março 03, 2004

Passado...

março 2004



Eu só queria...ir para Casa!

 

Há dias complicados na vida de uma simples mortal.
Deixei-me ficar a
"apagar fogos" até às quinhentas, qual funcionária pública
sensível à crise do País que, depois de ter batido com a cabeça na
parede, durante o duche, fica alheia ao quanto lhe vem sendo tirado.

Eram 22.00h.
Achei que chegava! - «que se lixem os aflitos»,
pensei.

Antes que a fome me tornasse violenta, resolvi "alçar o rabo"
da cadeira, espreguicei-me, (posso fazê-lo desde que, há 5 anos,
avariaram as câmeras de vídeo) tapei o umbigo descoberto pela espreguiçadela
clandestina e meti-me a caminho do merecido jantar.


Se há algo que me agrada, são as coisas que dou por certas
.

O jipe é
de uma fidelidade canina, (nos tempos que correm temos que nos ligar a
qualquer tipo de fidelidade, afinal, a maioria acha que, de facto, esta
é mesmo só para cães... ainda que não o revele) gosto de o encontrar
ali direitinho, no parque à minha espera e sobretudo gosto do seu
paciente silêncio. Neste espirito, de tranquilo "dejá vue",
atirei a pasta para o banco de trás e lá subi a rampa do parque.


Nem tudo era "dejá vue"...
depois de atinar com o buraco da
chave magnética, que de novo me obrigou a revelar o umbigo, pensando
que o esforço seria recompensado, em calorias, momentos depois, percebo
que a saída estava tapada por dois carros.

Estavam estrategicamente colocados de modo a impedir que eu engordasse
umas gramas nesse dia.

Cancela aberta, jipe "meio dentro, meio fora", qual rapaz
virgem na primeira noite de amor e eu sem perceber "puto", da lógica
de semelhante estacionamento.

Esperei.


Sou uma mulher que dá valor às "esperas", aprendi isso há
pouco tempo mas agora dou-lhe muito uso. Já vou contando até 10, antes
de me "saltar a tampa", e tem resultado muito bem.


Contei até 20. Estava já no 21 quando vejo a condutora do carro de trás,
sair como louca do seu "buldozer". Já viram abrir a jaula a
um leaozinho? Pois...foi igual!

Porta escancarada, atirou-se à porta do carro da frente como eu me
atiraria, naquele momento, a um prato de "penne rigato e funghi
porcini"
.

Bom... a metáfora acaba aqui mesmo. Eu nunca insultaria, com semelhante
ênfase, o dito menu!

Fui acompanhando os movimentos, atónita. Claro que, não aceitei como
hipótese uma crise alucinatória por hipoglicemia
, aquilo era mesmo
real e eu, sem pagar bilhete, assistia em cadeira de orquestra.

«Seu filho da p..., é isto que andas a fazer, cabrão!! Andas aí
com essa vaca a tirar o pão aos teu filhos!! achas que sou tua criada,
estafermo?!!!....»


Comecei a perceber.
O homem não saia do carro, ela dava chutos na
chapa, a torto e a direito, e assim como assim, eu cá também não
tinha saído!

 A "acompanhante" do "estafermo" voltou a face
na direcção do meu jipe. Não recordo de ter visto semelhante "ar
de pânico", desde que me vi ao espelho, quando anunciaram a vitoria
do PSD e o nome da nova ministra das finanças.


A "desvairada", girou 180 graus e distribuía murros,
indiscriminadamente, no vidro por onde a outra infeliz  me havia
pedido, mudamente, ajuda.

Eu, simplesmente continuava ali, com a cancela em jeito de guilhotina
sobre os miolos, que começavam a ferver. Não era prudente sair...mas
saí.


- Desculpe, eu queria...

- Olhe-me este filho da p... olhe, olhe, testemunhe!! Tas a ver ó minha
besta, esta Senhora esta aqui para ir comigo a tribunal , cabrão. Sabe,
minha Senhora, ele já nem tem tusa! Não chega para uma, imagine para
duas! Quanto lhe pagaste ó "Zé Merdas"?!


Fiquei a saber que ia a Tribunal...eu...que só queria um pratinho de
caldo quente...

- Eu só queria...

Mais meia dúzia de murros, desta feita no capot, abafaram o meu
pedido.

Eu já devia estar habituada, de facto o meu temperamento e o
"ar" de quem está sempre bem, faz-me ouvir muito e não ter
tempo para desabafar nada. Agora é fácil, frequento-me muito mais
desde que percebi que, só eu me ouço, quando alguma coisa me estraga
os dias.

Insisti, suspeitando que ela não me tinha ouvido.

-Eu só queria...(tirar o carro, se não fosse muita maçada...)

Não tinha resultado de novo, a Senhora, despenteada, tinha-se enfiado
no seu "tractor" e de porta aberta engata a primeira.

 Acalmei-me por segundos. Vai de porta aberta, para arejar, mas
vai!

Foram mesmo poucos segundos.

Espeta-se contra o carro do "traidor" com a raiva de uma
partida de Formula 1.

Estranhei a inércia dos
"amantes". Acho que já me tinha posto a andar, a
alta velocidade, nem que levasse com a "mulher policia" no
encalço até Coimbra...mas enfim, nestes momentos da vida, o cérebro pára
mesmo... suponho.


O "estafermo" saiu do "casulo". Ainda bem. Bem
vistas as coisas, estava já tudo dentro das "tocas" e eu cá
fora, a apanhar correntes de ar.

Arrancou a "desvairada" do leme e preparava-se para atirar
borda fora, um par de murros naquele capot com olhos.

Aqui, meti-me!

Se agredir a Senhora, garanto-lhe que vou mesmo a Tribunal e por
outros motivos!


