setembro 30, 2004

Coisas para voar...


E nesta imagem, temos um avião normal e um airbus.



(Assim não dá, assim não dá mesmo...Desculpem lá, vou ali recompor-me)

Publicado por cotadaembolsa em 06:51 PM | Comentários (3)

"Al-khimia"

Cheguei tarde e jantei só.
Castigo absolutamente merecido, para quem nasceu em conflito com a “noção de pontualidade".
Não sei bem o que jantei, agora que já passou, apenas me lembro de ter devorado o, sempre desconcertante, Telejornal, com uma tranquilidade pouco vulgar.
No País,  apenas uma fraca Tragicomédia Grega, indigna do Teatro de Siracusa. 
Felizmente ninguém nos conhece lá fora, felizmente a vergonha fica dentro de portas como em “Casa de Família honrada”.
E para quem não sabe, a consequências política que a Ministra da Educação retira, da balbúrdia que esta a levar à loucura os que ensinam os nossos filhos, é:
«Ser Ministra da Educação, dá imenso trabalho».

Brilhante...
- Cara Senhora, espero que não durma esta noite. Far-me-à companhia, é que, não sei em que estado de descompensação estará o professor a quem vou entregar a filha e isto preocupa-me um bocadinho.
Menos mal que, vamos à cabeça da manada em alguns pontos comuns a paises desenvolvidos. Os portugueses estão mais gordos, sofrem mais do coração e têm o colesterol elevado. Em vez de beber, comemos para esquecer a desgraça, tá visto.
Libertaram as Simonas italianas. Fiquei satisfeita. Raramente acontece.
Quando nos aventuramos a comparar as mágoas caseiras, com as Notícias do Mundo, achamos que a nossa simples "vidinha de Casa", em nada fica a dever ao Éden.
Lá fiquei a ouvir as Simonas e a rogar pragas à tradução simultânea, porque aquela gente eu gosto de ouvir sem mácula:
«Eles pediram-nos desculpa e queremos voltar ao Iraque».
Inicialmente, o paradoxo pareceu-me ter por base o clássico fascínio raptor/raptado, depois percebi que se tratava apenas do poder das ligações afectivas, a uma cultura e a um povo. Estas italianas viviam no Iraque há já alguns anos. 
Apesar da minha obsessão por novas culturas e "modos", conhecer "um árabe" nunca foi sonho que alimentasse. Não tenho nada contra árabes ou contra a sua religião mas não gosto de extremismos, sejam políticos ou religiosos e eles são exímios no exagero.
Pois é, mesmo assim, conheci.
A Latifa e o Majid são, tão só, o Recuerdo de mais uma viagem.
Bom, não daquelas minhas Viagens Refrigério, em que vou ao Deus dará, e seja o que Alá quiser. Esta, foi particularmente programada e por isso saiu da pior maneira possível.
A páginas tantas, estava presa na “Jaula Dourada Resort ***** ”, e tudo mais era deserto.
Antes de cometer uma loucura, mas já depois de ter dito mal da minha vida, vezes sem conta, aparecem-me estas duas figuras, provando que o velho lema de que «nada é perfeito», é valido para as imperfeições.
Não sou de desconfiar sem motivo, mas confesso que quando percebi o arabesco da coisa, me meti a olhar para o ar à procura de aviões descontrolados contra o meu Resort.
A vida só me prega partidas e afeiçoei-me às criaturas. Devo aqui dizer que, tudo começou por um voluntariado forçado. As criaturas afeiçoaram-se a mim ainda antes do assunto ser paritário. Para todo lado onde ia, os árabes preenchiam a minha sombra.
Pensei no meu passado, vasculhei o mais profundo fosso das minhas anteriores vivências e não me lembrava de ter insultado o Corão.
Bom, «querem ser mesmo meus amigos», pensei.
O meu francês saiu manco (imaginei o exemplar castigo que levaria se a "Ma Mére" me tivesse ouvido pontapear os verbos de forma tão deselegante. Personifiquei a desonra do Franco-Colégio). Mas como de costume, lá me safei sem grandes vergonhas, se pensarmos no que teria sido uma tentativa de balbuciar um "se" na língua mourisca.
Deliciei-me durante 7 dias.
 Sorvi, avidamente, cada "conto" sobre os seus costumes e apenas os perdia de vista nas horas em que recolhiam ao quarto, para as 5 orações diárias, ou para fazerem amor (aqui entre nós, aposto que em igual número).
Assisti a algumas orações boquiaberta. Ficava no jardim do hotel, contíguo ao seu quarto esperando-a, já pronta, para nova viagem aos Shopping’s a 50 km da Clinica de Luxo enquanto ela, consumista exacerbada, se lavava a correr, vestia a túnica, metia o lenço, estendia uma toalha branca no chão e se voltava de joelhos para Meca que, quando não sabemos onde é, basta virar o rabo para o oceano (as coisas que eu aprendo...).
Não estando particularmente interessada na inspecção da segunda actividade, vim mais tarde a saber que a Latifa não usava verniz porque, após cada contacto sexual, a água deveria tocar todo o corpo, primeiro do lado direito e depois esquerdo. Assim sendo, se a coisa fosse como eu asseguro que era, a acetona seria mais premente que uma mala de mão. Também achei bem que não usasse verniz.
Penso que o Paraíso da minha amiga árabe não diferia do meu, à falta de melhor, uma eficaz sessão de compras servia perfeitamente.
E quanto compramos Deus meu...e quanto compramos Alá seu...
Nos últimos dias, ofereceu-me a Vuitton que eu namorei toda a semana, sorriu-me com um sorriso largo e infantil e beijocou-me no meio da rua. Não costumo gostar destas manifestações publicas de afecto mas talvez pela Vuitton, talvez pela transparência da sua alegria, gozei a fundo esse momento.
Vou visitá-la um dia destes.
Vou telefonar-lhe amanhã... acho que ainda não lhe disse que o meu bisavô era judeu.

