Cruzes Canhoto!

julho 12, 2004

AMARGOR V / FIM

Posted at 12:26 in POLITICZZZZZZ . | | 41 Comments

Ferro Rodrigues tirou as suas conclusões da decisão de Sampaio. Também devo tirar as minhas. O que aprendi ao longo destas duas semanas com o máximo representante da nação e com vários blogues de direita (não todos, felizmente) foi que a democracia é cara, que provoca instabilidade, que não se deve ouvir os portugueses por tudo e por nada pois não é assim que deve funcionar a democracia.
Aprendi que basta uma pequena oligarquia endinheirada para saber o que é bom para o país, que basta uma única pessoa para tomar as decisões certas e para vigiar as consequências dessas decisões.
Aprendi ainda que a democracia ideal é aquela em que os partidos são o mais parecidos possível uns com os outros de modo a não levantarem ondas nem perturbarem a oligarquia capitalista que nos governa.
A conclusão que tiro destes ensinamentos é acabar com o Cruzes Canhoto. Não me apetece exercer o direito de expressar a opinião a propósito de um país onde ela é vista como "dispendiosa e irrelevante", não me apetece falar sobre partidos em que não me revejo, nem comentar os dislates de um governo circense e muito menos expressar o desprezo que sinto pelo representante máximo da nação.
A decisão é emocional e "de raiva"? Sim, mas foram esses mesmos motivos que originaram o Cruzes, e por isso talvez sejam os melhores para lhe pôr fim. De resto, não conheço outros motivos para se criar o que quer que seja senão a raiva e o interesse.
A minha participação na blogosfera não acaba aqui. O Cruzes Canhoto acaba.

Reflexões Post-Mortem - Alguns amigos, em blogs, comentários e até e-mails mostraram desolação pelo final do Cruzes Canhoto e pediram que voltasse. Agradeço as suas palavra e a eles se destinam estas explicações:

1 - Eu fui mais uma, de numerosas pessoas, que proclamaram a firme intenção de emigrar no dia em que Pedro Santana Lopes chegasse ao poder. Esta posição foi inclusive alvo de piadas no DN e no Avis. Pedro Santana Lopes acabou por chegar ao poder e eu não tenho vida que me permita emigrar - mesmo que não faltasse vontade de passar uma temporada do lado de lá da fronteira. Estou, portanto, em falta comigo próprio e não tenho estofo de político profissional para andar a mandar bitaites inconsequentes. Então, se não emigro fisicamente, emigro ciberneticamente - afinal a Internet serva para irmos onde fisicamente não poderíamos. Isso e para fazer download de pornografia.

2 - Santana Lopes é um político-lux que, tal como o sabonete e a revista, vive mais do invólucro e do marketing que do conteúdo. Tem atrás de si uma vasta carreira política onde deixou um rasto de nenhuma obra, nenhumas ideias e muitíssima propaganda. Agora dizem-nos que lhe devemos dar uma oportunidade, que ele prometeu que se porta bem, que não devemos ligar ao seu passado. No entanto eu, como humilde proletário, quando me candidato a um emprego sou julgado pelo meu currículo, ou seja, pelo meu passado - o mesmo acontece com os funcionários públicos. Porque é que um dos máximos funcionários públicos da nação tem direito ser excepção? E perante o seu notório qual é a legitimidade de não o colocar à avaliação dos eleitores?

3 - Berlusconi também é um político-lux de carreira dúbia. Mas Berlusconi foi eleito pelo povo italiano, que será também a principal vítima das sua más políticas. Contudo o actual governo português é liderado por uma pessoa que não foi eleita e vice-liderado por outra pessoa que foi eleita por menos de 10% dos votantes. Ou seja, a principal vítima dos futuros erros deste governo, a população portuguesa, não tem qualquer culpa na sua eleição. Além de ser uma tremenda injustiça, parece-me que também constitui uma violação da noção de responsabilidade individual - noção essa que até agora parecia particularmente cara aos principais apoiantes blogosféricos da nomeação de Santana Lopes.