Olhou-me. Aposto que pensou: «Quem é esta gaja?? Será do Apoio à
Vitima?? Terei andado com ela, na noite da bebedeira do
Porto-Manchester??»


O que concluiu, não sei. Certo é que, largou os colarinhos da
"leoa", meteu-se no carro e desandou.

- A Senhora está bem?

Chorava copiosamente.

Voltei ao "jipe abandonado" e trouxe uma "mãozada"
de lenços.

Limpou o rosto com o monte de papel amarfanhado, sem me responder,
agarrou-me o braço e olhou-me com profunda dor.

- Tenha calma, tudo se resolve, vai ver. Agora vá para Casa e
tome um banho quente. Quando se acalmar, lembre-se de uma única coisa:
Não nos interessa um homem que não se interessa por nós.


Jantei às onze e meia... Mal... 

Perdi a vontade entretanto e tive que
fazer um pouco de cerimonia. Ao meu lado, como visita inesperada, percebi que tinha comigo o olhar, semeado de dor, de
uma mulher que não conheci.





 



Crises da "Meia-Idade"

 

Lá por não me apetecer falar de notícias e conhecer os escaparates,
modelos, tamanhos e cores das farpelas e acessórios, de cada loja da Invicta, não
pensem que "vim à tona com a cheia do ano"
!!

Já percebi, há muito, que só há dois tipos de gente: Os que se riem da porra
da Vida e os que levam "isto" a sério
. Os primeiros acompanham-me.
Os segundos, por serem potencialmente perigosos, estão debaixo de olho. Aos
primeiros, olho de frente. Com os segundos, uso a visão periférica e o sexto
sentido.

Estou a habituada a isto como a respirar, um pouco como qualquer condutor de
meia idade que conduziu motas quando era adolescente, habituei-me a usar a visão a
360 graus para não "lixar o lombo".

Gosto da Vida "como o caraças". Por "default", acredito em toda a gente
até prova em contrario.

E observo... Ah! Se observo...

Nasci para "critica social, não destrutiva", se quiserem.

E ao que vem este "paleio" introspectivo??

Ora bem, um destes dias, li na Pública (revisteca do Público),
um artigo que achei muito interessante "Eles só se apaixonam aos
cinquenta"
, gostei do título e aventurei-me por ali fora. Não
vou "chimpar" aqui com o conteúdo que era uma chatice monumental, mas
conto-vos um bocado da história. No fundo o artigo é baseado em vários
estudos sociológicos. 

Achei interessante, que ninguém concordasse com ninguém quanto às
"causas", mas isso também já normal nos estudos de Sociedade.

Não obstante, a ideia base sustem que os Gajos, em geral, andam aos
"saltos", a experimentar lençóis dos 30 aos 40 e a partir desta
idade, cansados, tementes a Deus e à velhice, assentam arraiais com a "Gaja
da Vida deles", que pode ser uma mulher mais nova ou a «mulher de
sempre».

 
A partir desse momento, vivem uma paixão alucinante, tornam-se
pacientes e altruístas.


Isto, diz o Artigo da minha homónima, Maria João Guimarães.  




Agora vem o que digo eu...

CONCORDO ABSOLUTAMENTE!!

E a nós mulheres, o que nos traz a "Meia Idade"???


Isso mesmo! Rugas, cabelos brancos, pele flácida, mamas caídas e um rabo que não
passa de um enorme triângulo invertido... mas traz também, para nos
compensar, muita Sabedoria
(de que poucas sabem fazer uso).

Já deixei por aqui a ideia, de que estou como "peixe na água" na
condição feminina. 

Não considero que a Mulher deva deixar para segundo plano a sua imagem, em prol
da evolução do intelecto. O binómio "Corpo e Alma" anda sempre de
mãos dadas e o "Homem" tem sempre tendência para o "Belo"

Qualquer palerma com uma "tóla" brilhante, se tiver uma figura grotesca, não
passa ao "Outro" metade da sua mensagem. 

Gostamos sempre de uma mente sã num corpo são, sejamos homens ou mulheres.

É uma pena que, muitas Mulheres, não percebam que a "Sedução"
é uma arma potentissima, que se aprimora com a maturidade, pronta para dar
origem aos melhores resultados, desde que, usada com classe e dignidade
conscientes. Levo murros no estômago, cada vez que percebo que o sexo feminino
é profundamente autofágico em confronto com o espirito corporativista do sexo
oposto. 

Nenhuma "associação", cujos membros concorrem entre si, é Vencedora
de coisa nenhuma
mas tenho fé que, um dia, nós Gajas, iremos TODAS
perceber esta evidente realidade.

Até este dia, MENINAS, não passamos de uma cambada de Chatas!!!

Depois, é evidente que, só aos 50 anos "eles" nos aturam e a única alternativa
que resta é a "Paciência do Cinquentão" ou o PROZAC!!!!

Não abdico das minhas "passeatas sociais" de sexta ou sábado à
noite. É um refrigério para a mente e uma "fonte em bica" de dados,
para estas análises antropológicas.

Vou percebendo que, os "Bandos de Meia-Idade" que frequentam a
"noite", à procura de complementaridade, variam segundo o sexo,
apesar de apresentarem muitos pontos em comum. Normalmente, giram em grupos 
mas a palavra "companhia", aqui, tem um significado diferente...
é apenas uma "solidão" acompanhada
. Os diálogos, são
essencialmente altares da "cultura do Eu", em que todos falam de si
mas já ninguém ouve. Não há tempo a perder no conhecimento do Outro, quando
"dentro de Si" não estão resolvidos os problemas.

Aqui começa a grande asneira!

