novembro 11, 2003

a queda de um homem...

Correndo o risco de me tornar odiado por grande parte do povo luso, zombeteiro e amigo do dislate, (veja-se um presidente que diz que determinado clube vai ser o "númaro um", não bastasse a deprimente estupidez que existe à volta da afirmação, ainda a enfeita com a grosseira falha gramatical, e é apoiado...), tenho que demonstrar aqui a minha repulsa pela decadente forma de actuar de um popularucho comediante. Tenho que admitir que no início tinha graça, era como ver o Saramago a escrever filho da puta no seu Memorial, mas agora enfastia, torna-se desenchabido é um desconsolo. Ainda mais por ser explorado a torto e a direito, atente-se nas deprimentes sequelas do "Ou Bai ou Rocha". Mas ele lá continua, com o povo ululante a escaralhar-se como gente grande, provavelmente extravasando a raiva que lhes vai na alma, sempre que o rapazito entra em palco. Mas o riso, a gutural gargalhada, já não é tão natural, as pessoas parecem mais desbragar-se porque pensam:"é pá, é o Fernando Rocha, este gajo é de partir o côco!". Mas não é. Foi. O que vale o tempo passado em frente à televisão é ver o Bruno Nogueira ou o Ricardo Araújo Pereira. E mesmo estes acabarão por enfastiar. Há-de chegar um ponto em que já não não parece tão engraçado olhar para o Bruno sempre a afagar a mão ou o Ricardo a imitar vozes de puto. Até o afamado MeuPipi (e não interpretem isto como inveja, porque nem sequer pertenço ao camponeato dele, uma vez que há pessoas que lêem o que ele escreve) se vai desgastar. Mas espero que esse dia ainda venha longe, porque no caso dele existe uma manifesta cultura, espelhada pela forma e pelo conteúdo do que escreve. O tempo ditará o seu vaticínio, seja como for, o Pipi saberá reinventar-se. O seu talento permite-lho.

Publicado por jcbio em novembro 11, 2003 03:15 PM
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