terça-feira, 21 de março de 2006
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Longos passeios
Peço desculpa pela ausência, mas tenho andado a passear por aí.
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# Publicado por Fernando | 01:02
| Um Mundo de Cidadãos (13)
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quarta-feira, 08 de março de 2006
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Doenças dermatológicas
Vi hoje à tarde parte dum concurso na TVI em que os concorrentes tinham de responder a questões de cultura geral.
À pergunta «Que nome se dá a uma porção de terra cercada de águas por todos os lados?», uma concorrente respondeu «rio».
À pergunta «Quem acompanhou Gago Coutinho na primeira travessia aérea do Atlântico sul?», outra concorrente não respondeu. Pela sua expressão, não fazia a mínima ideia do que se falava. A mesma concorrente também ficou muda quando interrogada sobre o nome do criador do Zé Povinho. Nos seus olhos era bem visível a expressão: Zé quê??!!!
Dir-me-ão que a cultura geral é apenas a epiderme do conhecimento, mas, porra!, com epidermes destas, o que é que esta gente vai lá fazer?
Porque não consultam primeiro um dermatologista?
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# Publicado por Fernando | 23:57
| Um Mundo de Cidadãos (29)
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segunda-feira, 06 de março de 2006
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A poesia é para comer
Houve de tudo no encontro «a poesia nos blogs» que se realizou perto de Santarém no sábado passado.
Uma organização perfeita.
Salada de poesia.
Um local fantástico(*) que nos recebeu com uma selecção de entradas que mais pareciam saídas.
Poesia de escabeche.
Reencontros de camaradas de outras guerras que há anos não se viam.
Poesia escalfada.
Beijos na boca entre poetas e dezedores de poesia, entrecortados por exercícios práticos de cartomancia e pianadas eléctricas de duvidosa qualidade.
Poesia a copo.
Conversas bem-dispostas com caralhadas de permeio.
Sopa de poesia.
Bulhão Pato sem ameijoas.
Poesia engarrafada.
Um grupo singelo, resultante de um curioso cruzamento duma mão cheia de escuteiros com o coro da Capela do Rato (de antes do 25 de Abril), cantando canções populares.
Bacalhau de poesia.
Um palerma numa madrugada com um frio de rachar acenando desalmadamente num cruzamento deserto na tentativa de indicar a outros palermas o caminho para o hotel. (Não, não me viram!).
Arroz doce polvilhado com poesia.
Uma garrafa de vinho que misteriosa e espontaneamente apareceu no átrio do hotel na mala de uma senhora cuja identidade, obviamente, não revelarei.
Poesia digestiva.
Um hotel que não aceita cartão multibanco ou visa, localizado a quilómetros do caixa automático mais próximo, e que não tem qualquer aviso sobre tão invulgar facto.
Poesia com todos.
A reportagem fotográfica pode ser vista aqui, e outros relatos, bem mais fidedignos do que este, podem ser lidos aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
(*) Informação ao público: ao contrário do que à primeira vista pode transparecer para os mais dados às canções infantis, a Quinta da Ribeirinha não fica próxima do Pombal de São João e, muito menos, da Quinta Nova.
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# Publicado por Fernando | 00:08
| Um Mundo de Cidadãos (12)
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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006
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Há dias assim
Há dias e dias.
Há dias em que olhamos para trás com a ternura num olho e o desencanto noutro.
Há dias em que não temos a certeza do que queremos.
Há dias em que temos a certeza do que não queremos.
Há dias em que o futuro passa por nós à velocidade da luz.
Há dias em que o passado se senta à nossa frente.
Há dias em que é simultaneamente cedo e tarde demais.
Há dias que, sendo iguais a tantos outros, são diferentes e únicos.
Há dias em que apanhamos uma gripe filha da puta.
Há dias fodidos.
Há dias em que se faz quarenta anos.
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# Publicado por Fernando | 01:37
| Um Mundo de Cidadãos (26)
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sábado, 11 de fevereiro de 2006
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Pensamento nocturno
Nenhuma caricatura ofende mais uma religião do que assassinar em seu nome.
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# Publicado por Fernando | 06:15
| Um Mundo de Cidadãos (13)
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quarta-feira, 08 de fevereiro de 2006
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Cartunices
Há dias que dura a polémica da bonecada: uma dúzia de cartunes – alguns até muito fraquitos – leva a manifestações, incêndios e mortes.
A minha primeira reacção foi nada escrever sobre o assunto, porque me pareceu que nada iria acrescentar à opinião óbvia – pensava eu – das gentes de um país livre.
