novembro 11, 2003

Souto Moura

O gajo irrita-me e faz-me confusão aos nervos.

Supunha eu que para um cargo daqueles era suposto nomear um sujeito com bom senso, grande conhecedor das leis e enorme sentido de responsabilidade.

Como temos o país que merecemos (o Prof. Agostinho da Silva dizia que somos nós que escolhemos o local onde nascemos... deve haver aqui muito de masoquismo na escolha de alguns...), calhou-nos um indivíduo que em cada esquina se esforça (?) por provar que não tem um único dos atributos.

Esta agora do Ferro é notável. A notícia do Correio da Manhã, ou é verdadeira ou é falsa. Pediram-lhe para esclarecer, em defesa do bom nome de um cidadão (que é um direito que um Procurador a sério deveria acautelar...). O espécime responde exactamente ao que lhe perguntaram, escolhendo criteriosamente as palavras para que o essencial da notícia possa continuar a produzir os seus efeitos.

Compreendo que esteja ressabiado. Compreendo que vá para casa todos os dias a pensar "aqueles gajos do PS andam sempre a dizer mal de mim, e andam a denegrir a instituição".
O que não compreendo é como é que uma pessoa supostamente responsável pode pegar ao trabalho todos os dias e proceder, no âmbito da função pela qual o País lhe paga, a formas baixas e vis de vingança mesquinha.

Repito: ou existe algum indício contra o Ferro Rodrigues, ou o que o Souto Moura anda a fazer é uma canalhice vil. E, basicamente, é de uma incompetência total. Assiste impávida e serenamente à violação diária de leis (como a do segredo de justiça), provavelmente colabora nelas, e aparentemente dorme tranquilo com isto tudo.

Lamentável.

E cá vamos andando com a cabeça entre as orelhas.

Publicado por sergio em 11:05 AM | Comentários (1) | TrackBack

novembro 06, 2003

Propinas

Tava-me a apetecer fazer a 20ª entrada cá no blog.
Não há fome que não dê em fartura.

PROPINAS

Já vi escrito e com bom estilo o seguinte argumento:
"O problema não é a propina em si, mas sim os aumentos brutais".

Ok, então se o problema não é a propina em si, será de certeza quanto é que do custo real é suportado pelo Orçamento do Estado, isto é, por todos nós.
E, da maneira como anda a evasão fiscal e só pagam os trabalhadores por conta de outrém, a questão é saber quanto do salário de um operário que ganha 100 contos vai servir para pagar os estudos do futuro engenheiro que vai ganhar 500 ou mil e a seguir o vai despedir para racionalizar custos.

A lógica das contas do Estado nunca foi grande, e a principal perversidade é que as despesas são "rígidas", "inflexíveis", etc. A única preocupação é ir sacar mais dinheiro ao indivíduo ou à economia para alimentar a máquina que já lá está e precisa de combustível.

Isso eu percebo, e há muita perversidade, estupidez e incompetência nesta equação em que uma "variável" é fixa.

Mas o que não percebo é como é que podemos justificar eternamente, em nome de um suposto "socialismo" que já se percebeu vazio, a perpetuar a injustiça de fazer todos pagar pelo investimento em alguns poucos.

É verdade que a igualdade de acesso ao ensino superior é algo "socialmente moral". Até aqui tudo bem.

O problema é quando se percebe que não há de facto igualdade de direitos, uma vez que quem tiver o azar de ter nascido no interior numa família de "salários mínimos" tem que alugar um quarto em Lisboa, Porto ou Coimbra se quiser estudar aquilo para que por azar tem vocação. E gasta nisso muito mais do que gasta nas propinas. E o total disso tudo é metado do rendimento da sua família.

A igualdade de direitos é um mito.
Podem-se pôr paliativos nisto, mas que sejam pelo menos criteriosos. É o mínmo que se exige.

Acho muito bem que subam as propinas até um valor próximo do custo real (se as Universidades são bem ou mal geridas, são outros 500...).
E acho muito bem que se monte como deve ser um efectivo apoio social, com os subsídios razoáveis em função dos rendimentos reais do agregado familiar, e condicionado a aproveitamento escolar efectivo.

Ou, então, que "inventem" algo que funciona na Suécia há pelo menos 20 anos: um sistema de empréstimo. Enquanto estuda, a pessoa contrai um empréstimo escolar que mais tarde, com os rendimentos do trabalho, pagará.

Assim ao menos não me arrepiaria quando o descapotável ao entrar na Universidade pública buzinasse ao varredor de ruas que lhe paga o bem-estar futuro.

Publicado por sergio em 01:27 PM | Comentários (1) | TrackBack

Corta-fogo

Volto a escrever depois de longa ausência simplesmente porque a maré estava baixa e não me ocorreu nada.
Pode ser que agora ocorra.

Lembrei-me do Sevinate Pinto e os Bombeiros.

Vem o homem debitar uma evidência que nem os próprios contestam: os bombeiros não têm formação específica para apagar fogos.
Isto deveria ser uma boa oportunidade para os bombeiros reivindicarem mais meios e mais formação.
Poderia servir para esclarecer o que aconteceu no auge do inferno de Verão, em que dos supostos 35.000 bombeiros voluntários apenas 5 ou 7 mil andavam activos, porque os outros já tinham excedido o limite de faltas ao emprego que a legislação prevê.
Poderia ter vindo o Serviço de Protecção Civil esclarecer que tipo de coordenação fez, que tipo de prioridades estabeleceu, porque é que decidiu defender casas em vez de mandar os bombeiros atacar nas matas.
Poderiam vir os Bombeiros dizer se a coordenação foi bem ou mal feita.

Nada.

Vieram os bombeiros dizer que o ministro se devia demitir e devia ir dar aulas de formação aos bombeiros.

Tirada inteligente de retórica parlamentar.

E do resto? Não têm nada a dizer? Basta chamar nomes ao ministro?
O mundo é mesmo feito de aparências? Ninguém responde às perguntas concretas, às provocações directas?
Temos o património nacional nas mãos de homens (?) de gelatina?

Pior do que os incêndios é teimarmos em ser burros e não aprender nada com eles.
Para a próxima vai ser pior.
Se ainda houver combustível.

Publicado por sergio em 12:58 PM | Comentários (0) | TrackBack