A procura da "auto-estima" nas palavras alheias, é o mais errado
processo de sobrevivência na idade adulta. Tenho para mim que, ou nos aceitamos
com virtudes e defeitos, a sós ao espelho, levando o tempo que for preciso, ou
estamos literalmente "tramados". Só uma condição de paz interna,
nos dá a tranquilidade para ouvir o "Outro".


A verdade é que, constato uma tendência para "os medos e traumas",
muito mais acentuada nas mulheres do que nos homens.

Minhas senhoras, os traumas são para as Caloiras.

A maior desgraça, tem sempre uma parte irónica e é a oportunidade ideal para
perceber que, o que não mata, nos faz mais fortes.

A nossa "Metade" existe, pode é não estar para aturar as paranóias
que cultivamos com o tempo...

Estou consciente, das vantagens do "Amor Adulto", descobertas por alguns "cinquentões sortudos". Lamento é que, tantas mulheres desta
idade e até mais jovens, estejam hoje sozinhas, apenas porque se deixaram
"morrer" antes do tempo, com medo de Se enfrentar na altura
certa...

E agora "ponham-se a mexer", toca a Amar a "torto e a
direito" que é Primavera e... 

o Amor não tem idade!





 

 


«Se algum dia fui feminista, foi apenas por não conhecer os homens.
 
Desde que os conheço, apenas sou feminina»

 


 





AIDA...os bastidores...

 

As
coisas não tinham começando bem. Mas lá no fundo, sentia-me mais rica
500 Euros, agora que tinha conhecido a faceta "magnânime" do
Agente X.

Depois do meu "melhor papel" destes últimos anos, podia
finalmente ser uma justa espectadora do "papel" dos outros.
Com estes pensamentos e o "bife" já no "papo", lá
subi Passos Manuel com as reclamações da M.

- Não vás tão depressa, não vás tão depressa!


É verdade, sempre andei a passo largo. Ainda me lembro quando saía
"fardada" do colégio,  julgando ter as amigas ao lado, já
vinha a falar sozinha há horas, com o resto da "manada" 10
metros à retaguarda. Continuei assim. Fiz um breve intervalo nos tempos
de Faculdade, como vivia de noite e ia a dormir de Taxi para as aulas,
as distâncias do resto do grupo tornavam-se ainda maiores e eu
afastava-me bem mais depressa.

Bom... devaneios...

Lá entramos no Coliseu, no meio da heterogeneidade de bilhetes e
indumentárias. Desta vez, olhamos para a "porta de serviço"
com ar de desdém e entramos pela "Porta Grande"!

Não sei bem porquê, tenho sempre o número 13. Os momentos altos da
minha existência escolhem o "13" numa assustadora série de
coincidências que dão que pensar. Fiquei feliz, portanto. Era a
garantia necessária para que o espectáculo fosse sublime. A M. estava
no 11, presumo que também ela feliz porque tem a mania das capicuas.

Mas estas considerações, sobre a parte numérica da "Coisa",
não vêm ao "Acaso"!

Se até aqui estava tudo no sitio certo, deixem-me falar de quem estava
no 15, ali, coladinho a mim!

O nome não sei. Idade? Uns bons 65 anos sem que esteja absolutamente
segura. Mas o que sei com toda a segurança, é que a criatura tinha
comido saladas com cebola ao jantar e não tinha tido tempo de lavar os
dentes!! E nesta aposta meto até a cabeça!

Meus amigos, um suplicio chamado "AIDA de Verdi"!

Passei 3 horas a cheirar a estola de pele, quase sem ar e acabei
praticamente sentada no colo da M. a ocupar mais o 11 que o 13.

Não é justo! Não é justo, pronto! Eu estava com uma das melhores
cadeiras da sala, com a melhor das disposições para ver aquele "Dramalhão"
e uma simples salada de cebola arruina-me todos os planos!

Queria aqui deixar um conselho a todos e uma sugestão àqueles meninos
girissimos que agora pululam nos Teatros, a ajudar os
"ceguinhos" a encontrar a sua cadeira:

A Vós, "Povo
em Geral"
:
Lavai-vos sempre bem mas sobretudo se ides ser "cheirados";


Aos "Borrachos Lampião": Cheirem o Povo
à entrada e aos reprovados, mandem-nos para a "Galeria Sem Marcação",
sem apelo nem agravo!



Vereis, depois, que o Mundo se torna um lugar melhor, onde é bem
mais aprazível viver.





 



Um AutoStop... diferente...




Ontem foi dia de Ópera, mas dela falarei mais tarde...

É sempre assim, quando espero a chegada de um momento qualquer, durante
meses, as coisas nunca correm como o planeado. Acho que sou uma mulher
de improvisos e de imprevistos.

Tinha conseguido um óptimo bilhete de Tribuna ("mal feito fora",
comprei-o em Janeiro e paguei uma fortuna).

Ter um bom bilhete, para
quem não leu o meu "post" sobre as condições do Coliseu do
Porto, significa que me posso vestir normalmente, sem ter de comprar uma
farda de trabalho chinesa para ir ao espectáculo.

Eram 7.30h, a M. já me tinha ligado duas vezes. Ela é uma rapariga
inteligente e sabe que eu e os relógios temos uma relação odiosa.

Mas ontem esmerei-me, à hora estava prontinha...e "vestida a
rigor".

Batiam as 20.00h e batia eu na Casa dela.

Ao contrário do costume, nem me deu grande "seca", como já
conta com os meus atrasos, aproveita e "perde-se" também.

Enfim, o jipe era um "negrume", giras, perfumadas e fieis ao
lema "de preto, nunca me comprometo".

Virei à direita, precisava de cigarros. Ou chego a horas, ou levo o que
preciso, as duas coisas é que não dá! Não tinha feito 500 metros,
vejo-me metida numa teia de carros parados e "bófias" a
escrever cartas.

