janeiro 22, 2004

Esse sulco de luz

.......... Abriga no teu seio este vento, turbilhão
das pétalas dispersas de mim.
.......... Desenha a atmosfera quente - marítima -
das tuas asas em nós.
.......... Tronco amniótico: essa tua estátua
ardente - em que me diluo.


.......... Uma lua gravita.


.......... Sopra um sorriso de plenitude; um
rio a salpicar nos ombros.
.......... Adormece numa maré, sê inteira,
sexuada, flor em chamas.
.......... Pétala ou abóbada: em ti cresço,
orvalho numa falésia.


.......... O crepúsculo adensa-se.

Publicado por daniel veiga em 11:29 PM | Comentários (0) | TrackBack

janeiro 10, 2004

supercalafrágil

convalescença.
palavra mais estranha...
rima com quê?

Publicado por daniel veiga em 12:11 AM | Comentários (2) | TrackBack

janeiro 06, 2004

den(tru)ísmo

morde abraça beija rebola e prende para
soltares de seguida sem a fera interior
a definir o futuro breve morde agora
que o instante nos chama abraça a dúvida
para a destruires com o teu fogo avança
nos meus recuos chama a voz da espuma para
reatraires um gesto de loucura e prende
já este uivo que se solta no momento
em que voltas e te dás para te prenderes
ao desejo que te liberta solta solta
solta os membros que agora abraçam o corpo
novo que desenhamos os dois rasgamos correntes
que não nos ferem para criarmos laços
que mastigamos na doçura do abandono e ainda
morde a sanidade que nos chama à terra e salta
para dentro de nós que a pele ferve de antecipação
e aqui arde a lareira do nosso ser sê tu ou nós
ou que queiras que não há nomes que aprisionem
o significado desta entrega que desamarra e
potencia o beijo a loucura eminente sem um
leito que restrinja este rio que destroi
a cama ou o chão e nos oferece asas que amamos
e batemos com elas na cara do vento e passamos
a desejar não possuir nada estar apenas em
fogo e seiva em nós e fora de cada um dentro
do interior fora do exterior mais além
e anteriormente à mente que aqui se cala no
silêncio abrupto da paixão...

Publicado por daniel veiga em 09:35 PM | Comentários (1) | TrackBack

janeiro 04, 2004

hemis fé rio

...acreditar num equilíbrio
que não me visitou, ver
soluções que a minha
cegueira satiriza certeira-
mente? Caminho de boleia
das pegadas que me escapam
ou vergo-me às arrecuas
apagando o rasto do futuro?

Serenamente me visitarei.
Sonho com esse encontro:
a minha sombra lambe-me
as cicatrizes (desconhece
a convalescença), o meu corpo
repousa no seu cansaço e
eu estendo-lhe a mão - é ele
que me puxa, "senta-te e descansa"...

Publicado por daniel veiga em 11:00 PM | Comentários (0) | TrackBack