março 25, 2007

Dia Mundial do Teatro no TMA

O Teatro Municipal de Almada assinala o Dia Mundial do Teatro do Teatro, no próximo dia 27 de Março (Terça-feira), com a oferta de bilhetes para os espectáculos actualmente em cena, ambos produções da Companhia de Teatro de Almada: O Carteiro de Neruda, de Antonio Skármeta, com encenação de Joaquim Benite (na Sala Principal), e Quarto Minguante, de Rodrigo Francisco, também com encenação de Joaquim Benite (na Sala Experimental).
Esta oferta encontra-se limitada à lotação das salas (Sala Principal: 382 lugares e Sala Experimental: 60 lugares) e os bilhetes poderão ser levantados na bilheteira do Teatro Municipal de Almada, no próprio dia dos espectáculos, a partir das 14h30.

O Carteiro de Neruda

Estreado há dez anos pela Companhia de Teatro de Almada, O Carteiro de Neruda mantém-se disponível para digressão desde essa altura, tendo já realizado mais de uma centena de espectáculos em Portugal Continental, Açores e Espanha. Pela sua longevidade, e pela forma como tem sido recebido pela crítica e, principalmente, pelo público, este espectáculo faz já parte da herança afectiva da Companhia, e esta é uma boa oportunidade para regressar, dez anos depois, à praia da Ilha Negra, e aos anos conturbados do início da década de 70 chilena.

O Carteiro de Neruda aborda a problemática da aprendizagem através da poesia. O poeta Pablo Neruda chega a uma ilha de pescadores onde conhece Mário, o carteiro que é a sua ligação com o Mundo e em quem fará despertar a necessidade da vivência poética. De praticamente analfabeto a poeta esforçado, Mário fará a descoberta do mundo das metáforas, e aprenderá, tragicamente, que não há espaço para a poesia num país sem liberdade.

Quarto Minguante

Um quarto de hospital. Um pai e um filho. Uma janela que dá para uma auto-estrada. Em Quarto Minguante, Paulo visita o pai, que teve um acidente vascular cerebral. A circunstância das visitas, e o facto de tentar atenuar a dor do pai acamado, fá-lo perceber que já não sabe o que há-de dizer àquele que não há muito tempo atrás fora o seu herói. Embaraçado, acaba por levar-lhe um livro, não se dando conta do ridículo da situação. Os livros foram, precisamente, a causa do seu afastamento. Tal como aquelas cabeças de cavalo em mármore que colocamos nas estantes a suster os livros, existem agora milhares de páginas entre Paulo e o pai: são essas páginas que lhes retiraram a capacidade de falarem um com o outro.
Quarto Minguante é também um texto com claras referências à cidade de Almada, que neste espectáculo representa as várias cidades-satélite do País que, nos últimos anos, têm vindo a tornar-se elas próprias importantes centros urbanos. A evocação que Paulo e o seu pai fazem do tempo em que iam juntos à pesca, em que passeavam de mãos dadas e o pai lhe explicava o Mundo — essa evocação é simultaneamente lírica e dolorosa. Tal como a Cidade, Paulo também cresceu. O subúrbio dourado da sua infância já não existe, assim como já não existem o pai e o filho que agora se encontram num quarto de hospital para conversar enquanto o jantar não chega.

Publicado por Ofeliazinha em março 25, 2007 10:30 PM
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