Qual não é o meu espanto, quando a tal opinião não era tão óbvia quanto isso. Começo a ler por aí que as crenças são intocáveis, que é um desrespeito por outras culturas, que é arrogância da civilização ocidental e mais um chorrilho de discursos de idêntico teor. Até a posição do Governo se pauta por um baixar de calcinhas ao politicamente correcto, nas pessoas do chefe Sócrates e do ministro que já foi secretário-geral da assembleia das Nações Unidas. Pasme-se!
Mas o argumento que mais me irrita é o de que «nós atiramos-lhes cartunes e agora eles atiram-nos bombas». Ora, um cartune não mata ninguém e não pode ser por medo (muitas vezes mal disfarçado de bom-senso) que se deve calar o que quer que seja.
O bom-senso deveria ter imperado? Claro, como em quase tudo na vida. Podemos acusar de mau-senso os jornais que publicaram os bonecos? Talvez, mas isso não justifica, de modo algum, os acontecimentos daí decorrentes.
Os cartunes estão a ser usados como pretexto para instigar ao ódio? Estão, mas não passam dum pretexto. Se não existissem, outros subterfúgios se arranjariam. Alguém duvida?
Fico danado quando um punhado de dirigentes religiosos fanáticos e imbecis continua a lavagem cerebral implícita a qualquer religião – aqui é o ateu que disserta livremente sobra as crenças dos outros – de milhões que não sequer viram os cartunes nem sabem o que são, e o pessoal a achar que a culpa é duns gajos que resolveram exprimir a sua visão (ou uma das possíveis visões) sobre o fundamentalismo islâmico.
É um facto que houve manipulação política neste caso, mas isso não torna os desenhos piores nem melhores do que o que são. E até acontecimentos aparentemente inocentes podem ser usados como rastilho por filhos da puta especialistas em alimentar o barril de pólvora que é o ódio.
Uma das frases que me norteiam é de Voltaire Beatrice Hall(*): «Não concordo com o que dizes, mas defenderei até à morte o direito de o dizeres». Dentro deste espírito, verdadeira bandeira da liberdade de expressão, e, consequentemente, de Liberdade, não concebo a existência de tabus em questões de crítica, sátira ou humor.
E como Voltaire também disse que «uma discussão prolongada significa que ambas as partes estão erradas», não pretendo voltar ao assunto. Mas não sem antes deixar bem claro que a ideia de que deve haver limites quanto ao que se pode dizer ou escrever (ou desenhar), é uma das mais reaccionárias que conheço. (*) A Sandra fez o favor de me elucidar acerca dum erro de décadas que afecta milhares de pessoas: a frase em questão não é da autoria de Voltaire, mas sim de Beatrice Hall ao referir-se a uma atitude dele, no livro "The Friends of Voltaire", 1906. Obrigado.
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# Publicado por Fernando | 01:39
| Um Mundo de Cidadãos (7)
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terça-feira, 07 de fevereiro de 2006
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Para que conste
Não sou dinamarquês, não sou maometano e não sou cartunista.
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# Publicado por Fernando | 13:03
| Um Mundo de Cidadãos (0)
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domingo, 29 de janeiro de 2006
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Batem leve, levemente
Pela primeira vez vejo nevar em Lisboa.
Quem disse que aos quarenta já está tudo visto?
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# Publicado por Fernando | 15:14
| Um Mundo de Cidadãos (12)
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2006
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Décimas do escavacanço
Engoliu tudo à primeira
por seis décimas apenas.
Tão desmedida a asneira
com medidas tão pequenas.
Alegre lá fui votar
exercendo o meu dever,
apesar de já prever
que não iria acertar.
(Ao jogo só tenho azar...)
E não é que na cadeira
se vai sentar altaneira
a figura que eu cá sei?
Desta vez, sem bolo-rei,
engoliu tudo à primeira.
(Há doutores analfabetos,
florestas incendiadas,
famílias desempregadas
dos avós até aos netos...
E os políticos quietos
de cabecinhas pequenas
a cagarem-se nas penas
do povo que os elegeu:
– Isto agora é tudo meu
por seis décimas apenas!)
Mais um se diz presidente
de todos os portugueses...
Cá para mim, se o for às vezes,
será para enganar a gente.
Eu continuo descrente,
já não vou na cavaqueira
desta cambada interesseira
que governa de improviso.
Talvez ganhemos juízo
tão desmedida a asneira...
País de brandos costumes
é uma frase tão batida,
quantas vezes proferida...
Tal qual faca de dois gumes,
de cada lado faz ferida.