4 - A nomeação de Santana Lopes é também o culminar da degradação da qualidade dos políticos. Se antes eu dizia que emigrava se PSL chegasse ao poder, hoje hesitaria muito antes de dizer que antes um tiro na cabeça que ver Avelino Ferreira Torres como primeiro-ministro.
Se a degradação de qualidade deve-se, por um lado, ao baixo salário dos políticos, deve-se também à crescente percepção que um governante não faz nada e limita-se a gerir interesses. Entra-se então num círculo vicioso em que as pessoas mais empreendedoras e criativas são desviadas para outras áreas, como os negócios e as ONGs, e para o governo vão os testas-de-ferro, os políticos pepsodent, como Santana ou Sócrates, cuja única utilidade é usar gravatas e esconder grupos de interesses, que os usam para desviar benesses do Estado para si próprios.
Esta situação não é inócua ou inevitável. Pelo contrário, representa o triunfo da canga ideológica conservadora, que prefere um estado imobilista e imobilizado, cujo único fim é o de sustentar as elites já existentes.
Ferro Rodrigues é a perfeita antítese da política pepsodent - é feio, fisicamente tosco, emotivo, idealista, pensa pela sua cabeça, tem causas e não se comporta como um habitante permanente da casa do Big Brother.
Sampaio, ao escolher entre Santana e as eleições, não escolheu só entre partidos. Escolheu entre formas de fazer política. E ao escolher Santana optou por uma política de direita, não só a nível programático - como se viu no caso de exigir que o programa do PSD-CDS fosse cumprido!!! -, mas ao nível profundo do entendimento da política - optou por uma política conservadora, de defesa das elites, de imobilismo e de pasta dentífrica. Por isso Sampaio não traiu os seus "amigos do golfe" ou do partido, traiu os princípios da ideologia que professava, traiu o seu percurso de vida, traiu as pessoas que votaram nele, e não votaram no Cavaco Silva ou no Ferreira do Amaral porque julgaram que, quando chegasse a altura, Sampaio decidiria em fidelidade aos seus princípios. Isso não aconteceu. Ferro percebeu. Percebeu que o que Sampaio dizia é que ele era um político passadista, pertencente à extinta raça de políticos de causas, que estão na política para puxar pela sociedade, e não para irem atrás dela. Ferro percebeu e fez o que se esperava dele, extinguiu-se para dar lugar aos socialistas pepsodent.

5 - Quando o Cruzes Canhoto nasceu, fê-lo numa altura excitante, quando se debatia uma questão importante - a legitimidade da guerra do Iraque. Essa legitimidade não era uma questão pontual mas configura-se numa "canga ideológica" de interpretação do direito internacional e dos direitos humanos. Por isso se desenterrou Santo Agostinho, Clausewitz e muitos mais. É este género de política que me interessa, aquela que tem implicações na moral, na filosofia, na sociedade e nas relações humanas. Interessa-me a deslocalização dos ministérios dentro do impacto que tal decisão tem ao nível da concepção do Estado, do seu papel interventivo na sociedade e da relação que mantém com os cidadãos. Interessa-me relacionar esta medida com o sistema medieval, em que o rei andava de terra em terra a distribuir sacos de ouro e a ouvir as queixas, e compreender como indica uma concepção dos ministérios como confessionários e doadores de cheques aos profissionais da área e não como centros de planificação, coordenação e intervenção das áreas a nível nacional (não é surpresa nenhuma que o João Miranda defenda a ideia com unhas e dentes). É-me perfeitamente indiferente se o Ministério das Porcas e Parafusos deva ficar em Cucujães ou na Rebolosa. Sampaio decidiu dizendo que a escolha é entre Cucujães e a Rebolosa e não entre um estado interventivo ou um estado reactivo. Ele escolheu. Eu percebi.

6- Estamos perante um governo demagógico, que não hesita em usar a meia-verdade ou mesmo a mentira, e propaganda q.b. para se proteger. Viu-se no caso de Manuela Ferreira Leite, viu-se no caso da nomeação para Ministro das Finanças onde os impressionantes nomes que eram acenados afinal parecem nem ter sido contactados. Isso não torna o governo mais perigoso e logo mais urgente a sua desmistificação? Talvez, mas o facto das ideias que Santana Lopes não terem qualquer estrutura ideológica que as sustente fazem que não sejam mais que fumo, que desaparecem ao mínimo sopro. Viu-se no Parque Mayer e no Túnel, que nem os milhões de cartazes conseguiram esconder. Mentiras e fumo são sempre efémeros.

