, white freshwater, clear freshwater, black freshwater). The continuous and branching Amazon basin extends along the narrow borders of the rivers to cover an area of approximately 660,500 km2, including a wide variety of ecological and biological features to maintain by the cyclical fluctuation of water levels. We have identified four major objectives for the conservation of the Amazon basin: (1) Guarantee representation of all existing habitat types; (2) Maintain terrestrial and aquatic connectivity, both lateral and longitudinal; (3) Preserve hydrological and sedimentation cycles and (4) Maintain viable populations of species of special concern, including endemic species, typical species, and economically important species. The objective of this presentation will be described how these processes can be affect the Patterns of Aquatic biodiversity in the Amazon basin

SUSTAINABLE HARVEST OF TWO LARGE PREDATORY CATFISH IN THE CUIABÁ RIVER BASIN, NORTHERN PANTANAL, BRAZIL.

PENHA, JERRY M. F.; Mateus, Lúcia A. F. Laboratório de Ecologia e Manejo de Recursos Pesqueiros, Instituto de Biociências, Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, MT, 78060-900, Brazil.

Fishery may reduce adult mean size, size at first maturity, and mean individual growth rate of exploited populations. These changes affect the structure and dynamics of target populations and can lead to the growth or recruitment overfishing. This study assesses the structure, exploitation and stock management of Hemisorubim platyrhynchos and Sorubim cf. lima, the sixth and seventh largest Pimelodidae catfish of the Pantanal. The analysis is based on fish caught by commercial fishing in the Cuiabá river and landed at the “Antônio Moysés Nadaf” Market in the Cuiabá city, Mato Grosso state, Brazil. The findings indicate that commercial fishing activities target several fish cohorts and that usually only individuals above mean length at first maturation are caught. Estimates of the instantaneous mortality coefficient show that the current fishing mortality is low. Simulations of relative yield-per-recruit model demonstrate that the current yield of two species could be greater if fishery effort were increased, indicating that the stocks are underexploited. However, an increase in current fishery effort should be viewed with caution, since the stockrecruitment relationship for the species is unknown. The results indicate that the current harvest of two species in the Cuiabá River Basin is sustainable

THE AMAZON RIVER AND FLOODPLAIN: OVERVIEW OF WWF-BRAZIL CONSERVATION PLANNING FOR A FRESHWATER ECOREGION.

OVIEDO, ANTONIO; Scaramuzza, Carlos A. M.; Meneses Filho, Luis C.L. WWF-Brazil, SHIS EQ QL6/8, Conj. E, Brasília-DF, 71620-430, Brazil, antonio((AT))wwf.org.br (AO, CAMS, LCLMF).

The Amazon River and Floodplain Ecoregion is defined as those areas periodically or permanently flooded by freshwater in the Amazon basin. The prominence of ecological processes in shaping habitats, aquatic species and human activities creates a challenge for long-term conservation of the Ecoregion’s biodiversity features. The biodiversity vision is a planning tool developed to protect adequately the biodiversity, habitats and human activities. The Biodiversity Vision represents the minimum requirements in terms of areas and management practices, to guarantee the conservation of biodiversity in perpetuity. It highlights the most important areas of the ecoregion where efforts should be focused, and helps stakeholders to plan their strategies toward a co-management of varzea resources. The following objectives were established to define the conservation landscape for the biodiversity vision: Guarantee representation of all existing habitat types; Maintain terrestrial and aquati c connectivity, both lateral and longitudinal; Preserve hydrological and sedimentation cycles; Maintain viable populations of endemic species, typical species, and economically important species. The result of this prioritization exercise is a set of 16 priority catchments. Now WWF-Brazil is applying a systematic conservation planning framework with the use of decision support system to improve the implementation of the biodiversity vision action plan.XIX Annual Meeting of the Society for Conservation Biology ABSTRACT

REMNANT DIVERSE HAPLOCHROMINE CICHLID COMMUNITIES IN KENYAN WATERS OF LAKE VICTORIA.

MURBI, HARRISON C.; Muchiri, Mucai S.; Liti, David; De Vos, Luc. Department of Fisheries, Moi University, P.O. Box 1125, Eldoret, Kenya (MSM). Department of Zoology, Moi University, P.O. Box 1125, Eldoret, Kenya (DL). Ichthyology Department, National Museums of Kenya, P.O. Box 40658, Nairobi 00100, Kenya (LD, posthumous).

Haplochromine cichlids in Lake Victoria have declined dramatically due to Nile perch (Lates niloticus) introduction, eutrophication and overfishing. This study showed that a large number of haplochromines species still exist in sizable numbers and trophic groups at least in the five (Homa Bay, Mbita, Osieko, Litare and Kisumu) sites sampled in 2000. Form features were used to identify trophic groups. Morphometric measurements (analyzed with principal component analysis) were used to delineate species. From a sample of 141 individuals, we identified 36 species in 10 trophic groups. Epilithic algivores were most abundant numerically, but oral mollusc shellers had the highest species number. Surprisingly, the few zooplanktivores (n=15) segregated into 6 species. No piscivores were observed. This large number of species for such a small sample size showed that, even though the haplochromines have declined over time, there is still a considerable species richness at least in the areas investigated. Thus, there remains hope for the preservation of haplochromine diversity after the upsurge of the Nile Perch and the increase in pollution and fishing pressure. The lack of formerly-abundant piscivores is of great concern. Conservation measures are needed urgently to stave off further extinction

LAND USE CHANGE AND IMPACTS ON AQUATIC SYSTEMS IN THE ANDEAN HEADWATERS OF THE AMAZON.

MCCLAIN, MICHAEL; Blanco, Andrea; Celi, Jorge; Gann, Daniel; Mena, Carlos; Waggoner, Lindsey. Department of Environmental Studies, Florida International University, Miami Florida 33199, USA, michael.mcclain((AT))fiu.edu.

The Amazon’s Andean headwaters harbor a rich assemblage of species and habitats critical to the aquatic biodiversity of the larger Amazon system. This region is also home to some of the highest human population densities and most widespread land conversion in the Amazon; at least 40% of the region has been either converted to human uses or fragmented by these uses. Over the past 5 years we have investigated land use patterns and change and associated impacts on aquatic ecosystems in the Andean Amazon portions of Ecuador and Peru. Increased rates of land cover conversion are most associated with increased population density and proximity to roads and rivers. Changes in land-use configuration vary mainly as a function of biophysical factors; no significant differences are observed between indigenous and colonist communities inhabiting the same basin. Water and habitat quality in rivers vary as a function of adjoining and upriver land uses. Rivers flowing through agricultural and ranching areas carry increased sediment loads, have elevated temperatures, pH and PO4 concentrations, and lower oxygen. Macroinvertebrate communities vary according to land use and are most severely impacted downstream on towns. Aquatic biodiversity preservation in the region requires increased attention by managers

COMMERCIAL FISHERIES & COMMUNITY BASED MANAGEMENT OF FLOODPLAIN LAKES: MODELLING THE IMPACTS OF THE CUIABÁ-SANTARÉM HIGHWAY, BR-163.

LORENZEN, KAI; Almeida, Oriana T. Division of Biology, Imperial College London, Silwood Park, Ascot SL5 7PY, UK, k.lorenzen((AT))imperial.ac.uk (KL); IPAM, Av. Nazaré, 669, Centro, 66035-170 Belém, PA, Brazil, oriana((AT)) ipam.org.br (OA).

The Cuiabá-Santarém Highway (BR-163) is likely to expand the market for fisheries products from the lower Amazon. We use a bio-economic model to predict the impacts of market expansion on fisheries in tyhe Santarem region, and evaluate management measures to address potential negative impacts. Amazonian fisheries are exploited by both commercial and subsistence-oriented fishers, and conflicts between the two sectors are a key driver of management initiatives in the basin. The model is built around a simple general relationship between effort and aggregated multi-species catch, and parameterized for the Santa rem region of the lower Amazon where subsistence-oriented fishing accounts for about 70% of total effort. While the fishery is only moderately exploited biologically, market limitation means that the commercial fishery operates at the open access equilibrium and further expansion is economically impossible unless demand increases substantially. Market expansion due to better transport links with inland areas is likely to lead to a dramatic increase in fishing effort. Access controls to maintain ecologically and economically sustainable levels of effort can be put into effect now with little social costs, and will be highly beneficial to the fishery when market expansion occurs

POPULATION GENETIC ANALYSIS OF Arapaima gigas: IMPLICATIONS FOR MANAGEMENT AND CONSERVATION.

HRBEK, TOMAS; Crossa, Marcelo; Sampaio, Iracilda; Farias, Izeni P. Laboratório de Evolução e Genética Animal, Departamento de Biologia, I.C.B., Universidade Federal do Amazonas, Estrada do Contorno 3000, Manaus, AM, 60077 Brazil, tomas_hrbek((AT))ufam.edu.br (TH, IPF). Biology Department, University of Puerto Rico - Rio Piedras, San Juan, PR, 00931-3360, Puerto Rico (TH). Projecto Várzea, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Santarém, PA, 68005 Brazil (MC). Núcleo de Estudo Costeiros, Campus da Bragança, Universidade Federal do Pará, PA, 68600-000, Brazil (IS).

In the present study we report a population genetic analysis of Arapaima gigas, and its implication for conservation and management. Arapaima is an important, but critically over-exploited giant food fish of the Amazonian várzea. Analysis of 2347 b. p. of mtDNA, and 14 variable microsatellite loci from 139 individuals sampled in seven localities within the Amazon basin suggests that Arapaima forms a continuous population with extensive genetic exchange among localities. Weak effect of isolation-bydistance is observed in microsatellite data, but not mtDNA data. Arapaima has low genetic diversity, and it shows a signature of genetic bottleneck in the middle and lower reaches of the Amazon system, areas of heaviest exploitation. Spatial autocorrelation analysis of genetic and geographic data suggests that genetic exchange is significantly restricted at distances greater than 2800 km. We recommend implementing a source-sink metapopulation management and conservation model by creating high quality várzea reserves separated by distances less than 2800 km. This conservation strategy would: 1) preserve all of the current genetic diversity of Arapaima; 2) create a set of reserves to supply immigrants for locally depleted populations; 3) preserve core várzea areas in the Amazon basin on which many other species depend

ECOLOGICAL NICHE MODELING OF STREAMS FISHES BASED ON PRESENCE/ABSENCE DATA, CORUMBATAÍ RIVER BASIN, SAO PAULO STATE, BRAZIL.

GERHARD, PEDRO; Ferraz, Kátia M. P. B.; Verdade, Luciano M. Laboratório de Ecologia Animal, Departamento de Zootecnia, ESALQ, Univerdade de São Paulo, Piracicaba, Cx. P. 09, 13418 Brazil, kferraz((AT))esalq.usp.br (PG, KMPMBF, LMV).

Ecological modeling can be a useful tool for species and habitat management and conservation. This study aimed to elaborate predictive models for rare and widespread species based on ecological niche modeling by GARP (Genetic Algorithm for Rule-set Prediction). Fish presence and absence data were collected in the field during 2003 and 2004 for 60 study sites in the Corumbataí river basin, São Paulo state, Brazil. This data and GIS environmental variables were used to generate individual models in Desktop GARP. Model validation was made by the confusion matrix, chisquare tests and quantitative indexes. The best subset of variables common to the most models were the satellite image, land use/land cover, digital elevation model, soil and the geology map. Predictions of presence and absence were highly statistically significant when tested with independent occurrence data for all species. The predictive models allowed identifying upland and lowland species as well as species that are sensitive to riparian deforestation. These models can be used to define priority areas for conservation. Based on that we strongly recommend the use of GARP to predict fish spatial distribution, at least in regional scale. Sponsor: FAPESP

THE INFLUENCE OF DAMS ON THE MIGRATORY FISH Prochilodus lineatus, IN RIO GRANDE (BRAZIL).

GARCEZ, RIVIANE; Almeida-Toledo, Lurdes F. Laboratório de Ictiogenética do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, SP, 05508-900, Brasil, rivigarcez((AT))yahoo.com.br.

P. lineatus has a great importance for Rio Grande’s fishing. The construction of dams in this area affected populations of migratory fishes, like P. lineatus, that can not swim through them. For programs of fishing management, analyses about the influence of dams are necessary. Genetic markers are useful for these. Individuals of four different places were analyzed: Cardoso (n=26), Colombia (n=25), Igarapava (n=16) (Rio Grande), and Jaborandi (n=16) (Rio Pardo), with PCR-RFLP from DLoop region of mtDNA. The nucleotide and haplotype diversity within populations and the nucleotide divergence and diversity between populations were calculated. For Rio Grande, a little decrescent tendency in the values of diversity upstream was observed. Biggest values were found in Rio Pardo. Interpopulation analysis showed the smallest index between the localities of Rio Grande, while the biggest were found between those and Rio Pardo. These data indicate: there are genetic differences between the rivers, and the localities of Rio Grande must be considered as a single genetic stock. Programs of re-stocking and the continuous lost of habitats upstream must influence the values of diversity in Rio Grande when compared to Rio Pardo. More researches on migratory fishes in areas of dams must be realized. FAPESP

THE CAUSES AND CONSEQUENCES OF AQUATIC MERCURY CONTAMINATION IN THE BRAZILIAN AMAZON.

FORSBERG, BRUCE; Belger, Lauren; Peleja, Reinaldo; Zeidemann, Vivian. Coordenacao de Pesquisas em Ecologia, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazonia, CP 478, Manaus, AM 69011-970, Brazil, forsberg((AT))vivax.com.br.

High concentrations of mercury have been encountered in fish, soils and human hair collected in various parts of the Amazon basin. These elevated concentrations are often attributed to anthropogenic pollution from gold mining operations. However some of the highest levels of mercury contamination have been found is isolated black water tributaries far from any industrial activity. Recent findings suggest that most of the mercury present in the Amazon ecosystem is, in fact, derived from natural processes and that its distribution in the basin is determined more by river chemistry and wetland densities than by anthropogenic influences. I summarize these findings here and present an updated overview of the biogeochemistry of mercury in the Amazon basin. Current information on the distribution and dynamics of mercury in the region, including anthropogenic influences, are evaluated in the context of the regional and global mercury cycles. Mercury concentrations in fish and human hair are shown to be highly correlated with river pH and wetland densities. Mercury concentrations are should to be naturally high in most central Amazonian soils

CONSERVATION INVOLVING THE COMMUNITY: FISHERIES CO-MANAGEMENT IN MALAWI.

DOBSON, TRACY; Chimatiro, Sloans; Russell, Aaron. Department of Fisheries and Wildlife, Michigan State University, 13 Natural Resources Bldg., East Lansing, MI 48824-1222, USA (TD, AR) Director, Department of Fisheries, Ministry of Natural Resources & Environmental Affairs, P.O. Box 593, Lilongwe, Malawi (SC).

In response to the crash of key nearshore fish stocks in Lakes Malawi and Malombe, in 1993 Malawi’s Department of Fisheries, aided by donors GTZ and UNDP, launched a pilot project at Lake Malombe to test the viability of using co-management as a strategy to move towards sustainable fisheries. Up to that time the Department had employed a top down, command-and-control approach. Early results were promising, but failure of the Department to follow through on certain commitments and to relinquish some measure of control, as well as no improvement in the stocks led to disillusionment among fishers. An evaluation of the program to date, detailing a variety of weaknesses, measured against the best practices for collaboratively designing and implementing location-appropriate co-management, as described by Ostrom et al (2002), provides valuable guidance for the Department’s new leadership as it seeks to reshape its troubled program

THE ADAPTIVE MANAGEMENT OF IMPACTS AS A STRATEGY FOR THE SUSTAINABLE USE OF THE PIRARUCU IN THE AMAZON BASIN.

