« May 2006 | Entrada | July 2006 »

June 30, 2006

Mundial 2006 - Revelações da 1ª fase

Sendo este o Mundial dos favoritos, é de sublinhar que existem muito poucos jogadores que possam ser destacados e que sejam uma revelação para o mundo do futebol.
A Alemanha teve o privilégio de mostrar com maior segurança Lukas Podolski, avançado móvel de 20 anos, que se transferiu do Colónia para o Bayern de Munique. Mostrando uma rapidez de movimentos e instinto matador, o jogador germânico revela também facilidade de remate, nomeadamente com o seu pé esquerdo e aproveitando jogadas de apoio com Miroslav Klose, do Werder Bremen.
O Equador mostrou-nos também Tenório, avançado rápido e versátil que juntamente com Augustín Delgado forma uma dupla eficaz e móvel, deambulando pela frente de ataque à procura dos espaços vazios. Mostrou uma sagacidade imprópria para um avançado, conseguindo assim obter vários golos na fase de grupos.
Wesley Sneijder está pronto para dar o salto do pobre futebol holandês e rumar a um outro campeonato mais competitivo. Utilizado como falso pivot defensivo, o médio do Ajax provou neste campeonato do mundo o que já tinha mostrado nas duas últimas edições da Champions League: capacidade de remate, desmarcações cirurgias e eficácia de passe. Certamente, um dos maiores valores dos próximos tempos.
Zé Kalanga foi uma das revelações de Angola. É um dos extremos à moda antiga, vagueando pela linha direita com uma impressionante velocidade, associada a um curto espaço de drible que consegue intimidar os adversários directos. É seguido pelo Bayer Leverkursen e não admira que consiga vingar num futebol alemão duro de rins.
Tranquillo Barnetta já está no Bayer Leverkursen, mas nem por isso deixou de constituir uma surpresa para aqueles que não o conheciam. Vagueando pela frente do ataque suíço, servia muitas vezes como nº10, alternando pela faixa direita, fazendo diagonais para o meio em virtude da subida de Deggen, outra das boas surpresas deste Mundial. O lateral suíço mostra grande cultura táctica, vocação ofensiva e grande capacidade de recuperação, mostrando ser assim um valor a verificar no futuro.
Kalinichenko teve neste Mundial a verdadeira oportunidade de se mostrar ao mundo futebolístico. Estando “preso” ao Spartak de Moscovo e ao seu hiato no que a títulos diz respeito, este médio criativo ucraniano provou ser uma mais valia para um meio campo de combate onde um pouco de fantasia faz a diferença fulcral. Kalinichenko provou ser muitas vezes, a chave para abrir defesas fechadas e com grande contenção defensiva. O seu traço físico parecido ao de Nedved não permite comparações, mas apenas parecenças. O futuro o dirá.

Publicado por Danielovsky às 04:45 PM | Comentários (0)

Mundial 2006 - Os falhanços da primeira fase

Antes de mais, o esquema do sorteio do Mundial poderia prever um maior equilíbrio entre as diferentes selecções dos diferentes continentes, mas isso não aconteceu, servindo inclusive, para acentuar ainda mais as diferenças entre o continente europeu e os restantes, com excepção clara do Brasil e da Argentina.

Avaliando as selecções que poderiam fazer algo neste Mundial e que falharam, cá vão as respectivas avaliações:

GRUPO A – POLÓNIA

Estando junto ao local onde se realizava o Mundial de futebol e com algum apoio do público, esta Polónia está muito distante daquela que chegou ao 3º lugar no Mundial de 1982. A não convocação de Dudek abriu desde logo a Pawel Jenas o dom da dúvida, bem como a ausência de Saganowski, em detrimento de outros jogadores que não mostraram o seu valor.
Assentando num 4x4x2 maleável, procurando explorar as valências de Sobolewski e Smolarek, a Polónia nunca conseguiu funcionar como conjunto, beneficiando a maioria das vezes da inspiração de Boruc, para evitar males maiores.
É necessário um rejuvenescimento da escola polaca, aproveitando não só os valores emergentes, como os que jogam no estrangeiro, atribuindo alguma experiência internacional, que é o que falta claramente a esta selecção.