Publicado por cotadaembolsa em 12:42 AM | Comentários (5)

setembro 27, 2004

Retrato (II)... por Pessoa e Klimt


Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...
Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.
Assim tem sido sempre a minha vida, e
Assim quero que possa ser sempre --
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.

Alberto Caeiro

Publicado por cotadaembolsa em 11:41 AM | Comentários (5)

setembro 25, 2004

Conhecimento Empírico...




A Vida, ensinou-me a perceber que, a inveja e a incompetência, andam sempre de mãos dadas.


Ser invejado, é o melhor reconhecimento de Valor.

Publicado por cotadaembolsa em 03:02 PM | Comentários (9)

setembro 24, 2004

Solidariedade com limites

Em acção solidária, com os colegas informáticos, responsáveis pela aplicação de "Colocação de Professores", estava decidida a oferecer a minha modestissima ajuda...
Entretanto, esta manhã, já defronte ao Ministério da Educação...

...mudei subitamente de ideia.

Publicado por cotadaembolsa em 06:01 PM | Comentários (7)

setembro 23, 2004

ÚLTIMA HORA:

Mulheres portuguesas já não conseguem gerir economia doméstica e em crise de nervos, cometem loucuras por bens de primeira necessidade.

«Passa para cá essa porra, ou vai ser aqui uma sangria desatada!!!»

Publicado por cotadaembolsa em 08:50 PM | Comentários (11)

setembro 21, 2004

Eu Cotada, me confessEI...

E pronto, num gesto singelo da mais elementar justiça me apresentei, da forma possível, aos meus amigos.
Eu cá sou pela paridade, nem que isso custe o strip despudorado do frontispício. Agora, aqui nua em exposição é que não vou poder ficar para sempre, não arrisco a gripe que  me pode privar da vossa companhia...
 Assim sendo, vesti-me e fui tratar de vida.
Já vos disse que foi um prazer? Não??