CROSSA, MARCELO. Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia - IPAM; Av. Rui Barbosa 136 CEP: 68.005-080 Santarém, Pará crossa((AT))ipam.org.br; Del Aguila Chaves, Javier. Instituto Nacional de Recursos Naturales - INRENA, Ricardo Palma 113 Iquitos, Peru, jadelach((AT))viabcp.com.XIX Annual Meeting of the Society for Conservation Biology ABSTRACTS

Floodplains are essential to the conservation of Amazon aquatic biodiversity. The degradation and fragmentation of habitat along the Amazon River, combined with increasing fishing pressure, have depleted stocks of pirarucu (Arapaima gigas), a species that can reach 2.85 meters length and a weight of 200 kg. The pirarucu has a boney tongue, must breathe air and builds nests and cares for young until they reach 30-40cm. The species is considered to be sedentary, but they do undertake trophic migrations and/or disperse during large floods. The first studies of pirarucu fisheries, ecology and population dynamics were begun in the early 1990’s. These studies indicate that the species reacts positively to protection of lakes and thanks to the potential for monitoring these stocks, it has become a key species for fisheries management. Participatory research and collective management plans are being developed, although new studies are needed to consolidate these advances and contribute to new management strategies. In this paper we discuss the concept of adaptive management of impacts as a strategy for guiding management processes, with emphasis on user participation in the development, implementation, monitoring and revision of management systems

FISH AGREEMENT AND THE EXCLUSION OF COMMERCIAL FISHER IN THE LOWER AMAZON.

ALMEIDA, ORIANA T. Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia - IPAM - Av. Nazaré 669, Centro, 66.035-170 Belém, PA, Brazil, oriana((AT))ipam.org.br (OTA).

The expansion of fishing activities by commercial fishers in the last 30 years originated a series of disputes between commercial and small scale fishers in the Amazon floodplain. Aiming at reducing this pressure over the resource, small scale fishers started to close their lakes to commercial fishers, escalating the conflicts between these two groups. To reduce these conflicts, the federal government approved a law in 1998 that allowed communities to regulate fishing in their lakes (managed lakes), but did not permit the exclusion of commercial fishers. This research had the objective to understand the impact of federal legislation on the traditional small scale fisher in the Lower Amazon. This was done by comparing 9 managed communities with 9 communities without management. The results showed that although communities cannot directly exclude commercial fisher, their rules do just that. The rules created are loose enough to permit the fisherman to keep the subsistence fishing activities without any additional restriction (no effort reduction) and, at the same time, are restricted enough to turn commercial fishing economically unfeasible. In this way small scale fishers not only eliminate commercial fishing activities, but also increase productivity in the lakes in the lower Amazon.

FISHBASE FOR THE AMERICAS: IMPROVING ACCESS TO BIOLOGICAL INFORMATION IN THE WESTERN HEMISPHERE.

Beard, Douglas; Canonico, Gabrielle; Grosse, Andrea; Batista, Yabanex; MOSESSO, JOHN. U.S. Geological Survey National Biological Information Infrastructure (NBII), 12201 Sunrise Valley Drive, MS 302, Reston, Virginia, 20192, USA.

FishBase is an online global database containing information on over 28,500 species. The information contained on the site includes scientific and common names, pictures, references, key facts, graphs, reports, data for download, support for the parametrization of ecosystem models, and various tools such as trophic pyramids for major ecosystems. FishBase includes Western Hemisphere data, though content is incomplete for many species. For example, photos, point data for maps, and biological information are often missing. The regional use by countries participating in the InterAmerican Biodiversity Information Network (IABIN) could probably be increased if more common names used in the region were included. The National Biological Information Infrastructure (NBII) Fisheries and Aquatic Resources Node (FAR) is working with FishBase and IABIN to enhance Western Hemisphere fisheries information within FishBase by incorporating regional search capabilities, South American fisheries biodiversity maps, Columbian fisheries information, and common names in the various languages. NBII will also provide deep links to existing information in its system. NBII seeks to provide the Western Hemisphere natural resource community with better access to FishBase information, and to improve data content and data quality of fisheries and biodiversity data available to experts and lay persons.

CONSERVATION AND MANAGEMENT OF THE AMAZON CATFISHES BY THE GENETIC RESEARCH.

BATISTA, JACQUELINE S.; Formiga-Aquino, Kyara; Farias, Izeni P.; Bertucchi-Vogt, Naiara A.; Marão-Siqueira, Tatiana; Alves-Gomes, José A. Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, Av. André Aruaújo 2936 Petrópolis, Manaus, Amazonas, Brazil, CEP: 69060-001, jac((AT))inpa.gov.br (LTBM/COPE).

The commercialization of catfishes in the Amazon includes national and international markets; 70% of the captured species are the piramutaba (Brachyplatystoma vaillantii) and the dourada (B. rousseauxii) of the family Pimelodidae. These two species are captured by commercial and artisanal fishermen along the main Solimões/Amazonas channel. Information in DNA molecules can be used for phylogeographic and population studies as a tool for conservation and management of species. This study investigates the genetic variability of piramutaba and dourada along the Solimões/Amazonas channel, and potential differentiations of stocks for each species. Samples from 30 individuals of each species were collected at five localities along the Solimões/Amazonas channel and at five tributaries of this system. Analyses show there is no association of genetic differentiation and geographic separation of sampling localities in both species. Although not significant, the estuary region and tributary headwaters have higher genetic variability than upper Solimões. These results indicate that all regions are highly connected. The system has to be managed as a whole, conserving both the tributary headwater breeding areas and the estuary feeding area, as well as the main Solimões/Amazonas channel which serves as a corridor between these to regions.

THE INTRODUCTION OF THE NILE TILAPIA, Oreochromis niloticus, IN LAKES AND RESERVOIRS OF BRAZIL: A THREAT TO THE GLOBAL DIVERSITY OF FRESHWATER FISH SP.

ATTAYDE, JOSÉ LUIZ. Departamento de Botânica, Ecologia e Zoologia, Centro de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN, 59072-970, Brazil, attayde((AT))cb.ufrn.br.

Brazil has the largest diversity of freshwater fish species of the world but has imported several species in the last decades for aquaculture and fisheries purposes. The Nile tilapia, Oreochromis niloticus, has been largely introduced in Brazil since the 70´s and is now one of the most widespread exotic fish species in the country. The objective of this work was to evaluate the effects of the Nile tilapia introduction on the reservoir fisheries in the northeast of Brazil. The CPUE or catches per unit of effort (Kg/fisherman/year) before (1971-1975) and after (1976-2000) the establishment of the Nile tilapia in the reservoirs were compared and the results show that the CPUE of several indigenous species were significantly reduced after the establishment of the Nile tilapia in the reservoir s. These results suggest that the introduction of the Nile tilapia in the reservoirs altered the structure of the fish communities, with negative consequences for the indigenous fish species. The mechanisms that must have accounted for these effects are resource competition with other species and modification of the water quality through changes in turbidity and eutrophication mediated by fish. Tilapia introductions should be considered a threat to the global diversity of freshwater fishes.

TOWARDS A BASIN-WIDE STRATEGY FOR CONSERVING THE AQUATIC BIODIVERSITY OF THE AMAZON BASIN.

ABELL, ROBIN; McGrath, David. World Wildlife Fund, 1250 24th St. NW, Washington, DC 20037, USA, robin.abell((AT))wwfus.org, (RA); Núcleo de Altos Estudos Amazônicos, Universidade Federal do Pará, Belém, PA, Brasil. 66.075-900, dmcgrath((AT))amazon.com.br (DM).

Conservation biologists and managers agree that river basins are appropriate units for freshwater biodiversity and water resource planning and implementation, but how can this principle be applied to the Amazon River Basin, the largest watershed in the world? What elements of planning and implementation need to extend across the entire Amazon, and which can be targeted over smaller areas, from sub-basins down to individual water bodies? In this presentation we address these questions, drawing from work in the Amazon and in other large river basins around the world. We argue that while important work can and does occur over smaller areas, a basin-wide plan that identifies the scales over which drivers and threats operate is critical to ensuring that basinwide processes are maintained. We present a step-wise framework for basin-wide planning in the Amazon, and also discuss necessary institutional mechanisms for implementation, especially considering the transnational nature of the basin. We also discuss how smaller-scale innovations can be either scaled up or replicated. We conclude with a discussion of research and collaborative needs, including ways of integrating terrestrial and freshwater biodiversity conservation that capitalize on efforts to designate protected areas.

FISH BIODIVERSITY FROM PARANÃ RIVER VALLEY, BRAZIL.

AQUINO, PEDRO D. P. U.; Ramalho, Alessandro M. B.; Martins-Silva, Maria Júlia; Rocha-Miranda, Fabio. Departamento de Zoologia, Instituto de Biologia, Universidade de Brasilia, Brasilia, DF, 70.919-900, Brazil, pedropua((AT))pop.com.br.

Stream fish present high endemism tax and are little resistant to habitat degradation, so they are considered good bioindicators of water quality. The Paranã River is an affluent of the Tocantins- Araguaia basin, one of most import basins of Brazil. Fifteen sites were sampled along Paranã River basin, using gill nets and drag nets. In the Characiformes Order has been found specimens from Characidae, Anostomidae, Curimatidae, Prochilodontidae, Cynodontidae, Gasteropelecidae, Hemiodontidae, Erythrinidae and Crenuchidae families. Gymnotiformes were represented by Sternopygidae, Hypopomidae and Apteronotidae families. Individuals of Loricariidae, Pimelodidae and Doradidae families represented the Siluriformes order. The Ciclidae family was the only representing of Perciformes order. The high richness and density of fish species in the Paranã River Valley evidences the good wealth of aquatic microhabitats, showing the necessity of conservation efforts of these environments.

THE MANAGEMENT OF MIGRATORY FISHES.

BARTHEM, RONALDO; Goulding, Michael. Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém, Brazil; University of Florida, USA.

The catch of the migratory species represents about 70-90% of the total landing in the biggest cities of the Amazon Basin. These species may be grouped into two categories: (i) the lowland migratory species, that migrate hundreds of kilometer along the lowland Amazon basin; and (ii) the Andes-estuary migratory species, that migrate thousand of kilometers between estuary and Andes. The jaraqui (Semaprochilodus spp.) migration in the Rio Negro are well understand, and their migratory pattern is usually a reference of the studies of others lowland migratory species. The tambaqui (Colossoma macropomum) migration along muddy, black, and clear waters rivers in the Madeira Basin is also well known. These species spawn in the muddy-water and its eggs-larva drift downriver up to 15 days. The down river floodplains area is their nursery zones. Others migratory characoid species show similar migration pattern. The Andes-estuary migration is a strategy adopted by at least two catfish species: dourada (Brachyplatystoma rousseaux) and piramutaba (B. vaillantii). They spawn close to the Andes area and their eggs-larva drift downriver to the estuary. The estuary is their nursery zone. The management of the Andes-estuary migration must obviously consider all Amazon Basin. In the other hand, the management of lowland migration considers only a restricted area, in general that where the local fishing fleet is fishing. However, the lowland migration behavior works like a pearl neck chain, where each pear would be a single module of migration. It module receives the adult migrating up river and the larva drifting down river. The stock depletion in several parts of the Amazon may threaten the lowland migratory species.

A DIAGNOSIS OF USE AND CONFLICTS WITH MANMADE FACTORS FOR THE MARINE TUCUXI DOLPHIN IN AND AROUND A PROTECTED AREA IN SOUTHERN BRAZIL.

BAZZALO, MARIEL; Flores, Paulo A.C. Ph.D. Candidate in Biological Sciences, Universidad de Buenos Aires, Argentina, mbazzalo((AT))hotmail.com (MB). International Wildlife Coalition-Brazil, C.P. 5087, Florianópolis, SC, 88040-970, Brazil (MB, PACF).

Habitat reduction, fragmentation and loss are crucial for the conservation at both the species and population levels. Although this has been widely assessed on land ecosystems, it is less so in the marine realm were coastal cetaceans are known to suffer this threat. Herein it is applied GIS methods and other analysis to evaluate habitat conflicts for a resident, small population of the marine tucuxi dolphin (Sotalia fluviatilis) in and around the Environmental Protection Area of Anhatomirim (~27º30´S, 48º31´W), southern Brazil, a conservation unit of direct use. During 2001-2003 we collected data on dolphins’ distribution and area use, marine mussel farms, fishery ports, fishery sites and boat traffic routes. There is high conflict in dolphins’ area use and the manmade factors with reduction and fragmentation of habitat, with almost no area available only to dolphins. Fishery sites and boat traffic routes seem to be the most important factors of impact although the strong and constant increase in mussel farms deserves attention. Conservation needs and outcomes include constant, adequate enforcement of fishery, mussel farm and boat traffic regulations as well as regulating boat traffic and mussel farming in important areas not yet given specific regulations.

(*) Earlier this week nearly 2,000 of the world's leading environmental scientists of various disciplines met in Brasilia to present papers at the 19th Annual Meeting of the Society for Conservation Biology. The conference featured more than 750 oral presentations and 965 scientific abstracts.
This is a sampling of some of the freshwater fisheries conservation

Publicado por Ana Tropicana às 10:17 AM

julho 21, 2005

O Estado da Nação

O mundo está atento à "finança portuguesa". A edição do Financial Times de hoje sublinha a nossa pressa: «Portugal rushes to replace finance minister»

By Peter Wise in Lisbon
Published: July 21 2005 17:41

A new Portuguese finance minister was hurriedly sworn in yesterday as the Socialist government sought to reassure financial markets that the surprise resignation of his predecessor would not weaken efforts to cut the biggest budget deficit in the European Union.


Luís Campos e Cunha, the architect of a programme of tough measures to cut public spending, quit unexpectedly late Wednesday only four months after the centre-left government took office.

José Sócrates, prime minister, immediately appointed Fernando Teixeira dos Santos, the head of Portugal's capital markets watchdog, the CMVM, as his successor. He will be Portugal's fourth finance minister in little more than a year.

Luís Marques Mendes, leader of the centre-right Social Democrates, the main opposition party, described the resignation as a “deep blow to the government's credibility” that sent a “negative signal” to businesses and financial markets.

“Exactly the same policy will continue under a new minister,” Mr Sócrates said at the swearing-in. “There is no change in direction,” added Mr Teixeira dos Santos. “The focus remains on cutting public spending.”

Mr Teixeira dos Santos, 53, is a respected economist who served as deputy finance minister in a previous Socialist government, when he oversaw a wide-ranging privatisation programme.

Portugal is battling to contain a budget deficit forecast to reach 6.2 per cent of gross domestic product this year, more than double the maximum permitted under the EU growth and stability pact. The crisis has caused international credit rating agencies to lower the country's long-term sovereign debt rating and led to disciplinary proceedings against Portugal by the European Commission.

