com pinga de sangue

retalhos da vida de duas enfermeiras



domingo, 01 de janeiro de 2006

 

Feliz Ano Novo!

Quero desejar a todos um Feliz Ano de 2006, com tudo de bom!

Beijinhos

# Publicado por geraldinha | 03:22 | Comentários (20) | Referências (1)

domingo, 30 de outubro de 2005

 

Bonsai

Ontem ofereceram-me um bonsai!

Confesso que apesar de achar piada, nunca tive jeito para plantas, e comigo, nem a salsa dura muito tempo...

Ainda não tinham decorrido 24 horas e já o meu bonsai tinha tido um acidente: ao tirar as coisas do carro, caíu ao chão e partiu-se o vaso! Fiquei logo preocupada com a extrema sensibilidade da dita, já traumatizada ao fim de tão pouco tempo...

Hoje de manhã, como não sabia bem o que fazer, levei a árvore ao centro Luso-Bonsai em Campolide, onde foram muito atenciosos. Lá ficaram muito preocupados com umas folhas mais escuras que tinha, e ao fim de trocarem impressões uns com os outros, decidiram substituir-me o bonsai. Suspeitavam do início de uma praga, e já era o terceiro caso esta semana, manifestado por aquele tipo de folhas escuras. Escolhi outra Carmona , muito bonitinha, com umas flores brancas.

Lá pedi mais umas informações sobre como se rega, onde o punha, a história da poda e da transplantação. Ora acho que vou ter de lhe arranjar um calendário! De 15 em 15 dias tenho de lhe dar as vitaminas e rodar o vaso 180º, em Abril / Maio tenho de o levar lá para transplantar... todos os dias tenho de ver se já está a precisar de água... E se fôr de férias ou fim de semana, posso sempre deixar o bonsai no HOTEL, imagine-se só!

Bem, vamos lá ver como consigo conjugar o tratamento do bonsai com os turnos...

Já agora Alegrão, tenho mais umas fotos de pôr-do-sol que trouxe das férias que ponho em breve.

# Publicado por geraldinha | 01:43 | Comentários (12) | Referências (2)

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

 

parabéns

Tinha vontade de lhe dedicar um post semelhante ao que a Jacky dedicou à sua amiga. Pensei também em dedicar-lhe uma canção, tal como o Alegrão faz com os amigos. Mas pus-me a folhear aquele álbum de fotografias e o tempo foi passando.

Enternecem-me as recordações do que já passámos mas também estou curiosa com as futuras aventuras (é desta que fazemos o tal curso). Parabéns Geraldinha.

# Publicado por Cris | 10:55 | Comentários (9) | Referências (0)

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

 

quem espera desespera

Detesto salas de espera. Sentamo-nos em cadeiras desconfortáveis, em salas muito pequenas, sobrelotadas e pouco ventiladas. Cruzamo-nos com pessoas doentes, que estiveram doentes ou que ainda não sabem se são doentes.

Cruzamos o olhar com os mais doentes e antevemos a nossa própria doença. As conversas em redor desfiam pormenorizadamente o processo de doença, os sintomas e as complicações. Desejamos levantar-nos e abandonar a sala, rejeitando todo e qualquer pensamento que nos leve a acreditar que temos aquela doença.

Durante aqueles longos momentos de espera, nem o televisor emudecido, nem as revistas antigas aliviam a ansiedade. A cada toque do intercomunicador sente-se uma náusea e um aperto no estômago.

É um ritual tortuoso pejado de angústia e de fragilidade que se repete vezes sem conta no doente crónico. Os doentes oncológicos, por exemplo, sofrem de náuseas e vómitos antecipatórios que começam frequentemente nas vésperas dos tratamentos e nem sempre a intervenção medicamentosa atenua este mal-estar.

É um fenómeno desconhecido, decerto, das entidades gestoras dos serviços de saúde, pois só assim se compreende o fraco (ou nenhum) investimento em minimizar os efeitos devastadores duma doença crónica.

# Publicado por Cris | 09:17 | Comentários (8) | Referências (0)

domingo, 09 de outubro de 2005

 

cuidados paliativos

Portugal comemorou pela primeira vez o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos ontem, 8 de Outubro, com inúmeros eventos programados pela Associação Nacional de Cuidados Paliativos para a próxima semana.