Ó povo que mais ordenas
neste país de novenas,
pátria de sebastiões;
porque medes os colhões
com medidas tão pequenas?
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# Publicado por Fernando | 01:09
| Um Mundo de Cidadãos (13)
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E alegre se fez triste
Aquela clara madrugada que
viu lágrimas correrem no teu rosto
e alegre se fez triste como se
chovesse de repente em pleno agosto.
Ela só viu meus dedos nos teus dedos
meu nome no teu nome. E demorados
viu nossos olhos juntos nos segredos
que em silêncio dissemos separados.
A clara madrugada em que parti.
Só ela viu teu rosto olhando a estrada
por onde um automóvel se afastava.
E viu que a pátria estava toda em ti.
E ouviu dizer-me adeus: essa palavra
que fez tão triste a clara madrugada.
Manuel Alegre
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# Publicado por Fernando | 01:01
| Um Mundo de Cidadãos (1)
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domingo, 22 de janeiro de 2006
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Vastíssimos conhecimentos
No concurso da RTP1 O cofre que passou este sábado a pergunta era: Quem escreveu Inéditos e Dispersos publicado postumamente em 1910?
Entre as já habituais respostas tontas e anacrónicas – Torga, Aquilino, Pessoa, Almeida Negreiros (sic) – dos concorrentes, o apresentador Jorge Gabriel ia tentando ajudar:
– Autor de uma obra vastíssima... Estudei-o na escola... Escreveu imensos livros...
Ora, isto só demonstra, das duas uma: ou que Jorge Gabriel – apesar de tentar demonstrar o contrário – já esqueceu o que aprendeu, ou que os seus conceitos de obra vastíssima e imensos livros são, no mínimo, estranhos.
A resposta era Júlio Dinis e, correndo o risco de entupir o servidor, deixo aqui a lista da sua extensa obra:
As Pupilas do Senhor Reitor (1867)
A Morgadinha dos Canaviais, (1868)
Uma Família Inglesa (1868)
Serões na Província (1870)
Os Fidalgos da Casa Mourisca (1871)
Poesias (1873)
Inéditos e Dispersos, (1910)
Teatro Inédito (1946-1947)
Se não tivesse morrido com apenas 31 anos, talvez o Jorge Gabriel viesse a ter razão. Mas isso...
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# Publicado por Fernando | 01:30
| Um Mundo de Cidadãos (7)
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segunda-feira, 16 de janeiro de 2006
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Informação precisa-se
Nos últimos dias tenho assistido a depoimentos de figuras públicas elogiando o trabalho da SIC Notícias e a alguns excertos de reportagens consideradas relevantes desde o nascimento do canal informativo. Tudo isto no âmbito das comemorações do quinto aniversário.
Acontece que esta semana passaram imagens da reportagem do funeral de Amália Rodrigues, enquadradas nos tais cinco anos de informação.
Tudo estaria bem não fora o triste acontecimento ter-se dado há mais de seis anos. Há aqui qualquer coisa que não bate certo...
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# Publicado por Fernando | 09:44
| Um Mundo de Cidadãos (4)
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Arco-íris
O sol, dia após dia, não queimava
o meu corpo soturno e sombrio.
E eu ambicionando um mar de lava
que me abrasasse o coração vazio...
A cada noite a lua minguava,
no meu quarto, crescente só o frio.
E eu ansiando a luz que fosse escrava
dum farol que orientasse o meu navio...
Foi então que te vi, de sete cores,
avivando o meu céu, serena e nua,
num arco que apagou todas as dores.
Encheste de clarões a minha rua,
cobriste a minha cama de mil flores,
tornaste-te meu sol e minha lua.
(11 de Novembro de 2004)
Fantasticamente ilustrado pelo Ognid (Catedral).
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# Publicado por Fernando | 09:32
| Um Mundo de Cidadãos (4)
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sábado, 31 de dezembro de 2005
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paralelismos paralelepipédicos

foto por Fernando
Ponta Delgada, 06-08-2005
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# Publicado por Fernando | 02:03
| Um Mundo de Cidadãos (9)
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sexta-feira, 30 de dezembro de 2005
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Afinal, quem são os piratas?
Como referi no post anterior, eu sou dos palermas que compram CDs e DVDs originais. Acontece que ontem comprei o mais recente CD do Rui Veloso e não me apercebi do discreto (demasiado discreto) logótipo Copy Control.
O Copy Control, que pretende ser um meio de impedir a cópia digital e propagação pela Internet, tem algumas particularidades. Entre elas, destaca-se a de nem todos os leitores conseguirem ler o CD, principalmente os dos auto-rádios. O aviso está escrito em letras miudinhas (demasiado miudinhas) na contracapa.