7- O maradona, um gajo nitidamente maluco, diz que não me dou bem com a democracia e não compreende a distinção entre "legal" e "politicamente ilegítimo". Para mim a legalidade é o que deriva das leis escritas, legitimidade o que deriva da vontade maioritaria do povo. Incidentalmente, os meus dicionários dizem que a democracia é a "soberania do povo no seu conjunto". Não notei, contudo, que o povo fosse tido ou achado na presente crise e parece-me que a maioria que elegeu Sampaio não o fez dentro dos princípios que ele agora aplicou, como já expliquei atrás. Admito, de facto, que conheço várias autoproclamadas "democracias" e "repúblicas democráticas" em que as decisões de governo são tomadas por uma maioria de um. Admito que não me dou bem com esse género de "democracias".

8- De todos os comentários sobre o fim do Cruzes, o mais perspicaz deve ter sido o do jmf. Sim, o Cruzes Canhoto tentou ser um blogue guerrilheiro, polemicista, inconformado, irreverente e de causas, que não hesitou em recorrer a argumentos populistas para as defender, ao contrário do Santana Lopes que tem argumentos populistas sem ter causas. Enfim, um blogue romântico, se me tolerarem a pretensão, para o qual a melhor morte que pode haver é esta: subitamente apunhalado pelas costas.

9- Peço desculpa por ter tirado este post do ar, dando assim a impressão de ter voltado atrás, mas não me lembrei que quando se edita uma entrada em rascunho ela desaparece do blog. Sou, infelizmente, demasiado telhudo para voltar atrás nas minhas decisões, além de que me recordar que o actual "primeiro-ministro" (o meu cérebro ainda se recusa a acreditar que isto não é um episódio extralongo do Contra-Informação) há uns anos jurou a pés juntos que abandonava definitivamente a política. Voltar agora atrás seria imitá-lo. Isso seria muita vergonha junta.

10- O Cruzes Canhoto acaba, com pena minha também, mas eu não acabo. A blogosfera é um ecossistema demasiado vertiginoso, demasiado dinâmico, enfim, demasiado vivo para ser assim abandonado. De certeza que voltarei mais cedo do que esperam.

Até já.



AMARGOR IV

Posted at 12:03 in POLITICZZZZZZ . | | 10 Comments

Ferro fez bem em demitir-se. Fez bem pois a conclusão óbvia da decisão de Sampaio é que este não confia no PS para formar governo - nem mesmo lhe dá hipótese de ir a eleições antecipadas. Fez bem pois a conclusão das promessas de vigilância ao novo governo por parte de Sampaio significam simplesmente que este não reconhece competência à oposição para fazer essa vigilância. Fez bem pois Sampaio violou a legitimidade democrática e transformou Portugal numa oligarquia durante dois anos (pelo menos), sob o governo do novo partido PP-D (Partido Populista Designado). E oligarquias não gostam particularmente de oposição democrática.
Ferro não fugiu, ao contrário do que o órgão oficial do PP-D (desculpa, Zé Mário) diz. Mas a sua demissão empobreceu ainda mais a democracia portuguesa, pois implica que o PS vai guinar para a direita, tornando-se assim uma fotocópia do PSD (José Lamego) ou Partido Guterrista versão 2.0. Ou seja, os milhões de portugueses que deram uma derrota honrosa nas legislativas e a uma vitória estrondosa nas europeias a Ferro, vai deixar de ter representatividades democrática. Isso implica que uma única canga ideológica vai passar a ser válida democraticamente, pelos vistos para grande satisfação do MacGuffin que vê assim sem concorrência a canga, palas, arreios e carroça ideológica de um reaccionário do séc. XVII.



AMARGOR III

Posted at 11:40 in POLITICZZZZZZ . | | 8 Comments

A decisão de Sampaio foi legal, mas foi ilegítima. Pois uma das primeiras medidas que Santana Lopes prometeu foi a transferência de ministérios de Lisboa para outras cidades do país.
Eu concordo com esta medida, mas ela implica custos enormes - de criar infraestruturas nas cidades de destino, de indemnização dos funcionários forçados a deslocarem-se ou a passarem à reforma antecipada, de transferência de arquivos, equipamentos e demais materiais. Custos estes em relação aos quais as Despesas de eleições seriam uma ninharia, para além de estas permitirem às pessoas afectadas pela medida - e são milhares - expressarem a sua posição sobre a mesma, coisa que não acontece com o golpe palaciano que temos perante nós.
Perante esta proposta só há duas conclusões: um, o argumento economicista sobre as eleições era falso e mentiram-nos; dois, Santana Lopes já começou a fazer "simulação política", o que diz bem do que aí virá. E nesse caso, estamos perante uma das raras situações que tem apenas um, e bem identificado, culpado: Jorge Sampaio.