Pensei que me safava, juro que pensei, em vez de abrandar, carreguei um
bocadinho mais no pedal da fuga. Qual quê,... os gajos cheiraram o
"must" da Cartier e quiseram cheirar-me ainda mais de perto.


Achei que aquele sinal que o policia me tinha feito, não era
propriamente um "adeus"
e resolvi finalmente entregar-me à
Sorte.

Parei. A 300 metros dele... mas parei.

Pelo retrovisor, fiz o prognóstico da situação, o homem estava cada
vez mais perto e eu já tinha conseguido enfiar o cinto que me havia
custado a "estola de pele" agarrada ao gorgomilo.

O certo é que o cinto já
lá cantava! Ornella Vanoni, cantava também, feliz e indiferente ao
drama. "Ti Amo" para cá , "Ti Voglio" para lá, com
a atrapalhação, nem sequer lhe tirei o "pio".

Abri o vidro e lá estava o Agente da Autoridade!

- Ora então boa noite minha senhora, escusava de pôr o cinto agora.
Não pense que vou em "lérias", já sou policia há 23 anos.
Além, disso vinha em excesso de velocidade, é a senhora que deve parar
perto do policia e não o policia que deve fazer 300 metros para vir ter
consigo.


Na minha cabeça estalavam ideias, pensei em rebater tudo, rebater
alguma coisa ou...ser mais loura do que o natural castanho claro e
burra, muito burra.

Acho que nunca fui tão doce, mais tarde percebi que nem sempre
excessiva doçura
quer dizer estupidez, às vezes demonstra uma maturidade geriatrica
.

Sabia que não vinha em excesso de velocidade (até porque, desde que
tinha arrancado, não tinha tido tempo para os meus habituais
120-140km/h), mas parecia mal dizer-lhe:

- Não Não, Senhor Guarda, eu vinha devagar, acelerei quando o vi,
para lhe fugir!


Ha verdades que têm que ser amarfanhadas pelo freio inibitório!

Fez-me o sermão de "Stº António aos peixes" porque
eu não ouvi puto de nada. Só pensava na quantidade de multas que ia
ter por estar tudo numa desordem total!

Lá se vai a Ópera, pelo menos 500 Euros, e ainda por cima fico sem o
"naco de lombo" que me espera, no sítio do costume, sempre
que há programa cultural...

Passei-lhe tudo o que tinha para as unhas, até a reserva de uns sapatos
da Kallisté. Ele que escolhesse!

O homem teria os seus cinquenta e poucos anos, desafiava a idade,
tentado ver, de noite, sem qualquer ajuda de necessitados e prementes óculos.
A carta tinha uma morada de há 20 anos, eu, muito mais "séria" 
com a franja a tapar os olhos. O livrete e registo de propriedade, a
minha primeira morada como mulher independente e o B.I. a morada actual.
O homem estava atónito. Girou o jipe e olhou o selo do
seguro...caducado!

Vou já com ele e algemada, pensei.

- A sua morada é esta Rua 5 de Outubro?

Estava decidida a fazer-lhe as vontades.

- É, é! Essa mesmo! mas moro em muitos sítios sabe!

Nem uma verdade, havia superado o meu melhor.

Respondi a tudo o que me perguntou e ele lá ia escrevendo com
dificuldade. Aproveitei para lhe sugerir que usasse óculos que tudo
seria mais fácil. A M., ao meu lado, anuía com cada barbaridade que eu
lançava no escuro do "bófia" e ia dando também sugestões.
Começamos a ser íntimos, um bizarro "menage a trois".

O "bófia" acordou de novo!

- Tem o seguro caducado.

Aqui, discordei.

 - Não, efectivamente está em ordem, apenas não coloquei o
selo no vidro
(primeira verdade da noite) - Mas tenho 8 dias para
o apresentar, não é?
(estava decidida a ser uma desvairada com
leves flash's sóbrios).

- Sim, tem 8 dias, como está com pressa e vai para a ópera não vou
passar multas agora, apresente-se amanha no "Comando X" e peça
para me falar.


Eu era cada vez mais "ôca" e ele cada vez mais paternalista. 
Sorriu, desejou-me bom espectáculo e ao girar-se disse:

- São uma simpatia, eu era lá capaz de multar duas
"flores"


Cuidou-me como uma flor, de facto,  em todos os sentidos, até na
minha faceta acéfala.

Hoje de manhã, tal como lhe havia prometido fui ao Comando.
Apresentei-lhe os documentos que provavam as poucas verdades que disse e
mantive a postura do dia anterior. Estava com dois colegas, simpático e
atencioso, fez-me prometer que ia actualizar os documentos.

 Promessas feitas, agradeci e pensei:

 Desta já me livrei!

Hoje, 19:30h. Ouço o telemóvel.


- Lembra-se de mim? Esqueci-me de lhe dizer, que se quiser um dia, tomar
um café comigo, ficarei muito feliz.


.... Afinal, por baixo de cada farda bate mesmo um coração...e sabe lá
Deus o que mais...



P.S. Os mesmo factos na versão e testemunho da M. aqui


 

Fidelidades....

No leito es fantástica,

es doce, afectuosa

e amas dizer «Es o homem da minha vida».

Eu sei que isto é verdade:

é impossível que, no decurso de um mês,

quarenta e três pessoas se enganem

contemporaneamente.


(Flavio Oreglio)


 



A Invasão dos Trogloditas


 



Estou preocupada, meus amigos. Estou muito preocupada.

  «A Cotada esta preocupada, porque será??? Terá perdido a
inspiração? Acabaram-se os textos para copiar?? Leu Blog's a mais?? Será
o Estado da Nação??»


....Não Senhor, não é nada, disso, não é nada disso!!


