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<title>Catedral</title>
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<title>Boris Vian</title>
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<summary type="text/plain"> Quero uma vida em forma de espinha Quero uma vida em forma de espinha Num prato azul Quero uma vida em forma de coisa No fundo dum sítio sozinho Quero uma vida em forma de areia nas minhas mãos...</summary>
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<email>dionisio.leitao@gmail.com</email>
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<![CDATA[<center>
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<p><em>Quero uma vida em forma de espinha</em></p>

<p>Quero uma vida em forma de espinha<br />
Num prato azul<br />
Quero uma vida em forma de coisa<br />
No fundo dum sítio sozinho<br />
Quero uma vida em forma de areia nas minhas mãos<br />
Em forma de pão verde ou de cântara<br />
Em forma de sapata mole<br />
Em forma de tanglomanglo<br />
De limpa chaminés ou de lilás<br />
De terra cheia de calhaus<br />
De cabeleireiro selvagem ou de édredon louco<br />
Quero uma vida em forma de ti<br />
E tenho-a mas ainda não é bastante<br />
Eu nunca estou contente</p>

<p><em>Boris Vian</em><br />
</center></p>]]>

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<title>Do retrato #16</title>
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<title>***</title>
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<summary type="text/plain"> Tu estás aqui Estás aqui comigo à sombra do sol escrevo e oiço certos ruídos domésticos e a luz chega-me humildemente pela janela e dói-me um braço e sei que sou o pior aspecto do que sou Estás aqui...</summary>
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<![CDATA[<center>
<img src="http://static.flickr.com/83/277293017_642c4fe9f4_o.jpg" height="700">

<p><em>Tu estás aqui</em></p>

<p>Estás aqui comigo à sombra do sol<br />
escrevo e oiço certos ruídos domésticos<br />
e a luz chega-me humildemente pela janela<br />
e dói-me um braço e sei que sou o pior aspecto do que sou<br />
Estás aqui comigo e sou sumamente quotidiano<br />
e tudo o que faço ou sinto como que me veste de um pijama<br />
que uso para ser também isto este bicho<br />
de hábitos manias segredos defeitos quase todos desfeitos<br />
quando depois lá fora na vida profissional ou social só sou um nome e sabem<br />
                                                                                                    o que sei o<br />
que faço ou então sou eu que julgo que o sabem<br />
e sou amável selecciono cuidadosamente os gestos e escolho as palavras<br />
e sei que afinal posso ser isso talvez porque aqui sentado dentro de casa sou<br />
                                                                                                  outra coisa<br />
esta coisa que escreve e tem uma nódoa na camisa e só tem de exterior<br />
a manifestação desta dor neste braço que afecta tudo o que faço<br />
bem entendido o que faço com este braço<br />
Estás aqui comigo e à volta são as paredes<br />
e posso passar de sala para sala a pensar noutra coisa<br />
e dizer aqui é a sala de estar aqui é o quarto aqui é a casa de banho<br />
e no fundo escolher cada uma das divisões segundo o que tenho a fazer<br />
Estás aqui comigo e sei que só sou este corpo castigado<br />
passado nas pernas de sala em sala. Sou só estas salas estas paredes<br />
esta profunda vergonha de o ser e não ser apenas a outra coisa<br />
essa coisa que sou na estrada onde não estou à sombra do sol<br />
Estás aqui e sinto-me absolutamente indefeso <br />
diante dos dias. Que ninguém conheça este meu nome<br />
este meu verdadeiro nome depois talvez encoberto noutro<br />
nome embora no mesmo nome este nome<br />
de terra de dor de paredes este nome doméstico<br />
Afinal fui isto nada mais do que isto<br />
as outras coisas que fiz fi-Ias para não ser isto ou dissimular isto<br />
a que somente não chamo merda porque ao nascer me deram outro nome<br />
                                                                                        que não merda<br />
e em princípio o nome de cada coisa serve para distinguir uma coisa das<br />
                                                                                        outras coisas<br />
Estás aqui comigo e tenho pena acredita de ser só isto <br />
pena até mesmo de dizer que sou só isto como se fosse também outra coisa<br />
uma coisa para além disto que não isto <br />
Estás aqui comigo deixa-te estar aqui comigo<br />
é das tuas mãos que saem alguns destes ruídos domésticos <br />
mas até nos teus gestos domésticos tu és mais que os teus gestos domésticos<br />
tu és em cada gesto todos os teus gestos<br />
e neste momento eu sei eu sinto ao certo o que significam certas palavras como<br />
                                                                                                   a palavra paz<br />
Deixa-te estar aqui perdoa que o tempo te fique na face na forma de rugas<br />
perdoa pagares tão alto preço por estar aqui <br />
perdoa eu revelar que há muito pagas tão alto preço por estar aqui<br />
prossegue nos gestos não pares procura permanecer sempre presente<br />
deixa docemente desvanecerem-se um por um os dias<br />
e eu saber que aqui estás de maneira a poder dizer<br />
sou isto é certo mas sei que tu estás aqui</p>