AMARGOR II

Posted at 11:25 in POLITICZZZZZZ . | | 9 Comments

A decisão de Sampaio foi legal, mas foi ilegítima. Porque assentou na chantagem de grupos económicos, que acenaram com a instabilidade, será que os blogues de direita que aprovaram a decisão também a aceitariam se a chantagem fosse feita pelos sindicatos?
A decisão de Sampaio foi legal, mas foi ilegítima. Porque um governo saído da sua decisão, de quem o próprio presidente mostrou desconfiança ao designar, ameaçando-o com vigilância apertada e dissolução, não tem as mínimas condições para governar.
A decisão de Sampaio foi legal, mas foi ilegítima, pois as garantias que dá de viligância do governo são inconstitucionais e impraticáveis e logo são uma rotunda mentira destinada a tapar o sol com um filtrozinho de café.



AMARGOR I

Posted at 11:00 in POLITICZZZZZZ . | | 7 Comments

Toda a gente o disse: a decisão de Sampaio não é ilegal, é ilegítima. É ilegítima porque o governo PSD-PP se dissolveu por acção própria e devia ter sido referendado. É ilegítima porque Santana Lopes tem assumidamente um estilo e um pensamento político diferente de Durão - prova-o as vezes que foram rivais na liderança do PSD. É ilegítima porque a coligação que governará o país terá uma natureza totalmente diferente e circunstâncias totalmente diversas das do governo anterior: os ministros serão quase todos remodelados e vêm aí eleições regionais, eleições presidenciais, eleições autárquicas e eleições legislativas (se é que as haverá, visto que são tão onerosas e desestabilizadoras, porque não aboli-las de vez?)
É ilegítima porque a obrigação de o governo cumprir o programa é mera ficção, visto que até agora não foi cumprido minimamente - onde está o "choque fiscal", o TGV, Portugal na cabeça da Europa?



Ah!? Sampaio é de Esquerda ! Pois.

Posted at 10:48 in POLITICZZZZZZ . | | 3 Comments

Depois de Ana Gomes, a melhor frase.



julho 9, 2004

EM DEFESA DA NUMERACIA LIBERAL

Posted at 12:04 in POLITICZZZZZZ . | | 12 Comments

O Jaquim horroriza-se com a ideia, entre outras, defendida pelo Bloco de Esquerda para as autárquicas de Lisboa, de diferenciar nas portagens o pagamento dos carros consoante o número de passageiros.
Perante tal ideia, amedronta-se o Jaquim com as filas intermináveis de carros à medida que os funcionários tentavam desesperadamente contar o número de passageiros.

Vejamos esta imagem.

A maioria das pessoas de esquerda olha para esta imagem e diz imediatamente: "Três budas". Acredito piamente que nesta altura o teu cérebro esteja a raciocinar furiosamente: "Um buda... Dois budas... 47 budas... Não, não, não, a seguir ao dois não vem o 47. Será que a seguir ao um vem mesmo o dois? Talvez venha o 10. Afinal um mais zero é menos que dois. Então um buda, 10 budas, 47 budas. Não, não, não pode ser."
Pois é, nós sabemos que há muita gente de direita que tem grandes dificuldades a contar, que muitas vezes se traduzem em declarações de IRS incorrectas. Mas asseguro-te que há também pessoas que identificam automaticamente quantidades inferiores a 10, ou pelo menos a 5.
(Podes parar de pensar, JCD, garanto-te que são mesmo três budas.)
Há pessoas que, não tendo tal capacidade, procuram resolvê-la através sofisticados métodos. Um deles, nomeadamente aplicado a calcular o número de passageiros em carros ligeiros, consiste na equação x=y-z sendo que y = 5, z = número de lugares vagos e X =< 5 (sendo que se x > 5 o funcionário deverá passar uma multa ao condutor do carro ou fazer um teste do balão a si próprio).
Outro método avançado, muito utilizado por fachos inteligentes e crianças, é levantar um número de dedos de uma mão igual ao número de pessoas, contando-se assim o número de dedos.
Mas, se me perguntares, realmente não sei como é que os vários estados americanos que têm vias só para carros com dois ou mais passageiros conseguem contar o número de ocupantes de cada carro sem perturbar o trânsito, mas suspeito que a maior parte dos controladores seja do Partido Democrata.
Do mesmo modo, não tenho bem a certeza como é que nas portagens portuguesas conseguem distinguir tão depressa os veículos ligeiros dos pesados e aplicar a tarifa correspondente. Eu demoro pelo menos uns dez minutos a calcular as dimensões antes de conseguir distinguir um Toyota Yaris de um TIR Volvo FH16.
Incidentalmente, a maioria das propostas do BE que te parecem absurdas são recomendadas por entidades internacionais ou mesmo postas em prática em vários países: Londres instituiu recentemente portagens na baixa e várias cidades holandesas só permitem o acesso de carros de moradores ao centro.
Caso queiras saber mais sobre a origem e efeitos destas medidas podes ver este site e este. Claro que, como bom liberal, imagino que te preocupem mais os efeitos económicos das medidas que o facto de, segundo a OMS já haver mais mortes devidas à poluição atmosférica das cidades que por acidentes de trânsito.
Bom, e agora quando é que nos dás uma divertida análise das propostas do actual presidente eleito da Câmara de Lisboa, e sério candidato a governante de Portugal, na sua campanha autárquica? (O casino boiante ou com rodinhas - não se chegou a perceber bem - e o túnel sobre o Marquês já conhecemos.)
Enquanto nos preparas tal post, deixo-te um complicado puzzle para resolveres no fim-de-semana. Se não conseguires dou-te a solução na segunda-feira.

