dezembro 26, 2003

Adeus Ano

Adeus 2003.
Foste um bom ano, apesar de tudo.
Começaste para mim de forma febril, descontrolada. Fizeste-me subir às alturas, depois descer aos infernos, de novo me mostraste o paraíso e acaba-se assim, cansado desta viagem a alta velocidade em carrinho de montanha russa.
Também para o resto do mundo fizeste questão de mostrar que não eras um ano como os outros.
Começaste com a promessa de uma purga generalizada à hipocrisia e indiferença, à injustiça, começaste com uma inesperada promessa de Justiça. E acabamos assim, todos mais sujos com a lama da Casa Pia, com o olhar mais baço por acharmos que "não foi desta". Que nunca haverá mesmo uma "esta".
E lá por fora houve ameaças e guerra, que acabou afinal sem acabar.

Já chega.
Cumpriste o teu papel, que foi deixar-nos cheios de referências e memórias.
O 2004 já não será igual aos outros porque houve este.

Vai descansar.
Eu também vou.

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dezembro 15, 2003

Nostalgia

A princípio achei graça a vir cá, e ainda resisti contra a maré dos urgentes, e lá fazia um esforçozito por escrever qualquer coisita.
Entretanto a dura realidade da agenda foi-se imposto, e fiz visitas cada vez mais esporádicas aqui ao bloguito.
Agora surpreendo-me por uma coisa que não tem actualizações há não sei quantas semanas ainda ter visitas.

Abençoados motores de busca!
Devo ter para aqui algumas expressões que fazem titilar os mais curiosos.

Isto é suposto ser um refugiozito, onde de vez em quando venho cá largar os primeiros sintomas de depressão, ou os de euforia.
Já percebi que ambos são muito perigosos, se não os identificarmos a tempo.
Por causa da soma de uma depressão (dela) e de um estado eufórico (meu), uma pessoa ia morrendo. Ia morrendo, não. Ia-se matando.
E perdi o meu melhor amigo e a minha melhor amiga. Tudo ao mesmo tempo.
Lembro-me que nessa altura tudo parecia possível e justificável, isento de culpa e pecado.
Mas não era de facto.
Reli o que escrevi nesse tempo, à luz da serenidade e desconforto actuais.
E descobri nas entrelinhas um estado febril, irrazoável.
E revejo nesses textos alguém que vou tardando em reconhecer, apesar de saber que está cá dentro.

Às vezes apetece-me escrever com a febre que tinha na altura, em que não havia filtros entre a pele e o teclado, em que cada poro se transformava numa letra.
Mas olho para trás e vejo os efeitos devastadores que essa febre teve, e não encontro forma de ter o melhor dos dois mundos.

Estou um pouco nostáslgico, só isso. Mas pelo menos não ando a matar ninguém.

Publicado por sergio em 01:00 PM | Comentários (0) | TrackBack