Eu quero lá saber do Governo, aquilo nem é Governo é desgoverno, eles
vão-se e eu ainda cá fico!

Desemprego? 

Quero lá saber do desemprego! Uma "tipa" está bem é em Casa, sem fazer
"pêveas" de nada!

Terrorismo... 

Sim, o terrorismo é que me ia preocupar...Eu descendo da Padeira de
Aljubarrota, pá! Vou à Makro comprar umas litradas de azeite e quero
ver quem se atreve a aterrorizar-me. Assim não me faltem o gaz nem os
panelões!

Crise de Valores na Escola...

Boa tentativa, tá melhor...mas também há crise na Bolsa, que é bem
pior para uma Cotada e eu lá me vou safando como posso, com o que Deus
me deu mais o que me cresceu.

O que me preocupa é o Europeu!! O EUROPEU!!!

Eu estou muito preocupada, estou muito preocupada...

Alguém já pensou no processo migratório da comunidade
masculina em direcção a estádios e televisores?? 

Uma massa de andróides cegos, surdos e mudos que, por muito que uma
mulher se rape, se pinte, se vista, se dispa, o mais que lhe pode
acontecer é ser atropelada pela corrente insane!!

Restos de massa disforme, perdidos nas ruas da cidade, fazendo gestos e
esgares de horror, colados às montras de Electrodomésticos, que aquilo
nem com Ajax lá vai!

Isto é o drama do Século para o Mulherio!!

Se já ninguém nos entendia nos dias difíceis, agora nem nos fáceis vão
perceber a nossa presença!

As "Gajas Boas", vão passar a ser as que têm em Casa a
SportTV, bacias de tremoço e "bejegas" frescas no
frigorifico!


Não vai haver sossego, num "entra e sai" de tabuleiros de
presunto, salpicão, quadradinhos de queijo, beatas no chão, cinzeiros
cheios,  árbitros rebaptizados, promessas de Amor e Ódio, chuva
de palavrões, que caem por todo o lado como  bombas sobre Bagdade
e sabe lá Deus o que mais!...

Tudo isto, nas requintadas salas das portuguesas, pagas a prestações
de sangue, suor e lagrimas! É uma desgraça...uma calamidade Nacional e
ninguém esta preocupado!!!

Podiam estar contentes as que tem amantes, mas não! Porque, na melhor
das sortes, o amante não é o  companheiro de bancada ou de
vitrine, do marido! Aqui não ha excepções!

Safam-se as lésbicas e mal, há as que tem o azar de namorar com Uma
que tem a mania que é homem!

Ok, pensam vocês raparigas, vamo-nos aos "Estranjas", ele há-os
para todos os gostos....

Ai sim?

E eles vem cá fazer o quê?? Hem?? Conhecer as portuguesas??

Não há safa possível irmãs!! não há safa possível!

Lembram-se de quando nos mandaram os "moçoilos" nas caravelas
para ir conquistar o Império desbaratado? Lembram-se do que aconteceu?

(Sim, tá bem, desde então, as mulheres passaram a mandar em Casa e a
fazer de conta que mandam eles, ...essa foi a parte boa) 

A cozinha portuguesa? Viram o que aconteceu, à cozinha portuguesa?

Mandamo-los para o mar com as "fêveras" salgadas  e
passamos a comer "miúdos"!! ("comer miúdos",
lembrou-me que isto se calhar é genético e se prolongou no tempo) Onde
é que já se viu comer tripas enfarinhadas, sangue cozido, orelhas de
porco, TUBAROS e eu sei lá que mais porcaria!!

Os processos migratórios dos machos tem consequências graves, eu gosto
mais de os ver tranquilos nas suas actividades monotarefa... Não sei,
sinto-me mais relaxada...

E se máquinas de roupa e louça  avariarem, esqueçam... vão ao
" 5 A SEC" e comer a qualquer lado que não esteja invadido
pelos bandos. Não se atrevam a misturar-se com eles ao balcão, porque
o festejo de cada Golo pode custar-vos um olho!!

Isto sim, é terrorismo psicológico!

Lá para Março/Abril de 2005, fecham mais umas maternidadezitas do
Interior, ou tudo o que por lá nascer, corre o risco de ser filho do
"maluquinho" da Vila!

É que, as famílias de província, que ainda pudessem contribuir para o
rejuvenescimento do País, pela remota eventualidade de não ter
televisão, estão a "tirar à boca o pão" para comprar uma!

Afinal quem manda é o Pai, seja lá ele quem for!!

Não vai haver blog's masculinos, gajos que metam gasolina nas bombas,
strip's para Senhoras, pais a quem despachar os filhos, filhos a quem
despachar irmãos...

RElações transformar-se-ão em RAlações!! Será o Caos!

Estou preocupada, meus amigos. Estou muito preocupada, mas fica
aqui a promessa, não eleitoral e por isso mesmo para cumprir, de que
vou pensar nas Soluções! Aguardem-me...






 

Eles e Elas... "uniti per sempre"...

«Por trás de um grande homem está sempre uma grande mulher, mas se uma grande mulher está atrás, é porque ainda não percebeu onde diabo deve estar.»

....e muitas outras coisas tinha para dizer, mas é tarde e temos que ir....

(Flavio Oreglio)

 

Descobri o Pipi...

