O Blog em Branco

Ora agora blogas tu, ora agora blogo eu...

07 de janeiro de 2004

THE END

Henrique saiu do consultório, deixando o médico num dilema. Haveria ou não de telefonar ao inspector que tinha vindo da capital para descobrir o assassinato de Julieta? A sua mãe dizia-lhe para não o fazer, para não quebrar o juramento que fizera ao grego. Mas lá no fundo ele estava-se a marinbar. Já estava pelos cabelos. Pegou no telefone, era a sua liberdade que estava em causa também. Um negócio de golfe em vez de aturar malucos. Nisto toca o móvel. Era a sua progenitora. Em meia dúzia de frases a sua decisão tinha sido invertida pelo supremo poder maternal. Choramingava e tantava balbuciar argumentos quando a sua mãe desligou. Foi demais. Pegou numa pistola. Matou todos os doentes que se encontravam na sala de espera, a recepcionista e a seguir matou-se a ele.

Nas nuvens, literalmente, Julieta, Matisse e Eduardo nada viram. Estavam entretidos a fazer o template do blog que iria relatar o crime de Vila do Amor. Discutiam as fontes e as cores.

Isto enquanto no hospital acabavam de coser a cabeça a Carolina. Faltava também uma mão que se tinha extraviado pelo caminho, pelo que foi necessário colocar uma ordem de compra. Dai que ela ainda não se tivesse junto aos amigos...

Simão fechou mais cedo a livraria e foi a casa buscar a sua AK-47. Dirigiu-se para o talho do pai onde este o cumprimentou como habitualmente: "Diz fedelho". Ao que ele respondeu: "De joelhos, monte de merda. JÁ!". E sacou dum argumento á prova de refutações. O outro fez o que lhe mandavam, parvo de surpresa. "Agora vais-me pedir desculpa por estes anos todos de más criações, ao mesmo tempo que mandas com a cabeça na parede, até sangrares". Um pontapé certeiro e um tiro numa canela convenceram o Palhinhas a tão estranho ritual. Quando estava satisfeito com a coloração da face paterna, Simão descarregou a arma nela.

Depois dirigiu-se para o Café Central, matando indiscriminadamente quem se atravessava no seu caminho...

Quando ele entrou, AK-47 em punho, ninguém lhe ligou, absorvidos que estavam pela notícia que dava na BlogTV. Nelita Boca de Charroco apresentava ao minuto 112 do telejornal um acidente com dois conhecidos da terra: Dr. Boa Morte e Nuno Gosma. Ambos seguiam a alta velocidade numa carrinha que se tinha despistado e caído por uma ribanceira a baixo. Os dois passageiros tiveram morte imediata, tendo apenas parado numa criação de porcos. Suspeita-se que os dois indíviduos estavam envolvidos no tráfico de orgãos humanos, nomeadamente para Inglaterra.

Nelita atira a cara para trás, contorce a boca e areja o cabelo. Nelita leva um balázio no meio das trombas. Transmissão interrompida, retomaremos dentro de momentos!

Em directo de Bagdad, perdão, Vila do Amor: Simão ordena que todos se encostem a uma parede. Depois começa a fazer perguntas:

- Tu. Quem criou o Cavaquismo?
- Cavaco.
- Certo - E matou-o
- Tu. 5 vezes 7
- ehhh.....bem......
- Está certo - (rajada de metrelhadora)

E assim continuou alegremente ao som do rádio, que ele pediu para sintonizar numa estação que só dava música clássica....

Do outro lado da cidade, Henrique caminhava a passos largos para o farol. No forro algibeira das calças sentia o frio duma 35mm. Entrou pela porta das traseiras e dirigiu-se ao primeiro andar onde apanhou Jack e Rebecca em cima do piano. Ao princípio ficou muito espantado com tanto equilibrismo, mas depois lembrou-se do propósito da visita e disse:

- Não temos orçamento para esta produção, por isso vim matar-vos
- O quê? - Rebecca olhava-o incrédula enquanto procurava as suas roupas
- Rapaz, tem calma - aconselhava Jack
- Por isso, rezem o que têm a rezar e quando estiverem prontos, "good bye"
- Não me podes fazer isso - Rebecca estava descontrolada - a minha personagem ainda não foi suficientemente desenvolvida. Não podes....