<p><em>Ruy Belo</em><br />
</center></p>]]>

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<title>Minguante nº 2</title>
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<summary type="text/plain"> Saiu este fim de semana o número 2 da Minguante. Muita coisa interessante para ler e ver. Obrigatório....</summary>
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<email>dionisio.leitao@gmail.com</email>
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<![CDATA[<center><a target="_blank" href="http://www.minguante.com/"><img src="http://catedral.weblog.com.pt/arquivo/capa.jpg" width="390" height="550" /></a></center>

<p>Saiu este fim de semana o número 2 da <a target="_blank" href="http://www.minguante.com/">Minguante</a>. Muita coisa interessante para ler e ver. Obrigatório.<br />
</p>]]>

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<title>A minha Lisboa #7 - Ascensor da Bica</title>
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<email>dionisio.leitao@gmail.com</email>
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<![CDATA[<center>
<img src="http://static.flickr.com/100/275371716_131b26976c_o.jpg" width="700"><br><br><br>
<img src="http://static.flickr.com/92/275371727_ca44337c17_o.jpg" width="700"><br><br><br>
<img src="http://static.flickr.com/52/275371730_e776f0e285_o.jpg" width="700"><br><br><br>
<img src="http://static.flickr.com/113/275373846_b2065e3cf0_o.jpg" width="700"><br><br><br>
<img src="http://static.flickr.com/86/275371724_9a490001e7_o.jpg" height="700"><br><br><br>
<img src="http://static.flickr.com/71/275371719_7744a48987_o.jpg" height="700"><br><br><br>
<img src="http://static.flickr.com/86/275371721_ca44337c17_o.jpg" width="700"><br><br><br>
</center>]]>

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<title>A noite passada</title>
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<summary type="text/plain"> A noite passada acordei com o teu beijo descias o Douro e eu fui esperar-te ao Tejo vinhas numa barca que não vi passar corri pela margem até à beira do mar até que te vi num castelo de...</summary>
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<![CDATA[<center><img src="http://static.flickr.com/87/273880576_393c81fe40_o.jpg" height="700">

<p>A noite passada acordei com o teu beijo<br />
descias o Douro e eu fui esperar-te ao Tejo<br />
vinhas numa barca que não vi passar<br />
corri pela margem até à beira do mar<br />
até que te vi num castelo de areia<br />
cantavas "sou gaivota e fui sereia"<br />
ri-me de ti "então porque não voas?"<br />
e então tu olhaste<br />
depois sorriste<br />
abriste a janela e voaste</p>

<p>A noite passada fui passear no mar<br />
a viola irmã cuidou de me arrastar<br />
chegado ao mar alto abriu-se em dois o mundo<br />
olhei para baixo dormias lá no fundo<br />
faltou-me o pé senti que me afundava<br />
por entre as algas teu cabelo boiava<br />
a lua cheia escureceu nas águas<br />
e então falámos<br />
e então dissemos<br />
aqui vivemos muitos anos</p>