Todos os anos em Portugal mais sessenta mil pessoas necessitam de cuidados paliativos. As equipas de cuidados paliativos cobrem apenas três mil pessoas. É urgente reconhecer que os cuidados paliativos devem ser uma prioridade até pela dimensão do problema: quando alguém adoece numa família, toda a família adoece. Pelo menos três pessoas sofrem com o doente e, no nosso país, estima-se que cerca de 180 mil pessoas não tenham qualquer tipo de apoio.

Os cuidados paliativos são desenvolvidos por uma equipa multidisciplinar que inclui médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais e que se estende à família do doente terminal. O objectivo principal é ajudar as pessoas em fase terminal, os seus familiares e as pessoas próximas, escutando-as e acompanhando-as de forma a encontrar um novo sentido para a vida e, simultaneamente, aliviar o sofrimento e proporcionar condições de dignidade na vida, na doença e na morte.

# Publicado por Cris | 21:20 | Comentários (8) | Referências (58)
 

Escassez de enfermeiros?

A escassez de profissionais de enfermagem ameaça a vida das organizações prestadoras de cuidados de saúde e, mais grave, a vida dos cidadãos que a estas ocorrem.

O sucesso de todos os planos de “reforma”, um termo vitima de grande desgaste nos últimos 15 anos, assim como os planos de investimento dos agentes do sector privado/social, no contexto do nosso Serviço Nacional de Saúde, é ameaçado por este factor.

Curiosamente, sondagens internacionais em que se pede ás pessoas que classifiquem as profissões mais prestigiadas começam a atribuir à profissão de enfermagem um lugar entre as cinco profissões mais prestigiadas do mundo ocidental entre investigadores/cientistas, professores, clínicos, assistentes sociais, oficiais do exército ou até bombeiros.

De facto, em diferentes trabalhos do género a profissão de enfermagem distingue-se como uma das profissões a que se atribui um crescente papel de modernização dos cuidados de saúde em completa sintonia com a própria evolução científica da profissão clínica.

Outros estudos, muito mais sérios que as simples sondagens, confirmam a tendência e indicam que a crescente escassez de enfermeiros qualificados experientes aumenta o risco e questiona o sucesso da intervenção das unidades prestadoras de cuidados de saúde. Estão vidas humanas em risco. Estão em risco os resultados do investimento no sector da saúde. Não se trata, porém, do “value for money” mas antes da avaliação dos “outcomes” da intervenção em cada cidadão e utente dos serviços de saúde.

Um dos relatórios que mais impacto teve nesta análise internacional no contexto da investigação em gestão em saúde em que trabalho faz mais de quinze anos, foi o da Joint Commission Expert Roundtable focalizado na transformação do local de trabalho da enfermagem. De entre as suas recomendações fundamentais destaco a necessidade de promover o desenvolvimento científico da enfermagem. Falhar neste propósito de desenvolvimento social (!) significa o aumento de mortes evitáveis, complicações no tratamento dos doentes, aumento da duração do internamento desnecessário, assim como o risco de infecção hospitalar e outros efeitos negativos sobre o bem-estar, recuperação e reabilitação de cada doente.

Em diversos estados da União Europeia, incluindo Portugal, são milhares os postos de trabalho de enfermagem disponíveis. Este facto, deu lugar, em contextos nacionais onde a regulamentação é deficiente, ao fenómeno do “duplo-emprego de enfermagem” que, claramente, contribui para o aumento do risco e questiona a potencial melhoria da qualidade dos cuidados de saúde no seu global afectando, inclusive, a qualidade dos cuidados clínicos.

De entre os contextos profissionais onde este problema é mais preocupante, destaco os serviços de urgência hospitalar na sua dinâmica nacional de utilização indevida e excesso de população, cancelamento de cirurgias electivas, descontinuidade dos cuidados de saúde entre serviços dentro do mesmo hospital, nos cuidados na comunidade incluindo os chamados cuidados continuados, domiciliários e de promoção da saúde comunitária.

Embora a escassez de outros profissionais de saúde seja um factor grave de desequilíbrio na prestação de cuidados de saúde, é nos cuidados de enfermagem que reside o factor central de promoção de potenciais falhas qualidade e impacto sobre a qualidade de vida do utente dos serviços de saúde. Por isso, é pura demagogia a enunciação de um discurso organizacional de promoção da qualidade quando a prioridade dos “gestores” de organizações hospitalares é o corte de despesas com o “pessoal de enfermagem” reduzindo o rácio cama/enfermeiro e desinvestindo da formação avançada e apoio à qualidade de vida de cada enfermeiro. É ainda maior demagogia o discurso político de desenvolvimento de um sistema de saúde baseado nos cuidados primários quando, em Portugal, este é um sector sem incentivos, inclusive financeiros, ou perspectivas de desenvolvimento pessoal para os jovens enfermeiros altamente qualificados.