Mr Campos e Cunha quit on the same day as the Commission formally approved his proposals for cutting public spending, exceptionally allowing Portugal three years to bring its budget deficit below 3 per cent.

He cited “personal and family reasons” as well as fatigue for his resignation.

But his decision to quit came amid a clash within the government and the Socialist Party over a plan to invest billion of euros in a new Lisbon airport, high-speed rail services and other infrastructures.

Publicado por Ana Tropicana às 06:00 PM

Terrorismo

A propósito de Londres, através do Mind Hacks, chego até este blog. No topo ostenta uma citação curiosa:

«Minds are like parachutes, they operate only when open»
[Thomas Dewar]

Lá dentro, fala dessa coisa intrigante que subitamente tomou conta da reflexão universal - o perfil do terrorista.

O estudo a que se alude está disponível AQUI, para download em versão pdf.

Sugere ainda, o mesmo blog, que se dê uma vista de olhos por aqui:

Psychology of Terrorism
Why We Are Glued To The TV
Guardian Journos Disorientated

Publicado por Ana Tropicana às 03:26 PM

julho 20, 2005

Velocidades

No simples tempo de um café, fica a saber-se que o ministro do Estado e das Finanças «pediu a exoneração» do cargo, que o Primeiro Ministro aceitou e levou o pedido ao Presidente da República, que já está na calha um novo nome para atribuição da pasta, e que a cerimónia de tomada de posse do novo ministro foi marcada para amanhã, ao meio-dia.

Esta semana, o ministro demissionário escreveu um artigo no jornal O Público. Não é que necessariamente o artigo tenha implicado a demissão, mas - se ainda houver verticalidade entre os "Senhores do Colarinho Branco" - creio que a demissão está inevitavelmente implicada no artigo.

Releia-se, pois, com cuidado:



«Economia e Finanças»
por Luis Campos e Cunha

«A qualidade da despesa pública está relacionada com todos os aspectos da despesa, mas, em particular, com o investimento. A ideia de que o investimento é sempre algo de bom é errada. (...) Hoje viveríamos melhor se certos investimentos não tivessem sido realizados.

Os últimos dez dias foram férteis em notícias económicas para o nosso país: o anúncio do Plano de Investimentos em Infra-estruturas Prioritárias (PIIP) (dia 3); a aprovação do Orçamento Rectificativo (dia 4); a resolução do Ecofin sobre o Programa de Estabilidade e as previsões do Banco de Portugal (dia 12); o relatório da missão do FMI (dia 14). Vale a pena fazer uma reflexão conjunta.

1 – O Ecofin – Conselho dos 25 Ministros das Finanças da União Europeia – apreciou o Programa de Estabilidade e Crescimento (Prec) para Portugal à luz das regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) e fez um conjunto de recomendações a Portugal.

Dessas recomendações podem retirar-se as seguintes ideias centrais: (i) importância da redução do défice de forma rápida; (ii) dever de evitar operações financeiras que aumentem a dívida; (iii) controlo da despesa, melhorando a sua qualidade; (iv) garantia da sustentabilidade a longo prazo das finanças públicas.
No “novo” PEC o limite de 60 por cento para a dívida passou a ter um papel mais central, a par do limite de 3 por cento para o défice. Estas ideias traduzem-se em políticas concretas que todos podem entender facilmente.

2 – A rapidez da redução do défice implica que o ajustamento previsto no Prec seja visto por Bruxelas como o ajustamento mínimo necessário. Tal impõe especiais responsabilidades num contexto de crescimento mais fraco. O Banco de Portugal e o BCE acabaram de tornar públicas as suas previsões económicas para 2005 e 2006, para Portugal e para a zona euro, que estão abaixo das anteriores, por razões de todos conhecidas. Assim, impõe-se uma cautela ainda mais vigilante na disciplina orçamental, o que pode implicar mais medidas de contenção da despesa, possivelmente já para 2006.

3 – A sustentabilidade a longo prazo das finanças públicas assenta em três aspectos: a Segurança Social, a Saúde e os investimentos públicos.
A evolução demográfica mostra um envelhecimento acelerado da população portuguesa, ou seja, as despesas da Segurança Social e da Saúde têm uma tendência natural para crescer muito acima do PIB nominal.

4 – A Saúde tem vindo a desenvolver acções e programas de contenção da despesa e de melhor gestão dos recursos e das unidades de saúde; contudo, a tendência natural para o crescimento de tais despesas implicará medidas adicionais de contenção dentro de parâmetros que conciliem os objectivos orçamentais com imperativos de serviço público e de justiça social.

5 – A Segurança Social, no que se refere aos Funcionários Públicos (vulgo CGA/ADSE e outros regimes), tem um vasto e difícil programa de reformas que permitem poupanças significativas nos próximos anos, imprescindíveis à sua sustentabilidade financeira de longo prazo. Na Segurança Social (regime geral) estão ainda em fase de estudo as medidas que, analogamente, se destinam a concorrer para o mesmo objectivo, única forma de se manter a viabilidade do Estado Social.

6 – A qualidade da despesa pública está relacionada com todos os aspectos da despesa, mas, em particular, com o investimento. A ideia de que o investimento é sempre algo de bom é errada. Mesmo na economia familiar, cada um de nós já fez certamente investimentos de que se arrependeu. Hoje viveríamos melhor se certos investimentos não tivessem sido realizados.
Consequentemente, uma boa decisão de investimento impõe a necessidade de uma análise prévia de rendibilidade. Por exemplo, quando se investe numa frota de carros de aluguer (despesa de investimento) não podemos esquecer que, no futuro, devemos fazer a sua manutenção (despesa corrente futura) e ter clientes que suportem a despesa corrente e a amortização do investimento (qualidade do projecto de investimento). Este simples exemplo chama a atenção para a difícil mas necessária selecção dos projectos de investimento. Caso contrário, hipotecamos, gastando em investimento, o presente e comprometemos o futuro com prejuízos de exploração.

7 – O mesmo se passa com o investimento público. A qualidade da despesa pública passa pela criteriosa e apertada selecção dos investimentos. Caso contrário, temos, hoje e no futuro, menos benefícios do Estado ou mais impostos.
Note-se a este propósito que, historicamente, o crescimento económico tem uma vaga relação com a quantidade do investimento público realizado.
Portugal, nas décadas de 1981-90, de 1991-00 e, mais recentemente, nos períodos de 1995-04 e 2000-04, teve esforços de investimento público praticamente constantes e rondando os 3,7 por cento do PIB. No entanto, o crescimento anual médio da economia não parou de cair de valores acima dos 3 por cento para cerca de 1 por cento!
Pelo contrário, a Suécia, para os mesmos períodos, baixou drasticamente (para menos de um terço) o esforço de investimento público, tendo aumentado o seu crescimento para valores acima de 2,5 por cento. Certamente que melhorou a qualidade do investimento. Estes casos são exemplares, mas outros poderiam ser citados a este propósito.

8 – O investimento público é muito importante, mas a sua qualidade é o elemento crucial para contribuir para o crescimento económico sem pôr em causa a redução da dívida pública. Como é referido pelo FMI, o investimento público deve dar prioridade aos projectos com a maior rendibilidade económico-social possível. Naturalmente, na concretização do PIIP não deixará de se ter em conta estes aspectos.
A boa qualidade do investimento público é fundamental para que este seja parte da solução da crise das finanças públicas e não parte do problema, ou seja, que promova efectivamente a retoma económica.

9 – O crescimento económico depende ainda, crucialmente, de vários factores como sejam a qualidade das leis, o funcionamento da justiça, a estabilidade das leis fiscais (só possível com finanças públicas em ordem) ou o nível de educação científica e técnica.
Portugal enfrenta desafios urgentes. Em causa está o seu desenvolvimento e a necessária manutenção do Estado Social. Resolver o problema das contas públicas é apenas a condição necessária. Mas não é suficiente!»

Publicado por Ana Tropicana às 10:14 PM

Fazenda Tanguru


Tanguru de autor desconhecido

Para estudar o efeito do fogo na transformação da Floresta Amazónica e a sua capacidade de regeneração face a queimadas sucessivas, cientistas da Woods Hole Research Center vão incendiar 2,5 km2 de terreno, na zona florestal de transição a nordeste do estado do Mato Grosso, na Fazenda Tanguru, em Querencia, entre o final de Agosto e o início de Setembro.

(I-Newswire)
Published on: 2005-07-20

The goal of this research is to better understand what is the impact of fire on the transition forests, which lies between the tall dense rainforests at the core of the Amazon and the "Cerrado" savannas of central Brazil. According to Daniel Nepstad, a senior scientist with the Center, "By studying the characteristics of fires in this transitional forest on the edge of the Amazon rainforest, Center researchers hope to learn how these accidental fires may affect the vigor, health, biodiversity, and animal habitat in these forests, and in the end, to learn whether recurring fire may threaten the very existence of the forest." Repeated burning of transition forests in the Amazon could cause their eventual replacement by fire-prone scrub vegetation through a process call "savannization."

This is the second phase of this work, the world's largest tropical fire experiment. One square kilometer was already burned in August 2004. This year, from mid-August to early September, one half square kilometer of last year's burned area will be burned for a second time, and two square kilometers of virgin forest will be burned for the first of several times, to simulate the repeated impacts of escaped agricultural fires that burn through the understory of frontier forests every dry season. These areas are already slated for destruction to expand soy fields.

The planned burn provides information that cannot be obtained by studying an accidental or escaped fire. The experiment is being conducted in an area in which researchers have taken many measurements prior to the burning – inventories of thousands of trees to catalogue their species, size, and number, surveys of seedlings, measurements of fuel on the forest floor, censuses of mammals, amphibians, and birds, and monthly measurements of canopy closure at 400 points within each square kilometer of forest. After the burn, a census will be taken of the trees to see how many have survived or how they may be reacting or recovering from the burn; and canopy density will be measured immediately after the fire and at monthly intervals, to monitor the impact of the fire and rate of recovery. Temperature and humidity will be monitored at multiple spots in each forest pre- and post- burn, to detect changes in the microclimate of the forest; and soil moisture will be measured at set points in the parcels at regular intervals, to see how the changes in canopy may effect the water available in the soil. According to Nepstad, "This experiment allows us to measure the impacts of recurring fire on the forest by comparing the trees, the animals, the leaf canopy, and the soil before vs. after the fire."

Fires are set in the litter of the forest floor using kerosene drip torches along parallel 1000m-long transects every 50 meters through the square-kilometer parcels, and allowed to spread through the forest naturally. Firebreaks are cleared along perimeter trails and roads in preparation for the event, and swept clear of debris immediately prior to igniting the fires, to contain the fire within the experimental parcel. In the first round of burning last year, the fire was quite low, creeping along the ground burning leaves and small branches that had accumulated on the forest floor. But in spite of the low stature of this first fire, many trees died through 'girdling' of their trunks – the fire lingered close to their thin bark long enough to damage the delicate cambium beneath, permanently cutting off the flow of sap between the roots and the leaves. While most trees in this ecosystem never evolved thick bark to protect themselves from fire, some appear more vulnerable to fire than others, and others that appear to have died soon bounce back by resprouting from their roots. In these repeated fires, scientists will learn just how resilient some of these species are. It is quite clear, however, that the composition of the forest will be altered following a fire, and researchers will monitor the impact on forest composition as well as the effect this change has on animal populations and behavior.

These experimental fires are a crucial part of simulating what is happening in the Amazon today, as fires set by landholders to control weeds in their pastures or to burn recently felled forest in preparation for planting often escape beyond their intended boundaries. Undisturbed forests are resistant to burning because their dense leaf canopy prevents all but a tiny portion of incoming solar radiation from reaching the forest interior, keeping the litter layer too moist to sustain a fire. Now large areas of forest are selectively logged prior to being settled, leaving holes in the canopy; longer, more intense dry seasons provoke leaf thinning; and both of these changes allow the litter to become dry enough to sustain a fire. Once a forest has burned a first time, the combination of a more damaged forest canopy and a stock of larger fuel from trees killed by prior fires make it even more vulnerable to subsequent fires. When humans move into an area and begin clearing forest, they seldom abandon it and move away, so until education can alter their behavior, repeated sources of ignition in the future are all but guaranteed. The expectation is that the second fire will be hotter and more damaging than the first due to the increased volume of fuel available from those trees that perished in the first fire, and the fact that this fuel will be very dry. Center scientists are also curious to see how those trees that have resprouted from their roots will fare in this second fire, as their profusions of dense, green, living branches are very close to the ground and may be damaged if too close to the flames. If their standing dead trunks manage to catch fire, researchers will learn how resilient they really are, and also see new areas of the forest exposed to fire as the standing fuel carries the flames higher into the crowns of trees that have managed to survive the ground fires at their bases. Ultimately, Center scientists will burn some areas yearly for several years in a row to carefully monitor fire behavior, and to see how many fires a forest can withstand and ultimately, how it compares to its former self.

Staffs of the Woods Hole Research Center and its partner research institute in Brazil, the Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazonia ( IPAM ), are carrying out the fires with additional collaboration with faculty and staff of the State University of Mato Grosso ( UNEMAT ) and Yale University. In addition, local firefighters will be present to aid in controlling the fire and also to use the opportunity to train with actual forest fires. Collaborators at Stanford University are collecting satellite data prior to and after the burn for each of the 3 parcels, to compare the appearance of the forest before and after, to perfect methods for identifying burned forest by satellite, and to measure the damage caused by the fires. Wherever possible, our burns are also scheduled during satellite overpasses, to allow collection of remotely sensed thermal data for comparison with our detailed ground measurements of heat and intensity, under the varying but well-measured forest canopy. 'Hot pixel' data from satellites have long been used to detect the presence of fires on the landscape, but it has been difficult to get accurate qualitative information from these sensors, or even to verify how reliable those measurements were for detecting active fires under a forest canopy. According to Nepstad, "One of the discoveries from our first year of burning is that forest understory fires are invisible to the coarse-resolution satellites that are used to monitor active fires around the world. The fire and subsequent fire scar could both be easily seen, however, using the Hyperion EO-1 sensor data. Our hope is that these studies will allow us to better monitor forest fire from space and, eventually, to determine which forests are most susceptible to fire during the dry season."

The "savannization experiment" is a learning laboratory for Brazilian students who live in the Amazon transition forest. School groups frequently visit the research station, and eight college students are conducting their undergraduate theses within the project. The Grupo Maggi, the world's largest private producer of soybeans, owns the study site. By conducting this work on this property, it is hoped that the fire experiment, along with concurrent studies of riparian zone recuperation, soil management, and water quality, will help this and other companies improve the ecological management of their properties. Grupo Maggi provides no funding for this research.


For more information, visit http://www.whrc.org/southamerica/fire_savann/index.htm

The Woods Hole Research Center is dedicated to science, education and public policy for a habitable Earth, seeking to conserve and sustain forests, soils, water, and energy by demonstrating their value to human health and economic prosperity. The Center sponsors initiatives in the Amazon, the Arctic, Africa, Russia, Boreal North America, the Mid-Atlantic, New England and Cape Cod. Center programs focus on the global carbon cycle, forest function, landcover/land use, water cycles and chemicals in the environment, science in public affairs, and education, providing primary data and enabling better appraisals of the trends in forests that influence their role in the global carbon budget.