...mas foi.



(cá ficarão os vossos/nossos comentários que, eu nao quero que me chamem coisas pouco democráticas)

POST DE 19 DE SETEMBRO DE 2004 

Eu Cotada, me confesso...
«Queridos amigos,
pelo que já pude perceber, o jantar da “Nata da Blogada” correu da mel
hor maneira... e que outra coisa seria de esperar?!
Bem gostaria de vos dizer que, a minha ausência se deu pelos melhores mo
tivos mas... eu era lá capaz de vos mentir...
Deixo aqui bem claro que, apesar de não ser uma tendencial Cusca, mal posso esperar para ir ver as fotos que a M. fez da marabunta toda!! Estou que nem posso...
Mas como não quero que digam que vos vou espiolhar o frontispício sem dar nada em troca, assim estava eu, ontem, à hora do vosso jantar. Pois é, uma fotografia feitinha a pensar em vós, ainda com toda a inveja de quem não salta o próximo encontro, nem que a vaca tussa!!!! A todos vós, um enorme «Bem Haja», pelas palavras e pela vossa presença por estes lados.»

Publicado por cotadaembolsa em 11:44 AM | Comentários (19)

setembro 20, 2004

Pecados meus....

Gamei o David!!! Sim, gamei-o!!!
A primeira vez que o vi, tinha  20 anos e usava calças rotas nos joelhos (agora é diferente, rompo os joelhos a trabalhar e tapo com calças caríssimas), foi marcante,... 
Oh,... se foi... 
Desde então, foi a busca incessante pela perfeição correndo qualquer risco, até o de ficar solteira para sempre. 
Lindo, perfeito, grande, silencioso, impassível fizesse eu que caretas fizesse, comprasse eu as lojas e armazéns que comprasse. Ele não ocuparia a casa de banho, não perguntaria o que era o jantar.  Mal eu chegasse, ele estaria pronto para me mostrar o que de bom havia em Esparta...
Fiz mil fotos ao seu lado,... bom, e ao lado de outros que nisto, eu antes de escolher, selecciono!
Tantas vezes ali voltei. Tantas vezes o amei cá de baixo...
Depois regressava. E amanhava-me com o que havia de loiros pelas redondezas mas pensava sempre nele, um pouco ao jeito daquela música "Estou fazendo amor com outra pessoa mas o meu coração será para sempre seu", música que, nunca deixou de me impressionar e que sempre usei em noites de ressaca, para provocar mais rapidamente vómito.
Mas porra, agora tenho quase 40 anos, já não podia continuar a amá-lo em silencio lá longe no seu pedestal. 
Vai daí, gamei-o!
Mas, a meia-idade é exigente e uma balzaquiana ambiciona o prazer tangível dos defeitos "deles".
Gamei-o na altura errada e não fosse eu uma mulher pragmática, tinha um mamarracho a enfeitar a sala, assim me perdoe Miguel Angelo a blasfémia, sem mais delongas, empreguei o David. 
Atesta-me o depósito, com a paciência estóica necessária a uma mulher do meu tipo. Não protesta e apesar de assustar meio mundo,  lá leva o cartão e vai pagar.
Quanto a mim (Ah, bem sabe quem me conhece...), tenho um grande e velho problema resolvido: 
Acabaram-se os vapores a gasolina!

(Alugo o David à hora, caso as minhas queridas estejam interessadas. 
Haverá alguem que se atreva a chamar-me nomes feios???)

Publicado por cotadaembolsa em 10:06 PM | Comentários (7)

setembro 17, 2004

Retrato...por Régio e Rodin


"Vem por aqui" – dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho os com olhos lassos,
(Há nos meus olhos ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
– Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha Mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Porque me repetis: "Vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?
Corre nas vossas veias sangue velho dos avós.
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
– Sei que não vou por aí!

CÂNTICO NEGRO - José Régio

Publicado por cotadaembolsa em 09:21 PM | Comentários (11)