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<title>BLOG DO PEIXOTO</title>
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<tagline>Eis o BLOG DO PEIXOTO. Um espaço livre de crítica e divulgação.</tagline>
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<copyright>Copyright (c) 2007, peixoto74</copyright>
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<title>Novo endereço do BLOG DO PEIXOTO:www.blogdopeixoto.blogspot.com</title>
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<title>A razão do meu voto</title>
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<![CDATA[<p>Para que não existam dúvidas e porque em consciência assim penso, voto <strong>Não</strong> no próximo referendo do dia 11 de Fevereiro.<br />
Voto não, porque em cada aborto praticado morre um ser humano. <br />
Voto não, porque tenho <u>convicção</u> que o que está em causa é aborto livre até às 10 semanas - embora não esteja definido factualmente na pergunta, penso existirem fortes indícios nesse sentido.<br />
Voto não, porque não consigo vislumbrar argumentos válidos, para além dos que a presente lei contempla, que possam permitir à mulher interromper voluntariamente a gravidez.<br />
Voto não, porque acredito ser obrigação da nossa sociedade defender a vida humana desde a concepção até à morte.<br />
Voto não, porque defendo o princípio da responsabilização dos nossos actos. Quando se inicia a actividade sexual é preciso estar preparado para uma possível gravidez. <br />
Voto não,porque não me conformo com um estado que priveligie dúvidas ou interesses pontuais a uma vida humana.<br />
Voto não, porque não me conformo com o aborto, nem com as circunstâncias que o predispõem, obrigando as mulheres a passarem por aquele que deve ser o maior sofrimento - a morte de um filho.</p>

<p>Miguel Lopes</p>]]>
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<title>Aborto - Ao Parlamento o que é do Parlamento</title>
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<![CDATA[<p>Ao iniciar este artigo de opinião, quero desde já sublinhar que não tenho qualquer presunção de que exista superioridade moral por parte de qualquer das opiniões em disputa. Acredito mesmo que, quer os apoiantes do sim quer os apoiantes do não, têm para si que a sua opinião é a que melhor resolve este imbróglio em que nos encontramos. Partindo deste princípio, convém referir quais são as excepções neste momento consagradas na lei e que permitem efectuar a interrupção voluntária da gravidez. O aborto já é lícito, em Portugal, quando tem o consentimento da mulher grávida e é justificado nas situações de risco "de morte, ou de grave e duradoura ou irreversível lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida";se “houver seguros motivos para prever que o nascituro virá a sofrer, de forma incurável, de grave doença ou malformação”, ou ainda se “houver sérios indícios de que a gravidez resultou de crime contra a liberdade e autodeterminação sexual”. Os prazos variam de acordo com as situações: podem ser de 12, 16 ou 24 semanas ou até sem prazo. Por exemplo, no caso de "constituir o único meio de remover perigo de morte ou de grave e irreversível lesão para o corpo ou  para a saúde física ou psíquica da mulher grávida", não tem prazo. O consentimento é prestado por documento assinado pela mulher grávida, com a antecedência mínima de três dias em relação à data da intervenção; se a mulher tiver menos de 16 anos ou for psiquicamente incapaz, pode ser prestado (conforme os casos) por ascendente ou descendente ou qualquer parente da linha colateral. A verificação das circunstâncias que tornam não punível a interrupção da gravidez deve ser certificada em atestado médico. Este é o essencial do regime legal em vigor em Portugal.<br />
Perante a actual lei em vigor, temos em Portugal um problema grave de Saúde Pública. Falo claramente do aborto clandestino. O aborto clandestino é uma “chaga” para qualquer sociedade. Pode trazer complicações gravíssimas para as mulheres, e obriga à prestação de cuidados médicos de recurso por parte dos nossos hospitais. Perante esta situação, o que é que o nosso governo faz? Não assume a responsabilidade da decisão no parlamento (conferida pela maioria parlamentar) e, desta forma, propõe um referendo (consulta popular). Provavelmente, são estes jogos de “pequena política” que ajudam a afastar as pessoas da vida partidária, onde tudo se sacrifica em função de resultados eleitorais.</p>