Neste solarengo Domingo, cumprida a promessa de colocar, ali ao lado, os meus best blog's, antes da merecida sesta que me ia repor o sono perdido na "galderice" de ontem à noite, deparei-me com uma dúvida que se tornará metódica...
" Onde pára  "O Meu Pipi"??"
Para os mais perplexos, vou explicar isto em "miúdos":
Já não bastava ter-me tornado numa BlogAddict (há tão pouco tempo) como, para arrumar comigo de vez, me "espeto de caras" no submundo da Coisa!
Provavelmente, pelo facto de ainda usar as, já faladas, "cuecas de gola alta", não me tinha apercebido da existência do "Meu Pipi"...
Foi um choque!
Tanto mais que, o choque não se ficou pela constatação de mera "existência" mas foi muito mais além! O "Meu Pipi" surpreendeu-me pela forma e pelo conteúdo! Ao primeiro impacto, achei que o "Meu Pipi" era um valente porco mas depois de o conhecer mais a fundo (e desculpem eu ir tão fundo na análise), descobri que o "Meu Pipi" tinha fundamento em muito do que dizia!
O "Meu Pipi", não é um Pipi qualquer...denota conhecimento, cultura e é um Pipi mordaz (passo a publicidade).
Se me conseguir abstrair (não é fácil) de tanta brejeirada, vejo que é um Pipi com Cabeça!
O "Meu Pipi" está no top, se não me engano, isto quer dizer que é muito frequentado. Pela minha parte, não prometo não voltar de "temps en temps", mais não seja, para perceber se o Pipi esta em "Ramadão" ou se entrou na Andropausa...é que meus amigos, o "Meu Pipi" não "tuge nem muge" há um bom par de meses!!
E passo a citar:
«...Por outro lado vou recebendo, na caixa de correio, mensagens de paneleiragem avulsa que está magoada por eu não escrever com mais regularidade.
..» ("O Meu Pipi")

 



Aparências continuam a iludir...



Um destes dias, por razões de
trabalho, fui a Lisboa.

Tratava-se de uma reunião durante a tarde, pelo que fui e vim de avião,
no mesmo dia.

Vagueava já no aeroporto, esperando o voo de regresso, quando
subitamente tenho uma "Aparição".

Era uma Senhora toda vestida de rosa, com uns cabelos tão loiros que
pareciam feitos de "fios de sol".

Meu Deus, Meu Deus, porque me escolheste??!- pensei em fervor ansioso.

Aproximei-me e reconheci-a!! Já havia visto a sua imagem!! Seria uma
Santa?

Não meus amigos, não era... Era a Lili Caneças...

A Senhora olhou-me com ar espantado e a fazer "biquinho" com
os lábios. Pensei, imediatamente, que tinha sido reconhecida, nem sabia
o que fazer! Ela continuava a olhar-me com os olhos arregalados e imóveis.

Vou cumprimentá-la! - matutei com os meus colchetes...

Mas quando já estava preparada para dois dedos de conversa cheia de
conteúdo, com a mediática senhora, a tipa virou-me as costas! A dedução
imediata foi que, se o fez, é porque se sentiu ofendida pela minha
hesitação. Enganei-me redondamente.

A Senhora continuava a "deambular" pelo aeroporto, com o mesmo
ar "fixo" e inalterável, olhando para tudo como se tivesse
descido à Terra naquele dia. Afinal, e lembrei-me disto já no avião,
era tudo um efeito secundário da recauchutagem estética a que a
sujeitaram. Mas ela não devia andar por aí a iludir o povo. É que eu
pensei mesmo que tinha tido uma Aparição do outro mundo!!! Não se
faz!!






 



Desabafos de uma ProtoBloguista




Ainda com os olhinhos fechados e remelentos, resolvi dar uma voltinha pela Blogolândia.
Juro que não fazia ideia do que isto era!

 Senti-me como nos primeiros meses de"chat", quando dizia gentis olás a qualquer cretino que, duas frases abaixo, me estava a perguntar qual era o meu numero de soutien ou se eu era feliz com o meu marido... eu ficava tão desiludida, era assim como um desgosto de amor, sei lá...

Bons tempos...
E digo bons tempos, porque agora para felicidade minha e deles, já ninguém me
arranca duas tretas com "dá cá aquela palha".
Ultimamente, a coisa era tão caustica que questionavam a veracidade do meu "ser
mulher"... 

Enfim...aquelas coisas que vocês já sabem e que, estou segura, já viram.

Ora aqui estou, entrada nesta "aventura" há pouco mais de uma semana.
Se no "chat" já usava "fio dental" e chicote, aqui
tenho cuecas até às orelhas.

Mas tenham calma, aprendo bem e chego lá!

Dizia eu, antes de me perder em divagações de lixo sentimental, que andei a
"cuscar esta treta" toda. Saltei de blog em blog, li um pouco de cada
texto e por conseguinte de cada "alma"... e completamente ao acaso
qual "Alice das Maravilhas" na sala das portas...

Hoje, depois de ter conseguido fugir de muitas "rainhas de copas",
tenho uma visão mais clara do assunto em que me meti.

É efectivamente muito giro ter um Blog, e é tão mais giro quão mais gira for
a pessoa, salvaguardadas as devidas diferenças do conceito de "giro".

Mas meus amigos, a LusoBlogoLândia é um retrato do país... 

Quem se "pela" por um fadinho desgraçado, quem é?

Quem vive o Amor como uma tragédia grega, quem é?

Quem tem saudades de tudo, até das sardinhas do antigamente, quem é?

Quem aguenta estalos e chutos e diz sempre obrigada, quem é?

Muito bem, esse mesmo "O Zé Portuga"!

Aqui entre nós que ninguém nos ouve, quando ando lá por fora, dizem que sou
nacionalista, E SOU!
Gosto do rectângulo "à brava", dos nossos brandos costumes, da
capacidade que temos de nos adaptar a qualquer "marreta" e em qualquer parte. E digo mais, se um dia tivesse que sair de casa para defender o feudo, estava na linha da frente!
Mas valha-me Deus, lavando agora a roupa suja cá em casa, somos um bando de cinzentões!
Já não era difícil perceber porque vamos perdendo Tudo para os espanhóis, italianos, eu sei lá quem mais... eles têm cor, alegria, "salero", design, marketing, em quase tudo que fazem.
Nós, paradoxalmente, compramos isto!Se compramos, é porque nos falta ou porque gostamos, verdade?!