GRUPO B – PARAGUAI

Como diz Luís Freitas Lobo, o Paraguai sempre foi conhecido pela “Itália da América do Sul” e neste Mundial isso veio a provar-se, sendo por isso a terceira classificada do seu grupo, atrás de Inglaterra e Suécia.
Se em vez de apostar no seu sistema defensivo, apostasse na virtuosidade de Dos Santos, Santa Cruz, Cuevas e Valdez, o Paraguai talvez tivesse dado uma imagem bem mais ofensiva do que a que deixou, jogando constantemente no erro adversário para poder sair em contra-ataque, usando para isso Carlos Paredes, que de pivot defensivo excelente que é, passou para um médio de distribuição medíocre e sem ideias.
A rentabilização desta selecção paraguaia passa por um melhor aproveitamento do jogo ofensivo que consegue transmitir e que os continuados seleccionadores não deixam. Após a saída do seu melhor defesa central de sempre, é necessário também arranjar um substituto para Carlos Gamarra, de forma a encontrar a harmonia entre as transições ofensivas e defensivas, não abanando muito a estrutura.

GRUPO C – SÉRVIA E MONTENEGRO

Esta última participação da Sérvia e Montenegro traduziu-se num perfeito desconcerto entre a arte eslava que não apareceu neste Mundial. Utilizando jogadores competentes nas suas posições e com algum cartel no mercado, a Sérvia e Montenegro há-de ficar para sempre associada à maior derrota deste Mundial, na qual sucumbiu perante uma exibição perfeita da Argentina (0-6).
Calhando também no grupo mais equilibrado deste Mundial à partida, as verdadeiras provas de fogo começaram logo com a Holanda, onde um rasgo individual de Van Persie permitiu a Robben fazer o único golo da partida. Depois, quer com Milosevic, quer com Kezman, quer com Zigic, nenhum deles foi capaz de desfeitear Van der Saar, chegando a haver durante o jogo momentos de verdadeiro desconcerto a meio-campo onde nem os virtuosismos de Stankovic ou Djurdjevic ajudavam.
No encontro frente à Argentina, tudo correu mal, já que a equipa das “pampas” estava inspiradíssima e tudo lhe corria bem. Daí não é de se espantar o resultado final de 6-0 favorável aos argentinos.
O fim desta selecção foi ajudada pela Costa do Marfim, que no encontro entre ambas fez questão de mostrar que merecia ir muito mais além do que a primeira fase. Para esta selecção da Sérvia e Montenegro, que a partir de agora só se chamará Sérvia, é necessário verificar se uma selecção com grandes jogadores fará uma grande equipa. Se as dinâmicas de jogo forem parecidas com a selecção da Bulgária que brilhou em 1994, ou como a selecção da Croácia que brilhou em 1998, o assunto é fácil de resolver. Se em vez do colectivo se preferir o individual, dificilmente chegarão longe.

GRUPO D – IRÃO

A selecção do Irão é considerada a mais forte do continente asiático, batendo entre outras, a selecção do Japão e da Coreia do Sul. Com um meio campo recheado de talento (Karimi, Madhavikia, Ashemian e Zandi), a selecção iraniana não chegou para bater um México médio e um Angola fraquíssima.
Se os factores políticos interferiram no aspecto desportivo não se sabe, mas que os iranianos não conseguiram mostrar saber e vontade de ganhar, lá isso é verdade, o que fez com que o meio campo de qualidade que têm passasse despercebido, ainda por cima num país onde a maioria desses jogadores joga e com sucesso.
Ali Daei terá feito o seu último Mundial e resta a 2010 a esta geração a tarefa de proporcionar melhores momentos do que os que proporcionou na Alemanha.

GRUPO E – REPÚBLICA CHECA

Karol Bruckner é um teimoso. É a única palavra que encontro para o seleccionador checo, que após a primeira exibição de classe neste Mundial, caiu no erro de considerar Lokvenc um substituto “à altura” de Koller. Esqueceu-se das diagonais que Nedved tão bem sabe fazer e que com o trabalho de Baros e as suas movimentações poderiam abrir espaço para as entradas do médio da Juventus, como para as entradas de Rosicky, de malas aviadas para os “gunners” de Londres.
Mas Bruckner repetiu o erro e colocou Lokvenc frente a um Gana maleável no meio campo e forte na defesa em linha, anulando assim um avançado estático e preso de movimentos. O futebol que tanto tinha encantado na primeira jornada frente aos EUA não se voltaria a repetir. A ausência de Koller não é a única justificação. Poborsky, Nedved e companhia que encantaram em 1996 na Inglaterra estão a acabar e as suas substituições não irão ser fáceis.
A reformulação que a selecção checa irá fazer tem de ter em conta estes aspectos, uma vez que se a acção defensiva está tratada (Jankulovski, Hubschmann, Grygera e Ujfalusi), já a transição ofensiva irá pecar e estará muito dependente de Rosicky. O futuro o dirá…