<p>Eis a pergunta perante a qual temos o dever cívico de responder com um categórico sim ou não:<br />
"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"<br />
Mas não será esta uma questão demasiado complexa para merecer um singelo sim ou não? Penso que sim., e atrevo-me mesmo a afirmar sem grande risco de errar que existem vários sim e vários não em discussão. De qualquer forma, parece-me consensual referir que o principal argumento dos defensores do sim prende-se exactamente com a necessidade de evitar que as mulheres possam ser julgadas em tribunal, por terem efectuado uma interrupção voluntária da gravidez. Mas terá a resposta afirmativa perante esta pergunta a capacidade de evitar a presença de mulheres em tribunal? Obviamente que não. Se a despenalização se refere unicamente às dez primeiras semanas, então as mulheres que pratiquem a interrupção para além deste período continuarão a poder ser penalizadas. Isto é um facto claro, e não vejo, por parte dos defensores do sim, qualquer menção. E o aborto clandestino? Vamos finalmente resolver esta “chaga” da sociedade com a resposta afirmativa à pergunta? Claramente, não. Então se a despenalização se aplica unicamente às dez primeiras semanas, não vejo qual será a solução para as mulheres que queiram praticar a interrupção para além deste período. Também não encontro qualquer solução para o problema nos apoiantes do sim. <br />
E o que nos dizem os apoiantes do não? Associam imediatamente a despenalização à liberalização da interrupção voluntária da gravidez. Em boa verdade, não consigo objectivar com toda a certeza esta relação de causa/efeito. E porquê? Porque uma despenalização não conduz necessariamente à existência de uma liberalização. Basta, por exemplo, imaginar cenários em que as mulheres tenham que passar obrigatoriamente por acompanhamento especializado por parte de equipas multidisciplinares, e que a decisão final seja conjunta. Não podemos esquecer que é um período de grande vulnerabilidade por parte das mulheres e que uma decisão precipitada com uma carga emotiva suplementar pode ter consequências catastróficas para a mulher, para a sua família e, obviamente, para o seu filho/filha. Outro dos argumentos, por parte dos apoiantes do não, reside na defesa incondicional do embrião humano. Devo confessar que tenho grande respeito por este argumento, porque acredito que um embrião com dez semanas é inequivocamente um ser humano único – um património genético único e insubstituível. No entanto, esta minha convicção é baseada, naturalmente, nos meus princípios e não pretendo de forma alguma desvalorizar quem tenha uma opinião diversa, alicerçada em outras vivências culturais, morais, religiosas ou laicas. Chegados a este ponto, penso que a questão fulcral se prende com a necessidade de conciliar a liberdade, por parte da mulher, em poder praticar a interrupção voluntária da gravidez e o respeito, que penso ter que haver, para com um ser humano que dela depende para o seu desenvolvimento. Assim, acredito ter que haver uma argumentação, suficientemente forte, de modo a que os seus argumentos possam ser mais poderosos do que a vida do embrião. Pessoalmente, acredito ser um direito da mulher poder expressar e defender as suas convicções.<br />
É, pois, este o cenário em que nos encontramos presentemente. Um cenário em que vigoram as meias verdades e a hipocrisia e em que a perspectiva, até ao dia do referendo, contempla um acentuar da divergência entre as duas facções. Não consigo conceber algo de construtivo que possa nascer de uma tão profunda divisão. Faz falta construir pontes e não edificar muros.</p>

<p>Miguel Lopes<br />
</p>]]>
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<title>Saúde Oral - Artigo de opinião publicado no Diário do Minho em 30-12-2006</title>
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<![CDATA[<p>Na ressaca da defesa de uma tese de mestrado, é tempo da apresentação da mesma aos pares. Exige-se ao investigador um rodopio voluntarioso na expectativa de que o maior número de colegas tenha acesso ao seu trabalho.<br />
	É, no entanto, importante ter a noção de que os trabalhos científicos devem ter como objectivo máximo servir a população. Partindo desta premissa, abordarei um aspecto que me parece merecedor de destaque no estudo epidemiológico que serviu de base para a realização da tese de mestrado – cerca de oitenta por cento dos indivíduos constituintes da amostra referiu ter a percepção de possuir uma boa saúde oral, ainda que os resultados demonstrassem que, em média, cada indivíduo fosse possuidor de duas cáries e um dente perdido (idade média de vinte e seis anos).<br />
	Partindo deste paradoxo, parece-me justo pensar que não é possível realizar tratamentos numa população que pensa não possuir qualquer problema, e que, normalmente, tem como único critério para a visita a um consultório da especialidade, a presença de dor.<br />
	Ainda que seja meramente especulativa a extrapolação dos resultados desta população específica para a população em geral, apetece perguntar quantos dos nossos pacientes não terão o mesmo critério? Consequentemente, surge a pergunta: Será que o problema de saúde oral dos portugueses se deve unicamente à componente financeira ou ao receio da visita ao consultório, ou haverá um sério défice cultural latente? Não posso negar que muitos portugueses tenham grandes dificuldades financeiras, condicionando, desta forma, o acesso aos cuidados de saúde oral (os serviços públicos são, ainda, muito escassos) mas não estará a saúde oral no fundo das suas prioridades?<br />
	Perante este sério problema, cabe a todos os profissionais da saúde oral interagir com a população, saindo dos gabinetes. Sei bem que tem sido feito um esforço enorme por parte das associações representativas e que os resultados serão sempre visíveis a médio/longo prazo, mas perante tal cenário não podemos colocar a cabeça debaixo da areia como a avestruz e enviar a responsabilidade para terceiros. Ao escrever isto, não estou de forma alguma a desresponsabilizar os diversos governos que nos últimos anos têm conduzido a um crescente esvaziamento do Serviço Nacional de Saúde, privilegiando os serviços privados. Para contrariar este problema, resta-nos criar sinergias de modo a produzir uma consciência cívica mais bem formada e esclarecida. O método tem que passar indiscutivelmente por um aproveitamento da boa vontade e do saber científico dos profissionais da área da saúde, promovendo o diálogo com a população, toda ela sem excepções.<br />
	Que bonito seria se, com o empenho de todos, colocássemos a saúde oral no topo da agenda dos portugueses e, se fosse possível, realizar nos anos vindouros eventos como o dia da saúde oral nos diversos concelhos, contando com uma participação motivada das populações.</p>

<p>Miguel Lopes<br />
Licenciado em Medicina Dentária<br />
Mestre em Saúde Pública<br />
</p>]]>
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