Calou-se porque com uma bala no meio dos olhos há poucas pessoas que consigam falar! Jack só lhe conseguiu dizer que não era crente. Pelo que o outro assumiu que não eram precisas rezas...

Ao chegar ao Sushi Bar, Henrique deparou com o degradante espectáculo de ver o Yoko e Farinha completamente bêbados. Estavam os dois no chão. Tinham desenhado uma pista de carros no chão, com giz. E estavam a fazer uma corrida de placas. Um gago e estrábico. Dois bêbados e sem dentes. Vamos ao diálogo:

- Mãos ao ao ao ao ar!
- Olha o ECO - disse Yoko, e riu desalmadamente, mas sem brancura entre os lábios.

Estrábico mas com boa pontaria, Henrique deixou-a ali logo cega, surda e muda para todo o sempre. Aterrou em cima da placa, ironia do destino, que com o peso do seu crânio se partiu em dois.

Apesar de poder rebentar balões, á custa de muitos whiskys, Farinha ficou alerta. Procurou a placa, que colocou, não ligando ao pó nem á côr que tinha.

- Então foste tu que mataste a Julieta?
- Eu? Essas coisas não se sabem na primeira série. Ficam no ar. Há que fazer render o peixe. Faz-se a segunda série. O filme. Nasce o mito. O culto. Pais colocam o nome Julieta ás filhas. Essas merdas. Que interessa se fui eu?
- Mas e então a lógica. Tem de have um fio condutor...
- Pois. E tu podias usar Corega Tabs para segurar essa placa em vez de clips.

Não é preciso dizer que o Farina também está a dormir com os peixes, pois não? ("sleeping with the fish", na versão original)

(pausa para café, cigarro, pipocas, whatever)

Henrique, o gago dirige-se para o Café Central.

Lá encontra o seu parner-in-crime, Simão.

- Então? Correu bem? - pergunta Henrique?
- Ya. Limpeza geral
- Eu não te disse? Aquele diagnóstico de psicopata estava ERRADO, pá.
- Pois, eles é que nos queriam matar a nós.
- Ainda bem que seguimos o conselho daquelas vozes.
- Vai uma bejeca?
- Buga
- Saúde!
- Saúde!



(gato mija-se a rir no Café Central)


Original Sound Track: Black Cat, White Cat


THE END


Publicado por ginger ale ás 17:50 | Comentários (6)

29 de dezembro de 2003

God says...

...Então quando é que matam + uns "franganitos" ???

Música para o réveillon do Blog em Branco:

"Heav-en, I'm in Heav-en.
And my heart beats so that I can hard-ly speak.
And I seem to find the hap-pi-ness I seek
when we-re out to-geth-er danc-ing
cheek to cheek.

Heav-en, I'm in Heav-en.
And the cares that hung a-round me thru the week
seem to van-ish like a gamb-ler's luck-y streak
when we're out to-geth-er danc-ing
cheek to cheek."

HAPPY NEW YEAR EVERYBODY !!!

Publicado por ginger ale ás 16:55 | Comentários (1)

21 de dezembro de 2003

Zzzzzzzzzz


- Waiting for a post -

Publicado por ginger ale ás 20:55 | Comentários (4)

09 de dezembro de 2003

Traz outro amigo também...

Enquanto batia as suas asas Julieta perguntou aos amigos (?), Matisse e Eduardo:

- Vocês estão a perceber alguma coisa deste Casino? Ainda não "saquei" quem me apertou o gasganete, porra!

Eduardo coçou a aurélula, Matisse sacudiu um pouco de fuligem da sua túnica branca. Responderam quase ao mesmo tempo:

- E tu julgas que eu sei quem achou que eu tinha problemas respiratórios? - disse Matisse, acendendo um cigarro (no céu fumar não mata).

- Mas foi o mesmo cabrão, ou cabra, que não foi com com a minha cara! - rosnou Eduardo, enquanto a sua mão percorria as cicatrizes nas faces, mal disfarçadas por um corte e costura numa urgência divina.

- Dá aí uma passa, Matisse - pediu Julieta.

- Eh, pá... nem aqui tens cheta para os comprares?

- Dasssss, és mesmo sumítica. Fica lá com os cigarros.

