novembro 03, 2003

Expressões

Jamais pensei que tão largo período de tempo separasse as minhas duas primeiras entradas, mas a falta de tempo e os humores da Net assim o impuseram. Prometi que ia falar de coisas diferentes e assim o farei, apesar de nesta segunda-feira ser quase irrecusável falar de futebol, mas adiante.
Apeteceu-me falar de expressões, porque sou de uma terra, tal como toda a gente, que é prolífica na adopção do disparate para caracterizar esta ou aquela situação. Fiquem-se com estas:
"acordou morto" - pergunto eu, que é isto?! Porque é que toda a gente começou a dizê-lo?
"encontrou-se doente" - sem comentários;
"para mim és..." - resposta dada por mães de meninas bexigosas a ressumar gordura de todos os poros quando perguntam se são bonitas; eu pergunto, será isto convincente? Uma pessoa que tenha problemas existenciais será que os resolve com um "para mim és"? Isto cheira a favor a léguas!
O que significa "morto como um prego"? Porquê este componente particular das ferragens?!
"Ouvi dizer que se falam"; anda um casal a experimentar tudo aquilo que a imaginação lhes permite, e as pessoas dizem que eles "se falam"
"Passei pelas brasas" - mas qual é a ideia?
"Chamou-lhe um figo" - ora os figos não são fáceis de comer. O revestimento que apresentam é ameaçador até para os entrefolhos das nalgas, imagine-se o efeito drástico que não fazem nos lábios. E depois têm umas graínhas impossíveis. Perguntem a alguém com dentadura postiça o desafio que não é! Não é raro ver pessoas com o desespero estampado no rosto por não terem resistido a um figo.
"Até aquece a alma!" - mas a alma é incorpórea, não pode conduzir o calor. Estas pessoas não saberão o que é o esófago?!
"Mandar um telegrama" - o telégrafo foi difícil de inventar. Não é bonito gozar assim com estas situações. E depois carece em toda a extensão de alguma actualidade. Pelo menos, podia haver o cuidado de ser mais contemporâneo, dizer por exemplo "vou mandar um e-mail" ou "não aguento mais, tenho que ir fazer um download", parece-me até mais lógico.
E porque o dever me chama, deixem-me "por os pés ao caminho"...

Publicado por jcbio em novembro 3, 2003 05:01 PM
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