No contexto nacional, falta a Ordem dos Enfermeiros definir o Acto de Enfermagem e impor rácios de enfermeiro/doente, sobretudo nas unidades hospitalares. Ao ministério da saúde falta definir uma política de recursos humanos que adopte as tendências internacionais.

Entretanto, Portugal vai transformar-se em “exportador” de enfermeiros altamente qualificados cedidos a “custo zero” aos estados mais ricos da EU…

Paulo Kuteeve-Moreira, doutor em Gestão da Saúde pela University of Manchester. In Diário Económico

# Publicado por Cris | 18:31 | Comentários (6) | Referências (3)

domingo, 25 de setembro de 2005

 

Nurses

A série televisiva transmitida na SIC Mulher retrata o dia-a-dia pessoal e profissional de enfermeiros. As histórias são baseadas em entrevistas e testemunhos de enfermeiros e utentes nas diferentes dimensões dos cuidados – pediatria, cuidados intensivos, neonatologia, oncologia – e revelam momentos críticos da prática de enfermagem.

Nem todos os casos têm um desfecho positivo, feliz. Este documentário torna evidente como por vezes é difícil gerir sentimentos como a frustração, o sentimento de perda e a angústia, e ajuda o público a compreender melhor o nosso mundo ainda que espelhe a realidade britânica.

É uma oportunidade de perceber como se organizam cuidados de enfermagem e, particularmente, de entender que deste lado estão pessoas com as mesmas fragilidades de qualquer ser humano.

# Publicado por Cris | 11:16 | Comentários (6) | Referências (1)

domingo, 18 de setembro de 2005

 

o que dizem os outros

É uma malvadez aumentar a idade de reforma dos enfermeiros

Não, não é ironia, é aquilo que eu penso. Sei do que falo e não sou enfermeiro, por duas vezes estive hospitalizado, dois meses mais ou menos de cada vez, durante esse tempo apercebi-me da dinâmica de funcionamento interno de um hospital, particularmente no que diz respeito ao trabalho dos enfermeiros. É claro e óbvio que existem muitas profissões cujo trabalho físico ou psíquico é enorme, no entanto acho que provavelmente a profissão mais violenta fisicamente e psiquicamente é a de enfermagem, reparem, os enfermeiros desde que entram ao serviço até saírem não param, estão constantemente a trabalhar, e é um trabalho que exige alta concentração mental durante as horas de serviço, alto nível de responsabilização por aquilo que fazem, um enorme esforço físico durante essas horas de trabalho a um ritmo que só mesmo o brio profissional e o gosto pelo que fazem lhes permite resistir tantos anos a trabalhar, é uma profissão com altos níveis de stress permanente. Os enfermeiros são pessoas que aos quarenta e tal anos perto dos cinquenta, são pessoas esgotadas, psiquicamente prestes a rebentar, são pessoas que envelhecem precocemente, tudo devido à sua profissão que os desgasta violentamente enquanto seres humanos. Os enfermeiros são a alma motora do funcionamento dos hospitais, só mesmo Eles e Elas fazem funcionar o nosso débil sistema de assistência hospitalar. Quem não entende isto é o senhor Ministro que resolveu aumentar a idade de reforma dos enfermeiros, o senhor Ministro não entende que há profissões e profissões, o senhor Ministro e o Governo de que faz parte não entendem que há profissões e profissões, o senhor Ministro e o Governo de que faz parte não entendem Portugal, o senhor Ministro e o Governo de que faz parte só vê números e deixaram de ver pessoas, como está diferente o Partido Socialista.


Publicado por Navego, logo existo II

# Publicado por Cris | 11:57 | Comentários (8) | Referências (0)

quarta-feira, 07 de setembro de 2005

 

morte prematura

Poucas vezes o vi sorrir, uma ou duas vezes no máximo. Era dentista e tinha uma doença oncológica. Sabia melhor que outros onde procurar informação e discutia afincadamente o plano terapêutico com a equipa.

Tinha um olhar taciturno, apreensivo. Preocupava-se com o futuro e não vivia o presente.
Morreu há dias num acidente de viação.