- Bem, vocês não se vão zangar por causa dessa merda, vão? Temos um crime para resolver! - Eduardo aumentou ligeiramente o tom de voz.

- Naaaa. Temos três. E se não nos zangamos por causa ti, não há-de ser por causa dum cigarro.... - argumentou Julieta.

- Isso são águas passadas.... - Eduardo voltou a ajustar o volume.

- Oh kida, era a este que tu vinhas contar os teus desamores? - atirou Julieta a Matisse. Um olhar, que não facas ou canivetes. E apontou para o homem que falava com Henrique...

- Como é que tu sabes disso? - Matisse ficou como se lhe faltasse o chão debaixo de si. Não só a tinham morto como agora alguém se preparava para lhe violar a alma. A beata, incrédula, caiu-lhe das mãos.

- Nós os imortais sabemos trinta por uma linha, lemos pensamentos e vemos muita coisa - disse num riso trocista Julieta.

- Então porque é que ainda não resolveste o Crime, oh iluminada - perguntou-lhe Eduardo - levemente alterado com aquela situação toda.

- Pá....isto não pode ser assim! - Julieta aproveitou a desorientação de Matisse para lhe roubar o maço de tabaco. Acendeu um, como só ela sabia, e respondeu: Se eu desse todas as respostas isto seria uma treta, uma bolacha de água e sal, tal como esta gaja. Fora de brincadeiras, nem Deus sabe. Também já falei com uma cigana que foi violada e assassinada a semana passada. Esteve aqui por engano antes de ir para o Inferno, traficava menores para Espanha. A bola de Cristal e as Cartas nada disseram.

- Nunca acreditei nessas merdas. Parecem aqueles testes nos blogs. É para defs... - E Eduardo também sacou um cigarro.

- Pois eu vou confessar uma coisa - Julieta ohou para Matisse, encostada a um canto. - Pensava que tinha sido ela. Com todos os seus problemas freudianos, as constantes guerras com o pai, as milhentas tentativas de suícido, o seu amor doentio por ti. E claro, sabendo das "tropelias" que aqui e ali fazemos (Julieta piscou o olho a Eduardo) julguei que tinha sido a nossa princesa - e dito isto deu-lhe uma palmada no ombro, daquelas de sacudir o pó a tapetes.

- E eu? Porquê eu? Porque me mataram? - disse Eduardo olhando para cima, e depois lembrou-se que já estava no céu.

Matisse de repente acordou.

- Mas tu julgas que eu não sei nada do que se passa entre vocês? Tu é que és uma ingénua, ainda não percebeste com quem lidas, ou já te esqueceste do Nunito? Não fosse o tal do pescador ainda te tinhas metido dentro de água com uma valente cadela - e arrancou-lhe o maço de tabaco das mãos.

- Bem...zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades - disse Eduardo voltando a olhar para o consultório.

- Eu ainda não descobri nada, com este diálogo de merda - disse Julieta

- Afasta-te, deixa ver - e Matisse empurrou a primeira defunta deste novelo sem fim. - Será um assassino ou uma assanina? Serão vários?

- Haverá vida em Marte? - e Julieta mandou um "caldo" na cabeça de Matisse - Fecha a loja por uns cinco minutos. Eu sei que é difícil no teu caso, mas pode ser o teu contributo para a resolução desta intriga policial. Deixa ouvi-los.

Deitado no divã, um homem estrábico e despenteado chorava como uma Madalena arrependida e dava murros na parade.

- Olha, olha. Este até pode ter sido -disse Julieta - Nunca lhe dei bola. E uma vez apanhou-me na cama com a Carolina. Ficou piurso. Não sabia que eu dava para os dois lados. Não sei como não morreu ali.

- Ah...tu....????? - Matisse ficou com as faces rosadas

- É a pior coisa para um homem. Ser preterido em favor de uma mulher. Uma vez tive um professor na faculdade cuja mulher se quis divorciar. Quando o gajo descobriu que tipo de "corno" era, e como na certidão de casamento dizia "comunhão de bens", pegou numa moto-serra, e cortou a mobília de toda a casa ao meio. Acho que ela é feliz agora...

- Como é que tu sabes essas histórias todas? - Matisse fez a pergunta com um ar verdadeiramente ingénuo

- Perguntei-lhe, no dia em que tivemos de foder no chão, em casa dele. - Maço de cigarro outra vez nas mão da primeira defunta.