 Porque raio caímos na tristeza compulsiva, até quando temos uma página em
branco para sonhar?!

Vi de tudo por aqui...até quem se limite a transcrever artigos de 2.345.464.789
jornais!
Outros dão-se a evidente trabalho de pesquisa internetica ou de enciclopédia e cada dia fazem um "post" sobre um gajo qualquer que há 150 anos fez qualquer coisa... será que não é evidente que este tipo de informação é tão facilmente acessível que não tem puto de interesse?! Serei anormal?!
Devo ser... 

Não vou dizer nomes do que não gostei, mas vou seguramente nomear alguns
blog's que me "tocaram" pela positiva:

Blogotinha, ela deve ser de facto uma mulher muito gira;


As Comadres
, curta e directa passa toda a mensagem com duas palavras;

TadeChuva, piada acutilante, critica social..."mi fa morire"

PassoaPasso, pela sensibilidade e mensagem de cada fotografia;

PoetryCafé, pela coragem de dar, a poetas anónimos, uma palavra no seu espaço;

PutadeVida...ou nem tanto;
SemPenisnemInveja;...  e alguns mais que irei ler tranquila e deleitosamente antes de fazer
referências.

Em cada passeio bloguistico, quero apenas encontrar "o outro" e o seu
modo de ver o mundo, não mais uma edição dos jornais do dia.

Gosto de gente
atenta, arguta, com uma frase de humor num texto sério, mas se não encontrar
isto tudo, espero pelo menos perceber que as obras são mesmo do autor.
Como não mando nada e sou uma mulher tolerante, não vou chatear ninguém mas é garantidinho que, na primeira oportunidade, vou meter ali ao canto, só e apenas, os meus sítios de eleição.




 



Em contagem decrescente...



Gosto
de ir à Ópera, sim senhor!
Gosto e vou sempre que posso!

Desta feita é Verdi, que já me deu um Requiem
,
a 300 vozes, simplesmente magistral. Mas quem me tira Puccini...

Tivesse eu nascido nos finais do sec.XIX, garanto aqui a pés
juntos, ninguém me punha a vista na "rabona do vestido".

Metia-me com o Camilo, Ah... se metia!

Nem que fosse dar "cos costados" à Cadeia da Relação e tivesse
que me haver com a rival Plácido, sujeita à injusta luta "pesado-pluma".

Teria acesas tertúlias com Eça (aborrece-me muito que
ele exagere nos diálogos).

Pediria emprego, de "mestra", ao Senhor Reitor porque,
aquelas suas "piquenas"pupilas, são de uma inocência que dá
dó.

É que, nos dias que correm, há que proteger as meninas, dos "gabirus"
com vícios parisienses.

O meu "palacete", seria um entra e sai de gente liberalista,
de artes, letras  e muita pianada.

E à noite... Amor, Ópera e Teatro!!

Pródigo século que tanto me fascina, tanta coisa proibida que chama "a grito" a minha inata irreverência...

Enfim... cheguei atrasada 100 anos (continuo a ser assim, nunca chego a
horas a sítio nenhum), agora tenho este castigo, de ter que me
contentar com o que ficou destes tempos.

Isto eu aceito. Como aceito, bom e mau, das modernices que por aí
andam.
O que se torna difícil, é aceitar sentar-me em "banco de pau", em pleno séc. XXI, para ver
obras de qualidade monumental!!!

Passo a explicar:


Eu, mulher de classe convicta, que só me devia preocupar em encontrar bilhetes para os espectáculos que me "lavam"
a alma, dou por mim, a pensar em milhentos pormenores de "acidente",
pelo simples facto de que as condições físicas do Coliseu do Porto, são
uma merda! Sim, meus amigos,
leram bem, uma merda!!

Onde é que já se viu, ter que condicionar o que levo vestido, eu que
me visto de acordo com o evento, por não saber se nesse dia terei que
ver a "Tosca"
nas escadas, a que eles chamam Galeria Sem Marcação!?? Hem???

Se não tem marcação, que a marquem! Se há dinheiro para estádios,
tem de haver dinheiro para colocar cadeiras novas, na sala que recebe os
melhores espectáculos que chegam ao Porto!


Sou orgulhosamente "tripeira",... até ao tutano.

Sabia, tal como qualquer portuense,  que quando aqueles alucinados,
da Igreja Universal, quiseram usurpar o "nosso" Coliseu, a
cidade se oporia.
Não fui defraudada, a sempre Invicta  levantou-se
e amarrou-se às portas do "dito", em defesa dos bens da
"Naçon".

É este amor, visceral, ao chão da minha terra, que me dá o direito de
gritar a  vergonha que é a
nossa sala de espectáculos.



Mudem de vez as cadeiras!!!



Quanto cabe a cada um??



Eu pago a minha parte!!




 






 

Momento de Poesia para esta noite...

Naquela noite,

enquanto fazíamos amor,

o mundo estava em sintonia connosco

e até a luz,

a luz do quarto

se movia,

acompanhando o ritmo da nossa paixão...

Depois mal encostei o "rabo"

ao interruptor o efeito esvaneceu-se...





(Flavio Oreglio)

A Evolução das Espécies na Web...



Tenho sido fiel às etapas do método cientifico, para relevar aqui, e quem sabe, talvez um dia destes, na "Science", as minhas conclusões à cerca da "Evolução das Espécies na Web".

Estou
convicta de que, o "HomoBloggans", não é senão uma ramificação,
sujeita a processos de mutação evolutiva, do "HomoChattans".