Quer isto dizer que a EMI me vendeu um CD que não pode ser reproduzido num leitor escolhido por mim, logo, um produto de características abaixo de qualquer outro CD sem a referida tecnologia.
No entanto, a EMI está convencidíssima de que me vendeu um artigo fantástico e cobrou-me o já habitual e exorbitante preço associado a este tipo de produto.
A EMI pensa que está a prestar um grande serviço aos autores, compositores e intérpretes, quando, na verdade, é exactamente o contrário. Está a contribuir para que, no futuro, a venda dos seus CDs decresça e aumente a distribuição ilegal.
A EMI acha que com esta atitude impede a pirataria (estes tipos, ou são ingénuos ou estúpidos). Parece desconhecer que é a pirataria industrial e não as descargas através da Internet que lhe minam os lucros, e que qualquer um que se dedique a esse negócio paralelo tem meios de dar a volta a estas paneleirices enquanto o diabo esfrega um olho.
A EMI parte do princípio de que os seus clientes são criminosos e, como paga, ainda lhes vende um produto de baixa qualidade.
Pois a primeira coisa que fiz, foi abrir o vulgaríssimo Nero e, em menos de cinco minutos, tinha na mão um CD pirata que o meu auto-rádio reconhece.

Convém esclarecer que a EMI foi impedida de colocar nos seus CDs o logótipo de CD áudio que todos conhecemos (o que está aqui à direita). Esse logótipo é atribuído aos CDs áudio que respeitam o padrão definido nos anos 80 pela Philips, e cujo objectivo é garantir determinadas características e níveis de qualidade.
É que os CDs da EMI são já bastante diferentes dos CDs áudio padrão. São uma autêntica merda.
Já não bastava a Sony-BMG com o XCP que tanta polémica deu e a Capitol Records com o seu vírus.
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# Publicado por Fernando | 01:35
| Um Mundo de Cidadãos (6)
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2005
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Eu, futuro pirata
O meu finado leitor de DVDs custou-me, há alguns anos, 120 contos. Lia DVDs, CDs e SVCDs (estes, só se fossem originais...). Hoje consegue-se um bom leitor de DVDs por cerca de sessenta euros, enquanto um DVD anda por volta dos vinte. Quer isto dizer que se consegue comprar um leitor pelo preço de três DVDs ou quatro CDs. Ainda por cima, um leitor actual lê DVDs, CDs, SVCDs, MP3, DivX, PhotoCD, e até os há com rádio com RDS e o diabo a quatro.
Há uma lógica comercial nisto: facilitar a aquisição do aparelho para que se gaste na compra dos discos. É, no fundo, o mesmo princípio usado na venda de impressoras. Esta é quase dada, mas um conjunto de tinteiros custa os olhos da cara e, quantas vezes, também o olho do cu.
Temos então que o preço dos leitores se reduziu cerca de dez vezes, enquanto inovavam nas suas características, os CDs continuam na mesma e os DVDs reduziram cerca de um terço.
Acontece que, na verdade, o preço dos DVDs não diminuiu. O que aconteceu foi que passaram a oferecer-nos menos do que no início. É rara a caixa de DVD que abro que contenha mais do que o disco. Nem informações sobre o filme, nem ficha técnica, nem índice de cenas, nem nada. Só o filho da puta do disco, seja edição de coleccionador, seja edição especial, seja o raio que os parta.
Para quê então uma embalagem tão grande? Não podiam vendê-los em caixas de CD (das mais estreitas, já agora!) e pronto? Não! Um gajo tem de levar com uma embalagem gigantesca com um disquito lá dentro. Um desaproveitamento de espaço absolutamente estúpido...
Os palermas que, como eu, compram CDs e DVDs originais, fazem-no em grande parte devido à informação inclusa sobre a obra, que, no caso dos DVDs, passou a ser zero. Se nada mais houver do que o disco, sinto-me roubado e no direito de roubar também. Ladrão que rouba ladrão...
É por isso que começo a pensar seriamente se não será melhor piratear o filme e pronto. Com a grande vantagem de não ter de levar com a publicidade que agora começa a ser moda invadir os DVDs no início, e que nem dá para passar à frente. Aquela que diz que piratear filmes dá três anos de prisão...
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# Publicado por Fernando | 23:53
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domingo, 18 de dezembro de 2005
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Sei que Cavaco pode ganhar
Todos os dias paro em semáforos onde dou de caras com cartazes do candidato Cavaco. Nestes cartazes aparecem as frases “Portugal Maior”, “Sei que Portugal pode vencer” e “Portugal precisa de Si”.