Diz quantos burros estão nesta imagem:

P.S. - Oh, eu sei, eu sei, os gajos de esquerda, mesmo sabendo contar, nunca apresentam propostas credíveis e limitam-se a criticar e a satirizar, ao contrário de ti que nos próximos 3 minutos nos vais expor as tuas soluções para o trânsito, poluição e desertificação dos centros da cidade (que sem dúvida giram à volta de terraplenar as zonas antigas para contruir auto-estradas modernas, com múltiplos centros comerciais e arranha-céus, baixar o imposto automóvel e o imposto dos combustíveis. Quanto à poluição, quem quiser andar a pé que compre máscaras de gás.)



EM DEFESA DA PUREZA IDEOLÓGICA III

Posted at 10:34 in POLITICZZZZZZ . | | 5 Comments

AAA (agora com nova casa) classifica Fukuyama de herético e defendo que seja apagado da fotografia.



EM DEFESA DA PUREZA IDEOLÓGICA II

Posted at 10:32 in POLITICZZZZZZ . | | 6 Comments

João Miranda demonstra a irrefutabilidade do progresso irreversível e teleológico das ideias liberais.



EM DEFESA DA PUREZA IDEOLÓGICA I

Posted at 10:28 in POLITICZZZZZZ . | | 1 Comments

Intermitente acusa Fukuyama de revisionismo e defende a sua reeducação ideológica.



julho 8, 2004

ANAL ART

Posted at 16:52 in Showblitz . | | 5 Comments

(Obviamente, este título serve apenas para garantir ao Cruzes uma enchente de visitantes com taras sexuais relacionadas com a primeira palavra.)

Continuando a ler este manancial de informação indesejada:

Josef Pujol was born in Marseilles in 1857. He soon discovered that he could control the muscles of his abdomen, like a bellows. When he synchronised this with careful control of the muscles of his anus, he found he could easily move two litres of water in and out of his colon - purely under voluntary control. He soon moved up to moving air in and out. He started off doing tricks for his friends. Of course, he would give his colon a thorough wash out before any performance, so there were never any embarrassing odours. His "natural" vocal range was only 4 notes - do, mi, sol, and do again.

His first professional performance in 1887 met with mixed reviews, but he persisted. His career rocketed when he began performing at the Moulin Rouge music hall in Paris in 1892. He would appear on stage elegantly attired in red cape, black trousers and white cravat, with a pair of white gloves casually held in his hands.

After more sonic impressions, including farting the Marseillaise, he would delicately retire off-stage, to insert a tube into his anus. Back on stage, he would further entertain the audience by using the tube to play various wind instruments, and to smoke a cigarette right down to the butt. He could even blow out candles at 30 cm.

He was immensely popular. At one stage, he was earning 20,000 francs per week, two-and-a-half times more than Sarah Bernhardt. Even the King of Belgium came incognito to see him. But in World War I, two of his children were disabled. He then retired and died in 1945.

Como é possível que a Wikipedia ignore este portento artístico? E como se chama a um artista que toca o seu próprio ânus?



MAS EM COMPENSAÇÃO, OS AUSTRALIANOS...