# Publicado por Cris | 09:22 | Comentários (10) | Referências (1)

sábado, 27 de agosto de 2005

 

Criancices VII

Pois é... tenho andado meio de férias... (destas andanças, porque para férias ainda falta...)

O Rui de 10/11 anitos estava internado nos Cuidados Intensivos, já numa fase em que estava prestes a ir para a enfermaria. Estava acordado a meio da noite e perguntaram-lhe:
- Então? Não tens sono?
- Pititi, tititi, pititi! Quem é que consegue dormir? Não podem desligar os aparelhos?


# Publicado por geraldinha | 00:59 | Comentários (6) | Referências (17)

segunda-feira, 11 de julho de 2005

 

Batman

Ontem fui ver o filme "Batman - o início", e como o nome indica, trata-se da história da vida do Batman, como tudo começa. Mas o super-herói demora tanto tempo a aparecer, que no meio do filme, uma criança se vira para trás e pergunta:

- Senhora, este é o filme do Batman?

# Publicado por geraldinha | 20:55 | Comentários (14) | Referências (70)

quinta-feira, 07 de julho de 2005

 

A casa dos outros

“A D. Maria tem 47 anos... e um cancro do ovário. O marido, já reformado, quis satisfazer-lhe o desejo de não morrer no hospital.

Têm uma filha, a acabar o curso na universidade: boa aluna, em altura de exames... precisa de estudar e a sua mãe está a terminar os seus dias de vida no quarto ao lado.

A D. Maria está em cuidados paliativos... e sabe disso!

Já não quer comer, bebe apenas alguns goles de água. Tem um soro para que lhe possamos dar a medicação. Tem uma perfusão permanente de morfina, cuja eficácia não é total. A barriga... como descrever? Tem uma colostomia, que mal funciona... está inchada, como um balão que vai rebentar... e de facto, começa a rebentar: abrem-se fístulas espontaneamente e as fezes saem por todo o lado.

O cheiro? Não consigo descrever! O corpo? Pele e osso, para ser mais exacta!

Há metástases no fígado, no pulmão... a respiração é ofegante... já lá vão 5 semanas...

Diariamente desloco-me a casa da D. Maria, duas ou três vezes: para dar medicação, para cuidar daquela barriga... para falar com ela, para dar o apoio possível ao marido que tenta fazer o que sabe e o que pode.

O sofrimento? É grande... de todos!

Mas eu sou enfermeira: não é suposto que me seja difícil ver o sofrimento dos outros!

Tudo se torna mais difícil quando estou a sós com a D. Maria, que me agarra na mão e me pede insistentemente... que termine com a vida dela!

Os apelos são cada vez mais frequentes, mais desesperados: “Por favor! Se tem compaixão de mim, injecte-me qualquer coisa para terminar de vez com esta agonia! Pela sua felicidade, por favor, acabe com a minha vida...”

E eu tenho compaixão... mas nada posso fazer! A dor não se consegue controlar, é impossível cuidar dela sem lhe provocar ainda mais dores?

O que faz uma enfermeira?

Vai-se embora, para casa, a sentir-se inútil... A sentir-se incapaz... A ouvir repetidamente aquele apelo... e a desejar, embora lhe custe muito, que a eutanásia fosse possível! Mas, se fosse possível... e a praticasse, como iria para casa?

Mas para quê falar disto?... Os enfermeiros não têm sentimentos!

Saio dali, continuo o meu trabalho domiciliário: agora entro numa barraca, onde chove dentro, onde há ratos, pulgas, lixo... onde o cheiro nos faz perder o apetite... O Sr. José tem 87 anos e vive sozinho. Tem uma úlcera varicosa. Tenho que fazer o penso. Não há água... nem sequer as mãos posso lavar. Passo-as por álcool à saída e lavo-as na casa do próximo utente.

Chove desalmadamente. Volto para o carro, pelo meio da lama. Carrego as malas do material para os cuidados.

Mas para quê falar disto?... A minha profissão não é penosa!...

Próxima paragem: D. Joaquina, 92 anos, vive numas águas furtadas, 5º andar, sem elevador. Subo as escadas de madeira, apodrecidas, obscuras, com medo que alguma tábua se parta. Carrego com as malas do material...

A D. Joaquina vive com uma irmã, naquele espaço exíguo. Teve uma trombose. Tem úlceras de pressão. O tecto é baixo, inclinado, a cama está encostada à parede. Para lhe prestar cuidados tenho que me pôr de joelhos no chão e ficar inclinada.