GRUPO F – CROÁCIA

Longe dos tempos de Suker, Boban e Prosinecki, esta selecção croata vive o mesmo pecado das outras selecções eslavas do momento. Se a Rússia não se apurou, se a Polónia fez três pontos frente à Costa Rica, se a Sérvia fez 0 e se a Ucrânia não vive de Shevchenko, a Croácia, usando alguns bons jogadores, também não mostrou argumentos suficientes para passar um grupo que tinha o Brasil, mas que tinha também o Japão e a Austrália.
Se o resultado frente ao Brasil é uma casualidade, as exibições frente ao Japão e à Austrália mostraram que a selecção croata, apesar de ter bons jogadores individuais, não conseguem transformar essa mescla numa equipa que jogue verdadeiramente futebol. Srna, Pletikosa, Tudor e amigos não conseguem juntar-se e fazer a verdadeira essência do futebol, que é o de jogar em conjunto. Assim sendo, não será fácil repetir o brilharete de 1998, em França.

GRUPO G – COREIA DO SUL

Depois de terem sido levados ao colo por arbitragens vergonhosas impostas pela FIFA para poderem rentabilizar o negócio futebol no mercado asiático, os coreanos voltaram ao seu estado natural e foram eliminados na primeira fase de grupos. O futebol lento e previsível, contrastando com a rapidez que impunham em 2002 fez com que os jogadores conhecidos coreanos fossem pouco levados a sério, conseguindo o feito de fazer com que a França tivesse de fazer contas para se poder apurar.
Pouco mais há a dizer de uma selecção treinada por Dick Advocaat, que sem tendo os ovos não conseguiria fazer as omoletes que queria.

GRUPO H – TUNÍSIA

Outra das decepções da prova foi a Tunísia, que tendo sido coroada campeã africana em 2004, estava com legítimas aspirações a tentar provar esse feito. Com uma defesa baseada em Jaidi, do Bolton, e tendo em conta os naturalizados Santos e Alex, os pupilos de Roger Lemerre tinham a ideia bem estudada. No entanto, apresentaram um futebol fraco, sem ideias e com falhas defensivas claras que possibilitaram a brilhante prestação com um empate a um golo com a equipa da Arábia Saudita. Aliás, as equipas africanas, se exceptuarmos a Costa do Marfim e o Gana, foram uma perfeita decepção. Sentimos e bem a falta dos Camarões e da Nigéria.

Publicado por Danielovsky às 04:43 PM | Comentários (0)

June 28, 2006

Mundial 2006 - Quartos de Final

Alemanha - Argentina:

Temos aqui uma faca de dois gumes. Se por um lado temos a Selecção da casa e a FIFA a tentar rentabilizar o espectáculo, por outro, temos a Selecção que melhor futebol tem mostrado e que tem de longe, o melhor plantel.

Itália - Ucrânia:

Se por um lado temos o cinismo, do outro temos a simpatia. Com a sorte e experiência que têm, os italianos são os principais favoritos.


Portugal - Inglaterra:

Será que vamos viver o mesmo que o Euro ou a Inglaterra terá a sua vingança? Eu aposto no Euro...


Brasil - França:

Aposto no Mundial 1998...

Publicado por Danielovsky às 02:19 PM | Comentários (1)

June 17, 2006

Mundial 2006 - Apurados II

Com mais duas equipas apuradas, qualquer uma delas poderá calhar a Portugal, caso a nossa Selecção vença já hoje o Irão e ganhe o direito a estar presente nos oitavos de final.

Grupo C - ARGENTINA

Este senhor que festeja na bancada a vitória por 6-0 da sua selecção, certamente terá visto que esta é a melhor selecção do seu país desde o seu afastamento. A Argentina cresce a cada dia que passa e a goleada é a prova de que é o mais forte candidato ao título. A jogada do 2º golo, apontado por Cambiasso mostra, para além de uma grande capacidade técnica, uma solução de processos que Pekerman desenvolve na base do seu 4x4x2, desdobrando-o em 3x5x2. A Argentina, com a exibição de ontem, mostrou que tem mais valias que qualquer outra equipa até ao momento. Veremos se no final isso se provará...