Contact: Elizabeth Braun
ebraun@whrc.org
508-540-9900
Woods Hole Research Center


Esta não é a primeira vez que a Fazenda Tanguru é utilizada para experiências nesta área. A 17 de Agosto de 2004, o Grupo Maggi, relatava o seguinte:


Grupo André Maggi participa de estudo para avaliar efeitos do fogo no Meio Ambiente

No próximo dia 16, uma floresta intacta de 100 hectares, em Querência, norte do Estado, será queimada. Um grupo de dez pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) vai atear fogo pingando querosene em alguns pontos em volta da área.

A cena, um tanto inusitada, fará parte de um estudo científico que pretende avaliar o impacto da queima na vegetação, no solo e nos animais.
A experiência integra o projeto Cenários, coordenado pelo instituto, e será repetida nos próximos cinco anos.

"Queremos entender com que frequência você pode queimar uma floresta antes que ela ceda", explica o coordenador do projeto, o ecólogo Daniel Nepstad. No grupo, estão dois pesquisadores americanos: uma ecóloga da universidade de Yale e um físico da universidade de Standford. A floresta fica dentro da fazenda Tanguru, do Grupo Amaggi.

A queima deve durar três dias. Tudo rigorosamente controlado - até a altura das chamas, que não devem passar de 50 centímetros. O reforço na segurança será feito com a presença do Corpo de Bombeiros, um caminhão-pipa, aceiros em volta da floresta e mais 25 homens treinados para o combate ao fogo. A autorização está sendo providenciada no Ibama.

O coordenador garante que o procedimento é seguro. "Já fizemos mais de mil queimas experimentais em áreas pequenas e conhecemos o comportamento do fogo", garante. As experiências ocorreram em Santana do Araguaia, Paragominas e Santarém, no Pará. A maior delas tinha 2.500 metros quadrados.

No ano que vem, os pesquisadores colocarão fogo novamente, mas apenas na metade da floresta. Nos anos seguintes, novas áreas serão queimadas alternadamente. Ao final do estudo, 450 hectares estarão divididos em três grupos de 150 hectares: um deles queimado todos os anos, outro queimado a cada três anos e um queimado apenas uma vez. Os estudiosos vão comparar os resultados de cada área.

Três satélites vão monitorar as queimadas: antes, durante e depois do fogo. Um deles é o EO 1, da agência espacial americana, a Nasa. A máquina tem capacidade para identificar 250 diferentes comprimentos de onda de luz, o que significa uma altíssima capacidade para identificar focos de calor.

Essa é apenas uma das frentes do estudo. A "resistência" da floresta será medida com os mapeamentos feitos em campo. Foram localizadas 20 mil árvores na área. Depois da queima, uma das avaliações possíveis é contabilizar quantas e quais continuam em pé.

Um grupo está monitorando exclusivamente os grandes mamíferos, como antas, onças, jaguatiricas, macacos e porcos do mato (caititus). Esses animais estão sendo fotografados por 20 câmeras digitais instaladas na floresta. O método possibilitará quantificar o número de espécies.

O coordenador acredita que os animais não morrerão com a queimada. "Vamos aplicar várias linhas de fogo, com cinco equipes por vez", explica. Esse fator, acredita ele, possibilitará que os animais fujam. Apenas os menores, como lagartos por exemplo, podem morrer.

Os répteis e anfíbios também estão sendo estudados. Os pesquisadores estão coletando algumas espécies, principalmente cobras venenosas como cascavéis e jibóias. A estratégia utilizada para a captura é um tapete de plástico transparente de dez metros de comprimento colocado em alguns pontos da mata. O tapete conduz para baldes, onde os animais acabam caindo.

O solo será estudado por meio de amostras coletadas. Os pesquisadores instalaram aparelhos que medem a umidade do solo. Um dos elementos de análise será a quantidade de nutrientes que permanecem mesmo após a queima.

Para isso, os pesquisadores vão coletar cinzas de folhas que ficam no chão e um avião do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) vai sobrevoar a floresta, coletando amostras da fumaça. Com esse material, será possível saber quanto ficou no solo e quanto foi dissipado com o fogo. Até a quantidade de luz que entra na floresta entre a copa das árvores deverá ser medida.

O Grupo André Maggi espera que a pesquisa dê embasamento.
A fazenda tem área total de 82 mil hectares. Cerca de 35 mil hectares de pastagens estão dando lugar à soja. O gerente do departamento de meio ambiente do grupo Amaggi, Ocimar Vilela, acredita que o projeto pode ajudar na sustentabilidade da soja. "A aproximação do sistema produtivo da soja na Amazônia está sendo muito criticada mas precisa de mais embasamento científico", afirma.

Para ele, os resultados da pesquisa podem, no futuro, ajudar na elaboração de novas leis ambientais, principalmente na área de reservas legais. Vilela cita que, em todo o país, a área estabelecida para reserva legal é de 20%. Na Amazônia Legal, os índices variam. Na mata, 80% tem que ser preservado, e no cerrado, 35%. "Sempre procurei justificativa e nunca encontrei. A gente não sabe porque foi estabelecido isso (os índices)", disse.

O projeto está orçado em R$ 2 milhões, financiados pelo Experimento de Larga Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA) e pela Fundação Moore, instituição americana privada. O Grupo André Maggi está contribuindo com R$ 50 mil por ano, aplicados em infra-estrutura.


A queimada desencadeada com finalidade científica foi assim registada pelo Diário de Cuiabá:


Estudo quer avaliar reação ao fogo

Nos próximos cinco anos, pesquisadores vão queimar área de floresta na região de Querência, no norte do Estado


MARIA ANGÉLICA OLIVEIRA
Da Reportagem

No próximo dia 16, uma floresta intacta de 100 hectares, em Querência, norte do Estado, será queimada. Um grupo de dez pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) vai atear fogo pingando querosene em alguns pontos em volta da área. A cena, um tanto inusitada, fará parte de um estudo científico que pretende avaliar o impacto da queima na vegetação, no solo e nos animais.

A experiência integra o projeto Cenários, coordenado pelo instituto, e será repetida nos próximos cinco anos. “Queremos entender com que frequência você pode queimar uma floresta antes que ela ceda”, explica o coordenador do projeto, o ecólogo Daniel Nepstad. No grupo, estão dois pesquisadores americanos: uma ecóloga da universidade de Yale e um físico da universidade de Standford. A floresta fica dentro da fazenda Tanguru, do Grupo Amaggi.

A queima deve durar três dias. Tudo rigorosamente controlado - até a altura das chamas, que não devem passar de 50 centímetros. O reforço na segurança será feito com a presença do Corpo de Bombeiros, um caminhão-pipa, aceiros em volta da floresta e mais 25 homens treinados para o combate ao fogo. A autorização está sendo providenciada no Ibama.

O coordenador garante que o procedimento é seguro. “Já fizemos mais de mil queimas experimentais em áreas pequenas e conhecemos o comportamento do fogo”, garante. As experiências ocorreram em Santana do Araguaia, Paragominas e Santarém, no Pará. A maior delas tinha 2.500 metros quadrados.

No ano que vem, os pesquisadores colocarão fogo novamente, mas apenas na metade da floresta. Nos anos seguintes, novas áreas serão queimadas alternadamente. Ao final do estudo, 450 hectares estarão divididos em três grupos de 150 hectares: um deles queimado todos os anos, outro queimado a cada três anos e um queimado apenas uma vez. Os estudiosos vão comparar os resultados de cada área.

Três satélites vão monitorar as queimadas: antes, durante e depois do fogo. Um deles é o EO 1, da agência espacial americana, a Nasa. A máquina tem capacidade para identificar 250 diferentes comprimentos de onda de luz, o que significa uma altíssima capacidade para identificar focos de calor.

Essa é apenas uma das frentes do estudo. A “resistência” da floresta será medida com os mapeamentos feitos em campo. Foram localizadas 20 mil árvores na área. Depois da queima, uma das avaliações possíveis é contabilizar quantas e quais continuam em pé.

Um grupo está monitorando exclusivamente os grandes mamíferos, como antas, onças, jaguatiricas, macacos e porcos do mato (caititus). Esses animais estão sendo fotografados por 20 câmeras digitais instaladas na floresta. O método possibilitará quantificar o número de espécies.

O coordenador acredita que os animais não morrerão com a queimada. “Vamos aplicar várias linhas de fogo, com cinco equipes por vez”, explica. Esse fator, acredita ele, possibilitará que os animais fujam. Apenas os menores, como lagartos por exemplo, podem morrer.

Os répteis e anfíbios também estão sendo estudados. Os pesquisadores estão coletando algumas espécies, principalmente cobras venenosas como cascavéis e jibóias. A estratégia utilizada para a captura é um tapete de plástico transparente de dez metros de comprimento colocado em alguns pontos da mata. O tapete conduz para baldes, onde os animais acabam caindo.

O solo será estudado por meio de amostras coletadas. Os pesquisadores instalaram aparelhos que medem a umidade do solo. Um dos elementos de análise será a quantidade de nutrientes que permanecem mesmo após a queima.

Para isso, os pesquisadores vão coletar cinzas de folhas que ficam no chão e um avião do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) vai sobrevoar a floresta, coletando amostras da fumaça. Com esse material, será possível saber quanto ficou no solo e quanto foi dissipado com o fogo. Até a quantidade de luz que entra na floresta entre a copa das árvores deverá ser medida.


Publicado por Ana Tropicana às 11:52 AM

julho 18, 2005

Primeiras Horas do Dia

Acordei cheia de inquietações existênciais: que faço eu aqui? qual a razão para tudo isto? "cadê" a qualidade de vida? "cadê"????.....

Publicado por Ana Tropicana às 11:28 AM

Mood


Leaving Home de Ana Tropicana

Segunda-feira: dia semanal para a incontornável sensação de "queda do paraíso" que sempre me acomete em Terras Lusitanas. Tenebrosa a perspectiva de estar de plantão com a minha equipa no próximo fim-de-semana!!... Como é que eu vou sobreviver até daqui a 15 dias???

Publicado por Ana Tropicana às 10:22 AM

julho 17, 2005

Águas Verdes


Lago Nainital [Índia] de autor desconhecido

Passo o Domingo a tentar acalmar, na Costa do Sol, esta terrível e infinda saudade das verdes águas do Tapajós, e eis que alguém, ensaiando uma tentativa legítima de construir afinidades, me vem falar desse outro lago cor de esmeralda... e me conta uma história bela!... tão bela que só serve para me agravar em dobro a saudade do Meu Tapajós.

A dream in emerald green *


Nar Singh was blackmailed into selling his land beside the Nainital lake, by a British businessman called ‘Barron,’ goes a legend about Nainital, writes Swapna Dutta.



Nainital, one of the most beautiful hill stations in north India, has several interesting stories and legends related to its existence. Though said to be uncomfortably crowded during the tourist season, luckily when I first stepped into its emerald realm, it was as quiet and tranquil as the heart could wish.

The lake, unruffled except for a few colourful rowing boats, was magnificent in its green splendour, reflecting the tall trees all around and the glossy weeping willows touching the still waters. The blue-grey mountain range surrounding it, resplendent with laburnum, gulmohor, jacaranda and silver oak, added to its splendour.

Storytime

The story goes that when Goddess Parvati wedded Lord Shiva despite her father’s disapproval, the latter did not call her for the important yajna he was about to perform. Parvati went there, nevertheless. But when he abused Lord Shiva, Parvati, unable to bear the pain, dropped down dead.

An enraged Shiva broke out in a tandava nritya during which Parvati’s body, severed into pieces, scattered all over the earth.

According to legend, her eyes fell on ‘Nainital’ and the place turned into a lake. Hence the name Naini tal (the eye lake). There is a temple sacred to Naina Devi (one of Parvati’s names) on the bank of the lake.

The more recent story of how the city by the lake came to be built is also quite interesting. Inspite of the legend of Naina Devi, Nainital never became a crowded pilgrim centre because it was tucked away among the hills.

In 1839, a British businessman named Barron lost his way while travelling in the Almora region and “stumbled upon a large and beautiful lake hidden in the valley of the Gagar range where only local herdsmen lived.”

This is how he describes the place in his memoir— “An undulating lawn.... interspersed with occasional clumps of oak, cypress and other beautiful trees, continues from the margin of the lake for upwards of a mile up to the base of a magnificent mountain standing at the further extreme of this vast amphitheatre. The sides of the lake are also bounded by special hills and peaks which are thickly wooded, down to the water’s edge”.

Grand plan

Barron decided then and there to give up his sugar business and build a small colony for Europeans by the lakes, later destined to become one of the best-loved hill stations of India. But the local people, who still considered the lake to be sacred because it held the eyes of Parvati and did not step into the water even by boat, had no desire to give up their homeland to a foreigner. So Barron resorted to a trick to get hold of the land.

Cheater, cheater!

The land around the lake belonged to one Nar Singh. Barron, who had already found out that he could not swim and was inordinately afraid of water, managed to strike up a friendship with him and lured him into his boat one day.

He rowed him to the middle of the lake, more than 150 metres deep, and told him that unless he surrendered his entire property to ‘Company Bahadur’ then and there, he would dump him into the lake. A terrified Nar Singh signed off his claim to the land in Barron’s pocket book on the rocking boat.

Barron built his own home— ‘Pilgrim Cottage,’ by the lake soon after. Other Europeans followed his lead. By 1845, 16 houses stood on the hill slopes with 14 more under construction in the newly created municipality.

The hilltop sites were taken by the Britishers while a handful of Indian traders built nearer the lake. Before long there was an army cantonment, a church, hospital and a club house. The holiday bungalows became a permanent township.

The town centred round a level stretch called the ‘Flats’ which served as a parade ground. The sunday morning congregation gathered there after church with the military band entertaining the residents and visitors in the evening.

No write-up on Nainital, however brief, can be complete without mentioning Jim Corbett, who was born there in 1875, and spent his youth tramping local forest trails and mountain ranges, shooting several man-eaters. A poorly-paid railway employee, Corbett often helped the impoverished village folks with money and built a close rapport with them. Gurney House, his summer home, is still pointed out by the locals with reverence.

The lake being the main attraction of Nainital, boating and yachting were favourite pastimes. The Boat Club was a particularly elite set-up where even Jim Corbett, despite being British, was refused membership because he was merely the son of a postmaster, not grand enough to qualify as member.

Highs and lows
In fact, one of the first things I noticed was that there were two roads around the lake at two different levels. I was told that the lower road was originally meant for the Indians who were not allowed to walk along the Mall.

Walking along the lower road since it was quieter, I saw the setting sun touch the emerald waters with red and gold. The myriad shades of green foliage grew darker matching the growing darkness of the sky. It was a breathtakingly beautiful sight! It is at moments like these that one feels really close to nature and being alone does not mean being lonely.

* em Deccan Herald

Publicado por Ana Tropicana às 07:37 PM

Who Wants to Live Forever?

Leio no Sunday Herald: «Scientists claim to have discovered the gene responsible in the ageing process and also to have successfully reversed the process in fruit fly and mice! »

Immortality in theory, yes


If you are counting years left on the planet, think again. You may have to count all over again! Scientists claim to have discovered the gene responsible in the ageing process and also to have successfully reversed the process in fruit fly and mice! ‘Super’ fruit flies that have a doubled and healthy lifespan, mice that regenerate damaged parts of their bodies and maybe soon humans who may live forever...