Posted at 16:26 in SMS (Ser Mais Surreal) . | | 3 Comments

Televisão autraliana censurada por criar um site sobre flatulência, onde se ensinam as crianças a ter melhores gases e se pergunta às celebridades as suas mais queridas memórias gasosas.
Em compensação, ninguém censura o governo por participar num novo programa de mísseis balísticos que, vendo bem, até têm muita coisa a ver com o dito site.

Excerto do site:

The magnificent fart
The average fart is a wondrous event. Let me demonstrate with a little experiment. Link the fingers of your two hands tightly together to make a little cup. Imagine that in the cup of your hands you have some water, some floating solids and some gas. Imagine the whole system is under pressure. Now try to open one of your fingers in such a way that you release only the gas, without letting any solid or liquid squirt out.

I really doubt that any device made by the human race could do this task, and keep on doing it for some 70 years. This is the magnificent job that your anal sphincter does some 10 times per day, without fail.

Recomendo que leiam tudo, pois não há mais sítio nenhum da net com informações tão interessantes sobre algo que pratiquemos tão assiduamente.



UNIVERSIDADE NEGA CURSO A ESTUDANTE INVISUAL PORQUE O SEU CÃO FALA FRANCÊS



A VERDADE SOBRE A COMUNA ANARCO-SINDICALISTA

Posted at 12:56 in Showblitz . | | 4 Comments

Esqueçam os cocos, as andorinhas africanas, os cavaleiros da távola redonda e o Clark Gable. O verdadeiro Artur tem cavaleiros sármatas, luta pelo império, acredita na democracia e na tolerância religiosa, é ateu e a favor da Guerra do Iraque.
Põe estes princípios em prática andando coberto de bosta como o resto dos seus súbditos.



LAVADINHO BONITINO VS GORDO CARECA

Posted at 12:43 in POLITICZZZZZZ . | | 1 Comments

A BBC compara os vices americanos. Alguns destaques:

The incumbent: Dick Cheney
Age: 63
Background: Born in Wyoming into middle-class family, son of a soil conservation agent. Won a scholarship to Yale.

The hopeful: John Edwards
Age: 51
Background: Born in South Carolina into working class family, son of a mill worker. Earned law degree from the University of North Carolina.

Leanings: Hawkish social conservative. Key proponent of the war in Iraq, has voted against abortion rights, gun control and the Equal Rights Amendment

Leanings: Liberal for a southerner; favours abortion rights. Wants to roll back tax cuts for wealthiest Americans, and opposed the $87bn supplemental spending package last year to fund operations in Afghanistan and Iraq.



JET-SET NÃO VOTA SANTANA



QUANDO O JOGO CORRE MAL...

Posted at 10:27 in POLITICZZZZZZ . | | 3 Comments

A culpa é do árbitro!

O receio de eleições antecipadas levou a que o PSD e o CDS começassem a delinear estratégias para esse caso e que passam por culpar o Presidente da República.
Nunca do jogador que resolveu ir dar uma voltinha.



julho 6, 2004

GUGU (REPRODUZAM-SE) DADA

Posted at 17:15 in SMS (Ser Mais Surreal) . | | 0 Comments

TV Singapura lança Big Brother Gravidez para incentivar a fertilidade. Are you sure about this?



PRIMEIRO PRINCÍPIO DO CAPITALISMO REVELADO

Posted at 17:05 in Fetos Diversos . | | 5 Comments

Estudo diz que xaropes caros e intragáveis para a tosse comprados na farmácia são tão eficazes como água com açucar.



OS MALEFÍCIOS DA LITERATURA LIGHT

Posted at 14:35 in A minha mãe é uma avestruz . | | 0 Comments

Não tenho propriamente grande coisa contra a literatura de supermercado, cujas capas são quase indistinguíveis das caixas de detergente para a roupa, excepto quando a dita se dedica a insultar pessoas.
No caso deste artigo da Margarida Rebelo Pinto, aconselhava o Miguel Sousa Tavares a processar a dita por ofensas à mãe.
Reparem:

Foram as suas histórias infantis que me ensinaram, naquela idade em que só sabemos o que sentimos e por isso sabemos muito mais do que hoje, que a realidade e a ficção são a mesma coisa.

Aqui, por exemplo, acusa-se Sophia de causar esquizofrenia às crianças. Ninguém faz nada?


A fada Oriana, minha preferida, é uma história absolutamente exemplar. Não fossemos um país na perifeira da Europa com muito mais ilusão do que dimensão e os estúdios da Disney já cá tinham vindo comprar-nos a ideia.