- Oh Julieta, agora que falas nisso, diz-me lá: em Vila do Amor ainda não deste uma queca com quem? - Matisse parecia querer recuperar o fio á meada.

- Bem, minha querida, contigo acho que não. Pelo menos que me lembre. O Henrique e o Simão idem. O Padre "is out". Este. O outro, o que foi para a Aldeia de Baixo, o novo, esse marchou. O Jack e a Rebecca são, eram, uns queridos. A Carolina....ai a Carolina. Noites malukas que eu passei com aquela gaja. A Yoko ia lá meter o bedelho de vez em quando, mas eu nunca lhe dei bola, acho que ela gosta mesmo é de mortos. É necrófila.

- Necrófila? Mas então ela anda sempre nas bocas do mundo. - Eduardo estava boquiaberto.

- Não percebes nada, pá. - Julieta acertou-lhe com o fumo no meio dos olhos - Ela gosta daquilo. O resto pode ser um disfarce, sei lá. Olha, pergunta ao gajo que está a falar com o Henrique. Eu já a topei a abrir campas, isso é certinho!!!

- E o detective Farinhas? Achas que vai dar conta do caso? - Matisse tirou um cigarro mas deixou o maço na mão de Julieta.

- Aquela amiba? - Julieta riu a bandeiras despregadas - Bem, ele não pode demorar muito, senão o fígado desfaz-se. Mas mesmo que o factor integridade física jogue a favor dele existe o problema neuronal. O gajo vê muitos filmes, não tem uma linha de raciocínio. Não sabe focalizar.

- Eh...calem-se lá. O estrábico está a dizer que matou a Carolina antes de vir para a consulta. - Eduardo jogou as mãos á aurélula

Julieta por um lado estava desolada com o triste fim da amante ocasional, companheira nuns chutos e confidente. Mas por outro lado a recordação dos prazeres terrenos e a sua mais que provável repetição angelical fizeram-na arrebitar.

No consultório, Henrique explicava as razões e a forma. Que pensava que tinha sido ela a autora do assassinato de Julieta e do outro casal, motivo que ele presumia estar relacionado com uma página dum diário que tinha achado no forro da carteira da defunta. Depois não pensou duas vezes: raptou-a. levou-a para casa dele, deu-lhe com uma jarra séc. XIX pelo pensadura abaixo e cortou-a aos bocados, por forma a caber no frigorífico.

- Mas você assassinou para se vingar? - perguntou do alto dos seus óculos o médico

- Eu era o marido da Julieta. Isto é. Iria ser. Assim visse ela a razão. Tudo tem uma lógica neste mundo percebe? Ela é que não queria ver. Percebe? Era uma abelha, sempre a polenizar....Percebe?...

O médico ora ouvia, ora pensava no jogo de golfe que tinha marcado, no conselho da mãe no leito de morte, aconselhando outra especialidade médica, nos olhos que lhe provocavam tonturas (os daquele lunático que deu em matar "abelhas"), no delegado de propaganda médica e na próxima viagem ás Maldivas. Até que adormeceu e Henrique saiu...

Julieta passou-se. Tratou de telefonar a um jeitoso que conhecera nas urgências divinas, um Pitangui do céu, para tratarem a sua amiga "comme il faut".

E estavam assim, todos meio abalados, quando Julieta exclamou: "Vocês não querem fazer um blog para irmos relatando este crime, as nossas vivências terrenas e a sensação de ter duas asas?".

Eduardo olhou para Matisse. Matisse para Eduardo. Ao que depois atiraram-se para cima de Julieta, gritando e batendo-lhe: "Se calhar estamos aqui por tua causa, ainda queres gozar com isto tudo?"

O que a seguir se passou fica na imaginação do leitor. Como é que se diz três em francês? ....

Publicado por ginger ale ás 21:51 | Comentários (1)

Pacto de Vingança

Julieta esfregava as órbitas holográficas com um certo descrédito, não podia acreditar no que lhe parecia a irrealidade, os esboços dos amigos estavam a tomar a forma no mundo dos poetas mortos. Afinal a vida tinha sido para ela um poema ao sabor dos desejos.

Seriam Eduardo e Matisse esquissos de uma outra realidade ou estariam todos no mesmo bardo?