Using what is called a synthetic catalytic scavenger which is an antioxidant that destroys free radicals that cause ageing, scientists could double the lifespan of nematodes and increase the lifespan of mice. The next step will be humans.

The studies came about when they were looking into the causes of a rare condition in children who age unnaturally and die young.

Scientifically ageing happens when cells slow down the process of dividing till they die. A piece of DNA called a telemere when controlled called a halt to the division. The telomere keeps getting shorter after each cell division but also prevents the DNA from fraying each time. But eventually it is too short to help! And the cell dies.

Believe it or not, scientists claim to have reversed the process in the lab by genetically creating an enzyme which can rebuild telomeres. This enzyme is found only in sperm and egg cells. If this can be introduced into cells, it should mean a halt to cell death. The big question is how does one insert genes into a cell?

Time will tell.

Publicado por Ana Tropicana às 12:14 PM

«The God of All Things?»

Manhã. Manhã, bem cedo. VJ cumpre a palavra: na relva do jardim jaz um exemplar do Deccan Herald. Tomo, portanto, o pequeno almoço no alpendre a saborear páginas da Índia. Algures, encontro um artigo de opinião que me chama particularmente a atenção. Diz assim:

«The scene of the action in the eighties was Amazonia and the people to be benefited were the Kayapo Indians and “extractive reserves”. A whole bunch of well-intentioned experts then droned on about a world in which people and wild animals like jaguars could live side by side in protected areas, while nuts and rubber and fruit were harvested to feed global demand. The “experiment” failed. Miserably. »

GREEN TALK
The God of all things?


First we humans invented god and now we have assumed the role of “apprentice gods” en route to laying claim to the original throne. It is Tata Steel that will determine whether one million turtles live or die. Ms Madhu Sarin, Ms Sunita Narain and the Minister Tribal Affairs are to collectively decide whether tigers have a right to survival. Social activists say that the Naxal problem can be solved by distributing forest rights and the CM of Karnataka subscribes to the view that Naxalism can be dealt with by ushering in development (Kudremukh mining?) into forests. Both will end up wiping out the forest itself.

The list is much longer. Reliance will choose whether dugongs and whale sharks are “worth protecting” in the seas off Kutchh and Saurashtra. T R Baalu, arch angel of the Sethusamudram nightmare, has appointed himself celestial judge and jury over the fate of endangered corals and life forms in Gulf of Mannar. H S Pabla continues to ask with boring regularity why tigers cannot be “harvested”?

I have seen how insidiously, in the public perception, myths that could turn the tide away from “silent nature must survive” to “silent nature must pay its way through sustainable use to survive” are taking root. Some architects of sustainable use claim that tribals can look after the forests. Others say the industry will look after forests. But no one seems able to throw any light on the fate of large wild species in forests where “sustainable use” is being touted as “the way”.

And while arguments for use of minor forest produce— roots, tubers, creepers, leaves— are put forward with god on the side of the well intentioned propagators, no one has stopped to consider that tigers and deer unlike plants, cannot grow back penises harvested for soup or heads taken by moronic Nawabs. Thus the “empty forest” syndrome in vast patches of sustainably harvested forests such as Namdapha and Nagaland.

Janaki Lenin, among the more likeable people I know, says: “Farming works for crocs” or words to that effect. Really? So what is the status of wild crocs (Crocodylus siamensis) in Thailand, where croc farms are the rage? According to CITES: Appendix I the crocs are listed on the IUCN Red List: CR A1ac (CRITICALLY ENDANGERED) the estimated wild population could be under 5,000. According to the IUCN the crocs are “Extinct or nearly extinct in most countries except Cambodia, although threatening processes are high”. How on earth can this be labelled “a success”? Prior to farming there were a lot more crocs in the wild, from where they are now being poached at a never-before pace by “poor people” looking to make a quick buck from a newly created and legitimised market for croc leather. China now wants to repeat this success with tigers.

This is not an easy debate. Nor does it pretend even to be rational. Those wonderful people who fight for public health against smoking for instance, champion the right of people to collect tendu patta from sanctuaries and national parks knowing that this will ruin the health of millions who cannot afford treatment of lung diseases.

The debate is couched in so many different twists and turns that sometimes even those articulating the case that “nature has to pay its way” find themselves outflanked by their own doubts. I was around in the eighties when the win-win myth of “sustained use” went bust and I read with less amusement than regret how the self-same experts who pushed their silly ideas are now being published with variations on the theme at another set of international conferences.

The scene of the action in the eighties was Amazonia and the people to be benefited were the Kayapo Indians and “extractive reserves”. A whole bunch of well-intentioned experts then droned on about a world in which people and wild animals like jaguars could live side by side in protected areas, while nuts and rubber and fruit were harvested to feed global demand. The “experiment” failed. Miserably.

The death blow was at the hands of the lethal idea of Integrated Conservation and Development Projects (ICDPs) that sought to “reduce poverty and improve income levels, nutrition, health care and education”. The project will probably go down in history as one of the world’s most expensive biodiversity mistakes. It failed because it provided a fig leaf for huge commercial interests to “harvest” rainforests in the name of providing tribal communities a better life.

It also took everyone’s eye off the ball, thus leaving the real destroyers of the rainforest— oil explorers, miners, timber traders and beef sellers unguarded. Predictably, rainforests vanished. Predictably tribals got poorer and less secure. Meanwhile, lots of fat cats across the world (including many social activists and biodiversity experts, plus some very visible tribal leaders who were paraded up and down at World Bank funded conferences) stepped up in life.

Bottom line? We make poor apprentice gods of all things. Best that we leave the complicated task of “running the world” to the original gods of nature (in the largest possible inviolate ecosystems), while restricting our own sorry lives to finding ways in which reduce our own damage to the green cathedrals that all of us love to worship, but few of us know how to protect.

Bittu Sahgal ,

Editor, Sanctuary Magazine

Publicado por Ana Tropicana às 09:00 AM

To Be Born In Gods' Land


Candeias de Jardim de Ana Tropicana

Acendemos as luzes do jardim de recantos recortados, entre vãos de escada e alpendres cobertos a hera e buganvília. O ar fresco da serra, apesar de Julho, pede qualquer coisa que cubra os ombros nús. E fico eu, a escutar as mil e uma histórias que VJ, príncipe ainda herdeiro de castas e divindades, guarda de uma infância inteira a correr por verdes prados hindus, com o Nepal a erguer-se ao fundo, como uma promessa distante de enfim cingir as nuvens em promontório Ibérico.

... Bem-dito seja o tempo imóvel do fim-de-semana!

Publicado por Ana Tropicana às 02:42 AM

julho 16, 2005

Barbecue, chez-nous


Candeias de Jardim 2 de Ana Tropicana

Sem pressa, sem nenhum stress... apenas porque é Sábado e temos este jardim enorme e nos ocorreu que tinhamos que inventar, de repente, alguma coisa para fazer com tanto espaço!... É bom ver o portão abrir-se aos amigos. Muito bom.

... Bem-dito seja o tempo largo do fim-de-semana!

Publicado por Ana Tropicana às 05:00 PM

Um «Oásis de Indulgência»


Daslu - SP de autor desconhecido

Uma volta rápida e despreocupada pela imprensa internacional. O suficiente para me dar conta que - depois do escândalo Daslu - até o The New York Times, acordou de repente para esse paraíso do luxo e do consumo, no coração de São Paulo.

Pode ler-se AQUI.

An Oasis of Indulgence Amid Brazil's Poverty
By TODD BENSON
in The New York Times
Published: July 16, 2005

SÃO PAULO, Brazil, July 15 - One Brazilian magazine hailed it as the "biggest store for high-end consumption in Latin America." Local newspapers call it the "temple of luxury," "Disneyland for the rich" and the "shopping bunker."

The object of excess is Daslu, a luxury department store that has long been a São Paulo rendezvous for the rich and famous. This is where the Brazilian soccer star Ronaldo and supermodels like Naomi Campbell and Gisele Bündchen shop when they visit this metropolitan area of 17 million people, where skyscrapers overlook shantytowns.

But Daslu (pronounced daz-LOO) is more than just an indulgence for the wealthy. Since it moved last month to a new, heavily guarded $50 million building between a highway and a shantytown, it has become a symbol of extravagant consumption in a country with one of the world's most skewed income structures.

Only days before Daslu moved, a government study said the gap between rich and poor in Brazil was second only to that in Sierra Leone. The minimum wage is $125 a month, and nearly a third of Brazilians live on less than $2 a day.

Daslu's new store has become a flashpoint for debate on social inequities. At the store's opening in June, guests went through 2,680 bottles of free Veuve Clicquot Champagne, spawning dozens of articles on Daslu in the local press - some praising it, others reviling it as a metaphor for social injustices.

"A store like that is an absolute affront in an unjust society like ours," said Maria Luiza Marcílio, a history professor at the University of São Paulo. "It's revolting to see the superrich spending like that, with people living next door in poverty."

Two weeks after the opening, about 250 college students protested Daslu by marching from the shantytown to the boutique's gates, begging for money as customers entered.

On Wednesday, in the latest of a string of high-profile crackdowns on white-collar crime in Brazil, more than a hundred police officers armed with machine guns raided Daslu and briefly detained its owner, Eliana Tranchesi, on suspicion of tax evasion. Authorities contend that the closely held boutique evaded at least $10 million in taxes over the last 10 months by using fake companies abroad to underreport the value of its imports; Daslu's lawyers deny the accusations.

Ms. Tranchesi, who was released the same day and has not been formally charged, could not be reached to comment on the allegations.

But in an interview two days before the police raid, she defended Daslu, which was founded in 1958 by her mother, Lucia Piva de Albuquerque, the wife of a well-to-do lawyer who sold clothes to her friends and donated part of the proceeds to charity. Daslu now employs close to 1,000 people, 85 percent of them women.

"I'm well aware of the social problems of this country, but we're doing our part by providing jobs to Brazilians and paying taxes," Ms. Tranchesi said, noting that the store provides free day care and basic schooling for the children of all of its employees.

"I'm simply selling what people want to buy," said Ms. Tranchesi, a divorced 49-year-old mother of three.

Though most Brazilians struggle to make ends meet, the moneyed classes are among the world's most lavish spenders. Brazil's upper crust, sometimes followed by paparazzi, may fly to New York or Paris for a weekend of shopping.

Brazil has a thriving $2.3-billion-a-year luxury goods market - the largest in Latin America - that is growing at about 35 percent a year, according to MCF Fashion, a São Paulo consulting firm. São Paulo, Brazil's largest city and its financial capital, accounts for more than 75 percent of that market.

Nowhere is the Brazilian elite's penchant for the good life more apparent than at Daslu. At the new store, a 183,000-square-foot, four-story neo-Classical palazzo that houses 120 designer boutiques, shoppers can buy everything from Dolce & Gabbana jeans for $1,755 to a Maserati convertible for $306,250 - all while sipping free drinks. The store has a helipad on the roof allowing its clientele to bypass traffic jams and street crime.

Inside, shoppers are pampered like royalty by armies of tanned salesgirls called Dasluzetes, who pepper their conversations with phrases in English, and silent servants in black maid's outfits with white lace collars and cuffs. Bellhops haul shopping bags back to a customer's vehicle or helicopter. Espresso bars and lounges with sofas are scattered throughout the store.

"What's so interesting about Daslu is that it's not just a luxury store, it's a cultural phenomenon," said Carlos Ferreirinha, owner of MCF Fashion, the consulting firm. "It's almost like an elite club where a certain group of people gather to share the same experience."

Daslu's obsession with impeccable service appears to be paying off. The store's clientele is remarkably faithful. On average, customers come once a week, compared with once every 21 days at other upscale shopping malls here, according to one recent survey. Though Daslu does not divulge financial data, analysts estimate that it had more than $220 million in sales last year, when it was a much smaller store in the exclusive Vila Nova Conceição, a residential neighborhood near Iberapuera Park.

The store's private label, which accounts for 60 percent of sales, is also catching on overseas. Eager to capitalize on the growing popularity of Brazilian fashion in Europe and the United States, Daslu set its sights on the export market three years ago. Today, it exports to 60 stores in 35 countries, including Bergdorf Goodman and Scoop in New York.

Ms. Tranchesi is thrilled with Daslu's budding success abroad. But she is even prouder of what the store has accomplished at home, where she was among the first to import designer brands like Chanel and Gucci when Brazil opened its economy to foreign products in the early 1990's.

"At a young age, I realized that my vocation was fashion and luxury retail, and that's what I pursued," she said. "I shouldn't have to feel guilty about that. I'm not stealing milk from children."

Publicado por Ana Tropicana às 04:44 PM

Pescadores de Tilápias


Pescadores de Tilápias de Ana Tropicana

Percebo que os produtores rurais de Vilhena, na Rondônia, vêm investindo na criação de tilápias em tanque-rede, uma espécie de armação de tela que serve para confinar a criação de peixes. Dizem que a tilápia é originária da África e foi introduzida no Brasil em 1953. Dizem que pode atingir cerca de 40 cm e pesar mais de 1,5 Kg.

Não sei porquê, mas essa sua felicidade lembrou-me a dos caboclos rurais do município amazonense de Manacapuru, na época da distribuição de sementes de malva e juta. É bom ver a esperança guiar projectos comunitários. Muito bom.

Publicado por Ana Tropicana às 12:51 PM

Vinyl


Best Of de Heleninha Costa

Heleninha Costa, que em 1951 se tornou a pioneira do LP no Brasil, morreu no último dia 11 de Abril, aos 81 anos, praticamente ignorada pelos meios de comunicação. Raros e pífios obituários de escassas linhas mal lhe concederam a condição de cantora.

Exaltação ao barracão e a Helena

por Moacyr Andrade


23.06.2005 | Chovia com fartura, no Rio, no início da noite de 19 de fevereiro de 1968. Mas por volta das 21h não havia mais um único lugar vago na lotação de então, 1.500 assentos, do Teatro João Caetano, na Praça Tiradentes. No palco, o Zimbo Trio, Jacob do Bandolim, com o Época de Ouro, e Elizeth Cardoso. Foram umas três horas de feitiço musical jamais repetido. Os que lá estiveram – ainda há muitos – gostam de provocar inveja: “Meninos, eu vi!”. Tudo beirou o êxtase nesse espetáculo, mas houve um momento em que a comoção prolongou-se de forma extraordinária. Curiosamente, deveria ter sido breve, pois cantava-se um samba de carnaval de estrofes curtas e uma parte apenas, “Barracão”, de Luís Antônio, craque do recado amoroso e do inconformismo social, coronel do Exército, adversário do golpe militar de 1964.