<p>A noite passada um paredão ruiu<br />
pela fresta aberta o meu peito fugiu<br />
estavas do outro lado a tricotar janelas<br />
vias-me em segredo ao debruçar-te nelas<br />
cheguei-me a ti disse baixinho "olá",<br />
toquei-te no ombro e a marca ficou lá<br />
o sol inteiro caiu entre os montes<br />
e então olhaste<br />
depois sorriste<br />
disseste "ainda bem que voltaste"</p>

<p><em>Sérgio Godinho</em><br />
</center></p>]]>

</content>
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<title>Flores #1</title>
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<modified>2006-10-18T20:35:17Z</modified>
<issued>2006-10-18T18:16:23Z</issued>
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<email>dionisio.leitao@gmail.com</email>
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<dc:subject>Fotografia - Flores</dc:subject>
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<![CDATA[<center>
<img src="http://static.flickr.com/90/273211785_4322716995_o.jpg"><br><br><br>
<img src="http://static.flickr.com/100/273211782_a80302917f_o.jpg">
</center>]]>

</content>
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<title>Entre o sonho e a realidade</title>
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<modified>2006-10-18T19:36:55Z</modified>
<issued>2006-10-18T17:50:50Z</issued>
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<summary type="text/plain"> Sentado no carro olho as luzes da cidade espalhadas pelas gotas de água que escorrem nos vidros. Ligo o aquecimento, procuro uma estação de rádio. Música melancólica. Oceano Pacífico. Apropriado. A noite vai ser longa e o dia foi...</summary>
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<![CDATA[<center><img src="http://catedral.weblog.com.pt/arquivo/hm-fbizarro-240606-159.jpg" width="700"></center>

<p>Sentado no carro olho as luzes da cidade espalhadas pelas gotas de água que escorrem nos vidros.<br />
Ligo o aquecimento, procuro uma estação de rádio. Música melancólica. Oceano Pacífico. Apropriado.<br />
A noite vai ser longa e o dia foi cansativo.<br />
"As noites longas do Oceano Pacífico".Dizem. <br />
A música, o ruído de fundo da chuva e o cansaço levam-me para um espaço entre o sonho e a realidade. <br />
Nele quero estar. <br />
É nele que tu existes. Entre o sonho e a realidade. <br />
Desde sempre foi aí que te encontrei. <br />
Nele crescemos juntos, brincámos, nele nos amamos, nele vivemos como criaturas de luz que somos. <br />
Sabemos que o tempo é curto. Apenas existe naqueles minutos entre a realidade e o sonho. <br />
Sei que estás, como eu, nos outros espaços. <br />
Mas neles não nos (re)conhecemos. <br />
E ansiamos esse pequeno espaço de tempo em que, de facto, estamos vivos. <br />
O tempo começa a esgotar-se. Luto contra o sono, luto contra o despertar. <br />
Não quero a separação. <br />
O barulho de pancadas fortes e um coro de buzinas sobressaltam-me: <br />
Acorde, gritam-me de fora do carro, o sinal está verde, porra !<br />
Você está a empatar o trânsito!<br />
</p>]]>

</content>
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<title>O amarelo da Carris</title>
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<modified>2006-10-18T10:38:37Z</modified>
<issued>2006-10-18T10:33:52Z</issued>
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<summary type="text/plain"> O amarelo da Carris vai da Alfama à Mouraria, quem diria. Vai da Baixa ao Bairro Alto, trepa à Graça em sobressalto, sem saber geografia. O amarelo da Carris já teve um avô outrora, que era o xora???. Teve...</summary>
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<email>dionisio.leitao@gmail.com</email>
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<![CDATA[<center><img alt="yellow carris bus"src="http://static.flickr.com/87/272975028_41aae5bc90_o.jpg">