Não
sou exclusivamente darwiniana na minha afirmação, preconizando, só e apenas,
a aplicação da lei do mais forte.

Tenho para mim que, também Lamarque estava cobertinho de razão, quando
afirmava (a meu ver muito bem) que, se o mais fraco se adaptar ao meio, consegue
crescer e multiplicar-se. O seu erro baseou-se, apenas, na convicção de que,
estas mutações adaptativas, eram geneticamente transmitidas à sua prole.

O "chat", tem características muito peculiares de processos simbióticos
(recusei sempre participar em "chat" parasitário), muito da essência
mental dos interlocutores, apesar de existir sempre um mais activo e outro mais
passivo, é influenciada, com maior ou menor intensidade, pelos processos
mentais do outro.

Se forem encontrados reconhecimento de valor, sintonia, respeito e
disponibilidade mental, o envolvimento dá-se (ainda que, por vezes, não tenha
sido este o "objectivo final"). Se nada disto acontecer, tal como na
natureza, macho e fêmea, dão meia volta!

Também no "chat" vence o mais forte.

E quem é o mais forte?

É o que colecciona amigos, amores, conquistas para uma noite, e sabe que,
quando se "liga", é bem sucedido apenas porque é, naturalmente,
fascinante. Não se maça nem se esforça grandemente.

Mas vencerá sempre o mais forte?

E aqui temos Lamarque...

Bem vistas as coisas, vence também o que domina a linguagem do meio, o que
estudou a resposta a dar, o que sabe como agradar quem esta do outro lado, num
saber feito de experiência e muito trabalho de análise. Em suma, o que se
adaptou.

Tudo isto serve para dizer que, quando "chatamos", estamos sujeitos a
adoptar, mais depressa, a ideia do outro do que a nossa própria ideia.

É, em grande parte, um processo "de fora para dentro" e todos podem
ser, melhor ou pior, um "HomoChattans".

Parece-me ser, o "HomoBloggans", uma coisa completamente diferente.

Cansado de ser um dos mais fortes, convicto do que sabe ser, ou sempre foi, esta
ramificação da espécie, decide fazer um caminho por "conta
própria".

Reverte todas as normas do jogo optando, sabiamente, pelo "de dentro para fora".

Já que é "bom", e o provou também em "chat", sobe ao palco e
fala sozinho.

O interesse não é o monologo!

De que serve um lampião de rua, se não houver gente para iluminar??

O "Homobloggans", apenas já não é viciado em "chat",
faz por lá breves passagens para reconhecer porque motivo "bloga" e
não "chata", para se manter actualizado, para reforçar a sua
convicção na decisão tomada, ou simplesmente porque nesse dia acordou pronto
para ouvir mais e falar menos.

Não quero aqui deixar a ideia de que é melhor ser isto ou aquilo.

Quando digo que se trata de um processo evolutivo, entendo dizer que esta nova
espécie percebeu qual é o seu lugar e resolveu "vencer" num
território diferente.

Por outro lado, não são opções estanques, não se é completamente isto ou
aquilo. Apenas se é, "Mais Isto" do que "Aquilo", torna-se
necessário "arrumar" gavetas.

Na Web, está a Vida a outra escala, um "planeta" pululante, onde
valem as mesmas leis da Natureza.

Onde quer que estejam, lembrem-se de que, o importante é "estar
satisfeito"com o caminho escolhindo.

FLAVIO OREGLIO

O
primeiro livro de Flavio Oreglio, "Il momento è catartico", chegou até mim em Abril de 2002.



Quando o abri, li uma pequena dedicatória....

Para a J, pela sua capacidade de ver o lado cómico em cada coisa... L".

Confesso, li-o avidamente.

Bom,...tão avidamente quanto me era possível, acho que, só agora, leio italiano com a destreza de quem "devora" Camilo.

Cheguei a irritar-me por não ter sido eu a escrever aquele livro, afinal é assim que vejo a Vida!
Gosto do lado cómico das coisas, sim!

Não há nada mais enfadonho, do que dar de caras com alguém que se leva demasiado a sério.

Rio no duche, rio quando me olho ao espelho, enquanto me pinto, rio da Vida a torto e a direito.

Afinal, se eu não me rir dela, será ela a rir de mim....Esta sim, é a minha luta preferida.

E quem é Flavio Oreglio?

Sei lá!

Fui ver... na Internet.

Se mentir, não será por palavras minhas, (até porque mentir, dava-me uma trabalheira brutal no Departamento de Arquivo Morto, esquecer-me-ia das mentiras que tinha dito no momento em elas que me fizessem mais falta, portanto, deixei de praticar) diz então, na Internet, que este fantástico senhor italiano, nasceu em 1958, é licenciado em Ciências Biológicas, ensina Matemática e Física e conjuga tudo isto com o amor pelo "Cabaret".

Devo dizer, que me bastava esta paradoxal mistura para, alegremente, me despir de toda e qualquer nuance de defensiva androgenia e lhe "catrapiscar" o olho no melhor da minha feminilidade. Mas ele não me "ataca" apenas por aqui!

.... sou capaz de jurar que, tal como eu, no auge de um momento romântico, atira com uma "desdramatizante" graçola que, das duas, uma, ou mata ou apaixona irremediávelmente o parceiro (sei do que falo, Flavio, e tu também!).

Meus amigos, apresento-vos o "Homem", não há meio termo, é pegar ou largar... poupa-vos-ei a fabulosos palavrões...

E ti, Flavio, as minhas desculpas pela tradução, prometo que vou tentar ser o mais fiel possível. Tenta entender, há puritanos à
espreita...

Publicado por cotadaembolsa em 10:25 AM | Comentários (0)