Nem concluíra o primeiro verso, perfeito para o charme irresistível com que prolongava a letra erre dobrada, Elizeth Cardoso já recebia aplausos. Logo na primeira passagem, Jacob borda umas improvisações desconcertantes. Elizeth o incentiva: “Dá-lhe, Jacob”. E vêm variações deslumbrantes, recriações superpostas, melodias paralelas, uma orgia inventiva inimaginável, a que o Época de Ouro (naquela noite, Dino no sete cordas, César Faria e Carlinhos nos violões de seis, Jonas no cavaquinho e Gilberto D’Ávila no pandeiro) fornece todas as garantias de sustentação rítmica. Elizeth retoma o solo, arrebatadora. O público está enlouquecido. Antes da conclusão presumida, ela repete um verso e pergunta: “Quem sabe?” E pede: “Comigo”. O auditório a acompanha, tímido, na partida, mas logo desenvolto, autoconfiante. Elizeth aprova: “Agora, sozinhos!”. E o teatro inteiro transforma-se em insuspeitado e prodigioso coral. Jacob, sisudo vocacional, entusiasma-se e grita, como na ópera: “Bravos!”. E o número – quase oito minutos, no registro da gravação ao vivo – prossegue com mais uma recapitulação vibrante, cantora, músicos e platéia em comunhão total num dos instantes de maior vitalidade de toda a nossa música popular.

Foi o clímax da noitada, que se configurava “o maior show ao vivo jamais registrado pela discografia nacional”, segundo juízo recente do crítico Luís Nassif, num dos artigos dominicais sobre música com os quais faz contraponto, na “Folha de S. Paulo”, ao árido exercício diário de analista de assuntos econômicos. Na avaliação engajada do implacável historiador José Ramos Tinhorão, foi simplesmente a noite em que Jacob do Bandolim, autoproclamado tradicionalista, “deu uma surra” na sofisticação moderna e “importada” do Zimbo Trio (a época era de partidarismos musicais inconciliáveis: menos de dois anos antes, na finalíssima do celebrado Festival da TV Record, o país dividira-se entre militantes de “A Banda”, de Chico Buarque de Holanda, e guerrilheiros de “Disparada”, de Geraldo Vandré e Théo de Barros). “Barracão” não era do repertório de Elizeth nem figurava nas intenções de Jacob, muito menos nas cogitações do Zimbo Trio. Como conta Hermínio Bello de Carvalho, que imaginou e dirigiu todo o recital memorável do João Caetano, foi incluído no roteiro apenas para homenagear Luís Antônio. Tornado clássico naquela noite inesquecível, fizera intenso mas efêmero sucesso havia 15 anos, no carnaval de 1953, lançado e gravado por uma estrela típica da era do rádio, a cantora Heleninha Costa.

Carioca que se iniciara pelo rádio paulista nos anos 30, ainda menina, quando gravou “Barracão” Heleninha Costa já figurava entre os astros de primeira linha da Rádio Nacional. O samba carnavalesco de Luís Antônio seria a segunda das criações da intérprete a incluir-se no cancioneiro nacional permanente, isto é, entre aquelas músicas ouvidas tempos afora, solicitadas por sucessivas gerações. Diferente do que ocorreu com “Barracão”, a primeira, o samba “Exaltação à Bahia”, do maestro paulista Vicente Paiva, com letra do revistógrafo português Chianca de Garcia, prescindiu da recriação apoteótica década e meia depois. Já nasceu feérico, como fecho suntuoso de show milionário do Cassino da Urca, onde Heleninha Costa era crooner, em 1943. Nesse mesmo ano ela o transportou do final majestoso do espetáculo ao estúdio de gravação. É o maior êxito de sua discografia e um modelo de samba-exaltação, registrado depois em outras vozes, como as de Emilinha Borba e Violeta Cavalcante (a própria Heleninha voltou a gravá-lo, em 1957), sempre respeitados a pompa e o fascínio do gênero.

A animação da música carnavalesca e a grandiloqüência do samba-exaltação pressupõem empolgação, voz aberta e alegria atirada, atributos que Heleninha Costa sabia expor como poucas (tinha extraordinária presença de auditório, um carisma que levava o fã-clube a copiá-la em exteriorizações como por exemplo o penteado: foi a mais invejada “franjinha” do meio artístico). Compunha o perfil de intérprete eclética com trunfos como o invariável acerto no tom confidencial que devia ser dado às músicas românticas e a brejeirice com que revestia a aparente ingenuidade das canções juninas, um segmento de grande aceitação naquele tempo. O título de uma das faixas do disco de estréia de Heleninha Costa, “Sortes de São João” (de Alcyr Pires Vermelho e Oswaldo Santiago, e de 1940), sugere que ela freqüentou esse filão desde sempre. Na canção de amor, a referência indelével é o bolero “Afinal” (“Afinal/ tu sofres o que eu sofri...”), de Luís Bittencourt e Ismael Neto, dois dos muitos compositores brasileiros do primeiro escalão que não resistiram à invasão do ritmo mexicano no pós-guerra (“Afinal” é de 1951).

Parceiro do cronista Antônio Maria num dos hinos informais do Rio, “Valsa de uma cidade”, o paraense Ismael Neto, com quem Heleninha Costa se casaria no mesmo ano de lançamento de “Afinal”, numa cerimônia que levou à igreja do Largo do Machado um público de comício eleitoral, era o líder e arranjador do refinado conjunto vocal Os Cariocas, uma mudança de rumos na história desses grupos, ainda hoje em atividade, reduzido de quinteto a quarteto e com apenas um dos integrantes originais, Severino Filho, irmão de Ismael. Na Rádio Nacional, Heleninha Costa apresentou-se muitas vezes com Os Cariocas como coro de luxo, mas só chegou a gravar com o conjunto uma única face de disco de cera, a peça “Que é que tu qué”, dos papas nordestinos Luís Gonzaga e Zé Dantas, em 1953. Gravou algumas outras composições do marido (Ismael Neto morreu em 1956), mas nenhuma que repetisse o sucesso de “Afinal”. Do parceiro dele Antônio Maria, recebeu, para pôr nas listas de discos mais vendidos de 1955, em ritmo de samba, a versão de uma cançoneta francesa rebatizada de “Amor brejeiro”.

Heleninha Costa foi pioneira no Brasil, em 1951, do LP (long-playing, o disco multifaixas, hoje referido como “vinil”, que alguns anos depois aposentaria a “bolacha” de cera de só duas músicas, absoluta desde os primórdios da gravação). Participou do lançamento do novo formato, oito faixas reunidas sob o título “Carnaval em long-playing”, da gravadora Sinter, com o samba “Vida vazia”, de Paulo Marques e Arlindo Borges. Foram igualmente escolhidos para esse LP inaugural, entre outros, o comediante Oscarito, habitual emplacador de sucessos carnavalescos, o grande sambista Geraldo Pereira, Os Cariocas e as excelentes cantoras Neuza Maria e Marion. Primazia capaz de orgulhar qualquer artista, no entanto, Heleninha estabeleceria quatro anos mais tarde, ao tornar-se o primeiro intérprete a gravar uma composição de Silas de Oliveira, o mestre das escolas de samba (Cartola, de Mangueira, reputava Silas, do Império Serrano, “o maior compositor de sambas-enredo de todos os tempos”, avaliação, deixada escrita em 1980, hoje talvez unanimemente endossada). Silas já havia vencido pelos menos duas vezes na Avenida, mas não foi com samba-enredo que Heleninha Costa deu início à documentação fonográfica da obra do compositor imperiano. Esse primeiro registro trazia um samba rasgado, bem ao gosto dos blocos de sujos e dos foliões dos bailes públicos, “Radiopatrulha”, uma brincadeira envolvendo essa tática de policiamento, então uma novidade, e a malandragem, tudo na melhor tradição da música carnavalesca.

Ainda para o carnaval, Heleninha Costa lançou o samba “Obrigado, reverendo”. O reverendo era Dom Hélder Câmara, “o arcebispo das favelas”, o homem que um dia pôs favelados a morar normalmente, em edifícios de apartamentos, erguidos na Praia do Pinto, na então aprazível tríplice fronteira entre o Leblon, a Lagoa e a Gávea. Os barracões, que pediam socorro no samba imortal de Luís Antônio, agora agradeciam (“quem traz o morro pro asfalto/ tem o nosso coração”), em outro samba do mesmo atento compositor. O quadro de tragédia irreversível para o qual o modelo de organização social vitorioso conduziu a moradia – e a vida - do nosso povo tornou remota, em pouco tempo, aquela comemoração. Dom Hélder e Luís Antônio são meras lembranças – e agora (dia 11 de abril) morreu também Heleninha Costa, aos 81 anos, praticamente ignorada pelos meios de comunicação. Raros e pífios obituários de escassas linhas mal lhe concederam a condição de cantora.

Publicado por Ana Tropicana às 12:38 PM

julho 15, 2005

Humores


O Tempo e o Vento de Roberto Fritz

Fim de tarde, na Casa da Colina. Uma certa turbulência branda a levantar-se lá das bandas do rio, com o crepúsculo. «O Tempo e o Vento»... Sim, hoje sinto-me mais-ou-menos assim.

Publicado por Ana Tropicana às 09:48 PM

O Olho de Custódio


sem titulo de Custódio Coimbra

Dotado de uma precisa visualização dos fatos, Custódio define nas suas fotos as situações mais diversas encontradas pelas ruas do mundo onde trabalha.

Custódio, sobrenome Talento Coimbra
16/6/2005 13:26:00

Flávio Damm

Na Maison des Amèriques Latines, em Paris, desde o dia 6 de junho, estão sendo mostradas as fotografias de Custódio Coimbra, sob o título Le Brésil a la Lune. Também no Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro, por ocasião do FotoRio 2005, ele agora expõe Diário do Rio. Esta é uma série com o mesmo fio condutor que Custódio chama de “meus focos, o homem e o ambiente em que ele vive”.

Custódio, trinta anos de profissão, está há quinze na equipe de O Globo, cobrindo pautas diárias que lhe têm rendido freqüentes primeiras páginas e cadernos especiais. Dedica-se, por gosto pessoal, a assuntos ambientais, com grande ênfase para a água: a baía da Guanabara tem sido o grande assunto do fotógrafo, que em 2002 reuniu em exposição no edifício do Ministério da Cultura, no Rio, a primorosa série Rio, Cidade Água.

Mas tão importante quando o impacto social está a criatividade expressa pelo fotógrafo quando faz presente o seu talento, juntando o instante gráfico dentro de uma composição perfeita, a dramaticidade da cena social em contraponto com a beleza do cenário. Custódio Coimbra é o que há de melhor no fotojornalismo brasileiro.

Para a exposição que está sendo mostrada em Paris, assino esta apresentação:

Custódio Coimbra vive a realidade brasileira na condição de fotorepórter do jornal mais importante do país, O Globo. Dotado de especial sensibilidade, e de uma precisa visualização dos fatos, Custódio define em suas fotos as situações mais diversas encontradas pelas ruas do mundo onde trabalha. Reúne, numa perfeita composição, a máscara estampada nos rostos dos seus personagens-notícia ao cenário que é o grande teatro das ruas.

Como poucos na imprensa brasileira, Custódio é maduro profissionalmente: extremamente rigoroso quando aplica a experiência adquirida ao longo da atividade que escolheu como seu meio de vida, a fotografia a serviço da comunicação visual.

Tem consciência de que a geometria que aplica na composição de suas imagens é uma ferramenta igual ao uso da gramática por quem escreve com perfeição: sabe compor no instante exato quando corta suas fotos, no visor, com absoluta certeza de que nada sobra ou fica faltando.

Custódio Coimbra ao fotografar se diverte, se emociona e a alegria ou a tristeza são o tempero certo de suas imagens sempre tão humanas, todas de um conteúdo jornalístico da melhor qualidade. Custódio tem a simplicidade de menino, o olho de águia e a doçura que faz dele um raro artista. Suas imagens são a arte fotográfica de um poeta ou a poesia de um grande fotógrafo. Nada é tão igual.

Sua câmera funciona como um filtro de emoções.



Publicado por Ana Tropicana às 09:35 PM

«Sustentável», diz ele

Flávio Luizão, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia, diz que o «uso sustentável é a saída para a Amazônia».

Pode ler-se AQUI.

LBA - 13/07/2005 - 15:15:19

"O avanço em tecnologias desenvolvidas pelo Projeto de Larga Escala da Biosfera Atmosfera da Amazônia (LBA) possibilita o acompanhamento em tempo real de queimadas na região e, se os órgãos públicos fossem eficientes na resposta para as informações que são repassadas, o cenário poderia ser bem diferente do atual”. Quem garante é o pesquisador Flávio Luizão, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Ele foi um dos palestrantes do 2º Congresso de Estudantes do Projeto LBA, que termina hoje (13), em Manaus. O LBA está sob a supervisão do MCT e é coordenado pelo Instituto.

Segundo Luizão, "o governo federal vem se preocupando com o problema, as políticas públicas existentes são boas, mas falta ação. É preciso colocar em prática o que é discutido". Ele explicou que, atualmente, a partir das informações existentes, coletadas pelos mais de 800 pesquisadores parceiros do LBA, é possível fazer projeções sobre como a floresta estará daqui a alguns anos. Esses modelos foram apresentados há oito meses ao Grupo de Controle Internacional de Combate ao Desmatamento da Casa Civil.

O pesquisador acredita que o LBA tem um papel importante nesse contexto. "Nesses dez anos de pesquisas na Amazônia, muito se avançou com o projeto LBA, principalmente nos trabalhos de estudo de seqüestro de carbono pela atmosfera e formação de nuvens e de chuvas", avalia, acrescentando que o destaque entre os trabalhos é o uso de satélites para o acompanhamento, em tempo real, da devastação que o meio ambiente sofre para a construção de estradas usadas no transporte ilegal de toras de madeiras, entre outros. Em sua opinião, é possível conciliar o desenvolvimento sustentável com o uso consciente da floresta, mediante o uso de tecnologias adequadas, única forma de a floresta suportar os ataques sofridos pela ação humana.

Como exemplo, Luizão cita o que vem sendo realizado no Pará, onde existem várias áreas de pastagens para serem recuperadas. “Uma região que foi castigada por queimada, uso inadequado do solo, ou pela exploração madeireira, pode ser recuperada", afirmou. Para isso, ele explica que são usadas máquinas capazes de revolver a terra (descompactação do solo que se encontra gasto), e depois é feita a aplicação de adubos fósseis e gramíneas. "O problema é que é um processo caro e não poderia ser usado pelos pequenos agricultores. O ideal seria a utilização de leguminosas (que frutifica em vagem) existentes na própria região". Uma delas é a pueraria, utilizada para descompactar o solo e que não custa nada, mas sem o acompanhamento correto pode virar uma praga.

"Existem várias outras espécies nativas de leguminosas de várzea que não estão sendo utilizadas e que nós desconhecemos. Além disso, o importante é ter a maior diversidade de exemplares nos locais que foram atingidos. Assim será possível promover o plantio de árvores de grande porte, e a formação de capoeiras e de sistemas florestais como, por exemplo, soja e arroz”, afirmou.

De acordo com o pesquisador, mesmo o solo da Amazônia sendo pobre em nutrientes, baixa quantidade de cálcio e magnésio, a floresta consegue fazer a reciclagem internamente da matéria orgânica existente. É essa matéria que proporciona a sustentabilidade das áreas florestais. “Ainda existe um mundo de informações sobre a Amazônia para ser descoberto. Há ainda muito o que fazer para podermos conhecê-la, a exemplo das alterações no uso do solo e suas conseqüências”, finalizou.

Publicado por Ana Tropicana às 09:15 PM

Pervercidades

... Confesso o meu mais profundo receio, diante das "boas intenções" de "certos" visitantes.