Julieta usa a sua ubiquidade e começa a observar as poças de hemoglobina em redor dos corpos acontecidos dos seus amigos, os policiais atravessam a sua indignação com indiferença e a mensagem que estava no voice mail era um prenúncio de morte; a voz melódica, encantatória do psicoterapeuta de Matisse avisava de um encontro irrevogável com o passado. Julieta resolve deixar o local de mais uma história para esquecer e vai libertar os seus amigos de um sonho vivido em terra de ninguém.

Matisse e Eduardo tropeçam no entediado médico legista que fica no desemprego, porque a anatomia dos corpos faz parte do passado e correm desenfreadamente para junto da Julieta que lhes sorri com gestos de gaivota, é que a liberdade tem um preço. Todos eles tinham pago com a vida não vivida a ousadia de amarem até ao limite do prazer.

Subitamente os três amigos de outros tempos fazem um pacto de vingança, já que os mortais navegavam em águas de obscuras realidades, eles iriam romper as fronteiras do além e fariam justiça com as próprias mãos. Dirigiram-se num só pensamento para o divã do terapeuta de Matisse e ficaram incomodados com o cheiro a suor de Henrique que estendido continuava a chorar numa espécie de hipnose catártica e em uníssono fizeram um gesto obsceno para a objectiva da vídeo câmara do psiquiatra, o tempo da sessão estava quase a terminar, no entanto eles tinham todo o tempo do mundo!

Publicado por Gato Tobias ás 17:17 | Comentários (4)

04 de dezembro de 2003

Enquanto ninguém posta e não...

Se ninguém se opôr quando chegar a minha vez eu mato os personagens todos, a história passa a ter como localização espacial o céu, ao invés da Vila do Amor, e teremos uma espécie de última ceia com eles todos, adequada á quadra que se avizinha. O repasto é presidido por Deus que interpela cada um dos cromos sobre os seus pecados terrenos....

ok, vou ali comprar mais uma dose...

mas andem lá com essa cenose prá frente, já tou com comichão

cheers

ginger

Publicado por ginger ale ás 21:03 | Comentários (1)

30 de novembro de 2003

A lista de suspeitos reduz-se...

Não era a primeira vez que Farina via a morte. Já a tinha visto em dezenas de rostos, cadáveres anónimos ou até colegas de profissão. Ex-colegas seria mais correcto.
A morte desta vez apareceu-lhe, mal abriu a porta, sob a forma de umas pernas compridas e bem torneadas por onde escorria um fio de sangue. As pernas para mais estavam nuas e apenas uma ligeira blusa de algodão branco, ensopada de sangue, vestia a criatura. Matisse era o nome dela. Matisse era também o nome de um pintor que adorava o vermelho, mas Farina achou aquela obra mais própria de um sádico ou de um cirugião louco que de outro tipo de artista. Um longo golpe rasgara a jovem desde a zona púbica até ao pescoço, dois outros cortes nas coxas e uma orelha cortada.

Farina acendeu um cigarro, tossiu levemente e entrou. Do outro lado da sala jazia um novo cadáver - Eduardo. Também seminú e postado frente a uma webcam. Seria possivel que...

Farina interrogou-se, ele não era perito em internet. Ele, aliás, não era perito em nada. A própria Yoko tinha-lho dito entre dois arrufos. Eduardo jazia com dois cortes triangulares, um em cada face e uma perfuração na zona abdonimal.

Sangue. Havia sangue por todo o lado, o cheiro tornava-se enjoativo e Farina veio cá fora respirar um pouco de ar puro enquanto hesitava entre dar uma inspecção à casa ou telefonar já para a policía. Cá fora, deparou-se com o Dr. Boa Morte. Morto. Farina coçou a cabeça, eram mortes a mais para o seu gosto e não percebia a razão da presença do sinistro médico-legista naquele quintal.

Foi nessa altura que tocou um telemóvel dentro de casa...

Publicado por Paganini ás 00:13 | Comentários (1)
Galeria de Cromos

música: 1 click no nome do cromo
2 para parar


Julieta


Eduardo


Matisse


Nuno


Yoko


Farinha


Dr. Boa Morte


Henrique


Carolina


Gato


Rebecca


Jack


Simão


Palhinhas




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