Nunca obra de Sophia para infância foi tão difamada.

E vi, nos olhos azuis do meu filho, a mesma chama, a mesma paixão, o mesmo encanto que há trinta anos ela me despertara.

A poetisa é acusada de inspirar a literatura light e fomentar a futilidade.

Acredito, embora reconheça que neste crença não exista fundamento (e em qual é que existe?)

O niilismo da Margarida.



PARABENIZAR É FIXE E FAZ BEM À ARTERIOSCLEROSE

Posted at 14:21 in MÁXIMAS UNIVERSAIS . | | 0 Comments

Ao Antcolony
Ao Ivan
À Papoila pelo novo ciclo solar
Ao Paulo



julho 5, 2004

MULHERES NO EURO

Posted at 11:45 in MÁXIMAS UNIVERSAIS . | | 2 Comments

Não recomendado a almas sensíveis com bigode, que acham que o território das damas fica algures entre o trópico de cozinha e o meridiano de quarto de dormir.
(COM FOTOS!!!)



JÁ TEMOS A NOSSA DAMA DE FERRO



E OS ADEPTOS ESTÃO DE PARABÉNS

Posted at 10:53 in SMS (Ser Mais Surreal) . | | 5 Comments

Pelo desportivismo que mostraram. Afinal, nem apedrejaram o Figo, nem nada.



FICOU A PUBLICIDADE TURÍSTICA

Posted at 10:42 in Fetos Diversos . | | 5 Comments

(Mesmo se um tanto cara).

Here are a few of our other favorites during a crazy two weeks in this beautiful country:

Best fans: You have to hand it to the Dutch. Not only did they have the "Great Orange March" through the streets of Lisbon to the semifinals, but they had the wackiest outfits, too. One guy was wearing a hat with wooden slippers glued to it.

Best moment: The penalty-kick victory for Portugal over England in the quarterfinals. Drama, controversy, and a star player (David Beckham) failing at a key moment.

Best city: Porto. The way the city rises up from the river, with the Port wine cellars at the base and the winding cobblestone roads leading to the top, makes this a great place to wander around -- even if your legs are burning when you're done.

Best food: The eel stew was, uh, interesting. But we preferred the salted cod, with the vinho verde (green wine).

Best comment: "His last name is Deco. What's his first name? Art?" -- from an unknown English fan
Star Ledger



OS EUROPEUS INVENTARAM A INTERNET, OS AMERICANOS VENDERAM-NA

Posted at 10:21 in O meu artigo de opinião dava uma telenovela mexicana . | | 6 Comments

Um artigo para reflectir, e talvez mudar(via A&L):

European intellectuals have to note that Europe as an institution is gaining power, as a public space however it hardly exists. At the same time, the public has become entirely globalised on the net, as the debates after 11 September have shown. The big American media put a lot of archive material on Afghanistan, bin Laden and terrorism online then, and a week later one could observe that the German Spiegel was quoting entire paragraphs from the New Yorker without however naming the source.

(Já não é só a Clara Pinto Correia.)

The New York Times practises one of the most accessible and best Internet service of all quality newspapers and according to its own sources makes a profit from it. American cultural journals are also much more generous with their content. Often, they have sponsors. They are not primarily interested in selling their contents but in disseminating them to the widest possible audience. They are opening up to an audience that previously hardly took note of them and which today finds them simply via Google.



NÃO HÁ ABRE-LATAS...

Posted at 10:13 in MÁXIMAS UNIVERSAIS . | | 5 Comments

Não se comem os pêssegos em calda!

(Vá lá, animem-se! Lembrem-se que há sérias probabilidades de o Santana Lopes vir a ser primeiro-ministro. Haverá evento mais hilariante?)



julho 4, 2004

PAI DO LIBERALISMO ENGANOU-SE

Posted at 17:41 in POLITICZZZZZZ . | | 8 Comments

It is perhaps in light of experiences like these that Milton Friedman, dean of free-market economists, said a couple of years ago that his advice to former socialist countries 10 years earlier had been to 'privatise, privatise, privatise.' 'But I was wrong,' he added. 'It turns out that the rule of law is probably more basic than privatisation.' The cost of learning this lesson was high.
Francis Fukuyama no Guardian, defendendo o estatismo.

O que será que este pessoal vai dizer agora?