Folha de S. Paulo
Parcerias Brasil-EUA na Amazônia
Amazônia - 15/07/2005 - 04:48:41

JOHN DANILOVICH

Entre os dias 17 e 26 de junho, fiz uma memorável visita à Amazônia brasileira. Conheci projetos de proteção ambiental, desenvolvimento sustentável e pesquisa científica copatrocinados pelo governo dos Estados Unidos, sempre em parceria com instituições brasileiras. Além de conhecer as maravilhas naturais e culturais da região, também tive a oportunidade de conversar com lideranças do governo, da sociedade civil e do empresariado em Macapá (AP), em Belém e Santarém (PA), e em Manaus e Parintins (AM).

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A Amazônia é um magnífico patrimônio do Brasil, mas o mundo se preocupa e quer ajudar os brasileiros a preservá-la

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Nessas conversas, identifiquei nos interlocutores o desejo de construir um Brasil ambientalmente protegido, socialmente justo e economicamente próspero, que seja inclusivo para toda a Amazônia. Também percebi uma preocupação com a presença estrangeira na região e com a absurda teoria conspiratória de que, no futuro, poderia haver uma "invasão" ou alguma forma de "internacionalização" da Amazônia.

Ressaltei -e gostaria de enfatizar para todos os brasileiros- que tais temores são totalmente infundados. A Amazônia é um magnífico patrimônio do Brasil, um presente da natureza para os brasileiros. Acredito que o Brasil está preparado para enfrentar os problemas daquela região e os desafios do desenvolvimento sustentável, mas o mundo se preocupa com o que acontece na Amazônia e quer ajudar os brasileiros a preservá-la.

Gostaria de exemplificar aqui como alguns projetos copatrocinados pelos EUA que visitei estão contribuindo para o conhecimento científico, a conservação ambiental e o desenvolvimento humano da região amazônica.

Em Santarém, participei, com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, da abertura do segundo Seminário Nacional do Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG-7), no dia 21 de junho. Meu país contribui, por meio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), com esse esforço internacional para o desenvolvimento sustentável, a conservação da biodiversidade e a redução dos gases do efeito estufa. A massa de conhecimentos acumulados pelo PPG-7 já começa a ficar evidente no planejamento de políticas para a região, como os planos Amazônia Sustentável e BR-163 Sustentável.

Com o mesmo espírito de cooperação para a preservação da Amazônia, os EUA copatrocinam importantes projetos de pesquisa científica na região de Santarém. O Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA) é uma iniciativa de pesquisa internacional liderada pelo Brasil que conta com a participação da Nasa e estuda as interações físicas, químicas e biológicas entre biosfera e atmosfera da Amazônia e de todo o planeta.

Outro projeto de grande impacto científico é o "Seca-Floresta", estudo conduzido em cooperação entre o Woods Hole Research Center, dos EUA, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e o Ibama, com apoio da Nasa, da Usaid, da Fundação Nacional de Ciência (NSF) e de outras agências do governo dos EUA para entender a resposta da floresta a condições controladas de seca. Ambos os projetos oferecem grandes avanços tanto ao entendimento da "ciência pura" sobre a ecologia do planeta como à preservação imediata das riquezas da floresta.

Também trabalhamos com as pessoas, não apenas com a floresta, em projetos como a clínica da Fundação Esperança, que oferece educação e cuidados médicos para a população da região há 30 anos, com apoio da Usaid. A poucos quilômetros de Santarém, subindo o rio Tapajós, a Usaid apóia as Oficinas Caboclas dos Tapajós, projeto do Ipam dentro da Reserva Extrativista de Tapajós-Arapiuns. Esse projeto é um exemplo de pequenas comunidades manejando seus recursos florestais de maneira sustentável por meio da extração de madeira em pequena escala para a produção de móveis e objetos decorativos.

Em Belém, participei do lançamento de um programa de fomento à exportação do açaí: uma parceria entre a Usaid e a Federação das Indústrias do Estado do Pará, que vai dar assistência técnica para aumentar a participação das micro e pequenas empresas paraenses nas exportações. Por meio desse programa, a Usaid aposta na geração de empregos e no aumento das exportações de todo o setor açaizeiro do Pará de forma ambiental e economicamente sustentável.

Ainda no Pará, visitei a empresa madeireira Cikel, que tem um programa de exploração florestal de impacto reduzido que segue os rigorosos critérios de certificação do Conselho Brasileiro de Manejo Florestal (FSC-Brasil), afiliado ao Forest Stewardship Council, ONG com atuação em mais de 40 países. Entre os princípios exigidos para certificação pelo FSC, que oferece condição privilegiada para exportação de produtos madeireiros para os Estados Unidos e a Europa, estão: obediência à legislação ambiental, respeito aos direitos dos povos indígenas, investimento na comunidade local, observância da legislação trabalhista e cumprimento de um plano de manejo que proteja a integridade e a produtividade da floresta.

A Cikel e a Usaid apóiam ainda os esforços de um centro de treinamento do Instituto Floresta Tropical, que treina profissionais em vários níveis de especialização nas melhores técnicas de manejo e exploração florestal.

Concluí minha visita à Amazônia pelo Festival Folclórico de Parintins, um espetáculo tão grandioso e brasileiro quanto a própria floresta amazônica. Foi um final à altura para uma jornada de dez dias por uma região cuja importância é reconhecida em todo o mundo, mas que será brasileira sempre.

John J. Danilovich, 55, cientista político, mestre em relações internacionais, é o embaixador dos Estados Unidos da América no Brasil.

Publicado por Ana Tropicana às 09:11 PM

Desmatamento

Fico a saber que o Governador de Mato Grosso e a ministra Marina Silva estiveram juntos para engendrar novas acções contra desmatamento. Oxalá!...

Folha de S. Paulo
Moratória maior do corte poderá ser anunciada
Meio Ambiente - 14/07/2005 - 04:15:58

Luiz Francisco

Brasília - Após uma reunião de quase duas horas, o Ministério do Meio Ambiente e o governo do Mato Grosso anunciaram ontem que vão trabalhar em conjunto para combater o desmatamento ilegal no Estado.

Entre as medidas que serão adotadas para coibir a devastação estão a criação de novos parques e reservas (o número não foi definido) e o funcionamento de uma força-tarefa, que vai agir exclusivamente nas áreas onde o desmatamento está mais avançado.

Segundo a ministra Marina Silva e o governador Blairo Maggi (PPS), não está descartada uma extensão da moratória para o corte de árvores até a regularização do sistema de licenciamento da derrubada. Na semana passada, o Ministério do Meio Ambiente proibiu por seis meses o desmatamento no Estado, responsável por quase 50% da área devastada (26 mil quilômetros quadrados, o equivalente ao tamanho de Alagoas) entre 2003 e 2004.

Marina Silva disse que a possibilidade de suspensão ampliada do corte de árvores no Estado será analisada na próxima semana, quando o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) retornarem a Brasília.

"O governo está criando freios contra o desmatamento ilegal na floresta amazônica", disse Marina Silva. Na reunião, também ficou definida a realização de um convênio envolvendo o Ministério Público e o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) para o desenvolvimento de um sistema de detecção de desmatamento em tempo real. A idéia é possibilitar o mapeamento das maiores propriedades rurais do Estado.

De acordo com o governador, o sistema é mais uma ferramenta para o Estado combater o desmatamento ilegal. "Poderemos interferir na semana ou na quinzena em que está ocorrendo o desmatamento", disse.

Marina Silva disse também que as ações de combate ao desmatamento que o governo pretende anunciar na próxima semana começaram a ser desenvolvidas há um ano. "Novas licenças para desmatamento só serão concedidas com o trabalho integrado de órgãos federais e estaduais, Ministério Público e a sociedade, garantindo que a derrubada da floresta só ocorra de forma legal", afirmou a ministra.

Publicado por Ana Tropicana às 09:01 PM

Perplexidades

Começou em Manaus o Congresso que traz a debate o Projecto Larga Escala da Biosfera Atmosfera da Amazônia.

Talvez, no final dos trabalhos, consiga explicar que dificuldade é essa de alocar nas entranhas da Floresta jovens especialistas e pesquisadores...

Preservação Ambiental - 12/07/2005 - 02:51:50
Incremento rural na Amazônia é debatido no Inpa

Jornal do Commércio - AM

Manaus, AM - Começou ontem, às 9h, o ‘2º Congresso de Estudantes do Projeto de LBA (Larga Escala da Biosfera Atmosfera da Amazônia). Em pauta está as prioridades para a preservação da Amazônia, por meio de palestras, apresentações de trabalhos de pesquisa, sessões plenárias e assuntos afins.

O principal desafio dos debates é de conciliar conservação ambiental e desenvolvimento rural na Amazônia, modelos de assentamento rural e seus impactos na fragmentação de paisagens amazônicas e o desafio para a fixação de jovens cientistas na região. Esses serão apenas alguns dos temas que serão tratados durante os três dias (11 a 13) do encontro.

Pesquisadores de diferentes instituições brasileiras, entre eles Carlos Nobre, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Paulo Artaxo, da USP (Universidade de São Paulo), e Carlos Cerri, do Cena-USP (Centro de Energia Nuclear na Agricultura), estarão presentes para proferir palestras.

Nobre abordará o tema ‘O LBA e sua Importância para o Futuro da Amazônia’, enquanto que Cerri falará sobre ‘O LBA no Contexto dos Programas de Mudanças Climáticas Globais’. Artaxo vai proferir a palestra ‘Pesquisas Científicas no Meio Ambiente Amazônico: o que Ainda Há por Fazer?’.

Trabalhos desenvolvidos

Mais de 410 estudantes de graduação, mestrado e doutorado, estarão presentes em mesas-redondas e apresentações orais para debater os trabalhos desenvolvidos sobre a Amazônia. Eles vêm de Estados como Rondônia, Pará, Acre, Tocantins, São Paulo, Mato Grosso e de países da Amazônia Sul-americana.

Segundo a coordenadora do Comitê de Treinamento e Educação do LBA, a pesquisadora Regina Luizão, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), quando o projeto iniciou, em 1995, a meta era promover o crescimento de 20% do número de doutores para trabalharem na Amazônia. Na época, havia cerca de 500.

“Em 2003, a meta foi alcançada com a formação de cem doutores. E em 2005 já havia 856 pessoas participando do projeto, sendo 330 bacharéis, 270 mestres, 256 doutores e cerca de 30 pós-doutores”, afirmou.

A pesquisadora disse que isso demonstra o trabalho de formação de recursos humanos de alta qualidade para fortalecer o compromisso de promover o desenvolvimento da região sem destruir a floresta. O LBA está sob a supervisão do MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia) e é coordenado pelo Inpa.

Biodiversidade - 08/07/2005 - 08:45:19
Em congresso, estudantes e cientistas debatem prioridades para preservação da Amazônia
O desafio de conciliar a conservação ambiental e o desenvolvimento rural na Amazônia, os modelos de assentamento rural e seus impactos na fragmentação das paisagens amazônicas, e o desafio para a fixação de jovens cientistas na região, são alguns dos trabalhos que serão apresentados no 2º Congresso de Estudantes e Bolsistas (CEB) do Projeto LBA – Projeto de Larga Escala da Biosfera Atmosfera da Amazônia, a acontecer a partir da próxima segunda-feira (11) até o dia 13, em Manaus (AM). O LBA está sob a supervisão do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e é coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT).

Mais de 410 estudantes de graduação, mestrado e doutorado, estarão reunidos em sessões plenárias, mesas-redondas e apresentações orais para debater trabalhos desenvolvidos sobre a Amazônia. Eles vêm de estados como Rondônia, Pará, Acre, Tocantins, São Paulo, Mato Grosso e de países da Amazônia Sul-americana. Pesquisadores de diferentes instituições brasileiras também vão estar presentes para proferir palestras, entre eles, Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT), Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo (USP), e Carlos Cerri, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena-USP). Nobre abordará o tema O LBA e sua importância para o futuro da Amazônia; Cerri falará sobre O LBA no contexto dos programas de mudanças climáticas globais, e Artaxo vai proferir a palestra Pesquisas científicas no meio ambiente amazônico: o que ainda há por fazer?.

Segundo a coordenadora do Comitê de Treinamento e Educação do LBA, a pesquisadora Regina Luizão, do Inpa, quando o projeto iniciou, em 1995, a meta era promover o crescimento de 20% do número de doutores para trabalharem na Amazônia. Na época, havia cerca de 500. "Em 2003, a meta foi alcançada com a formação de 100 doutores. E em 2005 já havia 856 pessoas participando do projeto, sendo 330 bacharéis, 270 mestres, 256 doutores e cerca de 30 pós-doutores", afirmou.

"O 2º CEB representa o cumprimento do compromisso de formação de recursos humanos de alto nível que foi muito além da expectativa. Do ponto de vista da região amazônica, representa um grande salto qualitativo e quantitativo de jovens pesquisadores, formados dentro de um conceito de integração de disciplinas, isto é, com formação científica bastante ampla da gestão ambiental amazônica", acrescentou o gerente de Implementação do LBA, Antônio Ocimar Manzi.

Competências
Regina Luizão explicou que o congresso é útil para se discutir o que foi feito pelo LBA, ou seja, a contribuição para a Amazônia e para os países da Bacia Amazônica, em educação e treinamento, e o que há ainda para ser feito. "Discutir esses pontos é fundamental, porque a região ocupa cerca de 60% do território nacional. É um local estratégico. E essa reunião é a coroação de tudo isso que já foi realizado em treinamento e educação. Destina-se a divulgar e consolidar o excelente trabalho dos 220 jovens cientistas e estudantes participantes, fruto de uma parceria bem sucedida entre centros de ensino e pesquisa do Brasil, EUA, de países da América do Sul e da comunidade européia", afirmou Regina. Ela encerrará o ciclo de palestras no primeiro dia, falando sobre o tema O papel do LBA no fortalecimento de competências na Amazônia.

Além da divulgação dos trabalhos, pretende-se discutir no Congresso formas de implementar novos programas de intercâmbio e ampliar parcerias com instituições amazônicas de ensino e pesquisa e o LBA, além de debater propostas e planos de ação para futuras iniciativas de treinamento e educação do LBA. Além do Inpa, o Comitê é formado por outras instituições de ensino e pesquisa do Brasil, entre elas, o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG/MCT), as universidades federais do Pará (UFPA) e de Mato Grosso (UFMT), a Embrapa, o Inpe, o Cena-USP e a Universidade de Rondônia (UNIR). Para que o evento fosse possível, o Comitê investiu mais de R$ 200 mil. Parte dos recursos foi usada na compra de passagens aéreas e diárias em um hotel local para cerca de 80 estudantes.

Infra-estrutura
Pela primeira vez realizado em Manaus, o CEB contará com estrutura para atender participantes e jornalistas, que serão credenciados na coordenação do evento. Será montada uma sala de imprensa com linhas telefônicas e acesso à internet. Mais informações podem ser adquiridas no site do Inpa (www.inpa.gov.br), no link do Congresso.

