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May 17, 2006

A Abóbada

Mosteiro da Batalha.jpg
(...)
"Mui sabedor Mestre Afonso, que quereis se faça do canto, que para aqui mandastes trazer?"

"Assentae-o bem debaixo do fecho da abóbada, no meio desse claro, que deixam os prumos centraes dos simples."

Os obreiros fizeram o que o architecto mandara: este então voltou-se para El-Rei, e disse:

"Senhor rei, é chegado o momento de vos declarar meu segundo voto. Pelo corpo e sangue do Redemptor jurei que, assentado sobre a dura pedra, debaixo do fecho da abobada, estaria sem comer nem beber durante três dias, desde o instante em que se tirassem os simples. De cumprir meu voto ninguém podera mover-me. Se essa abóbada desabar, sepultar-me-ha em suas ruínas: nem eu quizera encetar, depois de velho, uma vida deshonrada e vergonhosa. Esta é a minha firme resolução."

Dizendo isto, o cego travou com força do braco de Fernão d'Évora, e encaminhou-se para a porta do capítulo.
(...)

(Alexandre Herculano, Lendas e Narrativas - A Abóbada)

Publicado por Santiago às May 17, 2006 04:00 PM

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