O QUE CABE DENTRO DE UM POEMA

Posted at 14:46 in Showblitz . | | 7 Comments

Sempre a poesia foi para mim uma perseguição do real. Um poema foi sempre um círculo traçado à roda duma coisa, um círculo onde o pássaro do real ficou preso. E se a minha poesia, tendo partido do ar, do mar e da luz, evoluiu, evoluiu sempre dentro dessa busca atenta. Quem procura uma relação justa com a pedra, com a árvore, com o rio, é necessariamente levado, pelo espírito de verdade que o anima, a procurar uma relação justa com o homem. Aquele que vê o esplendor do mundo é logicamente levado a ver o espantoso sofrimento do mundo. Aquele que vê o fenómeno quer ver todo o fenómeno. É apenas um questão de atenção, de sequência e de rigor.
(...)
A moral do poema não depende de nenhum código, de nenhuma lei, de nenhum programa que lhe seja exterior, mas, porque é uma realidade vivida, integra-se no tempo vivido. E o tempo em que vivemos é o tempo duma profunda tomada de consciência. Depois de tantos séculos de pecado burguês a nossa época rejeita a herança do pecado organizado. Não aceitamos a fatalidade do mal. Como Antígona, a poesia do nosso tempo diz: “Eu sou aquela que não aprendeu a ceder aos desastres”. Há um desejo de rigor e de verdade que é intrínseco À íntima estrutura do poema e que não pode aceitar uma ordem falsa.

Sophia de Mello Breyner, 11/07/1964



A CAPITALIZAÇÃO DO FUTEBOL

Posted at 14:40 in Showblitz . | | 7 Comments

É muito provável que a primeira bola de “foot ball” tenha sido trazida de Inglaterra para o nosso país por membros da família Pinto Basto, dona da Vista Alegre. Mas o jogo democratizou-se rapidamente (...) e em emados do séc. XX verificamos que os mapas das concentrações industriais e futebolísticas do país se ajustam. O crescente poderia da Cintura Industrial de Lisboa repercute-se nos sucessos futebolísticos do Barreirense e da CUF...
O futebol era um divertimento barato, adequado a bolsas pobres. Jogava-se aos domingos à tarde, o único dia da semana livre de trabalho. Os sócios não pagavam para ir aos jogos. Os campos (...) dividiam-se em três classes – o peão (pé, as superiores (segunda classe, atrás das balizas) e as bancadas – todas com lugares expostos ao sol, ao vento e à chuva. Ia-se e vinha-se do futebol de transporte público. A Bola era uma “bíblia” que só podia andar debaixo do braço de gente que apenas vestia fato aos domingos – os que usavam gravata para ir trabalhar ou não liam ou não queriam que se soubesse que a liam. Gostar de futebol era “baixo”, coisa pouco própria e mal vista pelos intelectuais.
Os ídolos da bola, glorificados em pequenas biografias profusamente ilustradas numa colecção dirigida por Henrique Parreirão, eram heróis da classe operária e da pequena burguesia, com ascensão social limitada.
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A estabilização económica e política do país lograda durante a década cavaquista (...) corrigiram este movimento... O novo quadro da I Divisão passou a representar menos a vitalidade económica das zonas e regiões onde os clubes se inseriam e mais a crescente importância do poder autárquico. (...)
A par desta mudança na infra-estrutura económica e na superestrutura política, assistimos a um lento mas seguro upgrade social e cultural do futebol, exponenciado pela explosão dos canais privados de televisão...
O futebol deixou de ser o jogo de domingo à tarde (...), passou a haver futebol à sexta à noite, ao sábado de tarde, ao sábado à noite, ao domingo à tarde, ao domingo à noite e à segunda à noite.
Ao inundarem-no de dinheiro, [as televisões] transformaram o futebol num negócio, os clubes deixaram de poder ser geridos por amadores, e foram obrigados a transformarem-se em sociedades anónimas, com impressionantes volumes de negócios anuais.
O resultado final de toda esta profunda transformação é a de que o futebol deixou de ser um espectáculo barato. Joga-se quase todos os dias em estádios modernos, com todos os lugares marcados e protegidos dos rigores dos elementos e em que as empresas compraram, ao preço de T5 dúplex com vistas para o mar, o direito de usar camarotes onde os seus convidados beberricam um copo de vinho branco, enquanto apreciam o jogo, jantam no intervalo e vêem na televisão as repetições dos golos e dos lances polémicos. (...) Passou a ser compatível ter o estatuto de intelectual e passear A Bola debaixo do braço.

Jorge Fiel, A caixa que mudou o futebol, revista UPorto