Grupo C - HOLANDA

O golo de Van Persie foi o primeiro momento alto de um bom jogo de futebol que fez com que a Holanda se apurasse e uma das mais interessantes Selecções do mundo ficasse pelo caminho: a Costa do Marfim. Esta Holanda tem beneficiado de inícios rápidos no jogo, utilizando os recursos disponíveis de Van Persie e Robben. Aliado a uma estrutura defensiva razoável, serviu para afastar adversários como a Costa do Marfim e a Sérvia-Montenegro. O grande teste à capacidade desta laranja ainda pouco mecânica virá no jogo com a Argentina e nos pós-fase de grupos...

Fotos: Gettyimages

Publicado por Danielovsky às 12:36 PM | Comentários (0)

June 15, 2006

Mundial 2006 - Apurados

Grupo A e Grupo B já têm apurados para os oitavos-de-final. Se no primeiro grupo, a Alemanha e o Equador estão qualificados, no grupo B só falta saber quem acompanhará a Inglaterra.

Começemos alfabeticamente:

Grupo A - Alemanha

A Alemanha de Jurgen Klinsmaan está a viver o Mundial à custa do mesmo se fazer na sua própria casa. Assente numa estrutura clara em 4.4.2, a Alemanha está a fazer jus à condição de ser a equipa mais forte do grupo em que se insere. Falta no entanto a esta Alemanha um teste mais duro, que poderá ser já nos oitavos-de-final frente à Inglaterra. Até lá, as arrancadas de Lahm, a pouca inspiração de Ballack e as investidas de Klose chegarão. E depois?

Grupo A - Equador

O Equador não será certamente uma surpresa ao estar classificado em 1º lugar no Grupo A. Faltando-lhe o jogo com a Alemanha, a equipa equatoriana tem sabido gerir o seu futebol num grupo equilibrado e tem conseguido safar-se contra adversários de fraco renome como a Costa Rica e uma fraquíssima Polónia, bem longe dos tempos áureos de 82. Tenorio e Delgado estão a ter os seus momentos de glória e até Kaviedes marca golos...

Grupo B - Inglaterra

A Inglaterra, cumprindo o que se esperava, já está nos oitavos-de-final. Jogando um futebol demasiado directo e sem ideias, esta selecção inglesa não tem deslumbrado, mas tem cumprindo. As trocas posicionais com Lampard e Gerrard no meio-campo da Selecção não a beneficiam, antes pelo contrário. faz falta um médio que sustenha a bola e que liberte mais este conjunto de médios, possibilitando assim a Owen ficar mais solto na frente de ataque.

Publicado por Danielovsky às 11:24 PM | Comentários (0)

Bielefeld

De Bielefeld e acompanhando com maior pormenor o Mundial de Futebol, chegamos ao início da 2ª Jornada e naturalmente, já existem países que são apontados como os principais candidatos para a vitória.

No entanto, a República Checa, é a meu ver, a equipa que melhor futebol mostra, estando no entanto dependente das movimentações de Jan Koller.

Lokvenc não é o melhor substituto para o gigante checo, podendo Bruckner aproveitar Baros para uma frente atacante mais móvel e versátil.

A Espanha também deslumbrou perante a Ucrânia, mas a meu ver beneficiou mais da inoperância dos homens de Leste do que da sua própria equipa, para além do equilíbrio que é dado por Xabi Alonso, Xavi e Senna.

Nos restantes, mais do mesmo relativamente aos favoritos.

Quanto a Portugal, não devemos alimentar muito as esperanças. Se chegarmos aos quartos-de-final já será um bom Campeonato do Mundo. Abaixo disso, será sofrível...

Publicado por Danielovsky às 03:52 PM | Comentários (0)

June 09, 2006

Phillip Lahm

Só quem não conhece os movimentos de rotura que o defesa-esquerdo do Bayern de Munique faz da linha para o centro para rematar para a baliza, é que pode estranhar o primeiro golo apontado neste Mundial...

Publicado por Danielovsky às 06:14 PM | Comentários (9)