<p>O amarelo da Carris<br />
vai da Alfama à Mouraria,<br />
quem diria.<br />
Vai da Baixa ao Bairro Alto,<br />
trepa à Graça em sobressalto,<br />
sem saber geografia.</p>

<p>O amarelo da Carris<br />
já teve um avô outrora,<br />
que era o xora???.<br />
Teve um pai americano,<br />
foi inglês por muito ano,<br />
só é português agora.</p>

<p>Entram magalas, costureiras;<br />
descem senhoras petulantes.<br />
Entre a verdade, os peliscos e as peneiras,<br />
fica tudo como dantes.</p>

<p>Quero um de quinze p'ra a Pampuia.<br />
Já é mais caro este transporte.<br />
E qualquer dia,<br />
mudo a agulha porque a vida<br />
está pela hora da morte.</p>

<p>O amarelo da Carris<br />
tem misérias à socapa<br />
que ele tapa.<br />
Tinha bancos de palhinha,<br />
hoje tem cabelos brancos,<br />
e os bancos são de napa.<br />
No amarelo da Carris<br />
já não há "pode seguir"<br />
para se ouvir.<br />
Hoje o pó que o faz andar<br />
é o pó (???)<br />
com que ele se foi cobrir.</p>

<p>Quando um rapaz empurra um velho,<br />
ou se machuca uma criança,<br />
então a gente vê ao espelho o atropelo<br />
e a ganância que nos cansa.<br />
E quando a malta fica à espera,<br />
é que percebe como é:<br />
passa à pendura<br />
um pendura que não paga<br />
e não quer andar a pé.</p>

<p>Entram magalas, costureiras;<br />
descem senhoras petulantes.<br />
Entre a verdade,<br />
os peliscos e as peneiras,<br />
fica tudo como dantes.<br />
Quero um de quinze p'ra a Pampuia.<br />
Já é mais caro este transporte.<br />
E qualquer dia,<br />
mudo a agulha porque a vida<br />
está pela hora da morte.</p>

<p><em>José Carlos Ary dos Santos</em><br />
</center></p>]]>

</content>
</entry>
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<title>Dancing</title>
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<modified>2006-10-17T15:45:10Z</modified>
<issued>2006-10-17T15:43:19Z</issued>
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<summary type="text/plain"></summary>
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<email>dionisio.leitao@gmail.com</email>
</author>
<dc:subject>Espectáculo</dc:subject>
<content type="text/html" mode="escaped" xml:lang="en" xml:base="http://catedral.weblog.com.pt/">
<![CDATA[<center><img alt="dancing" src="http://catedral.weblog.com.pt/arquivo/anim-vanda-1.gif" width="467" height="700" /></center>
]]>

</content>
</entry>
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<title>Uns poemas de Agostinho</title>
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<modified>2006-10-17T11:25:25Z</modified>
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<summary type="text/plain"> Luz e sombra etéreas danças alma fremindo e parada gaivotas águas crianças calmo o céu e lenta a vela meu amor de tudo e nada o sonho em mim vida nela ------------------------------------- Jorra a fonte suas águas indiferente ao...</summary>
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<name>ognid</name>

<email>dionisio.leitao@gmail.com</email>
</author>
<dc:subject>Poesia</dc:subject>
<content type="text/html" mode="escaped" xml:lang="en" xml:base="http://catedral.weblog.com.pt/">
<![CDATA[<center>
Luz e sombra etéreas danças<br>
alma fremindo e parada<br>
gaivotas águas crianças<br>
calmo o céu e lenta a vela<br>
meu amor de tudo e nada<br>
o sonho em mim vida nela

<p>-------------------------------------</p>

<p>Jorra a fonte suas águas<br />
indiferente ao da sede<br />
como o da sede das águas<br />
é à fonte indiferente<br />
não à sede<br />
mas como custa ser fonte<br />
pronta a dar sua água à sede<br />
de indiferente<br />
quando se é fonte e tem sede.</p>

<p>-------------------------------------</p>

<p>Experimento agir por não agir<br />
com meus mestres chineses fascinado<br />
tanto mais que me vejo consolado<br />
de me ter obrigado a existir</p>