Ora, esperar num semáforo é dos poucos momentos diários que temos para pensar. Vai daí, pus-me a matutar no sentido das frases e achei-as, no mínimo, estranhas. Senão vejamos:
“Portugal Maior”. Numa altura em que se apresentam projectos de milhões para encurtar distâncias com o TGV (CAV em português), o candidato Cavaco aparece manifestando o desejo público de que Portugal deve ser maior. Pessoalmente, acho que tristezas, quanto menores, melhor... E Portugal já é uma tristeza demasiado grande como está.
“Sei que Portugal pode vencer” é uma frase fantástica, assinada pelo candidato, que nada diz e diz tudo. Pode vencer o quê? O Mundial 2006? O Euro 2006 sub-21? A maratona nos próximos Jogos Olímpicos? O mundial de hóquei em patins?
Neste caso, “Prognósticos só no fim” seria uma frase igualmente adequada, não fora já ter sido registada pelo candidato Alegre para próxima frase-chave da sua campanha.
Mas se vencer for intransitivo, então o significado é “Sei que Portugal pode tornar-se (um) vencedor”, o que não abona a favor do candidato. É que o verbo poder, neste contexto, não tem a força da certeza necessária a um pretendente a tal cargo. Teria de ser “Sei que Portugal vai vencer” ou “Sei que Portugal vencerá”. Como está, a frase vale tanto como “Sei que o Benfica pode perder”, “Sei que o Liedson pode falhar o penálti” ou “Sei que Portugal pode empatar” – a escolha mais acertada, já que isto é um país de empatas. É só ver os debates...
Mais de acordo com Cavaco seriam “Nunca me engano e raramente tenho dúvidas”, “Deixem-me trabalhar”, “Não leio jornais”, “Boas (tchuu) Festas (ptchuu) a todos. O bolo-rei está (ptchuuu) óptimo” ou “Sei lá quantos cantos tem Os Lusíadas. O Camões também não sabia nada de finanças”

Mas a mais estranha é “Portugal precisa de Si”. Só após muito trabalhinho de neurónios entendi que a frase foi de sétima escolha.
Os criativos pensaram em “Portugal precisa de Dó”, mas acharam-na muito comiserativa; “Portugal precisa de Ré” seria, nitidamente, um apelo à marcha-atrás; “Portugal precisa de Mi” revelaria um egocentrismo brutal e de efeito contraproducente; “Portugal precisa de Fá” chamaria malcheirosos aos portugueses; “Portugal precisa de Sol” seria um disparate quando andam todos a dizer que o que faz falta é chuva; “Portugal precisa de Lá” soaria muito longínqua. Restou, portanto, “Portugal precisa de Si”, apesar de um criativo com alguns conhecimentos musicais ainda ter proposto no meio da confusão do brainstorming (tempestade cerebral em português) “Portugal precisa de Si bemol”.
Vamos lá ver se Portugal cai em si. E, já agora, afinadinho...
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# Publicado por Fernando | 15:15
| Um Mundo de Cidadãos (16)
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quinta-feira, 06 de outubro de 2005
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Da memória e da saudade
Uma curta pausa na minha ausência – esta foi boa! – só para lembrar que faz hoje seis anos que desapareceu fisicamente a portuguesa mais portuguesa de sempre.
Amália
(José Galhardo / Frederico Valério)
E, já agora, relembro o post de há um ano.
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# Publicado por Fernando | 13:15
| Um Mundo de Cidadãos (13)
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quinta-feira, 22 de setembro de 2005
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# Publicado por Fernando | 00:29
| Um Mundo de Cidadãos (10)
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quarta-feira, 21 de setembro de 2005
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Frase da noite (de ontem)
«O Sporting parece que tem mala-posta na Choupana»
Participante na Bancada Central*, programa da TSF, referindo-se ao jogo de futebol da véspera entre o Sporting Clube de Portugal e o Nacional da Madeira.
Ora esta frase é claramente falsa. Como é sabido, o Sporting não se faz transportar em qualquer carruagem ou diligência. Desloca-se sempre de malapata.
Malapata é também o nome do meio do árbitro Olegário Benquerença e, convenhamos, o mais bonito dos três.
* A Bancada Central é um dos meus fetiches radiofónicos. Uma delícia diária, imperdível para qualquer estudioso das qualidades que tão bem definem este país: a inveja, a má-educação e a boçalidade, entre outras características igualmente fascinantes como a clubite primária.
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# Publicado por Fernando | 14:06
| Um Mundo de Cidadãos (3)
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