Quando me tento endireitar as minhas costas doem... tenho as pernas dormentes... pego nas malas, desço as escadas... continua a chover... procuro o carro que tive que estacionar a 500 metros!

Mas, para quê falar disso? Os enfermeiros não se queixam...

Próximo desafio: a Helena! Toxicodependente... tem SIDA, continua a consumir... com sorte, ainda lá encontro o traficante em casa... mas as enfermeiras não têm medo!

Continuo: o Sr. Manuel é diabético, divorciado, tem 50 anos, foi amputado de uma perna, vive sozinho num 3º andar. Há 2 anos que não sai de casa: como fazer? Das poucas pessoas, com quem convive, são as enfermeiras! Precisa de conversar... como lhe dizer que ainda tenho mais 4, ou 8 pessoas e que não tenho tempo para estar ali a ouvi-lo?

Mas para quê falar disso? Os enfermeiros só dão injecções e fazem pensos... tudo o resto é supérfluo!

Para quê falar da solidão do outro, da minha impotência, do pedido de eutanásia, da chuva, do frio, do sol, do calor, do mau cheiro, das minhas dores nas pernas, do material do penso a conspurcar o meu carro (a seguir vou buscar a minha filha à escola!), das dores nas costas, do medo, da insegurança, do ventre desfeito, da tristeza, da compaixão...

...

Não, a penosidade e o risco devem ser uma ilusão minha...

Não, as enfermeiras não choram!

Mas sabem?... as lágrimas que mais doem são aquelas que não correm!”

In Histórias do quotidiano – Risco, Penosidade e Insalubridade – Uma realidade na profissão de enfermagem (2000)

# Publicado por geraldinha | 23:14 | Comentários (7)

terça-feira, 05 de julho de 2005

 

Michèlle Mouton

A piloto de automóveis francesa Michèlle Mouton nasceu a 23 de Junho de 1951, em Grasse. Mouton estudou Direito durante um ano, altura em que trocou o curso por um lugar de enfermeira estagiária num lar para deficientes. Trabalhou ainda na companhia de seguros do pai, um amante dos desportos automóveis.

Incentivada pelo pai, começou nas corridas de ralis como co-piloto. Aos 23 anos, Michèle Mouton ganhou pela primeira vez o Campeonato de França de Ralis, repetindo o feito no ano seguinte, 1975. Nesse mesmo ano, ganhou a Taça das Senhoras do Rali de Monte Carlo, um dos mais conceituados do Mundo. Venceu o Rali de Espanha em 1977 e o Tour de France, uma das provas do Campeonato Europeu. Em 1981, obteve a primeira vitória em provas do Mundial, ao vencer o Rali de San Remo, em Itália. Foi o primeiro triunfo de uma mulher numa prova do Mundial de Ralis.

Em 1983 já não esteve ao melhor nível e, em 1984, desistiu em três das quatro provas em que participou. Acabou por abandonar a competição, mas manteve-se ligada aos ralis, sendo uma das organizadoras da Corrida dos Campeões, uma competição extra-campeonato que junta, num fim-de-semana, os melhores pilotos de ralis.

In Infopédia. Porto Editora, 2003-2005.

# Publicado por Cris | 20:55 | Comentários (2)

sexta-feira, 01 de julho de 2005

 

Conceito de risco, penosidade e insalubridade

"A enfermagem é uma profissão que, pela natureza do seu exercício, corre vários riscos, seja pelo contacto ou exposição a agentes químicos, físicos, biológicos, seja pelas condições de trabalho, seja ainda pelas funções que se têm de desempenhar.

Não serão a saúde e bem-estar importantes para os enfermeiros? Evidentemente que sim. Além disso, a evidência científica mostra que, a saúde mental e física dos enfermeiros é, frequentemente, sujeita a riscos decorrentes do trabalho e que muitos são aqueles que sofrem problemas sérios que resultam muitas vezes em perda de emprego ou em incapacidade permanente (Rogers & Salvae, 1988).

O risco, a penosidade e a insalubridade estão presentes em todos os contextos de trabalho. Contudo, nem sempre é evidente para todos os profissionais o que entendemos por risco, penosidade e insalubridade. Assim, passamos a referir, de forma muito breve, o que entendemos por cada um destes conceitos.