O LBA
O Projeto de Larga Escala da Biosfera Atmosfera da Amazônia nasceu da preocupação da comunidade científica nacional e internacional com as grandes alterações que a Amazônia vem sofrendo em seu ambiente natural, e que poderão afetar a sua capacidade básica de auto-renovação. Presume-se que a alteração dos ciclos de água, energia solar, carbono e nutrientes, resultantes da mudança em sua cobertura vegetal, possa acarretar conseqüências climáticas em escalas local, regional e global. Sob esse cenário, a Amazônia passou a ser incluída nas discussões dos grandes programas internacionais de Mudanças Climáticas. Em 1998, foi firmado o acordo internacional de cooperação científica com o governo brasileiro e deu-se início à implementação do Experimento LBA sob a supervisão do MCT e a coordenação do Inpe com financiamento de diversas agências de fomento brasileiras, da Nasa e Comissão Européia. Em 2002, o Inpa assumiu a coordenação do Experimento. Desde então, o LBA vem desenvolvendo 123 projetos conjuntos.

Publicado por Ana Tropicana às 08:46 PM

Em Nome de Cássia


Apenas uma Garotinha de Ed.Planeta

Ficou a faltar, sim, algum tempo para entrar nas livrarias e trazer de Terras de Vera Cruz livros como este, que não chegam ao escaparate dos Free Shop de aeroporto.

Cássia Vive

Biografia retrata com (ir)reverência a personalidade ao mesmo tempo tímida e avassaladora de Cássia Eller e mostra, com fatos, que ela faz muita falta no atual cenário da MPB.


por Eduardo Boni

O imaginário popular tende a transformar todos os que se vão muito cedo em mitos. Foi assim com Raul, com Cazuza e Renato Russo. Não seria diferente com Cássia. A garota tímida e acanhada que se transformava em um furacão de energia ao subir no palco mostrada em Apenas uma Garotinha - A historia de Cássia Eller sem retoques.
A trajetória desde a infância até a adolescência, em Brasília, onde iniciou a carreira, até a guinada rumo ao sucesso que a transformaria na maior cantora de sua geração, com porções generosas de drogas e amores, tudo isso está no livro de Eduardo Belo e Ana Claudia Landi.

O começo (especificamente os dois primeiros capítulos) retrata a morte da cantora e tudo o que se seguiu a ela, incluindo as especulações sobre overdose e a posterior briga na justiça entre sua parceira, Maria Eugenia, e o pai da cantora, Altair, pela guarda do filho de Cássia. Destaque para o empenho dos autores em buscar a verdade, com base nos jornais da época, nem sempre isentos do sensacionalismo, e também com depoimentos dos principais envolvidos nas últimas horas da cantora.

Se há tristeza e um nó se forma na garganta durante os primeiros capítulos, isso é fruto da forma humana como se retratou a morte de Cássia e como sua partida, ainda muito recente, deixou uma legião de fans. Com o virar das páginas, a tristeza transforma-se numa celebração à vida e nos faz admirar a maior intérprete da MPB nos anos 90. Seu jeito tímido, calado e introspectivo no dia-a-dia e que se transformava em energia pura ao subir no palco, é retratada aqui com fidelidade e exemplos, por vezes muito engraçados.

Também não falta na narrativa a trajetória de Cássia pelos palcos, sejam eles do teatro, pelas mãos de Oswaldo Montenegro, ou da música, desde os primeiros passos no bar Bom Demais, em Brasília, até os maiores festivais brasileiros.

Pelo texto, ficamos sabendo da admiração de Cássia pela chamada Vanguarda Paulistana, de onde a cantora tirou as primeiras músicas para seu repertório e descobrimos uma luta interna muito grande entre permanecer no underground ou cair nos braços do grande público, já que ela própria não achava que merecia tanto. Felizmente, o destino da cantora era mesmo o das grandes multidões.

Do texto, salta aos olhos a paixão que Cássia despertava em todos que a conheciam - homens e mulheres - e não raro, dessas paixões nasceram parcerias na música e na vida. Algumas para a vida toda.

Este é um daqueles livros que transborda vitalidade e que se lê de um só fôlego. Escrita à flor da pele, esta biografia é para ser lida como tal.


Fica um pedacinho de trecho roubado na internet, nesse caso:


«Cássia Eller veio ao mundo na tarde quente e abafada de 10 de dezembro de 1962. Os termômetros do Rio de Janeiro marcavam 32 graus, mas a falta de vento tornava a sensação de calor ainda mais sufocante. A cidade fervia como panela de pressão quando Nanci, sentindo contrações, alertou o marido de que havia chegado a hora.
A equipe médica do Hospital Militar de Campo Grande, na avenida Duque de Caxias, teve perspicácia. Numa época em que não se dispunha nem mesmo do recurso hoje banal do ultra-som e cesarianas não haviam se tornado uma prática corriqueira, os médicos perceberam que aquele parto não seria fácil.

A criança parecia grande demais para uma mãe de primeira viagem. Nanci, com 1,54 m de altura, estava com pouco mais de cinqüenta quilos no último mês de gravidez; trazia no ventre um bebê que, depois se constatou, pesava quatro quilos, distribuídos por 51 centímetros. Quando ficou claro que o tamanho e a falta de disposição da criança em colaborar poderiam complicar o parto, os médicos trataram de tirá-la a fórceps. A menina nasceu saudável, às 18h 30.

Apesar do desconforto, Nanci até que teve sorte. Um parto com tanta assistência podia ser considerado luxo para uma parcela considerável dos brasileiros. As maternidades dos grandes centros urbanos — as que existiam — estavam longe de se tornar o híbrido extravagante de hotel e hospital que são hoje, e os recursos tecnológicos eram escassos. Bem escassos. Milhões ainda asciam pelas mãos das parteiras.

A primeira dos cinco filhos do casal veio ao mundo 367 dias depois de uma concorrida cerimônia de casamento, realizada em Belo Horizonte. Foram três horas de missa totalmente rezada em latim. Se alguém entendeu tudo o que o padre disse, não se sabe ao certo. Mas quem presenciou o evento comenta que foi um belo espetáculo. O dia 8 de dezembro de 1961 sacramentou a união de Nanci Ribeiro, então com dezoito anos, com o oficial pára-quedista do Exército Altair Eller, 26. Os dois haviam se conhecido pouco mais de dois anos antes, por intermédio de amigos comuns, na capital mineira. Chegaram a cantar juntos no coro da igreja. Não tão juntos assim. Nanci conta que "fugiu" de Altair por dois anos, antes de dobrar-se ao assédio incessante.

Altair, descendente de alemães da região de Hessen, o primeiro dos nove filhos de Onécimo e Geralda Eller, era militar desde os dezessete anos, quando ingressou na Força Pública Estadual de Minas Gerais — atual Polícia Militar. Trocou a vida de policial pela então promissora carreira no Exército assim que se alistou, aos dezoito anos. Na época do casamento, acabara de ser promovido a terceiro-sargento e vislumbrava um futuro promissor nas Forças Armadas. Ser oficial não era mau negócio no início da década de 1960, como se veria nos anos seguintes. Para quem não tinha uma profissão definida, então, nem se fale.

O casal saiu da cerimônia para a lua-de-mel em Guarapari, no Espírito Santo. Na volta, foi morar no Rio de Janeiro. Três meses depois, Nanci estava grávida.

Ao nascer, Cássia chamava-se Carla Regina. Ou pelo menos deveria. Era o combinado pelo casal. Nanci sempre sonhara em dar esse nome a uma filha. Só não contava que o marido fosse mudar de idéia. Sem avisá-la, Altair escolhera um nome que agradava à sogra, Maria Ribeiro, fervorosa devota de Santa Rita de Cássia. Queria Cássia Regina, para ver se agradava às duas. Nanci não ficou exatamente feliz. Como sabia que aquela era uma causa perdida, resolveu salvar o que era possível: não abriu mão do segundo nome. Ou era Carla Regina ou seria Cássia qualquer-coisa, menos Cássia Regina. O pai voltou do cartório com um registro de nascimento em nome de Cássia Rejane Eller.

O sonho de Nanci tornou-se realidade um ano depois. Em dezembro de 1963 nasceram Carla Regina e Cláudia Mara. Quando as gêmeas completavam dois anos, a família ganhou Rúbia. Cristina Rúbia. "Rubinha". Cinco anos mais tarde, já com sinais de cansaço no casamento, os Eller ainda tiveram o caçula, Ronaldo. Ou melhor, César Ronaldo. A mais velha já beirava os nove anos.

Cássia era uma criança muito esperta e ativa. Com menos de um ano, já pronunciava as primeiras palavras e não mais usava fralda. Nanci aproveitou que a menina jamais fazia xixi à noite para educá-la, assim que passou a ter firmeza suficiente para se sentar, a usar o "troninho".

Não deu nenhum trabalho no campo dos cuidados pessoais enquanto bebê. Em compensação, não deixou barato no quesito comportamento. "Uma capeta", é como costumam se referir a ela a mãe e a irmã mais nova. Seu lado sapeca deu as caras logo nos primeiros meses de vida. Incomodada pela presença dos enfeites, exterminou um a um os adornos das roupas que a mãe colocava nela. Mesmo muito pequena, ainda sem coordenação motora suficiente, arrancava todos os lacinhos dos vestidos. Nenhum ornamento resistiu. Ali já se manifes tava a total falta de vaidade que ela carregou pela vida afora.

Os vestidos ficaram para trás. Cássia só voltou a usá-los na adolescência, e, ainda assim, por pouco tempo. Na época de fazer a primeira comunhão, começou a ficar deprimida dias antes. Na foto da cerimônia, ela aparece de vestido, segurando uma vela, com uma cara nada satisfeita. A família sempre foi católica. Cássia, durante uma fase da adolescência, pensou em ser freira. Bem, pelo menos era o que ela dizia. Depois esqueceu o assunto e, segundo ela, tornou-se agnóstica. "Faz anos que não rezo", disse, em algumas entrevistas.

O nascimento das gêmeas a abalou. Destinatária de todas as atenções até então, percebeu que perdera a exclusividade da mãe. Alimentou durante algum tempo certa antipatia pelas irmãs — logo superada pelo extremo carinho que sempre dedicou à família. Tratou de se vingar como podia. Numa manhã, Nanci ouviu um sussurro vindo do quarto do casal.

— Fala baixo, senão a mamãe escuta.

Entrou na ponta dos pés no quarto e surpreendeu Cássia, então com três para quatro anos, com dois alfinetes surrupiados de sua máquina de costura, querendo aplicar "injeção" nas gêmeas que, acuadas, tentavam escorregar para longe.

— É só uma picadinha. Não vai doer — disse, antes de perceber que era observada.»

Apenas uma Garotinha ・A Historia de Cássia Eller
Eduardo Belo e Ana Claudia Landi
Editora Planeta
296 páginas
R$ 35,00


Publicado por Ana Tropicana às 05:09 PM

De Olho No Brasil


De Olho No Brasil de autor desconhecido

Deixo o Meu Brasil entre convulsões, depois das denúncias de Roberto Jefferson acerca dos deputados que foram "comprados" para votar a favor de projectos do Governo no Congresso, em troca do famoso "mensalão". Sei que, entretanto,rebentou um novo escândalo com a aparatosa detenção no Caso Daslu. Aqui nada de novo: as chamas voltam a atiçar-se contra hectares e hectares de floresta, depois do ano mais seco do século, e Portugal arde mais uma vez em lume faminto. Depois de Nova Iorque e Madrid, Londres é o novo santuário do terrorismo.

Seja lá o que for, a verdade é uma só:... Saudades tuas, Meu Brasil, Minha Pátria-Mãe de Adopção!...

Leio AQUI:

«Se ficar claro que houve o repasse de "mesadas" é inevitável refazer as votações sem os deputados envolvidos. Em causa a ineficiência da bancada do PT na Câmara dos Deputados: enquanto o governo Lula leva pancada de todos os lados, raros são os parlamentares petistas a rebater com ênfase as denúncias do mensalão. No primeiro depoimento de Roberto Jefferson na Comissão de Sindicância, a situação chegou a ser patética. Nenhum deputado do PT defendeu o governo petista ou sequer tentou rebater as denúncias de Jefferson. Parece que há um temor generalizado de defender o PT e assim piorar a situação do partido. Parece que os deputados petistas não estão totalmente convencidos com as explicações envolvendo o mensalão.»


E depois AQUI que a polícia invade a sede da milionária loja de luxo Daslu, em São Paulo, com mandato de busca e prisão aparatosa.

«O prédio da Daslu, na Zona Sul de São Paulo, está completamente cercado por policiais federais, que estão realizando uma operação para descobrir se há sonegação de impostos e vendas subfaturadas de produtos desta loja, considerada a mais elegante e cara de São Paulo e que foi inaugurada há 60 dias, em área superior a 4 mil metros quadrados.

Mais de 250 policiais federais estão no interior do prédio da Daslu realizando uma verdadeira auditoria em documentos da companhia, procurando sonegação e outros ilícitos. Eliane Tranchesi, a proprietária da loja Daslu também teve sua casa invadida e mandado de prisão sendo executado por agentes da PF. Eliana Tranchesi, 47 anos, e, segundo ela mesma, em entrevista publicada há mais de mês, "consumista fissurada em bolsa e sapato", vem de família rica e se considera uma comerciante de mão cheia.


Os policiais federais entram e saem da loja. Há um ônibus da Receita Federal na frente, dando apoio à operação. O delegado Sergio Crivelin é quem coordena as operações, e confirmou a ordem de prisão para Eliana Tranchesi. Várias camionetas da Polícia Federal levaram várias malas de roupas e documentos, para a sede da PF na zona Oeste da cidade.»


Infelizmente a novela prossegue, infindável nos detalhes, AQUI.



Publicado por Ana Tropicana às 03:20 PM

julho 14, 2005

«Revelando Brasis»


Cartaz Oficial de FCB

Uma dor... passar por Belém e não poder ficar o tempo suficiente para me sentar no escurinho do cinema, de frente para "cada rincão" deste país!...

De regresso a Lisboa, tentarei acompanhar a partir DAQUI.



O resultado do projeto Revelando os Brasis pode ser conferido no festival de cinema da capital paraense, que começa amanhã e se estende até dia 21 de Julho, sempre às 14h, na Estação das Docas.


Na noite de abertura do 2º Festival de Belém do Cinema Brasileiro, nesta Sexta-feira, será apresentado o making of do projeto. Na abertura da mostra Revelando os Brasis será exibido o vídeo Terra Santa, do paraense Antônio Luis Ferreira Gato.

Revelando os Brasis é uma realização da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, em parceria com o Instituto Marlin Azul, com o objectivo de incentivar a produção audiovisual em pequenos municípios. Foram selecionados 40 vídeos e pertencentes a directores oriundos de cidades com menos de 20 mil habitantes. Com duração média de 15 minutos, os vídeos do projecto foram produzidos em 21 estados brasileiros.

De acordo com o secretário do Audiovisual, Orlando Senna, Revelando os Brasis «é o instrumento efetivo para viabilizar a inclusão cultural de comunidades que sempre permaneceram à margem do processo produtivo dos bens audiovisuais».

Ao lançar o programa, em Maio, no Rio de Janeiro, o ministro Gilberto Gil afirmou que iniciativas como essas «são fundamentais para desvendar a singularidade do povo brasileiro e a especificidade de cada rincão do país».

Segundo o director-executivo do Festival de Belém, Emanoel Freitas, Revelando os Brasis «precisa ser mostrado e divulgado, pois se trata de uma experiência que está ajudando a revelar o Brasil para os brasileiros».

Publicado por Ana Tropicana às 11:06 AM