<p>mas bem sinto o dever de repetir<br />
o dentro de mim mesmo revelado<br />
aquilo que jamais teria ousado<br />
alto dizer a quem o queira ouvir</p>

<p>que por aí me ligo e firme prendo<br />
ao mais alto poder e enfim me alio<br />
ao que talvez não seja embora sendo</p>

<p>ao que o mundo contempla não o vendo<br />
ao que a mim me criou porque eu o crio<br />
ao que à vida conduz não a vivendo.</p>

<p><em>Agostinho da Silva in "Uns poemas de Agostinho", Ulmeiro</em><br />
</center></p>]]>

</content>
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<title>O Bufo Real</title>
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<summary type="text/plain">Na visita ao Parque Natural do Douro Internacional foi-nos proporcionada uma demonstração das &quot;habilidades&quot; do Bufo Real. Uma ave de rapina magnífica. Francamente o que mais me impressionou, para além das suas incríveis capacidades de voo, foi o olhar altivo...</summary>
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<![CDATA[<p>Na visita ao <a target="_blank" href="http://www.europarques.com/pset.html">Parque Natural do Douro Internacional</a> foi-nos proporcionada uma demonstração das "habilidades" do <a target="_blank" href="http://www.ajc.pt/cienciaj/n10/gevt.php3">Bufo Real</a>. Uma ave de rapina magnífica. Francamente o que mais me impressionou, para além das suas incríveis capacidades de voo, foi o olhar altivo com que nos mirava, dir-se-ia quase de desprezo por nós, reles humanos...</p>

<center>
<img src="http://static.flickr.com/93/271283345_38fc337487_o.jpg" height="700"><br><br><br>
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<title>A minha Lisboa #6</title>
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<summary type="text/plain"> Canção com lágrimas Eu canto para ti um mês de giestas Um mês de morte e crescimento ó meu amigo Como um cristal partindo-se plangente No fundo da memória perturbada Eu canto para ti um mês onde começa a...</summary>
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<em>Canção com lágrimas</em><br><br>
Eu canto para ti um mês de giestas<br>
Um mês de morte e crescimento ó meu amigo<br>
Como um cristal partindo-se plangente<br>
No fundo da memória perturbada

<p>Eu canto para ti um mês onde começa a mágoa<br />
E um coração poisado sobre a tua ausência<br />
Eu canto um mês com lágrimas e sol o grave mês<br />
Em que os mortos amados batem à porta do poema</p>

<p>Porque tu me disseste quem em dera em Lisboa<br />
Quem me dera em Maio depois morreste<br />
Com Lisboa tão longe ó meu irmão tão breve<br />
Que nunca mais acenderás no meu o teu cigarro</p>

<p>Eu canto para ti Lisboa à tua espera<br />
Teu nome escrito com ternura sobre as águas<br />
E o teu retrato em cada rua onde não passas<br />
Trazendo no sorriso a flor do mês de Maio</p>

<p>Porque tu me disseste quem me dera em Maio<br />
Porque te vi morrer eu canto para ti <br />
Lisboa e o sol Lisboa com lágrimas<br />
Lisboa a tua espera ó meu irmão tão breve<br />
Eu canto para ti Lisboa à tua espera... </p>

<p><em>Manuel Alegre, canta Adriano Correia de Oliveira</em></p>

<p><img src="http://static.flickr.com/122/270440292_0e1c1d2e8e_o.jpg" width="700"><br><br><br><br />
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<title>Lançamento do &quot;Havia Trigo&quot;, novo livro do Jorge Castro - Jantar de confraternização no Palaçoulo - #3</title>
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<title>Lançamento do &quot;Havia Trigo&quot;, novo livro do Jorge Castro - A sessão de apresentação - #2</title>
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<![CDATA[<center><img src="http://static.flickr.com/90/267788858_18ded1c386_o.jpg" width="700"><br><br><br>
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