O risco está relacionado com exposições acidentais a agressões físicas, químicas ou biológicas, que podem trazer consequências várias à saúde e integridade física: quedas, entalamentos, picadas, cortes, queimaduras, radiações, acidentes de viação, contacto com vírus ou outros microorganismos…

Aqui podemos salientar o risco de Hepatite e de Sida, por picada ou corte, o risco de tuberculose pulmonar (que não é, actualmente uma situação simples), o risco de agressão física por parte de utentes e familiares, o risco de doença oncológica por exposição a citostáticos e a radiações, o risco de infertilidade e aborto, por contacto com o gás anestésico, entre outros.

A penosidade está relacionada com as situações com as quais lidamos e que comportam uma carga psicológica perturbadora, desconforto, alteração dos ritmos biológicos: aquilo que exige um esforço físico, psicológico, social, espiritual, permanente e suplementar.

São disso exemplos o trabalho por turnos, o contacto permanente com a dor, o sofrimento e a morte, a elevada responsabilidade, o medo de errar e as consequências que esses erros podem ter na vida do outro, a necessidade de estar em constante aprendizagem e adaptação…

A insalubridade está relacionada com as condições de higiene, saúde e segurança no local de trabalho: estar em contacto com líquidos biológicos, exposto à infecção hospitalar, com infecções respiratórias relacionadas com a má manutenção dos sistemas de ar condicionado, fazer trabalho domiciliário à chuva, ao sol, entrar em casas degradadas, infestadas de insectos (dos quais os hospitais e centros de saúde também dispõem, como as inevitáveis baratas) …

Pelo que atrás expusemos pode compreender-se que apenas a insalubridade está relacionada com o local em que o enfermeiro está colocado e que, fruto da regulamentação e aplicação da legislação de higiene, saúde e segurança no local de trabalho pode ser minorada.

Contudo, por muito que se melhorem as condições de trabalho (por que sempre se lutou), o risco de contrair uma doença infecciosa, o contacto com a dor, o sofrimento e a morte, ter que passar muitas horas em pé, ter um trabalho que implica elevada responsabilidade e cujos erros podem ter danos graves para a vida e saúde do outro, entre muitos outros aspectos, fazem-nos afirmar que esta é uma profissão de elevado risco, onde quer que ela seja exercida.

As ameaças à saúde dos enfermeiros nem sempre estão muitos visíveis: os riscos invisíveis dos micróbios, da radiação ou do stress, ou a exposição permanente, ao longo de muitos anos, a pequenos tóxicos ou a sobrecargas físicas passam muitas vezes despercebidos. É, por isso, fundamental darmos alguma atenção a este problema.

Conhecer os riscos é importante: actuar é fundamental. É preciso melhorar as condições de trabalho e compensar os enfermeiros pelos riscos que correm no seu dia-a-dia.”

In Risco Penosidade e Insalubridade – Uma realidade na profissão de enfermagem (2000)

# Publicado por geraldinha | 17:15 | Comentários (5)

sábado, 18 de junho de 2005

 

qualidade de vida

Responda honestamente às questões escolhendo um dos três tipos de resposta:

1- Sim, esse facto é verdadeiro na minha vida
2- Em parte, embora precise de melhorar nesse ponto
3- Não, infelizmente ainda não faço isso por mim

Vou ao dentista de seis em seis meses?
Vou ao cinema pelo menos de 15 em 15 dias?
Faço um exame geral de saúde uma vez por ano?
Transformo os meus desejos e sonhos em realidade?
Trabalho naquilo que gosto e acredito?
Tenho um carro que me satisfaz?
Tenho um bom fundo de poupança?
Tenho casa própria?
Dedico, pelo menos, uma hora por dia aos meus filhos?
Sou verdadeiro nas minhas relações pessoais?
Sinto-me feliz com o que conquistei?
Troco amiudadamente o meu carro por um melhor?
Ouço a música que gosto?
Respeito os horários de refeições e lazer?
Estou, no mínimo, uma hora com o/a meu/minha companheiro/a?
A minha formação é aquela que desejei?
Os meus relacionamentos pessoais são bons?
Os fins-de-semana são sempre pessoais?
Gosto do meu guarda-roupa?
Viajo com frequência?
Leio assiduamente livros?
Encontro-me com os meus amigos?
Possuo equipamentos modernos em casa?
Tenho 22 dias de férias por ano?
Faço algum exercício físico?
Tenho consciência ecológica e social?

Descubra o seu nível de qualidade de vida:

Continue a ler "qualidade de vida"

# Publicado por Cris | 16:10 | Comentários (4)